{"id":83046,"date":"2026-09-09T20:11:46","date_gmt":"2026-09-09T20:11:46","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=83046"},"modified":"2026-09-09T20:11:47","modified_gmt":"2026-09-09T20:11:47","slug":"resposta-ao-manifesto-precisamos-tomar-partido-da-crt-e-do-cr-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/09\/09\/resposta-ao-manifesto-precisamos-tomar-partido-da-crt-e-do-cr-iv\/","title":{"rendered":"Resposta ao Manifesto \u201cPrecisamos Tomar Partido\u201d da CRT e do \u201cCR-IV\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Recebemos o manifesto \u201c<strong><em>Precisamos Tomar Partido<\/em><\/strong>\u201d, lan\u00e7ado por um comit\u00ea conjunto entre a CRT(<em>Corrente Revolucion\u00e1ria de Trabalhadoras y Trabalhadores<\/em>) e a autodenominada CR-IV (<em>Corriente Roja-IV<\/em>). O manifesto prop\u00f5e promover um processo constituinte para a funda\u00e7\u00e3o de uma nova organiza\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria no Estado espanhol, embora, na realidade, ambas as for\u00e7as j\u00e1 constituam h\u00e1 muito tempo uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o: a CRT. Em nome do que \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o efetiva de \u201cCR-IV\u201d \u00e0 CRT, falam em promover um \u201c<em>processo constituinte<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Corriente Roja e a LIT-QI consideram-se um instrumento a servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio e da tarefa hist\u00f3rica de construir uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria internacional. Assim, aspiramos a nos construir dentro do movimento oper\u00e1rio para contribuir com a vit\u00f3ria de nossa classe sobre o capitalismo e para o fim de toda opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Temos plena consci\u00eancia de que tais objetivos exigem um debate honesto e leal com o restante da esquerda revolucion\u00e1ria para que possamos avan\u00e7ar juntos nessas tarefas.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos, contudo, que o manifesto \u201cDevemos Tomar Partido\u201d est\u00e1 longe de contribuir para um debate honesto e justo, em primeiro lugar porque as teses que nos atribuem nele, s\u00e3o, sobretudo, uma constru\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. Sentimos, por nossa parte, na obriga\u00e7\u00e3o de responder.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreendemos que \u00e9 necess\u00e1rio destacar algumas quest\u00f5es b\u00e1sicas de m\u00e9todo, programa e estrat\u00e9gia que, dada a sua import\u00e2ncia, interessam a todos os envolvidos na constru\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a distintamente socialista e revolucion\u00e1ria. Entre essas quest\u00f5es, abordaremos o problema das nacionalidades oprimidas e das tarefas democr\u00e1ticas, a incapacidade da CRT\/CRP de reconhecer a agress\u00e3o imperialista da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia[1], e tamb\u00e9m as pol\u00edticas do PTS argentino, partido-m\u00e3e da CRP, que o manifesto apresenta como a grande refer\u00eancia global para os revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>I. Uma profunda incompreens\u00e3o da luta das nacionalidades oprimidas pela sua liberta\u00e7\u00e3o e da luta pelos princ\u00edpios democr\u00e1ticos<\/p>\n\n\n\n<p>Como sabemos, a quest\u00e3o das nacionalidades oprimidas tem sido central para os problemas do regime pol\u00edtico espanhol ao longo da hist\u00f3ria moderna e continua a s\u00ea-lo, com os seus altos e baixos, no regime que emergiu da Transi\u00e7\u00e3o. O <em>proc\u00e9s<\/em>, como ficou conhecido o per\u00edodo de mobiliza\u00e7\u00f5es em massa em defesa da Rep\u00fablica da Catalunha que come\u00e7ou em 2013 e culminou no referendo de 1 de outubro de 2017, \u00e9 prova disso. N\u00e3o \u00e9 de admirar que a Lei da Amnistia ainda esteja pendente de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 observ\u00e1mos em trabalhos anteriores,[2] a CRT e a sua corrente internacional (a Fra\u00e7\u00e3o Trotskista (FT), recentemente renomeada CRP) sofrem de uma profunda incompreens\u00e3o sobre como abordar o problema das nacionalidades oprimidas. Longe de se esfor\u00e7ar para compreender os processos din\u00e2micos e vivos da luta contra a opress\u00e3o nacional, defende um doutrinarismo que despreza os princ\u00edpios democr\u00e1ticos e os aplica a todas as circunst\u00e2ncias e lugares. Como se os princ\u00edpios democr\u00e1ticos n\u00e3o fizessem parte do programa de transi\u00e7\u00e3o para a revolu\u00e7\u00e3o socialista. Assim, quando chegam momentos decisivos, como <em>proc\u00e9s<\/em> catal\u00e3o, tornam-se uma for\u00e7a externa, alheia \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m surpreendente que uma organiza\u00e7\u00e3o como a CRT e sua corrente internacional, que se apresentam como far\u00f3is do marxismo revolucion\u00e1rio e os \u00fanicos trotskistas do mundo, e que costumam encerrar debates com cita\u00e7\u00f5es, desta vez tenham \u201cesquecido\u201d qualquer refer\u00eancia \u00e0s pol\u00edticas adotadas por Trotsky e pela Oposi\u00e7\u00e3o Internacional de Esquerda na tumultuada d\u00e9cada de 1930 no Estado espanhol. Um per\u00edodo em que a luta contra a monarquia e a quest\u00e3o nacional catal\u00e3 ocuparam a vanguarda da luta de classes at\u00e9 o in\u00edcio da Guerra Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas da corrente internacional da CRT n\u00e3o se limitam \u00e0 quest\u00e3o nacional, mas abrangem a luta geral pelos princ\u00edpios democr\u00e1ticos e a luta dos povos oprimidos, como a Palestina e a Ucr\u00e2nia, pela sua liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de iniciar o debate, consideramos necess\u00e1rio denunciar, mais uma vez, os m\u00e9todos utilizados pela CRT, que, no seu manifesto conjunto, ataca a Corriente Roja por defender a tese de que a Galiza \u00e9 uma <em>col\u00f4nia<\/em> espanhola. A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que nunca defendemos essa tese, e a CRT e os seus novos parceiros sabem disso perfeitamente bem. Trata-se, literalmente, de uma mentira cuja necessidade n\u00e3o