{"id":844,"date":"2009-08-19T00:00:00","date_gmt":"2009-08-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/litci.org\/pt\/2009\/08\/19\/honduras-a-resistencia-em-uma-encruzilhada\/"},"modified":"2009-08-19T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-19T00:00:00","slug":"honduras-a-resistencia-em-uma-encruzilhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2009\/08\/19\/honduras-a-resistencia-em-uma-encruzilhada\/","title":{"rendered":"Honduras: A resist\u00eancia em uma encruzilhada"},"content":{"rendered":"\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" style=\"width: 100%; \">\n<tbody>\n<tr style=\"width: 100%;\">\n<td style=\"width: 100%;\">\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No momento em que fechamos essa edi&ccedil;&atilde;o do Correio, sete semanas ap&oacute;s o golpe que derrubou o governo de Manuel Zelaya e o expulsou do pa&iacute;s, estava se desenvolvendo a &quot;marcha sobre Tegucigalpa&quot; chamada pela Frente da Resist&ecirc;ncia Contra o Golpe e outros setores antigolpistas.<\/span><\/span><\/div>\n<p>\t\t\t\t<!--more--><\/p>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A marcha &eacute; uma nova demonstra&ccedil;&atilde;o de que a resist&ecirc;ncia se mant&eacute;m firme, apesar da feroz repress&atilde;o que leva adiante o governo de Roberto Micheletti (que j&aacute; causou v&aacute;rias mortes e centenas de pris&otilde;es) e da armadilha das negocia&ccedil;&otilde;es com os golpistas, proposta pelo imperialismo norte-americano, atrav&eacute;s do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, apoiada por Zelaya. Ao mesmo tempo, os golpistas n&atilde;o consolidam sua situa&ccedil;&atilde;o, se mantendo no governo, apesar da resist&ecirc;ncia interna que enfrentam e de seu isolamento internacional.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Neste contexto, a LIT-QI ao mesmo tempo em que reafirma seu apoio e sua solidariedade incondicional com a resist&ecirc;ncia dos trabalhadores e as massas hondurenhas, considera que &eacute; um momento oportuno para extrair algumas conclus&otilde;es deste processo de luta, que permitam ajudar a seu desenvolvimento e triunfo.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>O centro &eacute; a luta contra os golpistas<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O centro da mobiliza&ccedil;&atilde;o das massas hondurenhas &eacute; a luta para derrotar os golpistas. Isto &eacute;, a luta por derrubar o governo ileg&iacute;timo de Roberto Micheletti.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A consolida&ccedil;&atilde;o dos golpistas no poder, inclusive atrav&eacute;s de uma &quot;legaliza&ccedil;&atilde;o&quot; por meio das elei&ccedil;&otilde;es, significaria um triunfo da reacion&aacute;ria burguesia do pa&iacute;s e das For&ccedil;as Armadas, que teriam ainda melhores condi&ccedil;&otilde;es para atacar os trabalhadores e &agrave;s massas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Atrav&eacute;s do Plano Arias, o imperialismo tenta um retorno de Zelaya que seria mantido por um pacto que preserve os golpistas e evite qualquer puni&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Uma derrota dos golpistas, por outro lado, significaria um grande triunfo das massas hondurenhas, e abriria a possibilidade de um processo revolucion&aacute;rio, onde poderiam ocorrer lutas para transformar as ra&iacute;zes s&oacute;cio-econ&ocirc;micas do pa&iacute;s, que hoje condenam o povo &agrave; pobreza e &agrave; mis&eacute;ria. Essas lutas poderiam avan&ccedil;ar e questionar &agrave; coloniza&ccedil;&atilde;o imperialista do pa&iacute;s, &agrave; propriedade latifundi&aacute;ria da terra, &agrave;s maquiladoras etc. Em outras palavras, para avan&ccedil;ar na perspectiva da luta pelo socialismo, hoje &eacute; necess&aacute;rio lutar contra os golpistas e derrot&aacute;-los.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">H&aacute; mais de 20 anos n&atilde;o ocorrem golpes triunfantes na Am&eacute;rica Latina. As duas &uacute;ltimas tentativas (contra Ch&aacute;vez na Venezuela, em 2002; e a de Hormando Vaca Diez, na Bol&iacute;via em 2005) foram derrotadas pela a&ccedil;&atilde;o do movimento de massas. Nesse sentido, um triunfo ou uma derrota das massas hondurenhas significaria tamb&eacute;m uma derrota das massas de todo o mundo, em especial da Am&eacute;rica Central. Essa &eacute; a raz&atilde;o profunda pela qual devemos garantir o apoio e a solidariedade a sua luta do povo hondurenho.