dom dez 04, 2022
domingo, dezembro 4, 2022

UCRÂNIA: Tentam saquear empresas estatais de carvão

A classe trabalhadora ucraniana, de armas em punho, resiste heroicamente à invasão do Kremlin de Moscou nas linhas de frente. No entanto, deve enfrentar ataques pela retaguarda, que são endossados ​​por funcionários do governo de Kiev. Reproduzimos aqui a história ao vivo de um dos protagonistas da recente e prolongada greve na State Mining Company No. 9, “Novovolynska“, no oeste da Ucrânia.

Por: Vasil Volinsk

Acontece que em 29 de julho deste ano, o Ministro da Energia da Ucrânia Galushchenko emitiu um decreto nomeando o Sr. Gerashchenko como diretor interino da Mina Novovolynska nº 9, sem dar explicações ou motivos. O chefe do departamento ministerial, Sinyuk veio apresentá-lo junto com o recém-nomeado diretor interino e o diretor geral da empresa estatal de carvão “Volynuglya” Shikera.

Os mineiros receberam esta delegação “dignamente” e escoltaram este “trio” de volta ao local de origem. Essa “nomeação” fracassada foi precedido por um fato que ocorreu um mês antes dos eventos acima. Chegaram à empresa dois caras arrogantes, que se dedicaram, na época, a pressionar o diretor interino da mina nº 9, Yurkiv, obrigando-o a enviar carvão para uma empresa que eles definiriam. Caso contrário, seria demitido. Obviamente, houve uma recusa. E o resultado não demorou a chegar.

Todos pensaram que era apenas um episódio passageiro e que tudo estava acabado… Mas não. A empresa estava funcionando normalmente como sempre. E em 9 de setembro de 2022, uma dúzia e meia de “porros” (bandidos, jovens musculosos em roupas esportivas) invadiram a empresa escoltando uma pessoa que se identificou como o Sr. Troskó, “diretor da Mina nº 9 Novolynska”, que, por sua vez, havia contratado um advogado, bastante “famoso” pela apropriação ilegal de terras e com “amigos” na imprensa pelega. E o mais importante! O Sr. Troskó já havia conseguido “registrar” a empresa em seu nome!

Qualquer pergunta dos funcionários era respondida com ameaças de demissão. Os funcionários ligaram imediatamente para o chefe do departamento ministerial, Sinyuk, para pedir uma explicação sobre a situação. Sua resposta foi “não sei de nada e ninguém me informou”.

Durante um mês inteiro, os “porros”, transformados em seguranças privados, estiveram presentes na empresa 24 horas por dia. Ninguém conseguiu ver os documentos que comprovam a legalidade da sua permanência no território da empresa.

As forças de ordem pública, desde o início, excluíram-se e retiraram-se. E então começaram a acusar o coletivo de trabalhadores de incitar o conflito.

O chefe da Prefeitura, Sr. Lobach, e o sub-chefe militar regional de Volyn, Movenko, (o chefe se recusou a vir) vieram à empresa para “conhecer” a situação e, de fato, cumprir a formalidade. Por desobediência, o Serviço de Segurança Interna foi encaminhado à empresa. Houve três avisos de corte de energia, embora, curiosamente, estivesse com o pagamento em dia. O comandante militar enviou cinquenta intimações à mina. A polícia registrou e está investigando três denúncias contra os trabalhadores, embora tenham sido os próprios trabalhadores quem primeiro solicitaram a presença da polícia.

Os trabalhadores registraram denúncias contra os bandidos e contra um desconhecido, que filmou com uma câmera secreta online (um modem de celular foi encontrado em seu bolso, ao ser revistado). Mas, por alguma estranha razão, ninguém faz nada sobre esses fatos. No entanto, o Ministério organizou uma inspeção com um objetivo: encontrar material ou informação comprometedora que desacreditasse o ex-diretor interino, Yurkiv.

Quando chegaram os fundos para o pagamento dos salários, o Sr. Troskó, por iniciativa própria, tendo previamente acordado com o chefe da fazenda local, revogou as ordens de pagamento dos salários, bloqueando-as. Após um mês de paralisação, os trabalhadores da mina simplesmente ignoraram Troskó como gerente e se recusaram a trabalhar com ele. Só então, o ministro da Energia Galushchenko cancelou seu decreto e renomeou o ex-diretor Yurkiv. Esperemos que seja permanente.

