{"id":82896,"date":"2026-08-06T08:27:32","date_gmt":"2026-08-06T08:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82896"},"modified":"2026-08-06T08:27:45","modified_gmt":"2026-08-06T08:27:45","slug":"crise-em-ceuta-a-necessidade-de-organizar-um-partido-revolucionario-em-ambos-os-lados-da-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/08\/06\/crise-em-ceuta-a-necessidade-de-organizar-um-partido-revolucionario-em-ambos-os-lados-da-fronteira\/","title":{"rendered":"Crise em Ceuta | A necessidade de organizar um partido revolucion\u00e1rio em ambos os lados da\u00a0fronteira"},"content":{"rendered":"\n<p>No momento em que escrevemos estas linhas, a crise humanit\u00e1ria e social desencadeada em Ceuta j\u00e1 custou a vida a 140 pessoas. Cento e quarenta fam\u00edlias que pagaram com a vida de um ente querido os caprichos de um rei tirano e dos seus c\u00famplices genocidas. Como sempre, a classe trabalhadora mais oprimida paga pelos interesses da elite capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Em Luta e Corriente Roja (Estado Espanhol)<\/p>\n\n\n\n<p>Com este artigo, queremos valorizar a vida dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s de classe e as suas aspira\u00e7\u00f5es de liberdade e ao direito a uma vida digna. Ao mesmo tempo, o nosso objetivo \u00e9 tamb\u00e9m analisar os m\u00faltiplos fatores que nos conduziram a esta crise, para apontar os respons\u00e1veis e lutar para que paguem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fator 1: A responsabilidade do Estado espanhol e dos seus oligarcas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio contextualizar historicamente o fen\u00f3meno da migra\u00e7\u00e3o como parte da hist\u00f3ria da humanidade e, mais ainda, no \u00e2mbito do sistema capitalista. Um sistema de coloniza\u00e7\u00e3o e pilhagem, que torna imposs\u00edvel a sobreviv\u00eancia de milh\u00f5es de pessoas na sua terra natal, especialmente em \u00c1frica. Perante este facto, defender o direito \u00e0 migra\u00e7\u00e3o \u00e9 um dever moral e um exerc\u00edcio de mem\u00f3ria para toda a classe trabalhadora, especialmente no Estado espanhol. E \u00e9 preciso ter em conta que a manuten\u00e7\u00e3o dos direitos e liberdades conquistados na Europa assenta, em parte, na coloniza\u00e7\u00e3o e na explora\u00e7\u00e3o dos povos sob o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 crise em Ceuta, n\u00e3o se pode analisar a responsabilidade por esta ignorando o contexto da ocupa\u00e7\u00e3o colonial do norte de \u00c1frica por parte do Estado espanhol. Esta \u00e9 a t\u00e1tica demag\u00f3gica que a direita e a extrema-direita, ao servi\u00e7o do capital, utilizam para apresentar a sua Espanha branca e crist\u00e3 como v\u00edtima de uma suposta invas\u00e3o marroquina. A realidade \u00e9 que o Estado espanhol n\u00e3o s\u00f3 mant\u00e9m enclaves coloniais ao longo de toda a costa marroquina (Ilhas Chafarinas, Penh\u00e3o de Alhucemas, Penh\u00e3o de V\u00e9lez de la Gomera e Ilh\u00e9u de Perejil) para al\u00e9m de Ceuta, Melilha e das Can\u00e1rias, como \u00e9 uma das principais pot\u00eancias imperialistas que pilham os recursos em todo o Magrebe nesta fase p\u00f3s-colonial. Faz-o atrav\u00e9s de empresas como a Repsol, a Endesa, a Acciona, a Indra, a Siemens Gamesa, a Inditex, o Banco Santander, a Boluda, a Meli\u00e1, a Barcel\u00f3, etc. Neste sentido, o Estado espanhol \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela extrema desigualdade que existe de um lado e do outro da veda\u00e7\u00e3o de Ceuta. Praticamente o maior \u00edndice de desigualdade de todas as fronteiras da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fator 2: A responsabilidade do Estado marroquino e do seu ditador<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade entre Ceuta e Marrocos tem o outro lado da moeda. Se as empresas espanholas, francesas, norte-americanas e israelitas exploram o povo e os seus recursos de forma t\u00e3o vantajosa, isso deve-se aos seus c\u00famplices no terreno. A monarquia de