{"id":978,"date":"2010-05-04T03:03:49","date_gmt":"2010-05-04T03:03:49","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2010\/05\/04\/quirguistao-reloaded\/"},"modified":"2010-05-04T03:03:49","modified_gmt":"2010-05-04T03:03:49","slug":"quirguistao-reloaded","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2010\/05\/04\/quirguistao-reloaded\/","title":{"rendered":"Quirguist\u00e3o \u201creloaded\u201d"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<i><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" height=\"109\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/kyrgyz_fire_opt.jpg\" vspace=\"3\" width=\"150\" \/>Como h&aacute; cinco anos, revolu&ccedil;&atilde;o popular derruba governo e desenvolve auto-organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores.<\/i><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tNo in&iacute;cio de abril, no Quirguist&atilde;o, repetiu-se como h&aacute; cinco anos, um audaz processo revolucion&aacute;rio, que encurralou o governo, desta vez o de Kurmambek Bakiyev. A causa do levante foi a grave deteriora&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel de vida da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, devido aos efeitos da crise econ&ocirc;mica mundial.<br \/>\n\t<!--more--><br \/>\n\t&nbsp;A eleva&ccedil;&atilde;o das tarifas p&uacute;blicas (de 4 vezes na energia el&eacute;trica e quase 10 vezes na calefa&ccedil;&atilde;o e &aacute;gua quente, entre outras), s&iacute;mbolo do empobrecimento do povo durante o governo Bakiyev, transformou-se no detonador da insatisfa&ccedil;&atilde;o popular.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>Um pa&iacute;s pobre em uma regi&atilde;o estrat&eacute;gica<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tQuirguist&atilde;o fez parte da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, mas &eacute; o pa&iacute;s mais pobre da &Aacute;sia central. Compartilha fronteira com Cazaquist&atilde;o, Tadjiquist&atilde;o, Uzbequist&atilde;o e China, e n&atilde;o tem sa&iacute;da para o mar. Na &eacute;poca sovi&eacute;tica era conhecida por seu alto n&iacute;vel cultural, possuindo grandes universidades. Era, tamb&eacute;m, um pa&iacute;s industrializado, centrado na ind&uacute;stria pesada de m&aacute;quinas-ferramentas, eletrodom&eacute;sticos e carros. No entanto, a industrializa&ccedil;&atilde;o foi feita ao modo estalinista, com todas as f&aacute;bricas, engenheiros, t&eacute;cnicos e inclusive oper&aacute;rios vindos da R&uacute;ssia. A imposi&ccedil;&atilde;o estalinista chegou ao ponto de rebatizar a capital do pa&iacute;s de Frunze, em homenagem a um dirigente do Ex&eacute;rcito Vermelho. Mas no idioma quirguiz n&atilde;o h&aacute; o som &ldquo;f&rdquo;, o que fazia com que o povo n&atilde;o pudesse pronunciar o nome de sua pr&oacute;pria capital corretamente, dizendo ent&atilde;o &ldquo;Porunze&rdquo;! Hoje a capital voltou a ser chamada pelo velho nome, B&iacute;shkek.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tAssim, a ind&uacute;stria sempre foi como um &ldquo;corpo estranho&rdquo; no pa&iacute;s, e por isso para a nova burguesia quirguiz e o imperialismo foi muito f&aacute;cil desmantelar toda a infra-estrutura industrial. Esse &eacute; um dos motivos que fez que das ex-rep&uacute;blicas sovi&eacute;ticas da regi&atilde;o, o Quirguist&atilde;o foi a que mais rapidamente avan&ccedil;ou nos planos neocoloniais e restauracionistas. Em 1990, o pa&iacute;s j&aacute; era um &ldquo;exemplo&rdquo; de aplica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas liberais, o que seguia mais de perto as orienta&ccedil;&otilde;es das organiza&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tCom a restaura&ccedil;&atilde;o capitalista, o n&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s caiu &agrave; metade, fundamentalmente devido ao fechamento das empresas industriais. Hoje depende da exporta&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias primas e de m&atilde;o de obra. O Quirguist&atilde;o tornou-se um pa&iacute;s pobre, que exporta algod&atilde;o, l&atilde;, carne, fumo, ouro, merc&uacute;rio