{"id":83252,"date":"2026-10-21T20:28:10","date_gmt":"2026-10-21T20:28:10","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=83252"},"modified":"2026-10-21T20:28:12","modified_gmt":"2026-10-21T20:28:12","slug":"quem-controla-a-guerra-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/10\/21\/quem-controla-a-guerra-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Quem controla a guerra na Ucr\u00e2nia?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A conjuntura pol\u00edtica em torno da agress\u00e3o imperialista da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia \u00e9 uma das mais dram\u00e1ticas nos cinco anos de guerra de resist\u00eancia que j\u00e1 se desenrola. Trump, envolto em uma profunda crise por sua fracassada agress\u00e3o ao Ir\u00e3 e pelas sombrias perspectivas nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato, concordou por telefone com Putin em ajud\u00e1-lo a melhorar a receita com exporta\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas, justo quando a aguda crise econ\u00f4mica e o descontentamento social na R\u00fassia n\u00e3o podem ser encobertos pela recente farsa eleitoral de setembro. Justo quando a Ucr\u00e2nia vem atacando as refinarias russas, reduzindo quase pela metade sua capacidade produtiva e ocasionando uma escassez interna de gasolina em toda a R\u00fassia. Tamb\u00e9m anunciou que havia \u201csido acordado com ambas as partes um cessar-fogo contra alvos energ\u00e9ticos\u201d, ao qual o Kremlin ignorou, desferindo seis devastadores ataques \u00e0 infraestrutura energ\u00e9tica da Ucr\u00e2nia. Mesmo diante dessa evid\u00eancia, Trump assegurou que Putin realmente quer chegar a um acordo e acusou Zelensky de \u201cn\u00e3o querer a paz\u201d\u2026 Em conson\u00e2ncia com esses chantagens, h\u00e1 evid\u00eancias de que a Starlink reduziu a velocidade da internet para afetar os drones ucranianos e os sat\u00e9lites dos EUA n\u00e3o transmitiram \u00e0 Ucr\u00e2nia alertas de lan\u00e7amentos de m\u00edsseis russos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Corrente Revolu\u00e7\u00e3o Permanente\u2013Quarta Internacional (CRP-QI) em um artigo de <a href=\"https:\/\/www.izquierdadiario.es\/La-LIT-y-la-guerra-de-Ucrania-cuando-los-hechos-y-la-teoria-no-coinciden\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Parras e Pau<\/a> afirmam que na Ucr\u00e2nia <strong><em>\u00abos fatos\u00bb<\/em><\/strong> j\u00e1 n\u00e3o correspondem com a teoria: seja qual for o conte\u00fado nacional que a luta possa ter, sustentam que <strong>a guerra se encontra agora sob o \u00abcomando efetivo\u00bb da OTAN<\/strong>. Eles reconhecem por \u00faltimo que, <strong><em>em teoria<\/em><\/strong>, uma causa nacional leg\u00edtima pode persistir no \u00e2mbito de um conflito interimperialista mais amplo, desde que n\u00e3o tenha sido subordinada aos objetivos depredadores de uma pot\u00eancia imperialista rival. No entanto, a participa\u00e7\u00e3o ocidental n\u00e3o pode, por si s\u00f3, determinar <strong><em>a priori<\/em><\/strong> o car\u00e1ter da guerra na Ucr\u00e2nia. Essa <strong>subordina\u00e7\u00e3o deve ser demonstrada de maneira concreta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cOs fatos\u201d fazem explodir os \u201cesquemas campistas\u201d da CRP-QI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar pelos <strong>fatos<\/strong> atuais para que seja mais f\u00e1cil para Parras e Pau ver a realidade e n\u00e3o se guiar por preconceitos. Trump e Putin chegaram a um acordo \u2013\u201cfant\u00e1stico\u201d, segundo palavras de Trump\u2013 de exporta\u00e7\u00e3o imediata de diesel, justificando-o na necessidade urgente de baixar os pre\u00e7os mundiais do diesel e porque \u201c<em>os agricultores e transportadores dos EUA <em>tamb\u00e9m <\/em>necessitam.