Mohamed VI e o seu governo mant\u00eam uma profunda opress\u00e3o sobre a classe trabalhadora e os povos sob o seu poder e apropriam-se das suas terras e riquezas para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. Contra esta situa\u00e7\u00e3o, a juventude levantou-se no movimento GenZ 212 em setembro de 2025, como parte de um movimento mais global que tamb\u00e9m afetou a Indon\u00e9sia, o Nepal, o M\u00e9xico\u2026 Protestos que come\u00e7aram com a morte de oito mulheres num hospital de Agadir e que se estenderam a cerca de quinze cidades para exigir cuidados de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o dignos, emprego para a juventude e liberdade para o povo. N\u00e3o esque\u00e7amos tamb\u00e9m as consequ\u00eancias da gest\u00e3o criminosa do terramoto de 2023, em que morreram 3 000 pessoas e foram afetadas um total de 300 000 em todo o norte do pa\u00eds. Mas a resposta do regime perante o protesto da juventude foi implac\u00e1vel. Tal como em todas as ocasi\u00f5es anteriores (Gdeim Izik em 2010, Sidi Ifni ou o Hirak do Rif em 2016, as revoltas da sede em Zagora ou o movimento de Jerada em 2017), a ditadura marroquina optou por reprimir com sangue e pris\u00f5es o povo em luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma taxa de desemprego juvenil de 30%, condi\u00e7\u00f5es de trabalho semelhantes \u00e0 escravatura, a impossibilidade da grande maioria das fam\u00edlias de manter os seus filhos no sistema educativo, uma car\u00eancia absoluta na sa\u00fade p\u00fablica, a opress\u00e3o nacional feroz contra os povos amazigh e saharaui e a mis\u00e9ria infligida \u00e0s vastas zonas rurais, bem como a repress\u00e3o violenta, h\u00e1 d\u00e9cadas, contra qualquer forma de protesto, s\u00e3o as raz\u00f5es por tr\u00e1s do \u00eaxodo da juventude, que deposita as suas esperan\u00e7as numa Europa mais livre e com mais direitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fator 3: A necropol\u00edtica da UE e a hipocrisia do governo PSOE-SUMAR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender plenamente o contexto geral em que esta crise se insere, \u00e9 necess\u00e1rio analisar as regras estabelecidas por ambos os Estados e pela UE na sua gest\u00e3o criminosa da migra\u00e7\u00e3o. Referimo-nos ao endurecimento e \u00e0 externaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica migrat\u00f3ria com o novo Pacto sobre Migra\u00e7\u00e3o e Asilo, aprovado a 14 de maio de 2026 e que, a partir de 12 de junho deste ano, entrou plenamente em vigor. Para levar isto adiante, a extrema-direita em toda a Europa assumiu a lideran\u00e7a, mas conv\u00e9m referir que o Estado espanhol, no segundo semestre de 2023, desempenhou um papel importante ao presidir ao Conselho da Uni\u00e3o Europeia, atuando como mediador e, finalmente, votando a favor de todo o pacote naquele dia 14 de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as medidas das novas normas migrat\u00f3rias est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de macrocentros de deten\u00e7\u00e3o de migrantes fora da Uni\u00e3o Europeia, em pa\u00edses como Marrocos, Maurit\u00e2nia, Tun\u00edsia, Egito, Turquia e alguns pa\u00edses dos Balc\u00e3s, afastando da vista a viola\u00e7\u00e3o de direitos para continuarem a vender-se como os estandartes da democracia, da paz e da liberdade. Entretanto, aprovam a manuten\u00e7\u00e3o em deten\u00e7\u00e3o, por um per\u00edodo de at\u00e9 dois anos e meio nestes centros, dos migrantes em caso de recusa de asilo ou de deten\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio europeu, caso se encontrem em situa\u00e7\u00e3o irregular. Sem qualquer supervis\u00e3o por parte da Comunidade Europeia, submetendo as pessoas \u00e0 arbitrariedade destes pa\u00edses. Da mesma forma, refor\u00e7a organismos como a FRONTEX, que se dedicam a patrulhar as fronteiras da UE e a trabalhar em conjunto com as for\u00e7as de seguran\u00e7a dos Estados-Membros, transformando-os no ICE europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 a