{"id":83186,"date":"2026-10-07T02:30:52","date_gmt":"2026-10-07T02:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=83186"},"modified":"2026-10-07T02:31:11","modified_gmt":"2026-10-07T02:31:11","slug":"7-de-outubro-de-2023-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/10\/07\/7-de-outubro-de-2023-2026\/","title":{"rendered":"7 de outubro de 2023 &#8211; 2026"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A maior opera\u00e7\u00e3o b\u00e9lica em territ\u00f3rio ocupado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00abDepois que a Comuna de Paris foi afogada em sangue e os canalhas reacion\u00e1rios de todo o mundo arrastaram sua bandeira pela lama da difama\u00e7\u00e3o e da cal\u00fania, n\u00e3o foram poucos os filisteus democratas que, somando-se \u00e0 rea\u00e7\u00e3o, caluniaram os comunardos pela execu\u00e7\u00e3o de sessenta e quatro ref\u00e9ns, encabe\u00e7ados pelo arcebispo de Paris. Marx n\u00e3o hesitou nem por um instante em defender esse ato sangrento da Comuna\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><em>(Lev Trotsky, Sua moral e a nossa, 1938)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 dando muito o que falar o filme de dois \u00abisraelenses\u00bb, <em>Naza<\/em> (que lota as salas de cinema), que documenta, por meio dos depoimentos de militares sionistas envolvidos no massacre, os horrores cometidos em Gaza: atrocidades que, por outro lado, j\u00e1 haviam sido testemunhadas, sem receber a mesma aten\u00e7\u00e3o, por dezenas de jornalistas (especialmente palestinos) assassinados pelos franco-atiradores da entidade racista.<\/p>\n\n\n\n<p>A direita no governo da It\u00e1lia responde convidando as pessoas a assistir \u00e0 \u00faltima temporada da s\u00e9rie israelense da Netflix Fauda: pura propaganda sionista que, invertendo os fatos, mostra o 7 de outubro do ponto de vista dos militares e agentes dos servi\u00e7os \u00abisraelenses\u00bb, apresentados como \u00abv\u00edtimas\u00bb, enquanto os combatentes palestinos aparecem como feras sanguin\u00e1rias, fan\u00e1ticos degoladores de pobres civis inocentes.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a \u00abdefesa\u00bb dos palestinos por parte dos intelectuais de centro-esquerda que se preparam para a altern\u00e2ncia burguesa (Movimento Cinco Estrelas e PD) \u00e9 dessas que se abriria m\u00e3o de bom grado. Ela se concentra inteiramente em uma falsifica\u00e7\u00e3o total da hist\u00f3ria e da atualidade. Personagens como os jornalistas Formigli, Michele Santoro ou os sionistas cr\u00edticos Gad Lerner e Travaglio condenam a viol\u00eancia \u00abde um lado e do outro\u00bb, a dos \u00abterroristas palestinos\u00bb (\u00e9 assim que os chamam), assim como a de Netanyahu (acusam apenas o governo de turno, protegendo dessa forma a entidade sionista como tal).<\/p>\n\n\n\n<p>Marco Travaglio, diretor do Il Fatto Quotidiano e refer\u00eancia intelectual dos integrantes do Movimento 5 Estrelas, j\u00e1 autor de um livro sobre a Palestina que se apresenta como uma reconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria (1), mas no qual justamente falta a hist\u00f3ria (a verdadeira), depois de ter questionado durante muito tempo, em seus editoriais, o uso do termo \u00abgenoc\u00eddio\u00bb (enquanto os cad\u00e1veres de palestinos enchiam as valas em Gaza), h\u00e1 tempos repete que a culpa original de tudo isso recai sobre os \u00e1rabes, que n\u00e3o teriam aceitado de bom grado a partilha da Palestina realizada em 1948 pela ONU (por mandato do imperialismo, desejoso de ter sua pr\u00f3pria base militar em uma zona crucial, acrescentamos n\u00f3s).<\/p>\n\n\n\n<p>Setores inteiros do PD (come\u00e7ando pela oximor\u00f4nica \u00abEsquerda por Israel\u00bb, do PD) v\u00e3o al\u00e9m e invocam, junto com a direita no governo, a lei e a ordem, intimidados pelo grandioso movimento que tomou as pra\u00e7as italianas no outono passado e convencidos de que podem evitar uma retomada das mobiliza\u00e7\u00f5es com a amea\u00e7a repressiva. Por isso, valorizam o decreto sobre o \u00abantissemitismo\u00bb apresentado pelo governo, que, redigido por racistas, netos de Mussolini, equipara o antissionismo (que, por defini\u00e7\u00e3o, implica antirracismo) ao racismo antissemita, como se o chamado Estado judeu fosse responsabilidade de todos os judeus (quando, ao contr\u00e1rio, um n\u00famero cada vez maior de judeus no mundo n\u00e3o apoia esse monstro).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o Movimento Cinco Estrelas, decidido a se apresentar nesta fase como mais \u00e0 esquerda que o PD em diversos temas, rejeita o decreto, fingindo esquecer que se trata da en\u00e9sima medida repressiva na linha das promulgadas pelo centro-esquerda (incluindo eles pr\u00f3prios) quando estava no governo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o vale a pena nos estendermos, pelo menos para nossos leitores, sobre essa \u00abesquerda\u00bb \u2014 como \u00e9 chamada pela imprensa \u2014, que apenas se prepara para voltar ao governo com o objetivo de aplicar pol\u00edticas antitrabalhadores, tal como j\u00e1 fez em todas as suas experi\u00eancias anteriores de governo. Preferimos nos ocupar aqui da esquerda reformista e das organiza\u00e7\u00f5es que se situam \u00e0 sua esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A hipocrisia da \u00absolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u00bb<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo dessa corrente pol\u00edtica \u00e9 a Rifondazione Comunista, nas duas fac\u00e7\u00f5es que se separaram do que resta desse partido. As duas dire\u00e7\u00f5es est\u00e3o divididas sobre qual \u00e9 o melhor caminho para voltar a se alinhar com o centro-esquerda: capitular diretamente, como prop\u00f5e Acerbo, ou tentar acumular for\u00e7a de negocia\u00e7\u00e3o apresentando-se, por enquanto, como algo diferente do centro-esquerda, como prop\u00f5e Paolo Ferrero (ex-ministro de um dos piores governos antitrabalhadores das \u00faltimas d\u00e9cadas, o de Prodi).