\u201d<\/em>\u2026 Em resumo, com este acordo de <strong>comprar da R\u00fassia<\/strong> de 5 milh\u00f5es de toneladas de diesel, <strong>os EUA est\u00e3o financiando a guerra de Putin contra a Ucr\u00e2nia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump acusou violentamente Zelensky de ser o culpado pelo aumento dos pre\u00e7os mundiais por atacar as refinarias de petr\u00f3leo em territ\u00f3rio russo e<strong><em> \u201cter ignorado seis vezes\u201d<\/em><\/strong> suas reivindica\u00e7\u00f5es de que a Ucr\u00e2nia <strong>de maneira unilateral<\/strong> pare de faz\u00ea-lo. Inclusive, Trump e depois Elon Musk foram al\u00e9m, sentenciando que a <strong><em>\u201cUcr\u00e2nia precisa trocar Zelensky por outro presidente que seja capaz de aceitar um acordo com Putin\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mundo inteiro sabe que a crise com os combust\u00edveis tem como causa o fracasso dos EUA e de Israel na guerra com o Ir\u00e3 e o bloqueio do estreito de Ormuz. E tamb\u00e9m que o <em>\u201cacordo com Putin\u201d<\/em> que Trump quer impor a Zelensky h\u00e1 dois anos<strong> \u00e9 um acordo de capitula\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia a servi\u00e7o da parti\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e do saque colonial conjunto com o Kremlin<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucas horas depois que Trump anunciou o \u201cacordo fant\u00e1stico\u201d com Putin, a Ucr\u00e2nia voltou a atacar com drones em territ\u00f3rio russo e deixou ardendo uma importante <strong>refinaria em Rostov do Don<\/strong>. Dois dias depois, apesar das maiores dificuldades com o sinal de internet para a velocidade dos drones, continuou destruindo 6 SU-34 no <strong>aer\u00f3dromo militar de Borisoglebsk<\/strong> no Sul da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Zelensky definiu o acordo Trump-Putin como <em>\u201cindigno e al\u00e9m disso reflexo da fraqueza dos EUA\u201d.<\/em> <strong>E ordenou voltar a atacar as refinarias russas que Trump prometeu <strong>a Putin<\/strong><\/strong> <strong> que iria proteger .<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As massas ucranianas consideram Trump \u2013e seu lobby familiar sionista Witkoff-Kushner\u2013 como patrocinadores de Putin e hostis \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es de independ\u00eancia nacional. E os meios de comunica\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u2013tanto em idioma russo, como ucraniano\u2013 refletem amplamente isso, chamando Trump de <em>\u201crato laranja\u201d<\/em> e <em>\u201cmarionete do Kremlin\u201d<\/em>. <strong>Esses s\u00e3o \u201cos fatos\u201d!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs fatos\u201d evidenciam n\u00e3o s\u00f3 que <strong>esta guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional da Ucr\u00e2nia n\u00e3o est\u00e1 sob o \u00abcomando efetivo\u00bb de Trump, nem dos EUA, nem da OTAN,<\/strong> da qual os EUA s\u00e3o sua principal for\u00e7a militar. Ou de quem s\u00e3o os milhares de soldados que ainda se encontram nas bases da Alemanha, It\u00e1lia, Estado Espanhol, Pol\u00f4nia e o resto da Europa?\u00a0 Al\u00e9m disso, esses fatos demonstram que a depend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o do governo da Ucr\u00e2nia ao imperialismo ocidental, <strong>n\u00e3o mudam ainda:\u00a0o car\u00e1ter da guerra em si mesma<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O rejei\u00e7\u00e3o da CRP-QI em apoiar o direito da Ucr\u00e2nia \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o remonta ao in\u00edcio da invas\u00e3o em grande escala<\/strong>, n\u00e3o ao desenvolvimento posterior das estruturas de Wiesbaden (a partir de 2022), a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nato.int\/en\/what-we-do\/partnerships-and-cooperation\/natos-support-for-ukraine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NSATU<\/a>\u00a0(2024), o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/fact-sheets\/2025\/05\/fact-sheet-president-donald-j-trump-secures-agreement-to-establish-united-states-ukraine-reconstruction-investment-fund\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acordo minerador entre os EUA e a Ucr\u00e2nia<\/a>\u00a0(2025) nem \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es de Trump com Putin (em curso desde 2025). Parras e Pau reconhecem que <em>\u00aba data n\u00e3o est\u00e1 em disputa: a invas\u00e3o russa come\u00e7ou em 24 de fevereiro de 2022\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A campanha contra as refinarias russas: uma disputa