{"id":82319,"date":"2026-02-23T13:52:12","date_gmt":"2026-02-23T13:52:12","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82319"},"modified":"2026-03-21T12:41:27","modified_gmt":"2026-03-21T12:41:27","slug":"viva-os-trabalhadores-do-ira-avante-com-a-revolucao-iraniana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/02\/23\/viva-os-trabalhadores-do-ira-avante-com-a-revolucao-iraniana\/","title":{"rendered":"Viva os trabalhadores do Ir\u00e3! Avante com a revolu\u00e7\u00e3o iraniana!"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>Em 28 de dezembro, os bazares do Ir\u00e3 (pequenos comerciantes burgueses, donos de lojas) declararam greve geral em meio a uma economia em decl\u00ednio e infla\u00e7\u00e3o galopante. Essa greve se transformou em um levante nacional contra o regime isl\u00e2mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as cidades do Ir\u00e3 foram tomadas por mobiliza\u00e7\u00f5es, de Teer\u00e3 a Shiraz, Isfahan e Yazd. As ruas est\u00e3o cheias de dezenas de milhares, talvez centenas de milhares, de manifestantes \u2014 n\u00fameros imposs\u00edveis de serem mobilizados apenas pelos bazares. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se setores mais amplos da juventude e da classe trabalhadora do pa\u00eds aderirem \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 \u00e9 sem precedentes em seu alcance e magnitude, superando em muito os protestos que vimos no passado recente. Como tal, esse levante representa talvez a maior amea\u00e7a ao poder do regime dos aiatol\u00e1s, um poder que governou o Ir\u00e3 quase sem controle durante a maior parte dos \u00faltimos cinquenta anos. O Ir\u00e3 \u00e9 o mais recente de uma s\u00e9rie de levantes pr\u00e9-revolucion\u00e1rios no Sul da \u00c1sia, que come\u00e7aram no Sri Lanka e culminaram no Nepal. Em dois desses levantes, os protestos conseguiram derrubar o governo no poder, especificamente em Bangladesh e no Nepal. Resta saber se o Ir\u00e3 seguir\u00e1 esse caminho, mas os protestos atuais s\u00e3o os mais promissores para tal derrubada. Portanto, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que isso tenha provocado uma viol\u00eancia estatal sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes n\u00e3o oficiais sugerem que o n\u00famero de mortos pela repress\u00e3o no Ir\u00e3 j\u00e1 pode ultrapassar tr\u00eas mil, com milhares de presos e feridos. Atualmente, h\u00e1 um bloqueio total da internet em todo o pa\u00eds, tornando a comunica\u00e7\u00e3o entre o Ir\u00e3 e o mundo exterior praticamente imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel ignorar o contexto desses protestos, assim como n\u00e3o podemos ignorar as manobras imperialistas que operam nos bastidores. A situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria no Ir\u00e3 ocorre no contexto de uma profunda crise do capitalismo que assola o mundo, e particularmente o Ocidente e o Sul da \u00c1sia. O Ir\u00e3 ocupa uma posi\u00e7\u00e3o singular como ponte entre o Ocidente e o Sul da \u00c1sia, tanto geogr\u00e1fica quanto historicamente. O \u00eaxito de uma derrubada revolucion\u00e1ria do capitalismo no Ir\u00e3 teria um impacto direto e imediato no Levante, nos Estados do Golfo, na \u00c1sia Central e nos pa\u00edses a oeste do Sul da \u00c1sia (Afeganist\u00e3o e Paquist\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o do fundamentalismo isl\u00e2mico no Ir\u00e3 mergulharia todos esses regimes em crise, ao mesmo tempo que representaria um desafio \u00fanico ao imperialismo. Em vez de um regime teocr\u00e1tico conciliador, cujo anti-imperialismo se limita \u00e0 ret\u00f3rica vazia, o imperialismo estadunidense teria que lidar com um Ir\u00e3 de trabalhadores e jovens, genuinamente comprometidos com o fim do sionismo e das monarquias desp\u00f3ticas do Golfo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que