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora divididos quanto \u00e0 t\u00e1tica, os dois setores compartilham, no entanto, a mesma posi\u00e7\u00e3o sobre a Palestina: \u00abdois povos, dois Estados\u00bb, isto \u00e9, a proposta que qualquer pessoa que conhe\u00e7a, ainda que superficialmente, a chamada \u00abquest\u00e3o palestina\u00bb considera (se for honesta) enganosa, porque implica aceitar a ocupa\u00e7\u00e3o sionista de grande parte da Palestina, com exce\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ocupados em 1967 (essencialmente a Faixa de Gaza e a Cisjord\u00e2nia), que seriam generosamente deixados aos palestinos para criar um miniestado, sem continuidade territorial, sem direito ao retorno \u00e0s suas terras para milh\u00f5es de palestinos, ignorando os quase dois milh\u00f5es de palestinos que vivem em condi\u00e7\u00f5es de apartheid dentro de \u00abIsrael\u00bb. Uma proposta que parte de um suposto \u00abdireito de existir\u00bb da col\u00f4nia \u00abIsrael\u00bb (como sustenta a grande maioria do reformismo mundial, da Rifondazione Comunista ao Syriza, passando pelo Die Linke). Uma proposta apoiada por muitos governos imperialistas (como o do \u00abprogressista\u00bb S\u00e1nchez no Estado espanhol, hoje empenhado em enfrentar grandes mobiliza\u00e7\u00f5es), precisamente porque h\u00e1 d\u00e9cadas n\u00e3o passa de uma miragem prometida aos palestinos, revendida pelas for\u00e7as capitalistas como a atual Autoridade Nacional Palestina colaboracionista (e antes pela Al Fatah de Arafat), cuja \u00fanica fun\u00e7\u00e3o \u00e9 manter os palestinos sob controle e que, al\u00e9m de ser uma proposta baseada na injusti\u00e7a, nem sequer \u00e9 contemplada pelo sionismo em todas as suas correntes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pap e o substituto reformista do \u00abEstado binacional\u00bb<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como, nestes tempos, diante do desastre do capitalismo (guerras, mis\u00e9ria, destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente) e da impot\u00eancia do reformismo, que semeia ilus\u00f5es sobre a possibilidade de governar de outra maneira um sistema irreform\u00e1vel, apresentar-se como \u00abreformistas\u00bb n\u00e3o conta com apoio, sobretudo entre aquela que foi corretamente definida como a \u00abgera\u00e7\u00e3o Gaza\u00bb (e que est\u00e1 ocupando as pra\u00e7as neste momento inclusive na Fran\u00e7a), h\u00e1 quem tente abrir espa\u00e7o aparentando estar mais \u00e0 esquerda. \u00c9 o caso do Potere al Popolo (PaP) e de seu acionista majorit\u00e1rio, a neostalinista Rete dei Comunisti.<\/p>\n\n\n\n<p>Por aqui n\u00e3o se fala da \u00absolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u00bb, sabendo que ela tem pouca credibilidade entre aqueles que se mobilizam pela Palestina. E, com raz\u00e3o, tamb\u00e9m se rejeita realizar o ritual da \u00abcondena\u00e7\u00e3o do 7 de outubro\u00bb. No entanto, a perspectiva apresentada \u00e9 a \u00absolu\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 Estado\u00bb, ou Estado binacional. Uma perspectiva que parte de uma den\u00fancia correta da fraude dos \u00abdois Estados\u00bb, mas que (em suas variantes) (2) reconhece de fato um suposto \u00abdireito de existir\u00bb nessa terra \u00e0queles que a colonizaram, estendendo o direito \u00e0 \u00abautodetermina\u00e7\u00e3o\u00bb n\u00e3o apenas aos palestinos (povo oprimido), mas tamb\u00e9m aos judeus \u00abisraelenses\u00bb (que, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o s\u00e3o um povo oprimido), confundindo a defesa leninista da \u00abautodetermina\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos\u00bb com a concep\u00e7\u00e3o liberal da autodetermina\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o distingue entre povos oprimidos e povos opressores).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma perspectiva t\u00e3o invi\u00e1vel quanto a dos \u00abdois Estados\u00bb, j\u00e1 que ignora a necessidade de acabar completamente com a coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina, separa a quest\u00e3o nacional da socialista e de uma perspectiva internacionalista para o Oriente M\u00e9dio que derrote o conjunto dos regimes reacion\u00e1rios da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem falar do contexto em que essa posi\u00e7\u00e3o se insere: alinhar-se, em nome do \u00abmultipolarismo\u00bb, com alguns imperialismos (China e R\u00fassia) contra os imperialismos considerados piores (EUA, \u00abOcidente\u00bb). Chegando inclusive a ignorar, com certo constrangimento, o fato de que a China (considerada um imperialismo melhor e prefer\u00edvel, ou at\u00e9 mesmo um modelo de \u00absocialismo de tipo chin\u00eas\u00bb) \u00e9 o principal fornecedor comercial de \u00abIsrael\u00bb e inclusive aumentou suas exporta\u00e7\u00f5es durante o massacre de Gaza (3) e continuou fornecendo aos sionistas os drones da Autel Robotics, utilizados contra os palestinos (e contra a Flotilha).<\/p>\n\n\n\n<p>Com pequenas nuances, o conjunto dessas posi\u00e7\u00f5es parte do reconhecimento das resolu\u00e7\u00f5es da ONU, isto \u00e9, desse organismo que est\u00e1 longe de ser angelical e que n\u00e3o apenas batizou o nascimento da col\u00f4nia \u00abIsrael\u00bb, mas tamb\u00e9m encobriu durante d\u00e9cadas, sob um manto de legalidade, a exist\u00eancia da entidade sionista, qualificando como \u00abterrit\u00f3rios ocupados\u00bb apenas aqueles dos quais os sionistas se apoderaram ap\u00f3s a \u00abGuerra dos Seis Dias\u00bb de 1967, e n\u00e3o a totalidade do territ\u00f3rio que alguns denominam \u00abIsrael\u00bb, isto \u00e9, quatro quintos da Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, n\u00e3o h\u00e1 um pingo de realismo nessas posi\u00e7\u00f5es. Todas elas s\u00e3o fruto da vontade deliberada das dire\u00e7\u00f5es dessas organiza\u00e7\u00f5es \u2014 para al\u00e9m das declara\u00e7\u00f5es \u2014 de n\u00e3o questionar a compatibilidade com o capitalismo nem as necessidades dos diferentes