Agora uma pequena explicação: de onde veio tudo isso e por quê? O governo alocou 2,5 bilhões de hryvnas (US$ 50 milhões) para a compra de carvão nacional. Para ter a oportunidade de “desembolsar” os fundos alocados, os chamados “controladores” colocam seu pessoal. Atualmente, o carvão enviado para as necessidades do estado custa 4.050 hryvnas por tonelada, sem IVA. Portanto, é ainda mais interessante. Obrigam a que este carvão seja enviado para “enriquecimento” (moagem e separação de outros minerais) às custas da empresa. Isso inclui pagamento de entrega e enriquecimento, etc. E isso representa uma perda de cerca de um terço. Após o processo de enriquecimento do carvão, ele é encaminhado para a usina termelétrica, onde é queimado.

Uma pessoa com pouco conhecimento do assunto não entenderá por que isso é ruim para os próprios mineiros do carvão. O problema está nos contratos que o ministério obriga os diretores das minas a assinar. Por causa disso, o custo de fabricação do carvão é significativamente subestimado. A mina deve pagar por tudo, pela entrega, pelo enriquecimento e alguns outros processos.

A principal dificuldade é que a mina receberá o dinheiro apenas 45 dias após o despacho. Ou seja, somente quando a estatal aceitar o carvão. Isto é, se a estatal tiver dinheiro. Mas via de regra, o dinheiro nunca existe ou não existe para todos. E também a mina tem que pagar adiantado a eletricidade, por causa da “reforma” do ex-ministro Nasalik!

Em suma, o Gabinete de Ministros e o Ministério da Energia estão deliberada e sistematicamente, para seu próprio benefício e de terceiros, destruindo a indústria de carvão ucraniana. É por isso que eles “empurram” seu pessoal para cargos de diretoria. Mas os empresários ou empresas privadas que compram carvão de empresas carboníferas vendem o mesmo carvão, só que o preço base é o dobro. Todos menos os mineiros ganham dinheiro com o carvão!

O mais importante é que neste momento, em que há guerra na Ucrânia, quando a flor da nação está morrendo na linha de frente, quando o agressor bombardeia toda a Ucrânia e civis são mortos, quando o inimigo destrói toda a infraestrutura e voluntários estão recolhendo os centavos e levando tudo que precisam para o front, algumas “pessoas” se dedicam a roubar empresas estatais!

E o Ministério não reage, o Gabinete de Ministros e a Presidência da República “escrevem cartas”. Todas as agências encarregadas de aplicação da lei não apenas não intervêm, mas também acompanham com entusiasmo os agressores. E as administrações militares distritais e regionais não veem nada de anormal nisso! Como dizem por aqui, “Para uns é a guerra e para outros sua mãe”.

UCRÂNIA: Tentam saquear empresas estatais de carvão

A classe trabalhadora ucraniana, de armas em punho, resiste heroicamente à invasão do Kremlin de Moscou nas linhas de frente. No entanto, deve enfrentar ataques pela retaguarda, que são endossados ​​por funcionários do governo de Kiev. Reproduzimos aqui a história ao vivo de um dos protagonistas da recente e prolongada greve na State Mining Company No. 9, “Novovolynska“, no oeste da Ucrânia.

Acontece que em 29 de julho deste ano, o Ministro da Energia da Ucrânia Galushchenko emitiu um decreto nomeando o Sr. Gerashchenko como diretor interino da Mina Novovolynska nº 9, sem dar explicações ou motivos. O chefe do departamento ministerial, Sinyuk veio apresentá-lo junto com o recém-nomeado diretor interino e o diretor geral da empresa estatal de carvão “Volynuglya” Shikera.

Os mineiros receberam esta delegação “dignamente” e escoltaram este “trio” de volta ao local de origem. Essa “nomeação” fracassada foi precedido por um fato que ocorreu um mês antes dos eventos acima. Chegaram à empresa dois caras arrogantes, que se dedicaram, na época, a pressionar o diretor interino da mina nº 9, Yurkiv, obrigando-o a enviar carvão para uma empresa que eles definiriam. Caso contrário, seria demitido. Obviamente, houve uma recusa. E o resultado não demorou a chegar.

Todos pensaram que era apenas um episódio passageiro e que tudo estava acabado… Mas não. A empresa estava funcionando normalmente como sempre. E em 9 de setembro de 2022, uma dúzia e meia de “porros” (bandidos, jovens musculosos em roupas esportivas) invadiram a empresa escoltando uma pessoa que se identificou como o Sr. Troskó, “diretor da Mina nº 9 Novolynska”, que, por sua vez, havia contratado um advogado, bastante “famoso” pela apropriação ilegal de terras e com “amigos” na imprensa pelega. E o mais importante! O Sr. Troskó já havia conseguido “registrar” a empresa em seu nome!

Qualquer pergunta dos funcionários era respondida com ameaças de demissão. Os funcionários ligaram imediatamente para o chefe do departamento ministerial, Sinyuk, para pedir uma explicação sobre a situação. Sua resposta foi “não sei de nada e ninguém me informou”.

