{"id":82143,"date":"2026-02-05T18:24:44","date_gmt":"2026-02-05T18:24:44","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82143"},"modified":"2026-02-09T21:27:12","modified_gmt":"2026-02-09T21:27:12","slug":"a-pressao-imperialista-aumenta-a-subordin-acao-do-mexico-e-a-polarizacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2026\/02\/05\/a-pressao-imperialista-aumenta-a-subordin-acao-do-mexico-e-a-polarizacao-social\/","title":{"rendered":"A press\u00e3o imperialista aumenta a subordin a\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico e a polariza\u00e7\u00e3o social"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Sheinbaum e a subordina\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica de Trump<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O segundo mandato de Donald Trump reconfigurou de forma ainda mais agressiva a rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o imperialista entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico. Longe de inaugurar uma fase de confronto pela soberania nacional, o governo de Claudia Sheinbaum optou por uma pol\u00edtica de adapta\u00e7\u00e3o ativa \u00e0s demandas econ\u00f4micas, comerciais e geopol\u00edticas de Washington. Apesar da ret\u00f3rica \u201cem defesa da soberania\u201d, o governo Sheinbaum cede sistematicamente a essas press\u00f5es e as reproduz nos setores explorados da sociedade mexicana, aprofundando a integra\u00e7\u00e3o subordinada do pa\u00eds \u00e0 economia estadunidense, no \u00e2mbito da nova vers\u00e3o da Doutrina Monroe imposta por Trump.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos eixos centrais dessa rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o \u00e9 a pol\u00edtica comercial. Desde o in\u00edcio de seu novo mandato, Trump utilizou tarifas como instrumento de press\u00e3o direta. Em junho de 2025, Trump imp\u00f4s tarifas gerais sobre o M\u00e9xico de 25% sobre bens n\u00e3o inclu\u00eddos no USMCA (o acordo que substituiu o Tratado Norte-Americano de Livre Com\u00e9rcio (NAFTA) em 2020), 25% sobre autom\u00f3veis e at\u00e9 50% sobre a\u00e7o, alum\u00ednio e cobre. Essas medidas n\u00e3o se basearam apenas em crit\u00e9rios econ\u00f4micos, mas foram explicitamente vinculadas a demandas pol\u00edticas: controle da imigra\u00e7\u00e3o, endurecimento da \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d e alinhamento com a ofensiva dos EUA contra a China.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto dessas medidas na economia mexicana foi imediato. O Banco do M\u00e9xico revisou para baixo sua previs\u00e3o de crescimento para 2025, reduzindo-a de 0,6% para 0,3%, em um contexto de crescente risco de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (Banco do M\u00e9xico, 2025).<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Dado que a ind\u00fastria mexicana \u00e9 altamente dependente do mercado americano, as tarifas n\u00e3o afetam apenas as exporta\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m reconfiguram as cadeias produtivas, pressionam os sal\u00e1rios e transferem os custos da disputa comercial para a classe trabalhadora. O M\u00e9xico exporta aproximadamente 76% de seu a\u00e7o acabado para os Estados Unidos<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Em 2025, as exporta\u00e7\u00f5es do setor automotivo registraram uma queda de quase 6%, enquanto outros setores manufatureiros apresentaram crescimento anual de cerca de 17%, refletindo uma reorganiza\u00e7\u00e3o desigual da produ\u00e7\u00e3o com base nas necessidades do capital estadunidense<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Essa din\u00e2mica confirma que a estrat\u00e9gia de Washington n\u00e3o visa a uma ruptura com o M\u00e9xico, mas sim a uma integra\u00e7\u00e3o mais profunda e hier\u00e1rquica entre as duas economias.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, na realidade, \u00e9 muito mais profundo do que a pol\u00edtica comercial. Nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas, as cadeias de valor da produ\u00e7\u00e3o de ambos os pa\u00edses, que cruzam a fronteira EUA-M\u00e9xico diversas vezes antes que um produto chegue ao consumidor final, integraram-se com uma hierarquia n\u00edtida. Seu objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas reduzir custos para as empresas americanas, mas tamb\u00e9m fortalecer sua competitividade frente \u00e0 China, principal rival estrat\u00e9gico dos Estados Unidos. Agora, essa rede industrial est\u00e1 destinada a