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quarta-feira, abril 24, 2024

46 anos de espera por um Sahara Ocidental livre e independente

O Sahara Ocidental é uma dessas causas que frequentemente é entendida como uma batalha nostálgica que apenas as pessoas românticas insistem em defender. No entanto, a situação no Sahara é o perfeito exemplo da passividade institucional diante da violação sistemática dos direitos humanos, começando pelo direito à autodeterminação dos povos. E nisto o Estado espanhol tem uma importante responsabilidade histórica, legal e moral para com o Sahara, que se negou assumir durante muito tempo.

Por: Corriente Roja

As atrocidades que foram cometidas durante anos com o Sahara e o povo do Marrocos sempre contaram com o silêncio e a cumplicidade dos diversos governos espanhóis (PP e PSOE). Esta posição não é casual, já que a defesa do regime marroquino serviu para garantir os investimentos das multinacionais espanholas no Marrocos, assim como o acesso das grandes empresas pesqueiras às zonas de pesca deste país. Felipe González, antes de ser eleito presidente, viajou para os campos de Tinduf para garantir seu apoio à independência. Uma promessa que não cumpriu durante o tempo que levou para chegar a Moncloa. Mas a que Pedro Sánchez acaba de realizar passou automaticamente para a lista das infâmias. Um passo, que acabou de ser dado, que significa um salto qualitativo, acima inclusive dos mandatos internacionais.

Após uma carta enviada por Pedro Sánchez ao rei do Marrocos, Mohamed VI, o Governo de coalizão anunciava em 18 de março passado, que a ex – colônia espanhola do Sahara Ocidental acabe se convertendo em uma região autônoma dentro do Marrocos, que é a posição defendida por Rabat. Entretanto, a proposta marroquina apenas contempla algumas competências para o povo saharaui, e não reconhece o anseio de independência que reclamam. Uma proposição distante, inclusive, das resoluções apresentadas pelas Nações Unidas, que durante anos apelam para a realização de um referendo de autodeterminação do povo saharaui. Desta forma, Pedro Sánchez e seu governo se situam, sem dúvida, do lado da ditadura marroquina que vem oprimindo seu povo, ao mesmo tempo em que rouba os recursos naturais e esmaga os direitos do povo saharaui. Uma decisão que deixa os e as habitantes do Sahara nas mãos do Marrocos, o que supõe um dos piores cenários para a luta incansável do povo saharaui.

Ainda que o governo de Pedro Sánchez negue o giro dado em relação ao Sahara, e em seu comparecimento no Congresso tenha despachado a decisão tomada em apenas 15 minutos , o que fica evidente é que, nesta mudança histórica, Pedro Sánchez pretendeu reconciliar-se de maneira urgente com o governo do Marrocos. Publicamente, não conhecemos as compensações que a Espanha pode obter por esta mudança radical em sua política com o Sahara. Mas certamente não estaremos muito longe da verdade se afirmarmos que por trás da aposta do Governo espanhol, está a obtenção de certas garantias de que o Marrocos não causará problemas em outros âmbitos muito importantes para o Estado espanhol, como a luta antiterrorista ou a integridade territorial, incluindo, com certeza, Ceuta e Melilla, assim como o mar territorial e a zona econômica exclusiva das Canárias ou a emigração irregular. O Governo espanhol, como fiel guardião da política racista da União Europeia em sua fronteira sul, subcontrata os serviços repressivos às autoridades marroquinas, desconsiderando o tratamento brutal a que são submetidas os migrantes que tentam aceder à Europa.

A verdade é que a nova posição adotada por Pedro Sánchez provocou a resposta dos partidos sócios do mandato do governo de coalizão, incluída Unidas Podemos. A formación morada (Podemos, ndt.) rejeitou a capitulação de Sánchez ante o Marrocos, e continua reclamando um referendo para o Sahara. Mas, por mais que acusem de “boca”  o PSOE de ter perpetrado uma traição contra os saharauis, Podemos não abandonará o Governo, porque consideram que são “uma peça chave e a única garantia” para assegurar que o Executivo continue fazendo políticas progressistas. Definitivamente, nada de novo no horizonte. Não se pode estar de palavra com o povo saharaui, e ao mesmo tempo fazer parte de um Governo que legitima sua opressão pela ditadura marroquina. Basta de cinismo!

A Corriente Roja, manifesta nosso total apoio à luta do povo saharaui, contra as agressões do Marrocos e pela sua autodeterminação. A luta do povo saharaui pela autodeterminação é uma luta legítima, que tod@s que nos consideramos revolucionári@s temos que apoiar.

Pelo direito de autodeterminação dos povos!
Por um Sahara Ocidental livre e independente!
Fora as forças repressoras do governo do Marrocos!

Tradução: Lilian Enck

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