{"id":83059,"date":"2026-09-11T00:36:48","date_gmt":"2026-09-11T00:36:48","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=83059"},"modified":"2026-09-11T00:37:53","modified_gmt":"2026-09-11T00:37:53","slug":"nao-a-entrega-e-ao-saqueio-do-petroleo-venezuelano-rejeitemos-os-acordos-delcy-trump-em-materia-petrolifera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/09\/11\/nao-a-entrega-e-ao-saqueio-do-petroleo-venezuelano-rejeitemos-os-acordos-delcy-trump-em-materia-petrolifera\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 entrega e ao saqueio do petr\u00f3leo venezuelano. Rejeitemos os acordos Delcy \u2013 Trump em mat\u00e9ria petrol\u00edfera"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><\/h6>\n\n\n\n<p>Em 28\/08\/2026, o presidente ultradireitista norte-americano Donald Trump anunciou ter firmado um acordo com o governo ditatorial e ileg\u00edtimo de Delcy Rodr\u00edguez, por meio do qual os Estados Unidos assumir\u00e3o o controle de 65 bilh\u00f5es de barris das reservas provadas de petr\u00f3leo venezuelano. Isso representa mais de 20% das reservas provadas de petr\u00f3leo bruto do pa\u00eds (equivalentes a 300 bilh\u00f5es de barris) e implica a entrega aos EUA de 17 campos petrol\u00edferos estrat\u00e9gicos (greenfields ou campos verdes\/novos) e 8 novos blocos na Faixa Petrol\u00edfera do Orinoco.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas negocia\u00e7\u00f5es, lideradas por Marco Rubio e Pete Hegseth, secret\u00e1rios de Estado e de Guerra dos EUA, respectivamente, conceder\u00e3o a Washington, segundo as pr\u00f3prias declara\u00e7\u00f5es de Donald Trump, o controle j\u00e1 descrito por um per\u00edodo de cem anos (vinte e cinco anos, renov\u00e1veis, segundo Delcy Rodr\u00edguez), e incorporariam uma enorme quantidade de petr\u00f3leo \u00e0s atuais reservas estrat\u00e9gicas provadas de petr\u00f3leo dos Estados Unidos (mais que as duplicando), atualmente estimadas em aproximadamente 46 bilh\u00f5es de barris, seu n\u00edvel mais baixo desde 1983.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Empresas privadas participam ativamente do acordo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo venezuelano entreguista e colaboracionista, por meio de contratos nos quais a estatal petrol\u00edfera PDVSA fica com uma participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria minorit\u00e1ria (45%), concedeu tais concess\u00f5es \u00e0 North American Blue Energy Partners (NABEP, 55%), uma empresa petrol\u00edfera privada que \u00e9 a segunda maior produtora privada de petr\u00f3leo venezuelana (depois da Chevron), de propriedade de Alejandro Betancourt, um boliburgu\u00eas corrupto (bolichico -boliburgu\u00eas jovem,ndt, &#8211; primo do opositor burgu\u00eas Leopoldo L\u00f3pez), agora protegido pelo governo norte-americano e principal envolvido nos neg\u00f3cios fraudulentos com as usinas termel\u00e9tricas durante a crise el\u00e9trica de 2010, al\u00e9m de acusado de lavagem de dinheiro na Su\u00ed\u00e7a e na Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>A NABEP (<strong>N<\/strong>orth <strong>A<\/strong>merican <strong>B<\/strong>lue <strong>E<\/strong>nergy <strong>P<\/strong>artners), por sua vez, concedeu ao Escrit\u00f3rio de Capital Estrat\u00e9gico do Departamento de Guerra dos EUA, que opera a partir do Pent\u00e1gono, uma participa\u00e7\u00e3o de 35% em sua empresa controladora, o que representa centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares em valor e dividendos para os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, concede ao Departamento de Estado norte-americano o direito de comprar, a pre\u00e7o de custo de produ\u00e7\u00e3o, 20% garantidos da extra\u00e7\u00e3o de todos os campos atuais e futuros que a NABEP operar, garantindo um fornecimento est\u00e1vel de petr\u00f3leo de baixo custo para facilitar o reabastecimento da Reserva Estrat\u00e9gica de Petr\u00f3leo norte-americana (SPR, por sua sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m concedeu ao Departamento de Estado dos EUA o direito de prefer\u00eancia para adquirir os 80% restantes de sua produ\u00e7\u00e3o, o direito de veto sobre a nomea\u00e7\u00e3o de qualquer membro do conselho de administra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de