{"id":82279,"date":"2026-02-06T19:02:04","date_gmt":"2026-02-06T19:02:04","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82279"},"modified":"2026-02-13T19:02:20","modified_gmt":"2026-02-13T19:02:20","slug":"votar-contra-ventura-e-preparar-a-retomada-da-luta-nas-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/02\/06\/votar-contra-ventura-e-preparar-a-retomada-da-luta-nas-ruas\/","title":{"rendered":"Votar contra Ventura e preparar a retomada da luta nas\u00a0ruas"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resultados eleitorais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais atribuiu a maior percentagem ao candidato apoiado pelo PS, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro, separado por cerca 400 mil votos da candidatura de Andr\u00e9 Ventura. Os resultados trouxeram uma importante derrota do governo de Montenegro. O seu candidato, Marques Mendes, obteve o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pelo PSD. A situa\u00e7\u00e3o de crise social do pa\u00eds e as lutas que se fizeram sentir no final de 2025, nomeadamente a grande Greve Geral contra o pacote laboral, foram parte dos elementos que levaram a este resultado. Neste momento, a resposta desastrosa do Governo aos efeitos tr\u00e1gicos das tempestades aprofunda mais ainda o desgaste que Montenegro j\u00e1 acumulava. Por outro lado, os resultados dos candidatos apoiados pelo PS e pelo Chega s\u00e3o um inc\u00f4modo para um governo minorit\u00e1rio, j\u00e1 que deixam os maiores partidos da oposi\u00e7\u00e3o numa melhor posi\u00e7\u00e3o. Ainda \u00e0 direita, Cotrim de Figueiredo obt\u00e9m um resultado superior a Marques Mendes e avalia agora um novo projeto pol\u00edtico com o Movimento 2031.<\/p>\n\n\n\n<p>O candidato do PS, Seguro, \u00e9 a candidatura com a maior vota\u00e7\u00e3o. Beneficiando de uma esquerda parlamentar em crise e do voto \u00fatil perante o crescimento da extrema-direita, conquista 1.7 milh\u00f5es de votos, que permitir\u00e3o um bal\u00e3o de ar para um Partido Socialista que vinha numa din\u00e2mica de crise, com p\u00e9ssimos resultados eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>As candidaturas da esquerda institucional \u2013 Livre, PCP e BE \u2013 somam mais uma derrota eleitoral importante. Todas as candidaturas deste campo pol\u00edtico somadas n\u00e3o atingem no seu conjunto os 5% dos votos, demonstrando a profunda crise em que se encontram. Ao passo que Andr\u00e9 Pestana, apoiado pelo MAS, n\u00e3o cumpriu um papel que, em potencial, poderia e deveria ter cumprido, de aglutina\u00e7\u00e3o de um p\u00f3lo que \u2013 junto com ativistas, jovens e trabalhadores, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais alternativas \u00e0 esquerda institucional \u2013 pudesse avan\u00e7ar na supera\u00e7\u00e3o desta crise pela positiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da crise da ordem mundial \u00e0 crise do regime em Portugal<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O contexto internacional que atravessa o mundo faz tremer o equil\u00edbrio que, ap\u00f3s a II Guerra Mundial e posteriormente ap\u00f3s a queda da URSS, existiu durante d\u00e9cadas. A rela\u00e7\u00e3o entre estados em cada momento reflete um determinado equil\u00edbrio da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial. A verdade \u00e9 que a partir da crise econ\u00f4mica de 2008 o suporte desta estabilidade caiu por terra. Num primeiro momento assistimos aos planos de austeridade nas periferias do continente europeu, que estabeleceram um novo patamar de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e avan\u00e7aram na destrui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos. No entanto, esta crise n\u00e3o se encerrou a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo este abalo da ordem mundial traz um forte impacto aos regimes pol\u00edticos, que representavam tamb\u00e9m um equil\u00edbrio de for\u00e7as entre as classes. As bases que os sustentavam j\u00e1 n\u00e3o existem mais. \u00c9 este pano de fundo que justifica os processos eleitorais a que temos assistido no pa\u00eds, as crises dos principais partidos representantes dos interesses da patronal e mesmo a crise dos partidos da esquerda institucional. A dificuldade para se formarem governos est\u00e1veis, ou mesmo a queda de governos que aparentemente teriam todas as condi\u00e7\u00f5es para