{"id":82639,"date":"2026-05-19T02:06:49","date_gmt":"2026-05-19T02:06:49","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82639"},"modified":"2026-05-19T02:07:27","modified_gmt":"2026-05-19T02:07:27","slug":"sobre-a-cupula-trump-xi-jinping","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/05\/19\/sobre-a-cupula-trump-xi-jinping\/","title":{"rendered":"Sobre a c\u00fapula Trump-Xi Jinping"},"content":{"rendered":"\n<p>A visita de Trump a China e suas reuni\u00f5es com Xi Jinping em 14-15 de maio centralizaram a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump anunciou possibilidades de grandes neg\u00f3cios e acordos, levou consigo os principais dirigentes das maiores empresas norte americanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os grandes temas da reuni\u00e3o inclu\u00edam a guerra comercial, a competi\u00e7\u00e3o na Intelig\u00eancia Artificial, a guerra do Ir\u00e3 e Taiwan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro fato a ser destacado \u00e9 que a reuni\u00e3o expressa o que uma parte da esquerda mundial nega: a c\u00fapula Trump- Xi Jinping \u00e9 a reuni\u00e3o das duas principais pot\u00eancias imperialistas do mundo. E isso, com muito maior expressividade do que a \u00faltima visita de Trump, em seu primeiro mandato, em 2017. O peso do imperialismo chin\u00eas, hoje onipresente em quase todo o mundo, n\u00e3o pode ser ignorado nem subestimado, sob pena de n\u00e3o se entender a realidade mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma parte da esquerda que n\u00e3o s\u00f3 ignora o car\u00e1ter imperialista da China, como a apoia, em nome do \u201cmultilateralismo\u201d, do \u201cSul global\u201d. Apoiam, na verdade, uma ditadura burguesa que superexplora o proletariado chines para vender seus produtos mais baratos no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe outra parte da esquerda que n\u00e3o apoia a China, mas nega seu car\u00e1ter imperialista. Ou ent\u00e3o, diz que a China \u00e9 \u201cquase imperialista\u201d. Esse tipo de abordagem simplesmente n\u00e3o consegue explicar o mundo atual, marcado por essa disputa inter imperialista. Al\u00e9m disso, se \u00e9 \u201cquase imperialista\u201d, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ainda imperialista. Nesse caso dever\u00edamos apoiar a China contra o imperialismo norte americano. Isso, a nosso ver rompe a necess\u00e1ria independ\u00eancia de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns, n\u00e3o sabendo o que falar sobre o tema, dizem que o fato de existir a reuni\u00e3o provaria que a rivalidade n\u00e3o existe, ou \u00e9 pequena. Esse \u00e9 um tipo de nega\u00e7\u00e3o da realidade que beira ao terra planismo. A reuni\u00e3o ocorre em fun\u00e7\u00e3o das enormes disputas existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo fato \u00e9 que a forte crise da ordem mundial imperialista, aprofundada pelo segundo mandato de Trump, colocou em quase completa secundariza\u00e7\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es nas quais antes se apoiava essa ordem, como a ONU, FMI, Banco Mundial, OTAN. Agora, o que vale \u00e9 o peso e as a\u00e7\u00f5es dos principais governos imperialistas, que decidem com a\u00e7\u00f5es como a invas\u00e3o da Venezuela e a agress\u00e3o do Ir\u00e3, pelos EUA, assim como a invas\u00e3o da Ucrania pela R\u00fassia, como se define a realidade mundial. Nesse sentido, o valor de reuni\u00f5es como essa entre Trump e Xi Jinping deveria assumir outra qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, os l\u00edderes das duas maiores pot\u00eancias imperialistas do mundo, em competi\u00e7\u00e3o aberta, se reuniram. Os resultados da reuni\u00e3o Trump-XiJinping, no entanto, n\u00e3o apontaram progressos em nenhum dos pontos fundamentais das diverg\u00eancias. Elementos menores, como a compra pela China de 200 avi\u00f5es da Boeing (se esperavam 500) foram anunciados. As a\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria Boeing ca\u00edram como resultado do encontro.<\/p>\n\n\n\n<p>Como sinaliza\u00e7\u00e3o dos reflexos dessa frustra\u00e7\u00e3o, os pre\u00e7os do petr\u00f3leo voltaram a subir e as a\u00e7\u00f5es na Bolsa de NY ca\u00edram.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, existiam poucas possibilidades de que essa reuni\u00e3o pudesse mudar realmente alguma coisa. Algumas das disputas inter imperialistas em curso, como a batalha ao redor da IA e a armamentista, n\u00e3o possibilitam, nesse momento, ser resolvidas por uma reuni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras delas, Trump n\u00e3o podia impor nada. Ele chegou nessa reuni\u00e3o enfraquecido pelo fracasso de sua \u201cguerra tarif\u00e1ria\u201d contra a China, freada com o acordo de outubro passado, depois do bloqueio das exporta\u00e7\u00f5es de terra raras pela China. E, sobre a situa\u00e7\u00e3o da guerra no Ir\u00e3, apesar de n\u00e3o ter sido conclu\u00edda, Trump pode sofrer nova e mais importante derrota.