{"id":89,"date":"2015-10-01T13:48:07","date_gmt":"2015-10-01T13:48:07","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/novosite\/2015\/10\/01\/nao-o-universo-nao-esta-morrendo\/"},"modified":"2015-10-01T13:48:07","modified_gmt":"2015-10-01T13:48:07","slug":"nao-o-universo-nao-esta-morrendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/10\/01\/nao-o-universo-nao-esta-morrendo\/","title":{"rendered":"N\u00e3o, o universo n\u00e3o est\u00e1 morrendo!"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"175\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/universo.jpg\" vspace=\"4\" width=\"255\" \/>Recentemente foi anunciada uma descoberta terr&iacute;vel: que nosso universo estaria supostamente morrendo! Astr&ocirc;nomos de v&aacute;rios pa&iacute;ses, utilizando alguns dos telesc&oacute;pios mais potentes do mundo, compararam durante anos a diferen&ccedil;a entre a emiss&atilde;o de luz de mais de 200 mil gal&aacute;xias h&aacute; 2 bilh&otilde;es de anos atr&aacute;s com a emiss&atilde;o atual. E conclu&iacute;ram que ela hoje &eacute; quase duas vezes menor. A not&iacute;cia n&atilde;o chega a ser uma surpresa, pois &eacute; sabido que as estrelas brilham devido &agrave; fus&atilde;o do hidrog&ecirc;nio primordial remanescente do Big Bang<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn1\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"background: white none repeat scroll 0% 0%;\">[i]<\/span><\/a> em h&eacute;lio e outros elementos pesados. E ao morrer, as estrelas ainda espalham este hidrog&ecirc;nio, diminuindo assim tanto a sua quantidade quanto concentra&ccedil;&atilde;o. Isso impacta na taxa de forma&ccedil;&atilde;o de novas estrelas, que nascem em menor quantidade, menores e, portanto, irradiam menos energia luminosa. &Eacute; isto que foi agora detectado experimentalmente.<\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A quest&atilde;o &eacute; que esta descoberta est&aacute; sendo considerada como &quot;prova&quot; de que o universo estaria morrendo. Que com menos possibilidades de formar estrelas, o universo se faria mais escuro e frio a cada dia, at&eacute; que as estrelas deixem de existir e reste somente uma imensid&atilde;o fria, escura e vazia, um universo morto<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn2\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[ii]<\/a>. Seria verdade?<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>I- Um universo em desenvolvimento<\/strong><br \/>\n\tA diminui&ccedil;&atilde;o da quantidade e concentra&ccedil;&atilde;o de hidrog&ecirc;nio, combust&iacute;vel da forma&ccedil;&atilde;o estelar &eacute;, de fato, uma prova cabal de que o universo n&atilde;o pode se manter para sempre no estado atual. Que n&atilde;o foi no passado da maneira como o conhecemos hoje e que tampouco ser&aacute; assim no futuro. Mas n&atilde;o h&aacute; motivo para tristeza, pois este &eacute; um sintoma de vida e n&atilde;o de morte! Afinal, este combust&iacute;vel n&atilde;o est&aacute; desaparecendo e sim se transformando em &aacute;tomos cada vez mais pesados, passando pelo h&eacute;lio, l&iacute;tio, carbono, oxig&ecirc;nio, ferro, etc., ao longo de toda a tabela peri&oacute;dica. Est&aacute; formando elementos mais complexos a cada dia, necess&aacute;rios, entre outras coisas, ao surgimento da vida. N&atilde;o nos esque&ccedil;amos de que cada &aacute;tomo que comp&otilde;e cada um de n&oacute;s (&agrave; exce&ccedil;&atilde;o do hidrog&ecirc;nio) foi sintetizado no interior de uma estrela que j&aacute; explodiu. Os restos destas explos&otilde;es d&atilde;o origem a outras estrelas e planetas, entre os quais o nosso Sol, a Terra e tudo o que h&aacute; nela, n&oacute;s mesmos inclu&iacute;dos. Somos literalmente filhos das estrelas, gerados em seus ventres e paridos em catastr&oacute;ficas explos&otilde;es de supernovas!<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Que nos perdoem os atuais profetas do Apocalipse, mas universo morto era o universo de alguns bilh&otilde;es de anos atr&aacute;s, formado somente de hidrog&ecirc;nio e h&eacute;lio primordiais, que n&atilde;o permitiam o surgimento da vida! &Eacute; justamente a s&iacute;ntese de elementos pesados a partir da fus&atilde;o nuclear estelar, sintoma de senilidade para tais agourentos, que permite que a mat&eacute;ria possa se organizar em formas mais complexas, capazes de servir como base para a vida e mais tarde para a consci&ecirc;ncia, fruto mais elevado da evolu&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria. Al&eacute;m disso, as estrelas primordiais, de 1&ordf; gera&ccedil;&atilde;o, sem elementos pesados, n&atilde;o possu&iacute;am planetas de tipo terrestre em suas &oacute;rbitas e viviam apenas alguns poucos milh&otilde;es de anos antes de explodirem em supernovas. Este tempo era insuficiente para a apari&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da vida nos seus arredores, que no caso da Terra exigiu alguns bilh&otilde;es de anos de estabilidade solar para surgir e evoluir at&eacute; o presente momento.