{"id":82198,"date":"2026-01-31T14:38:41","date_gmt":"2026-01-31T14:38:41","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82198"},"modified":"2026-02-09T20:39:12","modified_gmt":"2026-02-09T20:39:12","slug":"e-urgente-construir-uma-alternativa-para-a-classe-trabalhadora-e-os-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/01\/31\/e-urgente-construir-uma-alternativa-para-a-classe-trabalhadora-e-os-pobres\/","title":{"rendered":"\u00c9 urgente construir uma alternativa para a classe trabalhadora e os pobres"},"content":{"rendered":"\n<p>Texto baseado em dois artigos publicados no outono de 2023 no site litci.org.<\/p>\n\n\n\n<p>No domingo, 22 de outubro de 2023, foram realizadas elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, convocadas pelos partidos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa venezuelana organizados na chamada Plataforma de Unidade Democr\u00e1tica (PUD), com o objetivo de escolher o candidato dessa coaliz\u00e3o pol\u00edtica pr\u00f3-mercado para um poss\u00edvel processo eleitoral presidencial a ser realizado em 2024. Como esperado, Mar\u00eda Corina Machado (MCM), do partido <em>Vente Venezuela<\/em>, venceu com ampla margem neste processo eleitoral, que teve participa\u00e7\u00e3o significativa, apesar de todas as manobras orquestradas previamente pelo governo de Nicol\u00e1s Maduro para impedir sua realiza\u00e7\u00e3o e sabot\u00e1-la no dia da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As Manobras Antidemocr\u00e1ticas do Governo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de impedir e sabotar as elei\u00e7\u00f5es internas da coliga\u00e7\u00e3o oposicionista pr\u00f3-mercado e antioper\u00e1ria, o governo burgu\u00eas-ditatorial de Nicol\u00e1s Maduro realizou uma s\u00e9rie de manobras antidemocr\u00e1ticas. Entre elas, a press\u00e3o para for\u00e7ar a ren\u00fancia da diretoria do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), principalmente de seu ex-presidente, Pedro Calzadilla, e a subsequente interven\u00e7\u00e3o nesse \u00f3rg\u00e3o para eleger um presidente mais alinhado aos interesses do governo, na pessoa de Elvis Amoroso. Amoroso havia sido anteriormente Controlador Geral da Rep\u00fablica, al\u00e9m de ex-vice-presidente da fraudulenta Assembleia Nacional Constituinte (ANC) de 2017 e ex-deputado \u00e0 Assembleia Nacional pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV); cargos e trajet\u00f3ria pol\u00edtica que demonstram claramente sua parcialidade em favor do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, entraram com recursos no Supremo Tribunal de Justi\u00e7a (TSJ) para invalidar as elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias. Em seguida, por meio da Controladoria-Geral da Rep\u00fablica (CGR), impediram a pr\u00e9-candidata da oposi\u00e7\u00e3o, Mar\u00eda Corina Machado (a favorita para vencer as prim\u00e1rias da oposi\u00e7\u00e3o), de ocupar qualquer cargo p\u00fablico por quinze anos, alegando que ela apoiava as san\u00e7\u00f5es dos EUA contra a Venezuela e apoiava Juan Guaid\u00f3, que declarou presid\u00eancia interina em 2019. Na sequ\u00eancia, negaram o apoio t\u00e9cnico solicitado pela Comiss\u00e3o Nacional de Prim\u00e1rias (CNP) ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), condicionando-o \u00e0 mudan\u00e7a da data das prim\u00e1rias para uma proposta pelo \u00f3rg\u00e3o eleitoral \u2014 condi\u00e7\u00e3o que a CNP n\u00e3o aceitou.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, por meio da Comiss\u00e3o Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (CONATEL), apenas dois dias antes das elei\u00e7\u00f5es internas da coliga\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o, o governo Maduro emitiu uma resolu\u00e7\u00e3o proibindo todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablicos e privados, incluindo televis\u00e3o, r\u00e1dio e internet, do pa\u00eds, de noticiar ou cobrir o evento eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o governo j\u00e1 havia impedido outros pr\u00e9-candidatos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, como Henrique Capriles Radonski, que est\u00e1 impedido de concorrer a cargos eletivos h\u00e1 15 anos, desde 2017. Tamb\u00e9m cassou a legitimidade de partidos de oposi\u00e7\u00e3o de esquerda e de direita ou interferiu em sua lideran\u00e7a leg\u00edtima por meio de manobras legais para nomear conselhos administrativos paralelos mais suscet\u00edveis aos interesses do partido governista. O caso mais recente \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o no conselho administrativo do Partido Comunista da Venezuela (PCV).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, \u00e9 importante destacar as t\u00e1ticas de chantagem, amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00e3o perpetradas contra potenciais eleitores nas prim\u00e1rias por grupos armados financiados pelo governo e por l\u00edderes comunit\u00e1rios pr\u00f3-governo. Em bairros oper\u00e1rios, esses grupos intimidaram eleitores, chegando a amea\u00e7\u00e1-los com viol\u00eancia f\u00edsica, enquanto tentavam exercer seu direito de voto. Tamb\u00e9m utilizaram t\u00e1ticas de chantagem, como a reten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios essenciais, como cestas b\u00e1sicas ou acesso a botij\u00f5es de g\u00e1s de cozinha, cruciais para a sobreviv\u00eancia durante a atual crise nacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que as prim\u00e1rias mostram<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que todas essas manobras do governo visavam desmoralizar e desencorajar a participa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de trabalhadores e moradores dos setores populares do pa\u00eds, entre os quais prevalece o desejo de se livrar do atual governo corrupto, repressivo e opressor de Nicol\u00e1s Maduro. Assim como desmoralizar uma justa e leg\u00edtima indigna\u00e7\u00e3o contra ele por submet\u00ea-los a anos de sofrimento e dificuldades, violar seus sal\u00e1rios e benef\u00edcios contratuais, seus direitos sindicais e sociais, destruir seu padr\u00e3o de vida, lev\u00e1-los \u00e0 beira do abismo e deix\u00e1-los sofrendo com servi\u00e7os b\u00e1sicos como \u00e1gua, eletricidade, g\u00e1s e telecomunica\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, al\u00e9m de um sistema p\u00fablico de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o totalmente empobrecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa raiva e esse desejo de derrubar o governo s\u00e3o evidentes na significativa participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e popular nas prim\u00e1rias da oposi\u00e7\u00e3o. Apesar das manobras, houve uma participa\u00e7\u00e3o de quase 2,6 milh\u00f5es de votos, dos quais 2,4 milh\u00f5es, equivalentes a 92% dos votos v\u00e1lidos, foram para Mar\u00eda Corina Machado.