e ur&acirc;nio (em um total de 1,8 bilh&otilde;es de d&oacute;lares), enquanto importa m&aacute;quinas e equipamentos, alimentos, petr&oacute;leo bruto e g&aacute;s (em um total de 3,8 bilh&otilde;es de d&oacute;lares) &#8211; com um grande saldo comercial negativo da ordem de 40% do PIB. A grande riqueza do pa&iacute;s, as esta&ccedil;&otilde;es hidroel&eacute;tricas, em sua maioria est&atilde;o em m&atilde;os de companhias energ&eacute;ticas da R&uacute;ssia, associadas ao capital ocidental. Na minera&ccedil;&atilde;o, outra riqueza do pa&iacute;s, tamb&eacute;m participam ativamente corpora&ccedil;&otilde;es estrangeiras (em especial canadenses).<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tDesde 2004 foram investidos no Quirguist&atilde;o 18 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de capital externo, o que significa uma renda per capita superior ao da R&uacute;ssia, que j&aacute; &eacute; um dos mais altos do mundo. O PIB per capita do pa&iacute;s &eacute; de 2.200 d&oacute;lares (6 vezes menor que do vizinho Cazaquist&atilde;o). Devido ao desemprego, emigraram para trabalhar em outros pa&iacute;ses (fundamentalmente para a R&uacute;ssia) um milh&atilde;o de quirguizes (20% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e um ter&ccedil;o da for&ccedil;a de trabalho nacional). As remessas de dinheiro para seus familiares somam 1,2 bilh&otilde;es de d&oacute;lares (um quarto do PIB e valor equivalente &agrave; metade de todo o or&ccedil;amento do pa&iacute;s). A diminui&ccedil;&atilde;o das remessas dos oper&aacute;rios emigrados devido &agrave; crise econ&ocirc;mica foi o que agravou a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s. A d&iacute;vida externa &eacute; de 2,5 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, isto &eacute;, a metade do PIB. Mais de 60% da popula&ccedil;&atilde;o vive no campo. A rep&uacute;blica est&aacute; dividida geograficamente entre o sul e o norte, dirigidos por diferentes cl&atilde;s.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>Quadro dos investimentos externos na economia de Quirguist&atilde;o entre 2004 e 2008, pela import&acirc;ncia do pa&iacute;s em % (Fonte: Comit&ecirc; de Estat&iacute;stica Nacional do Quirguist&atilde;o).<\/b><\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Canad&aacute; &#8211; 28,41<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; R&uacute;ssia &#8211; 15,72<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cazaquist&atilde;o &#8211; 14,77<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Organismos internacionais &#8211; 10,42<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Gr&atilde;-Bretanha &#8211; 9,53<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; EUA &#8211; 2,52<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Chipre &#8211; 2,15<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ilhas Virgens &#8211; 2,12<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alemanha &#8211; 1,93<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uzbequist&atilde;o &#8211; 1,77<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Turquia &#8211; 1,57<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ucr&acirc;nia &#8211; 1,03<\/div>\n<div>\n\t&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cor&eacute;ia do Sul &#8211; 0,77<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tNo entanto, este pobre pa&iacute;s encontra-se em uma regi&atilde;o estrat&eacute;gica, pr&oacute;xima do Afeganist&atilde;o, e por isso sempre atraiu a aten&ccedil;&atilde;o do imperialismo. Ao mesmo tempo, encontra-se na zona de influ&ecirc;ncia hist&oacute;rica da R&uacute;ssia. Fazendo uso dessa importante posi&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica, os governos de Quirguist&atilde;o sempre jogaram com as contradi&ccedil;&otilde;es entre diferentes interesses (em especial com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; guerra no Afeganist&atilde;o), passando da &aacute;rea de influ&ecirc;ncia da R&uacute;ssia &agrave; influ&ecirc;ncia americana. S&iacute;mbolo desta situa&ccedil;&atilde;o, atualmente no pa&iacute;s h&aacute; duas bases militares estrangeiras, a base militar americana de Manas (transporte a&eacute;reo e centro de abastecimento para as opera&ccedil;&otilde;es no Afeganist&atilde;o) e uma base russa (como parte da Organiza&ccedil;&atilde;o do Acordo de Defesa Coletivo, ODKB na sigla em russo, bloco militar que re&uacute;ne a R&uacute;ssia, ex-rep&uacute;blicas sovi&eacute;ticas da &Aacute;sia central e Bielor&uacute;ssia). Atrav&eacute;s do Quirguist&atilde;o bem como da R&uacute;ssia, d&aacute;-se o transporte de cargas para as tropas da OTAN no Afeganist&atilde;o.