{"id":82527,"date":"2026-05-05T03:19:51","date_gmt":"2026-05-05T03:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82527"},"modified":"2026-05-05T22:28:50","modified_gmt":"2026-05-05T22:28:50","slug":"derrota-de-orban-avancos-e-desafios-do-povo-trabalhador-hungaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/05\/05\/derrota-de-orban-avancos-e-desafios-do-povo-trabalhador-hungaro\/","title":{"rendered":"Derrota de Orb\u00e1n: avan\u00e7os e desafios do povo trabalhador h\u00fangaro"},"content":{"rendered":"\n<p>A noite de 12 de abril, na capital da Hungria, Budapeste, milhares de pessoas enchiam as ruas com j\u00fabilo para celebrar a derrota pol\u00edtica e eleitoral do Primeiro-Ministro, Viktor Orb\u00e1n, e de seu partido Fidesz, ap\u00f3s 16 anos de governo autorit\u00e1rio. Come\u00e7ava uma nova etapa hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que Orb\u00e1n perdeu e o que representa sua derrota? O que esperar do novo governo de P\u00e9ter Magyar? Quais desafios o povo trabalhador h\u00fangaro e a esquerda enfrentam? A partir de uma vis\u00e3o internacionalista dos trabalhadores e uma abordagem cient\u00edfica, este artigo responde a essas tr\u00eas perguntas b\u00e1sicas que hoje milh\u00f5es de pessoas na Hungria, Europa e no mundo se fazem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a sa\u00edda de Orb\u00e1n, os trabalhadores da Hungria e da Europa Oriental, os imigrantes e a esquerda anticapitalista, temos o direito de ser otimistas!<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Por que Orb\u00e1n perdeu e o que representa sua derrota?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Embora as pesquisas indicassem que o Primeiro-Ministro, Viktor Orb\u00e1n, poderia perder as elei\u00e7\u00f5es parlamentares, os resultados surpreenderam a todo o mundo. Tanto seus seguidores quanto seus opositores e os chamados analistas independentes ficaram at\u00f4nitos. Mesmo na sede de campanha de P\u00e9ter Magyar e na resid\u00eancia oficial de Orb\u00e1n, era dif\u00edcil acreditar. A surpresa residiu na magnitude <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/aplastante-derrota-del-populismo-autoritario\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">aplastante<\/a> da derrota (1), assim como na pr\u00f3pria resposta do governo e de seu regime pol\u00edtico autorit\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se existiam possibilidades de sua derrota, antecipava-se uma contagem de votos acirrada e marcada por manobras destinadas a desconhecer a vontade popular. Estas incluiriam as cartas da fraude encoberta e a repress\u00e3o. De fato, antes das elei\u00e7\u00f5es, a espionagem russa, a campanha de desprest\u00edgio e a desinforma\u00e7\u00e3o, assim como os esc\u00e2ndalos calculados, eram o p\u00e3o de cada dia nos meios oficiais e na vida p\u00fablica. Contudo, Viktor Orb\u00e1n se absteve e se conteve de desconhecer os resultados. Se o tivesse feito, poderia ter desencadeado, no m\u00ednimo, manifesta\u00e7\u00f5es massivas, uma explos\u00e3o social, em sentido literal, uma Primavera H\u00fangara.<\/p>\n\n\n\n<p>Os chefes da pol\u00edtica externa, como J. D. Vance, assim como atores vinculados ao Kremlin, dias antes haviam dado um respaldo \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Orb\u00e1n e algumas sugest\u00f5es para manter a ordem p\u00fablica e ganhar as elei\u00e7\u00f5es. De fato, nos \u00faltimos anos, sob o governo de Orb\u00e1n, a protesto social foi criminalizado e ativistas foram penalizados. No entanto, nesta ocasi\u00e3o, as pr\u00f3prias for\u00e7as policiais, tanto na capital quanto nas regi\u00f5es, n\u00e3o contavam com a capacidade operativa suficiente nem com o equipamento modernizado necess\u00e1rio nem com a legitimidade popular para enfrentar grandes mobiliza\u00e7\u00f5es em umas elei\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e decisivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 16 anos no poder, Viktor Orb\u00e1n foi derrotado fundamentalmente por se encontrar em uma fase descendente da economia e sofrer um prolongado desgaste pol\u00edtico, uma crise org\u00e2nica de legitimidade. A isso se somou a inadequada resposta pol\u00edtica de seu governo frente \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es do povo trabalhador h\u00fangaro. Tamb\u00e9m influenciou uma estrat\u00e9gia de campanha errada, que terminou fortalecendo seu principal oponente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em m\u00e9dia anual, os trabalhadores h\u00fangaros trabalham tr\u00eas vezes mais horas que outros europeus. No entanto, para 2023, seus sal\u00e1rios estavam entre os segundos mais baixos da Uni\u00e3o Europeia. Al\u00e9m disso, milhares de pessoas vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua na capital e a pobreza relativa ronda os lares. No pa\u00eds, a desvaloriza\u00e7\u00e3o e o estancamento do forinte (moeda h\u00fangara, ndt,) persistem desde a segunda metade da d\u00e9cada de 2000. A infla\u00e7\u00e3o, o aluguel e o custo de vida constituem uma preocupa\u00e7\u00e3o constante. Isso obriga amplos setores assalariados a fazer sacrif\u00edcios para chegar ao fim do m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o povo trabalhador e as novas gera\u00e7\u00f5es testemunharam o enriquecimento de uma rede esp\u00faria de pol\u00edticos profissionais e empres\u00e1rios. Tamb\u00e9m de uma minoria opulenta, uma aut\u00eantica oligarquia clientelista e parasit\u00e1ria, que cresceu \u00e0s custas do bem-estar geral. Esse descontentamento, silencioso mas generalizado, acabou por cobrar seu pre\u00e7o ao at\u00e9 ent\u00e3o todo-poderoso Primeiro-Ministro, Viktor Orb\u00e1n.<\/p>\n\n\n\n<p>Baseados nos dados oficiais da Oficina Nacional Eleitoral (NVI) (2), de um total de 199 cadeiras na Assembleia Nacional e com uma participa\u00e7\u00e3o recorde de 78% \u201483% na capital\u2014, os resultados foram surpreendentes. A oposi\u00e7\u00e3o de centro-direita, liderada por P\u00e9ter Magyar e sua coaliz\u00e3o Tisza (Respeito e Liberdade) arrasou ao obter 141 assentos (70,9%). Com isso, alcan\u00e7ou uma supermaioria de dois ter\u00e7os (\u2154).