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos ver tamb\u00e9m evid\u00eancias disso na atitude corajosa e desafiadora com que trabalhadores e moradores de setores populares enfrentaram a intimida\u00e7\u00e3o e a chantagem de grupos e dirigentes do PSUV para defender seu direito ao voto. Da mesma forma, ignoraram as amea\u00e7as de repres\u00e1lias e medidas disciplinares do regime chavista contra trabalhadores de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas estatais.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de, apesar de todos os obst\u00e1culos e manobras antidemocr\u00e1ticas realizadas pelo governo, e da crise interna da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, expressa em diferentes posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias (de fato, v\u00e1rios candidatos desistiram poucos dias antes das elei\u00e7\u00f5es), as prim\u00e1rias terem ocorrido com uma participa\u00e7\u00e3o t\u00e3o expressiva, representa uma grande derrota para o governo em seus esfor\u00e7os para impedi-las a todo custo, inclusive negociando com setores pr\u00f3-mercado da oposi\u00e7\u00e3o. Isso causa grande preocupa\u00e7\u00e3o dentro do partido governista, pois o confronta diretamente com a press\u00e3o popular e os interesses das massas, especialmente considerando que haver\u00e1 uma elei\u00e7\u00e3o presidencial em 2024, na qual o PSUV e seus aliados preveem resultados desfavor\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conclus\u00e3o, a expressiva participa\u00e7\u00e3o nas prim\u00e1rias demonstra nitidamente o interesse das massas trabalhadoras e populares em destituir o governo capitalista ditatorial de Maduro, que h\u00e1 anos vem implementando um pacote brutal de medidas antioper\u00e1rias e antipopulares. Este pacote desvalorizou os sal\u00e1rios (hoje pouco mais de US$ 3), restringiu direitos conquistados por meio de negocia\u00e7\u00f5es coletivas, introduziu b\u00f4nus (uma pol\u00edtica de b\u00f4nus salarial proposta pela FEDECAMARAS) e destruiu as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e pobres do pa\u00eds, mergulhando-os em extrema pobreza. Tudo isso foi feito para priorizar os interesses das principais associa\u00e7\u00f5es patronais nacionais, como FEDECAMARAS, CONINDUSTRIA e CONSECOMERCIO, entre outras, bem como de banqueiros e empresas transnacionais, que s\u00e3o os principais benefici\u00e1rios dessas medidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rea\u00e7\u00f5es do Governo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, o governo continuou demonstrando sua natureza enganosa e antidemocr\u00e1tica. Ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o, l\u00edderes e porta-vozes do governo e de seu partido, o PSUV, vieram a p\u00fablico alegar fraude e at\u00e9 mesmo apresentar queixas judiciais, questionando principalmente os n\u00fameros de comparecimento \u00e0s urnas, que, em sua vis\u00e3o, n\u00e3o foram t\u00e3o altos quanto os anunciados pela oposi\u00e7\u00e3o apoiada pelo empresariado por meio do CNP (foram menores). N\u00e3o fosse pela gravidade da quest\u00e3o, isso seria ris\u00edvel, beirando o absurdo e n\u00e3o atendendo nem mesmo aos princ\u00edpios mais b\u00e1sicos do pensamento democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira pergunta que surge \u00e9: como pode o governo interferir, ou tentar interferir, alegando fraude e questionando os resultados e os n\u00fameros de comparecimento \u00e0s urnas em um processo eleitoral interno e privado de um partido ou coliga\u00e7\u00e3o de partidos de oposi\u00e7\u00e3o, supostamente organizado por eles de acordo com seus estatutos e regras operacionais acordadas, e no qual nenhum cargo p\u00fablico est\u00e1 em disputa e o governo n\u00e3o est\u00e1 envolvido? Al\u00e9m disso, o Estado \u2014 neste caso, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) \u2014 recusou-se a fornecer qualquer apoio t\u00e9cnico ao processo. Como podem \u00f3rg\u00e3os estatais, a mando do governo, tentar interferir e litigar um processo dessa natureza sem uma queixa pr\u00e9via de qualquer uma das partes envolvidas que possam se sentir afetadas pelos resultados e pela condu\u00e7\u00e3o do processo?<\/p>\n\n\n\n<p>O governo tamb\u00e9m pretende entregar ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e ao Supremo Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) as atas de apura\u00e7\u00e3o, listas e registros de vota\u00e7\u00e3o de um processo eleitoral interno no qual n\u00e3o teve qualquer participa\u00e7\u00e3o, o que leva \u00e0 presun\u00e7\u00e3o de que busca repetir a infame Lista Tasc\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o aspecto mais grave da quest\u00e3o \u00e9 que, na segunda-feira, 30 de outubro de 2023, o STJ emitiu uma decis\u00e3o suspendendo \u201ctodos os efeitos\u201d das prim\u00e1rias da oposi\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, para o governo e seu Supremo Tribunal, as elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias da oposi\u00e7\u00e3o de 22 de outubro de 2023 n\u00e3o existiram, nem seus resultados, muito menos a vontade de mais de dois milh\u00f5es e meio de venezuelanos de escolher seu candidato preferido para uma poss\u00edvel elei\u00e7\u00e3o presidencial. A Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST) condena veementemente todas essas manobras antidemocr\u00e1ticas do governo de Nicol\u00e1s Maduro, que visam unicamente restringir os direitos