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>Repeti&ccedil;&atilde;o de uma revolu&ccedil;&atilde;o<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA revolu&ccedil;&atilde;o de 2005, conhecida como Revolu&ccedil;&atilde;o dos Tulipanes, que derrubou ao governo de Askar Akayev, e agora a de 2010, que derrubou Bakiyev, s&atilde;o extremamente parecidas entre si por suas dimens&otilde;es, pelo grau de espontaneidade da c&oacute;lera popular, pela disposi&ccedil;&atilde;o das pessoas &agrave; luta, pelas figuras pol&iacute;ticas fundamentais e pelas medidas tomadas pelos novos governos. A atual cabe&ccedil;a do novo governo provis&oacute;rio, Roza Otunbayeva, fez parte tanto do governo de Akayev como do rec&eacute;m derrubado Bakiyev. A elite pol&iacute;tica tinha se dividido, dando origem &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o contra Akayev (com Bakiyev e Otunbayeva na cabe&ccedil;a desta), que ocupou o poder quando as massas se levantaram e expulsaram Akayev. A nova equipe dirigente nunca p&ocirc;de se consolidar firmemente: entre os blocos dirigentes sempre se deu uma luta pelo controle dos diferentes departamentos, com permanentes atritos entre os cl&atilde;s. Com a chegada de Bakiyev ao poder, as empresas mais rent&aacute;veis passaram as m&atilde;os de seu cl&atilde;, diretamente a seu filho, Maxim Bakiyev. A ele j&aacute; tinha sido entregue a dire&ccedil;&atilde;o da &ldquo;Ag&ecirc;ncia Central para o Desenvolvimento, Investimento e Inova&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que controla as a&ccedil;&otilde;es de todas as empresas estatais do pa&iacute;s. Setores estrat&eacute;gicos foram transferidos para as m&atilde;os de companhias estrangeiras e de offshores.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA crise econ&ocirc;mica agravou as contradi&ccedil;&otilde;es e levou a uma forte divis&atilde;o na elite pol&iacute;tica dirigente que disputam os pobres recursos do pa&iacute;s, no marco de um forte ataque governamental contra os trabalhadores. Perdendo o pr&oacute;prio ch&atilde;o onde pisava, o governo Bakiyev decidiu endurecer o regime e atacar as liberdades democr&aacute;ticas, prendendo seus advers&aacute;rios pol&iacute;ticos do bloco concorrente (Otunbayeva e Cia.). Mas isso s&oacute; aumentou a insatisfa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, agravando a situa&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>Uma tentativa de &ldquo;rea&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&rdquo; e o surgimento dos &ldquo;kurultays&rdquo; <\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tH&aacute; cinco anos atr&aacute;s, quando se derrubou Akayev, surgiram por todo o pa&iacute;s em uma s&eacute;rie de localidades, os &ldquo;kurultay&rdquo; &#8211; palavra quirguiz que significa assembl&eacute;ias populares &#8211; elementos nascentes de duplo poder, em geral em n&iacute;vel local &#8211; o &uacute;nico poder que tinha quando Akayev fugiu. Estes jogaram um papel importante na organiza&ccedil;&atilde;o das massas para depor Akayev, no entanto, com a relativa estabiliza&ccedil;&atilde;o no poder de Bakiyev-Otunbayeva, os &ldquo;kurultay&rdquo; quase desapareceram. Com o incremento da crise econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, eles come&ccedil;aram agora a reaparecer.