os imperialistas est\u00e3o mobilizando todos os seus recursos para tentar, em v\u00e3o, controlar os protestos, enquanto os aiatol\u00e1s reacion\u00e1rios intensificam a repress\u00e3o contra os trabalhadores e jovens. Entre os reacion\u00e1rios internos, por um lado, e as for\u00e7as do imperialismo estadunidense, por outro, os trabalhadores do Ir\u00e3 t\u00eam dois inimigos a derrotar para que sua revolu\u00e7\u00e3o tenha sucesso. O Ir\u00e3 \u00e9 um pa\u00eds que, embora n\u00e3o colonizado, foi historicamente v\u00edtima do imperialismo. A revolu\u00e7\u00e3o iraniana n\u00e3o ter\u00e1 sucesso a menos que consiga provocar uma revolu\u00e7\u00e3o social, defendendo ao mesmo tempo o Ir\u00e3 da agress\u00e3o imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Protestos anteriores:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O atual regime isl\u00e2mico no Ir\u00e3 nasceu da trai\u00e7\u00e3o, como resultado da derrota de uma revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e juvenil contra a domina\u00e7\u00e3o imperialista em 1979. Foi uma vit\u00f3ria possibilitada pela incapacidade do Partido Tudeh de combater os reacion\u00e1rios e conquistar as massas da pequena burguesia e do campesinato iraniano. O regime isl\u00e2mico que emergiu n\u00e3o era t\u00e3o popular quanto pretende ser agora, mas, ao se posicionar como defensor do Ir\u00e3 contra a agress\u00e3o imperialista, o Aiatol\u00e1 conseguiu reunir amplos setores da popula\u00e7\u00e3o iraniana em seu apoio. Portanto, sempre que o regime enfrenta uma crise, recorre ao nacionalismo, confirmando a afirma\u00e7\u00e3o de Samuel Johnson de que &#8220;o patriotismo \u00e9 o \u00faltimo ref\u00fagio do canalha&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Crises n\u00e3o s\u00e3o novidade para o Ir\u00e3: pouco depois de o aiatol\u00e1 tomar o poder e estabelecer a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, o Ir\u00e3 mergulhou em uma guerra com o Iraque, ent\u00e3o alinhado aos Estados Unidos. A guerra ceifou centenas de milhares de vidas, mas consolidou o regime do aiatol\u00e1. A crise n\u00e3o enfraqueceu o regime; pelo contr\u00e1rio, fortaleceu-o, pois este sempre recorre ao nacionalismo para se apresentar como defensor contra o imperialismo estadunidense e, quando falha, finge implementar reformas. A atual onda de protestos deve ser vista relacionada &nbsp;com a primeira onda de protestos que eclodiu logo ap\u00f3s a crise financeira global.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os protestos de 2009:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos de 2009 eclodiram em um momento em que v\u00e1rios pa\u00edses vivenciavam protestos e mobiliza\u00e7\u00f5es em larga escala de trabalhadores e jovens. Os jovens e trabalhadores iranianos n\u00e3o ignoravam essa onda. O estopim para os protestos de 2009 foi a vit\u00f3ria eleitoral de Mahmoud Ahmadinejad nas elei\u00e7\u00f5es daquele ano. As elei\u00e7\u00f5es foram marcadas por irregularidades e fraudes generalizadas para garantir a vit\u00f3ria de um aliado de direita dos aiatol\u00e1s. Os protestos marcaram a primeira vez neste s\u00e9culo que trabalhadores e jovens iranianos se revoltaram abertamente contra o regime isl\u00e2mico. O regime respondeu com brutalidade contra os manifestantes; centenas foram mortos e milhares foram presos. Os protestos foram espont\u00e2neos e n\u00e3o liderados por nenhuma for\u00e7a pol\u00edtica organizada, e finalmente foram freados diante da repress\u00e3o. Como consequ\u00eancia indireta dos protestos, a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica foi for\u00e7ada a adotar reformas, Ahmadinejad perdeu as elei\u00e7\u00f5es de 2012, e um l\u00edder reformista &#8220;moderado&#8221;, Hassan Rouhani, assumiu a presid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o espectro da