{"id":83108,"date":"2026-09-20T17:34:15","date_gmt":"2026-09-20T17:34:15","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=83108"},"modified":"2026-09-20T17:34:59","modified_gmt":"2026-09-20T17:34:59","slug":"inundacoes-no-nepal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/09\/20\/inundacoes-no-nepal\/","title":{"rendered":"Inunda\u00e7\u00f5es no Nepal"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O custo do aquecimento global<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o \u2013<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de mil vidas perdidas, in\u00fameras aldeias e cidades destru\u00eddas. As imagens de uma torrente violenta de lama, terra e pedras reduzindo pr\u00e9dios de concreto a escombros ficar\u00e3o para sempre gravadas em nossa mem\u00f3ria coletiva. Longe de ser um conceito abstrato, \u00e9 assim que se manifesta o aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo j\u00e1 ultrapassou o limite de perigo de 1,5 grau Celsius de aquecimento; agora, aqueles que menos contribu\u00edram para o aquecimento global s\u00e3o os que sofrem suas consequ\u00eancias. Pa\u00edses como o Nepal, onde grande parte do sistema fluvial \u00e9 alimentado pelas \u00e1guas glaciais do Himalaia e onde a agricultura, de vital import\u00e2ncia, depende de chuvas previs\u00edveis e moderadas, est\u00e3o prestes a enfrentar algumas das piores consequ\u00eancias do aumento das temperaturas globais, entre as quais se destacam as enchentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A enchente em si n\u00e3o foi causada pela chuva, mas pelo derretimento prematuro das geleiras mais ao norte, ao longo da fronteira entre o Nepal e o Tibete. A enchente come\u00e7ou depois que uma parte da geleira Langtang Lirung desabou no vale abaixo, bloqueando o curso do rio Lhende Khola. A geleira desmoronada represou o fluxo natural do rio at\u00e9 que n\u00e3o conseguiu mais conter a torrente atr\u00e1s dela; quando a geleira se rompeu, o rio correu a uma velocidade de 193 km\/h at\u00e9 os postos fronteiri\u00e7os na passagem de Gyirong, destruindo um pr\u00e9dio da alf\u00e2ndega de cinco andares em seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>A torrente de lama, pedras e detritos continuou seu fluxo descendente em dire\u00e7\u00e3o ao vale do Trishuli, causando estragos ao longo de seu trajeto. As cidades de Betrawati Bazar, Bidur e Devighat ficaram devastadas, assim como dezenas de aldeias no caminho da torrente. Em quest\u00e3o de horas, uma vasta regi\u00e3o do Nepal ficou inundada, levando consigo casas, pr\u00e9dios, pontes e terras agr\u00edcolas. Mais de 1.200 pessoas morreram em consequ\u00eancia do desastre.<\/p>\n\n\n\n<p>O Nepal est\u00e1 acostumado a inunda\u00e7\u00f5es, mas o que \u00e9 ineg\u00e1vel \u00e9 a crescente gravidade e frequ\u00eancia desses eventos. \u00c9, no m\u00ednimo, incomum que o Nepal sofra tais desastres em per\u00edodos de baixa pluviosidade, fora da habitual esta\u00e7\u00e3o das mon\u00e7\u00f5es. O desastre atual est\u00e1 inegavelmente ligado ao aquecimento global e ao aumento das temperaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 sem motivo que o atual primeiro-ministro do Nepal pediu \u00e0 China, \u00e0 \u00cdndia e aos Estados Unidos que arcassem com os custos dos danos causados pelas inunda\u00e7\u00f5es no Nepal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aquecimento global<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pelo menos quarenta anos, sabemos dos efeitos dos gases de efeito estufa descontrolados, de suas consequ\u00eancias para o meio ambiente mundial e das causas que os originam. Apesar de conhecermos esses efeitos, um esfor\u00e7o conjunto liderado principalmente pelas principais pot\u00eancias imperialistas do mundo e por suas maiores corpora\u00e7\u00f5es garantiu que nenhuma a\u00e7\u00e3o significativa fosse tomada.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas de energia como a Chevron sabiam do aquecimento global desde, pelo menos, a d\u00e9cada de 1950, mas garantiram que a ci\u00eancia por tr\u00e1s desse fen\u00f4meno n\u00e3o se tornasse de conhecimento mais amplo. A energia baseada em combust\u00edveis f\u00f3sseis garantiu o r\u00e1pido crescimento capitalista nos anos do p\u00f3s-guerra, n\u00e3o apenas no n\u00facleo imperialista dos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses em desenvolvimento. Os maiores benefici\u00e1rios do sistema foram as grandes corpora\u00e7\u00f5es, que puderam tirar proveito de regulamenta\u00e7\u00f5es ambientais frouxas para expandir suas opera\u00e7\u00f5es nesses pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, \u00f3rg\u00e3os como o American Petroleum Institute vinham monitorando os efeitos do aquecimento global e das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Documentos internos alertavam para consequ\u00eancias desastrosas caso as