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta batalha eleitoral, ap\u00f3s uma d\u00e9cada e meia de hegemonia, o eleitorado conseguiu derrotar amplamente a coaliz\u00e3o governamental de direita populista de Fidesz-KDNP (Uni\u00e3o C\u00edvica H\u00fangara e Partido Popular Democrata Crist\u00e3o). Esta obteve 52 cadeiras (26,1%) e perdeu 83 postos. Em terceiro lugar, a ultradireita de vi\u00e9s neofascista do Movimento Nossa P\u00e1tria (Mi Haz\u00e1nk) superou o limiar eleitoral de 5%, avan\u00e7ando sorrateiramente. Com 358.372 votos, conseguiu 6 cadeiras (3%) e obteve representa\u00e7\u00e3o parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o, agora convertida em for\u00e7a de governo, recebeu cerca de 3,3 milh\u00f5es de votos (53%). Seu avan\u00e7o foi particularmente not\u00e1vel em cidades como Budapeste, Szeged e P\u00e9cs. Por sua parte, o oficialismo obteve cerca de 2,4 milh\u00f5es de votos. Conservou basti\u00f5es em zonas rurais do nordeste, assim como em Debrecen e em cidades industriais m\u00e9dias como Miskolc, Ny\u00edregyh\u00e1za e Kecskem\u00e9t. Embora represente apenas 5% do total, a di\u00e1spora h\u00fangara na Rom\u00eania, S\u00e9rvia, Eslov\u00e1quia e Ucr\u00e2nia concedeu 84% de apoio \u00e0 continuidade de Orb\u00e1n, pelos benef\u00edcios de visto que lhes foi concedido. No entanto, esse apoio retrocedeu entre 5 e 10 pontos percentuais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/iho.png\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: <em>Oficina Nacional Eleitoral<\/em> (NVI), 2026.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia eleitoral de Orb\u00e1n se articulou em duas frentes. Por um lado, buscou canalizar o descontentamento para um bode expiat\u00f3rio externo, em particular o presidente ucraniano Volod\u00edmir Zelenski. Tamb\u00e9m enfatizou o risco de endividamento com a Ucr\u00e2nia e a Uni\u00e3o Europeia sob um eventual governo de Magyar. Com isso, tentou gerar temor a um conflito alheio e a um maior endividamento. Por outro lado, ofereceu paliativos de al\u00edvio econ\u00f4mico. Entre eles, a redu\u00e7\u00e3o de tarifas energ\u00e9ticas ao fim do ano, o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e a promessa de estabilizar a economia por meio de acordos pragm\u00e1ticos com a R\u00fassia e a Europa. Nenhuma dessas estrat\u00e9gias conseguiu desviar a aten\u00e7\u00e3o do eleitorado. Predominou o voto de castigo, impulsionado pela inconformidade frente a problemas internos, como as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e o deterioro do n\u00edvel de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e9ter Magyar, ex-membro do partido governante, capitalizou o desgaste acumulado do oficialismo desde 2024. Aproveitou tanto o enfraquecimento econ\u00f4mico quanto a perda de legitimidade pol\u00edtica do governo. Sua campanha se concentrou em dois eixos principais. Em primeiro lugar, a recupera\u00e7\u00e3o de fundos europeus para saneamento da economia e fomento \u00e0 investimento. Em segundo lugar, a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de limpeza institucional voltadas para restabelecer o Estado democr\u00e1tico de direito e desmantelar as redes de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Independente do julgamento sobre a campanha da oposi\u00e7\u00e3o, isso mostra que o centro de aten\u00e7\u00e3o do povo h\u00fangaro se concentra no \u201cp\u00e3o de cada dia\u201d e na \u201cgest\u00e3o dos impostos\u201d e \u201cfundos\u201d por parte dos de cima frente aos de baixo. Seu julgamento espiritual sobre a democracia burguesa, a gest\u00e3o do governo e os anseios da Uni\u00e3o Europeia tem esse ponto de partida material. Trata-se, nesse sentido, de uma corrobora\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo marxista. A agenda delimitada das elei\u00e7\u00f5es parlamentares gravitou de maneira central e reativa em torno da <em>quest\u00e3o social<\/em>. O resultado foi um extraordin\u00e1rio acerto de contas com a fra\u00e7\u00e3o governante.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora quem capitaliza a derrota eleitoral seja uma fra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica burguesa de direita \u2014o partido neoliberal Tisza e seu novo l\u00edder carism\u00e1tico, P\u00e9ter Magyar\u2014, a derrota de Orb\u00e1n representa um avan\u00e7o ineg\u00e1vel do povo trabalhador h\u00fangaro. Constitui, al\u00e9m disso, um mandato decisivo contra a desigualdade social reinante e a corrup\u00e7\u00e3o da oligarquia governante. Dito de outra forma, a derrota de Orb\u00e1n \u00e9 um reflexo distorcido da luta de classes no terreno eleitoral. Expressa, pontualmente, o descontentamento popular acumulado e os desejos de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A derrota eleitoral de Orb\u00e1n resulta ser, principalmente, um golpe certeiro ao seu projeto autorit\u00e1rio de perpetuar-se no poder. Este projeto reacion\u00e1rio, batizado como \u201cdemocracia iliberal\u201d, buscava consolidar um regime pol\u00edtico de corte ditatorial, alinhado com a Federa\u00e7\u00e3o Russa. Da\u00ed o grito de boicote nas manifesta\u00e7\u00f5es: \u00ab<em>\u00a1Russos, para casa!<\/em>\u00bb (Ruszkik haza!). Contr\u00e1rio ao que se afirma, n\u00e3o se trata de russofobia, mas de um sentimento democr\u00e1tico dos h\u00fangaros frente \u00e0 inger\u00eancia do Kremlin. A consci\u00eancia social h\u00fangara mant\u00e9m vivo o referente da revolu\u00e7\u00e3o de 1956.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, os resultados eleitorais constituem, objetivamente, uma derrota pontual para a alian\u00e7a regional e global da nova ultradireita populista, representada por figuras como Trump, Putin, Netanyahu e Fico. Na Am\u00e9rica Latina, um Bukele, Milei e Kast. Todos eles observavam com admira\u00e7\u00e3o o prolongado dom\u00ednio de Orb\u00e1n e sua capacidade para se manter no poder. Em particular, \u00e9 afetada a permissividade e o oportunismo desses governantes frente \u00e0 invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e sua parti\u00e7\u00e3o, que foi o eixo central da campanha desinformativa e alarmista do Fidesz.