{"id":82714,"date":"2026-06-10T01:22:53","date_gmt":"2026-06-10T01:22:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82714"},"modified":"2026-06-10T01:34:25","modified_gmt":"2026-06-10T01:34:25","slug":"ponchos-rojos-homens-e-mulheres-na-resistencia-indigena-aymara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/06\/10\/ponchos-rojos-homens-e-mulheres-na-resistencia-indigena-aymara\/","title":{"rendered":"Ponchos Rojos: homens e mulheres na resist\u00eancia ind\u00edgena aymara"},"content":{"rendered":"\n<p>Os\/As Ponchos Rojos s\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e camponesa aymara origin\u00e1ria principalmente da prov\u00edncia Omasuyos, no departamento de La Paz. Embora sejam reconhecidos pelo caracter\u00edstico poncho vermelho que vestem seus dirigentes e comunit\u00e1rios nas mobiliza\u00e7\u00f5es, o movimento \u00e9 integrado tanto por homens quanto por mulheres das comunidades aymaras, que participam ativamente na organiza\u00e7\u00e3o, nas lutas sociais e na defesa dos direitos dos povos ind\u00edgenas. Gra\u00e7as \u00e0 sua trajet\u00f3ria de resist\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o, os\/as Ponchos Rojos se tornaram um dos movimentos sociais mais emblem\u00e1ticos e combativos da Bol\u00edvia. Sua identidade est\u00e1 profundamente ligada \u00e0 defesa das comunidades ind\u00edgenas, \u00e0 autonomia dos povos origin\u00e1rios e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o das formas tradicionais de organiza\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, desempenharam um papel importante em diversos conflitos sociais e pol\u00edticos do pa\u00eds, participando de mobiliza\u00e7\u00f5es, bloqueios e marchas que consideram necess\u00e1rias para defender os direitos das comunidades camponesas e ind\u00edgenas. Na luta recente contra as pol\u00edticas econ\u00f4micas do Governo Rodrigo Paz, ocupam um lugar destacado nos protestos que sacodem o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os\/As Ponchos Rojos e o legado de T\u00fapac Katari e Bartolina Sisa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sua identidade pol\u00edtica e cultural est\u00e1 estreitamente vinculada \u00e0 mem\u00f3ria das grandes rebeli\u00f5es ind\u00edgenas do s\u00e9culo XVIII lideradas pelo l\u00edder aymara T\u00fapac Katari e pela dirigente ind\u00edgena Bartolina Sisa. Entre 1780 e 1781, ambos lideraram uma das maiores insurrei\u00e7\u00f5es contra o dom\u00ednio colonial espanhol no Alto Peru, mobilizando dezenas de milhares de ind\u00edgenas que exigiam o fim da explora\u00e7\u00e3o, dos tributos abusivos e da opress\u00e3o colonial.<\/p>\n\n\n\n<p>O cerco \u00e0 cidade de La Paz, liderado por Katari e Sisa, ocupa um lugar central na mem\u00f3ria hist\u00f3rica do povo aymara. &nbsp;Durante v\u00e1rios meses, como parte de uma grande rebeli\u00e3o contra o dom\u00ednio colonial espanhol, dezenas de milhares de ind\u00edgenas bloquearam os caminhos de acesso \u00e0 cidade, impedindo a entrada de alimentos, mercadorias e refor\u00e7os militares, com o objetivo de p\u00f4r fim aos abusos contra os povos origin\u00e1rios. Embora a rebeli\u00e3o tenha sido derrotada e seus principais dirigentes tenham sido executados\/as pelas autoridades coloniais, sua luta se tornou um s\u00edmbolo de resist\u00eancia ind\u00edgena que atravessou gera\u00e7\u00f5es. A c\u00e9lebre frase atribu\u00edda a T\u00fapac Katari antes de sua morte, \u201cVoltarei e serei milh\u00f5es\u201d, continua sendo uma refer\u00eancia para numerosos movimentos ind\u00edgenas e populares da Bol\u00edvia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\/As Ponchos Rojos s\u00e3o considerados\/as herdeiros\/as dessa tradi\u00e7\u00e3o de luta. Em suas mobiliza\u00e7\u00f5es, costumam reivindicar a figura de Katari e Bartolina Sisa como s\u00edmbolos da resist\u00eancia frente \u00e0 domina\u00e7\u00e3o externa, ao racismo e \u00e0 exclus\u00e3o social. A defesa da terra, a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria s\u00e3o apresentadas como uma continuidade hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, para seus integrantes, n\u00e3o s\u00e3o apenas uma organiza\u00e7\u00e3o camponesa, mas a express\u00e3o atual de uma longa hist\u00f3ria de resist\u00eancia ind\u00edgena que conecta as lutas dos povos origin\u00e1rios contra a coloniza\u00e7\u00e3o, com as lutas sociais e pol\u00edticas da