entendemos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>II.1. A Luta pela Rep\u00fablica Catal\u00e3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passando agora ao debate, a CRT come\u00e7a, como \u00e9 seu costume, com a ladainha de que a Corriente Roja e a LIT defendem uma \u201cpol\u00edtica pseudo-est\u00e1dica\u201d[3] de \u201c<em>revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/em>\u201d que \u201c<em>desvincula as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas da perspectiva do poder oper\u00e1rio<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Prosseguem dizendo que, dado que <em>\u201ca rep\u00fablica catal\u00e3 s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se for conquistada atrav\u00e9s de uma grande luta social liderada pela classe trabalhadora [\u2026] s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel como uma rep\u00fablica socialista [\u2026]\u201d. Pelo contr\u00e1rio, continuam, defendendo, como fez a Corriente Roja [4], \u201co slogan de uma Rep\u00fablica Catal\u00e3 (\u2026) acaba por condenar um partido revolucion\u00e1rio a juntar-se \u00e0 retaguarda da pol\u00edtica nacionalista burguesa e pequeno-burguesa\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a CRT nem sequer reconhece que o <em>proc\u00e9s<\/em> foi uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular pela independ\u00eancia catal\u00e3 e, de forma pudica, fala apenas de \u201cum movimento democr\u00e1tico pelo direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo de Guillermo Ferrari [5], de 14 de outubro de 2013, escrito quando o proc\u00e9s j\u00e1 tinha come\u00e7ado e a CRT ainda se chamava \u201cClasse Contra Classe\u201d, resume perfeitamente as suas posi\u00e7\u00f5es. Nele, rejeita, desde o in\u00edcio, a consigna de Rep\u00fablica Catal\u00e3 porque <em>\u201cn\u00e3o define se \u00e9 uma rep\u00fablica capitalista ou socialista\u201d.<\/em> Al\u00e9m disso, porque \u201c<em>define a rela\u00e7\u00e3o entre a Catalunha e o resto do Estado espanhol de uma forma particular<\/em>\u201d, quando o que era necess\u00e1rio era uma \u201c<em>Assembleia Constituinte Revolucion\u00e1ria<\/em>\u201d \u2014 nascida da sua imagina\u00e7\u00e3o \u2014 <em>\u201conde todas as nacionalidades possam discutir e resolver a quest\u00e3o nacional e todos os problemas<\/em>\u201d.[6]<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es da CRT, reproduziremos aqui uma parte fundamental dos argumentos defendidos pela Corriente Roja[7]:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c1\/O conflito catal\u00e3o tornou-se o elemento mais avan\u00e7ado da crise do regime mon\u00e1rquico decadente. A grande mobiliza\u00e7\u00e3o pela sua soberania nacional fez da Catalunha o principal basti\u00e3o da luta contra o regime e, por essa mesma raz\u00e3o, a vanguarda do processo revolucion\u00e1rio espanhol. O rumo do conflito e os seus resultados s\u00e3o decisivos para a classe trabalhadora e os povos do Estado espanhol.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>2\/O conflito catal\u00e3o demonstra claramente que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel exercer o direito democr\u00e1tico \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o sem romper com a legalidade do regime mon\u00e1rquico. A proibi\u00e7\u00e3o da consulta demonstrou que um referendo sobre a autodetermina\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se a Catalunha assumir plena soberania nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>3\/Esta realidade pol\u00edtica obriga-nos a afirmar claramente que a proclama\u00e7\u00e3o de uma Rep\u00fablica Catal\u00e3 independente \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o e o instrumento para assegurar a autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>4\/A luta pelos direitos nacionais, pela soberania, pela Rep\u00fablica Catal\u00e3, deve ser, acima de tudo, uma reivindica\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, que deve tornar-se a campe\u00e3 desta luta democr\u00e1tica. O movimento oper\u00e1rio n\u00e3o pode permanecer alheio a esta luta nem limitar-se a desempenhar o papel de mero c\u00famplice \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Mas ou, se necess\u00e1rio, de Junqueras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>7\/Lutamos por uma Rep\u00fablica Catal\u00e3 \u201csocial e soberana\u201d. Soberana n\u00e3o s\u00f3 a partir de Madrid, mas tamb\u00e9m de Bruxelas e Berlim, assegurando as necessidades b\u00e1sicas da classe trabalhadora e da pequena burguesia empobrecida (proibi\u00e7\u00e3o de despejos; revers\u00e3o de cortes e privatiza\u00e7\u00f5es; direitos laborais e pol\u00edticos; revoga\u00e7\u00e3o da reforma laboral; pris\u00e3o para os corruptos e para aqueles que os corrompem, e confisco de bens roubados; suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida e auditoria; tomada de controle dos bancos catal\u00e3es \u2014 La Caixa e Sabadell \u2014 e empresas estrat\u00e9gicas; confisco de empresas que amea\u00e7am mudar-se caso a independ\u00eancia seja declarada\u2026) e o lan\u00e7amento de um processo constituinte para uma mudan\u00e7a radical, dando voz aos trabalhadores organizados de baixo para cima. A luta por medidas como estas confere ao lema de uma Rep\u00fablica Catal\u00e3 um car\u00e1ter transit\u00f3rio rumo \u00e0 conquista do poder pela classe trabalhadora. (\u2026)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>8\/A luta pela Rep\u00fablica Catal\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma luta pela \u201cindepend\u00eancia\u201d, mas o principal ponto de apoio para o fim do regime mon\u00e1rquico e a melhor base para lutar por uma uni\u00e3o livre de povos livres ou, como expressaram os nossos precursores na luta, a uni\u00e3o livre ou confedera\u00e7\u00e3o das rep\u00fablicas ib\u00e9ricas. Para n\u00f3s, esta uni\u00e3o livre \u00e9 insepar\u00e1vel da luta por uma Europa dos trabalhadores e dos povos. N\u00e3o existe \u201csocialismo num s\u00f3 pa\u00eds\u201d; tem uma dimens\u00e3o europeia e global. A Rep\u00fablica Catal\u00e3, a uni\u00e3o livre das rep\u00fablicas e a Europa dos trabalhadores e dos povos s\u00e3o uma combina\u00e7\u00e3o de lemas que formam um todo insepar\u00e1vel.