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mesmo com quase 14 bilh&otilde;es de anos passados desde o Big Bang, o universo conta ainda hoje com cerca de 99% da mat&eacute;ria at&ocirc;mica conhecida na forma de hidrog&ecirc;nio e h&eacute;lio primordiais. E sua taxa de processamento &eacute; muito lenta. A quantidade de elementos pesados, al&eacute;m do l&iacute;tio, segue sendo baix&iacute;ssima, mas mesmo assim j&aacute; permitiu a forma&ccedil;&atilde;o de estrelas de 2&ordf;, 3&ordf; e demais gera&ccedil;&otilde;es como o nosso Sol, gal&aacute;xias, nebulosas, luas, cometas, asteroides e planetas, e pelo menos num destes, de vida consciente! Ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; que nosso universo esteja morrendo e sim que est&aacute; rec&eacute;m despertando para a vida! E s&oacute; temos a esperar mais vida &agrave; medida que se sintetizem mais e mais formas superiores de mat&eacute;ria, cada vez mais complexas, com estrelas com estabilidade suficiente para possibilitar as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para tal.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">J&aacute; sobre um futuro muito distante, onde a taxa de forma&ccedil;&atilde;o estelar caia a zero e j&aacute; n&atilde;o haja calor suficiente para sustentar a vida em nenhum lugar do cosmos, n&atilde;o passa de especula&ccedil;&atilde;o, com praticamente nenhuma base cient&iacute;fica. De acordo ao que sabemos sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do universo hoje, este ser&aacute; capaz de sustentar a vida como a conhecemos por trilh&otilde;es de anos. Especular sobre intervalos de tempo maiores do que esse, considerando o atual est&aacute;gio de conhecimento sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do universo, n&atilde;o faz nenhum sentido. Como a mat&eacute;ria segue se organizando em formas cada vez mais complexas, devemos esperar um universo cada vez mais rico em possibilidades e n&atilde;o o oposto.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; verdade que n&atilde;o se pode descartar teoricamente a possibilidade de que, em sua permanente mudan&ccedil;a, a parte do universo em que nos toca viver venha a atingir estados em que a vida como a conhecemos hoje, baseada em cadeias de carbono, se torne imposs&iacute;vel. Mas tampouco se pode descartar a possibilidade de que, num universo ainda mais complexo do que o atual, com formas mais ricas e elevadas de mat&eacute;ria, este possa vir a possibilitar vida e consci&ecirc;ncia em formas que sequer hoje ousamos sonhar. No atual estado de nosso conhecimento, o que sabemos &eacute; que, na parte que podemos observar do universo, este est&aacute; em expans&atilde;o acelerada, sintetizando elementos qu&iacute;micos mais pesados no interior das estrelas e que &eacute; capaz de sustentar a vida como conhecemos at&eacute; qualquer horizonte de tempo previs&iacute;vel. &Eacute; um universo aberto de possibilidades, que se multiplicam a cada instante. N&atilde;o ser&aacute;, pois, um universo mais pobre, mas ainda mais rico em possibilidades no futuro. E se a humanidade, superando suas terr&iacute;veis contradi&ccedil;&otilde;es sociais, chegar a este futuro distante, como firmemente acreditamos, ter&aacute; material muito mais rico que o atual para trabalhar em prol de sua sobreviv&ecirc;ncia ulterior.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A hip&oacute;tese &ldquo;cient&iacute;fica&rdquo; do fim do mundo, vers&atilde;o &quot;ate&iacute;sta&quot; do Juizo Final, tamb&eacute;m chamada &ldquo;morte t&eacute;rmica do universo&rdquo;, que usa e abusa da 2&ordf; &nbsp;Lei da Termodin&acirc;mica<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn3\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iii]<\/a> para se justificar, n&atilde;o tem embasamento real. Esta lei &eacute; um princ&iacute;pio v&aacute;lido para sistemas fechados. Nosso universo n&atilde;o &eacute; um sistema fechado e seu futuro n&atilde;o est&aacute; pr&eacute;-determinado por nenhuma teoria cient&iacute;fica! Teorias cient&iacute;ficas podem prever cen&aacute;rios poss&iacute;veis e prov&aacute;veis, linhas gerais de desenvolvimento, e n&atilde;o o &ldquo;destino final&rdquo; do universo, dado que este n&atilde;o est&aacute; definido de antem&atilde;o. A 2&ordf; Lei da Termodin&acirc;mica n&atilde;o indica que o universo caminha para a morte, mas t&atilde;o somente que o universo caminha! Que n&atilde;o &eacute; est&aacute;tico e que n&atilde;o deixar&aacute; de existir, como bem expressa a 1&ordf; Lei da mesma Termodin&acirc;mica, (sempre &quot;esquecida&quot; pelos arautos do fim do mundo) que diz que a energia\/mat&eacute;ria n&atilde;o se cria nem se destr&oacute;i, sempre se transforma.