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade n\u00e3o permitiu a Trump apontar nenhuma vit\u00f3ria real nas negocia\u00e7\u00f5es com Xi Jinping. A China, por outro lado, mant\u00e9m suas posi\u00e7\u00f5es ascendentes econ\u00f4micas, seguindo o enfrentamento no terreno que lhe \u00e9 mais favor\u00e1vel.&nbsp; Assistiu a guerra do Ir\u00e3, da mesma forma como a invas\u00e3o da Venezuela, sem defender efetivamente seus aliados, por n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es hoje de enfrentar militarmente os Estados Unidos. Aparentemente, apenas ajudou com sua rede de sat\u00e9lites aos ataques iranianos. Mas a China &nbsp;capitaliza o desgaste de Trump na guerra do Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das declara\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas dos dois lados, a c\u00fapula n\u00e3o avan\u00e7ou em nenhum ponto importante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2- O avan\u00e7o do imperialismo chin\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo norte americano continua sendo hegem\u00f4nico em termos econ\u00f4micos, financeiros, tecnol\u00f3gicos e militares a n\u00edvel mundial. Mas enfrenta uma decad\u00eancia pronunciada.<\/p>\n\n\n\n<p>A China assumiu um car\u00e1ter imperialista em pleno s\u00e9culo XXI. Mas apresenta um dinamismo maior, superando os demais pa\u00edses imperialistas e se aproximando do patamar norte americano. Se aproveitando de sua dimens\u00e3o continental, da ditadura que pode impor sal\u00e1rios rebaixados e uma repress\u00e3o constante sobre o proletariado chin\u00eas, e de uma taxa de investimento bem superior ao dos outros pa\u00edses imperialistas, a China disputa cada vez mais com os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2010, o imperialismo chin\u00eas ultrapassou os Estados Unidos em produ\u00e7\u00e3o industrial. Durante o primeiro semestre de 2025, o investimento estrangeiro direto da China superou o dos EUA, representando cerca de 10% do total mundial. A Iniciativa do Cintur\u00e3o e Rota (BRI) mobiliza mais de 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares em financiamento, assumindo a constru\u00e7\u00e3o e o controle de portos, ferrovias, minas e redes log\u00edsticas em dezenas de pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>A competi\u00e7\u00e3o inter imperialista, no atual est\u00e1gio do imperialismo, se explicita na luta pelo controle das cadeias internacionais de valor. Essas cadeias caracterizam-se pela divis\u00e3o internacional da produ\u00e7\u00e3o, com a centraliza\u00e7\u00e3o do controle tecnol\u00f3gico e financeiro nas matrizes das multinacionais imperialistas, e a produ\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses com m\u00e3o de obra barata e fornecimento de mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p>A China est\u00e1 avan\u00e7ando seriamente nessa disputa das cadeias internacionais de valor. Por exemplo, n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 na vanguarda da produ\u00e7\u00e3o de carros el\u00e9tricos no mundo, como tamb\u00e9m controla a maior parte da produ\u00e7\u00e3o de baterias de l\u00edtio e entre 60% e 70% do refino mundial de l\u00edtio. Controla entre 80% e 90% % da produ\u00e7\u00e3o e refino das terras raras. Domina mais de 60% do mercado mundial de pain\u00e9is solares, controla entre 35% e 40% das patentes essenciais de 5G.<\/p>\n\n\n\n<p>No p\u00f3s segunda guerra mundial e, em particular, durante a globaliza\u00e7\u00e3o, o imperialismo norte americano imp\u00f4s o chamado \u201clivre com\u00e9rcio\u201d. Ou seja, a liberdade para que suas empresas ocupassem e dominassem os mercados de todo o mundo.&nbsp; Agora, o imperialismo chin\u00eas, mais din\u00e2mico, se utiliza do \u201clivre comercio\u201d para vender seus produtos mais baratos e avan\u00e7ar a n\u00edvel mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3- A rea\u00e7\u00e3o do imperialismo norte americano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O segundo mandato de Trump avan\u00e7ou e explicitou de maneira categ\u00f3rica o que j\u00e1 se esbo\u00e7ava tanto em seu primeiro governo, como no seguinte de Biden.