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na Corriente Roja, acreditamos que essas teses est\u00e3o ligadas \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do marxismo revolucion\u00e1rio no Estado espanhol e, em particular, \u00e0s posi\u00e7\u00f5es assumidas por Leon Trotsky e pela Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda em 1934, quando o conflito frontal entre a Catalunha e o governo central eclodiu por causa da Lei dos Contratos Agr\u00edcolas. Esse conflito convergiu e se tornou um elemento central no embate geral do movimento oper\u00e1rio em todo o Estado contra o governo reacion\u00e1rio em Madri.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma carta bastante cr\u00edtica, Trotsky[8] aos dirigentes da Esquerda Comunista Espanhola (ICE) destacou a necessidade urgente de uma mudan\u00e7a radical:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;A Catalunha consegue&#8221; tornar-se o eixo da revolu\u00e7\u00e3o espanhola. A conquista da dire\u00e7\u00e3o na Catalunha deve ser o centro da nossa pol\u00edtica na Espanha.\u201d (&#8230;) \u201cO proletariado deve demonstrar na pr\u00e1tica \u00e0s massas catal\u00e3s que tem um interesse sagrado na defesa da independ\u00eancia catal\u00e3. \u00c9 aqui que reside o passo decisivo para a conquista da dire\u00e7\u00e3o na luta de todas as camadas sociais da cidade e do campo, prontos para a defesa.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Da mesma forma, entre outras quest\u00f5es-chave, como a do armamento do povo, Trotsky disse-lhes que \u201cdada a extrema divis\u00e3o do proletariado catal\u00e3o[9], que o impede de estabelecer a sua hegemonia na Catalunha, n\u00e3o pode, na situa\u00e7\u00e3o atual, proclamar a independ\u00eancia da Catalunha por si pr\u00f3prio. Mas pode e deve exigir a proclama\u00e7\u00e3o com todas as suas for\u00e7as e exigi-la ao governo pequeno-burgu\u00eas da ERC.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que a luta pela proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Catal\u00e3 n\u00e3o afastou Trotsky e a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda do caminho revolucion\u00e1rio. Como escreveu Alfonso Leonetti em nome do si da LCI &#8211; Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda &#8211; em uma carta anexa \u00e0 de Trotsky:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEvidentemente, n\u00f3s, marxistas, n\u00e3o somos \u2018separatistas\u2019; mas tamb\u00e9m n\u00e3o somos \u2018democratas\u2019. Apesar disso, ao lutarmos pela \u2018democracia\u2019, pretendemos alcan\u00e7ar o socialismo e o poder prolet\u00e1rio. O mesmo se aplica \u00e0 quest\u00e3o nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ao lutarmos pela independ\u00eancia da Catalunha, pela Rep\u00fablica Catal\u00e3, enfim, a classe trabalhadora nunca perde de vista o fato de que sua tarefa \u00e9 lutar por uma rep\u00fablica oper\u00e1ria e camponesa catal\u00e3 livre dentro de uma rep\u00fablica oper\u00e1ria e camponesa livre da Espanha.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>II.2. A Oposi\u00e7\u00e3o da CRT \u00e0 consigna Rep\u00fablica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mesma linha de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 consigna Rep\u00fablica Catal\u00e3 se repete com a consigna Rep\u00fablica na escala do Estado Espanhol. Guillermo Ferrari, no artigo citado, \u00e9 talvez quem melhor expressa a posi\u00e7\u00e3o da CRT. Foi assim que ele nos criticou, por exemplo, por apoiarmos iniciativas de referendo contra a Monarquia que estavam ocorrendo em v\u00e1rios lugares na \u00e9poca. Ele nos dizia, em uma demonstra\u00e7\u00e3o de dogmatismo sem precedentes, que est\u00e1vamos pedindo <em>\u201c(a quem?) um referendo para que as pessoas possam votar se querem a Monarquia ou uma Rep\u00fablica (n\u00e3o importa se \u00e9 burguesa). E a revolu\u00e7\u00e3o socialista fica para um futuro indefinido.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em outro trecho do artigo, ele escreveu que sua organiza\u00e7\u00e3o <em>\u201cn\u00e3o luta pela Terceira Rep\u00fablica, mas sim por uma Rep\u00fablica Oper\u00e1ria que acabe com a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e com todas as formas de opress\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, essa metodologia tem muito pouco a ver com a tradi\u00e7\u00e3o marxista, cujo programa combina a luta por demandas democr\u00e1ticas, transit\u00f3rias e socialistas com a luta pela revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigentes como Leon Trotsky aplicaram essa tradi\u00e7\u00e3o na Espanha no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930, em meio \u00e0 luta contra a monarquia. Em uma carta aos camaradas espanh\u00f3is em junho de 1930, ele os conclamou a assumir a lideran\u00e7a na luta por demandas democr\u00e1ticas:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cN\u00e3o entender isso seria o maior erro sect\u00e1rio. Ao colocar as consignas democr\u00e1ticas em primeiro lugar, o proletariado n\u00e3o pretende insinuar que a Espanha est\u00e1 caminhando para uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa. Somente frios e pedantes, repletos de f\u00f3rmulas rotineiras, poderiam formular a quest\u00e3o dessa maneira.\u201d[10]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E sete meses depois, acrescentou:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cQuanto mais corajosamente, decisivamente e implacavelmente a vanguarda prolet\u00e1ria lutar por consignas democr\u00e1ticas, mais cedo conquistar\u00e1 as massas e privar\u00e1 de base aos republicanos burgueses e os socialistas reformistas; de forma mais segura os melhores elementos vir\u00e3o para o nosso lado, e mais rapidamente a rep\u00fablica democr\u00e1tica ser\u00e1 identificada na consci\u00eancia das massas com a rep\u00fablica oper\u00e1ria.\u201d[11]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 curioso, al\u00e9m disso, que, embora condene a luta pela Rep\u00fablica, a CRT n\u00e3o aplique a mesma condena\u00e7\u00e3o \u00e0 consigna de \u201c<em>uma c\u00e2mara \u00fanica que funde os poderes executivo e legislativo e que seja eleita por sufr\u00e1gio universal<\/em>\u201d, que defende em seu programa.