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">E n&atilde;o nos esque&ccedil;amos de que nesse universo h&aacute; ainda o fator consciente, ou seja, n&oacute;s. Sendo a consci&ecirc;ncia a forma mais elevada de exist&ecirc;ncia da mat&eacute;ria, n&atilde;o seria de se estranhar que justo o seu papel fosse irrelevante para o futuro do universo? A humanidade vive uma encruzilhada hist&oacute;rica, um momento cr&iacute;tico em seu desenvolvimento, e somente a classe trabalhadora pode lhe dar uma sa&iacute;da progressiva. Disso depende o futuro de nossa civiliza&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; o limite atual da a&ccedil;&atilde;o humana transformadora, onde &ldquo;mudar o mundo&rdquo; ainda se restringe a revolucionar a sociedade em que vivemos. Mas n&atilde;o h&aacute; nenhum motivo para crer que nossa capacidade se limite a construir o futuro de nossa civiliza&ccedil;&atilde;o, nem tampouco apenas na Terra. Livre das amarras da sociedade capitalista, uma humanidade com mil&ecirc;nios e milh&otilde;es de anos de futuro assegurado para desenvolver a ci&ecirc;ncia, a t&eacute;cnica e a cultura a n&iacute;veis inimagin&aacute;veis e colonizar outros corpos celestes, dificilmente encontrar&aacute; em seu caminho limites intranspon&iacute;veis. A express&atilde;o &ldquo;mudar o mundo&rdquo; ganhar&aacute; no futuro contornos muito mais amplos! N&atilde;o s&oacute; o futuro da Terra, como o futuro do universo nos pertence!<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>II- Um universo em permanente movimento<\/strong><br \/>\n\tA maioria das representa&ccedil;&otilde;es do universo ao longo da hist&oacute;ria era est&aacute;tica, com um in&iacute;cio m&iacute;stico-religioso. Afirma que em um determinado momento, algum Deus (&ldquo;princ&iacute;pio&rdquo; ou &ldquo;energia&rdquo;, como preferem os esot&eacute;ricos) criou o universo como o conhecemos hoje e desde ent&atilde;o ele permanece o mesmo, girando imut&aacute;vel em torno de si mesmo, aguardando seu fim pelas m&atilde;os do mesmo Criador. Os &uacute;nicos momentos hist&oacute;ricos neste universo seriam sua cria&ccedil;&atilde;o e seu inevit&aacute;vel fim.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Esta vis&atilde;o foi bem estabelecida no sistema geoc&ecirc;ntrico de Arist&oacute;teles-Ptolomeu. O universo seria formado por esferas cristalinas conc&ecirc;ntricas e perfeitas, cada uma com um planeta incrustrado, sendo a esfera das estrelas a mais externa e a Terra est&aacute;tica no centro do sistema, com o Sol e demais corpos celestes a orbitando. Este sistema era perfeito, imut&aacute;vel e havia sido colocado em movimento por Deus. E desde ent&atilde;o seguiria dando voltas, pelo menos enquanto este Deus n&atilde;o se aborrecesse com Sua Cria&ccedil;&atilde;o. Neste modelo, o movimento natural no c&eacute;u, morada dos deuses, era o movimento circular das &oacute;rbitas planet&aacute;rias, enquanto que o movimento natural na Terra era para baixo, rumo ao repouso.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Este foi o mais completo modelo de universo da Antiguidade e totalmente incorporado ent&atilde;o pela Igreja ao dogma oficial (lugar natural de cada um predeterminado por Deus, repouso como estado natural da mat&eacute;ria, leis distintas para a Terra, morada dos homens, e para os C&eacute;us, morada de Deus). S&oacute; veio a ser derrubado, parcialmente, depois de v&aacute;rios s&eacute;culos, com a grande Revolu&ccedil;&atilde;o Copernicana-Galileana, que foi parte dos importantes avan&ccedil;os da cultura humana que acompanharam o per&iacute;odo das revolu&ccedil;&otilde;es burguesas na Europa.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Come&ccedil;ando com o modelo helioc&ecirc;ntrico de Cop&eacute;rnico, que tirava a humanidade do centro da Cria&ccedil;&atilde;o, passando pelas descobertas astron&ocirc;micas de Galileu com seu telesc&oacute;pio, que mostravam que o C&eacute;u n&atilde;o era perfeito nem imut&aacute;vel e que em muitos aspectos era parecido &agrave; Terra, at&eacute; a sua ideia de in&eacute;rcia, generalizada por Newton e que unificou o C&eacute;u e a Terra sob as mesmas leis, objetivas e naturais, foi um longo caminho. Sempre marcado pela feroz repress&atilde;o da Inquisi&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica, que levou her&oacute;is do pensamento humano como Giordano Bruno &agrave; fogueira.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O novo modelo conquistado, a Gravita&ccedil;&atilde;o Universal de Newton, cumpriu uma imensa tarefa ao unificar o C&eacute;u e a Terra sob as mesmas leis naturais (&quot;Todos s&atilde;o iguais perante a lei!