imperialismos aos quais decidem se somar. De fato, questionar a exist\u00eancia de \u00abIsrael\u00bb, tanto na forma dos \u00abdois Estados\u00bb quanto na do \u00abEstado binacional\u00bb, significa questionar o capitalismo e seus interesses vitais. E o horizonte dos reformistas n\u00e3o contempla nada disso: a palavra \u00abrevolu\u00e7\u00e3o\u00bb n\u00e3o \u00e9 poupada (afinal, agora tamb\u00e9m \u00e9 usada pelos jovens do PD&#8230;), mas tem o mesmo valor que quando aparece em certos an\u00fancios de detergentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palestina livre, do rio ao mar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos voltar a expor aqui a posi\u00e7\u00e3o de nosso partido e de nossa Internacional, que j\u00e1 apresentamos em dezenas de ocasi\u00f5es anteriores. Apenas recordaremos, em resumo, que n\u00f3s, retomando o legado do trotskismo (a \u00fanica corrente que lutou contra o sionismo desde o nascimento de \u00abIsrael\u00bb), defendemos o objetivo de uma Palestina livre \u00abdo rio ao mar\u00bb, o que implica a destrui\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia \u00abIsrael\u00bb, a expuls\u00e3o dos sionistas e a recupera\u00e7\u00e3o pelos palestinos de toda a Palestina hist\u00f3rica: n\u00e3o apenas dos chamados \u00abterrit\u00f3rios ocupados\u00bb, mas tamb\u00e9m da maior parte do que hoje \u00e9 conhecido como \u00abIsrael\u00bb, reconhecendo o direito de minoria nacional aos judeus antissionistas que aceitem viver em paz na Palestina. Somente com essa premissa \u2014 que s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada unindo a reivindica\u00e7\u00e3o nacional \u00e0s sociais no marco de um programa de revolu\u00e7\u00e3o permanente \u2014 ser\u00e1 poss\u00edvel unir as massas \u00e1rabes de toda a regi\u00e3o para alcan\u00e7ar o objetivo de uma federa\u00e7\u00e3o socialista do Oriente M\u00e9dio. Objetivo que, para n\u00f3s, exige \u2014 para se realizar plenamente \u2014 a constru\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m na Palestina e nos demais pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, de partidos trotskistas armados com esse programa, que fa\u00e7am parte de uma Quarta Internacional refundada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, consideramos err\u00f4neas n\u00e3o apenas as duas posi\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias da esquerda descritas anteriormente (a dos \u00abdois Estados\u00bb e a do \u00abEstado binacional\u00bb), mas tamb\u00e9m qualquer posi\u00e7\u00e3o que isole e oponha a quest\u00e3o nacional \u2014 objetivo democr\u00e1tico \u2014 \u00e0 socialista; assim como a posi\u00e7\u00e3o oposta daqueles que negam a quest\u00e3o nacional em nome de uma \u00abrevolu\u00e7\u00e3o pura\u00bb abstrata. Talvez, neste segundo caso, como fazem alguns (em particular, por exemplo, o PCR e a Internacional de Alan Woods, que n\u00e3o por acaso rejeita a palavra de ordem \u00abPalestina livre do rio ao mar\u00bb), pensando que se pode \u00abdividir \u201cIsrael\u201d segundo linhas de classe\u00bb e \u00abunir os trabalhadores \u201cisraelenses\u201d aos palestinos\u00bb. Essa posi\u00e7\u00e3o, aparentemente \u00abde esquerda\u00bb, na realidade elimina toda a concep\u00e7\u00e3o leninista da quest\u00e3o nacional e parte de uma grave incompreens\u00e3o da teoria-programa da revolu\u00e7\u00e3o permanente (ainda mais grave para quem se define como trotskista). Para completar, \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o que ignora que os trabalhadores de \u00abIsrael\u00bb, que obviamente existem, s\u00e3o uma casta privilegiada de colonos que n\u00e3o apenas vive acima do n\u00edvel de vida dos trabalhadores de toda a regi\u00e3o, mas baseia seus pr\u00f3prios privil\u00e9gios precisamente no fato de fazer parte de uma col\u00f4nia financiada e sustentada pelo imperialismo. O que explica, ali\u00e1s, por que em oitenta anos contam-se nos dedos de uma m\u00e3o os \u00abisraelenses\u00bb que, tendo chegado ou nascido em \u00abIsrael\u00bb, romperam com a entidade colonial para ir lutar ao lado dos palestinos (e s\u00e3o, obviamente, dignos de elogio).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A banalidade dos intelectuais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios intelectuais da chamada esquerda comentam as terr\u00edveis imagens do document\u00e1rio Naza e se indignam diante dos depoimentos de militares que explicam como, em in\u00fameras ocasi\u00f5es, bombardearam casas, bairros, escolas e hospitais, provocando centenas de \u00abmortes colaterais\u00bb para atingir \u00abum terrorista\u00bb (\u00e9 assim que esses intelectuais tamb\u00e9m chamam os combatentes palestinos). Da\u00ed se deduz que eles n\u00e3o foram informados de que o objetivo declarado dos sionistas, h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o dos palestinos da Palestina, por meio do genoc\u00eddio e da expuls\u00e3o provocada pelo terror.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses intelectuais lacaios, que continuam correndo de libr\u00e9 atr\u00e1s da carruagem de seu amo, que cada vez que abrem a boca emitem sua implac\u00e1vel \u00abcondena\u00e7\u00e3o do 7 de outubro\u00bb, para logo depois jurar pelo \u00abdireito de existir de Israel\u00bb, perguntam-se filosoficamente, citando Hannah Arendt, sobre a \u00abbanalidade do mal\u00bb. Por que \u00abIsrael\u00bb n\u00e3o utilizou melhor seus servi\u00e7os de intelig\u00eancia para evitar o 7 de outubro?, perguntam. A culpa, asseguram, \u00e9 de Netanyahu, que havia sido informado sobre o 7 de outubro e \u00abn\u00e3o fez nada para evit\u00e1-lo\u00bb: isto \u00e9, para massacrar antecipadamente os palestinos antes que rompessem a jaula de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar: n\u00e3o se morde a m\u00e3o que nos alimenta. Mas o que fazemos com as dire\u00e7\u00f5es de 99% dos partidos reformistas \u2014 e tamb\u00e9m daqueles que, por alguma estranha raz\u00e3o, se autodenominam \u00abrevolucion\u00e1rios\u00bb \u2014 que, ap\u00f3s um s\u00e9culo de demonstra\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas (se quisermos chamar assim as dezenas de massacres perpetrados pelos sionistas), depois de Gaza ter sido arrasada ao vivo pela televis\u00e3o, enquanto toda a Cisjord\u00e2nia est\u00e1 ocupada pelos sionistas e as bombas caem sobre o L\u00edbano e o Ir\u00e3, continuam com a ladainha dos \u00abcivis massacrados em 7 de outubro\u00bb?