[12]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>II.3. Um Programa de Transi\u00e7\u00e3o Esquem\u00e1tico e Abstencionista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os erros program\u00e1ticos que vimos t\u00eam s\u00e9rias consequ\u00eancias para a luta de classes devido \u00e0 sua postura abstencionista impl\u00edcita.[13] Seguindo essa l\u00f3gica, em 2017, tr\u00eas dias antes do referendo de 1\u00ba de outubro \u2013 que s\u00f3 foi garantido gra\u00e7as a uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular maci\u00e7a que assegurou a abertura das se\u00e7\u00f5es eleitorais apesar da enorme repress\u00e3o \u2013 a CRT argumentou: \u201c<em>N\u00e3o chamamos a votar Sim porque n\u00e3o somos independentistas nem compartilhamos o projeto de rep\u00fablica e processo constituinte proposto pelo Junts pel S\u00ed e pela CUP. Tamb\u00e9m n\u00e3o somos defensores do voto &#8220;N\u00e3o&#8221;, pois este \u00e9 percebido como uma manuten\u00e7\u00e3o do estado atual das coisas. Defendemos um voto em branco ou nulo<\/em>\u201d[14].<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, a Corriente Roja posicionou-se a partir de 5 de setembro em defesa de uma \u201c<em>Rep\u00fablica Catal\u00e3 social e soberana\u201d<\/em> e \u201c<em>pela livre uni\u00e3o com o resto dos povos do Estado<\/em>\u201d. Assim, <em>\u201cChamamos ao voto Sim porque n\u00e3o poderia ser mais n\u00edtido que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de exercer o direito de decidir sem romper com o regime mon\u00e1rquico de 1978, indissociavelmente ligado ao legado do franquismo (&#8230;) O nosso Sim \u00e9 um apelo \u00e0 luta para evitar o pagamento de uma d\u00edvida ileg\u00edtima e para aplicar recursos econmicos a um plano de emerg\u00eancia social.\u201d<\/em>[15]<\/p>\n\n\n\n<p>O chamado ao voto em nulo era uma condena\u00e7\u00e3o de qualquer possibilidade real de iniciar um processo revolucion\u00e1rio de ruptura com o Regime de 1978, um inimigo do povo trabalhador de todo o Estado espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>O chamado ao voto \u201csim\u201d no referendo de 2017 foi um apelo \u00e0 luta dos trabalhadores de todo o Estado por uma uni\u00e3o livre de rep\u00fablicas, sem o fardo da monarquia e das institui\u00e7\u00f5es herdadas do franquismo. O chamado ao voto nulo, por outro lado, era uma condena\u00e7\u00e3o de qualquer possibilidade real de iniciar um processo revolucion\u00e1rio de ruptura com o Regime de 1978, um inimigo do povo trabalhador de todo o Estado espanhol. Sob o regime estatal espanhol, um referendo livre e sem repress\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. A proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Catal\u00e3 era essencial para o exerc\u00edcio desse direito, para decidir livremente a forma de uni\u00e3o com os povos do resto do Estado e para implementar um programa social de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a CRT, em nome do \u201csocialismo\u201d e do \u201ccaminho revolucion\u00e1rio\u201d, op\u00f5e sistematicamente a luta pela rep\u00fablica \u00e0 luta por uma assembleia constituinte. Primeiro, deveriam explicar o que h\u00e1 de \u201csocialista\u201d em uma assembleia constituinte eleita por sufr\u00e1gio universal, que em in\u00fameros pa\u00edses tem sido usada para aprovar constitui\u00e7\u00f5es burguesas. Segundo, que tipo de assembleia constituinte poderia ser considerada livre se for realizada enquanto o Rei permanece chefe de Estado e do ex\u00e9rcito? A posi\u00e7\u00e3o da CRT condena tanto a \u201crep\u00fablica socialista\u201d quanto a assembleia constituinte \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, da Corriente Roja, nos esfor\u00e7amos para combinar ambas as reivindica\u00e7\u00f5es, o que n\u00e3o implica qualquer tipo de abordagem por etapas ou \u201cpseudo-etapismo\u201d, mas sim levar em considera\u00e7\u00e3o as li\u00e7\u00f5es da revolu\u00e7\u00e3o espanhola. Lembremos que tudo come\u00e7ou no contexto da sa\u00edda de Afonso XII e da proclama\u00e7\u00e3o da Segunda Rep\u00fablica (teria a CRT se oposto \u00e0 sua proclama\u00e7\u00e3o em 1931 em nome do socialismo?). De fato, uma assembleia constituinte foi realizada, mas resultou em uma constitui\u00e7\u00e3o burguesa que n\u00e3o atendia \u00e0s necessidades da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Catal\u00e3 pela ERC em 1934 teria representado um avan\u00e7o contra as for\u00e7as reacion\u00e1rias representadas no governo da CEDA. Enquanto isso, o processo revolucion\u00e1rio continuava a se desenrolar, e a quest\u00e3o do poder oper\u00e1rio (e n\u00e3o da assembleia constituinte) foi diretamente trazida \u00e0 tona durante a Guerra Civil, impulsionada pelo surgimento de organiza\u00e7\u00f5es que detinham um poder duplo (comit\u00eas de expropria\u00e7\u00e3o, mil\u00edcias antifascistas, juntas revolucion\u00e1rias).<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o principal exemplo de como operam os processos din\u00e2micos da luta de classes. A recusa da CRT em defender a rep\u00fablica, ao mesmo tempo em que defende a assembleia constituinte, \u00e9 um erro que demonstra sua incompreens\u00e3o dos processos vivos da luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, n\u00e3o podemos deixar de destacar as mudan\u00e7as err\u00e1ticas nas posi\u00e7\u00f5es da CRT, uma vez que eles pr\u00f3prios acabaram por defender a Rep\u00fablica da Catalunha em 29 de outubro, um m\u00eas ap\u00f3s o referendo e logo ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 155.\u00ba, que p\u00f4s fim \u00e0 sua autonomia. Assim, defenderam a \u201cresist\u00eancia para defender a Rep\u00fablica da Catalunha e lutar contra a Coroa e o Regime em todo o Estado\u201d. Se \u00e9 \u201cdepois do fato\u201d, n\u00e3o ser\u00e1 ent\u00e3o um pensamento por etapas?