acontecer agora em Ceuta \u00e9 o resultado desta pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o do Estado espanhol e da UE no Norte de \u00c1frica ao longo de d\u00e9cadas. Da sua pol\u00edtica migrat\u00f3ria racista e xen\u00f3foba, pela qual o governo de S\u00e1nchez tem uma grande responsabilidade. Pelo seu papel na aprova\u00e7\u00e3o do novo Pacto de Migra\u00e7\u00e3o e Asilo, pelo massacre de Melilha, com 23 pessoas assassinadas e 70 desaparecidas em 2022 sob o comando de Marlaska. Porque, embora tenha sido aprovada uma regulariza\u00e7\u00e3o em massa (n\u00e3o sem obst\u00e1culos burocr\u00e1ticos), por outro lado, o governo vota e aplica medidas anti-imigrantes que servem os interesses patronais e transformam o Saara e o Mediterr\u00e2neo em gigantescas valas comuns, onde os mortos s\u00e3o v\u00edtimas da classe trabalhadora africana.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica migrat\u00f3ria do imperialismo \u00e9 uma das facetas mais escandalosas da barb\u00e1rie dos nossos tempos. Hoje, segundo a ONU, o n\u00famero de pessoas deslocadas \u00e0 for\u00e7a continua a rondar os 120 milh\u00f5es, com conflitos em que a interven\u00e7\u00e3o direta dos interesses do capital extrativista continua a ser o principal motor. Al\u00e9m disso, s\u00e3o as pr\u00f3prias pot\u00eancias imperialistas que est\u00e3o por tr\u00e1s do abastecimento cont\u00ednuo de log\u00edstica e de material b\u00e9lico, como no caso da RDC (Congo), do Sud\u00e3o ou dos pa\u00edses do Sahel. No entanto, o que vemos na Europa \u00e9 um p\u00e2nico moral em torno das crises migrat\u00f3rias, como se estas fossem fatores independentes da guerra e da explora\u00e7\u00e3o extrativista por parte das pot\u00eancias capitalistas. N\u00e3o sem ironia, e apesar das longas lamenta\u00e7\u00f5es dos comentadores burgueses europeus, \u00e9 nos pa\u00edses vizinhos que 67% destes 120 milh\u00f5es de pessoas deslocadas conseguem encontrar ref\u00fagio.<\/p>\n\n\n\n<p>As grandes falhas na hipocrisia do governo, juntamente com a pol\u00edtica europeia de externaliza\u00e7\u00e3o das fronteiras de que necessitam para continuar a esconder a verdadeira face do capitalismo, s\u00e3o o que d\u00e1 poder ao regime marroquino para chantagear S\u00e1nchez e usar a classe trabalhadora de Marrocos e a popula\u00e7\u00e3o migrante como bucha de canh\u00e3o para alcan\u00e7ar os seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fator 4: Uma disputa interimperialista com o governo do PSOE-Sumar num limbo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma crise muito semelhante \u00e0 dos \u00faltimos dias ocorreu em 2021, quando o l\u00edder saharaui da Frente Polis\u00e1rio, Brahim Ghali, foi tratado num hospital de Logro\u00f1o. Na altura, Mohamed VI saiu vencedor do confronto gra\u00e7as \u00e0 trai\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de Pedro S\u00e1nchez ao povo saharaui, que reconheceu de facto a ocupa\u00e7\u00e3o do Saara Ocidental. Desta vez, o estopim foi o restabelecimento das rela\u00e7\u00f5es entre o Estado espanhol e o argelino, especialmente no que diz respeito ao com\u00e9rcio de g\u00e1s, bem como a tramita\u00e7\u00e3o da Lei da Nacionalidade Saharaui. Este conflito a n\u00edvel regional, com a luta leg\u00edtima do povo saharaui em jogo, tem tamb\u00e9m o seu eco a n\u00edvel global. Por um lado, Marrocos alinha-se com o Estado terrorista do ped\u00f3filo Donald Trump e com a entidade genocida sionista. Por outro lado, a Arg\u00e9lia alia-se ao imperialismo russo e ao regime iraniano. Neste panorama, o governo de S\u00e1nchez tenta encontrar um equil\u00edbrio imposs\u00edvel entre satisfazer os seus eleitores com base em mentiras e discurso falso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causa palestiniana e \u00e0 aparente recusa ao rearmamento e \u00e0 guerra do Ir\u00e3o e, ao mesmo tempo, manter intactos os benef\u00edcios do patronato e a submiss\u00e3o ao imperialismo da UE e dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas este duplo mandato