{"id":870,"date":"2010-03-04T00:00:00","date_gmt":"2010-03-04T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2010\/03\/04\/mulheres-nao-deixem-de-lutar-seja-no-canteiro-de-obras-ou-onde-for\/"},"modified":"2010-03-04T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-04T00:00:00","slug":"mulheres-nao-deixem-de-lutar-seja-no-canteiro-de-obras-ou-onde-for","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2010\/03\/04\/mulheres-nao-deixem-de-lutar-seja-no-canteiro-de-obras-ou-onde-for\/","title":{"rendered":"&#039;Mulheres, n\u00e3o deixem de lutar! Seja no canteiro de obras ou onde for!&#039;"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"122\" hspace=\"4\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mulheres_entrevista.jpg\" vspace=\"6\" width=\"120\" \/>No dia 2 de setembro de 2009 foi deflagrada uma greve dos trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil de Bel&eacute;m (PA), a maior nos 102 anos do sindicato da categoria. Uma passeata com mais de 8 mil oper&aacute;rios enfrentou os patr&otilde;es e a pol&iacute;cia do governo estadual petista.<\/span><\/span><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em cima do carro de som, junto a outros dirigentes sindicais, Deusarina de Almeida, 45 anos, 1,43cm, 40 kg, a &quot;Deuzinha&quot;, casada e com um filho. Uma servente de pedreiro, militante do PSTU e coordenadora geral do sindicato, fun&ccedil;&atilde;o dividida com Ailson Cunha (tamb&eacute;m do PSTU). Deuzinha falava pouco, mas quando o fazia era muito aplaudida pelos trabalhadores. Confira.<\/p>\n<p>\t<strong>Voc&ecirc; est&aacute; h&aacute; 22 anos na categoria, trabalha em uma empresa terceirizada de uma grande construtora no Par&aacute; e ocupa o segundo mandato no sindicato, dessa vez como coordenadora geral, quais dificuldades voc&ecirc; encontrou quando entrou na categoria?<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>Deuzinha<\/strong>: <em>Eu entrei na categoria quando meu filho ainda era muito pequeno. Deus o livre! Foi uma barra! Com uma crian&ccedil;a pequena &eacute; uma barra. Eu deixava meu filho na casa de minha sogra em Icoaraci (distrito de Bel&eacute;m) e s&oacute; ia pegar nos finais de semana. Mesmo assim, chegava em casa e ia fazer todo o trabalho dom&eacute;stico, inclusive encher &aacute;gua, pois naquele tempo n&atilde;o tinha &aacute;gua encanada onde eu morava. Eu ia <\/em>buscar &aacute;gua num local distante para poder fazer as coisas.<br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" align=\"absmiddle\" alt=\"\" border=\"0\" height=\"86\" hspace=\"3\" src=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/wp-content\/uploads\/banner-campanha-mulheres-pt_(4).JPG\" vspace=\"3\" width=\"650\" \/><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><strong>Como e porque voc&ecirc; come&ccedil;ou a participar do sindicato?<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><em>Foi nas mobiliza&ccedil;&otilde;es e greves anteriores. Achei que era importante participar das lutas.<br \/>\n\t<\/em><br \/>\n\t<strong>E quando passou compor a diretoria do sindicato?<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><em>Fui observada pelos companheiros sindicais mais antigos que iam &agrave; obra fazer fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Queria fazer parte da luta, mas n&atilde;o me envolver na diretoria do sindicato. Num dia Atn&aacute;goras e Cleber (dirigentes da categoria) chegaram na obra e disseram que eu era uma mulher de luta, guerreira, que o sindicato precisava de uma mulher assim. A&iacute; eu falei: &eacute; vamos ver o que vai dar. Foi quando houve uma elei&ccedil;&atilde;o no canteiro de obra para delegados ao congresso do sindicato. Eu fui a mais votada. A&iacute; engatou e eu n&atilde;o tive como recuar. Fiz parte da secretaria de mulheres e nesse segundo mandato sou coordenadora geral junto com o companheiro Ailson.<\/em><\/p>\n<p>\t<strong>Como &eacute; ser coordenadora geral de um sindicato de uma categoria majoritariamente composta por homens?<\/strong><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><em>&Eacute; dif&iacute;cil. Na &uacute;ltima campanha salarial, fizemos uma paralisa&ccedil;&atilde;o em uma obra. Os trabalhadores pararam. Das poucas mulheres que l&aacute; trabalhavam apenas uma parou. De todos, somente ela recebeu aviso pr&eacute;vio. &Agrave;s vezes sou levada a ter que cobrar os companheiros&#8230; Sou mulher, me sinto fr&aacute;gil. &Eacute; dif&iacute;cil uma mulher encarar uma tarefa que sempre foi tocada por homens. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, mas aos poucos estamos fazendo a tarefa. A mulher est&aacute; acostumada a ficar abaixo dos camaradas. &Eacute; o costume. Mas temos que mudar? Com certeza!<br \/>\n\t<\/em><br \/>\n\t<strong>&nbsp;E o PSTU, o que representa para voc&ecirc;?<\/strong><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><em>O PSTU representa uma mudan&ccedil;a total na minha vida. Agora estou compreendendo realmente a luta. Ele me d&aacute; for&ccedil;a para eu tocar a tarefa. Tenho aprendido muito com o partido. Se n&atilde;o tenho vergonha de dar entrevista para a TV &eacute; porque estou numa organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que ajuda muito. Antes, para ir ao canteiro de obra, precisava que um companheiro fosse comigo e falasse por mim. Me dava v&ocirc;mito, dor de barriga. Quando fui ao encontro de mulheres do PSTU (2008) aprendi muito, me fortaleceu muito. Hoje eu encaro sozinha qualquer canteiro de obra. Isso &eacute; muito gratificante.<br \/>\n\t<\/em><br \/>\n\t<strong>Na campanha salarial de 2009, depois de tr&ecirc;s dias, a greve foi suspensa temporariamente, mas permaneceram as paralisa&ccedil;&otilde;es por obras at&eacute; a patronal aceitar a proposta do sindicato, poucas horas antes da greve geral da categoria ser reiniciada. Durante esse per&iacute;odo de greves localizadas, numa assembl&eacute;ia no meio da rua e debaixo de chuva, depois de ser muito aplaudida, voc&ecirc; parecia estar chorando em cima do carro de som.<\/strong><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t&nbsp;<em>Olha (Pausa. Ao lembrar os olhos se enchem de l&aacute;grimas)&#8230; aquela foi a assembl&eacute;ia geral que mais me emocionou por ver aquela multid&atilde;o esperando por uma resposta. Muitas vezes o trabalhador sai para trabalhar sem ter dinheiro para deixar em casa para comprar comida para os filhos. O trabalhador e a trabalhadora passam o dia trabalhando e mesmo assim aceitam o convite do sindicato e ficam numa assembl&eacute;ia debaixo de chuva. Naquele dia vi o poder do dinheiro. Os trabalhadores esperando uma resposta e os patr&otilde;es querendo nos humilhar. J&aacute; passei por v&aacute;rias assembl&eacute;ias, mas aquela me emocionou muito. Eles t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de dar o aumento, mas ficam nos massacrando at&eacute; o &uacute;ltimo minuto. Nosso trabalho est&aacute; sendo gratificado. Acho que me expressei nas l&aacute;grimas.<br \/>\n\t<\/em><br \/>\n\t<strong>Por falar em trabalhadores, o que voc&ecirc; pensa sobre o socialismo?<\/strong><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><em>Acho que temos que lutar por ele. Ah, isso &eacute; verdade! Temos que lutar por ele. Esse mundo da burguesia, que vivemos, n&atilde;o &eacute; o ideal para os trabalhadores.&nbsp; Temos que lutar pelo socialismo para que todos tenham direitos iguais.<\/em><\/p>\n<p>\t&nbsp;<strong>Bem, voc&ecirc; quer deixar um recado para as mulheres na semana do 8 de mar&ccedil;o?<\/strong><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<em><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">N&atilde;o deixem de lutar, seja no canteiro de obra ou onde for. &Eacute; preciso mais solidariedade e entendimento entre n&oacute;s mulheres, compreendendo que nosso inimigo &eacute; o patr&atilde;o. <br \/>\n\t<\/span><\/span><\/em><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<strong><span style=\"font-size: 16px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Leia mais do espacial <\/span><br \/>\n\t<\/span><\/strong><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/?p=872\"><strong><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Cem anos de luta contra a explora&ccedil;&atilde;o, o machismo e pelo socialismo<\/span><\/span><\/strong><\/a><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t<a href=\"http:\/\/www.litci.org\/novosite\/?p=869\"><strong><span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Amenizar ou acabar com a opress&atilde;o? <\/span><\/span><\/strong><\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 2 de setembro de 2009 foi deflagrada uma greve dos trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil de Bel&eacute;m (PA), a maior nos 102 anos do sindicato da categoria. 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