{"id":83256,"date":"2026-10-22T21:07:13","date_gmt":"2026-10-22T21:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=83256"},"modified":"2026-10-22T21:07:14","modified_gmt":"2026-10-22T21:07:14","slug":"potencialidade-e-limites-deste-novo-outono-de-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/10\/22\/potencialidade-e-limites-deste-novo-outono-de-lutas\/","title":{"rendered":"Potencialidade e limites deste novo outono de lutas"},"content":{"rendered":"\n<p>Um ano ap\u00f3s o outono mais quente que a It\u00e1lia viu nos \u00faltimos 50 anos \u2013 de tal modo que deu \u00e0s massas populares em luta, com todo o m\u00e9rito, o t\u00edtulo de vanguarda europeia na luta em solidariedade ao povo palestino e a sua heroica e exemplar resist\u00eancia \u2013 hoje assistimos \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas que nesses dias est\u00e3o enchendo as principais metr\u00f3poles francesas, espanholas e de outros Estados europeus. E na It\u00e1lia? A situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 se intensificando entre n\u00f3s. S\u00e1bado, 10 de outubro as ruas das principais cidades italianas foram tomadas por grandes passeatas pela Palestina. Sexta-feira, 16 de outubro, foi a retomada das greves estudantis com passeatas, e s\u00e3o j\u00e1 dezenas os institutos ocupados em diversas cidades: como sempre s\u00e3o os jovens da gera\u00e7\u00e3o Gaza a nos indicar o caminho. Dia 17 de outubro a juventude tamb\u00e9m saiu \u00e0s ruas para lutar contra o desastre clim\u00e1tico. Os oper\u00e1rios da Ilva (complexo sider\u00fargico) est\u00e3o em greve e mobiliza\u00e7\u00e3o tanto em Taranto quanto em G\u00eanova (enquanto escrevemos est\u00e1 em curso a ocupa\u00e7\u00e3o do aeroporto de G\u00eanova). No sul do pa\u00eds as prateleiras dos supermercados est\u00e3o vazias por causa do protesto dos caminhoneiros e dos agricultores.<\/p>\n\n\n\n<p>A tradicional manifesta\u00e7\u00e3o de outono da CGIL (Confedera\u00e7\u00e3o Geral Italiana do Trabalho) em Roma levou dezenas de milhares de trabalhadores para as ruas da cidade. O que une todos estes setores \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o a um sistema que torna imposs\u00edvel a sobreviv\u00eancia: custo de vida, infla\u00e7\u00e3o, desastre clim\u00e1tico, guerras, desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes \u00faltimos dias tamb\u00e9m assistimos a protestos de jovens que resultaram em confrontos com a pol\u00edcia e a\u00e7\u00f5es de expropria\u00e7\u00f5es em lojas: trata-se de protestos convocados nas redes sociais, sem uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica precisa (o governo se aproveita disso para intensificar ainda mais a repress\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda estamos longe das grandes manifesta\u00e7\u00f5es de massa na Europa ou das mobiliza\u00e7\u00f5es do outono passado, mas mesmo assim, isso nos mostra que aqui tamb\u00e9m existe potencial para alcan\u00e7ar uma grande greve geral que possa parar o pa\u00eds e, desta vez, derrubar o governo Meloni.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De onde partimos no outono passado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFa\u00e7amos como na It\u00e1lia\u201d, este era o slogan dos companheiros do outro lado dos Alpes no outono passado, quando rodovias, esta\u00e7\u00f5es de trem e portos foram tomados por marchas com dezenas de milhares de pessoas em uma grande sucess\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es pela Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Na receita para aquele grau de crescimento da luta de classe estava a indigna\u00e7\u00e3o com o infame genoc\u00eddio sionista na Faixa de Gaza; o impulso emocional da Global Sumud Flotilha que procurou romper o boqueio das For\u00e7as de Defesa de Israel (ileg\u00edtimo mesmo para o direito burgu\u00eas) em \u00e1guas internacionais, com o objetivo de levar ajuda humanit\u00e1ria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Gaza;&nbsp; esse impulso teve o efeito de um contagio global, quando o apoio \u00e0 heroica Resist\u00eancia do povo palestino encheu as pra\u00e7as ao redor do mundo; mas, sobretudo, havia o ingrediente mais importante: a unidade de a\u00e7\u00e3o, obtida quando colocaram de lado os dirigentes sindicais e pol\u00edticos, geralmente empenhados a