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segunda-feira, fevereiro 26, 2024

Juventude Internacional para A Libertação da Ucrânia

A guerra na Ucrânia contra a ocupação russa e o papel central da resistência operária e popular ucraniana são o epicentro da luta de classes internacional.

A Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional) (LIT-CI) se posiciona ao lado da resistência ucraniana contra a agressão russa e pela recuperação de todo o território ucraniano.

No âmbito da nossa atividade militante decidida a fazer todo o possível pela vitória da resistência ucraniana, desenvolvemos uma série de atividades de solidariedade. Nos últimos meses, a juventude de várias seções da Liga Internacional dos Trabalhadores trabalhou em conjunto com a juventude da resistência ucraniana e outras organizações internacionais para fortalecer a solidariedade da juventude com a luta do povo ucraniano. Deste trabalho nasce Youth4UkrainianResistance (Juventude pela Resistência Ucraniana) e este manifesto que expomos abaixo.

Acreditamos que é essencial que a juventude de todo o mundo se manifeste e milite ativamente pela derrota da invasão russa e pelo triunfo das massas ucranianas. Por isso, apelamos às diferentes organizações de juventude para que se unam a este esforço e aderir a este manifesto.

As adesões ao manifesto podem ser feita no seguinte link: https://linktr.ee/youth4ur

Nota:

Na LIT estamos fazendo um debate interno para definir a natureza do Estado russo. Embora entendamos que se trata de uma agressão de uma potência econômica e militar regional contra um estado semicolonial, temos reservas em definir a Rússia como imperialista. No entanto, apesar dessa diferença com o manifesto, acreditamos que são imprescindíveis os vínculos estabelecidos com esses grupos e um bom momento para começar a debater

Juventude Internacional para a Libertação da Ucrânia

Jovens da classe trabalhadora na vanguarda

Os jovens de famílias da classe trabalhadora estão na vanguarda das lutas internacionais contra a opressão política, social e econômica; eles desempenham um papel fundamental na luta pelas liberdades democráticas, bem como se defendem contra os ataques da classe dominante às nossas condições de vida — diminuindo nossos padrões de educação, moradia e condições de trabalho.

Os jovens da Ucrânia não estão em uma posição invejável. Sua luta interna pela democracia e contra o autoritarismo ainda permanece em um processo rumo à ressonância: sentimentos de indecisão e inseguranças em relação ao seu futuro têm pesado em suas mentes por mais de 30 anos. Seus trabalhos raramente são agradáveis ou bem pagos, sua educação acontece longe de seus campus, e suas aspirações são regularmente destruídas por uma Rússia imperialista. Os jovens da Ucrânia hoje estão vendo suas vidas e suas cidades sendo destruídas, e seu povo sendo bombardeado e massacrado pelas tropas russas. 

Eles são forçados a negligenciar ou desistir de seus estudos e planos de vida. Os jovens ucranianos estão se juntando a uma defesa territorial de regimentos de defesa ao lado do resto da classe trabalhadora, lutando na linha de frente nas mesmas bases que as forças armadas da Ucrânia, ainda que o governo de Zelensky tenha recentemente aprovado duas leis (leis 5371 e 5161) que permitem a piora das condições de trabalho. Isso é claramente tirar vantagem da guerra para escapar de qualquer possível oposição. Em última análise, o governo ucraniano está enfraquecendo a resistência ucraniana à invasão russa, já que a resistência é formada, principalmente, das pessoas da classe trabalhadora. 

Apesar das traições de seu próprio governo, trabalhadores e jovens pobres estão indo para a guerra para defender a integridade de seu país, seu modo de vida e, finalmente, defender seu direito à autodeterminação política contra o domínio russo. Os jovens do resto do mundo devem se perguntar qual deve ser sua posição sobre a guerra ucraniana.

Qual deve ser a posição dos jovens internacionalmente em relação à guerra na Ucrânia?