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Porque reivindicar a volta de Zelaya?<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No marco de uma ampla unidade de a&ccedil;&atilde;o antigolpista em Honduras e no mundo, que abarca desde setores burgueses at&eacute; o conjunto da esquerda, existe um debate sobre duas quest&otilde;es centrais. Por um lado, qual deve ser o programa da luta contra o golpe. Por outro, com que metodologia se deve levar adiante esta luta.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Um das quest&otilde;es mais discutidas &eacute; se deve ou n&atilde;o reivindicar o retorno de Zelaya ao governo, como faz a LIT-QI e outras organiza&ccedil;&otilde;es. Como se trata de um &quot;dirigente burgu&ecirc;s&quot;, reivindicar sua restitui&ccedil;&atilde;o no poder seria &quot;capitular a burguesia&quot;, argumentam os defensores dessa tese.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A LIT-QI n&atilde;o faz nenhuma confus&atilde;o sobre quem &eacute; Zelaya: um dirigente burgu&ecirc;s reacion&aacute;rio, proveniente da oligarquia hondurenha e do sistema pol&iacute;tico burgu&ecirc;s do pa&iacute;s. Tamb&eacute;m n&atilde;o temos nenhuma confus&atilde;o sobre sua atual pol&iacute;tica de capitula&ccedil;&atilde;o ao plano do imperialismo de negocia&ccedil;&atilde;o com os golpistas e sobre o papel que vem jogando para conter as mobiliza&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas setores majorit&aacute;rios das massas hondurenhas v&ecirc;em o presidente deposto como &quot;seu&quot; dirigente e est&atilde;o dispostas a lutar contra os &quot;poderes estabelecidos&quot; para que Zelaya volte ao governo. N&atilde;o &eacute; a primeira vez que as massas de um pa&iacute;s est&atilde;o dispostas a lutar pela volta de um dirigente burgu&ecirc;s. Na Argentina, por exemplo, ap&oacute;s o golpe que derrubou Per&oacute;n em 1955, as massas lutaram durante quase duas d&eacute;cadas pela volta do presidente, atrav&eacute;s de uma tenaz resist&ecirc;ncia que inclu&iacute;ram v&aacute;rias semi- insurrei&ccedil;&otilde;es. O mesmo aconteceu na Venezuela com a luta que derrotou ao golpe contra Ch&aacute;vez e o restituiu ao poder.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Estes processos de luta, apesar de conterem a confian&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o na dire&ccedil;&atilde;o burguesa, s&atilde;o muito progressivos e podem, inclusive, abrir uma din&acirc;mica revolucion&aacute;ria. S&atilde;o progressivos porque enfrentam os &quot;fatores de poder&quot;: os setores mais concentrados da burguesia e as For&ccedil;as Armadas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Por outro lado, a o retorno do &quot;dirigente burgu&ecirc;s&quot;, neste caso o de Zelaya, &eacute; um elemento imprescind&iacute;vel para que as massas possam fazer a experi&ecirc;ncia com seu governo e obter avan&ccedil;os na sua consci&ecirc;ncia, superando os limites impostos por essa dire&ccedil;&atilde;o &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o das massas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>N&atilde;o ao plano Arias<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Levantar a bandeira sobre a volta de Zelaya significa que chamamos mobiliza&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias contra o golpe, junto com os zelayistas. No entanto, consideramos imprescind&iacute;vel realizar uma cr&iacute;tica implac&aacute;vel da pol&iacute;tica que vem impulsionando Zelaya nesta situa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Especialmente, seu apoio ao Plano Arias (na realidade, Plano Obama-Clinton). Isto &eacute;, sua pol&iacute;tica de manter a resist&ecirc;ncia num terreno &quot;pac&iacute;fico&quot; e de us&aacute;-la como um instrumento para pressionar os golpistas &agrave; negocia&ccedil;&atilde;o. Assim, a mobiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; vista por Zelaya n&atilde;o como a &uacute;nica ferramenta capaz de derrotar o governo de Micheletti.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Qualquer confian&ccedil;a nestas negocia&ccedil;&otilde;es como via central para a sa&iacute;da dos golpistas (como prop&otilde;e o pr&oacute;prio Zelaya) levar&aacute; a resist&ecirc;ncia &agrave; derrota. &Eacute; imprescind&iacute;vel que a rejei&ccedil;&atilde;o ao Plano Arias (ou a qualquer outra negocia&ccedil;&atilde;o com os golpistas) se integre claramente o programa da resist&ecirc;ncia.