agress\u00e3o econ\u00f4mica dos EUA pairava sobre o Ir\u00e3. Desde a d\u00e9cada de 1980, os Estados Unidos mantinham algum tipo de embargo econ\u00f4mico contra o Ir\u00e3. Desde 1995, san\u00e7\u00f5es foram impostas contra o programa nuclear iraniano, que tinha suas ra\u00edzes no regime do X\u00e1. O Ir\u00e3 foi submetido a novas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas durante as presid\u00eancias de George H.W. Bush e George W. Bush ao longo dos anos de 1990 e in\u00edcio de 2000, devido ao apoio do pa\u00eds ao Hezbollah e a elementos de direita da resist\u00eancia palestina. Essas san\u00e7\u00f5es for\u00e7aram o Ir\u00e3 a adotar um sistema capitalista de Estado altamente militarizado, mantendo um grande ex\u00e9rcito paramilitar e for\u00e7as armadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os levantes de 2017-2019:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O sistema sempre foi propenso a crises, sustentado apenas pela for\u00e7a das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, que o Ir\u00e3 s\u00f3 pode enviar para determinados pa\u00edses. As san\u00e7\u00f5es foram progressivamente intensificadas ap\u00f3s a pol\u00edtica do presidente Ahmadinejad de suspender a proibi\u00e7\u00e3o do enriquecimento de ur\u00e2nio. Desde ent\u00e3o, a economia iraniana tem oscilado de crise em crise, exacerbada pela crise capitalista global. Embora impulsionado pelas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, o regime isl\u00e2mico iraniano enfrentou novamente protestos alguns anos depois, em 2017-2018, culminando nas greves e protestos gerais de 2019. Os protestos eram contra o aumento dos pre\u00e7os das commodities e se intensificaram quando for\u00e7as paramilitares abriram fogo contra manifestantes em Mahshahr. O levante foi muito semelhante \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o atual; os protestos foram em todo o pa\u00eds, acompanhados por uma greve geral de trabalhadores em todo o Ir\u00e3. O regime reagiu novamente com dura repress\u00e3o, resultando na morte de pelo menos 1.000 manifestantes e na pris\u00e3o de 20.000. A brutal repress\u00e3o dos protestos proporcionou apenas um al\u00edvio tempor\u00e1rio para o regime reacion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia de COVID-19 atingiu o Ir\u00e3 com a mesma intensidade que o resto da \u00c1sia, e a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica logo se deparou com falhas sist\u00eamicas que levaram \u00e0 morte de centenas de milhares de iranianos e \u00e0 incapacidade de lidar com a pandemia. Assim como no resto do mundo, a pandemia afetou a economia iraniana, j\u00e1 fragilizada, criando uma das crises mais graves da hist\u00f3ria da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica. Os confinamentos e a pandemia apenas estabilizaram temporariamente o regime autocr\u00e1tico dos cl\u00e9rigos, mas a raiva reprimida da popula\u00e7\u00e3o logo explodiria novamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Onda de Greves de 2021:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, outra onda de protestos varreu o Ir\u00e3, mas esta foi muito diferente dos protestos de 2009, que foram liderados principalmente por estudantes e jovens de mentalidade liberal, com participa\u00e7\u00e3o limitada, ou nenhuma, da classe trabalhadora iraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>A onda de greves de trabalhadores de 2021 foi liderada e realizada inteiramente por trabalhadores do setor petrol\u00edfero iraniano, causando a mais grave perturba\u00e7\u00e3o na economia do regime isl\u00e2mico e atingindo o cora\u00e7\u00e3o do seu poder. As reivindica\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas dos trabalhadores eram o aumento dos sal\u00e1rios, que estavam estagnados h\u00e1 uma d\u00e9cada, num momento em que o Ir\u00e3 estava