emiss\u00f5es n\u00e3o fossem reguladas. Longe de regul\u00e1-las, as emiss\u00f5es s\u00f3 cresceram nos \u00faltimos quarenta anos, impulsionadas n\u00e3o apenas pelo uso cont\u00ednuo de combust\u00edveis f\u00f3sseis nos pa\u00edses desenvolvidos, mas tamb\u00e9m pela industrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em desenvolvimento, principalmente China e \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial na Gr\u00e3-Bretanha, tem havido um aumento nas emiss\u00f5es de CO\u2082, em grande parte devido \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis para gera\u00e7\u00e3o de energia. O uso do carv\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o de energia a vapor impulsionou as primeiras emiss\u00f5es de carbono em grande escala, provenientes quase inteiramente da Europa, dos Estados Unidos e do Jap\u00e3o. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, a dissemina\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis para a industrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses descolonizados e a reconstru\u00e7\u00e3o da Europa impulsionaram a pr\u00f3xima fase das emiss\u00f5es de carbono. Essa fase testemunhou um aumento dram\u00e1tico e os primeiros sinais vis\u00edveis do aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, o problema j\u00e1 n\u00e3o podia mais ser negado. A ONU convocou a primeira verdadeira confer\u00eancia clim\u00e1tica (COP1) em 1995, realizada em Berlim. O mandato de Berlim buscava criar um mecanismo para que os pa\u00edses desenvolvidos monitorassem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o aquecimento global. Metas foram estabelecidas para o per\u00edodo ap\u00f3s o ano 2000. Desde ent\u00e3o, ocorreram 28 confer\u00eancias clim\u00e1ticas por iniciativa da ONU, sendo que a mais significativa delas foi realizada em 2016, em Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>A confer\u00eancia clim\u00e1tica de Paris resultou na cria\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris, um tratado juridicamente vinculativo sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O Acordo de Paris tinha como meta geral limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais e manter o aumento da temperatura m\u00e9dia global bem abaixo de 2 graus Celsius.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2026, a ONU publicou um relat\u00f3rio no qual afirmava que n\u00e3o havia como cumprir as metas do Acordo de Paris de 2016. Segundo a pr\u00f3pria ONU, o mundo perder\u00e1 a chance de limitar o aumento das temperaturas globais a menos de 1,5 graus Celsius. Somente em 2023, o mundo produziu mais de 57 gigatoneladas de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, o que representou um aumento de 1,3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Para cumprir o limite de temperatura estabelecido pelo Acordo de Paris, os pa\u00edses devem, coletivamente, reduzir suas emiss\u00f5es em 7,5% ao ano at\u00e9 2035. Nada indica que essa meta esteja nem perto de ser alcan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante lembrar que mesmo essa meta \u00e9 arbitr\u00e1ria, um valor de compromisso que foi elaborado dentro da estrutura extremamente limitante das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Isso requer coopera\u00e7\u00e3o sincera de todos os Estados-membros da ONU para que haja alguma chance de sucesso. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 coopera\u00e7\u00e3o alguma, como alguns pa\u00edses agora se mostram abertamente hostis \u00e0 ideia de combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocadas pelo homem.<\/p>\n\n\n\n<p>A ascens\u00e3o do populismo de direita nos principais pa\u00edses imperialistas, a ascens\u00e3o de governos reacion\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina e o surgimento do governo Hindutva na \u00cdndia resultaram na acelera\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Somente em termos de emiss\u00f5es de carbono, \u00cdndia, China e Estados Unidos est\u00e3o entre os tr\u00eas maiores emissores anuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembretes anuais mortais sobre o custo do aquecimento global n\u00e3o t\u00eam sido suficientes para dissuadir os pa\u00edses capitalistas de seguirem seu caminho. A amarga verdade \u00e9 que nenhum apelo sensato \u00e0 raz\u00e3o consegue convencer esses governos; a organiza\u00e7\u00e3o sem for\u00e7a que s\u00e3o as Na\u00e7\u00f5es Unidas tem sido um fracasso em alcan\u00e7ar qualquer tipo de consenso. Fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos, como inc\u00eandios florestais em grande escala, secas, inunda\u00e7\u00f5es e ondas de frio extremo, matam centenas de pessoas e deslocam milhares a cada ano. Os refugiados clim\u00e1ticos est\u00e3o se tornando cada vez mais um problema em todos os lugares, mas os pa\u00edses que investem em combust\u00edveis f\u00f3sseis