 A guerra da Ucrânia é uma consequência da invasão perpetrada pelo segundo mais forte poder militar do mundo – o exército russo, liderado pelo governo de Putin – contra um país muito mais fraco, historicamente oprimido pela Rússia. A opressão histórica da Ucrânia foi inicialmente realizada pelo império russo czarista, com figuras como Ivan, o Terrível, ou Catarina I. Além disso, foi assumido por Joseph Stalin e pelo regime burocrático e autoritário da URSS, que agiu contra  o direito à autodeterminação nacional que os ucranianos conquistaram durante a revolução ucraniana entre 1917-1921. 

E agora é Vladimir Putin que tenta reprimir todos os tipos de grupos étnicos minoritários: dos tártaros da Criméia aos ucranianos e chechenos, e de Yakuts aos Mari. O regime russo está desempenhando um papel totalmente reacionário na Europa Oriental e na Ásia. Sua política interna visa atomizar e despolitizar a sociedade, purgar a oposição (incluindo forças de esquerda) e apoiar organizações com retórica descaradamente ligadas à ultradireita e até fascistas.

Isso tudo sem mencionar a propaganda agressiva anti-LGBT nos canais estatais e sua perseguição às pessoas LGBT. Ao mesmo tempo, com sua política externa, o país apoia entusiasticamente ou participa abertamente da supressão de protestos populares e operários, que tem sido visto repetidamente na Bielorrússia,Cazaquistão, Chechênia, etc. O fato da Rússia se opor aos Estados Unidos não o torna um regime progressista e, muito menos, democrático. A linha de frente da defesa da Ucrânia contra as garras da Rússia tem sido, e sempre será alimentada pelo movimento estudantil. Os estudantes estavam presentes na luta pela independência da Ucrânia que culminou na Revolução Estudantil em Granito, a Revolução Laranja, e permitiu que a transição para a democracia começasse adequadamente.

Eles também estavam presentes na Revolução da Dignidade (também conhecida como Revolução Maidan), que solidificou a ruptura econômica e política da Ucrânia da Rússia. A revolução de Maidan, infelizmente, teve um custo: a Rússia a viu como a gota d’água, e decidiu anexar a Crimeia e iniciar uma guerra em Donbass. Até 2022, a Rússia não estava satisfeita com o status quo, então eles iniciaram uma invasão em larga escala da Ucrânia para impor seus interesses políticos e econômicos sobre a vontade e resistência do povo ucraniano — que permanecem muito fortes.

Toda nação deve ter o direito de se defender contra a opressão, de defender sua cultura, linguagem, autodeterminação política e soberania nacional. Não é a Ucrânia que está atacando a Rússia, é a Rússia que está destruindo um país, como fizeram na Síria. Por causa disso, a juventude do mundo deve apoiar a resistência ucraniana e a derrota do exército russo. Não podemos cair na propaganda de Putin sobre a “desnazificação” da Ucrânia: o infame Batalhão Azov consiste, na melhor das hipóteses, de 2.500 pessoas (conta mais baixa diz que há apenas 900), enquanto hoje há mais de 700.000 pessoas alistadas na resistência ucraniana.

Homens e mulheres jovens, estudantes e trabalhadores, compõem uma parte considerável das forças armadas da Ucrânia, particularmente a defesa territorial. Embora o Estado isenta os estudantes universitários de recrutamento, muitos estudantes participam voluntariamente da resistência armada. A luta histórica contra a grande opressão russa é, em última análise, uma luta pela libertação ucraniana e independência contra qualquer forma de dominação imperialista. É por isso que o exército russo deve ser derrotado.

Como devemos apoiar os combatentes ucranianos?

 A estratégia russa atual é um uso maciço de artilharia pesada. O povo ucraniano quer lutar, mas eles não têm as armas necessárias para destruir artilharia russa e aviões, por isso a obtenção de armas pelo povo ucraniano é uma questão de vida ou morte. É por isso que o método mais importante para apoiar a resistência ucraniana é exigir o fornecimento incondicional de armas pesadas à Ucrânia. Essa é a única maneira de eles serem capazes de ganhar a guerra. Qualquer outra posição, como o pacifismo, ou um apoio abstrato, significa praticamente negar o direito à autodefesa, e contribui para a vitória russa. O povo ucraniano já assumiu a tarefa de se defender, o que manteve a guerra até agora. Mas para ganhar esta guerra, precisa de apoio material, especificamente armas pesadas.