assegurar no parlamento uma estabilidade governativa, assim como o crescimento da extrema-direita, s\u00e3o outros dos reflexos da crise que vive a chamada \u201cdemocracia\u201d que existe no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo \u00e9 esta crise que explica tamb\u00e9m que, no quadro desta democracia dos ricos, temos assistido a cada vez mais ataques a direitos democr\u00e1ticos. O atropelo aos limites da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica durante os governos da PAF (PSD\/CDS-PP), de Pedro Passos Coelho, as limita\u00e7\u00f5es do direito ao protesto e \u00e0 atividade sindical no local de trabalho durante a pandemia, as requisi\u00e7\u00f5es civis durante os governos da Geringon\u00e7a, t\u00eam sido respostas da burguesia \u00e0 necessidade de impor ataques sobre os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Chega: um enorme retrocesso para os trabalhadores<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Neste contexto, Andr\u00e9 Ventura conquista uma vit\u00f3ria significativa com este processo eleitoral. Aparece como o mais vi\u00e1vel entre os candidatos da direita e ganha espa\u00e7o para o seu falso discurso anti-sistema ao isolar-se contra a concentra\u00e7\u00e3o de votos \u2013 da esquerda institucional \u00e0 direita tradicional \u2013 em Seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o crescimento do Chega, tem-se imposto um debate \u00e0 esquerda sobre qual \u00e9 o projeto deste partido e qual o seu car\u00e1cter. Representa o Chega uma amea\u00e7a \u00e0 democracia? De que democracia estamos a falar? \u00c9 o Chega fascista?<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro que tudo h\u00e1 que entender de que regime pol\u00edtico estamos falando, quando pensamos na democracia que temos hoje em Portugal. Vivemos num regime semi-presidencialista, com um centro no parlamento. \u00c9 um regime que cont\u00e9m liberdades democr\u00e1ticas important\u00edssimas para a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, que foram conquistadas com muita luta e que devemos defender. Mas tamb\u00e9m precisamos saber que este regime em nada se assemelha \u00e0 verdadeira democracia da classe trabalhadora. Pelo contr\u00e1rio, serviu de ferramenta para encerrar o processo revolucion\u00e1rio que se viveu em Portugal nos anos 70. Serviu para voltar a impor a hierarquia no ex\u00e9rcito e acima de tudo acabar com a democracia participativa dos conselhos de soldados, moradores e trabalhadores que geriam o seu dia-a-dia. Serviu para acabar com o momento mais democr\u00e1tico que o pa\u00eds viveu. Em substitui\u00e7\u00e3o imp\u00f4s-se uma Constitui\u00e7\u00e3o que, ainda que contenha importantes liberdades democr\u00e1ticas \u2013 liberdade de organiza\u00e7\u00e3o, de manifesta\u00e7\u00e3o, direito \u00e0 greve \u2013 \u00e9 uma democracia de quem controla o poder econ\u00f4mico no pa\u00eds, a classe conhecida como patronal ou burguesia.<\/p>\n\n\n\n<p>Este regime, que se consolidou no per\u00edodo posterior ao 25 de Abril, manteve-se num certo equil\u00edbrio, sustentado centralmente na altern\u00e2ncia de dois partidos, PS e PSD, pelas \u00faltimas d\u00e9cadas. Hoje, principalmente a partir da crise de 2008 e dos ataques impostos pela Troika, v\u00ea-se incapaz de encontrar estabilidade. O governo da Geringon\u00e7a, que contou com o apoio da esquerda institucional, foi para este regime um bal\u00e3o de oxig\u00e9nio que se consumiu rapidamente, pois n\u00e3o apenas n\u00e3o garantiu concess\u00f5es como n\u00e3o reverteu sequer as medidas de austeridade. Os sintomas da crise social continuam a fazer-se sentir. \u00c9 neste contexto que, desde 2019, temos visto o r\u00e1pido crescimento da falsa alternativa representada pelo Chega.