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente, a derrota de Orb\u00e1n expressa, de maneira secund\u00e1ria, mas n\u00e3o menos relevante, um interesse emergente \u2014embora ainda n\u00e3o majorit\u00e1rio\u2014 pelas liberdades democr\u00e1ticas erosionadas durante seu mandato. Inscreve-se, al\u00e9m disso, em um processo de quebra geracional. A juventude e os setores urbanos mostram uma maior sensibilidade democr\u00e1tica. Em conjunto, esses elementos refletem um distanciamento setorial e um enfraquecimento relativo da agenda neoconservadora na Europa e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma agenda reacion\u00e1ria do capital que busca cortar direitos, dividir a classe trabalhadora e desconhecer abertamente conquistas sociais. Afeta, entre outros, os direitos das mulheres e das crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s \u2014como evidenciou o esc\u00e2ndalo do indulto por pedofilia concedido pela presidenta h\u00fangara Katalin Nov\u00e1k em 2024\u2014. Tamb\u00e9m vulnera os direitos das comunidades LGBTI, por meio de reformas constitucionais e leis de corte discriminat\u00f3rio impulsionadas pelo Fidesz. A isso se soma a restri\u00e7\u00e3o dos direitos dos imigrantes, a xenofobia contra ciganos, ucranianos e povos do Sul Global, o desprest\u00edgio dos sindicatos e a hostilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nova for\u00e7a de trabalho e \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O que esperar do novo governo de Peter Magyar?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hphh.png\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fruto da embriaguez eleitoral, embora as ilus\u00f5es de mudan\u00e7a e as expectativas populares no novo governo sejam alt\u00edssimas e indiscut\u00edveis, a maioria dos 10 milh\u00f5es de h\u00fangaros \u2014incluindo algumas faixas de cerca de 500.000 migrantes\u2014 espera melhorias tang\u00edveis. Existem, sem d\u00favida, altas expectativas. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio explicar pacientemente ao povo e a diversos setores sociais que n\u00e3o h\u00e1 tanto que esperar e, sim, muito por exigir do governo emergente de P\u00e9ter Magyar.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua heterogeneidade social, a consci\u00eancia majorit\u00e1ria h\u00fangara busca a salva\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e de suas receitas em uma maior integra\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia. Aspira tamb\u00e9m \u00e0 higieniza\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o institucional. Ademais, demanda uma agenda social que dinamize a economia interna e ofere\u00e7a maiores garantias \u00e0s fam\u00edlias e \u00e0 juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>A julgar pelo programa pol\u00edtico do partido Tisza, pela forma\u00e7\u00e3o do novo gabinete e pela composi\u00e7\u00e3o do parlamento, assim como pelas recentes alocu\u00e7\u00f5es, promessas e primeiras medidas do novo Primeiro-Ministro, vislumbram-se certos realinhamentos de direita no governo emergente.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro corresponde ao \u00e2mbito da<strong> <\/strong><strong><em>pol\u00edtica exterior<\/em><\/strong>. O governo de Magyar, a partir de uma posi\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica, aparentemente soberanista, buscar\u00e1 estreitar v\u00ednculos com o imperialismo europeu e recuperar os 22.000 milh\u00f5es de euros retidos (3). Isso, a curto e m\u00e9dio prazo, aumentar\u00e1 a depend\u00eancia e semicoloniza\u00e7\u00e3o da Hungria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pot\u00eancias imperialistas da UE. Para a burguesia h\u00fangara e seu novo administrador pol\u00edtico, \u00e9 fundamental destravar as rela\u00e7\u00f5es com Bruxelas. Tamb\u00e9m \u00e9 importante melhorar os v\u00ednculos com a Ucr\u00e2nia e tomar certa dist\u00e2ncia da R\u00fassia, sem abandonar os neg\u00f3cios energ\u00e9ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste marco, come\u00e7aram a ocorrer aproxima\u00e7\u00f5es, n\u00e3o isentas de tens\u00f5es presentes e futuras. Um dos pontos de fric\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a cota migrat\u00f3ria exigida pela Uni\u00e3o Europeia e a capacidade de absor\u00e7\u00e3o que a burguesia h\u00fangara est\u00e1 disposta a tolerar. Com um tom conservador e certo vi\u00e9s racista excludente, Magyar sinalizou que manter\u00e1 um controle de fronteira restritivo. Tamb\u00e9m indicou que desestimular\u00e1 a entrada de trabalhadores tempor\u00e1rios n\u00e3o europeus, em particular, asi\u00e1ticos. Sua prioridade ser\u00e1 a m\u00e3o de obra h\u00fangara e, em segundo lugar, os trabalhadores da zona do euro.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro eixo da agenda ser\u00e1 a ind\u00fastria energ\u00e9tica alternativa da Europa. Esta se v\u00ea condicionada pela depend\u00eancia da R\u00fassia e pela alta dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, agravada pelos ataques ao Ir\u00e3 e ao L\u00edbano e pela continuidade do genoc\u00eddio em Gaza. Em paralelo, persistem tens\u00f5es em torno da guerra na Ucr\u00e2nia, o rearmamento militar imperialista impulsionado pela Uni\u00e3o Europeia e as rela\u00e7\u00f5es com atores internacionais como Trump, Putin e Netanyahu. Neste \u00faltimo caso, diante da press\u00e3o por sua ambiguidade, Magyar apontou que, ao contr\u00e1rio de Orb\u00e1n, acataria uma eventual ordem de pris\u00e3o emitida pelo Tribunal Penal Internacional se Netanyahu ousasse pisar solo h\u00fangaro.