estabelecer que a maioria dos membros do conselho de administra\u00e7\u00e3o da NABEP sejam cidad\u00e3os norte-americanos, assim como os auditores, advogados e assessores da empresa. Por fim, a empresa dever\u00e1 ser regida pela legisla\u00e7\u00e3o norte-americana e estar\u00e1 submetida \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o dos tribunais daquele pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Milh\u00f5es de barris da produ\u00e7\u00e3o venezuelana de petr\u00f3leo ser\u00e3o processados em refinarias norte-americanas e bombeados por meio de plataformas e infraestrutura dos Estados Unidos, sem custos para os EUA. Estima-se uma produ\u00e7\u00e3o de 11 bilh\u00f5es de barris nos primeiros vinte e cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, durante o desenvolvimento dessa produ\u00e7\u00e3o nos primeiros 25 anos, a NABEP pagar\u00e1 aproximadamente 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em royalties e impostos, o que equivale a cerca de 8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, uma receita fiscal relativamente baixa quando comparada \u00e0s receitas fiscais que a Venezuela obteve no passado com n\u00edveis semelhantes de produ\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, todas essas receitas passar\u00e3o previamente por uma conta supervisionada pelos EUA, que finalmente decidir\u00e3o quanto ser\u00e1 destinado \u00e0 Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais concess\u00f5es respondem \u00e0 nova Lei de Hidrocarbonetos da Venezuela, recentemente reformada na Assembleia Nacional por iniciativa dos interesses dos Estados Unidos, estabelecendo a possibilidade de empresas privadas, nacionais ou estrangeiras, operarem com o petr\u00f3leo venezuelano, ou seja, extra\u00edrem, produzirem, distribu\u00edrem e comercializarem, sem a supervis\u00e3o da PDVSA (Petr\u00f3leos de Venezuela) em representa\u00e7\u00e3o do Estado venezuelano, avan\u00e7ando assim na privatiza\u00e7\u00e3o do setor petrol\u00edfero do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma opera\u00e7\u00e3o de espolia\u00e7\u00e3o e saqueio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em definitivo, trata-se de uma opera\u00e7\u00e3o de espolia\u00e7\u00e3o e saqueio dos recursos petrol\u00edferos e da soberania nacional quase sem precedentes na hist\u00f3ria do pa\u00eds, sendo necess\u00e1rio remontar \u00e0 \u00e9poca da ditadura de Juan Vicente G\u00f3mez para encontrar exemplos semelhantes de entreguismo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o bastante significativas as declara\u00e7\u00f5es de Donald Trump, publicadas em sua conta na rede social Truth, nas quais classifica o acordo como: \u201co melhor acordo j\u00e1 feito\u201d e afirma que se trata de \u201cum presente da Venezuela ao povo dos Estados Unidos\u201d. Tamb\u00e9m s\u00e3o ilustrativas as declara\u00e7\u00f5es de Elliott Abrams, ex-representante especial de Trump para a Venezuela e o Ir\u00e3, afirmando: <em>\u00abEste \u00e9 um acordo terr\u00edvel. [Delcy Rodr\u00edguez] entregou 20% do patrim\u00f4nio nacional em troca de nada\u00bb<\/em>, <em>\u00abAcho que est\u00e1 simplesmente cumprindo as exig\u00eancias de Washington\u00bb<\/em>. Al\u00e9m disso, acrescenta: <em>\u201cos termos s\u00e3o t\u00e3o unilaterais que constituem uma esp\u00e9cie de desvario sobre o que significa o colonialismo\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais declara\u00e7\u00f5es, mas principalmente os termos e condi\u00e7\u00f5es apontados anteriormente, deixam claro o car\u00e1ter profundamente entreguista do acordo, firmado com o total colaboracionismo do governo ditatorial de Delcy Rodr\u00edguez. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso acrescentar que, desde o in\u00edcio da rela\u00e7\u00e3o de tutela norte-americana sobre o pa\u00eds, no per\u00edodo que vai de janeiro a julho de 2026, teriam sido faturados 15,9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares com as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo venezuelano, dinheiro que permanece retido em contas e sob a tutela dos EUA, enquanto fontes oficiais afirmam que, durante esse per\u00edodo, apenas 725 milh\u00f5es de d\u00f3lares teriam ingressado no pa\u00eds em royalties. Outras fontes elevam para cerca de 5,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares o valor recebido.