pol\u00edticos e democr\u00e1ticos dos trabalhadores e do povo venezuelano, bem como desmoralizar e desencorajar as massas venezuelanas em suas aspira\u00e7\u00f5es de destituir o governo capitalista, ditatorial e austero de Maduro por meio de elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A classe oper\u00e1ria e os setores populares n\u00e3o devem depositar suas esperan\u00e7as em Mar\u00eda Corina Machado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Partindo de uma posi\u00e7\u00e3o de defesa dos direitos democr\u00e1ticos dos trabalhadores \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es presidenciais com garantias formais de participa\u00e7\u00e3o e vit\u00f3ria para qualquer op\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o, e inclusive do direito da oposi\u00e7\u00e3o de escolher livremente seu candidato, devemos alertar os trabalhadores e os pobres do pa\u00eds de que a candidata vencedora nas recentes elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias da oposi\u00e7\u00e3o burguesa, Mar\u00eda Corina Machado, n\u00e3o representa nenhuma alternativa para os trabalhadores e o povo venezuelano.<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00eda Corina Machado representa a extrema-direita mais reacion\u00e1ria e abjeta do continente e do mundo, aliada de George Bush, Donald Trump, Bolsonaro e \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez, entre outros. Ela \u00e9 bonapartista e autorit\u00e1ria no melhor estilo das figuras mencionadas, xen\u00f3foba, aporof\u00f3bica, pr\u00f3-imperialista e contr\u00e1ria a qualquer garantia de direitos para os trabalhadores e os pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu programa pol\u00edtico e econ\u00f4mico, como ela deixou evidente em in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es, baseia-se na prioriza\u00e7\u00e3o do pagamento da d\u00edvida externa, em um plano de privatiza\u00e7\u00e3o que inclui o avan\u00e7o da privatiza\u00e7\u00e3o da PDVSA, bem como de todas as atividades associadas \u00e0 ind\u00fastria petrol\u00edfera, ind\u00fastrias b\u00e1sicas e outras empresas p\u00fablicas estrat\u00e9gicas; na imposi\u00e7\u00e3o de mais impostos sobre os trabalhadores e os pobres para beneficiar o setor empresarial; e na entrega dos recursos e da soberania do pa\u00eds a corpora\u00e7\u00f5es transnacionais norte-americanas e europeias, al\u00e9m das russas e chinesas que Maduro j\u00e1 vem implementando.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, seu programa nada mais \u00e9 do que uma continua\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o do pacote antioper\u00e1rio e antipopular que Maduro j\u00e1 vem implementando. \u00c9 por isso que a candidata da oposi\u00e7\u00e3o pr\u00f3-empresarial nada diz sobre os sal\u00e1rios miser\u00e1veis, a viola\u00e7\u00e3o e virtual elimina\u00e7\u00e3o de acordos coletivos, a restri\u00e7\u00e3o dos direitos sindicais, os b\u00f4nus salariais e outras condi\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque em \u00faltima an\u00e1lise, como empres\u00e1ria e representante da burguesia, toda essa pol\u00edtica beneficia o setor burgu\u00eas que ela representa. Seu objetivo \u00e9 implement\u00e1-la, ela mesma, garantindo que seu setor burgu\u00eas (incluindo ela pr\u00f3pria) se beneficie diretamente de sua aplica\u00e7\u00e3o, assim como as demais empresas associadas \u00e0 gest\u00e3o das receitas do petr\u00f3leo e o Estado como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que, se ela alguma vez fizer uma den\u00fancia ou declara\u00e7\u00e3o contra a pris\u00e3o de l\u00edderes sindicais e\/ou ativistas sociais, ou pedir sua liberta\u00e7\u00e3o, trata-se apenas de uma postura para ganho eleitoral, para angariar apoio entre os setores democr\u00e1ticos que exigem e lutam pela liberta\u00e7\u00e3o desses indiv\u00edduos e dos presos pol\u00edticos em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio e compreens\u00edvel que, diante do desastre representado pelo regime chavista e pelo governo Maduro, do empobrecimento das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e moradores dos setores populares do pa\u00eds, que os submetem a grande desespero e ang\u00fastia, esses setores sociais vejam Mar\u00eda Corina Machado como uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para &#8220;<em>livrar-se do governo a qualquer custo<\/em>&#8221; e depositem grandes esperan\u00e7as nela para a melhoria de suas condi\u00e7\u00f5es de vida, especialmente porque ela centra sua campanha em falsas promessas de uma Venezuela pr\u00f3spera com excelentes padr\u00f5es de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a verdade \u00e9 que, devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o social, \u00e0 classe que representa e \u00e0s suas alian\u00e7as pol\u00edticas, Mar\u00eda Corina Machado acabar\u00e1 por frustrar essas expectativas. Isso fica ainda mais evidente em seu programa, cujas medidas, afirmamos categoricamente, n\u00e3o resolver\u00e3o os problemas dos trabalhadores venezuelanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As chantagens e as exig\u00eancias do movimento oper\u00e1rio afetaram a oposi\u00e7\u00e3o patronal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns setores e l\u00edderes sindicais, principalmente os filiados a partidos de oposi\u00e7\u00e3o burguesa, est\u00e3o tentando explorar as aspira\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e dos pobres de destituir Maduro do poder dentro do movimento oper\u00e1rio, chantageando-os com a amea\u00e7a de &#8220;se livrar de Maduro a qualquer custo&#8221;. Seu objetivo \u00e9 for\u00e7ar os trabalhadores e os pobres a aceitarem e votarem em qualquer candidato burgu\u00eas, neste caso espec\u00edfico, Mar\u00eda Corina Machado, independentemente de sua plataforma antioper\u00e1ria e antipopular.