{"id":88,"date":"2015-09-29T14:06:49","date_gmt":"2015-09-29T14:06:49","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/novosite\/2015\/09\/29\/o-movimento-de-renovacao-sindical-mrs\/"},"modified":"2015-09-29T14:06:49","modified_gmt":"2015-09-29T14:06:49","slug":"o-movimento-de-renovacao-sindical-mrs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/09\/29\/o-movimento-de-renovacao-sindical-mrs\/","title":{"rendered":"O Movimento de Renova\u00e7\u00e3o Sindical &#8211; MRS"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<i><span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"165\" hspace=\"6\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/sindicatos-belgas.jpg\" vspace=\"4\" width=\"260\" \/>&ldquo;N&atilde;o aceito nem a m&iacute;nima diminui&ccedil;&atilde;o dos gastos sociais. N&atilde;o aceito nenhum sacrif&iacute;cio para Maastricht. Temos que parar de pagar os juros da d&iacute;vida.&rdquo;<\/span><\/i><br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Essas foram as palavras, em setembro de 1996, de Michel Nollet, que era o ent&atilde;o presidente da FGTB (Fedra&ccedil;&atilde;o Geral do Trabalho da B&eacute;lgica). O jornal <i>Le Soir<\/i> considerava que &ldquo;<i>pod&iacute;amos aceitar tais declara&ccedil;&otilde;es de um militante de base da FGTB, numa f&aacute;brica que seria fechada, mas n&atilde;o da boca de um dirigente<\/i>&rdquo;.<sup>1<\/sup> Este dirigente n&atilde;o demorou em explicar que n&atilde;o era isso que ele queria dizer, que ele &ldquo;<i>estava sob uma imensa press&atilde;o da base<\/i>&rdquo;.<sup>2<\/sup><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Esse epis&oacute;dio ilustra o clima social que reinava na B&eacute;lgica no fim do s&eacute;culo 20. &Eacute; nesse clima que se desenvolve uma grande experi&ecirc;ncia de constru&ccedil;&atilde;o de uma oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; dire&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica, no seio da FGTB e da CSC (Confedera&ccedil;&atilde;o de Sindicatos Crist&atilde;os): o Movimento de Renova&ccedil;&atilde;o Sindical, MRS.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Apresentamos aqui um informe dessa iniciativa, de fevereiro de 1999.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Este movimento teve ainda outro ponto alto, nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 1999, com a lista Debout (de p&eacute;) encabe&ccedil;ada pelo dirigente do MRS com mais repercuss&atilde;o midi&aacute;tica, Roberto D&rsquo;Orazio (30.301 votos). Por&eacute;m, o MRS j&aacute; n&atilde;o existe e isso merece ao menos uma reflex&atilde;o. Voltaremos a esse tema em um ep&iacute;logo.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<b><span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Um Movimento de Renova&ccedil;&atilde;o Sindical na B&eacute;lgica<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<b>&nbsp;<\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Depois da derrota da greve geral de novembro de 1993, os trabalhadores belgas tiveram de aceitar a aplica&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;Crit&eacute;rios de Maastricht&rdquo; e viram suas conquistas sociais serem seriamente atacadas, tal como em pa&iacute;ses vizinhos. Mas nem por isso a luta deixou de existir. Pelo contr&aacute;rio, no calor dessas lutas, iniciou-se uma reorganiza&ccedil;&atilde;o no movimento oper&aacute;rio com um programa anticapitalista e antiburocr&aacute;tico: o Movimento de Renova&ccedil;&atilde;o Sindical.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Em sua origem, e at&eacute; agora, o principal motor desta renova&ccedil;&atilde;o est&aacute; na Delega&ccedil;&atilde;o Sindical da empresa sider&uacute;rgica Forges de Clabecq (pr&oacute;ximo a Tubize, a 20 km de Bruxelas), uma empresa com quase um s&eacute;culo de tradi&ccedil;&atilde;o de luta e onde come&ccedil;ou a se desenvolver um sindicalismo com novas caracter&iacute;sticas na d&eacute;cada de 1980. Nas elei&ccedil;&otilde;es sindicais de 1983, Roberto D&rsquo;Orazio e Silvio Marra integram a Lista 2 da FGTB, com um programa centrado na unifica&ccedil;&atilde;o das lutas em todo o pa&iacute;s, e vencem. Poucos