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quarta-feira, agosto 10, 2022

A ideologia dos campos progressistas substituiu a luta de classes

Como parte da elaboração política da Internacional Comunista stalinista para justificar a aliança de classes com a burguesia e o imperialismo, sua criação mais nefasta foi a teoria dos “campos progressistas”.

Por: Márcio Cury

Os partidos comunistas de todo o mundo ficaram presos a uma elaboração política do stalinismo em substituição ao marxismo, a defesa dos “campos políticos e sociais” em substituição às classes sociais.

A divisão de classes e a luta de classes foram substituídas por “campos” imaginários, de “esquerda” e “direita”, “amigos” e “inimigos”, de “bons” contra “maus”, criados sempre para justificar uma política de colaboração de classes.  Assim, criou-se o “campo progressista”, de defensores da democracia, de aliados republicanos, etc.

A aliança com o “campo progressista”, ou seja, de aliança com as supostas burguesias progressistas, passou a ser o principal objetivo político e militante das organizações comunistas.  A justificativa de derrotar o “campo reacionário”, a “direita”, etc., passou a ser a engrenagem que movia ações e colaborações políticas com os supostos ‘aliados progressistas’, os partidos e governos burgueses.

“O trotskismo afirma, com o aval de toda a experiência histórica, que o “campo” da frente popular é burguês e, portanto, contrarrevolucionário; que esse caráter se acentua ao máximo quando a frente popular chega ao governo, porque se transforma em líder do “campo” capitalista por meio do exercício do poder do Estado capitalista. ”

(Nahuel Moreno, A Traição da OCI, Os Governos de Frente Popular na História, Editora Sundermann, 2003, Página 73)

Desta forma, criava-se um campo daqueles que os comunistas deveriam se aliar, com uma justificativa política ilusória, mas fácil de ser assimilada.

Com a nova teoria dos campos progressistas podia-se defender qualquer política em qualquer etapa.  Um candidato burguês virava “progressista” por se opor a um candidato “fascista”, partidos burgueses viravam “progressistas” por defenderem a “democracia” contra o “autoritarismo”.  Sob o manto do “campo progressista” o Partido Comunista transformou-se na ala esquerda da burguesia e, não poucas vezes, em sua ala direita.

A linha política de frentes-populares e a defesa da paz burguesa com o imperialismo, tornou-se permanente nos Partidos Comunistas e também em vários partidos de esquerda em todo o mundo, substituindo a teoria marxista da luta de classes, principalmente após a decretação do fim da Internacional Comunista por Stalin em 1943.

Esta visão impregnou não só os PC’s, como a grande parte dos intelectuais que se reivindicavam marxistas. Ela impedia os militantes de verem os reais inimigos de classe, fazendo com que defendessem “campos progressistas” contra “campos reacionários”, em vários momentos da história e até o presente, como se expressa hoje no PT e no PSOL brasileiros. Nessa trajetória de 100 anos, em sua quase totalidade, predominou o apoio às burguesias “progressistas” e da mesma forma o resultado foram as traições de revoluções e de grandes lutas.

No final da ditadura de 1964, o PCB apoiou Tancredo Neves e José Sarney, alegando serem do “campo progressista e democrático”, chegando a boicotar greves contra estes governos nos sindicatos que dirigia.  O PCdoB apoiou e fez coligações com os mais variados partidos burgueses do “campo democrático”, incluindo PSDB, PDT, PTB, DEM (PFL), PP, PR, e quase todos os outros, estivessem ou não nos escândalos de corrupção.

Por outro lado, a adaptação dos PCs aos aparatos burgueses de governo e parlamento e o abandono do marxismo e leninismo, tornaram impossíveis uma crítica ou uma verdadeira revisão de seu passado e em nenhuma hipótese houve um retorno às políticas de independência de classe marxistas.

