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sexta-feira, maio 24, 2024

Quem foram as dirigentes da Revolução Russa?

As mulheres desempenharam um papel fundamental na Revolução Russa, várias delas ocupando posições importantes dentro do Partido Bolchevique. Queremos destacar sua participação, bem como expor a necessidade da revolução, como eixo central para a nossa libertação e o fim de todas as opressões.

Por: PSTU-Argentina
Nós mulheres da classe trabalhadora não somos apenas exploradas no sistema capitalista em que vivemos, sofremos também a opressão machista que o mesmo sistema utiliza para nos explorar ainda mais.
Não é surpreendente que tenhamos sido o motor de eventos revolucionários. Nossa necessidade de lutar por direitos iguais e a erradicação da miséria e da fome levou a que pequenas reivindicações se transformassem em grandes mobilizações que mudaram a história da nossa classe.
Fevereiro
No Dia Internacional da Mulher de 1917, as trabalhadoras têxteis do bairro de Vyborg, em Petrogrado, entraram em greve e passaram de fábrica em fábrica, estendendo a greve e enfrentando a violenta repressão por parte da polícia e do exército czarista. Elas exigiam pão, o fim da guerra (Primeira Guerra Mundial) e o retorno de seus companheiros da frente de batalha. Esta iniciativa espontânea, levada a cabo pela parte mais oprimida do proletariado, acabou por desencadear a Revolução de Fevereiro, que derrubou o Czar e instaurou um Governo Provisório.
Algumas das bolcheviques mais destacadas  lideraram essa luta foram Anastasia Deviátkina, uma operária industrial, que organizou um sindicato de esposas de soldados, Nina Aghadzanova, representante do distrito de Vyborg no Soviete de Petrogrado, que desenvolveu intensa atividade de agitação e propaganda, e Zenia Ezeghorova, Secretária do Partido em Vyborg, uma das organizadoras das ações nas barricadas de soldados.
Depois de fevereiro
O Governo Provisório não acabou com a guerra, ignorando as necessidades do povo trabalhador. Isso levou a novos protestos, muitos liderados por mulheres. Um exemplo foram as 40.000 lavadeiras organizadas em um sindicato liderado pela bolchevique Sonia Gonschárkaia. Entraram em greve por aumento de salário, jornada de 8 horas, melhores condições de trabalho, higiene e saúde, auxílio-maternidade (chegavam a esconder a gravidez até dar à luz na própria fábrica) e fim do assédio sexual.
Entre fevereiro e outubro, voltaram do exílio importantes dirigentes do Partido: Nadezha Krupskaia, Inessa Armand, Aleksandra Kollontai, Koncordiya Samoilova, Ludmila Stal e Evgenia Bosch, entre outras. Ao chegar, encontraram um grande grupo de militantes bolcheviques muito ativas, como Vera Slutskaya, secretária do Partido em um bairro operário, que já havia proposto republicar o jornal Rabotnitsa (‘A Mulher Trabalhadora’) e criar um Comitê para coordenar os trabalhos sobre a mulher.
Nadezha Krupskaia foi uma grande organizadora política, trabalho que realizou muitas vezes na clandestinidade e estando no exílio com Lênin (seu companheiro). Ocupou um cargo importante no Ministério da Educação do novo Estado Operário.
Aleksandra Kollontai foi a primeira mulher eleita para o Comitê Executivo do Soviete de Petrogrado, membro do Comitê Central do Partido Bolchevique, onde votou pela insurreição e a tomada do poder. Após a vitória da Revolução de Outubro, ela foi a primeira mulher na história a fazer parte de um governo, ocupando o Comissariado do Povo para a Saúde e Bem-Estar Social.
Outubro
A participação das militantes bolcheviques foi fundamental para o triunfo da Revolução de Outubro. Elas assumiram tarefas muito importantes como a comunicação entre cidades, assistência médica, coordenação de levantes em diferentes áreas da capital, e também foram membros da Guarda Vermelha.
Aleksandra Rodiónova, uma motorista de bonde de 22 anos, garantiu a saída dos bondes com metralhadoras, garantiu o serviço de bonde e o controle dos postos da Guarda Vermelha durante a tomada do poder.
Esta segunda Revolução estabeleceu o primeiro Estado Operário da história que assumiu, desde o primeiro momento, a tarefa de alcançar a emancipação real das mulheres, necessária para a defesa e o desenvolvimento da nova sociedade. Inessa Armand juntamente com Kollontai organizou em 1918 o Primeiro Congresso de Trabalhadoras e Camponesas. Nele, foram discutidos os problemas da opressão à mulher na família e a criação de creches, lavanderias e cozinhas públicas, essenciais para a libertação das mulheres.
Todos os direitos legais e materiais conquistados naquele Estado (divórcio, legalização do aborto, igualdade de direitos trabalhistas, acesso a cargos importantes, socialização das tarefas domésticas, entre muitos outros), tiveram a ver com a militância ativa das mulheres bolcheviques. Companheiras que entenderam que sua tarefa principal, para acabar com toda a exploração e opressão, era a tomada do poder pela classe operária.
A partir dos anos 1930, Stalin, com a burocratização da União Soviética, se encarregou de reverter as conquistas obtidas com a Revolução de Outubro.
Lamentavelmente, líderes valiosas como Krupskaya e Kollontai sucumbiram ao stalinismo. Esta terrível contradição não nos impede de reconhecer suas contribuições para a causa do socialismo e para a emancipação das mulheres trabalhadoras.
Mas a chama permaneceu. Para recuperar o impulso revolucionário e lutar contra a burocratização do Estado Operário, formou-se a Oposição de Esquerda, liderada por Leon Trotsky. Mulheres bolcheviques como Evgenia Bosch, Nadezhda Joffe e Natalia Sedova também se jogaram nessa tarefa.
É extremamente importante valorizar a contribuição de todas elas para a história de nossas lutas. Elas nos mostraram que somente com a tomada do poder e com as mulheres trabalhadoras na vanguarda, foi possível dar passos firmes em direção à igualdade e à libertação das mulheres.
Tradução: Luana Bonfante
 

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