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tAo n&atilde;o ter a possibilidade de atuar s&oacute; em base aos m&eacute;todos repressivos, Bakiyev organizou um &ldquo;<i>Kurultay<\/i> Supremo&rdquo;, o que, no entanto, foi um acontecimento burocr&aacute;tico, onde os homens de neg&oacute;cios pr&oacute;-Bakiyev e representantes da elite faziam agita&ccedil;&atilde;o a favor de Bakiyev. Esta profana&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi aceita pelo povo e foi denunciada pela oposi&ccedil;&atilde;o, que organizou <i>kurultays<\/i> alternativos. Apelando aos <i>kurultays<\/i>, os pol&iacute;ticos burgueses jogaram com fogo, arriscando-se a liberar a insatisfa&ccedil;&atilde;o popular, o que de fato ocorreu. A necessidade de apelar ao povo reflete a grande crise pol&iacute;tica que atravessa o pa&iacute;s. No dia 7 de abril devia realizar-se o <i>kurultay<\/i> da oposi&ccedil;&atilde;o. Para impedi-lo, o governo Bakiyev na v&eacute;spera come&ccedil;ou a prender os oposicionistas. E este foi o detonador da explos&atilde;o da indigna&ccedil;&atilde;o popular. O com&iacute;cio que se realizou contra as deten&ccedil;&otilde;es na cidade de Talas, no noroeste do pa&iacute;s, se converteu em uma ofensiva popular, ocupando os edif&iacute;cios da administra&ccedil;&atilde;o e da pol&iacute;cia. A repress&atilde;o n&atilde;o p&ocirc;de parar as pessoas e no dia seguinte o levante j&aacute; tinha incendiado todo o pa&iacute;s e em poucas horas derrubou Bakiyev. Agora Otunbayeva e Cia ficaram com o poder, e Bakiyev fugiu para o sul do pa&iacute;s (onde est&atilde;o as bases de seu cl&atilde;) e dali continua embaralhando as condi&ccedil;&otilde;es de sua ren&uacute;ncia.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>O ex&eacute;rcito e a pol&iacute;cia: em crise, paralisados, mas n&atilde;o destru&iacute;dos<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tO ex&eacute;rcito e a pol&iacute;cia de Quirguist&atilde;o est&atilde;o em uma situa&ccedil;&atilde;o de crise total. Faz cinco anos que Akayev j&aacute; n&atilde;o p&ocirc;de se apoiar no ex&eacute;rcito: soldados mal alimentados, vindos do povo, que viam a debilidade do governo; a divis&atilde;o nas elites e a vis&iacute;vel massividade das manifesta&ccedil;&otilde;es do outro lado; n&atilde;o tinham nenhum desejo de disparar contra as pessoas. Por isso o governo em 2005 n&atilde;o decidiu utilizar a for&ccedil;a das armas, com medo de que a situa&ccedil;&atilde;o se tornasse ainda pior. Hoje, por&eacute;m, o governo decidiu disparar contra o povo, matando dezenas de pessoas (mais de 100 pessoas, segundo algumas fontes) e ferindo outras 1.500. No entanto, pela crise das For&ccedil;as Armadas e a massividade do levante, este instrumento n&atilde;o se revelou efetivo.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tOs disparos contra as pessoas foram dados, fundamental, pelas divis&otilde;es de elite (franco-tiradores) e pol&iacute;cias, sob a observa&ccedil;&atilde;o passiva das tropas do ex&eacute;rcito. A debilidade das For&ccedil;as Armadas ficou muito clara nas imagens do Quirguist&atilde;o, onde se p&ocirc;de ver o povo surrando os policiais, quando os manifestantes triunfalmente tomaram os carros blindados, ve&iacute;culos policiais e armas. Segundo os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, dois pol&iacute;cias foram mortos e 600 ficaram feridos. A viol&ecirc;ncia revolucion&aacute;ria contra os verdugos e assassinos do povo chama ainda mais a aten&ccedil;&atilde;o por vir de um povo conhecido em toda a regi&atilde;o por sua bondade e docilidade, diferente de seus vizinhos uzbeques, que t&ecirc;m a fama de ser um povo &ldquo;guerreiro&rdquo;. J&aacute; na noite de 7 de abril, as For&ccedil;as Armadas tinham passado para o lado da oposi&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo, apesar da longa crise desta institui&ccedil;&atilde;o (agravada ap&oacute;s os recentes acontecimentos), elas n&atilde;o est&atilde;o destru&iacute;das e passaram as m&atilde;os do novo governo.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>A luta pelas b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os do imperialismo e os primeiros passos do novo governo<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA posi&ccedil;&atilde;o do imperialismo americano &#8211; o mais importante na regi&atilde;o &#8211; no processo atual foi de expectativa. N&atilde;o teve pressa em reconhecer a legitimidade nem ao novo governo, nem ao velho. O imperialismo &#8211; expressou suas preocupa&ccedil;&otilde;es &#8211; e exigiu o principal: a manuten&ccedil;&atilde;o de sua base militar.