[16]<\/p>\n\n\n\n<p>A sua abordagem esquem\u00e1tica no programa, tamb\u00e9m no caso palestiniano, como veremos adiante, obriga-os, em \u00faltima an\u00e1lise, a corrigir empiricamente, de forma inadequada e tardia, os erros program\u00e1ticos a que a sua base te\u00f3rica os conduz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>II.3. Uma Palestina Livre do Rio ao Mar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parte da mesma abordagem metodol\u00f3gica da corrente internacional a que pertence a CRT \u00e9 a sua oposi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica direta ao lema de uma \u201c<em>Palestina Livre do Rio ao Mar<\/em>\u201d. Para eles, apoiar essa consigna equivalia a defender uma \u201c<em>etapa democr\u00e1tica<\/em>\u201d e renunciar ao car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o palestina, precisamente quando essa reivindica\u00e7\u00e3o era, e continua sendo, a pedra angular do programa de revolu\u00e7\u00e3o socialista na Palestina e em toda a regi\u00e3o. Atualmente, ap\u00f3s as mobiliza\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas em solidariedade com o povo palestino, eles adotaram a consigna, mas sem oferecer qualquer explica\u00e7\u00e3o ou autocr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outros aspectos de sua posi\u00e7\u00e3o sobre a Palestina que tamb\u00e9m merecem aten\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o discutidos no artigo que indicamos na nota de rodap\u00e9[17]: desde o tipo de cr\u00edtica que dirigem ao Hamas[18], suas d\u00favidas mal disfar\u00e7adas sobre a luta armada palestina e, em particular, sua tese de que a confraterniza\u00e7\u00e3o dos palestinos com trabalhadores e jovens judeus-israelenses[19] (colonos usurpando terras palestinas e, em sua vis\u00e3o, a \u00fanica possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o para ambos os povos (cuja vasta maioria apoia o genoc\u00eddio e a limpeza \u00e9tnica) \u00e9 \u201c<em>a \u00fanica possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o para ambos os povos<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>II.4. A Ucr\u00e2nia enfrenta a agress\u00e3o imperialista da R\u00fassia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por causa da nossa defesa do povo ucraniano contra a agress\u00e3o imperialista russa, a CRT e seus associados nos acusam de \u201c<em>capitular<\/em>\u201d ao imperialismo estadunidense e de defender \u201c<em>posi\u00e7\u00f5es pr\u00f3-OTAN<\/em>\u201d. Em contrapartida, afirmam que \u201c<em>rejeitam igualmente a invas\u00e3o reacion\u00e1ria do regime de Putin e o papel da OTAN, que usa o povo ucraniano como pe\u00f5es em sua disputa com a R\u00fassia<\/em>\u201d. Ou seja, estamos enfrentando uma guerra interimperialista e, portanto, devemos nos opor a ambos os lados, embora, surpreendentemente, a CRT n\u00e3o caracterize a R\u00fassia como uma pot\u00eancia imperialista.[20]<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 n\u00edtido que a interven\u00e7\u00e3o indireta do imperialismo estadunidense e europeu, bem como a natureza burguesa e pr\u00f3-imperialista do governo Zelensky, n\u00e3o podem ser relativizadas. Pelo contr\u00e1rio, devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o seriamente na defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas. Mas isso n\u00e3o altera o fato fundamental: estamos enfrentando uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional na Ucr\u00e2nia contra uma brutal agress\u00e3o imperialista russa. \u00c9 por isso que temos feito campanha em apoio ao sindicato dos mineiros e metal\u00fargicos ucranianos em Kryvyi Rhig, com membros na linha de frente, e a favor da inclus\u00e3o de Denys Matsola e Vlad Zhuravlev, dois lutadores de classe capturados pelos russos em Mariupol, nas trocas de prisioneiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que a \u00fanica maneira de expor as intrigas e os planos da OTAN e, assim, combater o governo cada vez mais impopular, pr\u00f3-imperialista, corrupto e olig\u00e1rquico de Zelensky, \u00e9 lutar nas trincheiras ucranianas.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente se o comando efetivo da guerra passasse para as m\u00e3os americanas, o que implicaria controle tecnol\u00f3gico e operacional, apoiado por tropas em terra, \u00e9 que o car\u00e1ter da guerra mudaria e, em vez de uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional, estar\u00edamos enfrentando uma guerra interimperialista. Mas isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>III. O Exemplo do PTS Argentino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A CRT e seus associados d\u00e3o especial \u00eanfase ao exemplo do PTS argentino, que apresentam como a grande \u201c<em>refer\u00eancia estrat\u00e9gica<\/em>\u201d para eles e para os revolucion\u00e1rios do mundo todo. Em seu manifesto, apoiam o giro dado pelo PTS com base nos altos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ados por sua deputada, Myrian Bregman, e nas pesquisas eleitorais. N\u00e3o cabe aqui analisar detalhadamente todos os aspectos dessa mudan\u00e7a, mas sim destacar alguns elementos relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>III.1 A FITU: Unidade nas Elei\u00e7\u00f5es, Fragmenta\u00e7\u00e3o nas Lutas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O PTS acredita que a FITU (Frente de Esquerda e de Trabalhadores \u2013 Unidade) atingiu seu limite, pelo menos em sua forma atual. At\u00e9 aqui, essa \u00e9 uma opini\u00e3o que podemos at\u00e9 compartilhar, embora consideremos necess\u00e1rias algumas explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente criada como FIT, sua forma\u00e7\u00e3o foi uma medida defensiva de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es argentinas que se identificam como trotskistas (PTS, PO e IS[21]) que, diante das restri\u00e7\u00f5es \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es, decidiram formar uma frente eleitoral. Uma t\u00e1tica, ainda que limitada, que se mostrou correta e v\u00e1lida.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em seu desempenho eleitoral, a FIT despertou simpatia e at\u00e9 entusiasmo entre os setores de vanguarda que votaram nela e fizeram campanha em seu nome. Seu auge foi em 2015, quando obteve 1,3 milh\u00e3o de votos.