{"id":82587,"date":"2026-04-25T12:59:44","date_gmt":"2026-04-25T12:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82587"},"modified":"2026-05-08T13:00:02","modified_gmt":"2026-05-08T13:00:02","slug":"25-de-abril-de-1974-em-portugal-quando-a-classe-trabalhadora-toma-a-dianteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/04\/25\/25-de-abril-de-1974-em-portugal-quando-a-classe-trabalhadora-toma-a-dianteira\/","title":{"rendered":"25 de abril de 1974 em Portugal: Quando a classe trabalhadora toma a dianteira"},"content":{"rendered":"\n<p>O 25 de abril costuma ser lembrado como o momento em que um golpe militar derrubou a ditadura portuguesa. A imagem dos cravos, dos soldados e da queda quase sem sangue do regime marcou a mem\u00f3ria coletiva. Mas essa leitura, embora verdadeira, \u00e9 insuficiente. O que se abriu em Portugal em 1974 n\u00e3o foi apenas uma transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, mas um processo revolucion\u00e1rio profundo, no qual a classe trabalhadora e a juventude come\u00e7aram a intervir diretamente para resolver seus pr\u00f3prios problemas e, ao faz\u00ea-lo, colocaram em quest\u00e3o os limites do sistema capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente a\u00ed que o 25 de abril ganha um significado mais profundo. Ele \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o concreta de como as lutas imediatas das massas podem evoluir para um confronto com o capitalismo, confirmando na pr\u00e1tica aquilo que Trotsky formulou como programa de transi\u00e7\u00e3o: \u201co velho \u00b4programa m\u00ednimo\u00b4 \u00e9 constantemente ultrapassado pelo programa de transi\u00e7\u00e3o, cuja tarefa consiste numa mobiliza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das massas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"a-revolu%C3%A7%C3%A3o-come%C3%A7ou-por-problemas-concretos\">A Revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou por problemas concretos<\/h4>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o come\u00e7ou conscientemente socialista, nem partiu de um plano de tomada do poder pelos trabalhadores ou de qualquer grupo. Ela teve como ponto de partida reivindica\u00e7\u00f5es imediatas e concretas: o fim da guerra colonial, o fim da ditadura, melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e liberdades democr\u00e1ticas b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro momento, um elemento decisivo alterou o curso dos acontecimentos. No dia 25 de abril, quando um setor das for\u00e7as armadas se organizou para dar um golpe na ditadura j\u00e1 fragilizada, apesar das orienta\u00e7\u00f5es do Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA) para que a popula\u00e7\u00e3o permanecesse em casa, o povo saiu \u00e0s ruas e passou a intervir diretamente no processo, transformando o que seria apenas um golpe em revolu\u00e7\u00e3o. Assim as grandes mudan\u00e7as deixaram de estar apenas nas m\u00e3os de setores das for\u00e7as armadas e passou para as massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o ponto de partida real do processo: a entrada em cena da popula\u00e7\u00e3o, agindo por conta pr\u00f3pria diante das suas necessidades. \u00c9 justamente essa interven\u00e7\u00e3o direta das massas que abre a din\u00e2mica revolucion\u00e1ria e empurra o processo para al\u00e9m dos seus objetivos iniciais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"quando-o-%E2%80%9Cm%C3%ADnimo%E2%80%9D-deixa-de-caber-na-ordem-burguesa\">Quando o \u201cm\u00ednimo\u201d deixa de caber na ordem burguesa<\/h4>\n\n\n\n<p>Nos meses seguintes, essa interven\u00e7\u00e3o direta das massas ganhou um car\u00e1ter cada vez mais profundo. A grande manifesta\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de Maio de 1974 j\u00e1 expressava essa mudan\u00e7a de qualidade. Para al\u00e9m da comemora\u00e7\u00e3o da queda da ditadura, as ruas foram tomadas por palavras de ordem que combinavam liberdade pol\u00edtica