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para al\u00e9m dos n\u00fameros, o que fica evidente \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o colonial imposta pelos EUA \u00e0 Venezuela, com o colaboracionismo de Delcy Rodr\u00edguez, bem como a magnitude do saqueio e da viola\u00e7\u00e3o da soberania do pa\u00eds. As consequ\u00eancias e o custo dessa espolia\u00e7\u00e3o e desse saqueio acabar\u00e3o sendo pagos pelos trabalhadores e pelo povo venezuelano, com mais mis\u00e9ria e precariedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das massas populares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, enquanto a ditadura de Delcy Rodr\u00edguez e o imperialismo firmam acordos que ampliam o saqueio dos recursos petrol\u00edferos e minerais do pa\u00eds, os trabalhadores e o povo humilde continuam suportando a aplica\u00e7\u00e3o de um ajuste capitalista brutal, que os mant\u00e9m recebendo um sal\u00e1rio m\u00ednimo miser\u00e1vel de menos de US$ 0,16 mensais. Al\u00e9m disso, seus direitos contratuais, trabalhistas e sindicais foram cerceados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores e o povo humilde s\u00e3o v\u00edtimas da carestia dos bens e servi\u00e7os b\u00e1sicos, com uma infla\u00e7\u00e3o que, ao final do m\u00eas de agosto do corrente ano, acumula 202%, enquanto a infla\u00e7\u00e3o interanual (agosto de 2025 \u2013 agosto de 2026) chega a 641,35%. Os pre\u00e7os dos alimentos e dos servi\u00e7os b\u00e1sicos, como g\u00e1s, \u00e1gua, eletricidade, gasolina, internet, entre outros, aumentam todos os dias \u00e0 medida que o bol\u00edvar se desvaloriza em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar norte-americano. Este \u00faltimo est\u00e1, na data de hoje, acima de 807 bol\u00edvares.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para al\u00e9m do aumento dos pre\u00e7os dos servi\u00e7os, o pior \u00e9 a deteriora\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios servi\u00e7os. Atualmente, o governo submete a popula\u00e7\u00e3o a um plano de racionamento de energia el\u00e9trica que deixa v\u00e1rias regi\u00f5es de quase todas as cidades do pa\u00eds sem eletricidade por per\u00edodos de cinco, seis e at\u00e9 doze horas, em hor\u00e1rios diferenciados. O governo argumenta que esse plano responde a uma necessidade provocada pelo fen\u00f4meno natural denominado \u201cSuper El Ni\u00f1o\u201d, mas a verdade \u00e9 que isso se deve, por um lado, a anos de desinvestimento e falta de manuten\u00e7\u00e3o no setor e, por outro, \u00e0 prioriza\u00e7\u00e3o do fornecimento de energia el\u00e9trica para a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pelas transnacionais que operam no setor petrol\u00edfero do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma maneira, cidades inteiras sofrem com a falta de \u00e1gua, sendo irregular o fornecimento do l\u00edquido vital em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a entidade patronal FEDEC\u00c1MARAS (principal organiza\u00e7\u00e3o patronal do pa\u00eds) insiste em sua proposta de bonifica\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, algo que, na pr\u00e1tica, j\u00e1 vem sendo aplicado pelo governo e pelas empresas privadas, bem como na reforma da Lei Org\u00e2nica do Trabalho para eliminar a retroatividade das indeniza\u00e7\u00f5es trabalhistas e revisar conceitos como participa\u00e7\u00e3o nos lucros, gratifica\u00e7\u00f5es de fim de ano e f\u00e9rias. Alegam que a reforma dessa lei seria a \u00fanica via poss\u00edvel para aumentar o sal\u00e1rio m\u00ednimo e as aposentadorias\/pens\u00f5es. \u00c9 um argumento que j\u00e1 utilizaram no final dos anos 1990, quando roubaram as indeniza\u00e7\u00f5es trabalhistas dos trabalhadores, eliminaram sua retroatividade e, mesmo assim, os aumentos salariais nunca chegaram de maneira significativa.