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa daqueles que votaram, fizeram campanha e apoiaram a FITU era de que ela se tornasse o instrumento pol\u00edtico da vanguarda combativa que a sustentava. Essa expectativa, contudo, jamais se concretizou. Os partidos da FITU n\u00e3o compartilhavam dessa vis\u00e3o. Durante os 15 anos de exist\u00eancia da FITU, jamais almejaram ir al\u00e9m da mera unidade eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca criaram mecanismos democr\u00e1ticos para a participa\u00e7\u00e3o da base dos partidos da FITU, e muito menos para os milhares de ativistas que simpatizavam com eles. Jamais foram capazes de agir de forma unificada nas lutas e na disputa pela dire\u00e7\u00e3o dos organismos do movimento. Era &#8220;cada um por si&#8221;, como reconhecem agora o PTS e seu dirigente m\u00e1ximo, Albamonte: unidade nas elei\u00e7\u00f5es, fragmenta\u00e7\u00e3o e autodestrui\u00e7\u00e3o nas lutas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>III.2 Construir um partido da nova classe trabalhadora, sim, mas com qual metodologia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante das limita\u00e7\u00f5es da FIT e das grandes oportunidades que se abrem na Argentina, o PTS resolveu convocar a constru\u00e7\u00e3o de <em>um partido da nova classe trabalhadora<\/em>. Ou seja, um partido que expresse seus interesses, mesmo os mais b\u00e1sicos, que a organize com independ\u00eancia de classe e lute por um governo oper\u00e1rio. Um partido de massas, ou um que una amplamente a vanguarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Concordamos plenamente com a constru\u00e7\u00e3o desse partido. \u00c9 uma tarefa que pode desempenhar um papel importante no avan\u00e7o da consci\u00eancia e da organiza\u00e7\u00e3o na Argentina, onde a maioria dos trabalhadores sempre foi politicamente representada pelo peronismo, uma corrente burguesa em avan\u00e7ada degenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, discordamos profundamente da forma como o PTS est\u00e1 promovendo o movimento para o novo partido. Primeiro, porque est\u00e3o se apropriando de uma heran\u00e7a comum de toda a FITU, apresentando a figura de Myrian Bregman e outros l\u00edderes como algo exclusivamente seu. Est\u00e3o deixando de fora de seus planos n\u00e3o apenas as outras organiza\u00e7\u00f5es da FITU, mas tamb\u00e9m, e principalmente, os ativistas que fizeram campanha e votaram nessas e em outras figuras da FITU, bem como boa parte dos novos ativistas que romperam com o peronismo. Est\u00e3o convocando a forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas para o novo partido, exigindo antecipadamente a ades\u00e3o a condi\u00e7\u00f5es que potencialmente excluem aqueles que desejam participar com base em sua pr\u00f3pria compreens\u00e3o dessa necessidade. \u00c9 uma convoca\u00e7\u00e3o pouco ou nada unit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa forma de tratar aliados e parceiros, e at\u00e9 mesmo a vanguarda em geral, \u00e9 uma caracter\u00edstica do PTS e de sua corrente internacional, que vivenciamos em primeira m\u00e3o, e que sempre coloca seu poder autoimposto acima dos interesses e necessidades do movimento da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizemos isso com preocupa\u00e7\u00e3o e como um alerta. Concordamos profundamente com a necessidade e a possibilidade de se ter, como pol\u00edtica neste momento, a constru\u00e7\u00e3o de um instrumento pol\u00edtico independente para os trabalhadores argentinos, mesmo que, desde o in\u00edcio, ele n\u00e3o abranja o programa hist\u00f3rico de nossa classe, ou seja, a luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista e a ditadura revolucion\u00e1ria do proletariado. Mas tememos que a metodologia do PTS os leve a se concentrarem em seu pr\u00f3prio crescimento e em pequenas conquistas, acima do objetivo maior, e acabem deixando escapar esta oportunidade hist\u00f3rica, gerando, mais uma vez, frustra\u00e7\u00e3o em amplos setores de militantes que tinham grandes esperan\u00e7as nesta experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>III.3 Qual programa para a tomada do poder?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto que nos parece fundamental na convoca\u00e7\u00e3o ao partido da nova classe trabalhadora \u00e9 o esbo\u00e7o de um programa proposto pelo PTS.<\/p>\n\n\n\n<p>Albamonte e o PTS enquadram o debate com base na hip\u00f3tese de um governo de Myrian Bregman ap\u00f3s uma vit\u00f3ria eleitoral (o que \u00e9, sem d\u00favida, improv\u00e1vel, embora n\u00e3o possa ser descartado) e se perguntam o que fazer em tal situa\u00e7\u00e3o. Sua resposta \u00e9 convocar uma Assembleia Constituinte, incumbir-lhe da implementa\u00e7\u00e3o de medidas transformadoras e comprometer-se a governar dentro dos seus limites.<\/p>\n\n\n\n<p>Myriam Bregman \u00e9 muito n\u00edtida sobre este ponto na sua entrevista com O\u2019Donnell e Tenembaum[22]: \u201c<em>N\u00e3o vou impor nada a ningu\u00e9m. Acredito que o que deve ser feito imediatamente para alcan\u00e7ar uma transforma\u00e7\u00e3o radical, e porque o processo se d\u00e1 por meio do voto e as pessoas confiam nesse mecanismo, \u00e9 lev\u00e1-lo at\u00e9 ao fim e convocar uma Assembleia Constituinte livre, soberana e que aborde todos os problemas do pa\u00eds<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um governo liderado por Myriam Bregman renunciaria, portanto, desde o in\u00edcio, a qualquer medida revolucion\u00e1ria ou a qualquer coisa que pudesse desafiar ou ir al\u00e9m do regime e do sistema (bem como promover um processo massivo de auto-organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica dentro do movimento). A sua implementa\u00e7\u00e3o estaria condicionada \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de uma maioria absoluta na Assembleia Constituinte que ela convocaria, onde, naturalmente, proporia medidas transformadoras radicais.<\/p>\n\n\n\n<p>A consigna da Assembleia Constituinte, portanto, em vez de impulsionar a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do movimento, serviria para retard\u00e1-la e paralis\u00e1-la. Al\u00e9m disso, a hist\u00f3ria nos ensina que, sob o dom\u00ednio da burguesia e do imperialismo, determinados a usar todos os meios \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 suic\u00eddio apostar em uma maioria revolucion\u00e1ria absoluta na Assembleia Constituinte. O que faria um governo liderado por Myriam Bregman diante de uma maioria burguesa?