anos depois, conseguem importantes vit&oacute;rias, como a contrata&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores tempor&aacute;rios e medidas contra a discrimina&ccedil;&atilde;o racista, o que refor&ccedil;a a unidade dentro da f&aacute;brica. Em 1993, participam ativamente da luta contra &ldquo;o plano global&rdquo; e em seguida das jornadas hist&oacute;ricas da greve geral de novembro. Mas as dire&ccedil;&otilde;es dos sindicatos (FGTB e CSC), &ldquo;<i>superadas por suas bases, tratam agora de canalizar o curso das greves para que estas n&atilde;o derrubem o governo<\/i>&rdquo; (<i>Le Soir<\/i>, 24\/11\/93). A base consegue impor a greve geral de um dia, em 29 de novembro, mas a burocracia sindical consegue conter o movimento e lev&aacute;-lo finalmente &agrave; derrota, e assim abre o caminho para a aplica&ccedil;&atilde;o das medidas de austeridade. &Eacute; contra esta dire&ccedil;&atilde;o sindical que, no calor das lutas dispersas, a Delega&ccedil;&atilde;o Sindical da Forges de Clabecq come&ccedil;a a organizar uma oposi&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Em 3 de janeiro de 1997, um tribunal pronuncia a fal&ecirc;ncia da empresa Forges de Clabecq. Para os 1.803 trabalhadores (eram 5.453 em 1975) n&atilde;o era nenhuma surpresa. Durante todo o ano de 1996, as manifesta&ccedil;&otilde;es se multiplicaram (fevereiro, 10 mil nas ruas de Tubize; junho, um enfrentamento violento com a pol&iacute;cia; 10 de junho, uma greve &ldquo;selvagem&rdquo; etc.) contra o previs&iacute;vel fechamento da empresa. Para os trabalhadores significou o desemprego a partir de 13 de janeiro de 1997.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">A Delega&ccedil;&atilde;o Sindical da Forges, com seu dirigente indiscut&iacute;vel, Roberto D&rsquo;Orazio, convoca uma Marcha Multicolorida para 2 de fevereiro em Tubize, a &ldquo;Marcha pelo emprego&rdquo;. Na Assembleia da Forges de 11 de janeiro, na qual esta marcha estava sendo preparada, estavam as delega&ccedil;&otilde;es da Caterpillar, Volkswagen, Monsanto, Sidmar, C&ocirc;te d&rsquo;Or etc., e qualquer um podia pedir a palavra. A marcha conta com a participa&ccedil;&atilde;o de 70 mil manifestantes, mesclando bandeiras verdes e vermelhas (dos respectivos sindicatos) e com uma plataforma clara: <i>Unidade de todos os trabalhadores da B&eacute;lgica contra o fechamento de empresas e as demiss&otilde;es; contra a exclus&atilde;o, a mis&eacute;ria e o desemprego; por justi&ccedil;a social. Devemos buscar juntos a riqueza produzida pelos trabalhadores e acumulada nos bancos para investi-la nas empresas e salvar os<\/i> <i>empregos.<\/i> E acrescenta, recordando hist&oacute;ricas lutas do proletariado na B&eacute;lgica: <i>O movimento oper&aacute;rio retirou os jovens das minas. Hoje, temos que proteg&ecirc;-los do desemprego e de toda forma de explora&ccedil;&atilde;o.<\/i><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">A partir desta marcha, e acompanhando a luta contra o fechamento da Forges, surge ent&atilde;o o que meses depois tomar&aacute; forma com o nome de Movimento de Renova&ccedil;&atilde;o Sindical. Ativistas de v&aacute;rias f&aacute;bricas e de diversas tend&ecirc;ncias pol&iacute;ticas de esquerda se re&uacute;nem regularmente e discutem democraticamente uma plataforma, que ser&aacute; aprovada em junho de 1997. Entretanto, em 27 de fevereiro, &eacute; anunciado o fechamento de outra importante f&aacute;brica, desta vez em Flandria, e n&atilde;o uma &ldquo;velha&rdquo; sider&uacute;rgica, mas uma montadora: a Renault &ndash; Vilvorde. A condu&ccedil;&atilde;o da luta contra o fechamento da Renault passar&aacute; a ser exemplo da condu&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica, em contraste com a luta da Clabecq. Em julho de 1997, a Renault &eacute; efetivamente fechada, como previsto, e tr&ecirc;s meses depois a Forges reabre, com um novo dono. A partir de ent&atilde;o, a burocracia e a burguesia unir&atilde;o seus esfor&ccedil;os para tentar apagar esta imagem que se tornou refer&ecirc;ncia para a vanguarda dos trabalhadores: temos que lutar como na Clabecq porque l&aacute; a f&aacute;brica reabriu.