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ladainha sobre as \u00abv\u00edtimas civis\u00bb do 7 de outubro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O lamento pelos \u00abcivis\u00bb mortos em 7 de outubro \u00e9 transversal: isto \u00e9, n\u00e3o vem apenas daqueles que desejariam uma conviv\u00eancia pac\u00edfica entre colonizados e colonos. No entanto, at\u00e9 mesmo aqueles que se posicionam ao lado dos palestinos lamentam o \u00abmassacre de civis\u00bb de 7 de outubro e a tomada de ref\u00e9ns pela Resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>De onde vem essa insist\u00eancia nos \u00abcivis\u00bb? Em toda a Palestina ocupada (e n\u00e3o apenas na Cisjord\u00e2nia), mesmo onde seus mapas indicam \u00abIsrael\u00bb, n\u00e3o h\u00e1 \u00abcivis\u00bb, mas colonos que h\u00e1 um s\u00e9culo tentam por todos os meios eliminar os habitantes palestinos: esse tipo de colonialismo \u00e9 chamado precisamente de \u00abassentamento\u00bb porque n\u00e3o tem como objetivo priorit\u00e1rio a explora\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone, mas sua elimina\u00e7\u00e3o (por isso \u00e9 inadequada a compara\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica do Sul do apartheid, onde os afric\u00e2nderes tinham como objetivo a explora\u00e7\u00e3o salarial dos negros; algo que, por outro lado, continua hoje sob outra forma). Os \u00abisraelenses\u00bb, isto \u00e9, os cidad\u00e3os do \u00abEstado judeu\u00bb, n\u00e3o s\u00e3o, portanto, compar\u00e1veis aos civis de nenhum outro pa\u00eds; tanto quando usam uniforme (e o servi\u00e7o militar \u00e9 peri\u00f3dico ali) quanto quando est\u00e3o vestidos \u00e0 paisana, s\u00e3o e continuam sendo colonos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessa constata\u00e7\u00e3o objetiva, cabe acrescentar que essa distin\u00e7\u00e3o \u2014 que muitos consideram \u00abnatural\u00bb \u2014 entre combatentes e civis n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria do marxismo. Ela pertence mais ao chamado \u00abdireito internacional\u00bb que, embora se apresente como \u00abuniversal\u00bb, assim como todo direito \u00e9 redigido pela classe dominante e, portanto, \u00e9 um direito de classe. Esse mesmo direito define em que circunst\u00e2ncias \u00e9 leg\u00edtimo recorrer \u00e0 for\u00e7a (jus ad bellum) e como a guerra deve ser conduzida (jus in bello). Nesse sentido, por exemplo, diversas resolu\u00e7\u00f5es da ONU reconhecem a legitimidade da luta (inclusive armada) dos povos submetidos \u00e0 domina\u00e7\u00e3o, mas, ao mesmo tempo, prescrevem o respeito aos \u00abcivis\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses s\u00e3o os referenciais (expl\u00edcitos ou impl\u00edcitos) de muitos comentaristas de esquerda, incluindo alguns (repitamos) que se autodenominam \u00abrevolucion\u00e1rios\u00bb. Ou seja, reconhecem o \u00abdireito\u00bb dos palestinos de lutar, inclusive com armas, n\u00e3o porque isso seja simplesmente justo e necess\u00e1rio, mas porque a ONU o diz&#8230; E, em conson\u00e2ncia com o cumprimento das leis redigidas pelo inimigo de classe, advertem os palestinos de que atacar civis ou tom\u00e1-los como ref\u00e9ns n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Lenin definia a Liga das Na\u00e7\u00f5es (que precedeu a ONU) como \u00abum covil de bandidos imperialistas\u00bb. Se tivesse podido ver a ONU, que h\u00e1 d\u00e9cadas encobre as guerras imperialistas ou at\u00e9 mesmo as trava diretamente (com soldados que usam um capacete de outra cor, o capacete azul), que envia essas tropas de \u00abpaz\u00bb para impor a ordem imperialista por todos os meios, incluindo massacres, torturas e estupros (veja-se o que os capacetes azuis fizeram na B\u00f3snia, no Congo, no Haiti, na Som\u00e1lia, em Serra Leoa, na Guin\u00e9, em Mo\u00e7ambique e em uma longa lista etc.), Lenin poderia ter confirmado essa denomina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para a ONU, que, ao contr\u00e1rio, grande parte da esquerda considera uma esp\u00e9cie de entidade angelical, situada acima da luta de classes internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo aqueles que se mostram cr\u00edticos da ONU (e, no caso da Palestina, isso deveria ser \u00f3bvio, tendo em vista que a col\u00f4nia sionista foi batizada e protegida durante d\u00e9cadas precisamente pela ONU), no entanto, frequentemente internalizaram a ideia da exist\u00eancia de um \u00abdireito internacional\u00bb, neutro do ponto de vista de classe, que estabelece que as vidas de homens e mulheres s\u00f3 t\u00eam valor se n\u00e3o estiverem usando uniforme. Uma ideia que, pensando bem, \u00e9 muito \u00fatil para as guerras imperialistas que, desde sempre, precisam de \u00abcarne para canh\u00e3o\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>As lamenta\u00e7\u00f5es sobre os \u00abcivis\u00bb surgem dessas distor\u00e7\u00f5es, no melhor dos casos; ou da hipocrisia, no pior.<\/p>\n\n\n\n<p>O paradoxo \u00e9 que depois esses mesmos dirigentes e intelectuais talvez exaltem filmes como A Batalha de Argel, de Pontecorvo, no qual se v\u00ea como os combatentes argelinos foram obrigados a recorrer inclusive ao uso de bombas em mercados, cinemas, bares etc. para se libertarem e, finalmente, expulsarem os colonos franceses. Larbi Ben M\u2019Hidi, dirigente da FLN, diante da acusa\u00e7\u00e3o de atacar civis com bolsas que escondiam bombas, respondeu que estava disposto a trocar as bolsas dos combatentes pelos canh\u00f5es e bombardeiros de que dispunham os colonos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um historiador (judeu antissionista) como Enzo Traverso (5) lembrou que tamb\u00e9m a Resist\u00eancia partigiana na Europa durante a Segunda Guerra Mundial teve de atacar frequentemente alvos civis.