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tTanto o novo governo como Bakiyev quiseram em primeiro lugar refor&ccedil;ar seu juramento de f&eacute; ao imperialismo. Bakiyev chamou a uma interven&ccedil;&atilde;o da ONU para &ldquo;garantir a ordem&rdquo;. Assim, ele tentou salvar sua pele e seu poder a custas da ocupa&ccedil;&atilde;o de seu pr&oacute;prio pa&iacute;s pelo imperialismo e propondo seus servi&ccedil;os como marionete colonial. J&aacute; o novo poder, logo declarou que se manter&atilde;o todos os acordos internacionais j&aacute; assinados, e que a base americana de Manas ficar&aacute; no pa&iacute;s. Isto &eacute;, o novo governo garantiu ao imperialismo a manuten&ccedil;&atilde;o de seu controle sobre o pa&iacute;s e a garantia da continua&ccedil;&atilde;o da guerra no Afeganist&atilde;o. A pr&oacute;pria Otunbayeva vem do velho PC. Foi representante do Minist&eacute;rio do Exterior da URSS para a UNESCO. E no Quirguist&atilde;o j&aacute; independente tamb&eacute;m sempre foi respons&aacute;vel pelo contato com o imperialismo, encabe&ccedil;ando o Minist&eacute;rio do Exterior do Quirguist&atilde;o e sendo Embaixadora do pa&iacute;s nos EUA. N&atilde;o sem raz&atilde;o, Hillary Clinton disse que <i>&ldquo;as pessoas que chegaram ao poder agora no Quirguist&atilde;o s&atilde;o pessoas com quem n&oacute;s trabalhamos j&aacute; faz muito tempo&rdquo;.<\/i><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA R&uacute;ssia, sentindo o perigo da desestabiliza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o (o presidente russo, Medvedev, falou sobre o risco de o Quirguist&atilde;o tornar-se um novo Afeganist&atilde;o), quase imediatamente reconheceu o novo governo. At&eacute; porque com Bakiyev, o Kremlin teve dificuldades para trabalhar, pois fez promessas n&atilde;o cumpridas ao Kremlin, e n&atilde;o deu nada em troca do que recebeu, se voltando totalmente para seu grande chefe &#8211; o imperialismo americano.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tCom todas suas diverg&ecirc;ncias, todos os participantes a exce&ccedil;&atilde;o do povo, isto &eacute;, o novo governo de Otunbayeva, Bakiyev, EUA, R&uacute;ssia e at&eacute; o ex-presidente Akayev, que vive em Moscou, t&ecirc;m um grande acordo: em primeiro lugar h&aacute; que re-estabelecer a ordem, isto &eacute;, deter a revolu&ccedil;&atilde;o, fazer com que as pessoas voltem para as suas casas, defender a propriedade capitalista, sob amea&ccedil;as ao povo sublevado e restaurar o abalado Estado burgu&ecirc;s semi-colonial do Quirguist&atilde;o. Durante o levante as pessoas empobrecidas tomaram das lojas toda a comida, roupas e produtos de primeira necessidade. E isso n&atilde;o &eacute; nenhum crime. Como h&aacute; cinco anos atr&aacute;s, o novo governo apressou-se a lutar contra estes &ldquo;saqueadores&rdquo;, dando permiss&atilde;o para atirar para matar, defendendo com sangue a propriedade da burguesia. Inclusive o saque de eletrodom&eacute;sticos das lojas &#8211; que n&atilde;o &eacute; o melhor uso de energia que se pode fazer durante uma revolu&ccedil;&atilde;o e atrai menos compreens&atilde;o. Os saques, por&eacute;m, n&atilde;o s&atilde;o nada em compara&ccedil;&atilde;o com os crimes dos capitalistas e de seu governo, que mant&ecirc;m o povo na mis&eacute;ria. Ao mesmo tempo, os que tomaram estas mercadorias n&atilde;o podem ser condenados a morte, menos ainda sem julgamento. E o principal, sob a cobertura de &ldquo;lutar contra os saqueadores&rdquo;, o governo pode agora matar qualquer um nas ruas. De fato, a &ldquo;luta contra os saqueadores&rdquo; &eacute; um toque de recolher contra o povo sublevado.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>A vida vai melhorar?