Bol\u00edvia de hoje contra o imperialismo e a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais que se expressam nas pol\u00edticas de Rodrigo Paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Tiveram um papel destacado durante a Guerra do G\u00e1s de 2003, quando milhares de camponeses\/as de Omasuyos e Achacachi participaram das mobiliza\u00e7\u00f5es que provocaram a queda do governo de Gonzalo S\u00e1nchez de Lozada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As mulheres e o legado de Bartolina Sisa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora a imagem mais conhecida dos\/da Ponchos Rojos costuma estar associada a homens vestidos com o caracter\u00edstico poncho vermelho, as mulheres desempenharam um papel fundamental na hist\u00f3ria e nas lutas das comunidades aymaras de onde surge esta organiza\u00e7\u00e3o. Sua participa\u00e7\u00e3o se expressa nas assembleias comunais, nas mobiliza\u00e7\u00f5es, nos bloqueios de caminhos, nas organiza\u00e7\u00f5es camponesas e nas tarefas de dire\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. A figura de Bartolina Sisa, que junto a T\u00fapac Katari liderou a grande rebeli\u00e3o ind\u00edgena de 1781, constitui uma refer\u00eancia central para muitas mulheres aymaras e simboliza a participa\u00e7\u00e3o feminina na resist\u00eancia contra a opress\u00e3o colonial, a discrimina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as mulheres ind\u00edgenas e camponesas conquistaram uma presen\u00e7a cada vez maior na dire\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es sociais do altiplano, questionando estruturas tradicionalmente dominadas por homens e ampliando seu protagonismo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas mobiliza\u00e7\u00f5es recentes, as mulheres das comunidades ligadas aos\/\u00e0s Ponchos Rojos t\u00eam participado ativamente na organiza\u00e7\u00e3o dos protestos, na defesa dos detidos e na preserva\u00e7\u00e3o das formas comunit\u00e1rias de luta. Sua ampla presen\u00e7a nos bloqueios de estradas, nas marchas, nas assembleias comunit\u00e1rias e na linha de frente dos confrontos com as for\u00e7as repressivas demonstra que a resist\u00eancia dos povos aymaras n\u00e3o \u00e9 apenas uma hist\u00f3ria de dirigentes masculinos. As mulheres desempenharam um papel decisivo na organiza\u00e7\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es, no abastecimento de alimentos para os setores em luta, na defesa dos detidos e perseguidos, na coordena\u00e7\u00e3o entre comunidades e na condu\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es camponesas e ind\u00edgenas. Nos recentes protestos que agitam a Bol\u00edvia, muitas mulheres aymaras enfrentaram a repress\u00e3o policial e militar com grande determina\u00e7\u00e3o e coragem, reafirmando uma longa tradi\u00e7\u00e3o de luta que remonta a Bartolina Sisa. Seu protagonismo demonstra que a defesa da terra, da dignidade, dos recursos naturais e da autodetermina\u00e7\u00e3o das comunidades tem sido sustentada e fortalecida, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, pelas mulheres ind\u00edgenas, cuja participa\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para compreender a for\u00e7a e a continuidade das lutas populares na Bol\u00edvia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As Bartolinas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um papel fundamental na organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas e camponesas da Bol\u00edvia \u00e9 desempenhado pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Mulheres Camponesas Ind\u00edgenas Origin\u00e1rias da Bol\u00edvia Bartolina Sisa, conhecida popularmente como as \u00abBartolinas\u00bb. Fundada em 1980 e nomeada em homenagem \u00e0 hero\u00edna aymara Bartolina Sisa, esta organiza\u00e7\u00e3o agrupa milhares de mulheres camponesas, ind\u00edgenas e origin\u00e1rias de todo o pa\u00eds. Ao longo de sua hist\u00f3ria, tem lutado pelos direitos das mulheres rurais, o acesso \u00e0 terra, a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a defesa das culturas ind\u00edgenas e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das comunidades. Em muitas regi\u00f5es do altiplano, incluindo aquelas vinculadas aos\/\u00e0s Ponchos Rojos, as Bartolinas constituem uma das principais formas de organiza\u00e7\u00e3o das mulheres, complementando o trabalho dos sindicatos camponeses