<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o que realmente chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que nem o manifesto do PTS nem as entrevistas com Albamonte e Myriam Bregman mencionam o problema dos militares e da pol\u00edcia e como enfrent\u00e1-los, em um pa\u00eds onde a mem\u00f3ria do golpe militar de 1976 e o \u200b\u200bsubsequente reinado de terror ainda est\u00e3o vivos. E quando \u00e9 preciso estar preparado para que qualquer questionamento s\u00e9rio da ordem social seja recebido com armas e terror.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>III.4 A Luta Contra a Corrup\u00e7\u00e3o e o Caso de Cristina K<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, h\u00e1 uma quest\u00e3o que n\u00e3o podemos ignorar: a defesa de Cristina K pelo PTS. O manifesto apresentado pelo PTS inclui uma se\u00e7\u00e3o contra a corrup\u00e7\u00e3o, a interfer\u00eancia do judici\u00e1rio no legislativo, etc. Tudo bem, at\u00e9 que eles declarem explicitamente que s\u00e3o contra a condena\u00e7\u00e3o de Cristina K porque isso seria proscri\u00e7\u00e3o. Colocam-se ao lado dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, neste ponto, ningu\u00e9m acredita que Cristina K n\u00e3o seja corrupta. A pr\u00f3pria Myriam Bregman, na entrevista mencionada anteriormente, reconhece isso: <em>&#8220;que houve corrup\u00e7\u00e3o nem sequer \u00e9 questionado por Cristina&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os argumentos apresentados, como o de que a justi\u00e7a foi seletiva ou que Cristina s\u00f3 pode ser condenada se outros forem julgados, bem como os milhares de outras variantes desse argumento v\u00e3o todos contra o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, a justi\u00e7a burguesa \u00e9 seletiva, se n\u00e3o, como neste caso, abertamente corrupta. O mesmo acontece no Estado espanhol com o PSOE, onde os ju\u00edzes chegam a trabalhar com informa\u00e7\u00f5es fornecidas por Trump. Ser\u00e1 que a CRT sair\u00e1 em defesa de Zapatero?<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento n\u00e3o se sustenta, porque, levado \u00e0 sua conclus\u00e3o l\u00f3gica, precisar\u00edamos de tribunais prolet\u00e1rios para julgar todos os burgueses corruptos, o que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel ap\u00f3s uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. At\u00e9 l\u00e1, faremos declara\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas contra a corrup\u00e7\u00e3o enquanto nos aliamos a um grupo de corruptos contra os outros?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IV. Extrema Deslealdade e M\u00e9todos Fracionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos concluir esta resposta sem destacar uma das quest\u00f5es que afetam as rela\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas entre organiza\u00e7\u00f5es e membros: referimo-nos \u00e0 extrema deslealdade e aos m\u00e9todos faccionais da CRT, da sua corrente internacional (Corrente Revolu\u00e7\u00e3o Permanente &#8211; CRP), bem como dos seus novos membros da CR-IV.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate pr\u00e9-congresso que realizamos h\u00e1 alguns meses na Corriente Roja foi marcado pela disputa fracional de um grupo minorit\u00e1rio liderado por um veterano, agora associado \u00e0 CRT, que n\u00e3o conseguia aceitar que suas posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o representassem mais a maioria. A tal ponto que, diante das evid\u00eancias, recusou-se a participar do Congresso Extraordin\u00e1rio que convocamos justamente para tratar desses debates. Rompeu definitivamente com a organiza\u00e7\u00e3o tr\u00eas semanas antes do Congresso, levando consigo quase 10% dos membros (e n\u00e3o quase metade, como alegam falsamente). Contudo, n\u00e3o hesitaram em continuar seu trabalho fracional, agora de fora da organiza\u00e7\u00e3o, usurpando, em conluio com a CRT, o nome de Corriente Roja.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal problema da CRT e de sua corrente internacional \u00e9 que normalizaram esses m\u00e9todos, partindo do pressuposto de que s\u00e3o os \u00fanicos revolucion\u00e1rios do mundo e que todas as outras organiza\u00e7\u00f5es que se dizem revolucion\u00e1rias s\u00e3o obst\u00e1culos a serem eliminados para a constru\u00e7\u00e3o de um partido e uma internacional revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que eles disfar\u00e7am esse comportamento com a proclama\u00e7\u00e3o c\u00ednica de que s\u00e3o \u201c<em>contra toda autoproclama\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria<\/em>\u201d e defendem \u201c<em>uma estrutura de fraternidade revolucion\u00e1ria e la\u00e7os de camaradagem forjados na luta comum<\/em>\u201d. Enquanto isso, seu manifesto convoca \u201c<em>camaradas de outras organiza\u00e7\u00f5es de extrema esquerda<\/em>\u201d a romperem com seus partidos e \u201c<em>se unirem ao processo constituinte<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por nossa parte, n\u00e3o podemos normalizar a atitude fracional da CR-IV contra nossa organiza\u00e7\u00e3o, que a CRT vem alimentando e acobertando politicamente h\u00e1 meses. Acreditamos que a dif\u00edcil tarefa de contribuir para a reconstru\u00e7\u00e3o de uma Quarta Internacional digna desse nome exige respeito entre as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, a fim de estabelecer uma estrutura para um debate honesto, paciente e fraterno. Sem isso, ser\u00e1 muito dif\u00edcil avan\u00e7ar na discuss\u00e3o e na compreens\u00e3o dos eventos mais significativos da luta de classes, ao mesmo tempo que participamos dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessas considera\u00e7\u00f5es, reiteramos nosso apelo aos camaradas da CR-IV para que retifiquem sua posi\u00e7\u00e3o e adotem um nome que n\u00e3o os vincule \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da qual romperam, pois isso s\u00f3 contribui para gerar confus\u00e3o, algo contraproducente