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo eixo se situa na esfera da<strong> <\/strong><strong><em>pol\u00edtica econ\u00f4mica<\/em><\/strong>. Magyar incorporou quadros empresariais do grande capital no governo e nos minist\u00e9rios. Com isso, busca atrair investimento privado, tanto estrangeiro quanto nacional. O principal desafio continua sendo saneamento das finan\u00e7as p\u00fablicas. Tamb\u00e9m \u00e9 reativar os processos de acumula\u00e7\u00e3o de capital e sustentar a l\u00f3gica neoliberal predominante. Essa l\u00f3gica, conhecida, implica \u201cprivatizar os lucros e socializar as perdas\u201d. Tudo isso ocorre em uma situa\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil de desacelera\u00e7\u00e3o, desindustrializa\u00e7\u00e3o, infla\u00e7\u00e3o e desemprego que continua atingindo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro se situa no terreno da <strong><em>pol\u00edtica institucional<\/em><\/strong>. Magyar, posando de liberal conservador, sinalizou sua inten\u00e7\u00e3o de higienizar e reformar o regime pol\u00edtico autorit\u00e1rio herdado de Orb\u00e1n. Busca recuperar o Estado liberal de direito e as liberdades democr\u00e1ticas. Tamb\u00e9m pretende restabelecer a divis\u00e3o de poderes, fortalecer a justi\u00e7a, reformar o sistema eleitoral e garantir a independ\u00eancia da imprensa. Todos esses s\u00e3o aspectos neur\u00e1lgicos que foram lesionados durante o per\u00edodo ultra reacion\u00e1rio orbanista. O fato de contar com dois ter\u00e7os do parlamento lhe confere uma margem favor\u00e1vel de manobra institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>No obstante, existem limites estruturais evidentes. O realinhamento do bloco de poder dominante do capital imp\u00f5e condicionamentos. A oposi\u00e7\u00e3o de direita populista, embora enfraquecida, continua sendo a segunda for\u00e7a pol\u00edtica do pa\u00eds. A isso se soma a persistente liga\u00e7\u00e3o com o antigo regime. Tamb\u00e9m, de fato, opera uma frente \u00fanica e unidade de a\u00e7\u00e3o de fra\u00e7\u00f5es burguesas que, em defesa de seus interesses, tendem a preservar a ordem institucional vigente, conspirando contra o povo h\u00fangaro. Em conjunto, esses fatores constituem obst\u00e1culos significativos para os desejos volitivos de democratiza\u00e7\u00e3o do regime.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Quais os desafios do povo trabalhador h\u00fangaro e a esquerda?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ogjhl.png\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, os n\u00edveis hist\u00f3ricos de sufr\u00e1gio massivo pr\u00f3ximos a 80%, revela a disposi\u00e7\u00e3o do povo h\u00fangaro em melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Expressam, al\u00e9m disso, o descontentamento em rela\u00e7\u00e3o ao governo que sai. Tamb\u00e9m evidenciam paix\u00f5es conflitantes pela coisa p\u00fablica (<em>res publica<\/em>), ou seja, pela pol\u00edtica em si.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos duzentos anos, o povo trabalhador h\u00fangaro tem agenciado, de maneira extraordin\u00e1ria, uma rica experi\u00eancia de luta com tipos heterog\u00eaneos de governos de classe ao longo de todo o espectro pol\u00edtico. A seu turno, tem protagonizado de forma valorosa pelo menos tr\u00eas processos revolucion\u00e1rios: 1848, 1918 e 1956. Tem lidado, portanto, com governos imperiais mon\u00e1rquicos e com governos liberais democr\u00e1tico-burgueses. Tamb\u00e9m tem enfrentado um governo fascista pr\u00f3-hitleriano e, posteriormente, governos estalinistas na antiga Rep\u00fablica Popular da Hungria (1945-1989).<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o capitalista de 1989, o povo h\u00fangaro teve que suportar, com suor e sangue, diversos governos social-democratas ou de centro-esquerda. Estes aplicaram, em muitos casos, pol\u00edticas de ajuste pr\u00f3prias da direita. A isso se somam, na etapa mais recente em que nos encontramos, governos neoliberais e nacional-populistas de direita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O primeiro desafio<\/strong> dos trabalhadores h\u00fangaros e seus aliados populares \u00e9 avan\u00e7ar na desmontagem e na transforma\u00e7\u00e3o radical do regime pol\u00edtico autorit\u00e1rio de Orb\u00e1n. Este regime podre sintetiza o conjunto de contradi\u00e7\u00f5es da vida social. Nessa perspectiva, a principal demanda consiste em revogar a Lei Fundamental e todas as reformas constitucionais irregulares (4) impulsionadas pelo Fidesz no Parlamento. Os socialistas propomos a abertura de um processo constituinte livre, democr\u00e1tico e soberano. Nele, os sindicatos, os partidos de esquerda e as organiza\u00e7\u00f5es de massas poderiam disputar aos partidos do capital o destino da na\u00e7\u00e3o e o tipo de rep\u00fablica que se deseja construir.<\/p>\n\n\n\n<p>De maneira central, \u00e9 necess\u00e1rio pressionar a justi\u00e7a para que investigue, julgue e sancione com pris\u00e3o, assim como com a expropria\u00e7\u00e3o de bens, a elite olig\u00e1rquica implicada em corrup\u00e7\u00e3o e malversa\u00e7\u00e3o de fundos p\u00fablicos durante os \u00faltimos dezesseis anos do regime. Ao governo de Magyar e aos ju\u00edzes do poder judici\u00e1rio n\u00e3o deve ser permitido nenhum tipo de indulto, ex\u00edlio, nem formas de impunidade ou redu\u00e7\u00e3o de penas para os corruptos e a cabe\u00e7a maior, Viktor Orb\u00e1n. Isso deve ser aplicado sem distin\u00e7\u00e3o, provenham de Fidesz ou de qualquer outra fra\u00e7\u00e3o do espectro pol\u00edtico do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Na palestra p\u00fablica se situa a possibilidade de um novo regime republicano que reflita o bem comum h\u00fangaro. A disjun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica se apresenta entre uma democracia plutocr\u00e1tica, governada por uma minoria opulenta, isto \u00e9, a ditadura do capital e da burguesia, <em>versus<\/em> uma democracia oper\u00e1ria soberana das maiorias assalariadas, organizadas em conselhos, que s\u00e3o quem sustenta o pa\u00eds. Desde a perspectiva socialista e de um projeto pol\u00edtico de esquerda, isso implica a recupera\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e dos servi\u00e7os essenciais. A educa\u00e7\u00e3o, a habita\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade devem se afirmar como direitos sociais fundamentais que n\u00e3o devem ser secundarizados pelo mercado. Assim, se prop\u00f5e a nacionaliza\u00e7\u00e3o e planejamento democr\u00e1tico de setores estrat\u00e9gicos da economia, desmantelados durante a onda catastr\u00f3fica de privatiza\u00e7\u00f5es e contrarreformas. Nesta nova etapa hist\u00f3rica em que nos encontramos, as novas gera\u00e7\u00f5es enfrentam um deterioro crescente de suas condi\u00e7\u00f5es materiais e de sua sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mat\u00e9ria de imigra\u00e7\u00e3o e emprego, o Estado deveria impulsionar um plano massivo de investimento e de obras p\u00fablicas. O objetivo seria gerar emprego para a m\u00e3o de obra h\u00fangara e garantir aumentos salariais anuais que permitam recuperar o poder aquisitivo. Paralelamente, isso requer a implementa\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios, planos de habita\u00e7\u00e3o e garantias para os trabalhadores h\u00fangaros do leste e do oeste que desejem retornar ao pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da seguran\u00e7a e da soberania nacional, para desatar o n\u00f3 g\u00f3rdio, \u00e9 necess\u00e1rio exigir do governo da Magyar uma pol\u00edtica solid\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds vizinho e povo irm\u00e3o na Ucr\u00e2nia (5). Isso incluiria ampliar as garantias democr\u00e1ticas de acolhimento a refugiados ucranianos e assist\u00eancia aos h\u00fangaros que vivem na Ucr\u00e2nia. Tamb\u00e9m implicaria n\u00e3o vetar a ajuda militar europeia de armamento \u00e0 resist\u00eancia ucraniana frente \u00e0 invas\u00e3o russa e desaprovar publicamente, na diplomacia exterior, este intento infame de coloniza\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, isso n\u00e3o deveria se traduzir em um fortalecimento da OTAN, que \u00e9 uma alian\u00e7a imperialista ocidental, da qual a Hungria, como pa\u00eds dependente, deveria desvincular-se o mais r\u00e1pido poss\u00edvel se busca preservar sua soberania e integridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ponto, \u00e9 necess\u00e1rio explicar ao povo trabalhador h\u00fangaro e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o migrante os riscos da continuidade de uma <strong><em>pol\u00edtica migrat\u00f3ria<\/em><\/strong> restritiva sob o governo de Magyar. Enquanto o novo Primeiro-Ministro promove de maneira demag\u00f3gica e populista o retorno de cidad\u00e3os h\u00fangaros e o aumento salarial para certos setores, assim como san\u00e7\u00f5es contra redes ilegais de migra\u00e7\u00e3o e fechamento de fronteiras, \u00e9 prov\u00e1vel que persista a sobreexplora\u00e7\u00e3o laboral da for\u00e7a de trabalho migrante. A burguesia h\u00fangara e as multinacionais, com o benepl\u00e1cito do novo governo emergente, poderiam continuar se beneficiando da for\u00e7a de trabalho de dezenas de milhares de migrantes. Em 2024, pelo menos 65.389 trabalhadores provenientes de pa\u00edses como Vietn\u00e3, Ucr\u00e2nia, Rom\u00eania, China, \u00cdndia, Coreia do Sul, Eslov\u00eania, Turquia, Mong\u00f3lia e R\u00fassia, desempenhavam um pilar fundamental na economia h\u00fangara (6).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, os migrantes que trabalham honestamente e tamb\u00e9m os migrantes que estudam no pa\u00eds requerem melhores condi\u00e7\u00f5es. Mais de 10.000 estudantes estrangeiros participam anualmente do programa de bolsas Stipendium Hungaricum Scholarship. Esses dois setores precisam de garantias de resid\u00eancia, direitos democr\u00e1ticos e oportunidades reais de perman\u00eancia. Sua contribui\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds pode se traduzir em benef\u00edcios estrat\u00e9gicos. Entre eles, destacam-se a reprodu\u00e7\u00e3o social da for\u00e7a de trabalho, o dinamismo demogr\u00e1fico das fam\u00edlias e das gera\u00e7\u00f5es, o aumento do consumo interno e da demanda, o impulso ao turismo, o desenvolvimento produtivo e educacional, a proje\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica e a diversidade cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da favorabilidade da perten\u00e7a da Hungria \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, torna-se indispens\u00e1vel recuperar uma pol\u00edtica de irmandade de classe e multicultural de car\u00e1ter antirracista e antiimperialista levantada por um projeto contempor\u00e2neo de esquerda. A classe trabalhadora h\u00fangara compartilha interesses estrat\u00e9gicos com trabalhadores de outras regi\u00f5es do mundo e do leste europeu. Esta converg\u00eancia \u00e9 fundamental para a defesa de seus direitos frente ao poder do capital, tanto da burguesia local quanto da estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O segundo desafio <\/strong>dos trabalhadores h\u00fangaros e seus aliados populares consiste em exigir do novo governo, tanto nos primeiros 100 dias quanto ao longo dos quatro anos de mandato, um plano de emerg\u00eancia social frente \u00e0 crise capitalista que assola o pa\u00eds e a Uni\u00e3o Europeia. Trata-se de que P\u00e9ter Magyar cumpra com o mandato popular e de que o povo fa\u00e7a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia sociopol\u00edtica com \u201cseu\u201d governo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No momento, a urg\u00eancia reside na regula\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m na implementa\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios sociais e na congelamento de pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica frente ao aumento do custo de vida. A isso se somam o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, a imposi\u00e7\u00e3o de maiores cargas tribut\u00e1rias ao grande capital, a defesa das aposentadorias\/pens\u00f5es, o fomento do emprego massivo e o aumento do or\u00e7amento p\u00fablico destinado \u00e0 investimento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os 22.000 milh\u00f5es de euros provenientes da Uni\u00e3o Europeia possam contribuir para dinamizar a economia