e as estruturas comunit\u00e1rias. Seu crescimento tem contribu\u00eddo para fortalecer o protagonismo pol\u00edtico feminino dentro do movimento ind\u00edgena e popular boliviano, reivindicando o legado de Bartolina Sisa como s\u00edmbolo de resist\u00eancia, lideran\u00e7a e luta pela emancipa\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como se organizam os\/as Ponchos Rojos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o se estrutura a partir das comunidades camponesas e das formas tradicionais de autoridade ind\u00edgena. Seus dirigentes s\u00e3o eleitos\/as em assembleias, reuni\u00f5es ampliadas e reuni\u00f5es comunit\u00e1rias onde participam as bases das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o se apoia em princ\u00edpios de decis\u00e3o coletiva e rota\u00e7\u00e3o de responsabilidades. Muitos de seus membros s\u00e3o agricultores\/as, comerciantes e comunit\u00e1rios\/as que assumem temporariamente cargos de representa\u00e7\u00e3o dentro de suas organiza\u00e7\u00f5es territoriais. Esta estrutura descentralizada explica por que, em distintos momentos, t\u00eam agido com grande capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o sem depender de uma dire\u00e7\u00e3o \u00fanica e permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em per\u00edodos de conflito, as comunidades podem convocar marchas, bloqueios ou vig\u00edlias, mobilizando centenas ou milhares de pessoas em defesa de decis\u00f5es tomadas coletivamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que significam seus trajes?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"82719\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-82719\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos-768x1024.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos-225x300.jpg 225w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"82718\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos-1-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-82718\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos-1-768x1024.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos-1-225x300.jpg 225w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Ponchos-Rojos-1.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>A vestimenta dos\/as Ponchos Rojos tem um profundo significado cultural e pol\u00edtico. O poncho vermelho, que d\u00e1 nome ao movimento, representa a disposi\u00e7\u00e3o de defender as comunidades e simboliza a resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas do altiplano. Historicamente, tem sido considerado um s\u00edmbolo de combate e dignidade coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto ao poncho, os homens costumam utilizar a chalina<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>, o chullo<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>, a chuspa<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>, o<strong> <\/strong>chicote<a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><strong> <\/strong>e outros elementos tradicionais da cultura aymara. Em algumas mobiliza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m portam hondas (q\u2019urawas)<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>, instrumentos ancestrais utilizados historicamente para a defesa comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres costumam vestir roupas tradicionais aimaras que tamb\u00e9m possuem um profundo significado cultural e identit\u00e1rio. Entre elas destacam-se o chicote, a pollera, uma ampla saia de v\u00e1rias camadas; a manta ou aguayo, utilizada para transportar produtos, alimentos, ferramentas ou at\u00e9 mesmo crian\u00e7as; a blusa bordada; o chap\u00e9u caracter\u00edstico de cada regi\u00e3o e as longas tran\u00e7as que fazem parte da identidade feminina andina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que um uniforme, as vestimentas expressam a continuidade de uma identidade ind\u00edgena que resistiu s\u00e9culos de discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resist\u00eancia e valentia dos\/as Ponchos Rojos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para milhares de camponeses e ind\u00edgenas do altiplano, os e as comun\u00e1rios\/as eleitos\/as &nbsp;representam uma tradi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia que remonta \u00e0s rebeli\u00f5es ind\u00edgenas contra a coloniza\u00e7\u00e3o e continua nas lutas sociais atuais. Sua participa\u00e7\u00e3o na Guerra do G\u00e1s, na defesa dos direitos ind\u00edgenas e nos conflitos atuais consolidou sua reputa\u00e7\u00e3o como uma das organiza\u00e7\u00f5es mais firmes do movimento popular boliviano.