de hipocrisia e palavras vazias que o governo do PSOE-Sumar tem vindo a seguir est\u00e1 a chegar ao fim. Cada vez mais, os seus grandes gestos servem de menos e d\u00e3o asas \u00e0 extrema-direita, que tamb\u00e9m aproveita essas lacunas entre o discurso do governo e a realidade da classe trabalhadora em todo o Estado. Assim, vemos como os aliados de Trump, com Mohamed VI, por um lado, e Abascal, por outro, fazem uma manobra em pin\u00e7a para preparar o terreno para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>A auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em ambos os lados da fronteira: a \u00fanica forma de combater em conjunto os diferentes fatores desta crise<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ver como Vito Quiles, Alvise e o resto da esc\u00f3ria fascista fugiam a correr das ruas de Ceuta, parece que o discurso da extrema-direita n\u00e3o pegou em amplos setores da popula\u00e7\u00e3o de Ceuta. Mas, tal como fizeram e continuam a fazer na Catalunha e no Pa\u00eds Basco, n\u00e3o procuram conquistar a maioria nestes territ\u00f3rios, mas sim incendi\u00e1-los e lev\u00e1-los ao limite para ganhar votos no resto do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos d\u00favidas de que esta crise, e a forma como a burguesia a gere, \u00e9 um fator que fortalece a extrema-direita na Europa, mas tamb\u00e9m em todo o mundo. Donald Trump nos EUA, Meloni em It\u00e1lia e Ventura em Portugal mostram-se implac\u00e1veis com os migrantes e comparam-nos a zombies, falando de invas\u00f5es e guerra. Mas, entretanto, de forma grosseira e escandalosa, apoiam o pr\u00f3prio rei de Marrocos, que, segundo a sua vers\u00e3o, seria o l\u00edder da invas\u00e3o e o principal promotor de toda a crise, demonstrando a confus\u00e3o generalizada que a burguesia imp\u00f5e \u00e0 nossa classe. Ao mesmo tempo, Pedro S\u00e1nchez faz acordos com o Majz\u00e9n para desviar a responsabilidade pelo que aconteceu para as m\u00e1fias. \u00c9 preciso enfrent\u00e1-los e desmascarar as suas mentiras. \u00c9 necess\u00e1rio denunciar a gest\u00e3o capitalista dos democratas burgueses de todo o tipo, que capitula perante a extrema-direita e que prepara as condi\u00e7\u00f5es na consci\u00eancia, nas leis e no nosso quotidiano para o autoritarismo crescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante a ascens\u00e3o dos partidos de extrema-direita em todo o mundo e o fim do mandato do governo \u00abprogressista\u00bb no \u00e2mbito do sistema de altern\u00e2ncia bipartid\u00e1ria espanhol, tudo aponta para que a opress\u00e3o contra a classe trabalhadora, especialmente a migrante, n\u00e3o fa\u00e7a sen\u00e3o aumentar. Perante isto, n\u00e3o podemos ficar \u00e0 espera que, um governo ap\u00f3s outro, com um ou outro nome pol\u00edtico, continuem a usar-nos como isco para a sua pilhagem e as suas guerras. \u00c9 mais urgente do que nunca auto-organizarmo-nos como classe em ambos os lados da fronteira, com as nossas irm\u00e3s migrantes e os setores mais oprimidos \u00e0 frente, para defender os nossos interesses face \u00e0 barb\u00e1rie capitalista. A come\u00e7ar pela revoga\u00e7\u00e3o das reformas laborais miser\u00e1veis e das leis repressivas que amorda\u00e7am o povo. A revoga\u00e7\u00e3o do Pacto sobre Migra\u00e7\u00e3o e Asilo e da Lei de Estrangeiros, bem como o desmantelamento de toda a maquinaria criminosa dos CIEs, das cercas, das pris\u00f5es e dos destacamentos da Guarda Civil em Marrocos, na Maurit\u00e2nia e no Senegal. Exigir que o ministro Marlaska e os seus c\u00famplices respondam por crimes como o massacre de Melilha em 2022 e que se ponha fim \u00e0s torturas em ambos os lados da fronteira, \u00e0s repati\u00e7\u00f5es imediatas e ao assassinato premeditado de migrantes no mar e no deserto. A luta contra as pol\u00edticas anti-imigra\u00e7\u00e3o e todo o racismo institucional n\u00e3o s\u00f3 promove os direitos da popula\u00e7\u00e3o migrante no interior do Estado espanhol, como tamb\u00e9m ataca a cumplicidade da UE e de S\u00e1nchez