A consequência disso foi a dinâmica de ida cada vez mais à direita. Frente à crise, às divisões e o desgaste do stalinismo ao reprimir as revoluções da Hungria-1956 e Tchecoslováquia-1968, surgiu, o Eurocomunismo na maioria dos PCs da Europa, que tomaram o rumo à socialdemocracia e à adaptação total à democracia burguesa de seus respectivos países e o apoio a coligações com “alianças democráticas”, que incluía todo tipo de partido e candidato burguês, como no caso do Brasil.

Em outros casos, como os “neo-estalinistas”, ao não conseguir identificar os erros estratégicos, resgata-se o passado, um passado apresentado de forma distorcida, como se houvera sido revolucionário, pregando um retorno a Stálin e suas políticas, com a justificativa de assim combater o liberalismo. Deixando de lado que, além dos monstruosos crimes da burocracia stalinista, foi esta que direcionou a política dos Partidos Comunistas do mundo inteiro para a colaboração de classes com o imperialismo e as burguesias nacionais.  É o caso de vários “Partidos Comunistas” que se recriaram no Brasil nos últimos anos.

Os métodos burocráticos para impor as políticas colaboracionistas

Para fazer emplacar as diversas políticas de aliança e colaboração de classes foi preciso impor aos Partidos Comunistas métodos alheios ao movimento operário, e ao Partido Bolchevique de Lênin.

Debates intensos, convencimento político, democracia interna partidária, toda a vida política necessária na organização marxista foi substituída pelo falso “centralismo democrático”, na verdade centralismo burocrático, em que o partido era substituído pela sua direção e pelas suas ordens inquestionáveis.  A Internacional Comunista impunha suas diretrizes sem debates, sem congressos. Definia a política do país, mandava, desmandava, nomeava e expulsava dirigentes e militantes.

Durante anos e anos vários partidos tiveram agrupamentos inteiros expulsos, pelo simples fato de questionar as políticas determinadas.

Discordar, disputar politicamente, convencer de suas posições, esgotar o debate e as opções, enfim, tudo o que seria original do marxismo e do partido bolchevique, tornava-se sinônimo de fracionalismo, desvio pequeno-burguês, “trotskismo” e vários outros adjetivos pejorativos e estigmatizados, criados de acordo com o momento e o debate.

“O desfecho das negociações foi muito simples: Manuilsky deu um soco na mesa e disse que eu entraria no Partido de qualquer jeito. Miranda não teve como fugir à determinação do Komintern” (Prestes, Lutas e Autocríticas, Denis de Moraes e Francisco Viana, Editora Vozes, Página 58).

Os PCs permaneceram anos sem congressos, sem conferências, mantendo suas direções como intocáveis durante décadas, apenas cumprindo as determinações da direção do PCUS em todo o mundo, inclusive no Partido Comunista Brasileiro.

A restauração capitalista levou as direções stalinistas a uma profunda e final crise

A restauração capitalista na China, sob determinações de Deng Xiaoping a partir de 1978 e na URSS em 1985 sob Gorbachev, ou seja, a restauração promovida pela burocracia, e depois a queda do Muro de Berlim, a queda das repúblicas “populares” do Leste e o fim das burocracias do leste europeu, o processo ocorrido com seu ápice entre 1989 a 1991, colocou em crise política terminal a grande parte dos partidos comunistas no mundo.

Os partidos estalinistas de todo o mundo, adaptados a uma relação subordinada e submissa a Moscou e aos PCs e governos do Leste da Europa, não quiseram reconhecer o processo de restauração capitalista, cujas origens já ocorriam anos antes, com a abertura econômica, privatizações, compra de empresas pela burocracia governante, formação de máfias econômicas, liberação do comércio exterior, fim das planificações, anarquia na produção, etc. e continuaram defendendo os PCs oficiais.

Ao não compreenderem este processo, receberam as transformações políticas ocorridas no Leste como um golpe fatal, isolado, uma “queda”, um “fim” em si mesmo. O mesmo aconteceu com a esquerda que havia se formado nas mesmas bases dos PCs, nas teorias dos campos progressivos, etc. É conhecido o fato de que havia dirigentes brasileiros do PT fazendo cursos com o PC alemão oriental em Berlim no dia em que as massas derrubaram o famoso Muro, e que ficaram apalermados assistindo a essas cenas.

