{"id":82275,"date":"2026-02-13T12:18:03","date_gmt":"2026-02-13T12:18:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82275"},"modified":"2026-02-13T12:18:04","modified_gmt":"2026-02-13T12:18:04","slug":"o-planeta-esta-em-colapso-climatico-por-excesso-de-bilionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/02\/13\/o-planeta-esta-em-colapso-climatico-por-excesso-de-bilionarios\/","title":{"rendered":"O planeta est\u00e1 em colapso clim\u00e1tico por excesso de bilion\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<p>A desigualdade tem cheiro de fuma\u00e7a de carv\u00e3o, g\u00e1s e petr\u00f3leo. Os dados mais recentes da Oxfam, divulgados em 10 de janeiro, escancaram uma verdade inc\u00f4moda que governos e elites insistem em tratar como abstra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica: a crise clim\u00e1tica \u00e9, antes de tudo, um projeto de classe. O mesmo punhado de pessoas que concentra riqueza em escala obscena \u00e9 aquele que consome, em ritmo implac\u00e1vel e suicida, o or\u00e7amento global de carbono, empurrando o planeta para o abismo clim\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Oxfam, o 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o mundial esgota sua cota anual de emiss\u00f5es compat\u00edvel com o limite de 1,5\u00b0C em apenas 10 dias. Dez dias! Enquanto isso, a metade mais pobre da humanidade levaria 1.022 dias, ou seja, quase tr\u00eas anos, para emitir a mesma quantidade de CO\u2082.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o eloquentes. O or\u00e7amento anual de carbono por pessoa, segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), \u00e9 de 2,1 toneladas de CO\u2082 para que o mundo tenha chance de conter o aquecimento global em 1,5\u00b0C. O 1% mais rico emite, em m\u00e9dia, 76 toneladas por pessoa ao ano. J\u00e1 a metade mais pobre emite apenas 0,7 tonelada. A matem\u00e1tica \u00e9 simples: quem menos polui paga com secas, enchentes, fome e morte; quem mais polui compra tempo, prote\u00e7\u00e3o e influ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse abismo n\u00e3o \u00e9 acidental. Ele \u00e9 produto de um sistema dominado por um punhadinho de bilion\u00e1rios. Segundo a pr\u00f3pria Oxfam, apenas os 12 indiv\u00edduos mais ricos do planeta concentram mais riqueza do que os 4 bilh\u00f5es mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>A Oxfam estima que as emiss\u00f5es do 1% mais rico desde 1990 j\u00e1 causaram, e continuar\u00e3o causando, trilh\u00f5es de d\u00f3lares em danos econ\u00f4micos, perdas agr\u00edcolas massivas e milh\u00f5es de mortes por calor extremo. At\u00e9 2050, essas emiss\u00f5es podem gerar perdas agr\u00edcolas suficientes para alimentar 10 milh\u00f5es de pessoas por ano apenas no Sul e no Leste da \u00c1sia. N\u00e3o por acaso, 80% das mortes por calor extremo ocorrer\u00e3o em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia-baixa renda, ou seja, nas \u00e1reas tropicais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Riqueza extrema x Colapso ambiental<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O v\u00ednculo entre riqueza extrema e colapso ambiental se aprofunda quando se observa a din\u00e2mica recente do capital. Em 2025, a fortuna dos bilion\u00e1rios cresceu US$ 2,5 trilh\u00f5es em apenas um ano, alcan\u00e7ando US$ 18,3 trilh\u00f5es. Um montante suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes, segundo a pr\u00f3pria Oxfam. Ainda assim, uma em cada quatro pessoas no mundo enfrenta inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa concentra\u00e7\u00e3o obscena n\u00e3o ocorre \u00e0 margem da pol\u00edtica. Ao contr\u00e1rio, depende dela. Os super-ricos exercem influ\u00eancia direta sobre governos, moldam regula\u00e7\u00f5es, dirigem os Estados e bloqueiam qualquer tentativa de controle ambiental efetivo, como ficou expl\u00edcito com o fracasso da COP 30, realizada em Bel\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil, governado por Lula, n\u00e3o est\u00e1 fora desse retrato global. O pa\u00eds lidera o ranking de bilion\u00e1rios na Am\u00e9rica Latina, com 66 pessoas que concentram cerca de US$ 253 bilh\u00f5es, quase 20% do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o de 2026. Ao mesmo tempo, mant\u00e9m uma pol\u00edtica pautada na austeridade fiscal e um modelo econ\u00f4mico que aprofunda a depend\u00eancia do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo mundial, como demonstra o recente acordo com a Uni\u00e3o Europeia, um acordo neoliberal e neocolonial, que tende a impulsionar ainda mais o agroneg\u00f3cio e, consequentemente, resultar em maior destrui\u00e7\u00e3o ambiental. O resultado \u00e9 conhecido: desigualdade social profunda, vulnerabilidade clim\u00e1tica crescente e pol\u00edticas ambientais permanentemente sob ataque.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise clim\u00e1tica n\u00e3o ser\u00e1 resolvida com apelos morais ou solu\u00e7\u00f5es de mercado. Ela exige confronto pol\u00edtico e a supera\u00e7\u00e3o do sistema capitalista que a criou. Enquanto os 12 mais ricos acumulam mais do que metade da humanidade e o 1% queima o futuro em dez dias, falar em \u201cresponsabilidade de todos\u201d \u00e9 de um cinismo atroz. Justi\u00e7a clim\u00e1tica s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com controle social da produ\u00e7\u00e3o. O planeta n\u00e3o est\u00e1 em colapso por excesso de humanidade, mas por excesso de bilion\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desigualdade tem cheiro de fuma\u00e7a de carv\u00e3o, g\u00e1s e petr\u00f3leo. 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