com reivindica\u00e7\u00f5es sociais, como sal\u00e1rio m\u00ednimo, direito \u00e0 greve e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo depois, o pa\u00eds foi atravessado por uma onda impressionante de greves, ocupa\u00e7\u00f5es e conflitos sociais. Milh\u00f5es de trabalhadores entraram em movimento, muitas vezes de forma espont\u00e2nea ou organizados por comiss\u00f5es criadas nos pr\u00f3prios locais de trabalho. Esse processo n\u00e3o ficou restrito \u00e0 press\u00e3o sobre o governo e, em diversos casos, ele passou a questionar diretamente a autoridade patronal dentro das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>A greve nos Estaleiros Navais de Lisboa (Lisnave) \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico. Os trabalhadores paralisaram a produ\u00e7\u00e3o, ocuparam a empresa, sequestraram diretores e apresentaram reivindica\u00e7\u00f5es que iam desde aumentos salariais at\u00e9 mudan\u00e7as na gest\u00e3o. O que come\u00e7a como luta por melhores condi\u00e7\u00f5es rapidamente se transforma em questionamento sobre quem deve mandar na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento revela um salto qualitativo: as reivindica\u00e7\u00f5es que surgem da vida cotidiana passam a colidir com a estrutura do sistema. A luta por sal\u00e1rio, emprego ou dignidade j\u00e1 n\u00e3o pode ser plenamente atendida sem enfrentar a l\u00f3gica da propriedade e do poder capitalista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/opiniaosocialista.com.br\/content\/images\/2026\/05\/25-de-abril.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"resolver-problemas-concretos\">Resolver problemas concretos<\/h4>\n\n\n\n<p>Diante da crise social e da incapacidade do Estado e dos governos provis\u00f3rios de responderem \u00e0s necessidades mais urgentes, trabalhadores, moradores e camponeses come\u00e7aram a agir diretamente. E, ao faz\u00ea-lo, foram empurrando o processo para al\u00e9m dos limites inicialmente colocados.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa din\u00e2mica pode ser observada em diferentes terrenos. A quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o, por exemplo, foi enfrentada diretamente por meio da ocupa\u00e7\u00e3o de casas, da organiza\u00e7\u00e3o de moradores e da auto-organiza\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de moradias e at\u00e9 bairros inteiros. O problema passava a ser resolvido pela pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>No terreno econ\u00f4mico, a resposta \u00e0 sabotagem da burguesia, que fugia com capitais e tentava desestabilizar o processo, levou \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e de setores estrat\u00e9gicos da economia. O mesmo ocorreu no campo, com o avan\u00e7o da reforma agr\u00e1ria e a ocupa\u00e7\u00e3o de terras. A l\u00f3gica se repete: a tentativa de resolver problemas imediatos, moradia, trabalho, produ\u00e7\u00e3o, terra, leva inevitavelmente a um confronto com a propriedade privada e com o poder da burguesia. Essas medidas surgiam como resposta direta \u00e0s necessidades colocadas pela luta e \u00e0 tentativa da classe dominante de retomar o controle da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"a-classe-trabalhadora-n%C3%A3o-apenas-luta-ela-come%C3%A7a-a-governar\">A classe trabalhadora n\u00e3o apenas luta, ela come\u00e7a a governar<\/h4>\n\n\n\n<p>Ao longo de 1974 e 1975, a sucess\u00e3o de governos provis\u00f3rios expressou justamente a incapacidade da burguesia e de seus partidos de estabilizar a situa\u00e7\u00e3o e conter a din\u00e2mica aberta pelas massas. Formados por combina\u00e7\u00f5es entre militares do MFA e partidos como PS, PCP e PPD, esses governos buscavam reorganizar o Estado burgu\u00eas e canalizar o processo para uma transi\u00e7\u00e3o controlada. No entanto, cada tentativa esbarrava na realidade de um pa\u00eds em ebuli\u00e7\u00e3o: greves massivas, ocupa\u00e7\u00f5es de empresas, comiss\u00f5es de