desempenhar um papel ainda mais importante diante da concorr\u00eancia da China, que n\u00e3o \u00e9 apenas um concorrente comercial, mas tamb\u00e9m tem capacidade para produzir em maior escala. O <em>Projeto 2025 e a Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional<\/em> de Trump ressalta a necessidade de realocar a produ\u00e7\u00e3o chinesa para o &#8220;hemisf\u00e9rio ocidental&#8221; e consolidar um bloco de produ\u00e7\u00e3o regional, sob a lideran\u00e7a dos EUA, capaz de rivalizar com o novo imperialismo asi\u00e1tico. Como veremos, toda a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo Sheinbaum, anunciada no &#8220;Plano M\u00e9xico&#8221; no in\u00edcio de 2025, nada mais \u00e9 do que o &#8220;corol\u00e1rio mexicano&#8221; do &#8220;corol\u00e1rio Trump&#8221; da Doutrina Monroe.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o M\u00e9xico ocupa uma posi\u00e7\u00e3o-chave como territ\u00f3rio para a realoca\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o (nearshoring) sob controle dos EUA. O Plano M\u00e9xico, apresentado pela presidente Claudia Sheinbaum em janeiro de 2025, tem como principal objetivo atrair investimentos nacionais e estrangeiros maci\u00e7os por meio de mais de 2.000 projetos registrados, elevar a rela\u00e7\u00e3o investimento\/PIB para mais de 25% at\u00e9 2026, al\u00e9m de gerar 1,5 milh\u00e3o de novos empregos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, at\u00e9 o momento, esse plano foi implementado apenas parcialmente e de forma desigual. Longe de constituir uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento soberana, sua implementa\u00e7\u00e3o responde principalmente \u00e0s necessidades de realoca\u00e7\u00e3o do capital estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2026, a GM M\u00e9xico, que possui quatro f\u00e1bricas no pa\u00eds, anunciou que investir\u00e1 US$ 1 bilh\u00e3o em 2026-2027 com foco na convers\u00e3o de f\u00e1bricas para a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Essa decis\u00e3o n\u00e3o reflete um compromisso estrutural com o desenvolvimento industrial mexicano, mas sim uma rea\u00e7\u00e3o defensiva frente \u00e0 crescente concorr\u00eancia dos fabricantes chineses no mercado nacional. A multinacional chinesa BYD, atualmente a maior produtora mundial de ve\u00edculos el\u00e9tricos, quase dobrou seu volume de vendas no M\u00e9xico em 2025 e representou aproximadamente 60-70% das vendas de ve\u00edculos h\u00edbridos no pa\u00eds.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Esse an\u00fancio foi seguido pelo da Pilgrim&#8217;s Pride, multinacional americana especializada na ind\u00fastria av\u00edcola, que anunciou um investimento de US$ 1,3 bilh\u00e3o entre 2026 e 2030 para modernizar suas f\u00e1bricas no M\u00e9xico.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o governo mexicano tenha indicado que a carteira de investimentos nacional atinge aproximadamente US$ 277 bilh\u00f5es, esse volume \u00e9 insuficiente para atingir a meta oficial de investimento de 25% do PIB at\u00e9 2026. Em 2025, o investimento representou cerca de 22% do PIB, uma queda em rela\u00e7\u00e3o aos 24,8% registrados em 2024, refletindo a persistente incerteza econ\u00f4mica tanto em n\u00edvel nacional quanto regional.<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desses n\u00fameros, a quest\u00e3o central \u00e9 que os investimentos promovidos pelo Plano M\u00e9xico respondem principalmente \u00e0s necessidades de relocaliza\u00e7\u00e3o do capitalismo estadunidense, o que constitui um proletariado recolonizado, em vez de um projeto orientado para as necessidades da popula\u00e7\u00e3o mexicana e para o progresso rumo \u00e0 soberania nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro lado do Plano M\u00e9xico \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de medidas comerciais alinhadas \u00e0 ofensiva dos EUA contra a China. Em particular, o governo mexicano anunciou a imposi\u00e7\u00e3o de tarifas sobre mais de 1.400 produtos da China e de outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, incluindo t\u00eaxteis e cal\u00e7ados.<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Essas medidas afetam diretamente a China, o segundo maior parceiro comercial do M\u00e9xico, com quem o com\u00e9rcio bilateral ultrapassou US$ 130 bilh\u00f5es em 2024 e representou aproximadamente 20% das importa\u00e7\u00f5es mexicanas.