{"id":825,"date":"2020-03-06T15:46:44","date_gmt":"2020-03-06T17:46:44","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/03\/06\/a-esquerda-frente-aos-conflitos-salariais-nas-forcas-armadas-e-de-seguranca\/"},"modified":"2020-03-06T15:46:44","modified_gmt":"2020-03-06T17:46:44","slug":"a-esquerda-frente-aos-conflitos-salariais-nas-forcas-armadas-e-de-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/03\/06\/a-esquerda-frente-aos-conflitos-salariais-nas-forcas-armadas-e-de-seguranca\/","title":{"rendered":"A esquerda frente aos conflitos salariais nas for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>No in\u00edcio de outubro, desenvolveu-se um conflito salarial entre a suboficialidade e a base da Pol\u00edcia Militar Federal (Gendarmer\u00eda \u2013 pol\u00edcia militarizada de fronteiras) e da Pol\u00edcia Naval (Prefectura \u2013 pol\u00edcia naval de portos e rios) com o governo argentino de Cristina Kirchner e as c\u00fapulas dessas for\u00e7as.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: PSTU Argentina &#8211; Publicado em 22\/10\/2012<br \/>\nA origem do conflito foi que, como parte de um plano econ\u00f4mico de ajuste contra a classe trabalhadora e o povo argentino em geral que ataca os sal\u00e1rios dos trabalhadores estatais em particular, o governo de Cristina decretou a elimina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pagamentos adicionais que n\u00e3o integram o sal\u00e1rio b\u00e1sico e os membros de ambas as for\u00e7as receberam seus sal\u00e1rios com descontos dentre o 30 e o 60%.<br \/>\nIsto gerou, por parte da base e da suboficialidade de ambas as institui\u00e7\u00f5es militares, uma greve de fato, com assembleias e mobiliza\u00e7\u00f5es em frente aos edif\u00edcios centrais de ambas as for\u00e7as. Depois, incorporou-se a demanda de um sal\u00e1rio b\u00e1sico de 7.000 pesos (aproximadamente uns 1.500 d\u00f3lares). Nesse ponto, juntaram-se \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o 200 suboficiais da Marinha, suboficiais da For\u00e7a A\u00e9rea e esposas de suboficiais do Ex\u00e9rcito.<br \/>\nFrente a este conflito, o governo argentino teve uma pol\u00edtica cuidadosa. Por um lado, n\u00e3o se atreveu a reprimir em forma direta e abriu negocia\u00e7\u00f5es com uma in\u00e9dita \u201ccomiss\u00e3o de representantes\u201d (assinalemos que as for\u00e7as de seguran\u00e7a na Argentina t\u00eam proibi\u00e7\u00e3o de se sindicalizar e realizar demandas salariais ou trabalhistas), concedendo rapidamente a anula\u00e7\u00e3o dos descontos. Por outro, puniu 8 porta-vozes do conflito e negou-se a discutir a modifica\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio b\u00e1sico.<br \/>\nAo mesmo tempo, no Congresso Nacional, todas as for\u00e7as governistas e da oposi\u00e7\u00e3o burguesa votaram uma\u00a0declara\u00e7\u00e3o em que chamaram \u201cas for\u00e7as de seguran\u00e7a e outras a adequar suas a\u00e7\u00f5es a pautas de funcionamento democr\u00e1tico e de subordina\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades legitimamente constitu\u00eddas, de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o Nacional\u201d (Clar\u00edn, 4\/10). Noutras palavras, a declara\u00e7\u00e3o passou a ideia de que o movimento tinha conota\u00e7\u00f5es golpistas. Todas as express\u00f5es pol\u00edticas da burguesia argentina coincidiram em exigir que os policiais em greve \u201ctivessem tranquilidade\u201d e \u201cfossem para casa\u201d.<br \/>\nTanta preocupa\u00e7\u00e3o e unidade da burguesia argentina n\u00e3o \u00e9 casual. Na Argentina existe atualmente uma proibi\u00e7\u00e3o legal de que as for\u00e7as armadas participem na repress\u00e3o interna. Esta situa\u00e7\u00e3o, somada \u00e0 profunda crise da pol\u00edcia federal e das pol\u00edcias provinciais, fez com que a Gendarmer\u00eda e a Prefectura, principalmente a primeira, se transformassem nas principais for\u00e7as de repress\u00e3o de conflitos sociais, greves, manifesta\u00e7\u00f5es e cortes de estrada. Agora, existe uma crise no seio dessas pr\u00f3prias for\u00e7as repressoras. Para as classes possuidoras argentinas deu-se uma situa\u00e7\u00e3o inquietante, do tipo \u201cQuem vai nos defender?