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>A pol&iacute;tica de Obama<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>&nbsp;<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">O governo de Barack Obama representa uma mudan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao seu antecessor George W. Bush, na t&aacute;tica pol&iacute;tica do imperialismo para enfrentar a situa&ccedil;&atilde;o mundial e a luta das massas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Para evitar falsas discuss&otilde;es, assinalamos que n&atilde;o temos nenhuma confus&atilde;o sobre Obama, que defende no fundo, assim como Bush, os interesses imperialistas. Obama n&atilde;o &eacute; uma &quot;pomba da paz&quot; que vai abandonar a &quot;a&ccedil;&atilde;o militar&quot; do imperialismo. Basta ver sua pol&iacute;tica de intensifica&ccedil;&atilde;o na guerra do Afeganist&atilde;o ou o seu plano de utiliza&ccedil;&atilde;o das bases militares colombianas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas a derrota que pol&iacute;tica de Bush sofreu (o &quot;s&eacute;culo americano&quot; e a &quot;guerra contra o terror&quot;) no Iraque e na Venezuela, e o curso desfavor&aacute;vel da situa&ccedil;&atilde;o no Afeganist&atilde;o e no Oriente M&eacute;dio, t&ecirc;m obrigado o imperialismo a mudar sua t&aacute;tica e, entre outras coisas, a n&atilde;o apoiar golpes de Estado na Am&eacute;rica Latina. Mas que fique bem claro: foi a luta das massas, e as derrotas infligidas &agrave; pol&iacute;tica do imperialismo, e n&atilde;o a &quot;boa vontade&quot; de Obama que impuseram esta mudan&ccedil;a de t&aacute;tica.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Nesse sentido, &eacute; evidente que o governo de Obama alentou as press&otilde;es dos &quot;fatores de poder&quot; hondurenhos sobre o governo de Zelaya. Ao mesmo tempo, ap&oacute;s o golpe, o imperialismo aproveita-se da situa&ccedil;&atilde;o para pressionar Zelaya e faz&ecirc;-lo desistir de fazer uma consulta sobre a Assembl&eacute;ia Constituinte.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Mas os EUA n&atilde;o impulsionaram o golpe. Caso contr&aacute;rio, n&atilde;o se explicaria por que organismos como a ONU ou a OEA, que dificilmente podem ser qualificados de &quot;antiimperialistas&quot;, tenham votado resolu&ccedil;&otilde;es contra o golpe, n&atilde;o reconhecendo o governo de Micheletti. Uma pol&iacute;tica muito diferente da que Bush teve na Venezuela, em 2002. Ou ainda, de modo mais generalizado, a de Richard Nixon, nas d&eacute;cadas de 1960 e 1970, organizando golpes militares em toda Am&eacute;rica Latina. Isto &eacute;, no lugar de tentar derrotar os processos revolucion&aacute;rios atrav&eacute;s de golpes de Estado, os EUA passaram a utilizar a via eleitoral, negocia&ccedil;&otilde;es, pactos ou os acordos de paz para faz&ecirc;-los retroceder.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ao mesmo tempo os golpistas aproveitam o espa&ccedil;o que lhes &eacute; dado pela pol&iacute;tica negociadora de Obama. Dessa forma se recusam a permitir volta de Zelaya ao poder (mesmo que seja de modo muito condicionado para transferir o comando a um novo presidente eleito), porque o retorno do presidente deposto se tornaria s&iacute;mbolo de sua derrota.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">&Eacute; imprescind&iacute;vel compreender esta mudan&ccedil;a de t&aacute;ctica do imperialismo para enfrentar o profundo perigo que representa a pol&iacute;tica do governo de Obama em Honduras: a negocia&ccedil;&atilde;o com os golpistas atrav&eacute;s do Plano Arias. Quem pensa que &eacute; o governo de Obama est&aacute; por tr&aacute;s do golpe, fica numa posi&ccedil;&atilde;o que, por omiss&atilde;o, termina capitulando a pol&iacute;tica concreta do imperialismo. Isto &eacute;, n&atilde;o combate o Plano Arias nem sua aceita&ccedil;&atilde;o por parte de Zelaya.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><b>Os desafios da resist&ecirc;ncia<\/b><\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Existe uma primeira tarefa da resist&ecirc;ncia que &eacute; a de ampliar a luta a luta a todos os setores que ainda n&atilde;o se mobilizaram ou est&atilde;o em d&uacute;vidas, fortalecendo assim sua base social.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ao mesmo tempo, nestas semanas de luta ficou claro que a &quot;resist&ecirc;ncia pac&iacute;fica&quot; n&atilde;o &eacute; suficiente para derrotar aos golpistas. Para triunfar, &eacute; necess&aacute;rio superar este limite que, at&eacute; agora, Zelaya conseguiu impor.