<\/p>\n\n\n\n<p>Surge ent\u00e3o a d\u00favida se aquilo que \u00e9 aceito como hero\u00edsmo no caso da Arg\u00e9lia ou dos partisans n\u00e3o \u00e9 reconhecido aos palestinos porque os fatos hist\u00f3ricos do passado n\u00e3o exigem que se tome posi\u00e7\u00e3o hoje de um lado da barricada (embora n\u00e3o faltem nem mesmo aqueles que se distanciam do atentado dos GAP na via Rasella, em Roma, em 1944, ou continuam lamentando o assassinato do fil\u00f3sofo da Rep\u00fablica de Mussolini, Giovanni Gentile, pelas m\u00e3os dos partisans).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os civis, os ref\u00e9ns e\u2026 a Comuna<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 podemos imaginar as palavras (sem d\u00favida pouco politicamente corretas) com as quais Marx e Engels teriam comentado as posi\u00e7\u00f5es de certos intelectuais que, em maior ou menor medida, se referem ao \u00abmarxismo\u00bb, como Judith Butler, que, junto com Michael Lowy e outros, assinou neste ver\u00e3o um manifesto sobre o Ir\u00e3 que, j\u00e1 no t\u00edtulo (\u00abAos presos pol\u00edticos iranianos, presos entre as duas l\u00e2minas de uma tesoura\u00bb) (6), equipara a agress\u00e3o imperialista e sionista contra o Ir\u00e3 ao Ir\u00e3 agredido, para depois desenvolver de forma amb\u00edgua esse mesmo conceito, com frases como \u00abde um lado&#8230; de outro lado\u00bb, \u00abduas fontes de opress\u00e3o\u00bb, e dedicar apenas uma quarta parte do texto a atacar o imperialismo e o sionismo agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, n\u00f3s tamb\u00e9m somos a favor da liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos iranianos e n\u00e3o sentimos nenhuma simpatia pelo regime dos aiatol\u00e1s, que usurpou a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria de 1978-1979 e massacrou milhares de revolucion\u00e1rios, mas, como marxistas, em uma guerra entre o imperialismo e uma semicol\u00f4nia, nos alinhamos no front desta \u00faltima, sem deixar de ser opositores irreconcili\u00e1veis de seu regime reacion\u00e1rio. Porque somente a partir da posi\u00e7\u00e3o no front do pa\u00eds dependente agredido \u00e9 poss\u00edvel construir a derrubada do regime reacion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, portanto, paradoxal que at\u00e9 mesmo certos intelectuais que se definem como \u00abtrotskistas\u00bb esque\u00e7am as posi\u00e7\u00f5es inequ\u00edvocas de Trotsky em casos semelhantes, como no da agress\u00e3o do Jap\u00e3o \u00e0 China (ent\u00e3o uma semicol\u00f4nia), em 1937, quando Trotsky afirma: \u00abAo participar da luta militar sob as ordens de Chiang Kai-shek \u2014 dado que, infelizmente, \u00e9 ele quem comanda a guerra pela independ\u00eancia \u2014, preparamo-nos politicamente para derrubar Chiang Kai-shek: esta \u00e9 a \u00fanica pol\u00edtica revolucion\u00e1ria\u00bb. (7) Conv\u00e9m lembrar que Chiang foi respons\u00e1vel pelo massacre da Comuna de Cant\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios dos signat\u00e1rios do apelo de Butler, como era de esperar, estiveram entre os cr\u00edticos mais severos do ocorrido em 7 de outubro. A pr\u00f3pria Butler chegou a falar de \u00abum massacre aterrador e repugnante\u00bb (8): referindo-se n\u00e3o ao que os sionistas v\u00eam fazendo h\u00e1 um s\u00e9culo, mas&#8230; \u00e0 a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica dos palestinos. Em outras ocasi\u00f5es ela tentou \u00abcontextualizar\u00bb, mas, em todo caso, tanto ela quanto outros intelectuais como Slavoj \u017di\u017eek n\u00e3o deixaram de lamentar a morte de \u00abcivis\u00bb de \u00abambos os lados\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o do marxismo n\u00e3o tem nada a ver com a tradi\u00e7\u00e3o pacifista nem com aquela que se submete \u00e0s concep\u00e7\u00f5es liberais do direito. Os revolucion\u00e1rios nunca equipararam a viol\u00eancia de Roma \u00e0 de Esp\u00e1rtaco, nem a viol\u00eancia de quem oprime \u00e0 de quem \u00e9 oprimido e tenta se libertar.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa hipocrisia era estranha a Marx e, sem d\u00favida, ao ver certos \u00abmarxistas\u00bb que se amparam nela, teria repetido que n\u00e3o era&#8230; \u00abmarxista\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos lembrar a defesa incondicional que Marx fez da tomada de ref\u00e9ns civis pela Comuna de Paris? E tamb\u00e9m do fuzilamento de 64 ref\u00e9ns (entre eles o bispo Darboy) por ordem do heroico Raoul Rigault, de vinte e cinco anos, delegado de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Comuna? Lemos em A Guerra Civil na Fran\u00e7a: \u00abQuando Thiers (&#8230;) restabeleceu, desde o in\u00edcio do conflito, o costume humanit\u00e1rio de matar os prisioneiros comunardos, a Comuna, para proteger suas vidas, viu-se obrigada a recorrer \u00e0 pr\u00e1tica prussiana de tomar ref\u00e9ns. A vida dos ref\u00e9ns j\u00e1 havia sido condenada mais de uma vez pelas cont\u00ednuas execu\u00e7\u00f5es de prisioneiros perpetradas pelos versalheses. Como poderiam ser salvos por mais tempo depois do massacre com que os pretorianos de Mac Mahon celebraram sua entrada em Paris? Acaso tamb\u00e9m se deveria transformar em uma simples farsa a tomada de ref\u00e9ns, \u00faltima garantia contra a ferocidade sem escr\u00fapulos dos governos burgueses? (&#8230;) A Comuna havia oferecido repetidas vezes trocar o arcebispo \u2014 e muitos sacerdotes, al\u00e9m dele \u2014 pelo pr\u00f3prio Blanqui, que ent\u00e3o estava nas m\u00e3os de Thiers. Thiers recusou obstinadamente. Sabia que, com Blanqui, daria uma cabe\u00e7a \u00e0 Comuna, enquanto o arcebispo lhe seria mais \u00fatil como cad\u00e1ver\u00bb. (9)<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a Engels, disse que, se algo se podia censurar aos comunardos, era terem sido benevolentes demais com o inimigo de classe. (10).