permanecem teimosamente comprometidos com um modelo t\u00f3xico de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, \u00e9 o Nepal que est\u00e1 pagando o pre\u00e7o; amanh\u00e3, as v\u00edtimas estar\u00e3o em outro lugar. \u00c9 sempre o trabalhador que arca com o peso dos custos, enquanto a elite capitalista e seus pol\u00edticos fantoches s\u00e3o os respons\u00e1veis pela maior parte dos danos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O capitalismo: a verdadeira causa do aquecimento global<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Devemos, antes de tudo, reconhecer a causa fundamental do aquecimento global. Sabe-se que as emiss\u00f5es de carbono geram gases de efeito estufa, que, por sua vez, provocam o aumento das temperaturas ao reter o calor. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se essa ci\u00eancia est\u00e1 comprovada ou n\u00e3o; in\u00fameros artigos de pesquisa e estudos cient\u00edficos j\u00e1 comprovaram isso. Os efeitos no mundo real est\u00e3o \u00e0 vista de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se colocarmos as flutua\u00e7\u00f5es da temperatura global em um gr\u00e1fico, veremos per\u00edodos de aquecimento e resfriamento relativos. Esse padr\u00e3o permaneceu amplamente est\u00e1vel at\u00e9 chegarmos ao per\u00edodo da ascens\u00e3o do capitalismo, em particular no in\u00edcio do s\u00e9culo 19 e durante a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Por cerca de oitocentos mil anos, o ciclo de aquecimento e resfriamento permaneceu relativamente constante, com um per\u00edodo frio entre os s\u00e9culos XIII e XVI.<\/p>\n\n\n\n<p>Este gr\u00e1fico \u00e9 significativo, pois destaca o impacto direto que a produ\u00e7\u00e3o capitalista teve sobre o meio ambiente. O aquecimento global n\u00e3o come\u00e7ou no s\u00e9culo 20<sup>\u00ba<\/sup>; as ra\u00edzes das emiss\u00f5es descontroladas de gases de efeito estufa remontam \u00e0 ascens\u00e3o do capitalismo nos s\u00e9culos 18<sup>\u00ba<\/sup> e 19<sup>\u00ba<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em *O Capital*, Volume 1, Marx havia dito: \u201c<em>\u2026todo progresso na agricultura capitalista \u00e9 um progresso na arte, n\u00e3o apenas de roubar o trabalhador, mas de roubar o solo; todo progresso no aumento da fertilidade do solo por um determinado per\u00edodo \u00e9 um progresso rumo \u00e0 ru\u00edna das fontes duradouras dessa fertilidade.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O fundamento do capitalismo \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias. \u00c9 a base sobre a qual se d\u00e1 a acumula\u00e7\u00e3o de capital. O sistema n\u00e3o pode funcionar sem a acumula\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o incessantes de capital, o que exige uma crescente mercantiliza\u00e7\u00e3o. Novas \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias devem ser abertas, novos itens devem ser convertidos em mercadorias. A produ\u00e7\u00e3o capitalista recompensa a lucratividade; por isso, busca a maneira mais lucrativa e, portanto, a mais barata poss\u00edvel de garantir as mat\u00e9rias-primas mais \u00fateis. O carv\u00e3o era abundante; era uma fonte de energia facilmente dispon\u00edvel e barata. Uma vez introduzida a energia a vapor \u00e0 base de carv\u00e3o, a mecaniza\u00e7\u00e3o dos processos produtivos e do transporte (com as ferrovias) praticamente garantiu que o capitalismo permanecesse no caminho da depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, mesmo quando alternativas mais limpas, como a energia hidrel\u00e9trica, estavam dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta do petr\u00f3leo como outra fonte de energia abundante e de alto poder, juntamente com inova\u00e7\u00f5es no transporte, como o autom\u00f3vel, a descoberta do \u00f3leo diesel e do motor a diesel, resultou em mais uma corrida pelos recursos de combust\u00edveis f\u00f3sseis, desta vez pelo petr\u00f3leo. Assim como na \u00e9poca do s\u00e9culo XIX, o s\u00e9culo XX testemunhou uma corrida por esse novo recurso. Embora, durante a maior parte da hist\u00f3ria do capitalismo, a industrializa\u00e7\u00e3o tenha se concentrado nos pa\u00edses centrais do capitalismo \u2014 a saber, na Europa Ocidental e nos Estados Unidos \u2014, o per\u00edodo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial testemunhou o r\u00e1pido crescimento do capitalismo em grande parte do mundo anteriormente colonizado. Seguiu-se uma terceira e mais devastadora corrida por recursos, que resultou em um aumento dram\u00e1tico nas emiss\u00f5es de carbono nos \u00faltimos setenta anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos dos gases de efeito estufa s\u00f3 se tornaram amplamente conhecidos nos \u00faltimos quarenta anos, quando o impacto do aquecimento global causado pelo homem se tornou ineg\u00e1vel. A ascens\u00e3o de um movimento ambientalista