interna, seu uso requer uma estrita vigil\u00e2ncia. \u00c9 necess\u00e1rio garantir que tais recursos sejam direcionados efetivamente para a sociedade civil e os setores mais afetados. Ao mesmo tempo, o povo trabalhador deve expressar no debate p\u00fablico \u2014e, se necess\u00e1rio, nas pr\u00f3prias ruas\u2014 sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s poss\u00edveis contrapresta\u00e7\u00f5es leoninas. Entre elas, o aumento da d\u00edvida externa com os bancos da troika (Comiss\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monet\u00e1rio Internacional), o fortalecimento da OTAN e uma maior depend\u00eancia estrutural da Hungria. Essas medidas poderiam se traduzir em um empobrecimento adicional das fam\u00edlias h\u00fangaras e da juventude. O caso da Gr\u00e9cia constitui um antecedente ilustrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste terreno, surge a necessidade de disputar um projeto-programa oper\u00e1rio antiimperialista de esquerda. Este deve confrontar tanto a ideologia burguesa euroc\u00e9tica quanto o nacional-populismo da oposi\u00e7\u00e3o de direita no Parlamento e na sociedade civil. Em consequ\u00eancia, resulta fundamental explicar o fen\u00f4meno da depend\u00eancia pol\u00edtico-econ\u00f4mica da Hungria e dos pa\u00edses da Europa Oriental. Tamb\u00e9m \u00e9 importante formular uma alternativa que impe\u00e7a que os agentes pol\u00edticos do capital nacional e estrangeiro, incluindo o governo emergente de Magyar, apliquem pol\u00edticas de austeridade e programas de moderniza\u00e7\u00e3o militar em fun\u00e7\u00e3o dos interesses das burguesias centrais imperialistas da Europa, como Alemanha, Fran\u00e7a e Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora exista um entusiasmo popular e expectativas leg\u00edtimas em rela\u00e7\u00e3o a uma maior integra\u00e7\u00e3o com a Europa Ocidental, \u00e9 necess\u00e1rio matizar essas percep\u00e7\u00f5es sobre a UE. A governan\u00e7a central da Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o se orienta para o bem-estar geral, mas sim para a administra\u00e7\u00e3o imperialista de cargas fiscais e para a reprodu\u00e7\u00e3o de suas estruturas desiguais de depend\u00eancia. Em determinadas situa\u00e7\u00f5es, isso pode implicar transferir os custos de crises com planos de austeridade e endividamento ou conflitos para os pa\u00edses perif\u00e9ricos, sendo carne de canh\u00e3o das guerras da OTAN. De uma perspectiva estrat\u00e9gica, n\u00e3o \u00e9 com um recuo endog\u00e2mico nacionalista, mas apenas com uma nova e distinta Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica de Rep\u00fablicas Socialistas da Europa e uma revolu\u00e7\u00e3o socialista nos Estados Unidos da Am\u00e9rica que \u00e9 poss\u00edvel superar essa contradi\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do Leste e do Ocidente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O terceiro desafio <\/strong>dos trabalhadores h\u00fangaros e seus aliados populares \u00e9 avan\u00e7ar, em uma tarefa que lembra tanto S\u00edsifo quanto o trabalho paciente das formigas, na reconstru\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e popular. O relan\u00e7amento e a intelig\u00eancia coletiva de um projeto estrat\u00e9gico revolucion\u00e1rio de esquerda para a Hungria do s\u00e9culo XXI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso implica elevar os n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o e politiza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o ponto de constituir um novo partido revolucion\u00e1rio que represente a classe trabalhadora nativa, os migrantes, a juventude, as mulheres e minorias sexuais, hoje inexistente na Hungria. Um poderoso e disciplinado partido de esquerda dos trabalhadores h\u00fangaros e dos trabalhadores migrantes que fa\u00e7a um balan\u00e7o cr\u00edtico hist\u00f3rico-cient\u00edfico do stalinismo e da restaura\u00e7\u00e3o capitalista, que ofere\u00e7a um programa de transi\u00e7\u00e3o pelo poder via uma insurrei\u00e7\u00e3o, contra todos os partidos de direita e a burguesia, e que reivindique a gesta da revolu\u00e7\u00e3o h\u00fangara de 1956. A forma\u00e7\u00e3o de novas for\u00e7as pol\u00edticas capazes de capitalizar o descontentamento social, como fez Tisza em 2024, demonstra que esse processo n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, mas tamb\u00e9m necess\u00e1rio. Nesta reconstru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as e reagrupamentos, as correntes socialistas internacionais podem desempenhar um papel progressivo se conseguirem se inserir em algum basti\u00e3o local do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja verdade que para o per\u00edodo de 2026-2030 o Parlamento h\u00fangaro apresenta uma representa\u00e7\u00e3o de esquerda nula (0%) (7), sua composi\u00e7\u00e3o est\u00e1 dominada por uma maioria conservadora nacionalista (Tisza), uma oposi\u00e7\u00e3o populista (Fidesz-KDNP) e uma minoria neofascista (Mi Haz\u00e1nk), todas dentro do campo pol\u00edtico da direita. No entanto, seria err\u00f4neo, unilateral e at\u00e9 anticient\u00edfico concluir que o povo trabalhador h\u00fangaro \u00e9, de maneira irremedi\u00e1vel, substancialmente de direita ou conservador em sua cultura pol\u00edtica. As motiva\u00e7\u00f5es do voto de castigo expressam um fen\u00f4meno distinto. Os processos de consci\u00eancia popular s\u00e3o hist\u00f3ricos, segmentados e consideravelmente mais complexos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o discurso nacionalista da burguesia h\u00fangara e do capital penetrou na consci\u00eancia oper\u00e1ria e popular. Em sua vida cotidiana, isso se expressa em uma rela\u00e7\u00e3o bastante herm\u00e9tica com o mundo exterior, refor\u00e7ada pelo uso exclusivo da l\u00edngua h\u00fangara \u2014bela, mas intrincada\u2014 e por formas de vida relativamente endog\u00e2micas, associadas a uma estreiteza cultural de tipo nacional-chovinista. O que contrabalan\u00e7a essa tend\u00eancia \u00e9 uma maior integra\u00e7\u00e3o cultural \u00e0 Europa e ao mundo, o