\u201d.<br \/>\n\u00c9 claro que este conflito \u00e9 uma express\u00e3o da crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica que come\u00e7a a afetar de modo crescente a Argentina. No entanto, n\u00e3o \u00e9 a an\u00e1lise sobre as ra\u00edzes deste processo que vamos abordar neste material.<br \/>\nNossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 desenvolver o debate com a maioria da esquerda argentina e latino-americana sobre qual deve ser a posi\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias frente a conflitos deste tipo e, mais em geral, qual \u00e9 a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para as for\u00e7as armadas e de seguran\u00e7a. Esta pol\u00eamica n\u00e3o \u00e9 nova, j\u00e1 se expressou por ocasi\u00e3o da rebeli\u00e3o policial no Equador, em 2010, e na greve dos bombeiros do Rio de Janeiro, em 2011.<br \/>\n<strong>Nossa posi\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA posi\u00e7\u00e3o do PSTU (se\u00e7\u00e3o argentina da LIT-CI) foi apoiar a luta das pol\u00edcias militar federal e naval contra o governo. \u00c9 o mesmo fizeram nossas se\u00e7\u00f5es no Equador e no Brasil, quando o Movimento Ao Socialismo e o PSTU brasileiro apoiaram a luta dos policias que se amotinaram contra o plano de ajuste de Correa e dos bombeiros, que exigiam melhores sal\u00e1rios contra o governador Cabral do Rio de Janeiro.<br \/>\nEm todos estes casos, apresentou-se uma situa\u00e7\u00e3o concreta que exigiu um posicionamento e uma pol\u00edtica tamb\u00e9m concreta: tratava-se de conflitos onde se enfrentavam diretamente a base e a baixa oficialidade dessas for\u00e7as repressoras contra a alta hierarquia militar ou policial e os governos municipais ou nacionais. Falamos de confrontos n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edticos, mas at\u00e9 f\u00edsicos. No caso do Equador e do Brasil, os governos mandaram for\u00e7as especiais para reprimir a base insubordinada, provocando confrontos e muitos soldados e oficiais presos ou punidos.<br \/>\nO debate com a esquerda argentina e latino-americana \u00e9 o seguinte: De que lado se colocam os partidos que se reivindicam revolucion\u00e1rios em um conflito destas caracter\u00edsticas? S\u00f3 existem duas alternativas concretas na realidade: ou estamos com a base de soldados ou policiais e a baixa oficialidade contra as altas c\u00fapulas militares e os diferentes governos capitalistas, ou estamos com os governos (Correa, Cabral\/Dilma, Cristina K.) e as c\u00fapulas contra as reivindica\u00e7\u00f5es dos setores insubordinados e a favor da repress\u00e3o a eles.<br \/>\nA posi\u00e7\u00e3o da LIT-QI \u00e9 a primeira. E temos esta posi\u00e7\u00e3o porque seguimos a pol\u00edtica tradicional de Lenin que, com a perspectiva do triunfo da insurrei\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista, propunha \u201clevar a luta de classes\u201d ao seio das for\u00e7as armadas capitalistas. Isto significa aproveitar as profundas contradi\u00e7\u00f5es sociais que existem dentro destas institui\u00e7\u00f5es e ter uma pol\u00edtica para enfrentar a base e a suboficialidade com a c\u00fapula de altos oficiais das F.A. e do Estado burgu\u00eas, mediante um programa de reivindica\u00e7\u00f5es concretas para dividir as for\u00e7as repressoras, ganhando um setor para a revolu\u00e7\u00e3o para enfrentar o outro. Toda esta pol\u00edtica est\u00e1 a servi\u00e7o, n\u00e3o de \u201creformar\u201d, mas de destruir estes \u201cdestacamentos armados\u201d do Estado burgu\u00eas.