<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a> Longe de fortalecer uma pol\u00edtica industrial independente, essa abordagem confirma que o M\u00e9xico est\u00e1 sendo integrado como uma pe\u00e7a funcional na competi\u00e7\u00e3o interimperialista entre os Estados Unidos e a China, aprofundando seu status de economia dependente.<\/p>\n\n\n\n<p>O Acordo Estados Unidos-M\u00e9xico-Canad\u00e1 (USMCA), apresentado por sucessivos governos mexicanos como uma plataforma para estabilidade e seguran\u00e7a, funciona, na pr\u00e1tica, como um mecanismo de domina\u00e7\u00e3o que vincula a economia mexicana \u00e0s necessidades estrat\u00e9gicas do capital estadunidense. Longe de garantir uma rela\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica, o tratado consolida um padr\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o baseado em m\u00e3o de obra barata, regulamenta\u00e7\u00f5es trabalhistas flex\u00edveis e subordina\u00e7\u00e3o produtiva dentro de cadeias de valor dominadas pelos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora aproximadamente 85% das exporta\u00e7\u00f5es mexicanas para os Estados Unidos entrem atualmente sem tarifas alfandeg\u00e1rias sob o T-MEC, isso est\u00e1 longe de ser uma garantia estrutural. A constante amea\u00e7a de novas tarifas funciona como uma ferramenta de press\u00e3o pol\u00edtica, limitando a margem de manobra real do governo mexicano. O tratado inclui uma revis\u00e3o obrigat\u00f3ria em 2026, mas esse processo tornou-se sem sentido mesmo antes de come\u00e7ar. Em 13 de janeiro deste ano, durante uma coletiva de imprensa em uma f\u00e1brica da Ford em Detroit, ele reiterou sua posi\u00e7\u00e3o: &#8220;Nem estou pensando no T-MEC&#8221;. Em outras palavras, quero que o Canad\u00e1 e o M\u00e9xico se deem bem. Mas o problema \u00e9 que n\u00e3o precisamos dos produtos deles&#8230; N\u00e3o precisamos de carros fabricados no M\u00e9xico. \u201cQueremos fabric\u00e1-los aqui.\u201d<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse desprezo declarado, a resposta do governo de Claudia Sheinbaum \u00e9 reveladora. Em vez de denunciar o car\u00e1ter extorsivo das tarifas ou questionar a assimetria estrutural do tratado, o governo mexicano insiste em manter a fic\u00e7\u00e3o de uma negocia\u00e7\u00e3o entre iguais. Em outubro de 2025, o Secret\u00e1rio de Economia, Marcelo Ebrard, afirmou que as conversas preparat\u00f3rias para a revis\u00e3o do T-MEC estavam \u201ccerca de 90% conclu\u00eddas\u201d, ap\u00f3s mais de 80 reuni\u00f5es bilaterais, admitindo que n\u00e3o se tratavam de acordos definitivos e que o T-MEC seria renegociado em condi\u00e7\u00f5es ainda mais desfavor\u00e1veis.<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a> De forma semelhante, em resposta ao desabafo de Trump em janeiro deste ano, Sheinbaum respondeu, afirmando: \u201cEstou convencida, portanto, de que a rela\u00e7\u00e3o comercial com os Estados Unidos continuar\u00e1\u2026 As economias do M\u00e9xico, dos Estados Unidos e do Canad\u00e1 est\u00e3o altamente correlacionadas; aqueles que mais defendem o T-MEC s\u00e3o os empres\u00e1rios americanos.\u201d<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em nenhum momento o governo e os analistas burgueses que a apoiam se posicionaram em defesa de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica independente que permitisse ao pa\u00eds se reindustrializar para atender \u00e0s necessidades da classe trabalhadora e deter a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Longe de propor uma estrat\u00e9gia para romper com essa din\u00e2mica, o governo Sheinbaum chegou ao ponto de se apresentar como \u201co pa\u00eds mais bem posicionado\u201d diante da guerra comercial de Trump, isto \u00e9, como o parceiro mais disposto a ceder mais r\u00e1pida e profundamente \u00e0s exig\u00eancias de Washington.<\/p>\n\n\n\n<p>De uma perspectiva hist\u00f3rica, essa pol\u00edtica de submiss\u00e3o aos interesses do imperialismo estadunidense n\u00e3o \u00e9 nova no M\u00e9xico. Faz parte de uma longa tradi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o das burguesias latino-americanas\u2026 que tamb\u00e9m inclui governos progressistas, apesar de sua ret\u00f3rica peculiar, que demonstraram uma recorrente incapacidade de romper com esse padr\u00e3o. No caso mexicano, o governo atual reproduz esse esquema em uma forma mais sofisticada, por\u00e9m j\u00e1 familiar \u2014 a do cardenismo \u2014, combinando um discurso nacionalista e progressista superficial com uma pr\u00e1tica de integra\u00e7\u00e3o dependente; ou seja, administrando a