{"id":82472,"date":"2026-04-25T17:06:01","date_gmt":"2026-04-25T17:06:01","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82472"},"modified":"2026-04-25T17:06:03","modified_gmt":"2026-04-25T17:06:03","slug":"inundacao-em-benguela-obra-da-natureza-ou-consequencia-da-exploracao-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/04\/25\/inundacao-em-benguela-obra-da-natureza-ou-consequencia-da-exploracao-capitalista\/","title":{"rendered":"Inunda\u00e7\u00e3o em Benguela: obra da natureza ou consequ\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o capitalista?"},"content":{"rendered":"\n<p>Angola foi afectada por fortes chuvas nos \u00faltimos dias, tendo trazido alegria para alguns e forte tristeza para a grande maioria. No princ\u00edpio desta semana,12 de Abril de 2026, a prov\u00edncia de Benguela, localizada na regi\u00e3o mais a sul da capital, Luanda, foi devastada por uma inunda\u00e7\u00e3o fruto do rompimento do dique de protec\u00e7\u00e3o do rio Cavaco, tendo afectado 5 bairros perif\u00e9ricos, segundo o Novo Jornal, numa not\u00edcia publicada no dia posterior \u00e0s enxurradas.<\/p>\n\n\n\n<p>A inunda\u00e7\u00e3o ceifou vidas humanas, propriedade, sa\u00fade f\u00edsica e mental das diversas fam\u00edlias que foram atingidas pelas \u00e1guas \u201cdesgovernadas\u201d. Nesta senda, o Novo Jornal atestou, numa not\u00edcia publicada no dia 13 de Abril, que cerca de 4. 500 Fam\u00edlias se encontram desalojadas, tendo perdido tudo, dados que contrastam com outros \u00f3rg\u00e3os noticioso, onde a DW aponta para 8 000, o n\u00famero de fam\u00edlias que ficaram desalojadas e mais de 12 mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte das informa\u00e7\u00f5es vinculadas sobre a inunda\u00e7\u00e3o apontam \u00e0s intensas chuvas que se fazem sentir um pouco por toda Angola, onde apesar de ter sido Benguela quem mais sofre com isto, segundo a RTP, nos dados preliminares dos Servi\u00e7os de Protec\u00e7\u00e3o e Bombeiros, avan\u00e7ados pela Lusa, a capital de Angola n\u00e3o foi poupada. As chuvas provocaram a inunda\u00e7\u00e3o de 280 habita\u00e7\u00f5es, afectando 1400 pessoas, destrui\u00e7\u00e3o de 55 \u00e1rvores e dois deslizamentos de terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o caso de Benguela, menciona-se, circunscritamente, o rompimento do dique de protec\u00e7\u00e3o do rio Cavaco, fazendo teto com peneira, ao fato que segundo o Novo jornal \u201c a situa\u00e7\u00e3o atual surge ap\u00f3s as enxurradas que provocaram 27 mortes e destru\u00edram 200 habita\u00e7\u00f5es, em v\u00e1rias partes de Benguela, sendo o Bairro Tchipiandalo o epicentro das ocorr\u00eancias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Respostas paliativas est\u00e3o sendo dadas e segundo o governador da Prov\u00edncia, Manuel Nunes J\u00fanior, citado pela DW, o problema n\u00e3o se limita ao ponto de ruptura e aponta para outras vulnerabilidades ao longo do rio e que, para resolu\u00e7\u00e3o, entende que deve haver um trabalho completo. Nessa ordem, para acudir as fam\u00edlias, criaram-se centros de acolhimento, onde as mais de 8 000 fam\u00edlias se encontram, tendo sido movimentados m\u00e9dicos, equipes de tratamento de c\u00f3leras, cozinhas comunit\u00e1rias e um conjunto de apoios advindos da sociedade civil. Apesar de tudo o que se est\u00e1 a fazer, pensamos que colocar o \u00f3nus na natureza \u00e9 ilibar a a\u00e7\u00e3o humana consciente que se tem aproveitado da natureza desenfreadamente, desconsiderando qualquer consequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos estudos j\u00e1 foram feitos sobre a situa\u00e7\u00e3o de Benguela, tanto que n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que um mal dessa magnitude acomete essa comunidade pobre, composta pela classe trabalhadora, que anima a grande cidade, onde as \u00e1guas das chuvas s\u00e3o motivos de felicidade e divers\u00e3o, rasgando versos em pap\u00e9is de obla\u00e7\u00e3o as chuvas. J\u00e1 em Mar\u00e7o de 2015, apenas para citar, inunda\u00e7\u00f5es acometeram a Prov\u00edncia de Benguela, resultando em mais de 100 mortos e 10.000 deslocados. Em Ma\u00e7o de 2019, na cidade de Catombela, em Benguela, causaram 17 mortes e a destrui\u00e7\u00e3o de dezenas de resid\u00eancias. Logo se conclui que o fato n\u00e3o \u00e9 novo e as mesmas medidas usadas no passado est\u00e3o a ser usadas hoje, para remediar, enquanto se aguarda o pior, despreocupadamente, ou melhor \u00e9 classe trabalhadora que morre, seus pobres postos de trabalho, num piscar de olhos, ser\u00e3o tomados por outros membros do ex\u00e9rcito de reserva industrial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Verdadeira