desenvolvimento da urbaniza\u00e7\u00e3o e das for\u00e7as produtivas, o turismo cosmopolita, o sistema de educa\u00e7\u00e3o e tecnocient\u00edfico com proje\u00e7\u00e3o internacional nas novas gera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O senso comum h\u00fangaro, em seu aspecto regressivo, se manifesta em um ceticismo estendido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o, percebida em algumas ocasi\u00f5es como \u201cilegal\u201d e vinculada \u00e0 perda de empregos ou \u00e0 competi\u00e7\u00e3o interna entre trabalhadores nacionais e estrangeiros. Tamb\u00e9m se expressa em preocupa\u00e7\u00f5es conservadoras e, muitas vezes, reacion\u00e1rias, sobre uma \u201cidentidade\u201d cultural fixa ou a \u201cbranquitude\u201d, assim como no rejei\u00e7\u00e3o de certas agendas democr\u00e1ticas de g\u00eanero e liberdades, vistas como pol\u00edticas identit\u00e1rias afastadas das urg\u00eancias materiais da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista e \u00e0s pol\u00edticas de austeridade, o povo trabalhador h\u00fangaro tende a desconfiar de maneira generalizada de todos os pol\u00edticos profissionais do arco institucional, sem distin\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica alguma. \u00c9 um bom instinto de classe e sagacidade. Nesse contexto, tamb\u00e9m se projeta uma imagem negativa da \u201cesquerda\u201d institucional e extrainstitucional. Para muitos setores, esta se associa ao inferno autorit\u00e1rio e ao fracasso do modelo burocr\u00e1tico estalinista da antiga URSS e com sua prolonga\u00e7\u00e3o no antigo regime h\u00fangaro de R\u00e1kosi e K\u00e1d\u00e1r. Essa percep\u00e7\u00e3o foi refor\u00e7ada por uma intensa propaganda anticomunista institucionalizada \u2014vis\u00edvel em espa\u00e7os como o Museu do Terror em Budapeste ou o Memento Park\u2014, assim como pelo sistema educacional e os meios de comunica\u00e7\u00e3o, tanto privados quanto p\u00fablicos. A isso se soma a orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica neoconservadora de Orb\u00e1n e, em parte, de Magyar, que compartilham uma ret\u00f3rica convergente em torno \u00e0 mem\u00f3ria do Dia Nacional (23 de outubro) da Revolu\u00e7\u00e3o H\u00fangara de 1956.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma mem\u00f3ria mais recente, a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cesquerda\u201d se concentra especialmente na experi\u00eancia fracassada e desastrosa do Partido Socialista H\u00fangaro (MSZP) durante seu segundo per\u00edodo (2002-2010). Em um ambiente convulso da crise financeira global de 2008, o MSZP, cujos l\u00edderes j\u00e1 haviam se enriquecido e aburguesado com a restaura\u00e7\u00e3o capitalista dos anos 90, terminou de aplicar uma agenda neoliberal de austeridade, a servi\u00e7o da troika da UE, marcada por esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o nas altas esferas (como o caso de \u0150sz\u00f6d) e por cortes diretos aos direitos dos trabalhadores. Isso provocou, como deveria ser, protestos massivos do povo trabalhador h\u00fangaro, que \u00e9 tudo menos um povo passivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o retorno \u00e0 democracia capitalista, foi a trai\u00e7\u00e3o da centro-esquerda reformista no governo que alimentou o pesadelo do fen\u00f4meno de massas do populismo nacionalista de direita de Viktor Orb\u00e1n, ent\u00e3o l\u00edder da Alian\u00e7a dos Jovens Democratas, nome original do Fidesz. Este movimento, que em sua origem tinha claros tra\u00e7os liberais restauracionistas, consolidou-se posteriormente como a for\u00e7a dominante do sistema pol\u00edtico h\u00fangaro, hoje deslocada, mas n\u00e3o completamente superada, e parcialmente reconfigurada em forma\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias como Tisza, que preservam um perfil conservador de direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos, neste sentido, diante do fim da hegemonia de Orb\u00e1n, mas ainda n\u00e3o diante do fim da hegemonia nacional-populista de direita. Entramos em uma era p\u00f3s-Orb\u00e1n. Am\u00e9m, assim seja. Embora seu legado continue presente, tanto na oposi\u00e7\u00e3o quanto no discurso p\u00fablico, apesar de que recentemente Orb\u00e1n e outros l\u00edderes declinaram ocupar um assento parlamentar, \u00e9 um \u201ccad\u00e1ver vivo\u201d insepulto e podre, que continua ressoando na vida pol\u00edtica nacional atrav\u00e9s de outras figuras carism\u00e1ticas. Uma esp\u00e9cie de orbanismo moderado (<em>soft<\/em>) sem Orb\u00e1n.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u2014parafraseando Rosa Luxemburgo (8)\u2014 o povo trabalhador h\u00fangaro dever\u00e1 atravessar seu pr\u00f3prio <em>V\u00eda Crucis<\/em> hist\u00f3rico e caminho de liberta\u00e7\u00e3o pelo deserto, at\u00e9 encontrar uma sa\u00edda emancipadora, a luz no fim do t\u00fanel no caminho pavimentado da luta de classes. A derrota de Orb\u00e1n abre, em perspectiva hist\u00f3rica mediata, nos pr\u00f3ximos anos, uma possibilidade de acelera\u00e7\u00e3o de contradi\u00e7\u00f5es sob o governo de Magyar, o qual dificilmente poder\u00e1 satisfazer plenamente as expectativas de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conclus\u00e3o, nos \u00faltimos meses estamos vivendo avan\u00e7os no terreno pol\u00edtico-organizativo. Vivemos momentos hist\u00f3ricos extraordin\u00e1rios da abertura de uma nova etapa. As oportunidades de reconstru\u00e7\u00e3o de um projeto de alternativa de esquerda e de reconstru\u00e7\u00e3o do movimento de massas se ampliam. Isso reafirma um otimismo socialista e crit\u00e9rio cient\u00edfico baseado na ag\u00eancia dos de baixo, na luta hist\u00f3rica do povo trabalhador h\u00fangaro no conflito imanente de classes:<\/p>\n\n\n\n<p>A marcha massiva de mulheres do 8 de mar\u00e7o na Pra\u00e7a da Liberdade e em frente \u00e0 Bas\u00edlica de Santo Est\u00eav\u00e3o. A manifesta\u00e7\u00e3o massiva da diversidade LGBTI na Ponte da Liberdade. O mega concerto multicultural na Pra\u00e7a dos Her\u00f3is. A manifesta\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Nacional