<br \/>\nA pol\u00edtica leninista-trotskista foi aplicada com sucesso entre fevereiro e outubro de 1917, quando milh\u00f5es de soldados mobilizados pelos governos capitalistas russos na Primeira Guerra Mundial se rebelaram, romperam a cadeia de comandos, organizaram-se e participaram dos sovietes (conselhos de deputados de oper\u00e1rios, camponeses e soldados). Lenin e Trotsky concordaram em que esta pol\u00edtica fora determinante para o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1917. A pol\u00edtica que a LIT-QI aplica e, recentemente, o PSTU (A), de apoiar estes conflitos ao interior das for\u00e7as repressoras, est\u00e1 orientada por esta tradi\u00e7\u00e3o leninista.<br \/>\n<strong>Uma posi\u00e7\u00e3o pacifista encoberta com linguagem \u201cradical\u201d<\/strong><br \/>\nNa Argentina, o Novo MAS e o Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) posicionaram-se contra a luta dos policiais. O PTS, atrav\u00e9s de sua corrente internacional, a Fra\u00e7\u00e3o Trotskista, j\u00e1 se tinha posicionado na contram\u00e3o da luta dos bombeiros do Rio de Janeiro no ano passado.<br \/>\nCom certeza, estas organiza\u00e7\u00f5es que se reclamam trotskistas, tentam revestir esta posi\u00e7\u00e3o com toda uma envoltura de frases grandiloquentes e \u201crevolucion\u00e1rias\u201d. Mas a realidade \u00e9 a realidade e \u00e9 muito dif\u00edcil escond\u00ea-la. A pr\u00f3pria declara\u00e7\u00e3o do PTS, por exemplo, come\u00e7a reconhecendo que \u201c<em>O motim protagonizado pelas suboficialidades da Prefectura e da Gendarmer\u00eda (ao qual se somou um setor da Marinha) abriu uma crise nacional. O conflito, detonado por um corte salarial, transformou-se em pol\u00edtico. A vaia aos oficiais, a extens\u00e3o do conflito e sua propaga\u00e7\u00e3o entre as For\u00e7as ilustram a gravidade da situa\u00e7\u00e3o (\u2026) O governo est\u00e1 em uma encruzilhada. Se retroceder em toda a linha pode ficar como ref\u00e9m dos insubordinados, e seu exemplo ser tomado por outros setores das F.A. inclusive por policiais provinciais que simpatizam com os rebeldes. Pelo contr\u00e1rio, se n\u00e3o cede, a situa\u00e7\u00e3o pode se polarizar, perdendo, de maneira mais aberta, o controle de setores ligados ao aparelho de Estado, e pondo em jogo sua pr\u00f3pria governabilidade<\/em>\u201d[1].<br \/>\nIsto \u00e9 impressionante. Frente a um \u201cmotim\u201d que \u201cse transformou em pol\u00edtico\u201d, onde os oficiais eram vaiados e se estendeu a outros setores, configurando uma situa\u00e7\u00e3o \u201cgrave\u201d, que \u201cabriu uma crise nacional\u201d que colocou o governo \u201cem uma encruzilhada\u201d pois, nada menos, podia se perder \u201co controle de setores ligados ao aparelho de Estado\u201d e p\u00f4r \u201cem jogo sua pr\u00f3pria governabilidade\u201d\u2026.o PTS est\u00e1 contra a luta que gerou toda essa crise porque, supostamente, tudo isto \u201cfortalece o estado burgu\u00eas! Deixando de lado discuss\u00e3o sobre o que seria esta estranha forma de \u201cfortalecer\u201d o Estado burgu\u00eas atrav\u00e9s de uma luta que, como eles mesmos reconhecem, abriu uma crise pol\u00edtica nacional que questionou o pr\u00f3prio controle do governo sobre um setor das F.A. \u2013 o pilar de qualquer Estado burgu\u00eas \u2013 queremos retomar a discuss\u00e3o concreta: se o PTS est\u00e1 contra a luta da base e dos suboficiais da Gendarmer\u00eda e da Prefectura, localiza-se objetivamente ao lado da hierarquia militar e do governo de Cristina e sua pol\u00edtica econ\u00f4mica de ajustes.<br \/>\nN\u00e3o s\u00f3 isto, essa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nada a ver com uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, mas com um pacifismo reacion\u00e1rio, que abandona a oportunidade de exacerbar as contradi\u00e7\u00f5es de classe dentro das for\u00e7as armadas para dividi-las e destru\u00ed-las.