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizem-nos que isso n\u00e3o importa agora, que o essencial neste momento \u00e9 a unidade com os setores pr\u00f3-empresariais e pr\u00f3-imperialistas \u2014 isto \u00e9, aqueles alinhados com nossos exploradores \u2014 para derrubar o governo. Esse sentimento \u00e9 ecoado por alguns autoproclamados de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles tamb\u00e9m nos dizem que a solu\u00e7\u00e3o para a crise reside nas elei\u00e7\u00f5es, que se Mar\u00eda Corina Machado for eleita presidente, todos os problemas ser\u00e3o resolvidos, tanto em termos de condi\u00e7\u00f5es de vida quanto em rela\u00e7\u00e3o aos ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, e que, em todo caso, haver\u00e1 uma ampla gama de liberdades e garantias democr\u00e1ticas que facilitariam o confronto com seu potencial governo ante quaisquer medidas antioper\u00e1rias e antipopulares que possa adotar. Com essa ret\u00f3rica, tentam subordinar tudo \u00e0 quest\u00e3o eleitoral e at\u00e9 mesmo transformar os espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria, que constru\u00edram em unidade de a\u00e7\u00e3o com setores sindicais militantes, em quart\u00e9is-generais de campanha para a candidata que venceu as prim\u00e1rias da oposi\u00e7\u00e3o patronal.<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o da base, exigindo aumentos salariais e melhorias em suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida, os obriga a convocar mobiliza\u00e7\u00f5es e participar de lutas unificadas ao lado de setores sindicais combativos. Desses espa\u00e7os, eles convocam manifesta\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m pressionados por setores militantes dentro do movimento oper\u00e1rio. No entanto, recusam-se a radicalizar e aprofundar esse processo de mobiliza\u00e7\u00e3o, como demonstra a recusa em convocar uma greve geral nacional de professores.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, sabem que uma classe trabalhadora mobilizada n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica para a implementa\u00e7\u00e3o do programa pr\u00f3-mercado e pr\u00f3-imperialista de seu candidato. Portanto, mobilizam-se apenas para exercer press\u00e3o, obter votos e prest\u00edgio eleitoral e, em seguida, conter o movimento. Subordinam o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e as necessidades da classe oper\u00e1ria aos seus interesses eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fluxo e refluxo das lutas oper\u00e1rias no pa\u00eds come\u00e7ou a mostrar sinais de mudan\u00e7a em 2018. Durante os anos de 2019 a 2022, a Venezuela surgiu como uma nota dissonante no concerto das lutas de classe no continente, marcado pela ascens\u00e3o de lutas em pa\u00edses como Chile, Col\u00f4mbia, Equador, Peru, Paraguai, Panam\u00e1 e at\u00e9 Cuba. Apesar disso, alguns elementos e setores de vanguarda mantiveram uma pequena resist\u00eancia nas ruas, mas essas lutas recuaram, dispersaram-se e atomizaram-se rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>As lutas de 2018 contra a implementa\u00e7\u00e3o oficial do pacote de austeridade de Maduro, contra as mesas da fome, a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e o Memorando 2792; as lutas trabalhistas por servi\u00e7os e liberdades democr\u00e1ticas em 2019; e as mobiliza\u00e7\u00f5es de aposentados, do setor da sa\u00fade e de outros setores durante 2020 e 2021 foram rapidamente controladas e isoladas. Contudo, demonstraram que a raiva contra o governo crescia, que a ruptura entre o movimento oper\u00e1rio e setores populares e o chavismo aumentava e que a disposi\u00e7\u00e3o para lutar estava em ascens\u00e3o. Assim, com avan\u00e7os, retrocessos e mudan\u00e7as nos setores que lideravam as lutas, a classe trabalhadora venezuelana come\u00e7ava a se reagrupar.<\/p>\n\n\n\n<p>A onda de lutas iniciada pelo setor docente em agosto de 2022, exigindo o pagamento integral do abono de f\u00e9rias e sua reedi\u00e7\u00e3o ao longo do primeiro semestre de 2023, desta vez por reivindica\u00e7\u00f5es salariais, entre outras, abriu caminho para o in\u00edcio de um significativo processo de mobiliza\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. Professores e trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o foram a vanguarda incontest\u00e1vel, mas o movimento posteriormente se espalhou para outros setores de trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nacional, empresas estatais como a SIDOR e, em menor escala, outras ind\u00fastrias b\u00e1sicas na Guiana e na PDVSA. Isso inseriu oficialmente a Venezuela na din\u00e2mica de escalada das lutas continentais, acelerando ainda mais a crise interburguesa interna.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse momento, a burguesia \u2014 tanto a chamada burguesia bolivariana quanto a burguesia tradicional, politicamente representada principalmente pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa (ainda que tamb\u00e9m pelo partido governista) \u2014 com o apoio do reformismo, antecipou o debate eleitoral e intensificou sua ofensiva para demonstrar que estamos em uma encruzilhada. Maduro ou Mar\u00eda Corina Machado (MCM) nos dizem isso. Eles tentam desviar o rumo das lutas para o debate e a solu\u00e7\u00e3o eleitoral, fingindo mostrar que as solu\u00e7\u00f5es para todas as nossas calamidades est\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os setores burgueses representados na oposi\u00e7\u00e3o patronal, assim como seus representantes sindicais no movimento oper\u00e1rio, tentam nos convencer de que a \u00fanica sa\u00edda para a crise reside nas elei\u00e7\u00f5es, na mudan\u00e7a de governo, sem alterar o car\u00e1ter capitalista do pa\u00eds. Reduzem isso \u00e0 m\u00e1xima: <em>&#8220;Livrar-se de Maduro a qualquer custo&#8221;.