Durante um mês inteiro, os “porros”, transformados em seguranças privados, estiveram presentes na empresa 24 horas por dia. Ninguém conseguiu ver os documentos que comprovam a legalidade da sua permanência no território da empresa.

As forças de ordem pública, desde o início, excluíram-se e retiraram-se. E então começaram a acusar o coletivo de trabalhadores de incitar o conflito.

O chefe da Prefeitura, Sr. Lobach, e o sub-chefe militar regional de Volyn, Movenko, (o chefe se recusou a vir) vieram à empresa para “conhecer” a situação e, de fato, cumprir a formalidade. Por desobediência, o Serviço de Segurança Interna foi encaminhado à empresa. Houve três avisos de corte de energia, embora, curiosamente, estivesse com o pagamento em dia. O comandante militar enviou cinquenta intimações à mina. A polícia registrou e está investigando três denúncias contra os trabalhadores, embora tenham sido os próprios trabalhadores quem primeiro solicitaram a presença da polícia.

Os trabalhadores registraram denúncias contra os bandidos e contra um desconhecido, que filmou com uma câmera secreta online (um modem de celular foi encontrado em seu bolso, ao ser revistado). Mas, por alguma estranha razão, ninguém faz nada sobre esses fatos. No entanto, o Ministério organizou uma inspeção com um objetivo: encontrar material ou informação comprometedora que desacreditasse o ex-diretor interino, Yurkiv.

Quando chegaram os fundos para o pagamento dos salários, o Sr. Troskó, por iniciativa própria, tendo previamente acordado com o chefe da fazenda local, revogou as ordens de pagamento dos salários, bloqueando-as. Após um mês de paralisação, os trabalhadores da mina simplesmente ignoraram Troskó como gerente e se recusaram a trabalhar com ele. Só então, o ministro da Energia Galushchenko cancelou seu decreto e renomeou o ex-diretor Yurkiv. Esperemos que seja permanente.

Agora uma pequena explicação: de onde veio tudo isso e por quê? O governo alocou 2,5 bilhões de hryvnas (US$ 50 milhões) para a compra de carvão nacional. Para ter a oportunidade de “desembolsar” os fundos alocados, os chamados “controladores” colocam seu pessoal. Atualmente, o carvão enviado para as necessidades do estado custa 4.050 hryvnas por tonelada, sem IVA. Portanto, é ainda mais interessante. Obrigam a que este carvão seja enviado para “enriquecimento” (moagem e separação de outros minerais) às custas da empresa. Isso inclui pagamento de entrega e enriquecimento, etc. E isso representa uma perda de cerca de um terço. Após o processo de enriquecimento do carvão, ele é encaminhado para a usina termelétrica, onde é queimado.

Uma pessoa com pouco conhecimento do assunto não entenderá por que isso é ruim para os próprios mineiros do carvão. O problema está nos contratos que o ministério obriga os diretores das minas a assinar. Por causa disso, o custo de fabricação do carvão é significativamente subestimado. A mina deve pagar por tudo, pela entrega, pelo enriquecimento e alguns outros processos.

A principal dificuldade é que a mina receberá o dinheiro apenas 45 dias após o despacho. Ou seja, somente quando a estatal aceitar o carvão. Isto é, se a estatal tiver dinheiro. Mas via de regra, o dinheiro nunca existe ou não existe para todos. E também a mina tem que pagar adiantado a eletricidade, por causa da “reforma” do ex-ministro Nasalik!

Em suma, o Gabinete de Ministros e o Ministério da Energia estão deliberada e sistematicamente, para seu próprio benefício e de terceiros, destruindo a indústria de carvão ucraniana. É por isso que eles “empurram” seu pessoal para cargos de diretoria. Mas os empresários ou empresas privadas que compram carvão de empresas carboníferas vendem o mesmo carvão, só que o preço base é o dobro. Todos menos os mineiros ganham dinheiro com o carvão!

O mais importante é que neste momento, em que há guerra na Ucrânia, quando a flor da nação está morrendo na linha de frente, quando o agressor bombardeia toda a Ucrânia e civis são mortos, quando o inimigo destrói toda a infraestrutura e voluntários estão recolhendo os centavos e levando tudo que precisam para o front, algumas “pessoas” se dedicam a roubar empresas estatais!

E o Ministério não reage, o Gabinete de Ministros e a Presidência da República “escrevem cartas”. Todas as agências encarregadas de aplicação da lei não apenas não intervêm, mas também acompanham com entusiasmo os agressores. E as administrações militares distritais e regionais não veem nada de anormal nisso! Como dizem por aqui, “Para uns é a guerra e para outros sua mãe”.

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