<br \/>\nO PTS (o Novo MAS tem argumentos similares) diz que a pol\u00edtica leninista n\u00e3o se aplica neste caso, pois s\u00f3 pode ser aplicada com duas condi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>a) \u201c<em>se estiv\u00e9ssemos falando de um ex\u00e9rcito de alistamento obrigat\u00f3rio, recrutados em massa nas classes exploradas, como costuma suceder durante as guerras, onde \u00e9 preciso levantar um programa que tome as reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas da tropa\u201d.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Portanto, n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida para os ex\u00e9rcitos profissionais (assalariados) nem para as for\u00e7as de seguran\u00e7a. Eles s\u00e3o parte das institui\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas com disciplina militar, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 reprimir os trabalhadores, s\u00e3o guardas pretorianas<\/em>\u201d. Neste sentido, n\u00e3o est\u00e3o sujeitos a contradi\u00e7\u00f5es de classe ou essas contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o alheias aos interesses dos trabalhadores. Seus membros de base e suboficiais n\u00e3o s\u00e3o trabalhadores e, ainda que sejam assalariados e origin\u00e1rios das classes exploradas, esse car\u00e1ter de membros de um aparelho repressor domina em termos absolutos sobre o outro (ser assalariado). Por este motivo, qualquer conflito em seu seio por aumentos salariais ou condi\u00e7\u00f5es trabalhistas seria reacion\u00e1rio porque, em \u00faltima inst\u00e2ncia, busca melhorar as condi\u00e7\u00f5es dos repressores.<br \/>\nQuanto mais receberem, melhor v\u00e3o reprimir. Por isso, ter\u00edamos que ser contra eles. Coerente com isso, op\u00f5em-se \u00e0 proposta de sindicaliza\u00e7\u00e3o destes setores, que consideram duplamente reacion\u00e1ria. Por um lado, porque isto serviria para melhorar as condi\u00e7\u00f5es trabalhistas dos repressores. Pelo outro, semearia ilus\u00f5es sobre a possibilidade de \u201creforma\u201d do estado burgu\u00eas e de suas institui\u00e7\u00f5es repressoras, algo imposs\u00edvel. Apresenta o exemplo de Fran\u00e7a, onde existem sindicatos policiais mas isto n\u00e3o evita que a Pol\u00edcia reprima.<br \/>\n\u00c9 um fato que existe uma tend\u00eancia a que as for\u00e7as armadas contem com menos alistados e sejam formadas cada vez mais por setores \u201cassalariados\u201d ou \u201cprofissionais\u201d. Por exemplo, na pr\u00f3pria Argentina, quando deixou de existir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, as tropas, desde a base at\u00e9 a c\u00fapula, recebem um pagamento. Mas este nunca foi um crit\u00e9rio para definir a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para destruir as F.A. burguesas. A pol\u00edtica de Lenin sempre foi aproveitar as desigualdades e contradi\u00e7\u00f5es de classe dentro desses aparelhos para dividi-los, enfrentando os soldados contra os suboficiais e estes \u00faltimos contra os altos comandos.<br \/>\nPode ser dada, por exemplo, uma luta de suboficiais contra alto comandos (coron\u00e9is, generais). Os revolucion\u00e1rios devem estar contra ou abster-nos de ter pol\u00edtica s\u00f3 porque os suboficiais s\u00e3o \u201cprofissionais\u201d e n\u00e3o \u201calistados\u201d? Por exemplo, na Argentina, as pol\u00edcias provinciais sempre foram pagas de cima abaixo. Isto significa que, se uma rebeli\u00e3o dos agentes (soldados) contra os suboficiais ou destes contra os oficiais estourar, n\u00e3o devemos fazer nada para aprofundar essa crise porque \u201cn\u00e3o s\u00e3o alistados\u201d? Esse nunca foi o crit\u00e9rio de Lenin, Trotsky e de nenhum marxista, que sempre pensaram em como aumentar as crises e os confrontos na cadeia de comandos, a partir das contradi\u00e7\u00f5es de classe.