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, a Heritage Foundation, um instituto da ultradireita, elaborou o Projeto 2025 para o governo de Trump. Em novembro de 2025, o governo de Trump publicou o documento \u00ab<em>Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional\u00bb<\/em>, no qual explicita uma estrat\u00e9gia que muda a pol\u00edtica anterior do imperialismo norte americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ess\u00eancia, reconhece a decad\u00eancia e se d\u00e1 uma pol\u00edtica para recompor a hegemonia norte americana nos patamares de d\u00e9cadas anteriores. Poder\u00edamos chamar de uma tentativa de contraofensiva do imperialismo norte-americano diante da ascens\u00e3o do imperialismo chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>No terreno econ\u00f4mico, se apontam alguns centros. A disputa pela hegemonia com a China em Intelig\u00eancia Artificial, a batalha pelas cadeias de valor (que se explicitaria de pois em particular no petr\u00f3leo e terras raras), a reindustrializa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, o controle mar\u00edtimo do Oceano Pac\u00edfico e a guerra tarif\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No terreno pol\u00edtico- ideol\u00f3gico toda a batalha pela divis\u00e3o do proletariado, com a ideologia anti imigrantes e anti setores oprimidos por um lado e contra o \u201cnarcoterrorismo\u201d por outro. Buscam assim atrair o proletariado branco nativo e dividi-lo dos oper\u00e1rios imigrantes. Separar uma parte proletariado dos pa\u00edses semicoloniais dos mais pobres e negros, &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; que seriam \u201cbandidos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com isso vem a press\u00e3o direta (\u201crecrutamento\u201d) por governos t\u00edteres de ultra direita como Milei (Argentina), Kast (Chile), Bukele (El Salvador), Paz (Bolivia) e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>No aspecto militar,a aplica\u00e7ao da versao Trump da doutrina Monroe apelidada de donroe, com a imposi\u00e7\u00e3o de governos t\u00edteres na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 isso que justifica a invas\u00e3o da Venezuela e sequestro de Maduro para a usurpa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo venezuelano. No Oriente M\u00e9dio, a associa\u00e7\u00e3o com Netanyahu para a guerra do Iran. E agora o bloqueio a Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ess\u00eancia, o imperialismo norte americano, para enfrentar o ascenso do imperialismo chin\u00eas, decide impor sua superioridade militar. A agressividade de Trump \u00e9 uma express\u00e3o brutal da decad\u00eancia do imperialismo norte-americano em sua luta para recompor sua hegemonia aos n\u00edveis anteriores, agora com outros m\u00e9todos, diretamente bonapartistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos como est\u00e1 essa batalha inter imperialista EUA X China, em alguns de seus pontos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A batalha pela Intelig\u00eancia Artificial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos seguem hegem\u00f4nicos em termos tecnol\u00f3gicos, a partir das empresas chamadas 7 Magnificas e de todo o gigantesco investimento em Intelig\u00eancia Artificial. O investimentos em datas centers e no desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial mant\u00e9m o boom de investimentos na economia norte americana at\u00e9 os dias de hoje, sendo parte decisiva da disputa inter imperialista em todos os terrenos, em particular a n\u00edvel econ\u00f4mico e militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 um fato de que o imperialismo chin\u00eas tem investido fortemente para superar o atraso, inclusive na fabrica\u00e7\u00e3o de chips e litografia avan\u00e7ada. Ela conta com caracter\u00edsticas distintivas, como modelos de IA muito avan\u00e7ados (Deepseek) com custos de desenvolvimento e opera\u00e7\u00e3o inferiores aos de seus rivais americanos e uma gigantesca aplica\u00e7\u00e3o da IA na vida cotidiana dos chineses, ampliando sua base de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, os chineses apresentaram dois avan\u00e7os importantes. A Deepseek apresentou uma nova vers\u00e3o, agora com chips da Huawey,&nbsp; apostando na supera\u00e7\u00e3o de sua depend\u00eancia dos chips avan\u00e7ados de NVIDIA norte americana. E um outro fato, mais espetacular, aparentemente no final de 2025, conseguiram avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma maquina ultravioleta extrema o que abre a possibilidade de que a China consiga avan\u00e7ar de forma auto suficiente para a produ\u00e7\u00e3o de chips avan\u00e7ados de 2-3 nan\u00f4metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, nos EUA, a Anthropic (uma das grandes empresas de IA), apresentou o Mythos que representa um salto capaz de analisar e apresentar falhas de sistemas operacionais em todo o mundo, de uma maneira at\u00e9 agora desconhecida. Trata-se de uma possibilidade grav\u00edssima de abalar sistemas financeiros, governamentais e militares. Pode chegar a possibilitar ataques cibern\u00e9ticos e paralisar sistemas de defesas estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente essa guerra tecnol\u00f3gica aberta, com enormes implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e militares, n\u00e3o pode ser resolvida em uma reuni\u00e3o de c\u00fapula.