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chega \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o que difunde uma pol\u00edtica xen\u00f3foba, racista e violenta contra uma parte importante da classe trabalhadora \u2013 por enquanto, como partido de conjunto, apenas nas palavras. Um discurso que cavalga as desigualdades existentes na classe trabalhadora, entre nacionais e imigrantes, entre homens e mulheres, entre pessoas brancas e pessoas negras, ciganas, ou de origem asi\u00e1tica. Ao mesmo tempo difunde, como se viu durante a prepara\u00e7\u00e3o da greve geral e agora recentemente no debate presidencial, uma pol\u00edtica contra as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, identificando como privilegiados que \u201cn\u00e3o trabalham\u201d a generalidade dos dirigentes e ativistas dos sindicatos e comiss\u00f5es de trabalhadores e afirmando que com o Chega n\u00e3o haveria essa realidade. Um discurso trai\u00e7oeiro que, partindo de um problema real \u2013 que \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de burocracias em certos sindicatos e comiss\u00f5es de trabalhadores \u2013 ataca as principais ferramentas de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Garantir que os sindicatos sejam mais democr\u00e1ticos e os seus dirigentes estejam presentes no dia a dia dos trabalhadores que representam \u00e9 importante \u2013 mas isto n\u00e3o \u00e9 o que quer Ventura. O candidato do Chega quer retirar a confian\u00e7a dos trabalhadores nas suas ferramentas de luta e tentar justificar ataques ao direito de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o projeto do Chega n\u00e3o passa pela organiza\u00e7\u00e3o direta de viol\u00eancia f\u00edsica contra as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, movimentos e partidos dos trabalhadores ou de esquerda \u2013 caracter\u00edstica dos v\u00e1rios projetos fascistas ao longo da hist\u00f3ria. Por isso, n\u00e3o consideramos que o Chega seja hoje uma organiza\u00e7\u00e3o fascista. Isto n\u00e3o significa que desprezamos a cobertura pol\u00edtica que este partido tem oferecido a grupos neonazis, como pudemos verificar recentemente na rea\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Ventura \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de voto do Grupo 1143, e a rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica deste grupo e de alguns dos seus membros com o Chega. N\u00e3o se pode tamb\u00e9m desprezar o efeito que a banaliza\u00e7\u00e3o de discursos racistas e xen\u00f3fobos, promovida por este partido, t\u00eam tido na incita\u00e7\u00e3o de atos de viol\u00eancia, em particular contra imigrantes. Ao mesmo tempo, sabendo que o fascismo n\u00e3o pode ser compreendido a partir de uma fotografia, e que assenta numa din\u00e2mica econ\u00f4mica e social, n\u00e3o se pode descartar a possibilidade de que o Chega evolua nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o crescimento da extrema-direita atual n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno nacional. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o ver o que se passa atualmente nos EUA, onde Trump implementa uma pol\u00edtica repressiva de verdadeiro terror com o ICE, principalmente contra os imigrantes, mas tamb\u00e9m contra os trabalhadores e jovens que se solidarizam e manifestam. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o ver as tentativas de invas\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es representativas do regime diante de perdas eleitorais, como vimos nos EUA em 2021 no Capit\u00f3lio, ou no Brasil em 2023 no Congresso. N\u00e3o podemos fechar os olhos \u00e0s medidas restritivas de Orb\u00e1n na Hungria, da repress\u00e3o \u00e0 comunidade LGBTQIA+ \u00e0s altera\u00e7\u00f5es ao sistema eleitoral que pretendem favorecer a continuidade do regime. N\u00e3o por acaso, o Chega em Portugal cola-se a estas figuras anteriormente referidas, ao mesmo tempo que prop\u00f5e alargar as compet\u00eancias da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, aumentando assim os poderes de uma figura uninominal, acima do parlamento. O Chega prop\u00f5e, tamb\u00e9m, uma revis\u00e3o constitucional cujo resultado \u00e9 imprevis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u00e9 n\u00edtido que o Chega tem uma proposta de um regime mais restritivo \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, e n\u00e3o se pode descartar que, no contexto de polariza\u00e7\u00e3o que vivemos, influenciado pela crise social e econ\u00f4mica, \u00e0 semelhan\u00e7a de outros cen\u00e1rios internacionais, o partido possa evoluir para a\u00e7\u00f5es ou propostas ainda\u00a0 mais autorit\u00e1rias e repressivas. Ventura n\u00e3o deixa d\u00favidas de que est\u00e1 disposto a isto quando diz que \u201ceram precisos tr\u00eas Salazares\u201d para p\u00f4r Portugal \u201cem ordem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Combater o governo e a extrema direita:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>voltar