<\/p>\n<ol>\n<li>b) \u201c<em>S\u00f3 em uma situa\u00e7\u00e3o de forte crise do poder estatal e alta generalizada da luta de classes pode produzir o fato de que parte da base social popular de uma for\u00e7a repressora \u2018rompa a cadeia de comandos\u2019 e ponha-se ao lado dos trabalhadores, n\u00e3o mediante mecanismos da legalidade desta democracia para ricos ou por \u2018convencimento\u2019 pac\u00edfico, mas de uma for\u00e7a material: se a classe trabalhadora em luta conquista seus organismos de autodefesa, seu pr\u00f3prio poder armado, as mil\u00edcias oper\u00e1rias<\/em>\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Isto \u00e9, s\u00f3 seria v\u00e1lida em situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, com duplo poder e mil\u00edcias oper\u00e1rias armadas. Ent\u00e3o, para eles, fora dessas situa\u00e7\u00f5es, quando a divis\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es seria poss\u00edvel, deve-se estar contra essas lutas. Esta \u00e9 uma pol\u00edtica pacifista reacion\u00e1ria, t\u00edpica do reformismo que opina que, como n\u00e3o est\u00e1 colocada a tomada do poder, n\u00e3o interessa nenhum tipo de trabalho pol\u00edtico para destruir as F.A., principal sustent\u00e1culo do Estado burgu\u00eas. Dizer isto equivale a dizer que, enquanto n\u00e3o chegar a hora da revolu\u00e7\u00e3o socialista, n\u00e3o devemos ter pol\u00edtica para as greves ou confrontos concretos entre oper\u00e1rios e patr\u00f5es ou, inclusive, para aproveitar as crises interburguesas.<br \/>\n<strong>Guardas pretorianas?<\/strong><br \/>\nPara fazer o debate, partimos de uma coincid\u00eancia com o PTS e o novo MAS. Os ex\u00e9rcitos, especialmente os profissionais, e as for\u00e7as de seguran\u00e7a s\u00e3o \u201cdestacamentos armados\u201d do Estado burgu\u00eas com a fun\u00e7\u00e3o de reprimir os trabalhadores e defender a propriedade privada capitalista. Isto significa que, como institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o podem ser \u201creformadas\u201d: a estrat\u00e9gia deve ser destrui-las com o poder da luta da classe oper\u00e1ria e sua express\u00e3o no terreno militar. N\u00e3o temos nenhuma ilus\u00e3o reformista em sentido contr\u00e1rio. Essa n\u00e3o \u00e9 a discuss\u00e3o.<br \/>\nA discuss\u00e3o \u00e9 qual deve ser a pol\u00edtica para destruir as F.A. burguesas, quest\u00e3o que abarca fatos como as greves salariais e a sindicaliza\u00e7\u00e3o policial crescente. O PTS e o Novo MAS assinalam que n\u00e3o s\u00e3o trabalhadores, defini\u00e7\u00e3o com a qual tamb\u00e9m coincidimos. O problema \u00e9 que, nos fatos, negam que em seu seio existam contradi\u00e7\u00f5es de classe, a partir de seu car\u00e1ter de assalariados e da origem social pobre da base de soldados ou a baixa oficialidade, em muitos casos provenientes da classe oper\u00e1ria ou do campesinato pobre, dentro dessas institui\u00e7\u00f5es repressoras.<br \/>\nO PTS diz que \u201c<em>trata-se de uma guarda pretoriana que n\u00e3o pode ser ganha para o campo da luta oper\u00e1ria s\u00f3 com agita\u00e7\u00e3o e propaganda e muito menos a partir do apoio de suas demandas corporativas<\/em>\u201d[2]. Por sua vez, o Novo MAS, admite que existe esta origem social \u201chumilde\u201d em setores destas for\u00e7as, mas que \u201c<em>quando entram em servi\u00e7o, esta origem social \u00e9 apagada<\/em>\u2019\u201d[3].<br \/>\nSe o que dizem estes setores ditos \u201crevolucion\u00e1rios\u201d \u00e9 correto, ent\u00e3o n\u00e3o existem contradi\u00e7\u00f5es dentro das for\u00e7as repressoras que possamos aproveitar agora e s\u00f3 nos restaria cruzar os bra\u00e7os at\u00e9 chegar o momento da revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista triunfante. O que estes partidos est\u00e3o dizendo, aos trabalhadores e \u00e0 base dessas mesmas for\u00e7as repressoras, em momentos em que estas se insubordinam e avariam a cadeia de comandos burguesa (n\u00e3o por acaso lhes est\u00e1 proibido fazer greves ou sindicalizar-se) e questionam toda essa estrutura vertical a servi\u00e7o da defesa da propriedade privada e controlada por governos burgueses, neste caso o de Cristina K, \u00e9 mais ou menos isto: Soldados e suboficiais!: Voc\u00eas s\u00e3o e sempre ser\u00e3o repressores do povo e \u201cc\u00e3es guardi\u00e3es\u201d dos ricos, essa \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o eterna\u2026portanto, n\u00e3o questionem esse papel nem sua pr\u00f3pria cadeia de comandos, n\u00e3o lutem contra seus oficiais, n\u00e3o lutem contra o governo!