<\/p>\n\n\n\n<p>Os bolcheviques, por sua vez, durante a guerra civil, tomaram como ref\u00e9ns inclusive os familiares dos generais que obrigavam a lutar no Ex\u00e9rcito Vermelho. Foi precisamente Trotsky quem assinou a ordem sobre os ref\u00e9ns, em 1918. (11)<\/p>\n\n\n\n<p>Que diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s queixas e \u00e0s ressalvas sobre os \u00abcivis\u00bb sionistas de certos supostos disc\u00edpulos de hoje!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A hipocrisia mais sutil: \u00ab\u00e9 leg\u00edtimo, mas&#8230;\u00bb<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outros, como, por exemplo, Gilbert Achcar (dirigente da chamada \u00abQuarta Internacional\u00bb mandelista, mais conhecida como Secretariado Unificado), utilizam argumentos n\u00e3o menos hip\u00f3critas, mas de uma hipocrisia mais sutil, menos vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em particular, esses \u00abdefensores\u00bb da causa palestina apresentam quatro teses.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Primeira tese: \u00abOs palestinos deveriam voltar a utilizar (apenas segundo alguns, majoritariamente segundo outros) meios de luta pol\u00edtica de massas, como greves etc.\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Esquecendo que, pelas raz\u00f5es expostas, na Palestina n\u00e3o existe uma explora\u00e7\u00e3o capitalista \u00abnormal\u00bb: a luta consiste em defender a sobreviv\u00eancia diante dos sionistas que aspiram ao massacre, ao genoc\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Segunda tese: \u00abOs palestinos deveriam recorrer \u00e0 for\u00e7a se necess\u00e1rio, mas tal como fizeram durante a Primeira Intifada (1987)\u00bb. Ou, dito de outro modo, os palestinos deveriam utilizar, no m\u00e1ximo, fundas e pedras, n\u00e3o metralhadoras nem foguetes. A imagem da crian\u00e7a palestina com a funda parece heroica a esses senhores, enquanto a do palestino com a metralhadora \u00e9 considerada inadequada. No entanto, esquecem que as fundas em vez dos fuzis n\u00e3o foram uma escolha feita para n\u00e3o incomodar o acad\u00eamico pequeno-burgu\u00eas, mas porque se lutava com o que havia, isto \u00e9, com fundas porque (infelizmente) n\u00e3o havia nada melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Terceira tese: \u00abPara al\u00e9m de qualquer considera\u00e7\u00e3o sobre a legitimidade, o resultado de 7 de outubro foi a Faixa de Gaza arrasada\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui estamos diante do c\u00famulo da hipocrisia. Por tr\u00e1s dessa tese esconde-se o velho leitmotiv que diz: \u00abse a v\u00edtima n\u00e3o reage, evita o pior\u00bb. Um refr\u00e3o n\u00e3o apenas ignominioso, mas, no caso da Palestina, duplamente falso, dado que h\u00e1 um s\u00e9culo os sionistas massacram os palestinos mesmo sem um pretexto imediato, porque esse \u00e9 o projeto constitutivo do sionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Quarta tese: \u00abA superioridade militar de \u201cIsrael\u201d n\u00e3o pode ser posta em d\u00favida\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m nesse caso trata-se de um argumento falso; basta olhar para a hist\u00f3ria e tamb\u00e9m para a atualidade. \u00abIsrael\u00bb e o imperialismo foram colocados em xeque ou derrotados in\u00fameras vezes. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio lembrar Vietn\u00e3, Iraque ou Afeganist\u00e3o: basta ver como os ex\u00e9rcitos mais poderosos do mundo ainda n\u00e3o conseguiram subjugar um pa\u00eds semicolonial como o Ir\u00e3. E n\u00e3o apenas isso: h\u00e1 mais de um s\u00e9culo a Resist\u00eancia palestina luta e, mesmo depois do massacre destes \u00faltimos anos, os sionistas e os imperialistas n\u00e3o conseguiram desarm\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia da invencibilidade do inimigo faz parte da mentalidade t\u00edpica dos intelectuais pequeno-burgueses que procuram um canto tranquilo da hist\u00f3ria onde possam escrever seus livros ou cultivar suas carreiras universit\u00e1rias. Mas s\u00e3o precisamente os acontecimentos de 7 de outubro que nos fornecem mais uma prova de que o inimigo, por mais poderoso que seja, n\u00e3o \u00e9 invenc\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A realidade de 7 de outubro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os fatos de 7 de outubro foram falsificados desde o dia seguinte. H\u00e1 livros, como o de Roberto Iannuzzi (12), que enumeraram e desmontaram o monte de mentiras difundidas pela imprensa burguesa, que ecoou a propaganda do governo sionista: crian\u00e7as esquartejadas, estupros etc. Tudo isso falso e desmentido por dezenas de investiga\u00e7\u00f5es independentes e, em alguns casos (ainda que tenha sido na \u00faltima p\u00e1gina), pelos pr\u00f3prios jornais que haviam inventado essas \u00abnot\u00edcias\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezenas de outros artigos e em um livro (13), j\u00e1 escrevemos tamb\u00e9m sobre o que \u00e9 mais importante e que, em geral, \u00e9 omitido: isto \u00e9, os cem anos de hist\u00f3ria que precedem 7 de outubro. Cem anos de massacres, bombardeios, pris\u00f5es, torturas e estupros cometidos pelos sionistas. Melhor do que poder\u00edamos fazer n\u00f3s mesmos, tudo isso foi documentado por um grande historiador (judeu antissionista) como Ilan Papp\u00e9 e por muitos outros historiadores honestos que, gra\u00e7as tamb\u00e9m ao 7 de outubro e ao movimento de massas que ele suscitou, hoje s\u00e3o publicados n\u00e3o apenas por pequenas editoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando aos fatos daquele dia, Iannuzzi ofereceu uma das melhores reconstru\u00e7\u00f5es. Ao amanhecer de 7 de outubro de 2023, uma frente militar formada por todas as organiza\u00e7\u00f5es envolvidas na Resist\u00eancia lan\u00e7ou um ataque, liderado por cerca de 1.200 combatentes do Hamas, FPLP, FPLP-CG, FDLP, JIP e outros grupos menores (cerca de uma dezena ao todo), seguidos por