<\/p>\n\n\n\n<p>A tudo isso, \u00e9 preciso acrescentar a continuidade da repress\u00e3o contra os trabalhadores e setores da popula\u00e7\u00e3o que se mobilizam e defendem seus direitos. Apesar da realiza\u00e7\u00e3o de algumas liberta\u00e7\u00f5es (que n\u00e3o s\u00e3o liberdades plenas) de v\u00e1rios dirigentes pol\u00edticos, muitos trabalhadores continuam detidos e encarcerados, como \u00e9 o caso dos 120 trabalhadores da PDVSA que ainda est\u00e3o presos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O governo ditatorial tutelado defende e justifica o acordo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante das cr\u00edticas e da indigna\u00e7\u00e3o de diversos setores da popula\u00e7\u00e3o venezuelana com o acordo firmado, Delcy Rodr\u00edguez, principal representante da ditadura, saiu em defesa e justificativa do mesmo, tentando apresent\u00e1-lo como uma grande oportunidade para o pa\u00eds recuperar sua ind\u00fastria petrol\u00edfera e sua economia em geral, pois, segundo seus argumentos, seriam atra\u00eddos investimentos da ordem de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e seriam gerados benef\u00edcios superiores a 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares nos primeiros vinte e cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Delcy Rodr\u00edguez argumenta, para justificar o acordo com os Estados Unidos, que n\u00e3o basta ter as maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo, sendo tamb\u00e9m necess\u00e1rios \u201cinvestimento, tecnologia, infraestrutura, capacidade produtiva\u201d; e isso seria fornecido pelos EUA no \u00e2mbito do acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que Delcy Rodr\u00edguez n\u00e3o diz \u00e9 que esses supostos investimentos (que ainda precisam ser concretizados e cuja fonte de financiamento ainda precisa ser esclarecida) n\u00e3o v\u00eam sozinhos, mas acompanhados de condi\u00e7\u00f5es e planos de ajuste que descarregar\u00e3o seus custos sobre os ombros dos trabalhadores venezuelanos, dos trabalhadores do setor petrol\u00edfero e de outros setores, que acabar\u00e3o submetidos a condi\u00e7\u00f5es de trabalho e salariais extremamente duras.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m trar\u00e3o exig\u00eancias normativas e reformas legais que aprofundar\u00e3o o processo de privatiza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera, o saqueio e a entrega dos recursos petrol\u00edferos e minerais do pa\u00eds, a perda da soberania nacional e o cerceamento dos direitos salariais, trabalhistas, legais, contratuais e sindicais. Entre elas est\u00e3o a j\u00e1 mencionada reforma da Lei de Hidrocarbonetos, a reforma de algumas leis que regulamentam o setor de minera\u00e7\u00e3o e a pretendida reforma da Lei Org\u00e2nica do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos benef\u00edcios que supostamente ser\u00e3o gerados pelo acordo, j\u00e1 foi apontado que, com n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o semelhantes, em per\u00edodos anteriores a Venezuela obteve maiores receitas fiscais em prazos mais curtos. No caso espec\u00edfico deste acordo, o fornecimento ou venda de petr\u00f3leo aos EUA a pre\u00e7os abaixo dos praticados no mercado (pre\u00e7o de custo de produ\u00e7\u00e3o de aproximadamente US$ 3,20 por barril) priva o pa\u00eds de uma importante quantidade de receitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para agravar a situa\u00e7\u00e3o, deve-se destacar que, desde o in\u00edcio da tutela norte-americana (03\/01\/2026), o pa\u00eds n\u00e3o disp\u00f5e do controle direto de sua renda petrol\u00edfera, que \u00e9 administrada e supervisionada pelos EUA, inicialmente por meio de contas no Catar, mas que agora, segundo informa\u00e7\u00f5es, seriam transferidas para Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da necessidade de tecnologia, investimento e capacidade produtiva, Delcy Rodr\u00edguez n\u00e3o menciona que foi o pr\u00f3prio regime chavista que ela agora lidera que deixou de investir em tecnologia e manuten\u00e7\u00e3o e destruiu a capacidade produtiva do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se trata de um argumento novo: o mesmo argumento foi utilizado nos anos 1990 para justificar a pol\u00edtica privatizadora conduzida por Caldera, conhecida como \u201cAbertura Petrol\u00edfera\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, esse acordo conduz a uma situa\u00e7\u00e3o em que, al\u00e9m de avan\u00e7ar a passos largos na privatiza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera venezuelana, os EUA passam