<br \/>\nA quest\u00e3o \u00e9 que, ao negar que as for\u00e7as armadas podem ser divididas a partir das contradi\u00e7\u00f5es sociais em seu seio e ao se opor a que as tropas e os comandos inferiores se sindicalizem e realizem greves, est\u00e3o se colocando a favor de manter a estrutura das F.A. tal qual est\u00e1. Isto \u00e9 assim porque toda greve ou conflito dentro das F.A. implica numa ruptura da cadeia de comandos, pois entende-se que, se a base faz greves, \u00e9 contra seus superiores ou contra o pr\u00f3prio governo burgu\u00eas. Vista esta quest\u00e3o, quem tem a pol\u00edtica de fortalecimento das for\u00e7as repressoras, quem tenta aprofundar os confrontos entre a base e a c\u00fapula das F.A. ou quem prop\u00f5e que, por dentro, se questione a corrente de comando?<br \/>\nA an\u00e1lise do PTS e do Novo MAS n\u00e3o tem sustento na realidade, ainda que a tentem revestir com fraseologia \u201cesquerdista\u201d. Qualquer um sabe, na Argentina e em muitos pa\u00edses, que os membros dos ex\u00e9rcitos profissionais e das for\u00e7as de seguran\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o trabalhadores, mas sua origem de classe, seu car\u00e1ter de assalariados, suas condi\u00e7\u00f5es trabalhistas, zonas de moradia, criam-lhes numerosos vasos comunicantes com a classe oper\u00e1ria e isto abre a possibilidade da influ\u00eancia de uma pol\u00edtica oper\u00e1ria e revolucion\u00e1ria. Isto \u00e9 assim porque o capitalismo n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de pagar com altos sal\u00e1rios o conjunto de suas for\u00e7as repressoras.\u00a0Ou \u00e9 o mesmo um policial argentino ou um policial militar brasileiro que recebe um sal\u00e1rio miser\u00e1vel e vive em um bairro pobre que um coronel ou general que ganha 10 vezes mais e vive em bairros ricos? N\u00e3o existe nenhuma contradi\u00e7\u00e3o de classe que os revolucion\u00e1rios possam explorar para destruir esse aparelho contrarrevolucion\u00e1rio e preparar as condi\u00e7\u00f5es da revolu\u00e7\u00e3o socialista?<br \/>\n<strong>S\u00f3 com a revolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO segundo argumento (i.e., \u00e9 uma pol\u00edtica que s\u00f3 pode ser aplicada em situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias) do PTS e do Novo MAS, al\u00e9m de capitular ao governo de Cristina e aos altos comandos militares, \u00e9 espontane\u00edsta e pacifista.<br \/>\nEstas organiza\u00e7\u00f5es caem no espontane\u00edsmo ao abandonar uma pol\u00edtica permanente e pr\u00e9via de agita\u00e7\u00e3o e propaganda sobre a base e os comandos inferiores das F.A., deixando isto para quando a situa\u00e7\u00e3o seja cr\u00edtica e revolucion\u00e1ria.\u00a0Se segu\u00edssemos esta orienta\u00e7\u00e3o, nossa tarefa seria, enquanto uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do tipo outubro russo n\u00e3o chegar, ficar sentados olhando este tipo de crise e confrontos \u2013muitos deles f\u00edsicos \u2013 entre os soldados e seus comandantes e os governos burgueses. Isto n\u00e3o tem nada que ver com o que orientava, por exemplo, a III Internacional, que entre as 21 condi\u00e7\u00f5es para aceitar partidos em seu seio, estabelecia: \u201cO dever de propagar as ideias comunistas implica a necessidade absoluta de realizar uma propaganda e uma agita\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e perseverante entre as tropas\u201d. A pol\u00edtica de n\u00e3o fazer agita\u00e7\u00e3o e propaganda sobre as tropas ou a base das for\u00e7as armadas at\u00e9 \u201cque soe a hora\u201d de uma insurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 espontane\u00edsta e s\u00f3 pode acarretar derrotas ao proletariado em uma perspectiva estrat\u00e9gica.