trabalhadores e soldados que escapavam ao controle institucional. Mesmo diante de leis restritivas e tentativas de repress\u00e3o, conduzidas pelo governo, as mobiliza\u00e7\u00f5es continuavam a se expandir e radicalizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, longe de estabilizar o regime, os governos provis\u00f3rios eram constantemente ultrapassados pelos acontecimentos, revelando que o centro da situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava nas institui\u00e7\u00f5es, mas na iniciativa direta das massas. \u00c0 medida que o processo avan\u00e7ava, as massas passavam a construir suas pr\u00f3prias formas de organiza\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o. Surgem, por todo o pa\u00eds, comiss\u00f5es de trabalhadores, de moradores, de camponeses e at\u00e9 de soldados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses organismos n\u00e3o eram apenas instrumentos de mobiliza\u00e7\u00e3o. Eles assumiram fun\u00e7\u00f5es concretas de organiza\u00e7\u00e3o da vida social. As comiss\u00f5es passaram a atuar como formas de poder paralelo ao Estado. Em muitos casos, eram elas que decidiam sobre a produ\u00e7\u00e3o, sobre a distribui\u00e7\u00e3o de recursos ou sobre a resolu\u00e7\u00e3o de problemas imediatos da popula\u00e7\u00e3o. Isso aparece com for\u00e7a no processo de ocupa\u00e7\u00e3o de empresas e no avan\u00e7o do controle oper\u00e1rio, principalmente no in\u00edcio de 1975 e no ver\u00e3o daquele ano, os trabalhadores passavam a organizar diretamente a produ\u00e7\u00e3o, assumindo fun\u00e7\u00f5es que antes estavam nas m\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/opiniaosocialista.com.br\/content\/images\/2026\/05\/rev-cravos.png\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"revolu%C3%A7%C3%A3o-permanente-na-pr%C3%A1tica\">Revolu\u00e7\u00e3o permanente na pr\u00e1tica<\/h4>\n\n\n\n<p>Portugal, naquele momento, era um pa\u00eds marcado por atrasos estruturais e por tarefas democr\u00e1ticas centrais: derrubar a ditadura, garantir liberdades e resolver a quest\u00e3o colonial. No entanto, essas tarefas n\u00e3o puderam ser realizadas sem subverter as regras do sistema capitalista e sem combinar a din\u00e2mica nacional e internacional, como recorrentemente relembra o movimento negro com a frase \u201co 25 de abril come\u00e7ou em \u00c1frica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria din\u00e2mica da luta levou a um questionamento mais profundo da estrutura social, confirmando um elemento central da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente: na \u00e9poca imperialista, as tarefas democr\u00e1ticas e sociais se combinam e n\u00e3o se separam rigidamente. Assim, a luta contra a ditadura e pelo fim da guerra colonial levou ao enfrentamento com a burguesia, e as demandas por p\u00e3o, moradia e trabalho passaram a tocar diretamente na propriedade e no poder econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso n\u00e3o significa que o processo leve inevitavelmente ao socialismo. Ela abre essa possibilidade, mas n\u00e3o a garante. A pr\u00f3pria formula\u00e7\u00e3o de Trotsky aponta que, em condi\u00e7\u00f5es excepcionais, dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o revolucion\u00e1rias podem ir al\u00e9m do que pretendiam, mas isso n\u00e3o elimina a necessidade de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria; pelo contr\u00e1rio, refor\u00e7a esse problema como quest\u00e3o decisiva. Se n\u00e3o conta com uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que conte com um programa consequente para desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o socialista, a revolu\u00e7\u00e3o tende a retroceder.