a assumir o controle direto das receitas, reservas, po\u00e7os e jazidas de petr\u00f3leo do pa\u00eds, tanto nas etapas de explora\u00e7\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o quanto na distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o. Isso se traduz em um completo cerceamento da soberania nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, \u00e9 pertinente destacar que a oposi\u00e7\u00e3o burguesa ao governo, desde Mar\u00eda Corina Machado at\u00e9 muitas outras express\u00f5es do mesmo setor, limitou-se a questionar o acordo com base em argumentos jur\u00eddicos, como sua inconstitucionalidade e a falta de legitimidade do governo que o assinou (elementos nitidamente verdadeiros), mas sem questionar profundamente suas implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e a perda de soberania. Isso n\u00e3o \u00e9 de se estranhar, pois, apesar de suas diferen\u00e7as, trata-se de um setor burgu\u00eas t\u00e3o entreguista e pr\u00f3-imperialista quanto aquele que hoje det\u00e9m o poder. Sua disputa se limita a definir quem liderar\u00e1 a entrega, atuando como s\u00f3cio minorit\u00e1rio do imperialismo norte-americano na mesma, e \u00e0s nuances de como ela ser\u00e1 realizada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A reafirma\u00e7\u00e3o da Doutrina Monroe, a expuls\u00e3o de rivais do hemisf\u00e9rio e a poss\u00edvel sa\u00edda da Venezuela da OPEP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o, em dezembro de 2025, do documento intitulado \u201cEstrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional\u201d, o governo dos EUA, tendo Donald Trump \u00e0 frente, deixou evidentes suas pretens\u00f5es de recuperar e reafirmar sua hegemonia na Am\u00e9rica Latina, subcontinente que historicamente considera seu quintal; retomando a conhecida Doutrina Monroe: \u201cAm\u00e9rica para os americanos\u201d (onde os americanos s\u00e3o os gringos, evidentemente), agora temperada com o chamado \u201cCorol\u00e1rio Trump\u201d (Doutrina Donroe), que amplia a vis\u00e3o colonialista e hegem\u00f4nica para todo o hemisf\u00e9rio ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo recentemente firmado se insere nessa estrat\u00e9gia colonialista e hegem\u00f4nica, pretendendo retirar de rivais inc\u00f4modos no continente e no pa\u00eds, como a China e a R\u00fassia, o controle e a opera\u00e7\u00e3o de campos petrol\u00edferos que anteriormente eram controlados ou operados por empresas russas e chinesas, que tamb\u00e9m saquearam os recursos da Venezuela, sem realizar investimentos significativos na infraestrutura produtiva do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump pretende ter o caminho livre para continuar e ampliar esse saqueio e essa espolia\u00e7\u00e3o de maneira segura, barata e duradoura, expulsando os imperialismos rivais de nosso entorno e garantindo que o dom\u00ednio norte-americano sobre a Am\u00e9rica Latina e a Venezuela nunca mais seja questionado. O governo Trump pretende forjar cadeias de abastecimento seguras para abastecer as reservas estrat\u00e9gicas de petr\u00f3leo dos EUA, impondo uma estrat\u00e9gia neocolonial que lhe assegure os recursos energ\u00e9ticos e o controle econ\u00f4mico, pol\u00edtico, geopol\u00edtico e militar do continente e do hemisf\u00e9rio. Entre outras coisas, promovendo tamb\u00e9m todo um conjunto de governos ultradireitistas que garantam a aplica\u00e7\u00e3o de seus planos nos diferentes pa\u00edses. A decep\u00e7\u00e3o das massas populares e do movimento oper\u00e1rio do continente com os governos populistas, at\u00e9 agora, vem facilitando essa tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, uma not\u00edcia publicada pela ag\u00eancia Bloomberg (27\/08\/2026) afirma que a Venezuela estaria avaliando cuidadosamente a possibilidade de abandonar a OPEP (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo). Acreditamos que, caso essa medida seja adotada, isso ocorreria por iniciativa dos EUA, no \u00e2mbito da estrat\u00e9gia neocolonial hegem\u00f4nica descrita anteriormente, com o objetivo de facilitar os planos e priorizar os interesses de Washington, evitando qualquer limite ou pol\u00edtica de corte de produ\u00e7\u00e3o que entre em conflito com esses interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirma a Bloomberg: <em>\u201c\u2026a ideia de uma sa\u00edda tem sido tema de conversas com funcion\u00e1rios norte-americanos, e ainda n\u00e3o foi tomada nenhuma decis\u00e3o definitiva\u2026\u201d<\/em>; mas, caso se concretize, seria um enorme passo no cerceamento de qualquer orienta\u00e7\u00e3o minimamente soberana na condu\u00e7\u00e3o de nossa pol\u00edtica petrol\u00edfera e em dire\u00e7\u00e3o a um rumo completamente colonial e entreguista ao imperialismo norte-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que a visita a Caracas, em 02\/09\/2026, de Christopher Wright, secret\u00e1rio de Energia dos Estados Unidos, e sua reuni\u00e3o com Delcy Rodr\u00edguez apontam nesse sentido, al\u00e9m de impulsionar novos acordos petrol\u00edferos; foram assinados em Miraflores novos contratos para explora\u00e7\u00e3o e licen\u00e7as de prospec\u00e7\u00e3o para Chevron, Eni, Primavera e Aspect Energy. Avan\u00e7ando no processo privatizador e entreguista da ind\u00fastria petrol\u00edfera e selando, al\u00e9m disso, acordos com a General Electric, com vistas \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o da China<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passados alguns dias da assinatura do acordo com o governo norte-americano, reagindo \u00e0s vers\u00f5es da imprensa que apontam que o acordo deslocaria as estatais petrol\u00edferas Sinopec e CNPC, o governo chin\u00eas, por meio do porta-voz do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Guo Jiakun, fez declara\u00e7\u00f5es exigindo que sejam plenamente garantidos e respeitados os direitos e interesses econ\u00f4micos chineses na Venezuela, argumentando que <em>\u201c\u2026a soberania dos acordos anteriores se apoia em normas legais e que a coopera\u00e7\u00e3o entre as duas na\u00e7\u00f5es \u00e9 regida por princ\u00edpios de igualdade e benef\u00edcio m\u00fatuo\u2026\u201d<\/em>. E, embora tenha evitado confirmar diretamente a transfer\u00eancia de ativos, reiterou que a diplomacia asi\u00e1tica acompanha de perto a situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que se trata de uma disputa pelo controle dos campos petrol\u00edferos, na qual, obviamente, a China n\u00e3o quer perder sua fatia no saqueio dos recursos do pa\u00eds. At\u00e9 agora, essa disputa se limitou a declara\u00e7\u00f5es, mas sua evolu\u00e7\u00e3o estar\u00e1 diretamente associada \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es e \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da crise da ordem mundial e das negocia\u00e7\u00f5es que possam ocorrer na divis\u00e3o das \u00e1reas de influ\u00eancia e do saqueio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Todo o rep\u00fadio ao pacto petrol\u00edfero Delcy \u2013 Trump<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Da Unidade Socialista dos Trabalhadores, expressamos nossa mais categ\u00f3rica rejei\u00e7\u00e3o e rep\u00fadio ao acordo petrol\u00edfero firmado entre o imperialismo norte-americano e o governo ditatorial tutelado de Delcy Rodr\u00edguez, uma vez que se trata de um pacto draconiano que representa a entrega da soberania do pa\u00eds, permitindo o roubo e o saqueio descarados de mais de um quinto de nossas reservas petrol\u00edferas pela principal pot\u00eancia imperialista do mundo. Afirmamos que nenhum pacto com os EUA, nem com qualquer outra pot\u00eancia imperialista, como China e R\u00fassia, trar\u00e1 benef\u00edcios para os trabalhadores e para o povo venezuelano, nem resolver\u00e1 os problemas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que convocamos a organiza\u00e7\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o para derrotar esse pacto, bem como toda a pol\u00edtica capitalista, antioper\u00e1ria e antipopular do governo de Delcy Rodr\u00edguez, em alian\u00e7a com o imperialismo norte-americano e com a patronal privada do pa\u00eds, principalmente a FEDEC\u00c1MARAS.<\/p>\n\n\n\n<p>Consideramos que as organiza\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias da classe trabalhadora existentes no pa\u00eds devem colocar em sua agenda de discuss\u00e3o a prepara\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria, tanto para exigir aumento dos sal\u00e1rios e das aposentadorias\/pens\u00f5es at\u00e9 o n\u00edvel da cesta b\u00e1sica, enfrentar os ataques aos direitos trabalhistas, contratuais e sindicais, enfrentar os ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, exigir a liberta\u00e7\u00e3o dos presos pol\u00edticos, quanto para derrotar o recente acordo petrol\u00edfero.