ter set 27, 2022
terça-feira, setembro 27, 2022

Por uma direção revolucionária para triunfar no Chile e no mundo

O mundo está colapsando de várias maneiras: crise climática, crise alimentar, concentração da riqueza em poucas mãos, corrupção, etc. Estudos recentes afirmam que o 1% mais rico do mundo, tem mais que o dobro da riqueza acumulada pelo restante (de acordo com a Oxfam). Essa realidade traz poucas expectativas para a juventude e raiva nas massas trabalhadoras.

Por: MIT-Chile
Os governos, os capitalistas, dizem que esses são problemas isolados, e com mais reformas podem superá-los. Mas a situação real demonstra o contrário, estamos diante de um sistema que, como um todo, está podre.
É por isso que não surpreende a ebulição de lutas na Argélia, Catalunha, Egito, França, Geórgia, Guiné, Hong Kong, Iraque, Irã, Líbano e Reino Unido. O Equador acendeu o pavio na América do Sul, acompanhado pelo Chile e depois a Colômbia. Afora as mobilizações contra a fraude eleitoral de Evo Morales na Bolívia, que foi canalizada pela direita com um golpe de Estado e o povo boliviano continua resistindo.
Um simples imposto ao Whatsapp levou os libaneses às ruas, no Chile o aumento da passagem do metrô, na França e no Irã o combustível, uma lei de extradição em Hong Kong, na Argélia a obsessão de um presidente decrépito pelo seu quinto mandato, uma sentença judicial na Catalunha, etc. Enfim, cada uma dessas medidas foi apenas a gota d’água que transbordou do copo. No Chile, depois de barrar o aumento das passagens, dissemos: “não são 30 pesos, são 30 anos”. No Líbano, após impedir o aumento no Whatsapp, nas ruas gritavam: “O povo quer a queda do regime”.
Essa raiva das massas contra anos após anos de ajustes e ataques permanentes ao seu nível de vida toma corpo ao constatar que os governos e regimes políticos são os responsáveis por essa realidade cruel. Observamos isso tanto em governos de suposta “esquerda” (China, Venezuela, Nicarágua) como de direita (no caso do Chile e da Colômbia). Essa divisão entre direita e falsa esquerda não serve, porque todos os que estão no poder defendem o empresariado, à burguesia, e aplicam planos para atacar os trabalhadores. Não é possível continuar a ser governados pelos de cima, pelos empresários, sabemos que o capitalismo, embora se disfarce com um discurso de esquerda, não nos ajuda.
Como a burguesia está organizada para resistir?
Nos diferentes governos, a burguesia traça planos para acalmar as revoluções e impedir que destruam todo o regime, por isso muitas vezes preferem dar os anéis para não perder os dedos e fortalecem a repressão.
Todas essas políticas são discutidas através de organizações ou assessorias de órgãos imperialistas. O Fundo Monetário Internacional é um deles. No Chile, os empresários têm partidos e organizações: a SOFOFA (Sociedade de Fomento Fabril); a CPC (Confederação de Produção e Comércio); partidos como a UDI, RN, PS, PPD, etc.
Embora esses partidos possam ter atritos e diferenças – ainda mais em processos revolucionários – há algo que os unifica: manter os empresários no poder e o sistema capitalista, todos protegidos pelas suas instituições.
E os reformistas?
A pequena burguesia – os setores médios -, também têm seus partidos, e tentam humanizar o capitalismo. Eles não falam da classe trabalhadora e empresários, e menos ainda que haja uma luta entre as classes, falam sobre “cidadãos”. Esses partidos, ao não ter como programa colocar para fora quem está no poder e acabar com o capitalismo, terminam revitalizando o regime, nos levando a acreditar que, se votarmos neles poderemos obter mudanças.
É o caso do partido Podemos na Espanha, ou do Syriza na Grécia que, quando foram governo aplicaram os mesmos planos de austeridade contra aqueles que apoiaram sua campanha. No Equador, quando o governo suspendeu o aumento dos preços dos combustíveis, a organização indígena CONAIE orientou parar as mobilizações, quando a maioria do povo equatoriano já gritava: “Fora Lenin Moreno”.
No Chile, esses partidos são o PC ou a FA (Frente Ampla), que dizem estar ao lado da revolução, mas como vemos a traem, votando leis repressivas e depois pedindo perdão, abandonando a luta de fundo que é “Fora Piñera”. Hoje, esses partidos estão mais preocupados com sua legalidade, do que, com qual o melhor caminho tomar para a revolução triunfar.
A crise da humanidade é a crise de direção revolucionária
Ao entrar em uma revolução, como no caso do Chile, sabemos o que não queremos: chega de abusos, saques, as AFP (Administradoras dos Fundos de Pensão), Piñera. Queremos derrubar tudo isso. Não sabemos ainda que tipo de sociedade precisamos e como alcançá-la. Mas temos que dizer a verdade: que a única maneira de garantir todas as nossas demandas e uma sociedade para o benefício da maioria é colocar para fora os empresários do poder e as/os trabalhadores governarem com seus métodos de democracia operária para acabar com o capitalismo.