&quot;, como bradavam as revolu&ccedil;&otilde;es antimon&aacute;rquicas e anticlericais de ent&atilde;o). Abriu assim &agrave; humanidade a possibilidade de investigar os c&eacute;us e eliminou os territ&oacute;rios sagrados e proibidos &agrave; ci&ecirc;ncia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas este foi somente um come&ccedil;o. Para Newton, o universo seguia sendo imut&aacute;vel desde que Deus o havia posto em movimento. Ali&aacute;s, havia uma inconsist&ecirc;ncia s&eacute;ria no seu modelo, pois sendo regido pela gravidade, deveria mais cedo ou mais tarde se colapsar. Newton n&atilde;o podia responder a este problema sem recorrer a explica&ccedil;&otilde;es divinas. Havia ainda que esperar alguns s&eacute;culos at&eacute; o surgimento da Teoria da Relatividade de Einstein.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Einstein partiu de outro problema, n&atilde;o-cosmol&oacute;gico, as inconsist&ecirc;ncias entre a Mec&acirc;nica de Newton e a Teoria Eletromagn&eacute;tica<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn4\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iv]<\/a>. Mas t&atilde;o logo sua teoria ganhou forma, suas implica&ccedil;&otilde;es cosmol&oacute;gicas surpreenderam ao mundo e ao pr&oacute;prio Einstein, que at&eacute; ent&atilde;o acreditava tamb&eacute;m num universo est&aacute;tico. A Teoria da Relatividade Geral deixava expl&iacute;cita a inconsist&ecirc;ncia j&aacute; notada no modelo de Newton, de que o universo n&atilde;o podia ser est&aacute;tico. Que era obrigatoriamente din&acirc;mico, ou se colapsaria pela a&ccedil;&atilde;o da gravidade. Ressaltamos este resultado pela sua import&acirc;ncia &ndash; segundo a Teoria da Relatividade Geral, um universo est&aacute;tico, imut&aacute;vel, &eacute; imposs&iacute;vel<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn5\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[v]<\/a>! &Eacute; neste momento que nasce a Cosmologia moderna, como ci&ecirc;ncia hist&oacute;rica que estuda a evolu&ccedil;&atilde;o do universo, com o modelo do Big Bang e de um universo em expans&atilde;o, aceitos at&eacute; hoje em dia.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas mesmo este modelo manteve ainda aspectos da velha concep&ccedil;&atilde;o aristot&eacute;lica, notadamente que o movimento universal teve um in&iacute;cio ex-machina, ou seja, externo ao modelo, misterioso, e que tende naturalmente ao repouso, que seria o estado natural da mat&eacute;ria. O modelo padr&atilde;o do Big Bang afirma que houve uma explos&atilde;o inicial (n&atilde;o explicada pelo modelo) e que desde ent&atilde;o o universo vem se esfriando e diminuindo o seu ritmo de expans&atilde;o, parando, supostamente &ldquo;morrendo&rdquo;. A t&atilde;o anunciada medi&ccedil;&atilde;o da diminui&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o estelar somente nos confirmaria que &ldquo;o fim est&aacute; pr&oacute;ximo&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Pois esta suposta &quot;morte lenta&quot; do universo n&atilde;o est&aacute; de acordo aos recentes avan&ccedil;os da f&iacute;sica! Em 1998 foi feita uma grande descoberta (que rendeu um pr&ecirc;mio Nobel), de que o universo n&atilde;o est&aacute; diminuindo sua expans&atilde;o e sim acelerando! Se tudo n&atilde;o passava de um &ldquo;sopro inicial&rdquo; no Big Bang, o universo n&atilde;o deveria estar hoje se desacelerando? Os f&iacute;sicos v&ecirc;m tentando responder a esta quest&atilde;o com v&aacute;rias hip&oacute;teses ex&oacute;ticas, como a da chamada energia escura. <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Independentemente da resposta que a f&iacute;sica venha a dar a este problema, fica claro a cada novo avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia que o universo n&atilde;o &eacute; est&aacute;tico nem tampouco tende ao repouso. Que seu estado natural &eacute;, ao contr&aacute;rio, o eterno movimento, compreendido n&atilde;o somente como movimento mec&acirc;nico, repetitivo, circular, que nada mais seria que uma forma de repouso, mas movimento compreendido como permanente desenvolvimento, progresso, crise, evolu&ccedil;&atilde;o, revolu&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; est&aacute;tico nem tampouco tende ao repouso! Tem uma hist&oacute;ria, evolui, retrocede, muda de forma e de estado, avan&ccedil;a, regride novamente, se diferencia, se destr&oacute;i parcialmente, se supera uma vez mais, &ldquo;transcresce&rdquo; e se metamorfoseia em formas cada vez mais variadas, ricas e complexas. &Eacute; um universo profundamente dial&eacute;tico e nem poderia ser de outra forma, dado que a pr&oacute;pria dial&eacute;tica nada mais &eacute; que uma generaliza&ccedil;&atilde;o humana do conjunto de fen&ocirc;menos observados do pr&oacute;prio universo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>III- Um universo que tende &agrave; vida e &agrave; consci&ecirc;ncia<\/strong><br \/>\n\tExistem profundas raz&otilde;es para que tanta gente acredite que o universo teve um in&iacute;cio e necessariamente ter&aacute; um fim. Muitos cientistas e fil&oacute;sofos costumam dizer que esta vis&atilde;o deriva da simples constata&ccedil;&atilde;o de que tudo o que conhecemos possui um in&iacute;cio e um fim, e que esta seria, portanto, uma conclus&atilde;o l&oacute;gica e