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sequer se resolveu sobre a possibilidade da NVIDIA exportar seus chips mais desenvolvidos para a China. Vale lembrar que antes Trump tinha proibido essa exporta\u00e7\u00e3o. Afinal foi convencido a autorizar, em fun\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a, alertada pela pr\u00f3pria NVIDIA, de que a manuten\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o s\u00f3 alentaria a China a avan\u00e7ar na sua autonomia na produ\u00e7\u00e3o de chips avan\u00e7ados. No entanto, mesmo depois de autorizada a exporta\u00e7\u00e3o, nada se concretizou por limites impostos pela pr\u00f3pria China. Jensen Huang, CEO da NVIDIA, fez parte da comitiva de Trump na visita a China. Mas voltou sem que nada fosse resolvido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O conflito das tarifas&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra tarif\u00e1ria, aberta em abril do ano passado, por Trump, tinha como objetivo central reverter seu d\u00e9ficit comercial e, em especial, com a China. Houve aumentos de tarifas para a maior parte dos pa\u00edses, mas em particular para a China, que chegaram a 145%. No entanto, \u00e9 um fato que n\u00e3o conseguiu o resultado esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>A balan\u00e7a comercial dos Estados Unidos teve um d\u00e9ficit menor, de 700,485 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (35,6% ) nos doze meses posteriores a deflagra\u00e7\u00e3o da guerra (abril 2025). O d\u00e9ficit com a China recuou tamb\u00e9m, para 202 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, cerca de 30% a menos que 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso n\u00e3o significou uma altera\u00e7\u00e3o qualitativa no objetivo de reindustrializa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. Tampouco abalou as exporta\u00e7\u00f5es chinesas, que buscaram outros mercados e ultrapassaram um recorde hist\u00f3rico em 2025, de um trilh\u00e3o (mil bilh\u00f5es) de d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, por enfrentar uma postura dura de retalia\u00e7\u00e3o chinesa, com tarifas semelhantes impostas as exporta\u00e7\u00f5es norte-americanas e, em particular, um bloqueio na exporta\u00e7\u00e3o de terras raras (na qual tem um controle hegem\u00f4nico), Trump recuou. Um acordo tempor\u00e1rio foi fechado no encontro de outubro passado entre ele e Xi Jinping na Coreia, de suspens\u00e3o da guerra tarif\u00e1ria. Esse acordo vai at\u00e9 outubro desse ano, e se esperava que fosse renovado nessa c\u00fapula atual. Nem isso foi definido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a guerra no Iran<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de mais de um m\u00eas do cessar fogo na guerra do Ir\u00e3, n\u00e3o existe ainda uma perspectiva definida para um acordo. As propostas em debate, do imperialismo norte americano e do Ir\u00e3 seguem bem distintas, e as escaramu\u00e7as no estreito de Ormuz se e mant\u00e9m. Assim, todas as possibilidades est\u00e3o colocadas para o futuro na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como afirmamos em outro artigo sobre o tema :<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA principal conclus\u00e3o \u00e9 que o plano estadunidense-israelense de uma vit\u00f3ria avassaladora e r\u00e1pida \u00e0 moda da Venezuela fracassou. A estrat\u00e9gia iraniana de guerra assim\u00e9trica, com ataques com m\u00edsseis e drones contra pa\u00edses com bases estadunidenses e Israel, e acima de tudo, o bloqueio seletivo do estreito de Ormuz se revelou bem sucedida ao provocar um impasse devido \u00e0 maior crise energ\u00e9tica internacional com reflexos econ\u00f4micos e pol\u00edticos importantes em todo o mundo e dentro dos Estados Unidos tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Isso est\u00e1 mantendo uma crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica mundial, com reflexos importantes dentro dos Estados Unidos. A guerra j\u00e1 foi deflagrada, sem apoio majorit\u00e1ria dentro do pa\u00eds. A continuidade do bloqueio do estreito de Ormuz se reflete no aumento de mais de 50% dos pre\u00e7os da gasolina nos EUA e ampliam a crise pol\u00edtica. Aumenta a divis\u00e3o da burguesia norte americana, com uma parte lucrando ainda mais com a guerra (setor de tecnologia e petr\u00f3leo) e outra acumulando preju\u00edzos. E se amplia o desgaste de Trump e do Partido Republicano, o que e uma amea\u00e7a importante para as elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato de fim de ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Como nem o regime iraniano foi derrubado, nem seu programa nuclear foi bloqueado nem o estreito de Ormuz foi reaberto, aumentam os sinais de que poderia haver uma derrota de Trump na guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>As expectativas de que a c\u00fapula Trump- Xi Jinping avan\u00e7assem na resolu\u00e7\u00e3o do conflito n\u00e3o se confirmaram.