Causa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Fevereiro de 2026, a LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional) publicou um texto sobre a &#8220;crise ambiental na \u00c1frica Oriental&#8221;, o texto aborda de forma concreta as causas da seca no Qu\u00e9nia, as inunda\u00e7\u00f5es em Mo\u00e7ambique e de muitos outros fen\u00f3meno, ditos como &#8220;fen\u00f3menos naturais&#8221;, e suas consequ\u00eancias para a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A explora\u00e7\u00e3o desmedida do sistema capitalista sobre a natureza, em busca de avultados lucros, \u00e9 aqui apontada como a principal causa de tais fen\u00f4menos. A produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica industrial, que \u00e9 a base sustent\u00e1culo do sistema capitalista, funciona pela explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, o processo de produ\u00e7\u00e3o industrial gera transforma\u00e7\u00e3o na natureza, as ind\u00fastrias libertam gases t\u00f3xicos para a atmosfera, estes gases libertados, sobretudo pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis, geram um aumento do grau de aquecimento global (efeito estufa), este aquecimento faz com que a \u00e1gua da terra evapore num ritmo mais acelerado (ciclo hidrol\u00f3gico), causando o fen\u00f3meno da seca e das grandes descargas pluviom\u00e9tricas (chuvas intensas) que geram inunda\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos da crise ambiental causadas pela explora\u00e7\u00e3o capitalista s\u00e3o globais, mas o seu impacto \u00e9 diferente, a depender da sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e de que classe o indiv\u00edduo \u00e9 parte. Dai surge a seguinte pergunta \u201cpor que raz\u00e3o os efeitos da crise ambiental t\u00eam maior impacto em pa\u00edses semicoloniais como Angola e o resto dos pa\u00edses do &#8220;Sul Global&#8221;?\u201d A resposta \u00e9 \u00f3bvia, \u00e9 que os pa\u00edses semicoloniais s\u00e3o menos preparados em termos de recursos tecnol\u00f3gicos e financeiros para fazer face \u00e0s grandes trag\u00e9dias ambientais, ou seja, os pa\u00edses semicoloniais servem apenas como ponto de explora\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o dos recursos naturais para o abastecimento e funcionamento do sistema capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Constata-se que a China, Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos da Am\u00e9rica s\u00e3o os maiores emissores de gases de efeito estufa, contribuindo com 42,6% das emiss\u00f5es globais. Os citados pa\u00edses, associados a \u00cdndia, R\u00fassia, Jap\u00e3o, Brasil, Indon\u00e9sia, Ir\u00e3 e Canad\u00e1, s\u00e3o respons\u00e1veis por 2\/3 das emiss\u00f5es mundiais de g\u00e1s de efeito estufa. Por\u00e9m, das dez na\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis ao clima, no mundo, sete est\u00e3o localizadas em \u00c1frica e a cada tr\u00eas mortes causadas por condi\u00e7\u00f5es extremas ou stress h\u00eddricos, nos \u00faltimos 50 anos, uma ocorreu em \u00c1frica&#8221; (LIT-QI, 2026). A \u00c1frica \u00e9 o continente que menos polui, mas \u00e9 o que mais sofre com as consequ\u00eancias da polui\u00e7\u00e3o ambiental. A Prov\u00edncia de Benguela e as demais partes de Angola e do mundo que sofrem, quer seja por chuvas torrenciais, quer seja pela seca e outras cat\u00e1strofes naturais, s\u00e3o fruto desalinhamento entre as for\u00e7as produtivas, onde a tecnologia est\u00e1 extremamente avan\u00e7ada, a natureza extremamente explorada e o homem extremamente marginalizado, vivendo a cada dia as consequ\u00eancia nefastas da ego\u00edsta explora\u00e7\u00e3o burguesa da natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse interregno entre o caos em quase todos os cantos do mundo e a necessidade de mudan\u00e7a, a quest\u00e3o que se levanta \u00e9 \u201cQuantos mais ter\u00e3o que morrer para abra\u00e7armos a luta revolucion\u00e1ria contra o sistema capitalista?\u201d A resposta tacitamente surge \u201c temos duas sa\u00eddas, ou abra\u00e7armos a luta socialista revolucion\u00e1ria internacional contra a explora\u00e7\u00e3o do sistema capitalista sobre a classe trabalhadora ou ficamos parados a assistir a morte da futura gera\u00e7\u00e3o, a destrui\u00e7\u00e3o do homem e da natureza, no final, a nossa destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Hoje foi em Benguela, onde ser\u00e1 amanh\u00e3?<\/p>\n\n\n\n<p>Lilas Bernardo e Pedro Calielie \u201cTakbir Calielie\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Angola foi afectada por fortes chuvas nos \u00faltimos dias, tendo trazido alegria para alguns e forte tristeza para a grande maioria. 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