natural. Mas n&atilde;o &eacute; bem assim. Afinal, da mesma maneira que sabemos que tudo come&ccedil;a e acaba, todos tamb&eacute;m sabemos que o fim de algo corresponde necessariamente ao in&iacute;cio de algo novo, numa sucess&atilde;o intermin&aacute;vel. Que o fim de uma estrela primordial d&aacute; origem a estrelas de 2&ordf;, 3&ordf; e demais gera&ccedil;&otilde;es, como o nosso Sol, ricas em elementos pesados vitais e capazes de formar sistemas planet&aacute;rios est&aacute;veis ao seu redor, pelo menos alguns deles capazes de abrigar vida. Que a extin&ccedil;&atilde;o dos dinossauros abriu a possibilidade do dom&iacute;nio dos mam&iacute;feros, sem o qual o Ser Humano n&atilde;o poderia haver surgido. Que cada indiv&iacute;duo que morre pode deixar descendentes, e no caso humano, uma heran&ccedil;a ainda maior: uma obra cultural, art&iacute;stica e cient&iacute;fica, ou a mais rica delas, a possibilidade de atuar para legar um mundo melhor aos descendentes de toda a humanidade. N&atilde;o, a raz&atilde;o destas cren&ccedil;as no fim do mundo n&atilde;o est&aacute; na natureza nem &eacute; resultado de simples observa&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Poder&iacute;amos tentar explicar tal vis&atilde;o de mundo relembrando que a Igreja e poderes estabelecidos tem necessidade do mito do Apocalipse para justificar todas as injusti&ccedil;as do mundo e sustentar sua cren&ccedil;a num Deus que fa&ccedil;a justi&ccedil;a, pelo menos no dia do Ju&iacute;zo Final. Nem falar da utilidade desta como medida de terror contra os que ousarem desafiar seus mandamentos, que sofreriam a dana&ccedil;&atilde;o eterna como hereges. Isso sem d&uacute;vida ajuda a compreender a for&ccedil;a de tais cren&ccedil;as em amplas camadas da popula&ccedil;&atilde;o. Mas tampouco explica totalmente a popularidade de tais ideias. Afinal, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o que noticiaram a lenta morte do universo n&atilde;o s&atilde;o (pelo menos n&atilde;o todos) &oacute;rg&atilde;os do medievalismo religioso. Entre eles h&aacute;, inclusive, v&aacute;rias publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas s&eacute;rias que sustentam tais concep&ccedil;&otilde;es, assim como grande quantidade de cientistas, inclusive muitos que se consideram n&atilde;o-religiosos e materialistas. O matem&aacute;tico e fil&oacute;sofo Bertrand Russel, em um livro intitulado Por Que N&atilde;o Sou Crist&atilde;o, escreveu que &ldquo;A Terra n&atilde;o ser&aacute; sempre habit&aacute;vel; a ra&ccedil;a humana se extinguir&aacute;, (&hellip;) A 2&ordf; Lei da Termodin&acirc;mica faz com que dificilmente possamos duvidar de que o universo est&aacute; se deteriorando, (&hellip;) e que ir&aacute; arrastar-se, (&hellip;) at&eacute; chegar a uma condi&ccedil;&atilde;o de morte universal&rdquo;. Poder&iacute;amos incluir aqui cita&ccedil;&otilde;es ainda mais terr&iacute;veis de v&aacute;rios grandes cientistas que assim pensam. Isso j&aacute; n&atilde;o se explica somente pela a&ccedil;&atilde;o da Igreja, h&aacute; que buscar uma raz&atilde;o mais profunda.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A concep&ccedil;&atilde;o de que tudo o que existe n&atilde;o passa de uma mera flutua&ccedil;&atilde;o qu&acirc;ntica do nada, que deu origem a um universo sem raz&atilde;o; onde num pequeno planeta azul, por puro acidente surgiu a vida e a consci&ecirc;ncia; e que inexoravelmente tudo isso acabar&aacute;, retornando ao nada e arrastando tudo consigo numa exist&ecirc;ncia absolutamente sem sentido; se adequa perfeitamente ao capitalismo decadente em que vivemos. Somente um universo absolutamente sem raz&atilde;o de ser, onde o Big Bang, a exist&ecirc;ncia da vida na Terra e a pr&oacute;pria humanidade n&atilde;o passem de meros acidentes do acaso e esteja tudo caminhando para o seu inexor&aacute;vel fim, quando n&atilde;o sobrar&aacute; nem rastro da exist&ecirc;ncia deste mundo onde vivemos, pode se harmonizar com a ostenta&ccedil;&atilde;o mais absurda de uma minoria, sustentada numa crescente explora&ccedil;&atilde;o da maioria da humanidade.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O consumismo sem limites, o luxo, o desperd&iacute;cio e a indiferen&ccedil;a de um lado; a fome, a mis&eacute;ria, a depreda&ccedil;&atilde;o e a degrada&ccedil;&atilde;o humana de outro. O crescimento das for&ccedil;as destrutivas, a degrada&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, o risco das armas nucleares, a explora&ccedil;&atilde;o\/escraviza&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem&#8230;. Tudo em nome do lucro, &uacute;nico sentido para a vida numa vida sem sentido. Qualquer absurdo pode ser aceito se, afinal, tudo vai se acabar mesmo, mais cedo ou mais tarde<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn6\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vi]<\/a>&#8230;. Uma sociedade sem sentido, destrutiva e irracional s&oacute; pode existir num universo tamb&eacute;m sem sentido, destrutivo e irracional &ndash; tudo de acordo &agrave;s &quot;leis da natureza&quot;<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn7\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vii]<\/a>!