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que \u00e9 necess\u00e1rio preparar uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional para derrotar esse acordo leonino. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso levantar um programa que exija a nacionaliza\u00e7\u00e3o de 100% da PDVSA, sem transnacionais nem empresas mistas, sem pactos que roubem nossas reservas petrol\u00edferas, exigindo o fim da tutela imperialista no pa\u00eds e, portanto, o fim do controle dos EUA sobre a produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de nosso petr\u00f3leo e sobre as receitas provenientes de sua exporta\u00e7\u00e3o; pelo controle direto da Venezuela sobre sua renda petrol\u00edfera; por uma PDVSA sob o controle dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, deve-se exigir a revoga\u00e7\u00e3o da Lei de Hidrocarbonetos e das demais leis que entregam nossa soberania, o fim dos contratos entreguistas firmados com as transnacionais, bem como o fim das san\u00e7\u00f5es imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O petr\u00f3leo venezuelano e os recursos provenientes de sua exporta\u00e7\u00e3o devem servir para garantir sal\u00e1rios e aposentadorias\/pens\u00f5es iguais \u00e0 cesta b\u00e1sica, servi\u00e7os p\u00fablicos gratuitos e de qualidade de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, investimentos para recuperar a infraestrutura el\u00e9trica e os demais servi\u00e7os b\u00e1sicos, produ\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos, medicamentos, bens e insumos necess\u00e1rios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, o que ajudaria a combater o flagelo da infla\u00e7\u00e3o e da mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conclus\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio unificar esfor\u00e7os para enfrentar o imperialismo norte-americano (e tamb\u00e9m os imperialismos rivais) e seus planos para o pa\u00eds, o continente e o hemisf\u00e9rio; defender a soberania nacional sobre a gest\u00e3o de nossos recursos petrol\u00edferos, energ\u00e9ticos, minerais e naturais. Essa luta deve estar inserida em uma luta global que inclua a derrota do genoc\u00eddio israelense em Gaza contra a popula\u00e7\u00e3o palestina (avalizado e apoiado pelos EUA), a invas\u00e3o do Ir\u00e3, bem como os planos intervencionistas norte-americanos nesse pa\u00eds e no Oriente M\u00e9dio como um todo, a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e os planos expansionistas e hegem\u00f4nicos do imperialismo em n\u00edvel mundial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 28\/08\/2026, o presidente ultradireitista norte-americano Donald Trump anunciou ter firmado um acordo com o governo ditatorial e ileg\u00edtimo de Delcy Rodr\u00edguez, por meio do qual os Estados Unidos assumir\u00e3o o controle de 65 bilh\u00f5es de barris das reservas provadas de petr\u00f3leo venezuelano. Isso representa mais de 20% das reservas provadas de petr\u00f3leo bruto do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":83060,"menu_order":9,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Leonardo Arantes - UST \/ Venezuela","footnotes":""},"categories":[167,5620],"tags":[9727,2234,9728,168],"class_list":["post-83059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-venezuela","category-america-latina","tag-delcy-rodriguez","tag-leonardo-arantes","tag-saque-na-venezuela","tag-venezuela-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Captura-de-tela_10-9-2026_213543_tn.com_.ar_.jpeg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Venezuela"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Leonardo Arantes - UST \/ Venezuela","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83059"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83059\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83061,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83059\/revisions\/83061"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}