da Ucr\u00e2nia com os EUA que precede a chegada de Trump<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A disputa sobre as refinarias russas entre a Ucr\u00e2nia e os EUA se manifestou antes de Trump. Em 2024, a administra\u00e7\u00e3o de Biden pressionou Kyiv em rela\u00e7\u00e3o aos ataques contra a infraestrutura petrol\u00edfera russa, alegando riscos de escalada e efeitos nos mercados energ\u00e9ticos globais. O Departamento de Estado&nbsp;<a href=\"https:\/\/2021-2025.state.gov\/briefings\/department-press-briefing-march-26-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reiterou<\/a>&nbsp;que Washington <em>\u00abn\u00e3o incentivava nem apoiava\u00bb<\/em> os ataques ucranianos fora do territ\u00f3rio ucraniano. A vice-primeira-ministra Olha Stefanishyna&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.pravda.com.ua\/eng\/news\/2024\/03\/22\/7447666\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">respondeu<\/a>&nbsp;que as <strong>refinarias s\u00e3o alvos militares leg\u00edtimos<\/strong>: <em>\u00abEntendemos as preocupa\u00e7\u00f5es de nossos parceiros americanos. Ao mesmo tempo, precisamos aproveitar ao m\u00e1ximo as capacidades, os recursos e os m\u00e9todos dos quais dispomos\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Washington considerava os mercados mundiais de petr\u00f3leo e evitava a escalada com Moscou. Kyiv sabe que a infraestrutura de refinaria russa \u00e9 parte essencial econ\u00f4mica e log\u00edstica que sustenta a invas\u00e3o. A Ucr\u00e2nia realizou esses ataques cada vez mais com <strong>sistemas de longo alcance de produ\u00e7\u00e3o nacional <\/strong>\u00a0(m\u00edsseis Flamingo e drones), o que lhe permitiu agir sem as restri\u00e7\u00f5es associadas \u00e0s armas americanas. A produ\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o eliminou a depend\u00eancia, mas <strong>ampliou o \u00e2mbito<\/strong> em que Kyiv pode perseguir objetivos militares aos quais Washington se opunha e se op\u00f5e.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito continuou sob o mandato de Trump. O\u00a0<em>Financial Times<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/adb80fa3-b54a-4b3d-8ed2-0ebe55a5e05e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">informou<\/a>\u00a0em setembro de 2026 que <strong>Trump pressionou Zelensky<\/strong> para que parasse os ataques contra as refinarias russas, citando seu efeito sobre o fornecimento de diesel. Trump afirmou que havia sido alcan\u00e7ado um acordo. Os funcion\u00e1rios ucranianos negaram, enquanto Zelensky continuou defendendo os ataques como um meio de press\u00e3o sobre a R\u00fassia. A import\u00e2ncia n\u00e3o reside simplesmente no fato de que Kyiv \u00abdesobedeceu\u00bb a Washington.\u00a0<strong>Washington buscou e busca limitar uma t\u00e1tica que serve aos objetivos militares ucranianos <\/strong>para priorizar os interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos dos Estados Unidos.<strong> No entanto, apesar das chantagens, a Ucr\u00e2nia at\u00e9 agora manteve a capacidade independente suficiente para continuar aplicando-a. <\/strong>Kyiv desenvolveu capacidades que lhe permitem operar \u00e0 margem de algumas dessas restri\u00e7\u00f5es. Tudo isso levanta a quest\u00e3o:\u00a0<strong>A enorme influ\u00eancia material de Washington se tornou realmente um controle pol\u00edtico e estrat\u00e9gico absoluto da guerra na Ucr\u00e2nia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Kursk (2024), Opera\u00e7\u00e3o \u201cSpiderweb\u201d (2025) e a base material em mudan\u00e7a da a\u00e7\u00e3o ucraniana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ofensiva de Kursk de agosto de 2024 acentuou ainda mais a contradi\u00e7\u00e3o com os EUA. Kursk \u00e9 territ\u00f3rio russo reconhecido internacionalmente, situado imediatamente ao norte da regi\u00e3o ucraniana de Sumy; portanto, as for\u00e7as ucranianas n\u00e3o estavam atacando tropas russas na Ucr\u00e2nia ocupada, mas cruzaram a fronteira internacional e se apoderaram de territ\u00f3rio dentro da pr\u00f3pria R\u00fassia. No entanto, <strong>Kyiv n\u00e3o forneceu a Washington o plano operacional com anteced\u00eancia<\/strong>. Os