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Por outro lado, nunca na hist&oacute;ria se conseguiu derrotar um golpe ou uma ditadura militar atrav&eacute;s de m&eacute;todos pac&iacute;ficos, onde as massas enfrentam forma&ccedil;&otilde;es militares ou policiais especializadas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Pelo contr&aacute;rio, al&eacute;m do hero&iacute;smo j&aacute; demonstrado pelas massas hondurenhas, sempre foi necess&aacute;rio um endurecimento e uma radicaliza&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos de luta (incluindo o aspecto militar do confronto e a defesa armada das massas e suas mobiliza&ccedil;&otilde;es), e uma a&ccedil;&atilde;o para dividir e debilitar a &quot;frente militar&quot; dos golpistas. Na maioria dos casos, as massas tamb&eacute;m devem superar a pol&iacute;tica conciliadora com os golpistas da dire&ccedil;&atilde;o burguesa.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Ainda &eacute; fresca a lembran&ccedil;a da derrota do golpe militar na Venezuela, em 2002. Mesmo em condi&ccedil;&otilde;es piores dos que as hondurenhas (claro apoio do imperialismo ao golpe; pris&atilde;o de Ch&aacute;vez etc.), as massas venezuelanas cercaram o pal&aacute;cio Miraflores, foram aos quart&eacute;is para obter armas e dividir os militares e formaram os &quot;c&iacute;rculos bolivarianos&quot; para combater o golpe.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">Esta insurrei&ccedil;&atilde;o superou os limites impostos pela pol&iacute;tica de Ch&aacute;vez, e permitiu que em menos 48 horas, o golpe fosse derrotado, obrigando aos golpistas a trazer a Ch&aacute;vez de volta ao poder. &Eacute; muito importante tirar algumas conclus&otilde;es sobre quais foram as a&ccedil;&otilde;es que permitiram o triunfo das massas venezuelanas.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">No caso de Honduras, enquanto Zelaya continua sendo a dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos setores majorit&aacute;rios das massas, a dire&ccedil;&atilde;o quotidiana da luta est&aacute; nas m&atilde;os da Frente da Resist&ecirc;ncia ao Golpe de Estado, que agrupa diversas organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, sindicais e sociais. A Frente tem recusado a proposta do plano Arias, mas, ao mesmo tempo, at&eacute; agora n&atilde;o marcou uma clara diferencia&ccedil;&atilde;o com Zelaya, nem superou os limites que este lhe imp&ocirc;s &agrave; resist&ecirc;ncia.<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><br \/>\n\t\t\t\t\t<\/span><\/span><\/div>\n<div>\n\t\t\t\t\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\">A LIT-QI chama a intensificar a mobiliza&ccedil;&atilde;o nacional e internacional contra o golpe. &Eacute; imprescind&iacute;vel a organiza&ccedil;&atilde;o classista independente das massas para lutar a fundo contra o golpe e derrot&aacute;-lo. A Frente da Resist&ecirc;ncia est&aacute; realizando uma convoca&ccedil;&atilde;o de <i>&quot;Boicote contra a Ditadura Militar-Empresarial de Roberto Micheletti&quot;.<\/i> Apoiamos esta proposta e pensamos que ela deve se concretizar atrav&eacute;s da exig&ecirc;ncia de que os governos rompam rela&ccedil;&otilde;es com o governo golpista. Mas a exig&ecirc;ncia do boicote econ&ocirc;mico deve incluir principalmente os Estados Unidos e os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Central, como El Salvador.<\/span><\/span><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" id=\"tbArtigo\" style=\"width: 100%;\">\n<\/table>\n<p>\n\t<span style=\"font-size: 14px;\"><span style=\"font-family: georgia,serif;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"10\" src=\"http:\/\/www.viejo.litci.org\/Portugues\/imagens\/giftransp.gif\" width=\"1\" \/><br \/>\n\t<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No momento em que fechamos essa edi&ccedil;&atilde;o do Correio, sete semanas ap&oacute;s o golpe que derrubou o governo de Manuel Zelaya e o expulsou do pa&iacute;s, estava se desenvolvendo a &quot;marcha sobre Tegucigalpa&quot; chamada pela Frente da Resist&ecirc;ncia Contra o Golpe e outros setores antigolpistas.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4280],"tags":[],"class_list":["post-844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-revista-correio-internacional"],"fimg_url":false,"categories_names":["Correio Internacional"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}