<\/em> O que nada mais \u00e9 do que uma chantagem para incitar a classe trabalhadora a apoiar qualquer candidato burgu\u00eas (principalmente a de MCM), independentemente de qualquer coisa do conte\u00fado antioper\u00e1rio e antipopular de seu programa econ\u00f4mico e de sua pol\u00edtica. Tamb\u00e9m defendem uma poss\u00edvel expans\u00e3o das garantias e liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia pr\u00f3-governo e seus burocratas sindicais na Central Bolivariana Socialista de Trabalhadores (CBST) querem nos fazer acreditar que as san\u00e7\u00f5es s\u00e3o as culpadas por tudo, que agora Maduro e o governo finalmente resolver\u00e3o os problemas e que, portanto, devemos votar neles para &#8220;continuar construindo o socialismo&#8221;, &#8220;derrotar o imperialismo&#8221;, suas san\u00e7\u00f5es e, finalmente, &#8220;alcan\u00e7ar o bem-estar dos venezuelanos&#8221;. Nada poderia estar mais longe da verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o garantia nem solu\u00e7\u00e3o para nada. Em primeiro lugar, sob a ditadura de Maduro, n\u00e3o temos sequer garantia de que essas elei\u00e7\u00f5es acontecer\u00e3o ou, se acontecerem, n\u00e3o temos garantia de que ser\u00e3o livres, ou seja, com uma possibilidade real de vit\u00f3ria para qualquer op\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, de acordo com o calend\u00e1rio eleitoral legal, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, que se apresentam como a solu\u00e7\u00e3o para todos os nossos problemas, deveriam ocorrer no segundo semestre de 2024 (possivelmente em dezembro). Mesmo que o governo, por meio de alguma manobra fraudulenta via Conselho Nacional Eleitoral (CNE), as convoque antecipadamente, elas ainda ocorreriam no pr\u00f3ximo ano. Enquanto isso, a fome e as dificuldades sofridas pelos trabalhadores venezuelanos se tornam cada vez mais cru\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, acreditamos que n\u00e3o devemos condicionar nossas solu\u00e7\u00f5es alternativas para a crise a um processo eleitoral que, independentemente de quem ven\u00e7a, n\u00e3o oferece nenhuma garantia de uma solu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel aos trabalhadores. Pelo contr\u00e1rio, nossa prioridade deve ser continuar organizando nossas lutas e permanecer mobilizados para reivindicar nossos direitos. As dire\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas que se dizem representante da classe trabalhadora n\u00e3o pode subordinar a luta \u00e0 farsa eleitoral burguesa. A experi\u00eancia de 2019, quando a dire\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Intersetorial dos Trabalhadores Venezuelanos (ITV) abandonou a luta para seguir o fen\u00f4meno Guaid\u00f3 e seu chamado &#8220;governo interino&#8221;, mostra que esse \u00e9 um erro que n\u00e3o deve ser repetido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Defesa da Liberdade Sindical<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Exigimos respeito aos acordos coletivos de trabalho, a renegocia\u00e7\u00e3o imediata dos acordos expirados, a defesa do direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o e o direito dos sindicatos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva, e a revoga\u00e7\u00e3o imediata do Memorando 2792.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores venezuelanos precisam recuperar seus sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es profissionais, a maioria dos quais foi sequestrada por burocracias pr\u00f3-governo ou pr\u00f3-oposi\u00e7\u00e3o, ambas pr\u00f3-empregador, e muitas delas com mandatos expirados. Enquanto muitos outros sindicatos, que mant\u00eam sua independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao governo e aos empregadores, tanto p\u00fablicos quanto privados, e que est\u00e3o dispostos a se mobilizar \u2014 e de fato j\u00e1 o fazem \u2014, encontram-se isolados, fragmentados e tamb\u00e9m em situa\u00e7\u00e3o de ilegitimidade (mandatos expirados), v\u00edtimas da interfer\u00eancia governamental. Isso \u00e9 ent\u00e3o usado pelo governo como mais uma desculpa para se recusar a discutir acordos coletivos e rejeitar reivindica\u00e7\u00f5es conflitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos nos mobilizar para exigir elei\u00e7\u00f5es sindicais. Essas elei\u00e7\u00f5es devem ser realizadas em todos os sindicatos com mandatos expirados (burocr\u00e1ticos ou militantes), de acordo com seus estatutos e sem interfer\u00eancia do Estado. Pela restaura\u00e7\u00e3o da autonomia sindical, por elei\u00e7\u00f5es sindicais livres e independentes, contra a interfer\u00eancia do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), do Minist\u00e9rio do Poder Popular para o Trabalho (MPPPST) e dos empregadores nas elei\u00e7\u00f5es sindicais, pela defesa dos direitos e garantias sindicais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Memorando 2792 e as chamadas &#8220;tabelas da fome&#8221; para servidores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que faziam parte do PRCPE (Programa de Reestrutura\u00e7\u00e3o do Servidor P\u00fablico), foram republicados em agosto de 2022 com a implementa\u00e7\u00e3o da chamada Instru\u00e7\u00e3o ONAPRE (sigla para Escrit\u00f3rio Nacional de Or\u00e7amento). Este instrumento desastroso reduz os sal\u00e1rios dos servidores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao eliminar o car\u00e1ter salarial de diversos b\u00f4nus e\/ou gratifica\u00e7\u00f5es para servidores de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas estatais, ou elimin\u00e1-los completamente. Isso faz com que os sal\u00e1rios j\u00e1 baixos dos servidores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nacional (APN), bem como dos servidores das administra\u00e7\u00f5es regionais e municipais, se deteriorem ainda mais, destruindo completamente seu poder de compra. Exigimos a revoga\u00e7\u00e3o imediata da Instru\u00e7\u00e3o ONAPRE.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liberdade para trabalhadores presos por lutar, contra a criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto trabalhista e social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais de trezentos ativistas, defensores da justi\u00e7a social, l\u00edderes sindicais e at\u00e9 mesmo trabalhadores de base sem cargos oficiais (incluindo l\u00edderes pol\u00edticos) permanecem detidos (em pris\u00f5es ou em pris\u00e3o domiciliar ou na cidade) ou enfrentando processos judiciais por protestarem em defesa de seus direitos trabalhistas e sociais. Este \u00e9 um exemplo n\u00edtido da natureza altamente repressiva e coercitiva da ditadura de Maduro, cujo objetivo principal \u00e9 criminalizar os protestos trabalhistas e sociais para disciplinar ativistas e, assim, facilitar a implementa\u00e7\u00e3o de suas pol\u00edticas antioper\u00e1rias e antipopulares em benef\u00edcio tanto da boliburguesia quanto da burguesia tradicional (FEDEC\u00c1MARAS, CONSECOMERCIO, CONINDUSTRIA, POLAR, entre outras), nacional e estrangeira (Chevron, Eni, Repsol, empresas de telefonia e telecomunica\u00e7\u00f5es, entre outras).