A burocracia do PCUS foi quem restaurou o capitalismo na União Soviética e era esta mesma burocracia restauracionista que mantinha laços de “amizade socialista” com os PCs de todo o mundo. No Brasil, em plena década de 80, membros do PCUS e diplomatas russos compareciam aos Congressos e Encontros políticos dos PCs, fazendo homenagens ao socialismo.  Estes ‘amigos’ foram derrubados pelas massas ou caíram sozinhos, e muitos se reciclaram como gerentes do capitalismo restaurado.

A conclusão era de que a culpa era das massas.  Elas estariam sendo envolvidas em um processo ‘reacionário’ ou ‘anticomunista’, dirigido por reformistas burgueses. Afinal, a burocracia stalinista do PCUS estava no “campo progressista”.  A incompreensão era motivada pela armação teórica baseada no stalinismo, que impedia ver a realidade tal qual era, que a direção tida por eles como ‘revolucionária’ era quem havia restaurado o capitalismo, que as massas se rebelaram contra a ditadura já capitalista dos governos restauracionistas ao estilo de Gorbachev na ex-URSS, de Ceausescu na Romênia, Honecker na Alemanha Oriental e contra todos os outros satélites da burocracia russa, que haviam convertidos seus países ao capitalismo.

O “fim do comunismo” foi aproveitado pela burguesia e imperialismo mundiais para desencadear uma campanha ideológica contra o movimento socialista e o marxismo. O fim político das burocracias restauracionistas do leste europeu foi compreendido pelos PCs como a “queda da União Soviética”, e não um repúdio das massas contra a burocracia, seu atraso social e econômico de anos e os sacrifícios impostos pela própria restauração capitalista.  O fato de estas revoluções democráticas serem conduzidas pela burguesia e políticos anti-Moscou serviu para consolidar a análise impressionista e superficial, de que aqueles foram processos das massas ‘contra o socialismo’.

O massacre da Praça da Paz Celestial, também em 1989, onde tanques atravessaram e tropas atiraram em uma multidão de trabalhadores e estudantes protestando por democracia, sob ordens de Deng Xiaoping e o PC Chinês, fuzilando e matando milhares de chineses também causou um impacto avassalador em muitos dos PCs que tinham a China como guia político.

O governo de um partido comunista havia assassinado milhares de pessoas que protestavam, inclusive autorizadas pelo próprio governo nas vésperas da visita de Gorbachev ao país. A crise era total. Nos PCs, um misto de silêncio, reprovações formais, tentativas de atribuir a responsabilidade aos estudantes que queriam “restaurar o capitalismo”… A realidade não se encaixava nos modelos stalinistas estabelecidos, onde a “verdade” estava sempre com os Partidos Comunistas, do “campo progressista”.

Em muitos países esta crise levou ao fim dos PCs, uma vez que, no entendimento destes partidos, as massas condenaram o comunismo e este era agora, obsoleto.  Este pensamento foi reflexo direto da contrarrevolução em marcha dentro destes partidos, refletindo diretamente a degeneração capitalista e a adaptação à democracia burguesa nestes países.  Para que um Partido Comunista se o capitalismo e a democracia burguesa triunfaram, se o socialismo deixava de ser um objetivo estratégico viável?

Em alguns países as crises foram tão profundas que os PCs simplesmente trocaram de nomes e se transformam em partidos “democráticos”, em um processo conturbado, lento e desgastante. Foi o caso, por exemplo, do Partido Comunista Italiano, com 1,5 milhão de membros, que se dissolve e vira Partido Democrata de Esquerda. E mais tarde foi a base do Partido Democrático, um partido burguês “normal”, semelhante ao democrata cristão da Alemanha ou ao Partido Democrata dos EUA. Inclusive os partidos que não tinham nome “comunista” em seus rótulos, mas eram associados ao PC de Moscou, como o caso da Hungria e Polônia, também sofreram transformações completas em seus programas e mutações nos seus nomes.