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos recentes protestos contra as medidas econ\u00f4micas governamentais de Rodrigo Paz, voltaram a ocupar a primeira linha das mobiliza\u00e7\u00f5es, participando de marchas, bloqueios e concentra\u00e7\u00f5es massivas e continuam sendo uma express\u00e3o viva da organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria aymara. Sua hist\u00f3ria reflete tanto as profundas desigualdades do pa\u00eds quanto a persist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas na defesa de seus direitos, sua cultura e seu protagonismo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evo Morales e os\/as Ponchos Rojos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora os\/ as Ponchos Rojos j\u00e1 tivessem adquirido notoriedade durante as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es sociais do in\u00edcio dos anos 2000, especialmente durante a Guerra do G\u00e1s de 2003, em n\u00edvel institucional, durante o governo de Evo Morales, alcan\u00e7aram uma visibilidade nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de Evo Morales \u00e0 presid\u00eancia foi, principalmente, com o apoio dos movimentos sociais que haviam protagonizado as lutas contra o neoliberalismo e, com isso, come\u00e7aram a ocupar espa\u00e7os de representa\u00e7\u00e3o no Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\/as dirigentes dos Ponchos Rojos foram convidados\/as a atos oficiais, participaram de mobiliza\u00e7\u00f5es de apoio ao chamado \u00abProcesso de Mudan\u00e7a\u00bb e foram reconhecidos\/as publicamente como um dos setores que haviam contribu\u00eddo para derrotar os governos neoliberais. Sua presen\u00e7a em cerim\u00f4nias estatais, encontros internacionais e eventos pol\u00edticos contribuiu para projetar uma imagem de orgulho ind\u00edgena e fortalecimento da identidade aymara.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a organiza\u00e7\u00e3o existia antes da chegada de Evo Morales ao governo e tinha ra\u00edzes profundas nas comunidades aymaras de Omasuyos e Achacachi. O que ocorreu foi que o novo cen\u00e1rio pol\u00edtico lhes concedeu uma visibilidade e uma legitimidade institucional que anteriormente n\u00e3o possu\u00edam.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os anos do Movimento ao Socialismo (MAS), as organiza\u00e7\u00f5es camponesas e ind\u00edgenas obtiveram uma presen\u00e7a muito maior nas estruturas estatais. Dirigentes provenientes de comunidades camponesas ocuparam cargos em munic\u00edpios, governadorias, minist\u00e9rios e na Assembleia Legislativa e, a nova Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Estado de 2009 incorporou o reconhecimento dos povos ind\u00edgenas, da justi\u00e7a comunit\u00e1ria e de diversas formas de autonomia territorial, reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas defendidas por setores aymaras.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, embora a Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Estado de 2009 tenha representado um avan\u00e7o democr\u00e1tico ao reconhecer formalmente a exist\u00eancia das na\u00e7\u00f5es e povos ind\u00edgenas, suas l\u00ednguas, culturas e algumas formas de autogoverno, esses reconhecimentos ficaram limitados pela manuten\u00e7\u00e3o das estruturas fundamentais do Estado capitalista boliviano. Embora tenha sido proclamado o car\u00e1ter plurinacional do pa\u00eds, o poder econ\u00f4mico continuou concentrado nas m\u00e3os da burguesia nacional e das empresas transnacionais vinculadas ao mercado mundial, preservando a depend\u00eancia da Bol\u00edvia em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo. Nesse sentido, as autonomias ind\u00edgenas foram concebidas dentro dos limites de um Estado baseado na propriedade privada dos principais meios de produ\u00e7\u00e3o, o que impediu uma verdadeira autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas contradi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se expressaram na rela\u00e7\u00e3o entre os\/as Ponchos Rojos e o governo de Evo Morales. Embora amplos setores da organiza\u00e7\u00e3o tenham apoiado e respaldado o governo frente aos tentativas