mergulhado numa crise inflacion\u00e1ria. Eles tamb\u00e9m exigiam melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e moradia acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A greve foi acompanhada por uma onda de protestos que se espalhou por muitas partes do pa\u00eds. Houve manifesta\u00e7\u00f5es no Khuzist\u00e3o, regi\u00e3o que sofria com uma grave escassez de \u00e1gua; os trabalhadores do metr\u00f4 de Teer\u00e3 tamb\u00e9m entraram em greve, assim como os trabalhadores da refinaria de Qeshm e os da central de energia Farad Bidkhoon tamb\u00e9m paralisaram suas opera\u00e7\u00f5es. A onda de greves no Ir\u00e3 durou do final de junho ao final de julho e terminou em derrota, com o regime isl\u00e2mico respondendo mais uma vez com dura repress\u00e3o. Tiros da pol\u00edcia resultaram em mortes no Khuzist\u00e3o, enquanto trabalhadores do setor petrol\u00edfero foram sumariamente demitidos e presos. Embora a greve n\u00e3o tenha tido resultados imediatos, abalou o regime. A indigna\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o foi contida por muito tempo e explodiria novamente alguns meses depois.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os protestos de Mahsa Amini:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos de Mahsa Amini eclodiram em setembro de 2022, ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de uma mulher curda, Mahsa Amini, pela pol\u00edcia da moralidade do Ir\u00e3, a chamada &#8220;patrulha de orienta\u00e7\u00e3o&#8221;. O uso excessivo da for\u00e7a para impor uma lei do hijab, j\u00e1 impopular, provocou uma rea\u00e7\u00e3o violenta de uma popula\u00e7\u00e3o que havia entrado em greve recentemente e protestado contra a infla\u00e7\u00e3o. Os protestos eclodiram no Curdist\u00e3o iraniano, na cidade de Saqqez, cidade natal de Mahsa Amini. Aqui tamb\u00e9m, o regime reprimiu violentamente os protestos, mas isso n\u00e3o impediu que se espalhassem. Na cidade de Chahbahar, protestos irromperam ap\u00f3s a not\u00edcia de que um chefe de pol\u00edcia havia estuprado uma menina de quinze anos. A fa\u00edsca foi acesa mais uma vez, preparando um barril de p\u00f3lvora pronto para explodir. Essa revolta foi generalizada, mas impulsionada principalmente por estudantes universit\u00e1rios e jovens ativistas. Mais uma vez, n\u00e3o havia lideran\u00e7a organizada. Como nos protestos anteriores, estes foram diminuindo gradualmente diante da dura repress\u00e3o do regime. Em 2023, os protestos haviam praticamente desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p>A paz pode ter acalmado o regime isl\u00e2mico por um tempo. A subsequente interven\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 contra o genoc\u00eddio israelense dos palestinos o colocou em conflito com o imperialismo estadunidense. Os ataques de Israel contra o Ir\u00e3 n\u00e3o enfraqueceram o regime; pelo contr\u00e1rio, fortaleceram-no, ainda que momentaneamente. Por um tempo, o regime iraniano p\u00f4de vestir sua m\u00e1scara anti-imperialista mais uma vez para projetar uma apar\u00eancia de legitimidade para seu povo. Amea\u00e7ados pelo imperialismo estadunidense e seu representante fan\u00e1tico em Israel, os l\u00edderes religiosos do Ir\u00e3 conseguiram mobilizar algum apoio a seu favor, apresentando-se como defensores do Ir\u00e3 contra o imperialismo agressivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa farsa acabou. Os protestos atuais levantam muitas das mesmas quest\u00f5es que estiveram na vanguarda dos protestos de 2017, dos de 2019 e da greve geral de 2021. Ao mesmo tempo, os protestos questionam a legitimidade da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica, que est\u00e1 disposta a investir dinheiro na imposi\u00e7\u00e3o do hijab, mas n\u00e3o tem fundos para estabilizar o pre\u00e7o de produtos b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O