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sexta-feira, junho 14, 2024

Rede Sindical prepara o segundo comboio de Ajuda Operária à Ucrânia

A Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas planeja enviar um segundo comboio da Campanha de Ajuda Operária à Ucrânia neste mês de outubro.(I)

Por: Fábio Bosco

Definida em seu 4o Encontro realizado na cidade de Dijon na França entre os dias 21 e 24 de abril de 2022, esta campanha vai se tornando um importante ato de solidariedade internacional entre trabalhadores e trabalhadoras de diferentes países, além de se constituir em uma das principais campanhas internacionalistas realizadas pela Rede Sindical Internacional em seus dez anos de existência. (II)

O primeiro comboio foi enviado ainda no mês de abril. Foram entregues diretamente ao sindicato dos mineiros e metalúrgicos de Kryvyi Rih cerca de 800 quilos em ajuda humanitária (principalmente alimentos e geradores de energia) e foi realizada uma conferência sobre as dimensões da guerra no dia 1 de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras, na cidade de Lviv, preparada pela organização ucraniana Sotsyalniy Rukh. (III)

O fortalecimento desta campanha de solidariedade operária se expressa na ampliação de organizações participantes e também no volume da ajuda humanitária. Além das organizações sindicais presentes no primeiro comboio – Solidaires da França, CSP-Conlutas do Brasil, Iniciativa Operária da Polônia, ADL-Cobas da Itália e o Grupo 1o de Maio da Lituânia, se somam a este segundo comboio as organizações L’Émancipation da França, Co.bas do Estado Espanhol além de integrantes da Rede Sindical Internacional no Reino Unido. Os organizadores planejam entregar ao sindicato dos mineiros e metalúrgicos de Kryvyi Rih cerca de 2 toneladas de ajuda humanitária (principalmente materiais de primeiros socorros e também geradores de energia) a partir de campanhas de doações e arrecadação de fundos em vários países com destaque à arrecadação realizada pelo Solidaires na França.

Este comboio chegará ao país após sete meses do início da agressão russa iniciada em 24 de fevereiro. Atrocidades e devastação marcam a ofensiva militar russa. A descoberta de covas coletivas denunciam o covarde massacre de civis em Bucha e Izium que representam crimes de guerra. A expulsão da população ucraniana da região do Donbass e do litoral do país – através de massacres como o realizado contra a população da cidade de Mariupol – se constitui em um processo de limpeza étnica – um crime contra a humanidade – e demonstra que mesmo a população russófona se opõe à agressão e à ocupação liderada por Vladimir Putin. (IV)

A maciça resistência da classe operária ucraniana impediu Putin, até o momento, de realizar seu objetivo de conquistar a Ucrânia, anexar territórios e impor uma ditadura subordinada a Moscou. A adesão de centenas de milhares de voluntários às unidades de defesa territorial e ao exército regular, com o apoio da população em cada cidade já impôs duas derrotas importantes aos agressores russos no norte do país ao redor das cidades de Kiev e Kharkiv, enquanto cresce a resistência operária e popular na importante cidade sulina de Kherson.

Na contramão do fortalecimento da resistência ucraniana, o governo Zelenski promulgou leis trabalhistas anti-operárias entre as quais leis que:

– desobrigam as empresas de pagar salários a operários alistados no exército ou voluntários nas forças de defesa territoriais;

– desobrigam as empresas com menos de 250 trabalhadores de cumprir direitos trabalhistas ou de negociar com os sindicatos, atingindo 70% da classe trabalhadora ucraniana;

– suspendem contratos de trabalho possibilitando às empresas ampliar ou reduzir a jornada de trabalho unilateralmente;

– criam um contrato de trabalho de “zero-horas”, ou seja, sem uma jornada de trabalho definida e portanto sem qualquer pagamento garantido.

Além disso, o governo não tomou qualquer medida para garantir o abastecimento de produtos básicos a preço de custo, sem a intermediação de especuladores ligados à oligarquia capitalista que dirige o país, e que busca lucrar em meio à guerra.