com o ditador Mohamed VI e, por conseguinte, aproxima a classe trabalhadora no seu conjunto da conquista dos seus direitos e liberdades em ambos os lados do Estreito de Gibraltar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, face \u00e0 barb\u00e1rie generalizada do capitalismo, que destr\u00f3i a vida de centenas de milh\u00f5es de pessoas ao ponto de estas j\u00e1 n\u00e3o conseguirem permanecer nas suas aldeias e cidades, \u00e9 necess\u00e1rio combater o chovinismo nacionalista e imperialista. A hipocrisia do PP, do Vox e de todos aqueles que se gabam de defender a Espanha, mas que depois s\u00e3o os primeiros a vend\u00ea-la e a aproveitar-se do seu povo, tal como Milei est\u00e1 a fazer na Argentina. Pelo contr\u00e1rio, a classe trabalhadora e a juventude precisamos de construir a mais ampla solidariedade entre os povos, sem d\u00favida com base na conviv\u00eancia e na harmonia entre pessoas de origens diferentes, que j\u00e1 colocamos em pr\u00e1tica diariamente. Mas compreendendo que nunca a poderemos alcan\u00e7ar plenamente sob o capitalismo, onde a competi\u00e7\u00e3o pela sobreviv\u00eancia, a escassez e a explora\u00e7\u00e3o refor\u00e7am a desconfian\u00e7a e os sentimentos reacion\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o aos migrantes. Apenas uma sociedade socialista, onde n\u00f3s, as trabalhadoras e todas as exploradas, planeemos uma economia que responda, acima de tudo, \u00e0s necessidades da humanidade, poder\u00e1 destruir a extrema-direita, o \u00f3dio entre os povos e reparar a desigualdade dantesca nas condi\u00e7\u00f5es de vida entre o mundo do capitalismo central e as periferias do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a partir do Em Luta, da Corriente Roja e da LIT-QI, lutamos para construir uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria capaz de enfrentar os regimes burgueses, quer sejam ditaduras atrozes como a de Marrocos, quer se revistam de democracia como a do \u00abReino de Espanha\u00bb. Organizando-nos na clandestinidade e na di\u00e1spora marroquina e enfrentando os racistas em cada bairro, em cada mesquita, em cada local de trabalho e de estudo. Por um projeto socialista, pelo controlo oper\u00e1rio de toda a riqueza produzida, colocando os seus frutos ao servi\u00e7o do desenvolvimento da humanidade no seu conjunto. O caminho \u00e9 longo, mas n\u00e3o partimos do zero, porque muitas nos precederam e muitas continuam a lutar. E, a cada passo, estaremos em melhores condi\u00e7\u00f5es para fazer das nossas vidas uma demonstra\u00e7\u00e3o de dignidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento em que escrevemos estas linhas, a crise humanit\u00e1ria e social desencadeada em Ceuta j\u00e1 custou a vida a 140 pessoas. Cento e quarenta fam\u00edlias que pagaram com a vida de um ente querido os caprichos de um rei tirano e dos seus c\u00famplices genocidas. Como sempre, a classe trabalhadora mais oprimida paga pelos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":18,"featured_media":82897,"menu_order":12,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Corriente Roja (Estado espanhol) y Em Luta (Portugal)","footnotes":""},"categories":[3610],"tags":[],"class_list":["post-82896","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-declaracao-lit-qi"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ceuta-1068x601-1.jpg","categories_names":["Declara\u00e7\u00f5es"],"author_info":{"name":"Cris","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/8be19d9542307ef9e5c90edceee6bf8064823a89e1c6319d77e8c5798fc2b7ed?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Corriente Roja (Estado espanhol) y Em Luta (Portugal)","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82896"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82896\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82898,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82896\/revisions\/82898"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82897"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}