funcion\u00e1rios americanos ainda tentavam compreender o prop\u00f3sito da opera\u00e7\u00e3o depois que esta havia come\u00e7ado. <em>\u00abTalvez eles tenham um plano, mas n\u00e3o est\u00e3o compartilhando conosco\u00bb<\/em>, declarou um funcion\u00e1rio americano ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/national-security\/2024\/08\/23\/ukraine-kursk-offensive-russia-weapons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Washington Post<\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O secretismo n\u00e3o surgiu do nada. A coopera\u00e7\u00e3o extraordinariamente estreita de 2022\u201323 tamb\u00e9m havia colocado em evid\u00eancia uma vulnerabilidade para Kyiv: <strong>a informa\u00e7\u00e3o compartilhada com Washington n\u00e3o era necessariamente mantida em segredo<\/strong>. As vazamentos do Discord de 2023 revelaram informa\u00e7\u00f5es ucranianas sens\u00edveis do ponto de vista operacional, incluindo vulnerabilidades na defesa a\u00e9rea e detalhes sobre brigadas que se preparavam para a contraofensiva. Antes da visita de Zelensky a Washington em setembro de 2023, segundo relatos, um assessor o advertiu: <em>\u00abN\u00e3o compartilhe nada com Biden que n\u00e3o queira que apare\u00e7a na primeira p\u00e1gina\u00bb<\/em>. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/national-security\/2023\/12\/13\/ukraine-war-discord-leaks\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Washington Post<\/em><\/a>&nbsp;descreveu que os vazamentos geraram s\u00e9rias d\u00favidas na Ucr\u00e2nia sobre a capacidade de Washington para proteger os segredos militares. Portanto, ap\u00f3s os desentendimentos estrat\u00e9gicos em torno da contraofensiva de 2023, Kyiv tinha raz\u00f5es tanto operacionais quanto pol\u00edticas para restringir o que compartilhava.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m havia mudado algo mais: <strong>A\u00a0Ucr\u00e2nia estava desenvolvendo uma base material para agir \u00e0 margem de algumas das restri\u00e7\u00f5es associadas \u00e0s armas fornecidas pelo Ocidente.<\/strong>\u00a0No in\u00edcio da invas\u00e3o em grande escala, sua ind\u00fastria nacional de drones era insignificante. No in\u00edcio de 2024, o governo ucraniano informou que o n\u00famero de fabricantes de drones havia aumentado de\u00a0<strong>sete para cerca de 200<\/strong>, enquanto as compras estatais de drones ucranianos em 2023 j\u00e1 eram cem vezes superiores ao n\u00edvel de 2022. No final de 2024, o\u00a0<a href=\"https:\/\/mod.gov.ua\/en\/news\/rustem-umerov-ukrainian-made-drones-constituted-96-2-of-all-ua-vs-supplied-to-the-defence-forces-in-2024\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Minist\u00e9rio da Defesa<\/a> informou que\u00a0<strong>96,2% dos drones UAV fornecidos \u00e0s for\u00e7as ucranianas eram de produ\u00e7\u00e3o nacional<\/strong>, incluindo mais de\u00a0<strong>1,5 milh\u00f5es de drones FPV<\/strong>, assim como sistemas de reconhecimento, ataque e ataque profundo de longo alcance. Zelensky estimou a capacidade de produ\u00e7\u00e3o anual da Ucr\u00e2nia em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.president.gov.ua\/en\/news\/zavdyaki-oboronnim-industriyam-ukrayina-maye-stati-odnim-iz-93617\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4 milh\u00f5es de drones<\/a>\u00a0para outubro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Isso n\u00e3o tornou a Ucr\u00e2nia autossuficiente militarmente<\/strong>, nem eliminou a depend\u00eancia da defesa a\u00e9rea, da muni\u00e7\u00e3o, da intelig\u00eancia, do financiamento, dos componentes ou de outros sistemas de armas ocidentais. Mas&nbsp;<strong>mudou a composi\u00e7\u00e3o dessa depend\u00eancia<\/strong>. Uma capacidade produzida dentro da Ucr\u00e2nia <strong>n\u00e3o estava sujeita \u00e0s mesmas restri\u00e7\u00f5es <\/strong>geogr\u00e1ficas que Washington impunha a um m\u00edssil americano ou a um pacote de intelig\u00eancia. Portanto, a produ\u00e7\u00e3o nacional ampliou, de maneira desigual e em \u00e1reas espec\u00edficas, o \u00e2mbito material dentro do qual os comandantes ucranianos podiam perseguir objetivos que Washington n\u00e3o havia autorizado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Kursk