milhares de palestinos que, utilizando o que encontravam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, irromperam em v\u00e1rios pontos atrav\u00e9s da barreira ultratecnol\u00f3gica (ao custo de mais de um bilh\u00e3o de d\u00f3lares) que cercava Gaza e seus habitantes, separando-os do restante de seu territ\u00f3rio ocupado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os objetivos eram diversos postos militares avan\u00e7ados (entre eles a base militar de Urim, que abriga o infame departamento 8200, um corpo de \u00abelite\u00bb dos servi\u00e7os sionistas dedicado \u00e0 intercepta\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de palestinos) e a busca de ref\u00e9ns para posteriormente troc\u00e1-los pelos milhares (cerca de 10 mil) de ref\u00e9ns palestinos que diariamente s\u00e3o maltratados, torturados e estuprados metodicamente nas pris\u00f5es da chamada \u00ab\u00fanica democracia do Oriente M\u00e9dio\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>O restante \u00e9 amplamente conhecido: a maior parte desses ref\u00e9ns foi morta pelos disparos indiscriminados das IDF; outros sobreviveram inclusive aos bombardeios sionistas e foram trocados por prisioneiros palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas semanas, alguns insistem em afirmar que Netanyahu havia sido avisado previamente da opera\u00e7\u00e3o \u00abInunda\u00e7\u00e3o de Al-Aqsa\u00bb e que n\u00e3o a teria impedido para poder atacar Gaza depois. Isso, com diferentes nuances, j\u00e1 era dito desde o dia seguinte a 7 de outubro. Trata-se de uma distor\u00e7\u00e3o dos fatos que tem dois objetivos: em primeiro lugar, separar as responsabilidades de \u00abIsrael\u00bb das de Netanyahu, fazendo recair a culpa pelo sionismo exclusivamente sobre este \u00faltimo (como se o sionismo n\u00e3o tivesse iniciado suas pol\u00edticas genocidas muito antes do surgimento desse personagem obscuro, inclusive sob a dire\u00e7\u00e3o de presidentes chamados \u00abtrabalhistas\u00bb); em segundo lugar, em alguns casos de forma inconsciente, trata-se de uma narrativa que serve aos que querem sustentar que \u00abIsrael\u00bb teria sido atacado em 7 de outubro pela Resist\u00eancia palestina apenas gra\u00e7as a uma conspira\u00e7\u00e3o, dando novo cr\u00e9dito \u00e0 tese da \u00abinvencibilidade\u00bb dos sionistas e \u00e0 suposta impot\u00eancia dos palestinos. \u00c9 muito prov\u00e1vel que tenham sido precisamente esse sentimento de superioridade e essa convic\u00e7\u00e3o de invencibilidade que os fizeram ignorar os sinais \u2014 sem d\u00favida captados pelos carcereiros de Gaza \u2014 da prepara\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O significado imperec\u00edvel de 7 de outubro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, 7 de outubro foi tamb\u00e9m muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um golpe muito duro desferido contra \u00abIsrael\u00bb. Demonstrou, em primeiro lugar, que o inimigo, por mais bem armado que esteja, n\u00e3o \u00e9 invenc\u00edvel, ao contr\u00e1rio do que afirmam os defensores do ceticismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Se durante d\u00e9cadas a historiografia definiu a a\u00e7\u00e3o dos GAP na via Rasella, em Roma, em 23 de mar\u00e7o de 1944, como a maior a\u00e7\u00e3o partigiana em territ\u00f3rio ocupado, hoje podemos afirmar que a a\u00e7\u00e3o da Resist\u00eancia palestina de 7 de outubro foi ainda mais importante.<\/p>\n\n\n\n<p>7 de outubro e os anos seguintes colocaram diante dos olhos das massas o que \u00abIsrael\u00bb realmente \u00e9. E todas as mentiras da propaganda sionista e do imperialismo que a defende j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e3o curar essa ferida. \u00abIsrael\u00bb encontra-se hoje mais isolado do que nunca, enquanto o apoio \u00e0 causa palestina mobilizou milh\u00f5es de jovens e trabalhadores em todo o mundo (incluindo muitos jovens judeus que n\u00e3o querem ter nada a ver com o sionismo).<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 tarefa de todos n\u00f3s apoiar a corajosa luta da Resist\u00eancia palestina, defend\u00ea-la de toda cal\u00fania e n\u00e3o nos deixarmos deter pelas tentativas de censura e repress\u00e3o. E a melhor maneira que temos de participar dessa luta \u00e9 vincular o apoio \u00e0 Resist\u00eancia palestina \u00e0 luta pol\u00edtica e social contra o governo Meloni e contra todos os governos imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Pdac e a Lit-Quarta Internacional estamos comprometidos com essa luta e convidamos aqueles que desejam desenvolv\u00ea-la a se juntar a n\u00f3s, a nos conhecer e a construir o partido revolucion\u00e1rio internacional de que precisamos para vencer.<\/p>\n\n\n\n<p>Se hoje podemos falar de uma \u00abgera\u00e7\u00e3o Gaza\u00bb, que enche as pra\u00e7as do mundo com sua energia incont\u00edvel, \u00e9 porque a Palestina se tornou o s\u00edmbolo da luta contra todas as injusti\u00e7as e contra a barb\u00e1rie do sistema capitalista, um sistema social ao qual devemos p\u00f4r fim por via revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas raz\u00f5es, n\u00e3o nos limitamos a simpatizar com a Resist\u00eancia palestina, mas afirmamos que a luta de nossos companheiros palestinos \u00e9 nossa pr\u00f3pria luta. Por isso, mais uma vez, devemos agradecer \u00e0queles jovens palestinos que, em 7 de outubro, romperam a jaula de Gaza, na qual foram obrigados a viver desde o nascimento, e ousaram, para usar as palavras de Marx, \u00abassaltar o c\u00e9u\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(1) Ver M. Travaglio, Israel e os palestinos em poucas palavras (PaperFirst, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>(2) Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre a chamada \u00absolu\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 Estado\u00bb, remetemos ao nosso livro: Do rio ao mar. Do lado da Resist\u00eancia palestina (ed. Rjazanov, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p>(3) Ap\u00f3s 7 de outubro, as exporta\u00e7\u00f5es da China para \u00abIsrael\u00bb continuaram crescendo.