<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Esta vis&atilde;o desesperan&ccedil;ada de mundo acaba por sedar e desviar as pessoas de sua busca, esta sim racional, pela verdade, justi&ccedil;a e esperan&ccedil;a num futuro melhor e num sentido para a vida. E aquela filosofia t&atilde;o popular entre os cientistas, o positivismo, ao negar a possibilidade de conhecimento da Verdade*<a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_edn8\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[viii]<\/a>, involunt&aacute;ria e inevitavelmente reflete esta vis&atilde;o. Lenin j&aacute; alertava que ignorar a dial&eacute;tica na an&aacute;lise dos problemas filos&oacute;ficos da f&iacute;sica do s&eacute;culo XX conduz mais cedo ou mais tarde ao idealismo. O mesmo &eacute; v&aacute;lido para a f&iacute;sica do s&eacute;culo XXI. A filosofia positivista, em todas as suas variantes empirista, pragm&aacute;tica, materialista vulgar ou agn&oacute;stica, enche a boca para acusar o materialismo dial&eacute;tico de metaf&iacute;sico, mas ao sustentar um universo sem sentido e sem raz&atilde;o, abandona aos que buscam este sentido na vida, deixando-os indefesos ante a religi&atilde;o, que sempre pode oferecer um pr&ecirc;mio de consola&ccedil;&atilde;o ante o fim do mundo, a velha cren&ccedil;a numa alma imortal que d&ecirc; sentido para a vida&#8230; ap&oacute;s a morte!<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Pois o materialismo dial&eacute;tico declara guerra a esta forma de pensar! Declara guerra ao pessimismo filos&oacute;fico, seja em sua vers&atilde;o religiosa do Ju&iacute;zo Final, seja disfar&ccedil;ado de realismo cient&iacute;fico. Afirma desde seus in&iacute;cios que o universo n&atilde;o &eacute; est&aacute;tico, n&atilde;o tende ao repouso, n&atilde;o foi criado nem deixar&aacute; de existir! N&atilde;o veio do nada nem ao nada retornar&aacute;. Existiu, existe e existir&aacute;, em suas infinitas formas eternamente cambiantes. Transforma-se, evolui, retrocede, progride e se revoluciona! Que em seu infinito desenvolvimento, suas formas de exist&ecirc;ncia mais elevadas, a vida e a consci&ecirc;ncia, n&atilde;o s&atilde;o acidentes, n&atilde;o s&atilde;o frutos do acaso nem de cria&ccedil;&atilde;o divina, mas sim resultado natural do eterno movimento da mat&eacute;ria, de formas n&atilde;o at&ocirc;micas a at&ocirc;micas, de n&atilde;o moleculares a moleculares, de n&atilde;o org&acirc;nicas a org&acirc;nicas, de inanimadas a vivas, de inconscientes a conscientes! Toda a ci&ecirc;ncia moderna corrobora incessantemente esta vis&atilde;o de mundo!<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">E sendo o fruto mais elevado deste infinito desenvolvimento, n&atilde;o pode a nossa exist&ecirc;ncia ser desprovida de sentido! Ora, o sentido da exist&ecirc;ncia, da vida, das coisas, n&atilde;o existe em abstrato, metafisicamente. Na aus&ecirc;ncia de consci&ecirc;ncia, nada pode fazer sentido! Qualquer sentido para a exist&ecirc;ncia s&oacute; pode ser constru&iacute;do pelo Ser Humano, como Ser Consciente. N&oacute;s somos a consci&ecirc;ncia do universo, e por isso mesmo, pelo menos enquanto a exist&ecirc;ncia de outras civiliza&ccedil;&otilde;es no universo se mantenha no terreno da especula&ccedil;&atilde;o, somos n&oacute;s os &uacute;nicos que podem dar um sentido &agrave; exist&ecirc;ncia! Qu&atilde;o arrogante pode parecer esta afirma&ccedil;&atilde;o, que nossa fr&aacute;gil esp&eacute;cie, ainda nos cueiros de sua hist&oacute;ria, ref&eacute;m por enquanto das tremendas contradi&ccedil;&otilde;es sociais que resultaram de seu pr&oacute;prio desenvolvimento inconsciente e que nos amea&ccedil;am seriamente de extin&ccedil;&atilde;o, possa se considerar a consci&ecirc;ncia do universo e encontrar nisso o sentido de sua exist&ecirc;ncia!<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas este sentido j&aacute; &eacute; percebido hoje, de forma fragment&aacute;ria e apenas parcialmente consciente. Alguns o encontram na luta di&aacute;ria pela exist&ecirc;ncia individual, outros na luta por dias melhores para os filhos, para o seu povo ou na&ccedil;&atilde;o oprimida. Outros o encontram parcialmente em sua obra art&iacute;stica ou cient&iacute;fica ou na educa&ccedil;&atilde;o da gera&ccedil;&atilde;o mais jovem. De forma muito mais ampla e satisfat&oacute;ria se pode encontr&aacute;-lo na luta por um futuro socialmente justo para a humanidade, que a livre da barb&aacute;rie capitalista que a condena &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o e autodestrui&ccedil;&atilde;o. E ap&oacute;s a supera&ccedil;&atilde;o do capitalismo, o mesmo sentido da vida se encontrar&aacute; em seguir desenvolvendo as capacidades humanas, dominando mais e mais a natureza, enfrentando problemas vindouros, sejam de ordem ecol&oacute;gica ou poss&iacute;veis limites objetivos para o crescimento da humanidade devido aos recursos limitados de nosso planeta, seja o risco de cat&aacute;strofes que ameacem nossa exist&ecirc;ncia. Seja com medidas que possam compensar o aumento previsto da temperatura solar dentro de alguns bilh&otilde;es de anos (ou sua diminui&ccedil;&atilde;o), seja com a coloniza&ccedil;&atilde;o de outros planetas pr&oacute;ximos. Seja mesmo com a possibilidade de haver que abandonar a Terra e inclusive o Sistema Solar no futuro.