clero e o fracasso de seu suposto anti-imperialismo ficaram expostos quando n\u00e3o fizeram nada de substancial contra Israel durante o genoc\u00eddio dos habitantes de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos atuais no Ir\u00e3 s\u00e3o talvez mais intensos do que os de 2019, e o governo est\u00e1 mais uma vez respondendo com repress\u00e3o, impondo um bloqueio da internet e desencadeando viol\u00eancia desenfreada contra os manifestantes. Diversas fontes sugerem que o n\u00famero de mortos pode ultrapassar em muito o de 2017 ou 2019, podendo chegar a milhares. A hist\u00f3ria demonstra que a tirania s\u00f3 consegue garantir o poder por um tempo; mesmo os \u00faltimos dez anos da hist\u00f3ria iraniana mostram que a repress\u00e3o apenas ganha tempo antes que os protestos voltem a explodir.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como o movimento Quit India de 1942, disperso e &#8220;sem l\u00edderes&#8221;, os movimentos sem l\u00edderes, muitas vezes pequeno-burgueses, falham perante a repress\u00e3o organizada por um Estado n\u00e3o democr\u00e1tico. O per\u00edodo entre a repress\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o pode ser curto ou longo, mas, no caso do Ir\u00e3, os per\u00edodos de passividade est\u00e3o se tornando cada vez mais curtos e o medo da repress\u00e3o est\u00e1 desaparecendo gradualmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o aos mul\u00e1s! N\u00e3o aos Estados Unidos!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Longe da ret\u00f3rica, os cl\u00e9rigos iranianos n\u00e3o s\u00e3o nada mais do que instrumentos da domina\u00e7\u00e3o capitalista no Ir\u00e3. Em vez de serem defensores corajosos do Ir\u00e3 contra o imperialismo, s\u00e3o os primeiros a fazer compromissos com o imperialismo, seja como parceiros do imperialismo hegem\u00f3nico dos EUA, seja alinhando-se com o imperialismo russo. Os reacion\u00e1rios isl\u00e2micos do Ir\u00e3 agora s\u00e3o c\u00famplices da guerra imperialista da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia, o que torna vazia sua alega\u00e7\u00e3o de combater o imperialismo no Oriente M\u00e9dio, j\u00e1 que apoiam aberta e ativamente a guerra imperialista da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia. Sem mencionar que o pr\u00f3prio Ir\u00e3 oprime diversas nacionalidades dentro de suas fronteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato de Mahsa Amini n\u00e3o foi apenas um caso de controle moral extremo, mas tamb\u00e9m um incidente de opress\u00e3o nacional. As popula\u00e7\u00f5es curda e bal\u00fachi veem seus direitos culturais e lingu\u00edsticos reprimidos no Ir\u00e3, tudo em nome da manuten\u00e7\u00e3o do controle f\u00e9rreo do clero. A burocracia militar e religiosa controla grande parte da economia iraniana, mantendo o povo ref\u00e9m com uma elite militarizada inchada e privilegiada que sustenta a camarilha clerical dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>O clero prefere fazer concess\u00f5es ao imperialismo estadunidense e exportar petr\u00f3leo livremente a se envolver em uma esp\u00e9cie de guerra perp\u00e9tua com o Ocidente. A \u00fanica raz\u00e3o pela qual a economia do Ir\u00e3 n\u00e3o entrou em colapso antes \u00e9 porque a China, a R\u00fassia e a \u00cdndia ajudaram a mant\u00ea-la solvente por meio de investimentos e com\u00e9rcio. \u00c0 medida que a press\u00e3o imperialista estadunidense aumenta e a ordem mundial capitalista mergulha em uma crise terminal, as op\u00e7\u00f5es do regime iraniano para governar pacificamente diminuem.