<\/p>\n\n\n\n<p>(4) Sobre a teoria-programa da revolu\u00e7\u00e3o permanente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Palestina, permitimo-nos remeter novamente ao nosso livro citado na nota n.\u00ba 2 ou ao nosso artigo de pol\u00eamica com o PCR: \u00abPalestina: por que o PCR n\u00e3o gosta de \u201cdo rio ao mar\u201d?\u00bb<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.alternativacomunista.it\/politica\/nazionale\/palestina-perche-al-pcr-non-piace-dal-fiume-al-mare\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>(5) Enzo Traverso \u00e9 autor de muitos livros excelentes. Aqui remetemos \u00e0 sua obra: Gaza diante da hist\u00f3ria (Laterza, 2024), que sem d\u00favida vale a pena ler, embora Traverso tamb\u00e9m seja partid\u00e1rio da ideia (ilus\u00f3ria) do Estado binacional e, depois de demonstrar a falta de fundamento de tantos argumentos moralistas, n\u00e3o deixe de cair, por sua vez, de forma contradit\u00f3ria, em algumas disserta\u00e7\u00f5es est\u00e9reis sobre o \u00abdireito internacional\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>(6) O apelo de Judith Butler, Michael Lowy e outros intelectuais intitula-se \u00abAos presos pol\u00edticos iranianos, presos \u201centre as duas l\u00e2minas de uma tesoura\u201d\u00bb<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/ng-interactive\/2026\/aug\/20\/iran-political-prisoners\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>(7) Lev Trotsky, \u00abSobre a guerra sino-japonesa\u00bb [carta a Diego Rivera], 23 de setembro de 1937. N\u00f3s o traduzimos e publicamos com nossas notas em Trotskismo oggi, n.\u00ba 20, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>(8) Esta reflex\u00e3o de Judith Butler sobre 7 de outubro pode ser lida em \u00abThe Compass of Mourning\u00bb, na London Review of Books, 19 de outubro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>(9) V. K. Marx, A Guerra Civil na Fran\u00e7a, 1871 https:\/\/www.marxists.org\/italiano\/marx-engels\/1871\/gcf\/index.htm<\/p>\n\n\n\n<p>O trecho citado encontra-se no cap\u00edtulo 4 da terceira Declara\u00e7\u00e3o sobre a Comuna, redigida por Marx e aprovada pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem de fuzilar os ref\u00e9ns foi dada, para ser exato, por Raoul Rigault e, no caso do bispo e dos demais ref\u00e9ns, por Th\u00e9ophile Ferr\u00e9, um jovem da mesma idade que substituiu Rigault quando este foi nomeado promotor da Comuna. Ambos, dirigentes da ala blanquista da Comuna, morreram fuzilados, v\u00edtimas da sangrenta repress\u00e3o com a qual a burguesia n\u00e3o apenas se vingou da Comuna, mas tamb\u00e9m quis dar um aviso aos trabalhadores para que n\u00e3o ousassem novamente romper seu dom\u00ednio. Foi precisamente isso que os sionistas tamb\u00e9m fizeram ao arrasar a Faixa de Gaza ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro; neste caso, n\u00e3o apenas como advert\u00eancia, mas tamb\u00e9m como parte do projeto genocida pr\u00f3prio do sionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>(10) Ver F. Engels, Introdu\u00e7\u00e3o (1891) a K. Marx, A Guerra Civil na Fran\u00e7a (1871).<\/p>\n\n\n\n<p>(11) A ordem foi promulgada por Trotsky em 30 de setembro de 1918, na qualidade de presidente do Conselho Revolucion\u00e1rio de Guerra. Estabelecia que, em caso de deser\u00e7\u00e3o de um oficial, seus familiares deveriam ser detidos. O texto da ordem est\u00e1 publicado em Lev Trotsky, A revolu\u00e7\u00e3o armada. Escritos militares, 1 (Feltrinelli, 1971, p. 147). Trotsky defende e argumenta a necessidade dessa medida em Sua moral e a nossa (ed. Rjazanov, 2023, ver p. 38 e seguintes).<\/p>\n\n\n\n<p>(12) Roberto Iannuzzi, 7 de outubro entre a verdade e a propaganda (Fazi, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>(13) Ver o livro citado na nota n.\u00ba 2.<\/p>\n\n\n\n<p>(14) Entre os livros de Ilan Papp\u00e9 (todos eles muito \u00fateis e recomend\u00e1veis), destacamos aqui: A limpeza \u00e9tnica da Palestina, publicado em 2008 e reimpresso v\u00e1rias vezes pela Fazi; ou, tamb\u00e9m pela Fazi, A maior pris\u00e3o do mundo. Hist\u00f3ria dos territ\u00f3rios ocupados (2022). Seu livro mais recente \u00e9 O fim de Israel. O colapso do sionismo e a paz poss\u00edvel na Palestina (Fazi, 2025). A \u00abpaz poss\u00edvel\u00bb mencionada no t\u00edtulo \u00e9 precisamente essa \u00absolu\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 Estado\u00bb sobre a qual demos nossa opini\u00e3o neste artigo e, com mais detalhes, em nosso livro (ver a nota n.\u00ba 2), que tamb\u00e9m cont\u00e9m uma bibliografia comentada sobre a luta palestina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior opera\u00e7\u00e3o b\u00e9lica em territ\u00f3rio ocupado \u00abDepois que a Comuna de Paris foi afogada em sangue e os canalhas reacion\u00e1rios de todo o mundo arrastaram sua bandeira pela lama da difama\u00e7\u00e3o e da cal\u00fania, n\u00e3o foram poucos os filisteus democratas que, somando-se \u00e0 rea\u00e7\u00e3o, caluniaram os comunardos pela execu\u00e7\u00e3o de sessenta e quatro ref\u00e9ns, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":83189,"menu_order":12,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Francesco Ricci","footnotes":""},"categories":[228,8068],"tags":[2276,9463],"class_list":["post-83186","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","category-especial-palestina","tag-francesco-ricci-pdac-italia","tag-palestina-livre-do-rio-ao-mar"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Palestina.jpg","categories_names":["Especial Palestina","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Francesco Ricci","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83186"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83186\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83190,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83186\/revisions\/83190"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}