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">No entanto, esta vit&oacute;ria foi acompanhada de uma importante derrota: apenas a metade dos trabalhadores foi readmitida, em condi&ccedil;&otilde;es muito piores que antes, com uma &ldquo;paz social&rdquo; imposta pela patronal e aceita sem resist&ecirc;ncia pela c&uacute;pula sindical e, principalmente, com toda a dire&ccedil;&atilde;o sindical demitida (ou &ldquo;n&atilde;o reintegrada&rdquo;).<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Mas a luta de d&eacute;cadas dessa Delega&ccedil;&atilde;o Sindical, as reuni&otilde;es na f&aacute;brica, abandonada pelos patr&otilde;es durante meses, de toda uma vanguarda oper&aacute;ria nas quais se come&ccedil;ou a forjar o MRS, tudo isso elevou a luta a um plano superior, mais amplo, abarcando uma vanguarda espalhada por todo o pa&iacute;s. E essa bandeira do MRS &eacute; retomada por outras empresas, entre as quais se destaca a multinacional Caterpillar, onde segue a fabrica&ccedil;&atilde;o de 20 escavadoras por dia e onde uma delega&ccedil;&atilde;o igualmente combativa continua lutando com os m&eacute;todos da Clabecq.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Em sua luta tenaz contra esse &ldquo;novo sindicalismo&rdquo;, a burocracia da FGTB (por decis&atilde;o un&acirc;nime do Comit&ecirc; Executivo da Central Metal&uacute;rgica do Brabante) finalmente expulsa de suas fileiras seis dos dirigentes mais importantes da Delega&ccedil;&atilde;o, entre eles Roberto D&rsquo;Orazio e Silvio Marra. E &eacute; o que abre as portas para que a burguesia possa instaurar um processo penal contra os dirigentes. Para isso, apela a uma lei do s&eacute;culo XIX (1887), votada por um parlamento do qual os trabalhadores n&atilde;o participavam, e que reprime &ldquo;os dirigentes&rdquo; de mobiliza&ccedil;&otilde;es de massas.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">A burguesia e sua aliada, a burocracia sindical, pensavam que podiam atacar tranquilamente os dirigentes da Forges, uma vez que eles estavam afastados de sua base na f&aacute;brica. Mas o desenvolvimento do MRS permitiu organizar a defesa desses dirigentes muito mais amplamente. Em 25 de outubro de 1998, foi realizada uma mobiliza&ccedil;&atilde;o em Charleroi, organizada pelo MRS e em particular pelos camaradas da Caterpillar &ndash; contrariando as ordens da FGTB de Charleroi &ndash;, na qual 5.000 trabalhadores manifestaram sua decis&atilde;o de defender os camaradas perseguidos. Chegaram mensagens de v&aacute;rios lugares do mundo para o tribunal de Nivelles, onde os camaradas eram julgados, o que os ju&iacute;zes j&aacute; consideraram &ldquo;press&otilde;es inadmiss&iacute;veis&rdquo;! Na primeira sess&atilde;o do julgamento, mais de mil trabalhadores se reuniram, em um dia de trabalho, para manifestar sua solidariedade com os camaradas. Em cada sess&atilde;o do tribunal, uma importante participa&ccedil;&atilde;o garantia &ldquo;a press&atilde;o sobre os ju&iacute;zes&rdquo;. A tal ponto que eles terminaram decidindo que as sess&otilde;es posteriores seriam a portas fechadas. Mas a mobiliza&ccedil;&atilde;o continuou igual, e com uma solidariedade crescente na base dos sindicatos, o que se manifestou nas presen&ccedil;as concretas em frente ao tribunal nos dias das sess&otilde;es do julgamento.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Uma nova manifesta&ccedil;&atilde;o &eacute; organizada para o dia 7 de mar&ccedil;o de 1999, dessa vez na Clabecq, no mesmo local de fevereiro de 1997. Com certeza n&atilde;o reunir&aacute; 70.000 trabalhadores. A burguesia e a burocracia sindical utilizam todos os meios a seu alcance, inclusive a grande imprensa, para desacreditar os camaradas e obstruir a mobiliza&ccedil;&atilde;o. Mas j&aacute; sabemos que ser&aacute; uma nova express&atilde;o de que algo est&aacute; mudando na B&eacute;lgica, que est&aacute; surgindo uma nova dire&ccedil;&atilde;o no movimento oper&aacute;rio.