a trazer os trabalhadores e a juventude para as ruas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sem nenhum apoio pol\u00edtico a Seguro ou ao PS, votamos contra Ventura<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Neste contexto, somos chamados a tomar posi\u00e7\u00e3o diante de uma situa\u00e7\u00e3o muito polarizada e num segunda turno onde apenas h\u00e1 dois candidatos. Para n\u00f3s esta democracia n\u00e3o representa os interesses dos trabalhadores. Os processos eleitorais neste regime s\u00e3o uma escolha restringida aos limites que esta \u201cdemocracia\u201d imp\u00f5e. Escolhe-se de entre as possibilidades existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u00e9 preciso ter clareza de que nenhuma das possibilidades colocadas nesta segunda volta representa, nem de longe, os interesses da classe trabalhadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ventura carrega um discurso f\u00e1cil, que procura chamar a aten\u00e7\u00e3o dos descontentes: fala contra a corrup\u00e7\u00e3o, contra o sistema, contra os partidos que governaram o pa\u00eds nos \u00faltimos 50 anos e que s\u00e3o, de fato, os primeiros respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o que se vive hoje. Com o seu discurso de \u00f3dio, arranja bodes expiat\u00f3rios para os problemas que o pa\u00eds atravessa \u2014 apontando os dedos aos imigrantes, \u00e0s comunidades ciganas, \u00e0s mulheres, \u00e0s pessoas LGBTQIA+. Ao faz\u00ea-lo, incentiva o \u00f3dio e a divis\u00e3o entre trabalhadores, ao passo que esconde as ra\u00edzes desses mesmos problemas, que est\u00e3o entre os poderes instalados no pa\u00eds, nos quais Ventura n\u00e3o tem nenhum interesse em tocar. Um perfeito cavalo de troia, Ventura cresce ao apresentar-se como se fosse \u201ccontra o sistema\u201d, quando \u00e9 na verdade a cara mais feia do sistema. Por isso, \u00e9 preciso desmascarar a falsa alternativa que Ventura representa. \u00c9 preciso mostrar que Ventura, na verdade, defende a pior face do regime que est\u00e1 a\u00ed. Embora no seu discurso o Chega se diferencie (de forma oportunista) dos principais partidos do atual regime \u2014 PS e PSD \u2014, defende, no fundo, os interesses dos mesmos \u201cdonos disto tudo\u201d. Mas est\u00e1 desde o princ\u00edpio disposto a atacar ainda mais os direitos e liberdades democr\u00e1ticas da classe trabalhadora. Quando defende que eram precisos \u201ctr\u00eas Salazares\u201d, Ventura est\u00e1 defendendo um regime que n\u00e3o apenas era extremamente corrupto, mas no qual n\u00e3o havia liberdades democr\u00e1ticas, nem direitos pol\u00edticos ou sociais. Um regime sem direitos laborais, Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade ou Seguran\u00e7a Social.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por tudo isso que, apesar de nos opormos com todas as for\u00e7as ao projeto de pa\u00eds que o PS implementou em Portugal nos \u00faltimos anos, e que o governo do PSD hoje est\u00e1 aprofundando, neste segundo turno votamos contra Ventura. Sem nenhum apoio pol\u00edtico a Seguro ou ao PS, votamos em Seguro contra Ventura para dizer que \u00e9 preciso rejeitar a todo custo o projeto pol\u00edtico que o Chega representa. Um projeto que nada mais \u00e9 que um degrau mais profundo de ataque \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas e aos direitos da classe trabalhadora, que tem como consequ\u00eancia ainda mais explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, e que n\u00e3o podemos aceitar.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, no entanto, a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o ser\u00e1 nas urnas que iremos derrotar a extrema-direita, nem os ataques que o governo e os patr\u00f5es nos preparam neste momento \u2014 com apoio seja do PS, seja do Chega.