Defender a resistência ucraniana não significa apoiar a OTAN ou o governo Zelensky

O imperialismo americano e europeu, apesar de prometer armas, não enviam o que é necessário, e aproveitam a oportunidade para justificar seu próprio rearmamento. Ao mesmo tempo, as mãos da UE estão manchadas de sangue ucraniano, pois financiam a campanha militar de Putin comprando gás e petróleo da Rússia, e continuam a se apropriar da riqueza ucraniana através da dívida externa. A OTAN e a UE não querem uma vitória total para a resistência ucraniana, em vez disso pressionam Zelensky a aceitar dividir o país com a Rússia, de acordo com uma divisão imperialista do território. A OTAN negando os armamentos necessários para a resistência ucraniana deixa a Ucrânia em perigo. 

Os governos europeus só tomaram a posição (superficial) de apoio que atualmente detêm porque as massas ucranianas resistiram desde o início, e porque as massas internacionalmente são contra a agressão russa. Ao mesmo tempo, Zelensky aproveitou a guerra para atacar os direitos dos trabalhadores e os direitos dos jovens, tanto em geral quanto particularmente aqueles que estavam na linha de frente. Eles acabaram de aprovar duas leis que, por um lado, criam uma nova forma de contrato de trabalho que desregula a limitação das horas de trabalho, e, por outro lado, permitem que os capitalistas ignorem os direitos dos trabalhadores em empresas com mais de 250 funcionários.

Os capitalistas também estão sendo autorizados a demitir todos os trabalhadores que foram para a linha de frente para defender seu país. A situação para os estudantes não é melhor: o Estado ucraniano ainda obriga os estudantes a continuar pagando por sua educação, mesmo que em muitos lugares isso não esteja ocorrendo, e em qualquer outro lugar ele fica muito atrás do nível pré-guerra. Tornou-se cada vez mais frequente para os alunos da frente receberem cartas de suas instituições de ensino afirmando que não poderão mais continuar seus estudos devido a problemas com a administração da universidade. Enquanto isso, os deputados aumentam seus próprios salários, mostrando que o povo ucraniano não pode confiar nem no governo Zelensky nem no parlamento.

 A necessidade de realizar uma grande campanha internacional de jovens em apoio à resistência ucraniana e à auto-organização.

Os jovens são a geração que viverá neste mundo por mais tempo, mas nunca nos foi dada a chance de decidir como funciona ou tentar mudá-lo. Além de lutar por nossos direitos democráticos, também devemos construir um mundo diferente do em que nascemos. Que seja um mundo de libertação para jovens, estudantes e trabalhadores. Mas para construir um novo mundo temos que ser claros: em última análise, nem a OTAN, nem a Rússia, nem qualquer governo burguês garantirá os direitos e a vida dos jovens e trabalhadores se isso for contra seus interesses econômicos e políticos; pelo contrário, eles vão atacá-los, como estamos vendo dia após dia. Só podemos garantir nossa independência política, tomando a luta em nossas próprias mãos e avançando nossa auto-organização política, como os jovens, estudantes e trabalhadores ucranianos estão fazendo.

Hoje, a principal tarefa dos jovens ucranianos que buscam o direito à autodeterminação política (e muitos outros direitos) é derrotar as tropas russas invasoras. É por isso que devemos realizar uma campanha internacional de solidariedade, reunindo jovens de todo o mundo que desejam apoiar a resistência ucraniana. Jovens que são a favor da derrota das tropas russas, pela entrega incondicional de armas à Ucrânia, e pela suspensão da dívida externa.

Nós, apoiadores da juventude e classe trabalhadora Ucraniana, demandamos o envio incondicional de armas pesadas à Ucrânia!

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