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sábado, fevereiro 24, 2024

Perspectiva de mais luta dos trabalhadores em Angola 2022

O ano de 2022 promete ter mais lutas e mobilizações dos trabalhadores e o povo angolano, pois além de terem em perspectiva a realização das eleições presidenciais a classe trabalhadora começa a se organizar e lutar.

Por Asdrubal Barboza

Este ano de 2021 terminou com processos de mobilizações importantes e simbólicos do que está por vir: as greves de médicos e enfermeiros; a mobilização dos trabalhadores da Sonangol, a principal empresa petroleira do país e uma das mais importantes do continente africano; os trabalhadores de suas subsidiárias: a Sonangol Investimentos Industriais (Siind) e dos trabalhadores da água, da estatal Epal, que estão em processo de mobilização e chegaram a apontar a perspectiva de uma greve.

Os médicos na vanguarda

Em 18 de dezembro os médicos angolanos encerraram mais de uma semana de greve, depois de um acordo com o Ministério da Saúde. Foi dado o prazo de 90 dias para esta entidade responder aos pontos que constam do caderno reivindicativo, entre os quais a questão dos aumentos salariais, com a garantia que nenhuma punição seria aplicada.

Já se conquistou a nulidade do processo disciplinar contra o presidente do Sinmea, médico do Hospital Pediátrico David Bernardino, que se encontrava afastado do seu posto de trabalho há um ano e nove meses, depois de ter denunciado a morte de dezenas de criança em apenas um dia no banco de urgência.

Sobre a melhoria de condições de trabalho foram criados grupos de trabalho para se encontrar uma forma de dar resposta dentro do prazo de 90 dias.

No Hospital Geral de Luanda, um dos principais da capital angolana, vários pacientes tiveram que esperar por muito tempo para serem atendidos por especialistas que estão de plantão.

Em meio a pandemia a demanda aumentou, mas os funcionários e medicamentos não. Segundo um clínico em serviço no banco de urgência do Hospital Geral de Luanda, apenas dois profissionais estavam trabalhando para atender 400 doentes. “Habitualmente atendemos mais de 200 pacientes por dia”

Greve dos enfermeiros

No dia 21 de dezembro uma assembleia dos membros do Sindicato dos Técnicos de Enfermagem, encerrou uma paralisação de dois dias da categoria. Na assembleia estiveram presentes os representantes do Governo Provincial de Luanda, do Ministério das Finanças, do Ministério da Saúde e do Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, para garantir que as reivindicações apresentadas pelo setor vão ser levadas adiante nas negociações. Com a greve os trabalhadores conseguiram a integração de representantes do Sindicato de Luanda na Comissão Técnica de Avaliação das Reivindicações dos Profissionais de Saúde e o cadastro da conta bancária do sindicato no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE) possibilitando processar os descontos da quota sindical a partir de janeiro de 2022, o que é uma conquista que ajuda no processo de organização sindical do setor.

Realmente não se conseguiu todas as reivindicações, mas um primeiro passo importante foi dado.

Para encerrar este movimento os enfermeiros também levaram em conta “a necessidade premente de proteger a vida das populações que acorrem às unidades sanitárias em busca de assistência médica, sobretudo neste período da pandemia da Covid-19 e de chuvas, altura em que aumentam os casos de malária, doenças diarreicas agudas e outras”. Por isso foi importante conseguir medidas de segurança para os trabalhadores dentro dos hospitais e a melhoria no fornecimento de medicamentos às unidades sanitárias.

Trabalhadores da Sonangol em processo de mobilização

Desde o mês de novembro os trabalhadores da Sonangol vêm realizando um processo de mobilização e luta por seus direitos,  equiparação salarial e condições de trabalho. São do setor de distribuição e postos de gasolina, que muitas vezes são controladas pelas máfias formadas pelos dirigentes do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), nesta luta estão sendo ameaçados, presos, humilhados e destratados pelos administradores da estadual e a nova burguesia que gere o Estado angolano.

A Federação Nacional dos Petroleiros do Brasil e o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro manifestaram sua solidariedade e apoiam a luta destes trabalhadores em um grande exemplo de solidariedade internacional.

Apesar da determinação dos trabalhadores, ainda não conquistaram suas reivindicações e a luta continua.

Construir a unidade de classe para derrubar o governo do MPLA

Estas lutas e processo de mobilização da classe trabalhadora são fundamentais, pois apesar das ilusões e esperanças que muitos ativistas colocam no processo eleitoral e no que chamam de “alternância” o mais provável é que o MPLA fraude estas eleições como fraudaram as eleições passadas, e mesmo que a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), ganhasse as eleições a situação dos trabalhadores e do povo pobre não iria mudar, pois a UNITA  hoje já é um partido integrado ao regime e faz parte de sua sustentação, com seus dirigentes e parlamentares usufruindo de uma parte do poder, e somente querendo aumentar seus privilégios. Além disso, seu programa não aponta nenhuma mudança no regime ditatorial que existe em Angola, o que somente poderia ser conquistado com uma Assembleia Constituinte.

Neste sentido, somente a aliança entre a classe trabalhadora e a juventude, que está nas ruas, poderá construir um grande processo de mobilização e até mesmo uma Greve Geral que pode levar a derrubada do MPLA do poder e conquistar um regime com liberdades democráticas

Estas ações da classe, que começam a ocorrer, devem ser coordenadas e unificadas com as mobilizações da juventude e as grandes manifestações de rua, na perspectiva de se construir um governo dos trabalhadores e dos setores mais explorados da classe que caminhe para um socialismo de verdade, e não está fraude que estabeleceu o MPLA no Estado.

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