para o fortalecimento do movimento oper\u00e1rio e popular. Nem tudo \u00e9 permitido na constru\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, por mais necess\u00e1ria e urgente que seja a sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Concordamos plenamente com nossos camaradas sobre a necessidade de reconstruir e fortalecer uma genu\u00edna esquerda revolucion\u00e1ria na Espanha e internacionalmente. Isso significa construir uma organiza\u00e7\u00e3o que participe ativamente das lutas da classe trabalhadora e da juventude a partir de uma perspectiva oper\u00e1ria e socialista, confrontando o imperialismo em todas as suas formas e promovendo resolutamente a organiza\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora em sua luta hist\u00f3rica pela transforma\u00e7\u00e3o socialista da sociedade. Para garantir que esse processo n\u00e3o seja apenas um apelo vazio, \u00e9 essencial lutar por espa\u00e7os de frente \u00fanica como espa\u00e7os de unidade da classe oper\u00e1ria para lutar por seus interesses, espa\u00e7os onde trabalhadores de diferentes tend\u00eancias pol\u00edticas, ou sem qualquer filia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, possam coexistir.<\/p>\n\n\n\n<p>Por nossa parte, estamos abertos ao di\u00e1logo e \u00e0 discuss\u00e3o fraterna com todos os indiv\u00edduos e organiza\u00e7\u00f5es que acreditam firmemente na necessidade de empreender esta tarefa, e, caso surja um processo genu\u00edno de debate para tais fins, juntar-nos-emos sem hesitar para contribuir, da melhor forma poss\u00edvel, para a constru\u00e7\u00e3o de uma esquerda revolucion\u00e1ria mais forte e s\u00f3lida no Estado espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] A consolida\u00e7\u00e3o de um novo Estado imperialista na R\u00fassia [1] sia, dispon\u00edvel aqui<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Chaves para a compreens\u00e3o da ruptura, dispon\u00edvel aqui<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Um debate com o MRT (partido irm\u00e3o do CRT no Brasil), dispon\u00edvel aqui<\/p>\n\n\n\n<p>[4] E tamb\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o Lluita Internacionalista<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Autor de Izquierda Diario<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Guillermo Ferrari, Pol\u00eamica com o Corriente Roja sobre a quest\u00e3o nacional catal\u00e3 e o marxismo. Este artigo n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel online, mas \u00e9 citado como refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica aqui<\/p>\n\n\n\n<p>[7] Tese do Comit\u00ea de Estado do Corriente Roja de 26 de outubro de 2014, dispon\u00edvel aqui<\/p>\n\n\n\n<p>[8] A carta de Trotsky intitula-se &#8220;O conflito catal\u00e3o e as tarefas do proletariado&#8221;. Em setembro de 2014, foi publicada em catal\u00e3o na revista Aven\u00e7, com introdu\u00e7\u00e3o de Pelai Pag\u00e9s. Em 2020, foi publicada, juntamente com a carta in\u00e9dita de Leonetti, aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>[9] A CNT, o maior sindicato catal\u00e3o, anarco-sindicalista, n\u00e3o fazia parte da Alian\u00e7a Oper\u00e1ria e estava \u201cabstendo-se\u201d das reivindica\u00e7\u00f5es nacionalistas catal\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>[10] \u201cAs Tarefas dos Comunistas na Espanha\u201d (carta aos editores do Contra la Corriente) 13 de junho de 1930<\/p>\n\n\n\n<p>[11] \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Espanhola e as Tarefas dos Comunistas\u201d 24 de janeiro de 1931<\/p>\n\n\n\n<p>[12] \u201cO que \u00e9 o CRT e por que ele luta\u201d, dispon\u00edvel aqui<\/p>\n\n\n\n<p>[13] O Programa e a Revolu\u00e7\u00e3o, dispon\u00edvel aqui<\/p>\n\n\n\n<p>[14] https:\/\/www.izquierdadiario.es\/La-juventud-y-la-clase-trabajadora-deben-encabezar-una-lucha-independiente-por-el-derecho-a-decidir<\/p>\n\n\n\n<p>[15] https:\/\/www.corrienteroja.net\/referendum-en-cataluna-corrent-roig-votara-si\/<\/p>\n\n\n\n<p>[16] https:\/\/www.izquierdadiario.es\/Ni-un-paso-atras-Resistencia-para-defender-la-republica-catalana-y-lucha-contra-la-Corona-y-el)<\/p>\n\n\n\n<p>[17] https:\/\/litci.org\/es\/la-fraccion-trotskista-y-su-postura-en-la-guerra-de-gaza\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p>[18] https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/Apoyar-la-resistencia-palestina-significa-apoyar-la-estrategia-y-los-metodos-de-Hamas<\/p>\n\n\n\n<p>[19] https:\/\/www.revolutionpermanente.fr\/Lutte-ouvriere-le-NPA-C-et-la-lutte-pour-l-auto-determination-de-la-Palestine<\/p>\n\n\n\n<p>[20] A R\u00fassia \u00e9 imperialista? https:\/\/www.izquierdadiario.es\/Es-Rusia-imperialista<\/p>\n\n\n\n<p>[21] Mais tarde, o MST aderiu, dando origem \u00e0 FITU<\/p>\n\n\n\n<p>[22] https:\/\/www.youtube.com\/live\/2ofW6_HyPQw?si=zLhm3zOG2KyYCWCd<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Recebemos o manifesto \u201cPrecisamos Tomar Partido\u201d, lan\u00e7ado por um comit\u00ea conjunto entre a CRT(Corrente Revolucion\u00e1ria de Trabalhadoras y Trabalhadores) e a autodenominada CR-IV (Corriente Roja-IV). O manifesto prop\u00f5e promover um processo constituinte para a funda\u00e7\u00e3o de uma nova organiza\u00e7\u00e3o socialista revolucion\u00e1ria no Estado espanhol, embora, na realidade, ambas as for\u00e7as j\u00e1 constituam h\u00e1 muito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":83043,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Corriente Roja","footnotes":""},"categories":[3512],"tags":[9726,9423,5071],"class_list":["post-83046","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estado-espanhol","tag-corrinte-roja","tag-crt-crp","tag-estado-espanhol"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/respuesta.web_-1068x601-1.jpg","categories_names":["Estado Espanhol"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Corriente Roja","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83046"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83046\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83047,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83046\/revisions\/83047"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}