deve ser entendido no contexto dessa rela\u00e7\u00e3o em mudan\u00e7a<\/strong>. A opera\u00e7\u00e3o continuava dependendo de um ex\u00e9rcito profundamente dependente do material ocidental e, portanto, n\u00e3o pode ser atribu\u00edda simplesmente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o ucraniana de drones. Mas seu secretismo e execu\u00e7\u00e3o demonstram que <strong>Kyiv p\u00f4de formular uma opera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de grande envergadura dentro da R\u00fassia sem a aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dos Estados Unidos<\/strong>, enquanto suas crescentes capacidades nacionais reduziam gradualmente a capacidade de Washington de definir os limites m\u00e1ximos de cada opera\u00e7\u00e3o ucraniana.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.janes.com\/defence-intelligence-insights\/defence-and-national-security-analysis\/operation-spiderweb-ukraine-covert-drone-strike-inside-russia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Opera\u00e7\u00e3o Spiderweb<\/a>, em junho de 2025, torna a conex\u00e3o muito mais direta. A Ucr\u00e2nia dedicou aproximadamente&nbsp;<strong>dezoito meses<\/strong>&nbsp;para preparar um ataque clandestino <strong>contra bases estrat\u00e9gicas de avia\u00e7\u00e3o russas<\/strong>, introduzindo contrabando drones projetados especificamente para esse fim dentro da R\u00fassia e lan\u00e7ando&nbsp;<strong>117 drones FPV<\/strong>&nbsp;de cont\u00eaineres ocultos perto dos alvos. A opera\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou aer\u00f3dromos situados a milhares de quil\u00f4metros do territ\u00f3rio controlado pela Ucr\u00e2nia. \u00c9 fundamental ressaltar que, posteriormente, Zelensky&nbsp;<a href=\"https:\/\/kyivindependent.com\/zelensky-ukraine-intended-to-use-only-domestic-weapons-in-operation-spiderweb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">confirmou<\/a>&nbsp;que o Servi\u00e7o de Seguran\u00e7a da Ucr\u00e2nia, SBU, havia utilizado&nbsp;<strong>exclusivamente drones de produ\u00e7\u00e3o nacional e nenhum equipamento proveniente do imperialismo<\/strong>. Ele explicou a escolha com uma clareza incomum: <em>\u00abEu estava muito ansioso para usar apenas o que produzimos e que a separa\u00e7\u00e3o [fosse] muito clara\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa declara\u00e7\u00e3o une os aspectos materiais e pol\u00edticos do argumento. A opera\u00e7\u00e3o \u201cSpiderweb\u201d n\u00e3o foi poss\u00edvel porque a Ucr\u00e2nia teria se liberado da depend\u00eancia do imperialismo ocidental. <strong>N\u00e3o foi assim<\/strong>. Foi poss\u00edvel porque o r\u00e1pido desenvolvimento de um setor da produ\u00e7\u00e3o militar ucraniana criou&nbsp;<strong>um \u00e2mbito de a\u00e7\u00e3o espec\u00edfico menos sujeito ao controle ocidental<\/strong>. Os Estados Unidos podiam e podem impor um \u201cmarco\u201d geogr\u00e1fico em torno da intelig\u00eancia, dos dados satelitais ou das armas fornecidas. Mas n\u00e3o podiam impor esse mesmo marco a uma opera\u00e7\u00e3o projetada pela Ucr\u00e2nia e realizada com drones de fabrica\u00e7\u00e3o ucraniana que n\u00e3o controlavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso o crescimento da ind\u00fastria militar da Ucr\u00e2nia n\u00e3o deve ser descrito simplesmente como uma redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia.&nbsp;<strong>Reestrutura a depend\u00eancia.<\/strong>&nbsp;A Ucr\u00e2nia continua dependendo profundamente do capital, dos componentes, da intelig\u00eancia e dos principais sistemas de armas ocidentais, embora a produ\u00e7\u00e3o nacional lhe ofere\u00e7a maior margem de manobra em \u00e1reas espec\u00edficas. O resultado n\u00e3o \u00e9 a autonomia militar nacional, mas uma <strong>rela\u00e7\u00e3o mais contradit\u00f3ria<\/strong> na qual algumas formas de depend\u00eancia se aprofundam, enquanto <strong>certas capacidades ucranianas ampliam o leque de op\u00e7\u00f5es militares dispon\u00edveis fora do controle direto do imperialismo ocidental.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fato mais relevante: por que a guerra ainda n\u00e3o terminou<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um fato mais relevante do que qualquer um desses epis\u00f3dios individuais.