for\u00e7ou os governos capitalistas a, pelo menos, fingir que levavam a quest\u00e3o a s\u00e9rio, mas devemos compreender que governos que dependem da classe capitalista nunca ir\u00e3o sinceramente contra o que garante os lucros capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma economia inteira foi constru\u00edda pelas na\u00e7\u00f5es imperialistas com base no petr\u00f3leo e nos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Mesmo com o surgimento de novas tecnologias limpas, particularmente a energia solar, os pa\u00edses capitalistas n\u00e3o est\u00e3o dispostos ou n\u00e3o s\u00e3o capazes de fazer a transi\u00e7\u00e3o para longe dos combust\u00edveis f\u00f3sseis com rapidez suficiente para causar uma diferen\u00e7a significativa. Uma ideologia de nega\u00e7\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora sendo propagada para apoiar uma economia baseada em combust\u00edveis f\u00f3sseis, mesmo quando ela parece n\u00e3o ser mais vi\u00e1vel, nem mesmo nos termos do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resposta socialista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se o capitalismo \u00e9 o problema, a solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser o socialismo. O fim da acumula\u00e7\u00e3o capitalista sem fim, baseada na mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo. Hoje, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais uma abstra\u00e7\u00e3o, mas diz respeito \u00e0 sobreviv\u00eancia da ra\u00e7a humana. O aquecimento global est\u00e1 se aproximando de um ponto em que os aumentos descontrolados de temperatura se tornar\u00e3o irrevers\u00edveis. Nesse ponto, o derretimento das geleiras, o aquecimento dos oceanos e a desertifica\u00e7\u00e3o ceifar\u00e3o a vida de dezenas de milh\u00f5es de pessoas por meio de fomes, desastres naturais e aumentos descontrolados de temperatura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma manchete frequentemente enganosa aquela em que pa\u00edses como um todo s\u00e3o culpados pelas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, quando, na verdade, foram as 100 maiores corpora\u00e7\u00f5es que causaram 71% de todas as emiss\u00f5es nos \u00faltimos 28 anos. O Carbon Disclosure Project mapeou a totalidade dos gases de efeito estufa emitidos e constatou que um quarto de todas as emiss\u00f5es pode ser atribu\u00eddo a apenas 25 empresas e entidades, a maioria delas empresas estatais do setor energ\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Um programa socialista que coloque essas empresas sob o controle dos trabalhadores e nacionalize todas as empresas de energia como parte desse programa teria um impacto imediato na limita\u00e7\u00e3o do aquecimento global. Um governo socialista liderado e dirigido pelos trabalhadores, de acordo com um plano democr\u00e1tico, tendo o meio ambiente como um dos pilares fundamentais desse programa, pode fazer mais para promover mudan\u00e7as do que qualquer apelo piedoso ou advert\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pa\u00edses mais respons\u00e1veis pelo aquecimento global, a agenda de nacionaliza\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais cr\u00edtica. As empresas de energia e seus financiadores est\u00e3o entre os principais respons\u00e1veis por nos levar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o desastrosa em que nos encontramos hoje, em que o aquecimento global parece irrevers\u00edvel. Por mais que pessoas como o primeiro-ministro Balen Shah, do Nepal, possam afirmar o contr\u00e1rio, os governos capitalistas que permitiram a explora\u00e7\u00e3o de seus pa\u00edses em benef\u00edcio do capital n\u00e3o est\u00e3o isentos de culpa. A eros\u00e3o do solo devido ao desmatamento em grande escala e a expans\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de barragens para aumentar a gera\u00e7\u00e3o de energia contribu\u00edram para criar as condi\u00e7\u00f5es para as inunda\u00e7\u00f5es desastrosas que ocorreram.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena lembrar o alerta feito por Friedrich Engels: <em>\u201cN\u00e3o nos iludamos&#8230; com nossas vit\u00f3rias humanas sobre a natureza. Pois, por cada uma dessas vit\u00f3rias, a natureza se vinga de n\u00f3s. \u00c9 verdade que cada vit\u00f3ria, em primeiro lugar, traz os resultados que esper\u00e1vamos, mas, em segundo e terceiro lugares, ela tem efeitos bem diferentes e imprevistos que, com muita frequ\u00eancia, anulam os primeiros&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O custo do aquecimento global Introdu\u00e7\u00e3o \u2013 Mais de mil vidas perdidas, in\u00fameras aldeias e cidades destru\u00eddas. As imagens de uma torrente violenta de lama, terra e pedras reduzindo pr\u00e9dios de concreto a escombros ficar\u00e3o para sempre gravadas em nossa mem\u00f3ria coletiva. 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