<br \/>\nA pol\u00edtica destas organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 pacifista, pois se nega \u00e0 luta pol\u00edtica no interior das for\u00e7as armadas. Sabemos que sem divis\u00e3o das F.A. burguesas n\u00e3o existe possibilidade de que a revolu\u00e7\u00e3o socialista triunfe, nem de destruir essas for\u00e7as repressoras. Entre os que coincidem com esta premissa, existem dois setores: a) os leninistas-trotskistas: defendemos que para isto \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho pol\u00edtico sistem\u00e1tico sobre a base dessas for\u00e7as repressoras no sentido de aprofundar sua crise; b) os setores guerrilheiros foquistas: apregoam a necessidade de montar um ex\u00e9rcito popular que gradualmente se fortale\u00e7a at\u00e9 um confronto final e decisivo de ex\u00e9rcito a ex\u00e9rcito com a burguesia. Os guerrilheiros t\u00eam uma t\u00e1tica equivocada mas t\u00eam como objetivo destruir as for\u00e7as armadas do estado burgu\u00eas.<br \/>\nSe o PTS e o Novo MAS n\u00e3o defendem nem um nem outro, fica claro que sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 pacifista e, por tanto, nega a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia da insurrei\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, est\u00e3o a favor de que a estrutura de comando das for\u00e7as repressoras se mantenha, posi\u00e7\u00e3o t\u00edpica do pacifismo reacion\u00e1rio.<br \/>\nMas insistimos. Estas organiza\u00e7\u00f5es se consolam e tratam de justificar sua pol\u00edtica falando de uma situa\u00e7\u00e3o futura, da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, de um poss\u00edvel novo outubro, o qual hoje, ainda n\u00e3o existe na realidade. O que existiu e provavelmente continue existindo, mesmo sem uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, devido \u00e0 crise capitalista e \u00e0 impossibilidade de garantir melhores sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es trabalhistas \u00e0 base das for\u00e7as repressoras, s\u00e3o greves como a dos bombeiros do Rio de Janeiro ou da Gendarmer\u00eda e Prefectura na Argentina, motins como os de Equador, a forma\u00e7\u00e3o de sindicatos policiais na Argentina ou o chamado desses sindicatos a se mobilizar junto aos trabalhadores. Nesses processos, sempre se rompe a \u201ccadeia de comandos\u201d (eixo do funcionamento destas institui\u00e7\u00f5es), insultam-se e agridem os oficiais superiores, ocupam-se quart\u00e9is (como foi o caso dos bombeiros de Rio de Janeiro) e se d\u00e3o fortes repress\u00f5es e castigos aos insubordinados por parte dos altos comandos.<br \/>\nFrente a esta realidade \u2013 e n\u00e3o frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o existe -, as perguntas a responder s\u00e3o simples: \u00c9 melhor que estes setores se mobilizem e lutem contra o Estado e os governos capitalistas com m\u00e9todos da classe oper\u00e1ria ou n\u00e3o? Os confrontos dentro das for\u00e7as repressoras da base contra a c\u00fapula militar favorecem os trabalhadores ou fortalecem o Estado burgu\u00eas? Criam ou n\u00e3o melhores condi\u00e7\u00f5es na prepara\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e a destrui\u00e7\u00e3o destas institui\u00e7\u00f5es repressoras? \u00c9 melhor que triunfem ou que sejam derrotados? Para n\u00f3s, as respostas s\u00e3o positivas e por isso nossa pol\u00edtica de apoio a estas lutas.