\u00a0Os Estados Unidos t\u00eam uma enorme influ\u00eancia sobre a Ucr\u00e2nia<strong>, mas n\u00e3o conseguiram determinar quando, nem em quais termos territoriais a guerra terminar\u00e1.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trump assumiu o cargo prometendo um acordo quase imediato para p\u00f4r fim \u00e0 guerra. Ap\u00f3s voltar ao poder, sua administra\u00e7\u00e3o fez de um acordo negociando um objetivo central e utilizou a influ\u00eancia americana sobre a assist\u00eancia militar para pressionar Kyiv a fim de que iniciasse negocia\u00e7\u00f5es. A contradi\u00e7\u00e3o se tornou particularmente evidente em torno da <strong>c\u00fapula de agosto de 2025 entre Trump e Putin no Alasca<\/strong>. O\u00a0<em>Financial Times<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/6f40b8f5-32d2-4ed8-b43e-bcb055df6309\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">informou<\/a>\u00a0que Putin prop\u00f4s um cessar-fogo <strong>se a Ucr\u00e2nia se retirasse das \u00e1reas restantes de Donetsk que ainda controlava.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trump transmitiu esses termos. <\/strong>Mas <a href=\"https:\/\/www.pravda.com.ua\/eng\/news\/2025\/08\/16\/7526497\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Zelensky<\/strong> \u2013refletindo a opini\u00e3o majorit\u00e1ria das massas\u2013<strong> se recusou a<\/strong><\/a><strong>\u00a0ceder territ\u00f3rio que a R\u00fassia n\u00e3o havia conquistado. <\/strong> A disputa evidenciou uma<strong> diferen\u00e7a fundamental: que perda territorial poderia ser aceita para p\u00f4r fim \u00e0 guerra.<\/strong> N\u00e3o se trata de um desacordo secund\u00e1rio sobre t\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da constante tortura, uma parte substancial da sociedade ucraniana continua rejeitando uma entrega de territ\u00f3rio que a R\u00fassia n\u00e3o conseguiu conquistar. Uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.kiis.com.ua\/?cat=reports&amp;id=1626&amp;lang=eng&amp;page=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisa do KIIS<\/a>&nbsp;realizada entre julho e agosto de 2026 revelou que&nbsp;<strong>60%<\/strong> considerava categoricamente<strong> inaceit\u00e1vel a retirada do resto do Donb\u00e1ss sob controle ucraniano, mesmo em troca de garantias de seguran\u00e7a dos Estados Unidos e da Europa.<\/strong> Enquanto&nbsp;<strong>61%<\/strong> afirmou estar<strong> disposto a suportar a guerra \u201ctodo o tempo que for necess\u00e1rio\u201d<\/strong>. O cansa\u00e7o e as dificuldades para o recrutamento n\u00e3o equivalem automaticamente \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de uma capitula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ucr\u00e2nia n\u00e3o se limita a implementar uma \u201cestrat\u00e9gia de guerra americana\u201d. N\u00e3o se trata de um ato isolado de desacordo militar.&nbsp;<strong>A evid\u00eancia:<\/strong> <strong>Washington tem buscado p\u00f4r fim \u00e0 guerra em termos territoriais. A Ucr\u00e2nia se negou at\u00e9 agora e a guerra continua.<\/strong>&nbsp;A depend\u00eancia material e satelital da Ucr\u00e2nia d\u00e1 a Washington meios poderosos para vencer sua rejei\u00e7\u00e3o. Mas o objetivo pol\u00edtico pelo qual os ucranianos continuam lutando \u2014<strong>a defesa do territ\u00f3rio e da soberania nacional<\/strong>\u2014 colide com o objetivo de Washington, que tem demonstrado repetidamente estar disposto a desconsiderar precisamente essa <strong>soberania<\/strong> com o fim de alcan\u00e7ar um acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m esclarece <strong>o que constituiria e o que n\u00e3o constituiria uma mudan\u00e7a qualitativa na guerra<\/strong>. Se Washington finalmente usar a depend\u00eancia da Ucr\u00e2nia para <strong>impor um acordo ao qual Kyiv se op\u00f4s<\/strong>, isso n\u00e3o demonstraria retroativamente que a guerra anterior teria sido uma guerra \u201cproxi\u201d ou por poder dos Estados Unidos. Em vez disso, poderia marcar\u00a0<strong>uma derrota ucraniana<\/strong>: um pa\u00eds dependente obrigado a aceitar perdas territoriais quando se retiraram ou se esgotaram as condi\u00e7\u00f5es materiais para continuar sua resist\u00eancia. \u00a1Mas n\u00e3o se apressem os amantes dos epit\u00e1fios! <strong>A guerra continua e a resist\u00eancia armada do povo ucraniano persiste.