dom set 25, 2022
domingo, setembro 25, 2022

Temos que defender Cristina da perseguição política?

Polêmica com o PTS / Por PSTU-Argentina

Nem bem foi divulgada a declaração do promotor Diego Luciani, tanto Miryam Bregman como Nicolás del Caño, deputados e principais figuras públicas do PTS e da FIT-U, repudiaram o pedido de condenação. Segundo Bregman se trata de uma “perseguição política que inclui um pedido de desabilitação antidemocrático para @CFKArgentina. Para não serem usadas como meio de perseguição ou proscrição, como vimos no Brasil, as acusações de corrupção na obra pública devem ser julgadas por jurados populares”. Depois, em uma declaração de 23/8 (1), negam estar defendendo Cristina, mas é indubitável que sua declaração e argumento central estão afinados com a campanha do kirchnerismo, o PJ e o Governo e os localiza ainda que “criticamente” no mesmo campo político burguês.

Embora em suas declarações também mencionem a corrupção sob os governos kirchneristas, a tese central que fundamenta sua posição é a mesma que Cristina vem expressando: trata-se de um caso de “lawfare”. Ou seja, a “direita”, o imperialismo e os grandes grupos econômicos burgueses usam setores da Justiça para perseguir e proscrever os líderes “progressistas” latino-americanos como Lula ou ela. 

Neste caso a argumentação complica um pouco para o PTS, porque acontece que a “progressista perseguida” é a que está aplicando, com seu aliado Sergio Massa, “superministro” da Economia, o feroz ajuste do FMI e seu Governo é o que vai oferecer a Washington o gás, o petróleo e o lítio aos polvos imperialistas. Para sair do atoleiro dizem que na realidade o capital financeiro e as patronais agrárias querem “disciplinar” para que não fuja do apoio às medidas. Então: onde ficam a perseguição e a proscrição? Se na realidade é apenas a típica chantagem das patronais para pressionar os governos de conciliação de classes, o PTS estaria sendo funcional para a manobra do kirchnerismo de vitimizar-se para ocultar sua política antioperária e entreguista.

A condenação de Cristina: colocaria em risco as liberdades democráticas?

Outro dos argumentos centrais do PTS para justificar sua posição é que “Toda arbitrariedade de um poder de Estado nas mãos de uma fração capitalista contra outra, mais cedo que tarde, será destinada sem piedade contra as e os lutadores da maioria explorada e oprimida, e contra as correntes políticas que defendemos essa perspectiva de luta.” (2). Isto é verdade e por isso, por exemplo a LIT-QI (nossa organização internacional) se opôs ao fechamento da mídia de oposição RCTV pelo governo chavista na Venezuela.

Mas o PTS parece desconhecer que a burguesia não precisa do julgamento de Cristina para usar os poderes do Estado, e particularmente a Justiça, para perseguir os/as lutadores/as operários/as e populares. Vem fazendo isso sob todos os governos democráticos e por isso há milhares que foram processados e muitos condenados com provas fraudulentas ou arrancadas com torturas, como os presos de Las Heras sob governos kirchneristas. Ou como a brutal perseguição e posterior encarceramento arbitrário sob este governo de Sebastián Romero, ou o encarceramento e condenação sem provas que o justifiquem de Daniel Ruiz e César Arakaki por exemplo. Ali foram vistas todas as arbitrariedades legais que o PTS denuncia em relação a Cristina: acusação de “associação ilícita”, uso extorsivo da prisão preventiva para conseguir delações e negação de direitos processuais.

Solidarizar-se politicamente com Cristina, em vez de denunciar a verdadeira perseguição que nós lutadores operários e populares sofremos sob esta democracia de ricos, em nada ajuda o avanço da consciência operária. E além disso, é funcional para a manobra de colocar o movimento operário como seguidor do projeto burguês kirchnerista.

NOTAS

(1) https://www.laizquierdadiario.com/La-corrupcion-no-se-puede-enfrentar-con-la-persecucion-politica-de-la-casta-judicial

(2) idem.

Tradução: Lilian Enck

Confira nossos outros conteúdos

Artigos mais populares