Hoje, nenhuma organização diz isso, pelo contrário: chamam a acreditar que o processo de uma nova Constituição poderia ser pacífico e em conciliação com os empresários, mas não é assim. Esta revolução chilena pode acabar desviada ou mesmo derrotada se a burguesia optar pela política de um golpe de Estado. Nas revoluções, os resultados não ocorrem de antemão, um processo revolucionário pode terminar com a derrubada de um governo ou de um regime, mantendo intacta a forma de dominação capitalista. Daí a necessidade de uma direção revolucionária para disputar as consciências e os rumos do processo.
Ao longo da história, várias revoluções acabaram abortadas pela ausência de uma direção revolucionária: nos anos 1900, eclodiram revoluções na Alemanha, Hungria, as duas primeiras revoluções chinesas e a revolução espanhola. Em todas elas, com exceção da Espanha, surgiram organismos de duplo poder e os partidos revolucionários internacionalistas agiram e houve confrontos armados entre os partidos da burguesia e do proletariado. Embora isso indicasse a maturidade das condições objetivas para a tomada revolucionária do poder pelas/os trabalhadores, essas revoluções foram abortadas.
Uma explicação é que nesses países os revolucionários eram muito débeis. Mas a principal delas reside no fato de os partidos reformistas na Alemanha e Hungria e o estalinismo na China, conscientemente se negaram a aprofundar os processos, recusando-se a fazer a revolução socialista. Um caso recente é a revolução no Egito, que devido à ausência de uma direção revolucionária – entre outras coisas – a revolta que derrubou Hosni Mubarak em longo prazo fracassou, porque não estavam preparados para o que viria a seguir.
Então podemos afirmar que a frase de Trotsky continua vigente: “a crise da humanidade reduz-se à crise de sua direção revolucionária”. Se a revolução chilena não avançar para mudar tudo, poderá ser por vários fatores, mas o determinante será a ausência de uma direção revolucionária.
Que tipo de organização ou partido precisamos?
Como já pontuamos os empresários têm seus partidos, e existem também os partidos dos reformistas. Nós, as/os trabalhadores precisamos de uma organização revolucionária para enfrentá-los, uma organização cujo objetivo não seja simplesmente disputar postos no Parlamento, mas sim apontar o melhor caminho rumo a essa revolução, para que realmente tenhamos uma sociedade em benefício da grande maioria. Uma organização que, ao participar de eleições parlamentares ou outras, tenha como único objetivo utilizar esse espaço como tribuna para denunciar essas mesmas instituições e suas regras que beneficiam os que estão no poder.
O futuro da humanidade depende da superação da crise da direção revolucionária em escala internacional, ou seja, abandonar a passividade e construir alternativas com influência sobre as massas trabalhadoras, não para substituir suas ações, mas para convencê-las a não estancar o processo revolucionário com as ilusões produzidas por conquistas parciais. Uma alternativa revolucionária com capacidade de disputar e vencer àquelas que tentam bloquear a revolução com promessas, reformas e engodos de todo tipo.
Para essa grande tarefa, a organização revolucionária deve contar com autofinanciamento, o fato de ser financiada por seus próprios membros e não por empresas ou instituições governamentais lhe confere a independência política para combater o empresariado. Uma organização com a mais ampla discussão interna, e uma vez decidido, atue centralizada como uma só força. Uma organização construída para levar a cabo a luta armada pela tomada do poder, só pode atingir esse objetivo com disciplina.
Por uma organização revolucionária em todo mundo. Vamos construir o MIT!
Nós do MIT e da LIT-QI, queremos construir essas organizações no Chile e em todo mundo. Hoje no Chile, fruto dessa revolução surgirá uma direção revolucionária muito superior ao que é hoje o MIT, sustentada na defesa de seus pontos programáticos: como primeira tarefa derrubar Piñera; depois colocar para fora todos os estão no poder para acabar com as AFPs; recuperar tudo que por décadas nos foi roubado pelas 10 famílias mais ricas deste país através da expropriação de todo seu patrimônio e por uma Assembleia Constituinte livre e soberana, sem Piñera.
Para isso, é necessário avançar no caminho da revolução, trabalhar para que o movimento operário entre em ação numa grande greve nacional, fortalecer a auto-organização através do desenvolvimento das Assembleias territoriais e outras instâncias, etc. Disputar, também, o setor de base das forças repressivas para se somar nesta revolução. E assim, gestar o caminho para as/os trabalhadores tomarem o poder com uma democracia operária e não a atual democracia dos ricos que nada mais é que a ditadura do capital.
Tradução: Rosangela Botelho

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