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sexta-feira, agosto 12, 2022

Colômbia| Contra a ameaça autoritária e machista de Rodolfo Hernández,  voto crítico em Petro e Francia no segundo turno

Diante dos resultados do primeiro turno nas eleições presidenciais, o Partido Socialista dos Trabalhadores chama o conjunto da classe operária e o povo colombiano a derrotar a ameaça autoritária de Rodolfo Hernández, votando criticamente em Gustavo Petro e Francia Márquez no segundo turno presidencial.

Por: PST Colômbia

Os resultados do primeiro turno ratificaram que existe uma crescente polarização na Colômbia, que é a expressão do despertar da consciência de luta de milhões, que não estão dispostos a aguentar mais miséria, desigualdade, violência e repressão. Esta consciência foi expressa na Paralisação Nacional e agora de forma distorcida no processo eleitoral.

A candidatura de Petro e Francia consegue capitalizar grande parte deste descontentamento social. Sua campanha com praças cheias e com os mais de oito milhões e meio de votos, mostra as expectativas e ilusões que há entre os trabalhadores e setores populares lutadores que veem nesta candidatura a possibilidade de uma mudança e de derrotar o uribismo no terreno eleitoral.

Porém, por outro lado, a altíssima votação que Rodolfo Hernández obteve, surpreendeu, pois passou da terceira posição nas pesquisas, subiu na intenção de voto nas últimas semanas e foi para o segundo turno. Hernández também consegue capitalizar parte importante do descontentamento, o cansaço com a corrupção e os desejos de mudança, só que pela direita, com um discurso autoritário aparentemente “antipolítico”.

Agora, após o fracasso de Fico (Federico Andrés Gutiérrez Zuluaga), apesar do incômodo que causa em algumas elites da burguesia tradicional, hoje os setores mais reacionários da classe capitalista veem em Rodolfo Hernández a possibilidade de conseguir unificar as forças contra Petro e ganhar as eleições.

O que significa a votação de Rodolfo Hernández?

Rodolfo Hernández é um capitalista, que entra no terreno direto da política com um discurso contra os partidos e políticos tradicionais, apelando para a desconfiança e descontentamento com as instituições do Estado, carcomidas pela corrupção. Assim chega à prefeitura de Bucaramanga, e com essa mesma tática consegue chegar ao segundo turno.

Claramente Hernández, não representa a grande burguesia do país e não é o candidato que preferiam. Enriqueceu-se graças ao suculento negócio da construção e especulação imobiliária, lucrando diretamente os juros das casas que vende, sem recorrer aos bancos tradicionais.

Expressa na Colômbia um fenômeno parecido ao de Trump nos Estados Unidos e Bolsonaro no Brasil. O de um empresário “valentão” com um forte discurso contra a corrupção e a desprestigiada instituição. O discurso autoritário, populista e misógino de Rodolfo, é aplaudido pelos setores mais despolitizados da população, capitalizando o medo semeado por Fico e o uribismo com relação à Petro. Paradoxalmente, grande parte de sua votação foi obtida apelando para uma mudança. Mas, embora compartilhem o descontentamento contra o Governo, e inclusive contra o uribismo com aqueles que votaram em Petro, os que acreditam na imagem de independência e limpeza do “Engenheiro” estão apoiando uma saída ainda mais regressiva que o atual governo de Duque.

Embora haja diferenças importantes com Trump ou Bolsonaro (Trump é parte do aparato do Partido Republicano, e representou os interesses da burguesia imperialista) é possível caracterizar como parte do fenômeno da ultradireita mundial, que frente à falta de alternativas consequentes pela esquerda, ganha terreno com um discurso “linha dura” contra a corrupção e as instituições podres do regime. Seu discurso contra o parlamento corrupto pode facilmente legitimar saídas autoritárias, como sua dissolução e a maior concentração de poderes.

Um “antipolítico” que aprofundará o autoritarismo

Apesar de seu discurso anticorrupção e anti-instituição, contra os partidos e a política, Hernández não representa uma saída democrática frente ao regime bonapartista, ou seja, autoritário. Pelo contrário, se chegar ao governo, certamente aprofundará a repressão e restringirá as liberdades democráticas. Também é altamente provável que tente jogadas para fazer retroceder os direitos das mulheres e dos LGBTI; assim como medidas de perseguição contra a população migrante. Em especial é uma ameaça contra o recém-conquistado direito ao aborto, embora suas declarações sobre a questão sejam contraditórias.

Candidata-se a paladino da luta anticorrupção, sendo ele próprio investigado por este delito, mas canalizando o cansaço geral da população diante de fatos de corrupção e de impunidade tão generalizados, propõe tirar os corruptos e por ordem.

Para ganhar a presidência, já está recebendo o apoio aberto ou velado de todos os corruptos que diz combater. Isso implicará em uma perversa combinação entre o continuísmo da guerra econômica contra a população, com uma gestão autoritária do Estado. Pretende governar como gerencia seus negócios capitalistas: minimizar gastos, maximizar o usufruto privado com “linha dura”.

Para nós trabalhadores essa perspectiva não é indiferente, e desde já, temos que lutar pela sua derrota, nas urnas e nas ruas, pois significa um grande obstáculo na tarefa necessária de derrotar o regime autoritário instaurado por Uribe há 20 anos.

A perspectiva do segundo turno: Voto crítico em Petro e Francia, e organizar a luta

Para o segundo turno, mantemos o chamado ao voto crítico em Petro e Francia, contra a ameaça autoritária e machista de Rodolfo Hernández e da unidade burguesa que está conseguindo.

Devemos nos unir para denunciar e rechaçar o machismo, a homofobia, e autoritarismo que este personagem representa. Também devemos alertar que Rodolfo Hernández não é um candidato anticorrupção, mas um corrupto cínico.

Seu discurso superficial, o caráter vazio e falso de seu “antissistema”, representam o continuísmo do pior do regime, do uribismo, da violência, da exploração e da opressão. Por isso o uribismo se inclina a  apoiá-lo.

Se Petro e Francia querem ganhar mais votos, terão que buscar uma aliança com os de baixo, com os abstencionistas, com os oprimidos, com os explorados. A tática de somar votos com mais alianças de burgueses e tecnocratas, e até parapolíticos, é nefasta, e ao continuar sendo aplicada pode produzir uma derrota.

A incerteza diante do segundo turno e a dificuldade que Petro enfrenta para ganhar, demonstram que as ilusões de uma mudança rápida e fácil pela via eleitoral não são mais que isso: ilusões; a demonstração dos limites da democracia burguesa, e o eleitoralismo. Não concordamos com o programa de Petro de um capitalismo mais humano porque isto não é possível. É uma ilusão.

Pelo exposto anteriormente, governe quem governar, será urgente voltar a organizar a mobilização; teremos que voltar às ruas e organizar a luta por uma nova sociedade, que para nós é a sociedade socialista.

Conheça a proposta do PST: http://www.magazine.pstcolombia.org/2022/01/ante-la-crisis-social-voto-critico-por-francia-marquez-y-organizar-la-lucha-por-una-nueva-sociedad/

Comitê Executivo PST

Tradução: Lilian Enck

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