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada levante no Ir\u00e3 serve como um lembrete contundente de que os cl\u00e9rigos est\u00e3o dispostos a banhar o Ir\u00e3 em sangue para manter seu controle sobre o poder. Os protestos atuais n\u00e3o ser\u00e3o diferentes nesse aspecto. O regime iraniano j\u00e1 est\u00e1 intensificando a repress\u00e3o, e diversos relatos sugerem que milhares de manifestantes foram mortos em massacres. Tamb\u00e9m surgiram relatos de que as for\u00e7as policiais do regime est\u00e3o usando armas qu\u00edmicas contra os manifestantes.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o povo do Ir\u00e3, seus trabalhadores e sua juventude, possuem uma coragem imensur\u00e1vel. Eles continuam desafiando as balas e a repress\u00e3o da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica para protestar por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, contra o alto custo de vida e contra a pol\u00edcia ditatorial. Em meio a esses protestos, os fantoches apoiados pelos EUA, com uma presen\u00e7a midi\u00e1tica desproporcional, t\u00eam sido destacados pelos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais como a solu\u00e7\u00e3o para os problemas do Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a revolu\u00e7\u00e3o de 1979, que p\u00f4s fim ao regime do X\u00e1, alinhado aos EUA, as for\u00e7as do imperialismo americano e brit\u00e2nico t\u00eam buscado retomar o controle sobre o Ir\u00e3 e seus recursos. Restaurar o dom\u00ednio imperialista ocidental sobre este pa\u00eds asi\u00e1tico estrategicamente importante e poderoso sempre esteve na vanguarda das preocupa\u00e7\u00f5es dos formuladores de pol\u00edticas em Washington e Londres. Foi por isso que realizaram o golpe para derrubar Mossadegh em 1953 e intensificaram sua agress\u00e3o econ\u00f4mica contra o Ir\u00e3 desde a d\u00e9cada de 1980 at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo iraniano n\u00e3o precisa escolher entre dois males: o regime clerical n\u00e3o \u00e9 uma defesa contra o imperialismo, mas, na melhor das hip\u00f3teses, uma porta dos fundos para outros interesses imperialistas n\u00e3o ocidentais, principalmente os da R\u00fassia, o maior investidor estrangeiro no Ir\u00e3. \u00c9 importante lembrar que a R\u00fassia tamb\u00e9m foi uma das pot\u00eancias imperialistas hist\u00f3ricas que dominaram o Ir\u00e3 e o pa\u00eds que mais prejudicou sua soberania ao longo do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos representam uma oportunidade de ouro para a classe trabalhadora iraniana se libertar das correntes da ditadura reacion\u00e1ria e tra\u00e7ar um novo rumo para seu pa\u00eds. A moribunda ditadura capitalista oferecida pelos cl\u00e9rigos deve ser substitu\u00edda pela democracia da classe trabalhadora iraniana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ABAIXO OS MUL\u00c1S!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VIVA A CLASSE TRABALHADORA E A JUVENTUDE DO IR\u00c3!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ABOLI\u00c7\u00c3O DA IRGC! ABOLI\u00c7\u00c3O DO BASIJIS!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PELO CONTROLE OPER\u00c1RIO DA IND\u00daSTRIA DO PETR\u00d3LEO!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2009_Iranian_presidential_election_protests\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2009_Iranian_presidential_election_protests<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2021_Iran_workers%27_strike\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2021_Iran_workers%27_strike<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2019%E2%80%932020_Iranian_protests\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2019%E2%80%932020_Iranian_protests<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o: Em 28 de dezembro, os bazares do Ir\u00e3 (pequenos comerciantes burgueses, donos de lojas) declararam greve geral em meio a uma economia em decl\u00ednio e infla\u00e7\u00e3o galopante. Essa greve se transformou em um levante nacional contra o regime isl\u00e2mico. 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