de Estudantes (H\u00d6OK) contra os cortes or\u00e7ament\u00e1rios nas universidades p\u00fablicas e a tentativa de cobran\u00e7a de mensalidades. Os protestos contra a visita de Netanyahu a Budapeste e a Confer\u00eancia de A\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica Conservadora (CPAC), em solidariedade ao povo palestino. Os boicotes antifascistas aos atos neofascistas do Dia da Honra (Becs\u00fclet napja) em Budapeste. E as concentra\u00e7\u00f5es da di\u00e1spora em solidariedade ao povo do Ir\u00e3 e da Ucr\u00e2nia, em rejei\u00e7\u00e3o tanto \u00e0 repress\u00e3o interna do regime isl\u00e2mico quanto \u00e0 invas\u00e3o colonial russa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, destacam os com\u00edcios do novo sindicato de entregadores da multinacional Wolt, assim como pelo menos onze conflitos trabalhistas e processos de greve nos \u00faltimos tr\u00eas anos em setores industriais (energia, manufatura, automotivo) e de servi\u00e7os (sa\u00fade, transporte, educa\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>L\u00e9ase la nota<em>Aplastante derrota del populismo autoritario<\/em>(14\/4\/2026)en la web de la <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/aplastante-derrota-del-populismo-autoritario\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">Liga Internacional de los Trabajadores<\/a>(LIT-CI).\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>(2) Veja os resultados oficiais em <a href=\"https:\/\/vtr.valasztas.hu\/ogy2026\/orszaggyules-osszetetele\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Composi\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional<\/a> e <a href=\"https:\/\/politpro.eu\/en\/hungary\/election\/2026-04-12\/parliamentary-election\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elei\u00e7\u00f5es Gerais da Hungria: Resultados Finais Oficiais<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>(3) Leia a imprensa <a href=\"https:\/\/hungarytoday.hu\/peter-magyar-begins-negotiations-to-release-billions-in-eu-funds\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hungary Today<\/a> <em>P\u00e9ter Magyar Inicia Negocia\u00e7\u00f5es para Libera\u00e7\u00e3o de Bilh\u00f5es em Fundos da UE<\/em> (2026\/04\/20).<\/p>\n\n\n\n<p>(4)Veja o relat\u00f3rio de <a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/news\/2025\/04\/17\/hungary-fundamental-law-changes-attack-rule-law-rights\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Human Rights Watch<\/a> <em>Hungria: Mudan\u00e7as na Lei Fundamental Atacam o Estado de Direito e os Direitos<\/em> (2025\/04\/17).<\/p>\n\n\n\n<p>(5) Veja o artigo de an\u00e1lise <em>Orb\u00e1n e o n\u00f3 g\u00f3rdio da Ucr\u00e2nia<\/em> (2026\/02\/26) no site da <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/orban-y-el-nudo-gordiano-de-ucrania-2\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">Liga Internacional dos Trabalhadores<\/a> (LIT-CI).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>(6) Veja os dados oficiais de imigra\u00e7\u00e3o do <em>Escrit\u00f3rio Central de Estat\u00edsticas da Hungria<\/em> (KSH) e a an\u00e1lise do portal econ\u00f4mico <a href=\"https:\/\/www.penzcentrum.hu\/karrier\/20251104\/sokkolo-hany-magyar-lepett-le-vegleg-az-orszagbol-a-kulfoldi-vendegmelosok-sem-potoljak-oket-1188072\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>P\u00e9nzcentrum<\/em><\/a> (4\/11\/2025).<\/p>\n\n\n\n<p>(7) No campo heterog\u00eaneo da \u201cesquerda h\u00fangara\u201d, a Democratic Coalition de vi\u00e9s socioliberal de centro, obteve 1,1% (70\u202f298 votos) e ficou de fora do parlamento. O Partido Socialista H\u00fangaro (MSZP), que costumava ter 10 assentos, desta vez decidiu n\u00e3o se apresentar, ficar com 0 e optar pela campanha \u201cesquerdistas pela mudan\u00e7a de sistema\u201d de sufr\u00e1gio pragm\u00e1tico por Tisza. Outras express\u00f5es social-democratas e ecologistas (Dialogue, LMP) tamb\u00e9m decidiram n\u00e3o se apresentar e chamaram a votar por Tisza. Enquanto isso, os partidos estalinistas como o Partido Oper\u00e1rio H\u00fangaro, em coaliz\u00e3o com o Partido Solidariedade, que tem estado alinhado com a R\u00fassia no conflito armado com a Ucr\u00e2nia, chamaram a n\u00e3o votar nem por Orban nem por Magyar, mas por suas pr\u00f3prias listas de candidatos uninominais em tr\u00eas distritos de Budapeste (150 votos, 0,1%), sem conseguir cota parlamentar nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>(8) \u201cA experi\u00eancia hist\u00f3rica \u00e9 seu \u00fanico mestre, seu <em>V\u00eda Doloroso<\/em> [Dornenweg] rumo \u00e0 liberdade est\u00e1 repleto n\u00e3o apenas de sofrimentos inenarr\u00e1veis, mas tamb\u00e9m de incont\u00e1veis erros. A meta da viagem, a liberta\u00e7\u00e3o definitiva, depende inteiramente do proletariado, se <em>este<\/em> aprender com seus <em>pr\u00f3prios<\/em> erros. A autocr\u00edtica, a cr\u00edtica cruel e implac\u00e1vel que vai at\u00e9 a raiz do mal, \u00e9 vida e alento para o proletariado. A cat\u00e1strofe \u00e0 qual o mundo lan\u00e7ou o proletariado socialista \u00e9 uma desgra\u00e7a sem precedentes para a humanidade. Mas o socialismo est\u00e1 perdido unicamente se o proletariado for incapaz de medir a envergadura da cat\u00e1strofe e se recusar a compreender suas li\u00e7\u00f5es\u201d, <em>El Folleto Junius: a crise da socialdemocracia alem\u00e3<\/em> (1916), Rosa Luxemburg. Dispon\u00edvel em<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/luxem\/09El%20folletoJuniusLacrisisdelasocialdemocraciaalemana_0.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Marxist Internet Archive<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A noite de 12 de abril, na capital da Hungria, Budapeste, milhares de pessoas enchiam as ruas com j\u00fabilo para celebrar a derrota pol\u00edtica e eleitoral do Primeiro-Ministro, Viktor Orb\u00e1n, e de seu partido Fidesz, ap\u00f3s 16 anos de governo autorit\u00e1rio. Come\u00e7ava uma nova etapa hist\u00f3rica. 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