<br \/>\nO PTS e o Novo MAS tiram a conclus\u00e3o oposta. S\u00e3o lutas reacion\u00e1ria e deve-se estar contra. Com isso, frases \u201cesquerdistas\u201d \u00e0 parte, fazem um grande favor \u00e0 burguesia, pois acabam militando pela derrota de processos progressistas e, desta forma, afastam a classe oper\u00e1ria de uma pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o destas institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNisto queremos ser categ\u00f3ricos: estas organiza\u00e7\u00f5es acabam fazendo unidade com a burguesia, os governos e os regimes capitalistas. Por exemplo, o Novo MAS, agregou \u00e0 sua an\u00e1lise uma suposta \u201c<em>din\u00e2mica perigosa de questionar as autoridades constitu\u00eddas pela direita<\/em>\u201d para justificar sua posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 greve. Este partido, da mesma forma que toda a patronal e o governo argentino, ficou alarmado porque uma poss\u00edvel vit\u00f3ria das demandas salariais dos policiais insubordinados colocava \u201cem quest\u00e3o sua \u2018subordina\u00e7\u00e3o\u2019 ao poder pol\u00edtico\u201d. Poder pol\u00edtico de quem? N\u00e3o pode ser outro que o da burguesia argentina atrav\u00e9s do governo de Cristina K.<br \/>\nAchamos que esta an\u00e1lise \u00e9 totalmente equivocada. Nunca se tratou de uma tentativa golpista, mas de uma demanda salarial. Podia ter sido uma intentona golpista que questionasse as liberdades democr\u00e1ticas, mas n\u00e3o foi. Mas, inclusive no contexto desse profundo erro de caracteriza\u00e7\u00e3o, a pol\u00edtica do MAS \u00e9 totalmente inconsequente porque, se estiv\u00e9ssemos diante de um golpe militar, deveria ter chamado os trabalhadores e at\u00e9 a setores burgueses \u201cinstitucionalistas\u201d a uma ampla unidade de a\u00e7\u00e3o para enfrentar este potencial golpe reacion\u00e1rio com a mobiliza\u00e7\u00e3o. Noutras palavras, no marco de uma an\u00e1lise totalmente equivocada, um abstencionismo criminoso frente ao suposto golpe que denunciavam.<br \/>\nMas, como n\u00e3o se tratou de um golpe, ficaram, de fato, ao lado das \u201cautoridades constitu\u00eddas\u201d contra uma luta salarial que as enfrentava como \u201cpoder pol\u00edtico\u201d. Tal foi o papel vergonhoso do Novo MAS \u2013 que o disse abertamente \u2013 e tamb\u00e9m do PTS.<br \/>\nFinalmente, digamos que a principal organiza\u00e7\u00e3o da esquerda argentina, o Partido Oper\u00e1rio (PO), n\u00e3o teve uma posi\u00e7\u00e3o frente aos fatos. Embora pare\u00e7a incr\u00edvel, em seus materiais h\u00e1 muitas an\u00e1lises sobre o que gerou este conflito, mas \u00e9 imposs\u00edvel saber se o PO estava contra ou a favor da luta dos policiais militares federais e navais. Frente a um fato que sacudiu a vida pol\u00edtica argentina, o PO disse \u201cobrigado, n\u00e3o fumo\u201d, ou seja n\u00e3o tomou partido frente a esse confronto, o que tamb\u00e9m equivale a uma posi\u00e7\u00e3o pacifista e uma capitula\u00e7\u00e3o ao governo e \u00e0 c\u00fapula militar argentina.<br \/>\n[1]\u00a0<em>La protesta de los represores abri\u00f3 una crisis pol\u00edtica<\/em>, 4\/10\/2012,, dispon\u00edvel no site do PTS.<br \/>\n[2] Ros, Jonatan,\u00a0<em>La continuaci\u00f3n del pacifismo por otros medios<\/em>, 18\/10\/2012, publicado em La Verdad Obrera N\u00ba\u00a0497.<br \/>\n[3]\u00a0ROJO, Jos\u00e9 Luis: Un an\u00e1lisis de clase de las fuerzas de seguridad, 18\/10\/2012, publicado no site de\u00a0<em>Socialismo o Barbarie<\/em>, corrente internacional liderada pelo Novo MAS argentino.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de outubro, desenvolveu-se um conflito salarial entre a suboficialidade e a base da Pol\u00edcia Militar Federal (Gendarmer\u00eda \u2013 pol\u00edcia militarizada de fronteiras) e da Pol\u00edcia Naval (Prefectura \u2013 pol\u00edcia naval de portos e rios) com o governo argentino de Cristina Kirchner e as c\u00fapulas dessas for\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":31823,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4280],"tags":[],"class_list":["post-825","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-correio-internacional"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Argentina.jpg","categories_names":["Correio Internacional"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/825\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}