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Todos estes objetivos parciais s&atilde;o como momentos de um objetivo global, que se sintetiza exatamente em enfrentar e vencer cotidianamente a 2&ordf; Lei da Termodin&acirc;mica, em cada uma de suas express&otilde;es concretas! Afinal, a capacidade de realizar trabalho, &uacute;nica forma de contrapor a tend&ecirc;ncia ao aumento da entropia, &eacute; a caracter&iacute;stica que nos diferencia do restante do reino animal! Ali&aacute;s, a consci&ecirc;ncia &eacute; justamente resultado do desenvolvimento de nossa capacidade de realizar trabalho, como o demonstra toda a antropologia moderna. Enquanto fruto mais elevado da evolu&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria, o Ser Consciente, aquele capaz de realizar trabalho, &eacute; a prova de que o universo n&atilde;o est&aacute; condenado nem &agrave; desordem entr&oacute;pica nem &agrave; morte t&eacute;rmica!<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref1\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[i]<\/a>Segundo c&aacute;lculos que levam em conta as condi&ccedil;&otilde;es previstas nos 1os instantes ap&oacute;s o Big Bang e dados emp&iacute;ricos como a meia-vida do n&ecirc;utron, o universo teria sa&iacute;do do Big Bang teoricamente com uma composi&ccedil;&atilde;o de 75% de hidrog&ecirc;nio leve, 25% de h&eacute;lio 4, 0.01% de deut&eacute;rio (hidrog&ecirc;nio pesado), tra&ccedil;os m&iacute;nimos de h&eacute;lio 3, l&iacute;tio e ber&iacute;lio, e nada de outros elementos. Que as abund&acirc;ncias observadas no Universo sejam consistentes com estes n&uacute;meros se considera uma forte prova da teoria do Big Bang.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref2\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[ii]<\/a> Em seu artigo original, os autores da descoberta simplesmente anunciaram o resultado obtido de diminui&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o estelar, sem conclus&otilde;es metaf&iacute;sicas sobre a morte do universo. Foi a revista que publicou o artigo que exigiu modificar o texto para incluir a ideia de que o universo esteja morrendo.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref3\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iii]<\/a> A 2a Lei da Termodin&acirc;mica afirma que num sistema fechado a desordem (entropia) tende a crescer com o tempo. &Eacute; a lei que explica porque a casa fica suja se n&atilde;o se realiza trabalho para limp&aacute;-la ou porque &eacute; mais f&aacute;cil quebrar um ovo que reconstru&iacute;-lo. Na f&iacute;sica isto se explica pela estat&iacute;stica, pois havendo mais estados desorganizados e de equil&iacute;brio t&eacute;rmico do que estados organizados e de desequil&iacute;brio, simplesmente se tende aos estados mais prov&aacute;veis. No materialismo dial&eacute;tico, se um sistema fechado tende ao aumento de entropia &eacute; justamente por, sendo fechado, haver sido isolado do movimento universal. Por sistema fechado se compreende aquele isolado por fronteiras adiab&aacute;ticas, ou seja, que n&atilde;o permitem trocas de energia com o exterior. Pela pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o fica claro que o universo n&atilde;o pode ser considerado fechado, dado que n&atilde;o tem sentido se falar em &quot;exterior&quot; ao universo e que a pr&oacute;pria Teoria da Relatividade pro&iacute;be a exist&ecirc;ncia de fronteiras neste. Os profetas do fim do mundo sempre interpretaram a 2&ordf; Lei da Termodin&acirc;mica como a &ldquo;prova&rdquo; de sua concep&ccedil;&atilde;o de que tudo tende a um fim, a &ldquo;morte t&eacute;rmica&rdquo; do universo. O materialismo dial&eacute;tico desde Engels combate esta vis&atilde;o, sempre combinando a 2&ordf; Lei da Termodin&acirc;mica com a 1&ordf; Lei da mesma Termodin&acirc;mica, que afirma que a energia\/mat&eacute;ria se conserva, somente mudando de forma. Enquanto a 1&ordf; Lei &eacute; uma express&atilde;o de que o universo n&atilde;o tem nem origem nem fim, a 2&ordf; Lei expressa simplesmente que ele n&atilde;o pode ser est&aacute;tico, que est&aacute; em permanente movimento.