Havia uma razão mais profunda para a crise aberta. Na verdade, sempre existiu um aparato stalinista mundial, que dependia da URSS e sustentava esses partidos. Com o fim da URSS acabou também este aparato mundial. Os partidos perderam sua base de sustentação. No caso dos partidos eurocomunistas, como o italiano, por exemplo, já vinham se “socialdemocratizando”, desde a década de 70, isso é, se ligando mais às suas burguesias nacionais e ao Estado burguês de seus respectivos países.

No Brasil, este processo atingiu em cheio o PCB. Ela foi expressa na mudança de nome, tornando-se PPS (e depois Cidadania), e num processo de transformação política e de adaptação completa ao regime, se tornando o parceiro fiel do PSDB durante os governos de FHC. Nos casos em que os nomes não são modificados, também é completa a mudança de programa e adaptação aberta ao sistema político burguês.  Foi o caso do PCdoB no Brasil.

As tentativas de restauração dos partidos comunistas que não rompem com o passado estão condenadas a repetir seus erros

Passada a devastadora crise política inicial e ainda atordoados pela incompreensão do processo, surgem militantes desejosos de reviver as organizações “comunistas”, como se o hiato entre a “queda da União Soviética” e o momento atual fizesse superar a crise política. Como se o tempo apagasse a profunda crise. Ao longo dos últimos 30 anos, surgiram movimentos de “restauração comunista”, ou de “refundação”, como na Itália.

Lá, o Partido da Refundação Comunista chegou a ter um peso importante no movimento sindical e uma bancada parlamentar importante. Mas, como sua autocrítica do passado do PCI era superficial e concentrava toda carga da responsabilidade nas últimas direções e não em todo o arcabouço da teoria do socialismo em um só país, dos campos progressivos e da colaboração de classe como programa reformista, seu projeto também explodiu quando, frente à decisão de sustentar ou não um governo de conciliação de classes, sua maioria ampla terminou por apoiar um governo burguês imperialista. Hoje, a Refundação Comunista italiana é um grupo residual, um apêndice de outros partidos burgueses “progressistas”, como o PD.

Os intentos como o do “novo PCB”, de “Reconstrução Comunista Revolucionaria”, ou ainda projetos de “Restauração Revolucionária”, etc., provavelmente deverão passar pela mesma disjuntiva, embora haja militantes ativos que acreditam em uma via desse tipo, pensando que estão no caminho do leninismo, ou então da retomada do marxismo.  Os fatos demonstram que tentar recriar algo que a história já derrotou, ou seja, as teorias e os programas de fundo stalinista, estão fadados ao fracasso frente aos desafios da luta de classes.

Além da crise política que os intentos de revalidar os PCs sofrem, incide também nessa retomada uma crise ideológica sobre o pensamento marxista.  O leninismo clássico e a militância proletária são substituídas por correntes de pensamento ditas “modernas”. As pressões eleitorais e parlamentares transformam as legendas em organizações eleitorais.

O marxismo ortodoxo, de ruptura violenta do Estado burguês, de direção operária como vanguarda da classe operária, de conquista da maioria da classe operária para tomar o poder, e de ditadura do proletariado, é adaptado à modernidade e ganha novas fraseologias, mais amplas, como a “conquista da hegemonia”, “disputa das ideias”, “hegemonia da ideologia”.  Assim como pelo crescimento das teses pós-modernas sobre setores da intelectualidade pequeno-burguesa e acadêmica.

“O comunista agora não deve estar preso a um esquema, preso a modelos”, deve dialogar com toda a sociedade e ser influenciado por ela, captar as influências da sociedade para dialogar com ela, disputar a hegemonia das ideias, estar aberto a todas as possibilidades, etc. O “novo comunista” deve ser aberto a novas possibilidades na disputa pela hegemonia da sociedade. A classe operária é questionada como “sujeito da revolução”.  Mas que tipo de revolução falamos agora?