fragmentar e enfraquecer as lutas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim o dia 22 de setembro de 2025, quando a tentativa fracassada de boicote da burocracia da CGIL, que chamou uma greve rid\u00edcula de 4 horas tr\u00eas dias antes, n\u00e3o conseguiu abalar a greve geral unit\u00e1ria de todos os sindicatos de base, que naquele dia levaram as massas para as ruas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim em 3 de outubro de 2025, quando a press\u00e3o de muitos ativistas e sindicalizados da CGIL for\u00e7ou o maior sindicato da It\u00e1lia a chamar a greve geral junto com os sindicatos de base: a maior greve dos \u00faltimos 40 anos, um pa\u00eds inteiro paralisado.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim em 4 de outubro, dia da manifesta\u00e7\u00e3o nacional pela Palestina: um milh\u00e3o de pessoas invadiram a capital. Imagens impressionantes. \u201cFa\u00e7amos como na It\u00e1lia\u201d, clamava o mundo que olhava o nosso pa\u00eds; a despeito de quem teoriza sobre a incapacidade do proletariado italiano, ignorando uma gloriosa hist\u00f3ria de lutas oper\u00e1rias. N\u00e3o \u00e9 um erro de an\u00e1lise de boa f\u00e9, mas uma narrativa falsa, com interesses claros e consciente de quem quer diluir as responsabilidades das dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais em uma suposta onda de massas fraca e estagnada. Um \u00e1libi para a trai\u00e7\u00e3o de classe, apoiada por uma vil aus\u00eancia de responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bombeiros em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As greves e mobiliza\u00e7\u00f5es do outono de 2025 encurralaram as for\u00e7as da ordem burguesa, que, em diversas ocasi\u00f5es, se mostraram impotentes diante da for\u00e7a avassaladora das massas: a burguesia provou o amargo rem\u00e9dio da perda de controle e de seu poder de conten\u00e7\u00e3o da sociedade; o mesmo se aplica \u00e0s lideran\u00e7as sindicais, que n\u00e3o t\u00eam interesse em levar o conflito social \u00e0s suas \u00faltimas consequ\u00eancias; no m\u00e1ximo, querem us\u00e1-lo para negociar privil\u00e9gios com o Estado burgu\u00eas dentro do capitalismo. Afrouxando as correntes nos tornozelos do proletariado sem quebr\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que, em vez de surfar na onda daquela mobiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a que derrubou leis antigreve e encurralou o aparato de repress\u00e3o, o outono de 2025 tenha acabado com a fragmenta\u00e7\u00e3o e o enfraquecimento das lutas: duas greves separadas, em 28 de novembro e 12 de dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegando a este ano, ap\u00f3s a retumbante derrota do governo Meloni no referendo, nem os partidos da falsa oposi\u00e7\u00e3o burguesa nem a lideran\u00e7a da CGIL moveram um dedo para desferir um golpe que derrubasse o governo. Tivemos que esperar at\u00e9 maio (dois meses depois!) por duas greves \u201cgerais\u201d separadas (18 e 29 de maio), convocadas por sindicatos de base diferentes, e de fato, se contrapondo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outono de 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste outono, os l\u00edderes sindicais na It\u00e1lia, ao contr\u00e1rio de tentarem unificar os diversos setores para que a mobiliza\u00e7\u00e3o em curso se tornasse uma grande luta contra o governo, fazem todo o poss\u00edvel para fragmentar e enfraquecer a classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores est\u00e3o diante da perspectiva de tr\u00eas greves ditas \u201cgerais\u201d, mas separadas \u2014 repetimos, separadas! Se fossem tr\u00eas greves unificadas dentro de uma crescente onda de luta, ficar\u00edamos muito satisfeitos. Assim, o cronograma de mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 o seguinte: 30 de outubro, convocada pela USI, com a ades\u00e3o da USB, onde tamb\u00e9m se mobilizar\u00e3o estivadores, assim como trabalhadores de diversas categorias filiadas \u00e0 CUB, incluindo trabalhadores da ind\u00fastria qu\u00edmica, da borracha, do pl\u00e1stico, da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da universidade e da metalurgia; 20 de novembro, greve geral da CGIL com mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil e manifesta\u00e7\u00f5es locais (para evitar aglomera\u00e7\u00f5es que irritem o governo!); finalmente, a greve pr\u00e9-natalina de 4 de dezembro, convocada em setembro pela CUB, SGB, Si.Cobas e outros. Essa data tardia n\u00e3o ignora nem as mobiliza\u00e7\u00f5es europeias nem os protestos estudantis na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um cen\u00e1rio desanimador: diante dos ataques de empregadores, governos e imperialistas, surge uma resposta sindical fragmentada e tardia, o que levou a Frente de Luta Contra a Austeridade a convocar imediatamente uma grande greve geral unificada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que fazer?