Tanto as novas leis trabalhistas anti-operárias como a especulação de preços de produtos básicos desmoralizam todo o gigantesco esforço da classe trabalhadora ucraniana na defesa do país. (V)

Imperialismo americano e europeu não entregam as armas necessárias para a vitória ucraniana

Apesar da propaganda ocidental em torno do “apoio” do imperialismo americano e europeu à Ucrânia, o fato é que os governos americanos e europeus não proveem as armas necessárias para a Ucrânia vencer a guerra. Os anúncios de novos orçamentos militares estão a serviço da corrida armamentista de cada país imperialista e não do apoio à Ucrânia. (VI)

O imperialismo ocidental não quer uma vitória plena russa que provocaria mais crises na ordem mundial. Também não quer uma derrota russa que poderia desencadear levantes operários na Rússia, na Chechênia, na Geórgia, Cazaquistão, Síria, ameaçando os negócios de grandes corporações internacionais e desestabilizando toda uma região do planeta com repercussão mundial. (VII)

Esquerda internacional dividida entre Putin e a neutralidade

A maioria das forças de esquerda reformistas em todo o mundo fecha os olhos para o direito do povo ucraniano à sua autodeterminação e se posiciona direta ou indiretamente ao lado de Putin “contra a OTAN”. Entendem que a resistência operária ucraniana constitui apenas as “forças terrestres” da OTAN. Elas nada dizem sobre o caráter do regime russo, um regime capitalista e autocrático a serviço da oligarquia russa baseado na polícia política.

Há ainda os pacifistas, os adeptos da neutralidade, ou ainda aqueles que defendem a retirada das tropas russas mas são contrários ao envio de armamento à Ucrânia. É o caso de um manifesto lançado por personalidades feministas internacionais que foi rechaçado pelas organizações feministas e LGBTs ucranianas que lançaram um contra-manifesto pelo seu direito de resistir.(VIII)

Fortalecer a solidariedade internacional

A Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional) – LIT-QI, se posiciona ao lado da resistência ucraniana contra a agressão russa e pela retomada de todo o território ucraniano incluindo as regiões do Donbass e da Criméia tomadas pela Rússia em 2014.

Exigimos a entrega de todo o armamento necessário para que o povo ucraniano possa se defender e expulsar as tropas agressoras. Ao mesmo tempo denunciamos a hipocrisia dos países imperialistas e sua corrida armamentista cujo objetivo é de manter sua dominação e espoliação dos povos de todo o mundo, e também as reformas trabalhistas do governo Zelenski a serviço da oligarquia ucraniana.

Apoiamos as iniciativas de solidariedade internacional dirigidas à classe operária ucraniana que está à frente da resistência, em particular a Campanha de Ajuda Operária à Ucrânia impulsionada pela Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas como um exemplo vivo do internacionalismo proletário, que mais que nunca é necessário para construir uma alternativa operária ao desastre capitalista.

Notas:

(I) https://laboursolidarity.org/pt/n/2324/segundo-comboio-de-ajuda-operaria-a-ucrania

(II) https://laboursolidarity.org/pt/encontros-da-rede/n/142/4-encontro-da-rede-reune-cerca-de-200-ativistas-e-celebra-avanco-importante-da-entidade

(III) https://laboursolidarity.org/n/132/la-red-viaja-a-ucrania-con-un-convoy-de-ayuda-a-los-trabajadores

(IV) https://litci.org/pt/2022/09/12/sobre-a-ofensiva-ucraniana-em-karkiv-e-as-condicoes-para-a-derrota-militar-de-putin/

(V) https://litci.org/pt/2022/08/12/deputados-e-governo-ucranianos-minam-a-resistencia-contra-os-invasores/ 

(VI) https://litci.org/pt/2022/09/08/manifesto-politico-do-xiv-congresso-da-lit-qi/

(VII) https://litci.org/pt/2022/07/05/a-ucrania-diante-da-ameaca-de-partilha-todo-apoio-a-vitoria-do-povo-sobre-a-invasao-de-putin/

(VIII) http://cspconlutas.org.br/noticias/n/16676/ucrania-movimento-de-mulheres-exige-em-carta-direito-de-resistir

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