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A compara\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 e as incoer\u00eancias da CRP-QI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mesma corrente internacional, CRP-QI adota uma <strong>abordagem diferente<\/strong> quando um pa\u00eds oprimido enfrenta uma agress\u00e3o direta dos Estados Unidos ou de Israel. O Ir\u00e3 n\u00e3o entrou repentinamente em um conflito geopol\u00edtico com os Estados Unidos e Israel em 2026. Durante d\u00e9cadas, havia enfrentado san\u00e7\u00f5es, press\u00e3o econ\u00f4mica, opera\u00e7\u00f5es encobertas, ataques israelenses e confrontos militares recorrentes. No entanto, quando os Estados Unidos e Israel lan\u00e7aram sua campanha coordenada de bombardeios em 28 de fevereiro de 2026, a CRP-QI n\u00e3o reduziu esse evento \u00e0 hist\u00f3ria mais ampla da rivalidade entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3. Em sua\u00a0<a href=\"https:\/\/www.izquierdadiario.es\/Por-la-derrota-de-Estados-Unidos-e-Israel-Abajo-la-guerra-imperialista-de-Trump-y-Netanyahu-contra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">declara\u00e7\u00e3o de 2 de mar\u00e7o<\/a>, qualificou o ataque como uma <em>\u00abguerra de agress\u00e3o imperialista\u00bb<\/em> e uma <em>\u00abmudan\u00e7a de estrat\u00e9gia\u00bb<\/em> por parte de Trump, chamou \u00e0 derrota dos agressores imperialistas e defendeu o direito do Ir\u00e3 de resistir, ao mesmo tempo em que mantinha sua independ\u00eancia pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao seu regime reacion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O contraste com a Ucr\u00e2nia \u00e9 surpreendente<\/strong>. No caso iraniano, uma longa hist\u00f3ria de rivalidade geopol\u00edtica e press\u00e3o imperialista n\u00e3o impede que o CRP-QI reconhe\u00e7a a agress\u00e3o militar direta como uma mudan\u00e7a qualitativa que coloca em jogo a <strong>defesa nacional de um pa\u00eds oprimido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma segunda contradi\u00e7\u00e3o. <strong>Ir\u00e3<\/strong>, assim como a Ucr\u00e2nia, <strong>n\u00e3o luta em isolamento geopol\u00edtico<\/strong>. Recebe assist\u00eancia material, tecnol\u00f3gica e de intelig\u00eancia de Estados que o pr\u00f3prio CRP-QI considera capitalistas e imperialistas. Os componentes da <strong>China<\/strong> de duplo uso e os servi\u00e7os de sat\u00e9lites comerciais contribu\u00edram para as capacidades iranianas, enquanto a coopera\u00e7\u00e3o militar-t\u00e9cnica e de intelig\u00eancia da <strong>R\u00fassia<\/strong> tem sido ainda mais substancial. No entanto, o CRP-QI n\u00e3o deduz dessa assist\u00eancia que a resist\u00eancia iraniana seja, portanto, uma guerra \u201cproxi ou por poder da R\u00fassia ou China. Nem deveria faz\u00ea-lo. <strong>A quest\u00e3o \u00e9 se a luta nacional se subordinou<\/strong> realmente aos objetivos pol\u00edticos e militares das pot\u00eancias que oferecem assist\u00eancia, algo que deve ser estabelecido atrav\u00e9s do desenvolvimento concreto da guerra e n\u00e3o deduzido da mera exist\u00eancia de assist\u00eancia estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 lhes apresenta, portanto, o problema da Ucr\u00e2nia por partida dupla.\u00a0<strong>Um conflito geopol\u00edtico prolongado n\u00e3o impede que a agress\u00e3o imperialista direta produza uma transforma\u00e7\u00e3o qualitativa e plante uma guerra nacional de defesa. Tampouco a ajuda de pot\u00eancias imperialistas rivais, por si s\u00f3, anula o conte\u00fado nacional independente dessa guerra.