<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA queda de Bakiyev repete os acontecimentos de cinco anos atr&aacute;s. Naquele momento se tinha muita expectativa de que o novo governo traria mudan&ccedil;as positivas. No entanto, n&atilde;o houve melhoras. A situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; piorou. Muitos jornalistas burgueses outra vez levantaram a tese sobre a &ldquo;inutilidade das revolu&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Mas, por que nada mudou com a queda de Akayev?<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA resposta a esta pergunta &eacute; dada pelo pr&oacute;prio imperialismo, ao exigir agora em primeiro lugar a inviolabilidade dos acordos internacionais assinados, acordos que ferem a soberania do pa&iacute;s. Tamb&eacute;m exige &ldquo;ordem&rdquo; e garantias &agrave; propriedade privada e a restaura&ccedil;&atilde;o do estado burgu&ecirc;s semi-colonial e de suas For&ccedil;as Armada. As mesmas exig&ecirc;ncias que teve ap&oacute;s a queda de Akayev. Em lugar de um cl&atilde; burgu&ecirc;s, chegou ao poder outro, somente para continuar administrando uma economia semi-colonial. Isto &eacute;, o saque ao povo e a coloniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s aprofundaram-se. &Eacute; por isso que tudo piorou.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tEnquanto n&atilde;o se romper totalmente a subordina&ccedil;&atilde;o ao imperialismo; enquanto se mantiver os vergonhosos acordos sobre a manuten&ccedil;&atilde;o de tropas estrangeiras no pa&iacute;s; enquanto n&atilde;o sejam nacionalizadas as grandes companhias e enquanto a propriedade e terras se mantiverem em m&atilde;os de um punhado de ricos, devastadores do pa&iacute;s, a situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; vai piorar.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tAs revolu&ccedil;&otilde;es de 2005 e de 2010 foram vit&oacute;rias do povo. Mostraram que o povo com sua for&ccedil;a &eacute; capaz de derrubar governos e impor a sua vontade. O novo governo acaba de anunciar a anula&ccedil;&atilde;o dos aumentos das tarifas implementadas por Bakiyev e se comprometeu rever as privatiza&ccedil;&otilde;es dos setores estrat&eacute;gicos. Isso &eacute; uma vit&oacute;ria dos sublevados.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tPara compreender o papel destas revolu&ccedil;&otilde;es, &eacute; suficiente comparar a situa&ccedil;&atilde;o do Quirguist&atilde;o com a de seu vizinho Uzbequist&atilde;o, onde uma tentativa de levante h&aacute; pouco tempo foi sufocada, e por isso a popula&ccedil;&atilde;o vive hoje sob um regime policial. O governo Bakiyev era mais d&eacute;bil do que o de Akayev. Provavelmente, o governo de Otunbayeva venha a ser ainda mais d&eacute;bil que o governo de Bakiyev, j&aacute; que n&atilde;o tem recursos econ&ocirc;micos para poder se consolidar. O que significa que ser&aacute; mais dif&iacute;cil o governo conduzir suas reformas antipopulares.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tNo entanto, h&aacute; que compreender que o novo governo de Otunbayeva continuar&aacute; seu trabalho em favor dos capitalistas; continuar&aacute; os esfor&ccedil;os para colocar o peso da crise sobre os ombros do povo e seguir&aacute; com os mesmos ataques iniciados por Bakiyev contra os trabalhadores. Porque o novo governo tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; um governo dos trabalhadores e do povo, &eacute; outra vez um governo da burguesia e por isso nunca poder&aacute; libertar o pa&iacute;s do jugo imperialista, da pobreza, do diab&oacute;lico controle dos cl&atilde;s ricos e corruptos (isto &eacute;, de si mesmo). Isso somente pode fazer um governo dos trabalhadores e do povo. Para isso os trabalhadores t&ecirc;m que tomar o poder, o que n&atilde;o ocorreu no Quirguist&atilde;o, nem h&aacute; cinco anos nem agora.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tApesar do desenvolvimento dos <i>kurultays<\/i> e de importantes elementos de auto-organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, o poder se mant&eacute;m ainda em m&atilde;os da burguesia. E esse &eacute; o problema central. Enquanto os trabalhadores n&atilde;o tomarem o poder com suas organiza&ccedil;&otilde;es, se chamem estas soviets, assembl&eacute;ias ou <i>kurultays<\/i>, ent&atilde;o na melhor das hip&oacute;teses s&oacute; se repetir&atilde;o processos como os de 2005 e o atual, mas sem afirmar uma alternativa.