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Estamos num processo incipiente. &Eacute; necess&aacute;rio que muitas outras f&aacute;bricas assumam o desafio da Clabecq, como fazem na Caterpillar. &Eacute; necess&aacute;rio que o &ldquo;novo sindicalismo&rdquo;, insubmisso e questionador do pr&oacute;prio sistema e da l&oacute;gica do lucro capitalista, amplie-se. &Eacute; necess&aacute;rio tamb&eacute;m que essa din&acirc;mica adquira uma n&iacute;tida perspectiva internacionalista, unindo-se a outras din&acirc;micas similares no mundo. Mas a tradi&ccedil;&atilde;o de luta do movimento oper&aacute;rio belga ajudar&aacute; sua consci&ecirc;ncia a avan&ccedil;ar, sob o impulso &ldquo;dos da Clabecq&rdquo;.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<b><span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Uma nova pr&aacute;tica sindical<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<b>&nbsp;<\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">N&atilde;o faz sentido querer, por um lado, combater o sistema patronal e, por outro, aceitar m&eacute;todos patronais no sindicato. &Eacute; necess&aacute;rio come&ccedil;ar a estudar a hist&oacute;ria do movimento oper&aacute;rio (a verdadeira) e, a partir da&iacute;, chegar a ser maduro e participativo. &Eacute; necess&aacute;rio tomar nas pr&oacute;prias m&atilde;os o direito de decidir e n&atilde;o aceitar mais a subordina&ccedil;&atilde;o. A organiza&ccedil;&atilde;o sindical deve ser o lugar onde o debate de ideias seja o motor da busca de solu&ccedil;&otilde;es aos problemas colocados. &Eacute; necess&aacute;rio refor&ccedil;ar as decis&otilde;es interprofissionais e reduzir ao m&aacute;ximo os temas espec&iacute;ficos das organiza&ccedil;&otilde;es sindicais por profiss&atilde;o, com o fim de chegar &agrave; unidade dos trabalhadores.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">No caso de um conflito importante em um f&aacute;brica ou setor, um congresso extraordin&aacute;rio tem que ser convocado para organizar a solidariedade.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Para democratizar os congressos, &eacute; necess&aacute;rio desenvolver uma linguagem simples, compreens&iacute;vel para os trabalhadores, e dar conte&uacute;do aos textos e resolu&ccedil;&otilde;es. &Eacute; necess&aacute;rio parar de falar muito sem dizer nada.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Para que o sindicato n&atilde;o seja s&oacute; assunto de especialistas e professores universit&aacute;rios, &eacute; necess&aacute;ria a participa&ccedil;&atilde;o de uns 80% de representantes da base no congresso e nas estruturas (comit&ecirc;s executivos&#8230;). Os respons&aacute;veis sindicais em todos os n&iacute;veis, desde a base at&eacute; as esferas mais altas, devem ser eleitos pelos trabalhadores. Os trabalhadores que defendem a luta de classes n&atilde;o podem ser exclu&iacute;dos das chapas.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">&Eacute; preciso acabar com a pr&aacute;tica do candidato &uacute;nico, que impede todo o debate e a evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento sindical. Para garantir a participa&ccedil;&atilde;o de um maior n&uacute;mero de trabalhadores, a delega&ccedil;&atilde;o sindical deve criar comit&ecirc;s de f&aacute;brica e de militantes.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Os trabalhadores n&atilde;o representados (demitidos) devem ter delega&ccedil;&otilde;es sindicais com direito a ter representa&ccedil;&atilde;o nos congressos e em todos os n&iacute;veis da organiza&ccedil;&atilde;o sindical.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<i><span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Extrato do Manifesto do MRS, 1997<\/span><\/i><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<i>&nbsp;<\/i><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<b><span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Ep&iacute;logo<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<b>&nbsp;<\/b><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">A vit&oacute;ria da reabertura da Forges, em 6 de agosto de 1997, seis meses depois de seu fechamento, foi acompanhada por uma derrota n&atilde;o menos importante: a &ldquo;n&atilde;o readmiss&atilde;o&rdquo; dos membros da delega&ccedil;&atilde;o sindical e de todos os inscritos nas chapas das elei&ccedil;&otilde;es sociais de 1995 e, sobretudo, a exclus&atilde;o burocr&aacute;tica e arbitr&aacute;ria dos principais dirigentes das fileiras da FGTB. Isso abriu caminho para as persegui&ccedil;&otilde;es judiciais contra &ldquo;os treze da Clabecq&rdquo;, acusados sob os mais diversos pretextos.