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref4\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[iv]<\/a> A Mec&acirc;nica de Newton afirma que a velocidade de um corpo depende do sistema de refer&ecirc;ncia, enquanto que a Teoria Eletromagn&eacute;tica de Maxwell afirma que a velocidade da luz &eacute; constante, independentemente do referencial. A Teoria da Relatividade Restrita resolveu a contradi&ccedil;&atilde;o alterando profundamente nossas concep&ccedil;&otilde;es de tempo e espa&ccedil;o, que deixaram de ser considerados como absolutos. Esta foi depois generalizada com a Teoria da Relatividade Geral, ao incluir a gravidade no seu escopo, alterando ainda mais nossas concep&ccedil;&otilde;es de tempo e espa&ccedil;o, desde ent&atilde;o considerados como &ldquo;curvos&rdquo;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref5\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[v]<\/a> Para ser exato, das equa&ccedil;&otilde;es da Relatividade Geral se deriva naturalmente que o universo n&atilde;o pode ser est&aacute;tico. Einstein percebeu isso logo de cara, e como acreditava num universo estacion&aacute;rio, incluiu ad hoc um termo extra na sua equa&ccedil;&atilde;o, modificando-a, para compensar a tend&ecirc;ncia inerente ao movimento. Einstein se referiu mais tarde a este epis&oacute;dio como tendo sido o maior erro de sua vida.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref6\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vi]<\/a> Foi o caso do pr&oacute;prio Bertrand Russell, entusiasta do comunismo na juventude (chegou a viajar &agrave; R&uacute;ssia e reunir-se com Lenin nos primeiros anos do poder sovi&eacute;tico). Mais tarde, corretamente desiludido com o estalinismo, compreensivelmente deprimido com as armas nucleares, mas sem ver alternativas (nunca se aproximou do trotskismo), se tornou pessimista quanto ao futuro da humanidade. Cumpriu papel importante nas campanhas pelo desarmamento nuclear e contra a Guerra do Vietn&atilde;.<\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref7\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[vii]<\/a> Isto foi bem desenvolvido no filme Teorema Zero, de Terry Gillian (2014), onde num futuro dist&oacute;pico pr&oacute;ximo, uma megacorpora&ccedil;&atilde;o capitalista investe muito para comprovar um tal Teorema Zero, que afirma que 0 = 100%, ou seja, que nada faz sentido. Que o universo veio do nada por mero acaso e inexoravelmente retornar&aacute; ao nada, afirma&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para desviar as pessoas da busca pela verdade e de um sentido para a vida e se contentarem com um consumismo bizarro. No filme, o tal Teorema Zero se mostra indemonstr&aacute;vel e o protagonista, que parecia buscar o sentido da vida na religi&atilde;o, compreende ao final que o &uacute;nico sentido que pode haver na vida &eacute; aquele que n&oacute;s lhe damos (pelo menos eu ).Jinterpretei assim <\/span><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-top:0cm\">\n\t<span style=\"font-size:14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><a href=\"http:\/\/www.pstu.org.br\/node\/21722#_ednref8\" title=\"\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[viii]<\/a> O positivismo &eacute; uma corrente filos&oacute;fica popular na f&iacute;sica, localizada no meio-termo entre o materialismo e o idealismo. Afirma corretamente que a experi&ecirc;ncia &eacute; o crit&eacute;rio da verdade, mas absolutiza este princ&iacute;pio, dizendo que o &uacute;nico acess&iacute;vel ao conhecimento humano s&atilde;o os resultados experimentais. Assim, os modelos cient&iacute;ficos nada mais seriam do que constru&ccedil;&otilde;es arbitr&aacute;rias, que nos permitem organizar estes resultados experimentais, sem rela&ccedil;&atilde;o com a realidade objetiva, em si mesma inacess&iacute;vel &agrave; consci&ecirc;ncia (ou inexistente, dependendo da escola). Considera que sistematizar resultados experimentais para prever outros &eacute; o objetivo poss&iacute;vel para a ci&ecirc;ncia. O positivismo pode ser progressivo quando defende o m&eacute;todo cient&iacute;fico contra as posi&ccedil;&otilde;es m&iacute;stico-idealistas. Cumpriu assim um papel importante contra o p&oacute;s-modernismo, que foi fragorosamente derrotado na f&iacute;sica, ao contr&aacute;rio da situa&ccedil;&atilde;o nas ci&ecirc;ncias humanas. Mas possui um lado reacion&aacute;rio, ao negar a possibilidade de conhecimento da realidade, dado que o &uacute;nico que nos seria acess&iacute;vel seriam os resultados emp&iacute;ricos. Desta maneira, ao final, recai tamb&eacute;m no idealismo.<\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente foi anunciada uma descoberta terr&iacute;vel: que nosso universo estaria supostamente morrendo! Astr&ocirc;nomos de v&aacute;rios pa&iacute;ses, utilizando alguns dos telesc&oacute;pios mais potentes do mundo, compararam durante anos a diferen&ccedil;a entre a emiss&atilde;o de luz de mais de 200 mil gal&aacute;xias h&aacute; 2 bilh&otilde;es de anos atr&aacute;s com a emiss&atilde;o atual. 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