de desestabiliza\u00e7\u00e3o impulsionadas pela direita e pelos setores pr\u00f3-imperialistas, esse apoio nunca eliminou completamente as tens\u00f5es. Diversos\/as dirigentes questionaram decis\u00f5es governamentais que consideravam subordinadas ao Estado capitalista e aos interesses de grupos empresariais. Sob essa perspectiva, as cr\u00edticas surgiram n\u00e3o apenas diante de medidas que afetavam diretamente as comunidades, mas tamb\u00e9m frente \u00e0 incapacidade do Estado Plurinacional para garantir uma verdadeira autonomia ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os\/As Ponchos Rojos continuam sendo majoritariamente favor\u00e1veis a Evo Morales?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em termos gerais, pode-se afirmar que grande parte das bases sociais hist\u00f3ricas da organiza\u00e7\u00e3o Ponchos Rojos mant\u00e9m uma avalia\u00e7\u00e3o positiva de Evo Morales. Entre muitos comun\u00e1rios persiste a percep\u00e7\u00e3o de que foi o presidente que concedeu maior reconhecimento aos povos ind\u00edgenas e camponeses da Bol\u00edvia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o que aparenta na realidade \u00e9 que n\u00e3o existe uma posi\u00e7\u00e3o \u00fanica nem uniforme. Nos \u00faltimos anos, surgiram diferen\u00e7as pol\u00edticas relacionadas com as disputas internas do MAS, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds e os debates sobre o futuro do movimento ind\u00edgena e popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, em regi\u00f5es historicamente vinculadas aos\/as Ponchos Rojos, especialmente na prov\u00edncia de Omasuyos e na \u00e1rea de Achacachi, Evo Morales continua conservando importantes n\u00edveis de apoio pol\u00edtico. Para numerosos\/as comun\u00e1rios\/as, sua figura ainda est\u00e1 associada \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da dignidade ind\u00edgena, \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de direitos e ao protagonismo pol\u00edtico dos setores populares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autodetermina\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e os limites do Estado Plurinacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia dos governos de Evo Morales mostrou os limites de um projeto que buscou conciliar as demandas hist\u00f3ricas dos povos origin\u00e1rios com a preserva\u00e7\u00e3o das estruturas fundamentais do capitalismo boliviano. Embora milh\u00f5es de ind\u00edgenas e camponeses tenham conquistado maiores espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e obtido um reconhecimento institucional, a autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias continuou subordinada a um Estado que seguiu dependendo da exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e de sua inser\u00e7\u00e3o subordinada no mercado mundial. Sob essa perspectiva, o reconhecimento constitucional dos direitos ind\u00edgenas n\u00e3o foi acompanhado por uma transforma\u00e7\u00e3o profunda das rela\u00e7\u00f5es de propriedade e do poder econ\u00f4mico que condicionam a vida das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria dos\/as Ponchos Rojos expressa muitas dessas contradi\u00e7\u00f5es. Por um lado, foram protagonistas do ascenso de um movimento ind\u00edgena que conseguiu conquistar espa\u00e7os no Estado e colocar no centro do debate nacional a quest\u00e3o da identidade, da dignidade e dos direitos dos povos origin\u00e1rios. Por outro lado, refletem que a luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o ind\u00edgena n\u00e3o pode ser realizada plenamente enquanto as principais decis\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas continuarem condicionadas pelos interesses das elites nacionais, das empresas transnacionais e das press\u00f5es do imperialismo. A hist\u00f3ria e a luta dos\/as Ponchos Rojos mostram que a emancipa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas continua sendo uma tarefa inconclusa, estreitamente ligada \u00e0 luta para superar o sistema capitalista que reproduz a explora\u00e7\u00e3o, a depend\u00eancia e o saque dos recursos naturais. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a autodetermina\u00e7\u00e3o ind\u00edgena enquanto as principais decis\u00f5es econ\u00f4micas permanecerem nas m\u00e3os de grandes empres\u00e1rios, latifundi\u00e1rios, transnacionais e organismos vinculados ao imperialismo. A experi\u00eancia hist\u00f3rica das comunidades aymaras, baseada na delibera\u00e7\u00e3o coletiva, na escolha de autoridades pelas bases e na defesa comunit\u00e1ria dos recursos, cont\u00e9m elementos de uma democracia muito mais profunda do que a oferecida pelas institui\u00e7\u00f5es do Estado capitalista. Nesse sentido, a luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios se vincula \u00e0 perspectiva de uma transforma\u00e7\u00e3o socialista da sociedade, na qual as grandes riquezas do pa\u00eds estejam sob controle coletivo e democr\u00e1tico dos trabalhadores, camponeses e povos ind\u00edgenas, e onde as decis\u00f5es fundamentais sobre a economia, os territ\u00f3rios e o destino do pa\u00eds sejam tomadas pelas maiorias organizadas e n\u00e3o por uma minoria privilegiada.<\/p>\n\n\n\n<p><hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u00c9 uma echarpe ou faixa larga tecida que se coloca ao redor do pesco\u00e7o ou sobre os ombros.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u00c9 um gorro andino feito de l\u00e3, com orelhas para proteger do frio do altiplano.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u00c9 uma pequena bolsa tecida que se usa pendurada no ombro ou cruzada sobre o peito. Tradicionalmente, \u00e9 utilizada para transportar folhas de coca, pequenos alimentos ou objetos pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> O chicote \u00e9 um chicote ou rebenque elaborado tradicionalmente com couro tran\u00e7ado e um cabo de madeira. Um s\u00edmbolo de autoridade, comando e justi\u00e7a comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> A q\u2019urawa consiste em uma tira tecida de l\u00e3 ou fibras vegetais, com uma pequena cavidade central onde se coloca uma pedra. Ao gir\u00e1-la rapidamente e soltar uma de suas extremidades, a pedra \u00e9 lan\u00e7ada a grande velocidade e a longa dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DZQseRzFT5x\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);\"><div style=\"padding:16px;\"> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DZQseRzFT5x\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" style=\" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <div style=\" display: flex; flex-direction: row; align-items: center;\"> <div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;\"><\/div> <div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;\"> <div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;\"><\/div> <div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;\"><\/div><\/div><\/div><div style=\"padding: 19% 0;\"><\/div> <div style=\"display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;\"><svg width=\"50px\" height=\"50px\" viewBox=\"0 0 60 60\" version=\"1.1\" xmlns=\"https:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" xmlns:xlink=\"https:\/\/www.w3.org\/1999\/xlink\"><g stroke=\"none\" stroke-width=\"1\" fill=\"none\" fill-rule=\"evenodd\"><g transform=\"translate(-511.000000, -20.000000)\" fill=\"#000000\"><g><path d=\"M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631\"><\/path><\/g><\/g><\/g><\/svg><\/div><div style=\"padding-top: 8px;\"> <div style=\" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;\">Ver essa foto no Instagram<\/div><\/div><div style=\"padding: 12.5% 0;\"><\/div> <div style=\"display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;\"><div> <div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);\"><\/div> <div style=\"background-color: #F4F4F4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;\"><\/div> <div style=\"background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);\"><\/div><\/div><div style=\"margin-left: 8px;\"> <div style=\" background-color: #F4F4F4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;\"><\/div> <div style=\" width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; 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font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DZQseRzFT5x\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" style=\" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um post compartilhado por LITCI (@lit.ci)<\/a><\/p><\/div><\/blockquote>\n<script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script>\n\n\n\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DZVhKhIR-gX\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; 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