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<b>Desenvolver o movimento dos <i>kurultays<\/i> e construir uma alternativa oper&aacute;ria<\/b><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA revolu&ccedil;&atilde;o no Quirguist&atilde;o &eacute; um alerta a mais sobre a necessidade de uma alternativa oper&aacute;ria. Todos os pol&iacute;ticos oficiais do Quirguist&atilde;o, bem como seus partidos, s&atilde;o burgueses e servem aos interesses de seus grupos. Mas &eacute; necess&aacute;ria uma alternativa oper&aacute;ria e um partido oper&aacute;rio, que lutem autenticamente pela soberania do pa&iacute;s, pela liberta&ccedil;&atilde;o da humilhante subordina&ccedil;&atilde;o a algumas grandes pot&ecirc;ncias, o que s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel com a realiza&ccedil;&atilde;o de uma radical mudan&ccedil;a socialista em favor das pessoas comuns. A aus&ecirc;ncia de tal alternativa no Quirguist&atilde;o coloca a descoberto o vazio deixado pela aus&ecirc;ncia de uma dire&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, vazio que &eacute; preenchido pela burguesia que s&oacute; assim consegue se manter no poder ap&oacute;s a cada assalto revolucion&aacute;rio das massas.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tHoje n&atilde;o deve ter nenhuma ilus&atilde;o e nenhuma confian&ccedil;a no &ldquo;novo&rdquo; governo, que ainda n&atilde;o se consolidou no poder e mesmo assim j&aacute; come&ccedil;ou a atirar contra o povo e brigar pelas &ldquo;b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os&rdquo; do imperialismo e do governo russo. Nenhum di&aacute;logo com Bakiyev! Julgamento p&uacute;blico para Bakiyev! Julgamento p&uacute;blico e c&aacute;rcere para aqueles que atiraram contra o povo e os que deram as ordens! Proibir o uso de armas de fogo pela pol&iacute;cia e dissolver os esquadr&otilde;es de elite! Nacionalizar toda a riqueza roubada pelos grupos ligados a Bakiyev! Estatiza&ccedil;&atilde;o das companhias privatizadas e entregues &agrave;s multinacionais no per&iacute;odo Bakiyev! N&atilde;o reconhecer as d&iacute;vidas contra&iacute;das durante seu gerenciamento e romper os acordos sobre as bases militares estrangeiras que amea&ccedil;am constantemente a soberania do pa&iacute;s! Nenhum novo acordo com as pot&ecirc;ncias externas! Anular imediatamente os aumentos das tarifas p&uacute;blicas do governo Bakiyev! Expropriar as terras de todos os grupos latifundi&aacute;rios e colocar, por prazo indefinido, as terras nacionalizadas em m&atilde;os de todos os que queiram nelas trabalhar!<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA dimens&atilde;o do processo revolucion&aacute;rio &eacute; tal que o novo governo at&eacute; agora n&atilde;o p&ocirc;de estabelecer seu controle sobre a situa&ccedil;&atilde;o, no pa&iacute;s continuam se dando processos espont&acirc;neos de tomadas de terras, continuam as expropria&ccedil;&otilde;es nas grandes lojas. Um exemplo claro das dificuldades do novo governo &eacute; que em uma semana depois que o ministro do interior (pol&iacute;cia) de Bakiyev sofreu uma forte surra nas ruas pelo povo, sucedeu o mesmo com seu sucessor, o ministro do interior do novo governo! O governo, em nome da &ldquo;paz&rdquo;, tenta recuperar das m&atilde;os do povo as armas tomadas da pol&iacute;cia e das tropas de elite que atiravam contra ele. N&atilde;o se pode cair nessa armadilha do governo. O novo governo teme que n&atilde;o possa subjugar o povo com facilidade enquanto este mantiver armas em suas m&atilde;os.