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa pol\u00edtica repressiva, at\u00e9 ent\u00e3o predominantemente seletiva, o governo tem demonstrado sinais de intensifica\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es, caminhando para a repress\u00e3o direta e violenta de manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares. Isso fica evidente na repress\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es na SIDOR, na tentativa de repress\u00e3o em 1\u00ba de maio em Caracas e, mais recentemente, na dura repress\u00e3o ao povo Yukpa no estado de Zulia e aos mineiros na cidade de Yapacana, no estado Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento repugnante dessa pol\u00edtica \u00e9 a presen\u00e7a coercitiva de militares, principalmente da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e agentes do Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia (SEBIN), nas \u00e1reas produtivas e administrativas de empresas estatais, como a PDVSA e as ind\u00fastrias b\u00e1sicas da Guiana, demonstrando uma atitude intimidat\u00f3ria em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores dessas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os empregadores estatais, ou seja, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas estatais (SIDOR, PDVSA, entre outros), aplicam seus pr\u00f3prios m\u00e9todos de coer\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores que ousam protestar em defesa de seus direitos. Esses m\u00e9todos consistem em suspens\u00f5es de sal\u00e1rio e\/ou trabalho (demiss\u00f5es em muitos casos), chantagem por meio de amea\u00e7as de transfer\u00eancias ou piora das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, exclus\u00e3o do pagamento de b\u00f4nus, cancelamento de outros benef\u00edcios trabalhistas e sociais apenas para &#8220;trabalhadores disciplinados&#8221; e at\u00e9 aposentadorias for\u00e7adas de dirigentes e ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Exigimos a liberta\u00e7\u00e3o plena e imediata de todos os trabalhadores, l\u00edderes sindicais e l\u00edderes sociais e pol\u00edticos presos e processados \u200b\u200bpor protestarem; o fim da criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos; o fim da repress\u00e3o \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es; a retirada da Guarda Nacional e das for\u00e7as SEBIN das empresas estatais; e a revoga\u00e7\u00e3o da Lei contra o \u00d3dio. Chega de suspens\u00f5es salariais e exclus\u00e3o de benef\u00edcios trabalhistas, contratuais ou extracontratuais! N\u00e3o \u00e0 chantagem e \u00e0s amea\u00e7as contra trabalhadores que protestam; n\u00e3o \u00e0s aposentadorias for\u00e7adas de l\u00edderes e ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 necess\u00e1rio construir uma alternativa unida e ampla para a classe trabalhadora e os setores populares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A UST manifesta sua discord\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a tais declara\u00e7\u00f5es, posi\u00e7\u00f5es e reivindica\u00e7\u00f5es. Compartilhamos com o povo trabalhador a aspira\u00e7\u00e3o e o objetivo de destituir o governo capitalista, de fome, corrupto e repressivo de Maduro, mas isso n\u00e3o nos obriga a apoiar uma candidatura burguesa como a de Mar\u00eda Corina Machado, cuja plataforma, como j\u00e1 mencionamos, nada tem a ver com os interesses dos trabalhadores ou dos habitantes dos setores populares, e queremos deixar isso n\u00edtido para esses setores da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, acreditamos que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o garantia de uma sa\u00edda para a crise econ\u00f4mica em benef\u00edcio da classe trabalhadora; portanto, defendemos que n\u00e3o devemos condicionar nossas alternativas para superar a crise a um processo eleitoral entre duas op\u00e7\u00f5es burguesas exploradoras. Pelo contr\u00e1rio, nossa prioridade deve ser continuar organizando nossas lutas e permanecer mobilizados para reivindicar nossos direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, afirmamos que a fome e as demais dificuldades que enfrentamos n\u00e3o esperam e continuam a nos afligir. Por essa raz\u00e3o, recha\u00e7amos as tentativas de subordinar e condicionar nossas mobiliza\u00e7\u00f5es a um processo eleitoral que, al\u00e9m de tudo, sob a ditadura de Maduro, n\u00e3o tem garantia de ocorrer ou de ser conduzido com plenas garantias democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Consideramos a unidade de suma import\u00e2ncia, n\u00e3o com os setores pol\u00edticos pr\u00f3-explora\u00e7\u00e3o e pr\u00f3-imperialistas, mas sim entre a classe trabalhadora e os setores populares e oprimidos do nosso pa\u00eds, com independ\u00eancia de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma unidade que deve ser constru\u00edda com a maior democracia e inclus\u00e3o, alimentada pelas mobiliza\u00e7\u00f5es, que deve servir para lutar por nossas demandas, incluindo a conquista do direito democr\u00e1tico a elei\u00e7\u00f5es livres, e que tamb\u00e9m deve servir como uma alternativa na arena eleitoral, constru\u00edda sobre um programa de independ\u00eancia de classe em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas op\u00e7\u00f5es burguesas que disputam o poder, colocando os interesses da classe trabalhadora no centro, bem como as principais demandas socioecon\u00f4micas dos setores populares.