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Com justa raz&atilde;o, o MRS se mobilizou resolutamente em defesa dos militantes perseguidos. Um m&ecirc;s antes da abertura formal do processo (em 26 de novembro de 1998), uma mobiliza&ccedil;&atilde;o reuniu 5.000 trabalhadores nas ruas de Charleroi e, depois, milhares de companheiros continuaram &ldquo;fazendo press&atilde;o sobre os ju&iacute;zes&rdquo;. Contudo, esta mobiliza&ccedil;&atilde;o rapidamente deixou de lado a aposta essencial do MRS e foi se orientando gradualmente somente para o confronto nos tribunais. Al&eacute;m disso, esse confronto foi sendo deixado cada vez mais nas m&atilde;os de &ldquo;uma boa equipe de advogados&rdquo;. Quando o processo terminou, em 2002, com o arquivamento do processo de oito dos acusados e a suspens&atilde;o do pronunciamento para os outros (inclusive Roberto D&rsquo;Orazio e Silvio Marra), o MRS s&oacute; existia na mem&oacute;ria de uma vanguarda.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Ao mesmo tempo, o &ldquo;esp&iacute;rito da Clabecq&rdquo; tamb&eacute;m se manifestou no &acirc;mbito eleitoral, com a lista Debout nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 1999. Por&eacute;m, a campanha se concentrou quase que exclusivamente em D&rsquo;Orazio, em detrimento da defesa de um programa para a nossa classe. A possibilidade de ter um &ldquo;referencial pol&iacute;tico&rdquo; no parlamento europeu dominava toda a propaganda.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">V&aacute;rios setores da esquerda &ndash; entre eles nossos companheiros &ndash; propuseram difundir e defender o Manifesto do MRS como programa. Mas o PTB afirmava: &ldquo;<i>&eacute; rid&iacute;culo, por parte de nossos advers&aacute;rios, perguntar-nos onde est&aacute; nosso programa. O que conta para n&oacute;s &eacute; o esp&iacute;rito da Clabecq<\/i>&rdquo;<sup>3<\/sup>.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">O dirigente com mais proje&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica da Forges foi o candidato nas listas do <i>Comit&eacute; voor een Andere Politiek<\/i> (CAP) nas elei&ccedil;&otilde;es de 2009, e depois se reinventou e se tornou ator.<sup>4<\/sup><\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Notas:<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">1. <i>Le Soir<\/i>, 7\/9\/1996<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">2. O acontecimento foi publicado no primeiro n&uacute;mero do jornal que agora celebra sua 100<sup>a<\/sup> edi&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">3. <i>Solidaire<\/i> n<sup>o<\/sup> 18, 5\/5\/1999<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">4. Em 2011, Robert D&#39;Orazio interpretou um dos principais pap&eacute;is em <\/span><i><span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;\nbackground:white\">Au cul du loup<\/span><\/i><span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;color:black;background:white\">, filme escrito e dirigido por Pierre Duculot.<\/span><\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div style=\"margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height:\nnormal\"><br \/>\n\t<span style=\"font-size:12.0pt;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;\">Tradu&ccedil;&atilde;o: Thiago Chaves<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;N&atilde;o aceito nem a m&iacute;nima diminui&ccedil;&atilde;o dos gastos sociais. N&atilde;o aceito nenhum sacrif&iacute;cio para Maastricht. Temos que parar de pagar os juros da d&iacute;vida.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":9194,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1177,3541],"tags":[],"class_list":["post-88","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belgica","category-movimento-operario"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/sindicatos-belgas.jpg","categories_names":["B\u00e9lgica","Movimento Oper\u00e1rio"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}