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tDo mesmo modo, n&atilde;o se pode cair no erro de defender o novo governo de Otunbayeva, que se diz revolucion&aacute;rio e progressivo. &Eacute; verdade que Bakiyev tenta salvar sua pele fugindo para o sul do pa&iacute;s, onde tenta formar uma base de apoio, confundindo &agrave; popula&ccedil;&atilde;o com demagogia e dividindo os trabalhadores segundo o tradicional princ&iacute;pio asi&aacute;tico de cl&atilde;s. No entanto, bastaria por parte do novo governo um decreto sobre a expropria&ccedil;&atilde;o das terras e sua divis&atilde;o entre aqueles que nelas queiram trabalhar (bem como atender a outras reivindica&ccedil;&otilde;es populares) para golpear mortalmente a Bakiyev e tirar todo o ch&atilde;o sob os seus p&eacute;s. &Eacute; isso o que se deve exigir ao novo governo. E o governo de Otunbayeva n&atilde;o o faz, precisamente, porque n&atilde;o tem nada de progressivo, &eacute; simplesmente outro grupo da elite local, que sempre defendeu os interesses do imperialismo, dos ricos e latifundi&aacute;rios, e que chegou agora ao poder conduzido por uma forte vaga de insatisfa&ccedil;&atilde;o popular (assim como h&aacute; cinco anos atr&aacute;s chegou ao poder o mesmo Bakiyev, junto &agrave; mesma Otunbayeva). N&atilde;o se pode ajudar ao novo governo a &ldquo;re-estabelecer a ordem&rdquo; e n&atilde;o se pode tamb&eacute;m n&atilde;o submeter a este a luta popular. &Eacute; necess&aacute;rio uma luta independente dos trabalhadores do Quirguist&atilde;o pela terra e demais reivindica&ccedil;&otilde;es.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tSegundo os meios de comunica&ccedil;&atilde;o, teve incidentes onde a insatisfa&ccedil;&atilde;o popular se dirigiu n&atilde;o contra o governo, e se contra as minorias nacionais que vivem no pa&iacute;s (uzbeques, turcomenos, etc.). No caso de que estes incidentes se arrastem, ent&atilde;o esse seria o mais forte golpe contra a luta dos habitantes de Quirguist&atilde;o por seus direitos, j&aacute; que introduziria entre os trabalhadores dimens&otilde;es nacionais, em um momento quando se precisa como nunca de sua uni&atilde;o acima das nacionalidades e precisamente em um momento no qual os trabalhadores de diferentes nacionalidades t&ecirc;m a for&ccedil;a necess&aacute;ria para defender seus interesses conjuntamente. As fontes da pobreza no Quirguist&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o nem os uzbeques, nem os tadjiques, nem os turcomenos, e sim a rica elite local, aliada do imperialismo, cuja queda &eacute; a tarefa de todas as pessoas comuns do Quirguist&atilde;o, independentemente de sua nacionalidade.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA tarefa atual mais urgente do povo do Quirguist&atilde;o &eacute; desenvolver por todo lado o movimento dos <i>kurultays<\/i> e construir uma alternativa pol&iacute;tica oper&aacute;ria. Nos &uacute;ltimos anos mostraram que deixando as coisas em m&atilde;os do governo e sem um partido oper&aacute;rio, o povo ficar&aacute; com nada nas m&atilde;os. Essa &eacute; uma importante li&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o quirguiz.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<i>*se&ccedil;&atilde;o da LIT-QI na R&uacute;ssia<\/i><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<i>Artigos Relacionados:<\/i><\/div>\n<div>\n\t<a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/?p=965\">Atentados no metr&ocirc;: um crime contra os trabalhadores&#8230; <\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como h&aacute; cinco anos, revolu&ccedil;&atilde;o popular derruba governo e desenvolve auto-organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. &nbsp; No in&iacute;cio de abril, no Quirguist&atilde;o, repetiu-se como h&aacute; cinco anos, um audaz processo revolucion&aacute;rio, que encurralou o governo, desta vez o de Kurmambek Bakiyev. A causa do levante foi a grave deteriora&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel de vida da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":3898,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8069],"tags":[],"class_list":["post-978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nepal"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/kyrgyz_fire_opt.jpg","categories_names":["Nepal"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/978\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}