&nbsp; Trump alardeou acordos sobre o tema, dizendo que Xi Jinping queria a reabertura de Ormuz e est\u00e1 contra que o Ir\u00e3 tenha armas nucleares, posi\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas do imperialismo chin\u00eas. Mas nada de concreto foi definido para a solu\u00e7\u00e3o do conflito. Na realidade, Xi Jinping disse que \u201cessa guerra nunca deveria ter come\u00e7ado\u201d, porque continua capitalizando o desgaste de Trump no tema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre Taiwan<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o queremos desenvolver esse tema aqui, mas s\u00f3 anotar seu desdobramento na c\u00fapula.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo chin\u00eas considera Taiwan parte de seu territ\u00f3rio e amea\u00e7a constantemente invadir e conquistar o territ\u00f3rio. Trata-se de uma postura diretamente imperialista, apoiada equivocadamente por boa parte da esquerda mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo norte americano apoia o governo burgu\u00eas reacion\u00e1rio de Taiwan e amea\u00e7a reagir militarmente caso haja uma invas\u00e3o chinesa, embora n\u00e3o apoiem formalmente uma declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia da ilha, para n\u00e3o se enfrentar diretamente com a China agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Xi Jinping, explicitamente, falou para Trump que \u201c&nbsp; a quest\u00e3o de Taiwan \u00e9 a mais importante nas rela\u00e7\u00f5es. Se for bem administrada, as rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses poder\u00e3o continuar globalmente est\u00e1veis. Se for mal administrada, os dois pa\u00edses colidir\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo entrar\u00e3o em conflito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco houve mudan\u00e7as reais nas posi\u00e7\u00f5es de China e EUA sobre o tema na C\u00fapula atual. Mas Trump, explicitou publicamente, depois de voltar aos Estados Unidos, que se op\u00f5e a uma declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia de Taiwan<strong>.<\/strong>&nbsp;\u201cN\u00e3o tenho vontade de que algu\u00e9m declare a independ\u00eancia, sabem, supondo que temos de percorrer 15.000 quil\u00f4metros para ir para a guerra\u201d. E tampouco autorizou o envio de 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em armamentos dos Estados Unidos para Taiwan, que segue pendente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns elementos de conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente, os reflexos dessa c\u00fapula dos dirigentes das maiores pot\u00eancias imperialistas ainda v\u00e3o ser explicitados no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, como tem rela\u00e7\u00f5es com processos convulsivos e abertos como a crise da ordem mundial em curso, a conclus\u00e3o da guerra do Ir\u00e3, a disputa econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica, nenhuma conclus\u00e3o definitiva pode ser tirada.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como se pode concluir pelos pontos elencados acima, pode-se dizer como conclus\u00f5es preliminares que:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; essa c\u00fapula s\u00f3 demonstra a import\u00e2ncia do conflito inter imperialista EUA- China<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; na atual conjuntura mundial, nada de fundamental foi resolvido nessa reuni\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; um dos motivos fundamentais para isso \u00e9 o enfraquecimento conjuntural de Trump, pelo fracasso da guerra tarif\u00e1ria e por seu fracasso parcial no Ir\u00e3 com consequ\u00eancias cr\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; a disputa inter imperialista segue aberta e cada vez mais intensa, apesar das declara\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas dos governos dos EUA e China.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; a forte crise da ordem mundial, produto dessa disputa, a cada dia se aprofunda. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A visita de Trump a China e suas reuni\u00f5es com Xi Jinping em 14-15 de maio centralizaram a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia mundial. 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