Após cada um desses processos de crise, os PC’s proclamam se reconstruir, se reinventar e mostrar o seu “vigor” e capacidade em conseguir interagir novamente dentro do campo político brasileiro. E após cada nova fase, surge sempre um formato de reconstrução, sempre denominado como “reconstrução democrática”, “reconstrução revolucionária”, etc…

Estamos revivendo novamente este período.  Uma incessante repetição.

Após a mudança de nome do PCB para PPS, um setor de militantes do Partido iniciou o processo de reconstrução no Brasil. A vontade honesta e sincera de muitos de seus membros em reconstruir o PCB, em nome da luta pelo comunismo, não o transformará automaticamente no mesmo partido que foi nos anos 20. Tampouco significará a criação de um novo Partido Comunista diferente de tudo o que foi.

Apesar dos esforços dessa militância, o PCB, ao não fazer a crítica política e teórica até o fim, ao não tirar as principais lições do que foi o stalinismo, seu caráter de classe e suas teorias de aliança e colaboração de classes, não consegue chegar a uma refundação que retomasse o caráter inicial que o PCB tentou representar em 1922. Por isso o PCB não consegue fazer um real balanço, um verdadeiro acerto de contas com seu passado. Fica preso a discutir os “erros táticos” ao invés de ir ao cerne do problema.

Esta é uma barreira profunda na tentativa de reconstrução revolucionária. O PCB sai por uma porta nas elaborações etapistas e de colaboração de classes, chegando a reconhecer estes erros, e entra por outra porta com a teoria dos campos reciclada, que os colocou na contramão da primavera árabe e agora, da luta contra a invasão russa à Ucrânia.

Infelizmente as análises e autocríticas dos erros do Partido Comunista são sempre em relação às táticas políticas ou erros conjunturais de determinados momentos históricos.  Alguns formuladores falam em “taticismo do operador estratégico”, em sua mais recente definição. Nenhuma análise feita pelos próprios defensores do PCB consegue explicar a fundo, ou ir mais longe, na gênese de todos os erros. Nenhum dos balanços autocríticos do Partido conseguiu chegar até a origem de tudo, porque isso seria a sua própria negação. Na verdade, encontra-se uma explicação justificável formal, e até artificial, para o Partido continuar existindo e recomeçar tudo novamente após cada crise ou período histórico…

Concordar que o Partido Comunista virou uma engrenagem política da Internacional Comunista “stalinizada”, ou seja, controlada pela burocracia soviética após 1928, significa também concordar que tudo depois disso estava preso a esta engrenagem.  Não apenas os erros táticos de determinados períodos, mas, sim, que a trajetória do Partido sempre esteve errada, corrompida, degenerada pela organização mundial comandada por Stalin e seus epígonos, por serem a expressão das políticas de um aparato contrarrevolucionário que existiu dentro do movimento operário em todo o século XX.

O PCB, em seus primeiros anos de existência, chegou a criar a ilusão de que era o partido da revolução no Brasil. Mas tentar embelezar sua trajetória posterior, quando foi um partido que apoiou governos burgueses e candidatos burgueses, do ditador Vargas em 45 a João Goulart, que confiou no seu “dispositivo militar legalista” contra o golpe militar em 1964, que apoiou governos do MDB como Moreira Franco no Rio, etc., mostra uma incapacidade para ir as raízes desses erros catastróficos, dessas traições perpetradas pelo PCB ao longo de toda sua trajetória desde o final dos anos 20.

Muitos desses fatos foram objeto de polêmicas publicas as quais esses novos construtores deveriam responder: os ex-dirigentes do PCB que já escreveram sobre essas traições, desde a Oposição de esquerda dos anos 30, de Mario Pedrosa e outros quadros importantes, como Hermínio Sacchetta; da crítica de Jacob Gorender assim como dos demais dissidentes que após o golpe de 1964, agruparam uma parte significativa dos dirigentes nacionais do PCB de então, alguns dos quais formaram grupos guerrilheiros nos anos 70 (Marighella, por exemplo).

Fica a questão em aberto: haverá disposição e unidade entre os defensores da “reconstrução revolucionária” para passar das autocríticas táticas pontuais para investigar programáticas da nefasta trajetória política do velho PCB?

 

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