<\/strong>\u00a0As lutas nacionais com frequ\u00eancia se desenvolvem em meio a conflitos entre pot\u00eancias maiores, as quais interv\u00eam para seus pr\u00f3prios fins, limitam as op\u00e7\u00f5es do pa\u00eds oprimido e buscam uma contrapartida pol\u00edtica ou econ\u00f4mica em troca. Essas contradi\u00e7\u00f5es devem ser superadas por meio da luta, n\u00e3o utilizadas para dissolver a luta nacional desde o princ\u00edpio. <strong>Se a ajuda chinesa e russa n\u00e3o determina por si s\u00f3 o car\u00e1ter da resist\u00eancia iraniana, a ajuda americana e europeia tamb\u00e9m n\u00e3o pode determinar o caso ucraniano<\/strong>. O mesmo crit\u00e9rio de\u00a0<strong>subordina\u00e7\u00e3o real<\/strong>\u00a0deve ser colocado \u00e0 prova diante dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As poss\u00edveis perspectivas n\u00e3o mudam o car\u00e1ter da guerra atual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos descartar uma futura guerra direta entre a OTAN e a R\u00fassia. Vemos como crescem cada vez mais as provoca\u00e7\u00f5es da R\u00fassia com drones sobre territ\u00f3rios da Litu\u00e2nia, Pol\u00f4nia, Alemanha, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria e Mold\u00e1via. A R\u00fassia analisa uma escalada do conflito em outras partes da Europa. Essa amea\u00e7a existe. <strong>Se as pr\u00f3prias pot\u00eancias imperialistas se tornassem beligerantes<\/strong> e a Ucr\u00e2nia passasse a ser o territ\u00f3rio atrav\u00e9s do qual a OTAN lutaria contra a R\u00fassia, com as for\u00e7as ucranianas subordinadas aos objetivos estrat\u00e9gicos determinados por essa guerra interimperialista,\u00a0<strong>teria que reavaliar o car\u00e1ter do conflito<\/strong>. Mas isso <strong>constituiria uma transforma\u00e7\u00e3o qualitativa da guerra atual.<\/strong> E n\u00e3o uma descri\u00e7\u00e3o que possa ser projetada para tr\u00e1s a partir do n\u00edvel atual de ajuda ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoje a guerra da Ucr\u00e2nia \u00e9 uma guerra de defesa nacional, <\/strong>dependente, cuja margem de a\u00e7\u00e3o independente \u00e9 estreita, desigual e continuamente disputada. Mas os <strong>objetivos pol\u00edticos e militares da Ucr\u00e2nia ainda n\u00e3o foram deslocados<\/strong> pelos das pot\u00eancias imperialistas. Portanto, os fatos demonstram uma rela\u00e7\u00e3o mais dial\u00e9tica do que sugere a categoria de <strong>\u00abcomando efetivo\u00bb<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Washington controla recursos cruciais e pode impor limites severos ao seu uso. A OTAN construiu uma arquitetura institucional em torno da ajuda militar \u00e0 Ucr\u00e2nia. No entanto, <strong>os comandantes ucranianos rejeitaram as atribui\u00e7\u00f5es de for\u00e7as, os tempos e as t\u00e1ticas americanas.<\/strong> A Ucr\u00e2nia continuou com ataques aos quais Washington se op\u00f4s e lan\u00e7ou opera\u00e7\u00f5es importantes que Washington nem planejou nem conhecia. E, o mais importante, <strong>Kyiv resistiu a uma tentativa americana de p\u00f4r fim \u00e0 guerra por meio de concess\u00f5es territoriais que considera incompat\u00edveis com a defesa do pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estabelecemos o car\u00e1ter da guerra na Ucr\u00e2nia, -e tamb\u00e9m no Ir\u00e3-, como uma <strong>guerra \u00abjusta\u00bb travada pelo povo ucraniano contra uma agress\u00e3o imperialista. Isso determina que, os revolucion\u00e1rios, temos que apoi\u00e1-la com o fim de derrotar a pot\u00eancia invasora. <\/strong>Embora n\u00e3o determine, por si s\u00f3, <strong>a pol\u00edtica<\/strong> que os revolucion\u00e1rios devemos seguir a respeito. E essa pol\u00edtica se define incorporando: a depend\u00eancia da Ucr\u00e2nia, que levanta quest\u00f5es muito dif\u00edceis sobre a ajuda militar, o rearmamento europeu, o car\u00e1ter do governo de Zelensky e a crescente desconfian\u00e7a das massas nele, a penetra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a permanente chantagem ocidental, assim como a crescente consci\u00eancia entre as massas sobre o nefasto papel de Trump como aliado de Putin e a necessidade da organiza\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora ucraniana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conjuntura pol\u00edtica em torno da agress\u00e3o imperialista da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia \u00e9 uma das mais dram\u00e1ticas nos cinco anos de guerra de resist\u00eancia que j\u00e1 se desenrola. 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