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os interesses gerais da classe trabalhadora exigem que os sindicatos unam suas lutas, organizando mobiliza\u00e7\u00f5es conjuntas para tornar as greves mais eficazes. Lembremos que essas greves custam aos trabalhadores parte de seus sal\u00e1rios j\u00e1 escassos, ao contr\u00e1rio dos burocratas oportunistas que lideram os sindicatos. Sem mencionar as centenas, sen\u00e3o milhares, de locais de trabalho com m\u00faltiplos sindicatos em greve em datas diferentes: com quem os trabalhadores devem entrar em greve? Quantas greves (pequenas e ineficazes) devem realizar?<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, mais do que nunca, no \u00e2mbito sindical, \u00e9 essencial fazer duas coisas importantes: 1) organizar a base em comit\u00eas, coletivos e \u00f3rg\u00e3os de coordena\u00e7\u00e3o separados da lideran\u00e7a burocr\u00e1tica dos sindicatos; 2) travar uma luta interna dentro dos sindicatos, exigindo que os trabalhadores ativos e as vanguardas os liderem com base em seus interesses de classe, contra quaisquer impulsos sect\u00e1rios e autorreferenciais que s\u00e3o um fim em si mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o plano sindical n\u00e3o basta: nenhuma conquista no capitalismo \u00e9 segura; os patr\u00f5es retomar\u00e3o tudo com juros assim que puderem. Precisamos de uma lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria que intervenha nas muitas lutas j\u00e1 em curso: as lutas de resist\u00eancia dos povos atacados pelo imperialismo, as lutas estudantis e as lutas pelo direito \u00e0 moradia que testemunhamos hoje na Fran\u00e7a e na Espanha, as mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis em curso na It\u00e1lia, os protestos dos camponeses, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que nos comprometemos a construir uma internacional revolucion\u00e1ria, a Liga Internacional dos Trabalhadores\/LIT-Quarta Internacional, que, intervindo nas lutas di\u00e1rias, as guiar\u00e1 rumo ao socialismo, libertando a humanidade das amarras do lucro. A Alternativa Comunista estar\u00e1 ao lado dos trabalhadores em greve, independentemente da organiza\u00e7\u00e3o que apoiam, convocando a constru\u00e7\u00e3o conjunta de greves gerais, em unidade de a\u00e7\u00e3o com os estudantes e os setores pequeno-burgueses empobrecidos (como os camponeses).<\/p>\n\n\n\n<p>Respondemos \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos com a democracia oper\u00e1ria, para que sejam os trabalhadores e estudantes que se mobilizam que tomem as decis\u00f5es sobre o que os afetam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ano ap\u00f3s o outono mais quente que a It\u00e1lia viu nos \u00faltimos 50 anos \u2013 de tal modo que deu \u00e0s massas populares em luta, com todo o m\u00e9rito, o t\u00edtulo de vanguarda europeia na luta em solidariedade ao povo palestino e a sua heroica e exemplar resist\u00eancia \u2013 hoje assistimos \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":83257,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Diego Bossi","footnotes":""},"categories":[218],"tags":[2883,516],"class_list":["post-83256","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-italia","tag-diego-bossi","tag-pdac-italia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Italia.jpg","categories_names":["It\u00e1lia"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Diego Bossi","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83256"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83256\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83259,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83256\/revisions\/83259"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}