{"id":847,"date":"2009-05-26T00:00:00","date_gmt":"2009-05-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2009\/05\/26\/el-salvador-e-o-triunfo-do-fmln\/"},"modified":"2009-05-26T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-26T00:00:00","slug":"el-salvador-e-o-triunfo-do-fmln","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2009\/05\/26\/el-salvador-e-o-triunfo-do-fmln\/","title":{"rendered":"El Salvador e o triunfo do FMLN"},"content":{"rendered":"\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No m&ecirc;s de mar&ccedil;o, realizaram-se elei&ccedil;&otilde;es presidenciais em El Salvador. O vitorioso foi Mauricio Funes, candidato da Frente Farabundo Mart&iacute; pela Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional (FMLN).<\/span><\/span><br \/>\n\t<!--more-->\n<\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Este resultado tem provocado um grande entusiasmo no povo salvadorenho. Em primeiro lugar, porque a derrota eleitoral de ARENA, um partido burgu&ecirc;s de direita que estava h&aacute; duas d&eacute;cadas no poder, &eacute; sem d&uacute;vidas, um triunfo das massas salvadorenhas. Tal como assinala o <b>Movimento Socialista de Trabalhadores e Camponeses<\/b> (<b>MSTC<\/b>, se&ccedil;&atilde;o salvadorenha da LIT-QI), a vota&ccedil;&atilde;o expressa seu cansa&ccedil;o <i>&quot;com a aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas neoliberais e privatiza&ccedil;&atilde;o dos setores do Estado&quot;<\/i>, agravada pela <i>&quot;deteriora&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de vida da classe trabalhadora [que] se aprofundaram durante esse per&iacute;odo&quot;<\/i> (&quot;O governo do FMLN e os desafios da esquerda revolucion&aacute;ria&quot;, Luta Socialista n&deg; 8, abril de 2009). <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No entanto, o que mais gera entusiasmo entre a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; o fato da FMLN, sua dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-militar durante a guerra civil ocorrida no pa&iacute;s entre 1980 e 1992, chegar ao governo pela primeira vez quase 30 anos ap&oacute;s sua funda&ccedil;&atilde;o como frente guerrilheira &#8211; e 16 anos ap&oacute;s se constituir como partido. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Por isso, <i>&quot;centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras e outros setores do povo, deram seu voto ao FMLN nas elei&ccedil;&otilde;es (&#8230;). Claramente as massas trabalhadoras depositam no governo eleito do FMLN suas esperan&ccedil;as e t&ecirc;m grandes ilus&otilde;es no mesmo&quot;<\/i>. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Estas ilus&otilde;es das massas ser&atilde;o correspondidas? A maioria da esquerda salvadorenha, da Am&eacute;rica Central e mundial afirma que sim. Para eles, o futuro governo da FMLN &eacute; mais um dos &quot;governos populares&quot;, &quot;antiimperialistas&quot;, ou inclusive &quot;socialistas&quot;, que se estendem pela Am&eacute;rica Latina (Ch&aacute;vez, na Venezuela; Evo Morales, na Bol&iacute;via; Correa, no Equador; Ortega, na Nicar&aacute;gua, etc.). <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No entanto, para a LIT-QI e o MSTC essas esperan&ccedil;as ser&atilde;o lamentavelmente frustradas. Consideramos que o governo Mauricio Funes e a FMLN, longe de &quot;avan&ccedil;ar para o socialismo&quot;, enfrentar o imperialismo ou tomar medidas a favor do povo, ter&aacute; como objetivo central defender os interesses da burguesia, no marco da crise econ&ocirc;mica internacional. Para isso, o governo n&atilde;o s&oacute; aplicar&aacute; medidas contra os trabalhadores e campon&ecirc;s como tentar&aacute; frear qualquer resposta de luta das massas salvadorenhas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Um pouco de hist&oacute;ria <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Para entender esta afirma&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio recordar um pouco da hist&oacute;ria recente do pa&iacute;s. O triunfo da revolu&ccedil;&atilde;o sandinista na Nicar&aacute;gua, em 1979, abriu um profundo processo revolucion&aacute;rio em toda Am&eacute;rica Central. Isto teve uma forte express&atilde;o em El Salvador. Diante do grande ascenso das massas que se dava no pa&iacute;s, a burguesia, a direita salvadorenha e o imperialismo norte-americano iniciaram, nos princ&iacute;pios da d&eacute;cada de 1980, uma sangrenta guerra civil, que custou a vida de 75 mil pessoas (entre mortos e desaparecidos). Isso num pequeno pa&iacute;s que hoje tem uns seis milh&otilde;es de habitantes. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Foi em meio a essa situa&ccedil;&atilde;o que foi criada em 1980 a FMLN, integrado pelas For&ccedil;as Populares de Liberta&ccedil;&atilde;o (FPL), Resist&ecirc;ncia Nacional (RN), o Ex&eacute;rcito Revolucion&aacute;rio do Povo (ERP e o Partido Comunista Salvadorenho (PCS). Pouco depois se somaria o PRTC (Partido Revolucion&aacute;rio dos Trabalhadores Centro-americano). A FMLN foi &agrave; dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e militar do movimento de massas durante todo este processo que, em 1989, chegou a cercar a capital do pa&iacute;s. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A trai&ccedil;&atilde;o do FMLN os &quot;acordos de paz&quot;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No entanto, apesar das possibilidades de triunfo, n&atilde;o foi no terreno militar que se definiu o curso da guerra civil. O que definiu a situa&ccedil;&atilde;o foram os processos de negocia&ccedil;&otilde;es e os &quot;acordos de paz&quot; impulsionados desde 1982 pelo chamado Grupo de Contadora (integrado pelos governos de M&eacute;xico, Venezuela, Col&ocirc;mbia e Panam&aacute;), com o apoio da ONU e do Partido Democrata dos EUA. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Em uma declara&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca, a LIT-QI denunciava o Grupo de Contadora<\/b>: &quot;<i>Durante quatro anos, desde o nascimento mesmo do Grupo de Contadora, [a LIT-QI] proclamou, explicou e denunciou que era uma manobra do imperialismo contra a revolu&ccedil;&atilde;o em curso na Am&eacute;rica Central. Que seu objetivo era o mesmo de Ronald Reagan: fazer retroceder a revolu&ccedil;&atilde;o centro-americana (Correio Internacional n&deg; 19<b>, maio 1986<\/b>)<\/i>. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em 16 de janeiro de 1992, a dire&ccedil;&atilde;o da FMLN e o governo de direita do presidente Alfredo Cristiani assinaram, em Chapultepec, M&eacute;xico, os &quot;Acordos de Paz&quot;, nos quais a FMLN se comprometia em entregar suas armas. No acordo se garantiam algumas reformas pol&iacute;ticas, mas n&atilde;o continham nenhuma refer&ecirc;ncia &agrave; estrutura econ&ocirc;mico-social que tinha levado &agrave; guerra civil. Neste sentido, a dire&ccedil;&atilde;o do FMLN traiu a luta que havia encabe&ccedil;ado e entregou na mesa de negocia&ccedil;&otilde;es todas as poss&iacute;veis mudan&ccedil;as que poderiam obter com a luta<b>. <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A institucionaliza&ccedil;&atilde;o do FMLN <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Depois de entregar as armas, entre os anos de 1992 e 1994, a FMLN se transformou em um partido pol&iacute;tico. Como resultado desta institucionaliza&ccedil;&atilde;o, a FMLN come&ccedil;a a ganhar numerosas prefeituras e mandatos parlamentares. Antes destas elei&ccedil;&otilde;es, por exemplo, a Frente j&aacute; controlava as prefeituras dos onze munic&iacute;pios que formam o Grande San Salvador, incluindo a capital. Tamb&eacute;m tinha 32 deputados (de um total de 84) na Assembl&eacute;ia Legislativa. Todo este &quot;poder institucional&quot; representava, ao mesmo tempo, uma fonte de rendimentos e privil&eacute;gios materiais. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em outras palavras, a FMLN deixa de ser uma organiza&ccedil;&atilde;o guerrilheira e adota uma ideologia de alian&ccedil;a de classes com setores burgueses para ser um partido &quot;normal&quot;, totalmente integrado ao sistema eleitoral burgu&ecirc;s. Assim, a organiza&ccedil;&atilde;o se disp&otilde;e a realizar cada vez maiores concess&otilde;es e acordos com setores burgueses para chegar ao governo. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Esta n&atilde;o &eacute; somente a caracteriza&ccedil;&atilde;o da LIT-QI (que j&aacute; no passado mantinha profundas diferen&ccedil;as te&oacute;ricas, pol&iacute;ticas com o FMLN), mas tamb&eacute;m de outras pessoas que foram importantes dirigentes desta organiza&ccedil;&atilde;o<\/b>: <i>&quot;[O FMLN], um dos movimentos revolucion&aacute;rios mais importantes da Am&eacute;rica Latina nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado, &eacute; agora um partido sist&ecirc;mico, parte integral da democracia burguesa que existe em meu pa&iacute;s, El Salvador<\/i>&quot;, <b>explicouFidel Neto, ex-comandantes da FMLN, no debate<\/b> <i>Das trincheiras aos pal&aacute;cios, os caminhos da esquerda<\/i> realizado o <b>F&oacute;rum o Social Mundial de Porto Alegre, em 2005<\/b>.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Esta profunda integra&ccedil;&atilde;o da FMLN ao sistema eleitoral, al&eacute;m do aumento de seus privil&eacute;gios materiais, &eacute; o elemento central que nos leva a afirmar a din&acirc;mica de defesa dos interesses burgueses que ter&aacute; seu futuro governo. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas no pa&iacute;s <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O segundo elemento s&atilde;o as grandes mudan&ccedil;as produzidas na economia do pa&iacute;s nos &uacute;ltimos anos. Uma delas foi a instala&ccedil;&atilde;o de quinze zonas de &quot;livre com&eacute;rcio&quot;, nas quais se instalaram numerosas empresas &quot;maquiladoras&quot;, especialmente do setor t&ecirc;xtil que cortam e montam roupas de marcas famosas para exportar aos EUA. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Outra mudan&ccedil;a foi o aumento das remessas de dinheiro enviadas por mais de um milh&atilde;o de salvadorenhos os que trabalham nos EUA para suas fam&iacute;lias. Em 2008, essas remessas chegaram a somar 3,7 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, o que representou 17% de PIB nacional. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Com base a estes fundos, constitu&iacute;ram-se bancos com capitais norte-americanos, em sociedade com a burguesia salvadorenha que, atrav&eacute;s de seus investimentos no pa&iacute;s formam o n&uacute;cleo financeiro que domina a economia nacional e as principais empresas (como a aero linhas TACA). Assim se aprofundou o processo de coloniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s por parte do imperialismo ianque, como expressa claramente o fato de que, desde 2001, a moeda oficial de El Salvador passou a ser diretamente o d&oacute;lar. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas a crise econ&ocirc;mica mundial come&ccedil;a a golpear o setor exportador das &quot;maquiladoras&quot;. S&oacute; o fechamento da empresa INCA S.A. deixou 2.500 trabalhadores na rua. Em muitas outras empresas j&aacute; h&aacute; f&eacute;rias obrigat&oacute;rias. Ao mesmo tempo, como resultado da crise das demiss&otilde;es nos EUA, as remessas do exterior come&ccedil;am a cair. Segundo um relat&oacute;rio do BID, em 2009 elas diminuir&atilde;o 13% na regi&atilde;o centro-americana. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A &quot;unidade&quot; com a burguesia <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O presidente eleito, Mauricio Funes &eacute; um prestigioso jornalista independente que nunca pertenceu a FMLN e s&oacute; se filiou ao partido para poder ser candidato. Sua designa&ccedil;&atilde;o como candidato, por sua vez, j&aacute; representou um &quot;giro moderado&quot; (isto &eacute;, para a direita) da FMLN para disputar as elei&ccedil;&otilde;es. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Desde o in&iacute;cio de sua campanha, Funes antecipou sua orienta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-burguesa. Em suas primeiras declara&ccedil;&otilde;es afirmou: <i>&quot;Nestes 17 meses que faltam para as elei&ccedil;&otilde;es devemos construir o tecido social que seja a base para uma poderosa alian&ccedil;a: partidos pol&iacute;ticos e, sobretudo, organiza&ccedil;&otilde;es sociais, sindicais e empresariais devem dar vida a dita alian&ccedil;a. Vamos promover e respeitar o investimento privado nacional e estrangeiro<\/i>&quot; (citado em &quot;A esquerda diante de um eventual governo de frente popular, site da LIT-QI, 16\/03\/08). <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ap&oacute;s o triunfo, seu principal objetivo &eacute; levar a &quot;tranq&uuml;ilidade&quot; para a burguesia salvadorenha. Por isso Funes reiterou seu chamado &agrave; &quot;unidade nacional&quot; e ao di&aacute;logo com as empresas privadas. A resposta da patronal salvadorenha (ANEP &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o Nacional da Empresa Privada) foi aceitar este chamado. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A &quot;unidade&quot; com o imperialismo <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Funes tamb&eacute;m transmitiu &quot;tranq&uuml;ilidade&quot; ao imperialismo. Por exemplo, sobre o tema de d&iacute;vida externa (9,4 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, no final de 2008) declarou: <i>&quot;Eu quero reafirmar aos organismos multilaterais que a d&iacute;vida ser&aacute; paga com os prazos que foram negociados. Vou cumprir todos os compromissos adquiridos pelos governos anteriores<\/i>&quot; (reproduzido no artigo O Governo do FMLN&#8230;, j&aacute; citado). <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ap&oacute;s seu triunfo eleitoral expressou: <i>&quot;quero a integra&ccedil;&atilde;o centro-americana e o fortalecimento da rela&ccedil;&atilde;o com Estados Unidos&quot;<\/i>. N&atilde;o &eacute; casual que Robert Wood, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, em nome de seu governo, tenha enviado <i>&quot;felicita&ccedil;&otilde;es ao povo salvadorenho&quot;<\/i> pelas elei&ccedil;&otilde;es e seu resultado.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&nbsp;<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Dois fatos s&atilde;o ainda muito significativos. J&aacute; eleito, Funes anunciou que manteria a &quot;dolariza&ccedil;&atilde;o&quot; da economia do pa&iacute;s, s&iacute;mbolo da coloniza&ccedil;&atilde;o ianque (www.elsalvador.com, 8\/5\/2009). <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Tamb&eacute;m manteve uma am&aacute;vel reuni&atilde;o particular com Barack Obama, presidente dos EUA e, portanto, atual chefe do imperialismo, durante Confer&ecirc;ncia da Am&eacute;ricas. Funes contou que Obama ressaltou o papel que El Salvador poderia jogar na Am&eacute;rica Central. Isto &eacute;, para Obama o governo de Funes poderia ser uma pe&ccedil;a importante nos planos de estabilidade imperialista e de conten&ccedil;&atilde;o dos conflitos e lutas populares na regi&atilde;o. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Em outras palavras, o governo de Funes-FMLN deixa de lado qualquer pretens&atilde;o de luta ou confronto com o imperialismo. Desta forma, a FMLN abandona completamente uma de suas caracter&iacute;sticas mais importantes do passado (o antiimperialismo) para se transformar em colaborador do imperialismo que antes combatia. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Perspectivas e a resposta dos revolucion&aacute;rios <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A burguesia salvadorenha e o imperialismo norte-americano est&atilde;o tranq&uuml;ilos, pois o governo Funes-FMLN ser&aacute; um governo burgu&ecirc;s e, portanto, inimigo dos trabalhadores e o povo. Mais ainda. Num contexto de crise econ&ocirc;mica seu governo ter&aacute; muito pouca margem de manobras para fazer qualquer concess&atilde;o. <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Ser&aacute; um inimigo mais perigoso que um governo burgu&ecirc;s &quot;normal&quot;, pois se disfar&ccedil;ar&aacute; de amigo do povo, apoiado no prest&iacute;gio do passado lutador da FMLN e nas ilus&otilde;es que desperta no movimento de massas. <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Por isso compartilhamos plenamente com a opini&atilde;o manifestada pela declara&ccedil;&atilde;o do MSTC: <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><i>&quot;&Eacute; preciso que as organiza&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias, camponesas, estudantis e populares mantenham sua total independ&ecirc;ncia do governo e continuem com suas lutas. Seria um grave erro dar algum &#39;tempo&#39; ou &quot;um respiro&quot; ao novo governo, postergando assim as exig&ecirc;ncias de nossos direitos. O movimento de massas em El Salvador e as organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda n&atilde;o devem apoiar