<\/p>\n\n\n\n<p>O desastre para o qual o regime chavista e seus governos (Ch\u00e1vez e seu sucessor, Maduro) nos arrastaram infelizmente, \u00e9 identificada por amplos setores da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e popular como consequ\u00eancia do socialismo e da aplica\u00e7\u00e3o de suas medidas, o que supostamente demonstra o fracasso desse sistema. Responsavelmente, n\u00f3s da UST devemos alertar que tais ideias s\u00e3o equivocadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Lamentavelmente, anos de apoio e submiss\u00e3o de um grande n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda venezuelanas e internacionais ao chavismo contribu\u00edram para aprofundar a cren\u00e7a nessas ideias err\u00f4neas. Hoje, essas ideias continuam sendo alimentadas tanto pelo partido governista e seus aliados, que falsamente continuam a falar de socialismo, quanto pelos porta-vozes sindicais e pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o patronal, que mentem ao acusar o governo de ser socialista e comunista. Al\u00e9m disso, a esquerda reformista continua a apoiar o chavismo, falando da necessidade de retifica\u00e7\u00e3o, de corrigir este ou aquele erro e aprofundar a revolu\u00e7\u00e3o socialista no pa\u00eds. Nada poderia estar mais longe da verdade. Mas, infelizmente, tudo isso contribuiu para desorganizar e atomizar o movimento oper\u00e1rio, confundindo-o e, em muitos casos, corrompendo-o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas circunst\u00e2ncias, dado o atual clima pol\u00edtico e eleitoral, n\u00e3o existe uma alternativa independente da classe trabalhadora, o que torna sua constru\u00e7\u00e3o relativamente simples. No entanto, construir uma alternativa \u00e9 agora uma necessidade urgente. A omiss\u00e3o nesse sentido reduziria inequivocamente as leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e moradores de setores populares por uma mudan\u00e7a de governo por meio de elei\u00e7\u00f5es a uma mera troca de opressor \u2014 ou seja, simplesmente substituir aquele que implementa as medidas de austeridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, propomos a abertura de um debate para discutir o desenvolvimento do programa j\u00e1 mencionado e a possibilidade de uma candidatura oper\u00e1ria e popular, independente dos setores exploradores. Entendemos que j\u00e1 existem algumas iniciativas nesse sentido; portanto, propomos que todos os setores da esquerda independente \u2014 sindicatos, movimentos populares, estudantes e ativistas sociais \u2014 que se op\u00f5em ao governo Maduro se unam para come\u00e7ar a construir essa alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um programa de emerg\u00eancia, oper\u00e1rio e popular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O programa ao qual nos referimos deve se opor completamente \u00e0s medidas de austeridade que Maduro imp\u00f5e aos trabalhadores e \u00e0s de Mar\u00eda Corina Machado, que, como j\u00e1 dissemos, representam a continua\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o dessas medidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso programa deve se concentrar nas necessidades dos trabalhadores e abranger todos os setores explorados e oprimidos da popula\u00e7\u00e3o. Acreditamos que seu ponto de partida deve ser a reivindica\u00e7\u00e3o de um aumento de sal\u00e1rios e aposentaodrias equivalente ao valor da cesta b\u00e1sica, conforme definida pelo Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e An\u00e1lise Social da Confedera\u00e7\u00e3o Venezuelana de Professores (CENDAS \u2013 FVM), e a indexa\u00e7\u00e3o desse aumento ao seu valor mensal. Isso inclui tamb\u00e9m a revoga\u00e7\u00e3o do Memorando 2792 e da diretiva ONAPRE, a reintegra\u00e7\u00e3o dos acordos coletivos de trabalho, a renegocia\u00e7\u00e3o imediata dos acordos coletivos de trabalho expirados e a defesa do direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o e do direito dos sindicatos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela defesa da liberdade e da autonomia sindical, por elei\u00e7\u00f5es sindicais livres e independentes e pela realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es em sindicatos e federa\u00e7\u00f5es com diretorias expiradas, sem interfer\u00eancia do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), do Minist\u00e9rio do Poder Popular para o Trabalho (MPPPST) ou dos empregadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela liberdade plena e imediata de todos os trabalhadores, dirigentes sindicais e ativistas sociais e pol\u00edticos presos e respondendo a processos judiciais por protestarem; contra a criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto; contra a repress\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es; pela retirada da Guarda Nacional (GNB) e do Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia Nacional (SEBIN) das empresas estatais; pela revoga\u00e7\u00e3o da Lei contra o \u00d3dio; pelo fim das suspens\u00f5es salariais e das exclus\u00f5es de benef\u00edcios trabalhistas contratuais ou extracontratuais; contra a chantagem e as amea\u00e7as contra trabalhadores que protestam; e contra a aposentadoria compuls\u00f3ria de dirigentes e ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra a privatiza\u00e7\u00e3o da PDVSA e das empresas da Corpora\u00e7\u00e3o Venezuelana da Guiana (CVG), pelaa nacionaliza\u00e7\u00e3o total da ind\u00fastria petrol\u00edfera e das ind\u00fastrias b\u00e1sicas, sem corpora\u00e7\u00f5es transnacionais ou joint ventures, investimento na recupera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petrol\u00edfera para restaurar a produ\u00e7\u00e3o e o refino de petr\u00f3leo bruto, gasolina e outros combust\u00edveis, n\u00e3o \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais estrat\u00e9gicas e servi\u00e7os essenciais (eletricidade, \u00e1gua, g\u00e1s, telecomunica\u00e7\u00f5es), pelo n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa, um imposto progressivo robusto sobre grandes empresas nacionais e estrangeiras, bem como sobre altos lucros e consumo de luxo \u2014 quem tem mais deve pagar mais \u2014, pela repatria\u00e7\u00e3o de capitais evadidos, confisco das fortunas dos corruptos, nacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria aliment\u00edcia, do setor banc\u00e1rio e dos principais setores econ\u00f4micos sob controle oper\u00e1rio, pelo fim das san\u00e7\u00f5es imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses recursos devem ser destinados para um grande plano de