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo 11 de Dezembro, uma forte Greve Geral parou f\u00e1bricas, transportes, servi\u00e7os, e tomou as ruas do pa\u00eds contra o pacote laboral de Montenegro. Apesar disso, o Governo mant\u00e9m-se intransigente em avan\u00e7ar com o pacote laboral, aprofundar o desmonte do SNS e privatizar a sa\u00fade, e manter este projeto de pa\u00eds em que os fundos imobili\u00e1rios e o turismo predat\u00f3rio tem entrada livre, enquanto quem trabalha n\u00e3o consegue pagar uma renda. Ser\u00e1 nas ruas e com a organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da juventude que teremos for\u00e7as para enfrentar esse projeto e construir uma alternativa pol\u00edtica que represente os interesses da classe trabalhadora em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, tendo em conta a calamidade que se abateu sobre a popula\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es afetadas pelas cheias e pela tempestade Kristin, com quem expressamos toda a nossa solidariedade, declaramos total apoio \u00e0queles que, perante o descaso e falta de resposta do Estado e do governo Montenegro, boicotar\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo domingo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A esquerda parlamentar em crise<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um di\u00e1logo aberto com os ativistas e os movimentos sociais, sindicatos e partidos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A cada elei\u00e7\u00e3o deparamo-nos com resultados eleitorais da esquerda parlamentar cada vez mais fr\u00e1geis. Estas presidenciais mantiveram uma vez mais esta tend\u00eancia, preocupando e inquietando milhares de ativistas que querem pensar em como disputar o rumo do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, renovamos o chamado que fizemos antes do primeiro turno destas elei\u00e7\u00f5es: \u00e9 preciso refletir coletivamente sobre a crise de representatividade \u00e0 esquerda: como chegamos at\u00e9 aqui, que limites revelaram as solu\u00e7\u00f5es adotadas e de que forma podemos \u2014 e devemos \u2014 super\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o conseguimos compreender os resultados eleitorais da esquerda parlamentar nestas presidenciais \u2014 que n\u00e3o se explicam apenas pelo \u201cvoto \u00fatil\u201d \u2014 sem dar um passo atr\u00e1s e refletir sobre os rumos que a esquerda institucional seguiu nos \u00faltimos anos. A escolha de ajudar a sustentar o governo da Geringon\u00e7a, que manteve as medidas de austeridade da Troika, foi sucedida pelo completo esvaziamento dessa esquerda parlamentar. Neste contexto, a extrema-direita, terrivelmente, cavou cada vez mais espa\u00e7o na consci\u00eancia da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ao mesmo tempo em que constru\u00edmos nas lutas que travamos a unidade na a\u00e7\u00e3o para derrotar os ataques do governo e da extrema-direita, \u00e9 essencial que mantenhamos espa\u00e7os de di\u00e1logo entre ativistas, coletivos, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, que permitam fazer balan\u00e7os desses processos, tirar li\u00e7\u00f5es e debater sobre a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa pol\u00edtica. Uma alternativa pela defesa dos direitos dos trabalhadores no local de trabalho, contra o pacote laboral, de defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos, pelo direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, contra o racismo, a xenofobia, a viol\u00eancia machista e a LGBTfobia. Uma alternativa que entenda que para avan\u00e7ar na resposta \u00e0s necessidades dos trabalhadores \u00e9 necess\u00e1rio romper com uma Uni\u00e3o Europeia que remete Portugal a um quintal das pot\u00eancias europeias. Uma alternativa que, perante a crise deste regime falsamente democr\u00e1tico, supere os seus limites, derrube o projeto da extrema-direita e avance na constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira democracia dos trabalhadores. Uma alternativa que v\u00e1 at\u00e9 ao fim na luta contra este sistema de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resultados eleitorais O primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais atribuiu a maior percentagem ao candidato apoiado pelo PS, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro, separado por cerca 400 mil votos da candidatura de Andr\u00e9 Ventura. Os resultados trouxeram uma importante derrota do governo de Montenegro. 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A segunda volta das elei\u00e7\u00f5es presidenciais abriu um debate importante, entre ativistas e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e do movimento social, sobre que resposta dar. Estar\u00e1 a democracia em risco? Se sim, por que motivos? Como combater a extrema-direita? Ser\u00e1 o voto em Seguro, ainda que cr\u00edtico, uma boa resposta? 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