este novo governo, nem sequer lhe dar um &#39;apoio cr&iacute;tico&#39;. Devemos construir, com nossas lutas, uma oposi&ccedil;&atilde;o de classe, uma oposi&ccedil;&atilde;o pela esquerda. Obviamente, n&atilde;o se trata de n&atilde;o ter em conta as ilus&otilde;es das massas na hora de formular as t&aacute;ticas de interven&ccedil;&atilde;o. Mas a esquerda deve, antes de tudo, dizer a verdade &agrave;s massas; e a verdade &eacute; que este n&atilde;o &eacute; seu governo, que devem manter sua independ&ecirc;ncia e continuar com as lutas por suas reivindica&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas&quot;. <\/i><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Tal como o expressava a declara&ccedil;&atilde;o emitida pelo MSTC antes das elei&ccedil;&otilde;es:<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&quot;D<i>esde j&aacute; &eacute; imprescind&iacute;vel que as organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias chamem &agrave;s massas a se mobilizar para recusar o programa do futuro governo, bem como para exigir a revers&atilde;o das privatiza&ccedil;&otilde;es e dos Tratados de Livre Com&eacute;rcio; para que assegure pol&iacute;ticas que combatam os efeitos perniciosos da dolariza&ccedil;&atilde;o; desenvolva pol&iacute;ticas que protejam &agrave;s classes exploradas dos efeitos da crise econ&ocirc;mica mundial, se revogue a abomin&aacute;vel lei de anistia [e a lei antiterrorista]; que se assegure a separa&ccedil;&atilde;o entre as Igrejas e o Estado, bem como uma educa&ccedil;&atilde;o totalmente laica. Que garanta os direitos das mulheres, e detenha as iniciativas que atentam contra os direitos dos homossexuais. De maneira urgente, deve promover o desenvolvimento dos povos ind&iacute;genas e dos camponeses, incluindo o direito a terra para cultivar. Mais ainda, &eacute; imprescind&iacute;vel que as organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias levantem consignas como a expropria&ccedil;&atilde;o dos bancos imperialistas e da propriedade da oligarquia salvadorenha; expropria&ccedil;&atilde;o sem indeniza&ccedil;&atilde;o das empresas imperialistas que exploram os recursos naturais e os setores estrat&eacute;gicos da economia salvadorenha; o rompimento com as institui&ccedil;&otilde;es financeiras imperialistas (FMI, Banco Mundial, BID) e o n&atilde;o pagamento da d&iacute;vida externa&quot;.<\/i> <\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&Eacute; no marco de participar e impulsionar as lutas por essas reivindica&ccedil;&otilde;es que a LIT-QI e o MSTC prop&otilde;em a necessidade de construir um grande partido revolucion&aacute;rio capaz de disputar a dire&ccedil;&atilde;o dessas lutas. Neste sentido, a declara&ccedil;&atilde;o do MSTC conclui: <\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/div>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><span>&quot;C<i>onvidamos todas as organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias do pa&iacute;s para nos unirmos &agrave; constru&ccedil;&atilde;o desse grande partido. Chamamos &agrave;s demais organiza&ccedil;&otilde;es que se reivindicam revolucion&aacute;rias, que ainda se mant&ecirc;m dentro do FMLN, a ruptura com sua dire&ccedil;&atilde;o. Sob a bandeira da independ&ecirc;ncia de classe e com as ferramentas que o marxismo revolucion&aacute;rio proporciona, podemos trabalhar junto &agrave;s classes exploradas por sua verdadeira liberta&ccedil;&atilde;o que somente ser&aacute; poss&iacute;vel se avan&ccedil;armos para o socialismo a n&iacute;vel mundial&quot;<\/i>. <\/span><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m&ecirc;s de mar&ccedil;o, realizaram-se elei&ccedil;&otilde;es presidenciais em El Salvador. O vitorioso foi Mauricio Funes, candidato da Frente Farabundo Mart&iacute; pela Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional (FMLN).<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4280],"tags":[],"class_list":["post-847","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-revista-correio-internacional"],"fimg_url":false,"categories_names":["Correio Internacional"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=847"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/847\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}