obras p\u00fablicas, com foco em escolas, universidades, habita\u00e7\u00e3o e hospitais, para atender \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o e gerar empregos produtivos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nada a esperar dos acordos de Barbados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dias antes das prim\u00e1rias, especificamente em 17 de outubro de 2023, dois acordos parciais foram assinados na ilha de Barbados entre a oposi\u00e7\u00e3o apoiada pelo setor empresarial e o governo ditatorial de Maduro: um sobre \u201ca promo\u00e7\u00e3o dos direitos pol\u00edticos e garantias eleitorais\u201d e o outro sobre \u201ca prote\u00e7\u00e3o dos interesses vitais da na\u00e7\u00e3o\u201d. O primeiro diz respeito \u00e0s garantias para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es, acordadas para o segundo semestre de 2024, e o segundo refere-se \u00e0 disputa de fronteira com a Guiana sobre a regi\u00e3o de Esequibo, bem como aos direitos de propriedade da Citgo e de outros ativos venezuelanos no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o imperialismo estadunidense anunciou um al\u00edvio tempor\u00e1rio das san\u00e7\u00f5es por um per\u00edodo de seis meses, condicionado \u00e0 tomada de medidas pelo governo venezuelano para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es presidenciais em 2024. Esses acordos, assinados a pedido do governo dos EUA, s\u00e3o um pacto entre elites que servem aos interesses do governo Maduro, da oposi\u00e7\u00e3o apoiada pelo empresariado e do pr\u00f3prio governo estadunidense. Este \u00faltimo \u00e9 motivado pela conjuntura internacional cr\u00edtica para garantir o retorno da Venezuela ao mercado de petr\u00f3leo como fornecedora confi\u00e1vel de petr\u00f3leo bruto para os EUA, bem como para abrir a possibilidade de multinacionais petrol\u00edferas imperialistas cobrarem d\u00edvidas pendentes do governo venezuelano.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas s\u00e3o compelidas a isso pela crise econ\u00f4mica global, marcada pelo aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e dos combust\u00edveis, bem como pela infla\u00e7\u00e3o que assola as principais economias, alimentada pelo aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e dos alimentos. Tudo isso se desenrola em um contexto pol\u00edtico marcado pela invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia e pelos ataques do Estado nazista-sionista de Israel contra a Palestina na Faixa de Gaza, que exacerbam a crise econ\u00f4mica do capitalismo imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles cujos interesses n\u00e3o s\u00e3o contemplados, como seria de se esperar em um acordo entre elites exploradoras, s\u00e3o os trabalhadores e o povo humilde da Venezuela. Os acordos nada dizem sobre aumentos salariais e previdenci\u00e1rios que acompanhem o custo de vida, nada sobre o resgate de conven\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho por meio do cumprimento de suas estipula\u00e7\u00f5es e da renegocia\u00e7\u00e3o das expiradas, nada sobre a liberdade dos trabalhadores e ativistas presos por protestarem em defesa de seus direitos, nem sobre a liberdade dos presos pol\u00edticos em geral, nem uma palavra sobre a corrup\u00e7\u00e3o na PDVSA e a puni\u00e7\u00e3o daqueles que desviaram recursos da ind\u00fastria petrol\u00edfera, nem uma \u00fanica men\u00e7\u00e3o \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os b\u00e1sicos no pa\u00eds ou \u00e0 melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que n\u00f3s, da UST, afirmamos que, al\u00e9m da import\u00e2ncia de se alcan\u00e7ar garantias eleitorais democr\u00e1ticas, os trabalhadores e o povo humilde da Venezuela nada podem esperar em termos de seus interesses vitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, cabe ressaltar que esses acordos tamb\u00e9m n\u00e3o garantem condi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas para um poss\u00edvel processo eleitoral, pois somente a mobiliza\u00e7\u00e3o e a luta nas ruas podem arrancar garantias eleitorais de igualdade e transpar\u00eancia de uma ditadura habituada a violar as liberdades democr\u00e1ticas, e n\u00e3o acordos que se assemelham a uma declara\u00e7\u00e3o de boas inten\u00e7\u00f5es, em que uma ditadura como a de Maduro &#8220;concorda&#8221; em cumprir o que j\u00e1 \u00e9 legalmente obrigada a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, continuamos insistindo na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de independ\u00eancia de classe que una trabalhadores, setores populares e oprimidos para a mobiliza\u00e7\u00e3o e a luta por suas demandas econ\u00f4micas e sociais, bem como para a conquista de garantias eleitorais democr\u00e1ticas e at\u00e9 mesmo para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto baseado em dois artigos publicados no outono de 2023 no site litci.org. No domingo, 22 de outubro de 2023, foram realizadas elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias, convocadas pelos partidos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa venezuelana organizados na chamada Plataforma de Unidade Democr\u00e1tica (PUD), com o objetivo de escolher o candidato dessa coaliz\u00e3o pol\u00edtica pr\u00f3-mercado para um poss\u00edvel processo eleitoral [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":82200,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Leonardo Arantes \/ UST - Venezuela","footnotes":""},"categories":[4280],"tags":[9432,9459],"class_list":["post-82198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-correio-internacional","tag-ci28","tag-declaracoes-ust-venezuela"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/Captura-de-tela_9-2-2026_173749_es-us.noticias.yahoo_.com_.jpeg","categories_names":["Correio Internacional"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Leonardo Arantes \/ UST - Venezuela","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82198"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82201,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82198\/revisions\/82201"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}