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"o-limite-da-revolu%C3%A7%C3%A3o-a-quest%C3%A3o-da-dire%C3%A7%C3%A3o\">O limite da revolu\u00e7\u00e3o: a quest\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Apesar de toda a radicaliza\u00e7\u00e3o e da impressionante capacidade de iniciativa das massas, o processo revolucion\u00e1rio portugu\u00eas n\u00e3o levou \u00e0 tomada do poder pela classe trabalhadora. A situa\u00e7\u00e3o de duplo poder, entre o Estado e os organismos criados pelas massas, n\u00e3o se resolveu a favor dos trabalhadores. E isso n\u00e3o se explica por falta de mobiliza\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, o n\u00edvel de lutas e organiza\u00e7\u00e3o ao longo de 1974 e 1975 foi extraordin\u00e1rio. O limite do processo foi pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>As dire\u00e7\u00f5es que tinham influ\u00eancia sobre o movimento atuaram, cada uma \u00e0 sua maneira, para cont\u00ea-lo e canaliz\u00e1-lo. O PS buscou estabilizar o regime dentro dos marcos da democracia burguesa. O PCP, ainda que com um discurso mais radical, tamb\u00e9m operou no sentido de enquadrar a mobiliza\u00e7\u00e3o em limites que evitassem a ruptura com o sistema. O MFA, por sua vez, funcionou como um mediador, garantindo que a crise aberta n\u00e3o desembocasse em uma transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. O resultado foi aquilo que Nahuel Moreno caracterizou como \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d: um processo de reconstru\u00e7\u00e3o do estado burgu\u00eas, que, ao mesmo tempo em que preservava algumas conquistas, desarmava e dissolvia a din\u00e2mica revolucion\u00e1ria aberta pelas massas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente a\u00ed que reside a principal li\u00e7\u00e3o do 25 de abril. Ele \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o concreta da for\u00e7a da classe trabalhadora em movimento. Mostra que as massas s\u00e3o capazes de organizar a produ\u00e7\u00e3o, enfrentar a burguesia, resolver problemas sociais e criar organismos pr\u00f3prios que colocam em quest\u00e3o o poder existente. Mas mostra tamb\u00e9m que esse movimento, por si s\u00f3, n\u00e3o resolve o problema central: a constru\u00e7\u00e3o consciente de uma alternativa socialista, porque o socialismo n\u00e3o \u00e9 apenas o resultado espont\u00e2neo da luta. O problema, portanto, n\u00e3o foi o alcance da revolu\u00e7\u00e3o, mas a sua dire\u00e7\u00e3o. A aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o que colocasse de forma consciente a luta pelo socialismo e pela tomada do poder pelos trabalhadores. A falta de partido para a constru\u00e7\u00e3o do socialismo \u00e9 o desafio que a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa nos deixou.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\" id=\"para-se-aprofundar\">Para se aprofundar<\/h6>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/opiniaosocialista.com.br\/content\/images\/2026\/05\/revolucao_e_contrarevolucao_em_portugal.jpg\" width=\"440\" height=\"620\"><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Revolu\u00e7\u00e3o e Contrarrevolu\u00e7\u00e3o em Portugal<\/h4>\n\n\n\n<p>O livro que aqui apresentamos ao leitor nos fala de um momento fundamental da hist\u00f3ria de Portugal. Nesse sentido, esta edi\u00e7\u00e3o tem por objetivo retomar o estudo da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa de 1974\/1975 como ponto de partida para a tarefa necess\u00e1ria e fundamental de encarar os desafios da luta revolucion\u00e1ria em Portugal hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/editorasundermann.com.br\/produto\/revolucao-e-contrarrevolucao-em-portugal-25-de-abril\/?ref=opiniaosocialista.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Adquira<\/a><a href=\"https:\/\/opiniaosocialista.com.br\/author\/joanasalay\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 25 de abril costuma ser lembrado como o momento em que um golpe militar derrubou a ditadura portuguesa. A imagem dos cravos, dos soldados e da queda quase sem sangue do regime marcou a mem\u00f3ria coletiva. Mas essa leitura, embora verdadeira, \u00e9 insuficiente. 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