qui jul 18, 2024
quinta-feira, julho 18, 2024

Uruguai| Aprofundar a luta

A partir das bases e das lutas operárias

A crise capitalista mundial e suas consequências em todos os aspectos se agravam ao compasso da guerra da Rússia contra a Ucrânia. O FMI acaba de publicar um informe onde adverte a tendência da economia para uma recessão que seria a pior dos últimos 50 anos. A inflação mais alta das últimas décadas afeta o imperialismo ianque, o europeu e o mundo inteiro. A crise energética e industrial se aprofunda com epicentro na Europa e a fome (“crise alimentar”) se expande.

Por: IST Uruguai

O imperialismo e as burguesias do mundo inteiro descarregam as calamidades de seu podre sistema sobre as costas dos trabalhadores. A classe operária e as massas respondem com greves e levantes: a luta de classes se incendeia. A profunda crise capitalista que se desenvolve e seus saltos bruscos serão a marca dos próximos anos e reatualizam a histórica disjuntiva de socialismo ou barbárie.

Uruguai: ataques patronais e conflitos operários

Em nosso país, o governo dos ricos de Lacalle Pou e seus sócios deu livre curso para que os preços continuem aumentando enquanto continua com os cortes, as perdas salariais e o ataque aos sindicatos, em aliança com as grandes patronais que continuam se enriquecendo. O conflito na CONAPROLE (Cooperativa Nacional de Produtores de Leite)  e a indústria láctea mostra de forma nítida essa política antioperária.
Os trabalhadores vêm perdendo salário durante mais de um ano enquanto a empresa é uma das maiores exportadoras do Uruguai. Parte desse punhado de grandes empresários que se enriqueceram e acumularam fortunas com suas vendas ao exterior amparados e favorecidos pelo governo.

O cerne do conflito está em que a patronal pretende impor ao sindicato uma nova “cláusula de paz” que este qualificou como leonina e que amarra ainda mais os pés e mãos dos trabalhadores e suas demandas. A isso se somaram a demissão abusiva de uma trabalhadora chefe de família, o que colocou mais lenha na fogueira. Justino Zabala, diretor da Associação de Produtores de Laticínios afirmou que a posição da patronal se deve a uma “mudança de atitude”, agora mais “firme” contra os operários para fazê-los retroceder em suas lutas e conquistas.

Operárias e Operários de SOOFRICA em Durazno. Paralisação e mobilização da FOICA – Foto Facebook SOOFRICA

Junto com isso, desenvolvem uma campanha contra os trabalhadores: ameaçam processar o sindicato, com o fechamento da empresa, com enviar ao seguro desemprego. Em tudo isso, contaram com o óbvio apoio do governo de Lacalle Pou e seu Ministério do Trabalho.

Frigoríficos e pesca

No Frigorífico Canelones os operários foram surpreendidos, outra vez, pelo anúncio da patronal do envio dos 700 trabalhadores ao seguro desemprego apesar da indústria frigorífica ter obtido lucros recordes pelas suas exportações.

No setor se denunciam demissões arbitrárias, perseguição sindical e violação do acordo coletivo. Isto levou a Federação da Carne (FOICA) a se declarar em conflito.

Por outro lado, a Câmara das Indústrias de Pesca emitiu um duro comunicado contra o sindicato, solicitando a intervenção do governo e ameaçando com a perda de “milhares de empregos”, como resposta a um conflito com os operários que paralisaram cinco navios e como forma de atacar a organização sindical.
Como cereja do bolo, o governo acaba de elaborar o anteprojeto da Reforma da Seguridade Social que será outro duro ataque que se soma à deterioração das condições de vida da classe operária e dos setores populares.

Para aprofundar a luta, que todas as decisões sejam pela base

Por cima, tanto o oficialismo como a oposição da Frente Ampla começam a falar de candidaturas para as eleições de 2024 porque sua única preocupação é continuar perpetuando este sistema capitalista explorador e opressor, cada dia mais decadente. Mas isso não é nossa tarefa.

Nós, operárias e operários precisamos nos organizar pela base para lutar frontal e conjuntamente contra os ataques do governo e das patronais. Para isso, a partir de cada sindicato e associação a democracia operária deve ser imposta, que as bases decidam tudo: cada passo, cada medida, cada reivindicação. Contra o ajuste do governo, lutar por um plano operário e popular!

Salário mínimo de meia cesta básica ($55mil)!
* Reajustes salariais mensais igual à inflação!
* Redução da jornada de trabalho sem perda de salário para dar trabalho a todos!
* 6+1% para a educação pública, agora!
* Não ao pagamento da dívida externa!
* Não à Reforma da Seguridade Social!

Que as bases decidam tudo! Nada nas costas dos trabalhadores!

Tradução: Lilian Enck

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