subordina\u00e7\u00e3o em vez de mobilizar as for\u00e7as sociais do pa\u00eds para enfrent\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O M\u00e9xico se consolida como um gendarme do imperialismo estadunidense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A militariza\u00e7\u00e3o da fronteira entre o M\u00e9xico e os Estados Unidos constitui um dos eixos mais vis\u00edveis e persistentes da subordina\u00e7\u00e3o do Estado mexicano \u00e0 pol\u00edtica imperialista estadunidense. Durante o segundo mandato de Donald Trump, esse processo n\u00e3o apenas se aprofundou, como tamb\u00e9m adquiriu um car\u00e1ter qualitativamente novo. Desde os primeiros meses do novo governo americano, Trump retomou e radicalizou sua agenda anti-imigra\u00e7\u00e3o, apresentando a migra\u00e7\u00e3o como uma &#8220;invas\u00e3o&#8221; e um problema de seguran\u00e7a nacional. Isso serviu de justificativa para uma repress\u00e3o sem precedentes, combinando o envio direto de for\u00e7as armadas americanas para a fronteira norte com uma crescente terceiriza\u00e7\u00e3o do controle da imigra\u00e7\u00e3o para o territ\u00f3rio mexicano.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os primeiros meses do novo governo americano, Trump retomou e radicalizou sua agenda anti-imigra\u00e7\u00e3o. A migra\u00e7\u00e3o foi novamente apresentada como uma &#8220;invas\u00e3o&#8221; e um problema de seguran\u00e7a nacional, justificando medidas excepcionais para reprimir brutalmente imigrantes dentro e fora do pa\u00eds por meio de batidas de patrulhas do ICE operando com total impunidade, assassinando, amea\u00e7ando e detendo imigrantes e cidad\u00e3os sem qualquer respeito pela lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Um elemento central desta ofensiva foi a cria\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio de 2025, de novas zonas militares ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos, oficialmente denominadas \u201c\u00c1reas de Defesa Nacional\u201d, que abrangem aproximadamente 400 quil\u00f4metros e est\u00e3o sob o controle direto do Pent\u00e1gono.<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a> Essas zonas \u2014 localizadas no Arizona, Texas, Novo M\u00e9xico e El Paso \u2014 permitem que as For\u00e7as Armadas dos EUA detenham migrantes sem recorrer a leis especiais, como a Lei de Insurrei\u00e7\u00e3o de 1807, normalizando assim a interven\u00e7\u00e3o militar em tarefas de controle civil. Estima-se que atualmente haja mais de 9.000 soldados americanos mobilizados na fronteira: 4.200 sob comando federal e cerca de 5.000 soldados da Guarda Nacional sob o controle dos governadores.<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a> Esse contingente \u00e9 complementado por mais de 100 ve\u00edculos blindados Stryker, drones de vigil\u00e2ncia, avi\u00f5es espi\u00f5es e pelo menos dois navios da Marinha mobilizados para monitoramento costeiro.<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Este processo n\u00e3o pode ser compreendido isoladamente do papel desempenhado pelo Estado mexicano. Enquanto os Estados Unidos refor\u00e7am sua fronteira com uma abordagem abertamente militarista, o M\u00e9xico assume o papel complementar de conten\u00e7\u00e3o tanto ao sul quanto ao norte de seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2025, o governo de Claudia Sheinbaum concordou em enviar 10.000 novos soldados da Guarda Nacional para os estados fronteiri\u00e7os, como parte de um acordo com o governo Trump que permitiu a suspens\u00e3o, por um m\u00eas, das tarifas de 25% sobre as exporta\u00e7\u00f5es mexicanas. Esse refor\u00e7o foi adicionado a um contingente anterior que j\u00e1 ultrapassava 50.000 soldados em estados como Tamaulipas, Chihuahua, Baja California, Sonora, Coahuila e Nuevo Le\u00f3n, elevando o n\u00famero total de for\u00e7as envolvidas no controle migrat\u00f3rio e na seguran\u00e7a da fronteira para aproximadamente 60.000.<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A justificativa por tr\u00e1s desse envio n\u00e3o \u00e9 amb\u00edgua. Embora o discurso oficial insista que se trata de combater o narcotr\u00e1fico e garantir a seguran\u00e7a, os pr\u00f3prios comunicados do governo reconhecem que o objetivo principal \u00e9 conter o fluxo migrat\u00f3rio. Na pr\u00e1tica, o M\u00e9xico atua como a primeira linha de defesa contra a pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o dos EUA, detendo, dispersando e deportando pessoas antes que elas cheguem \u00e0 fronteira norte. Esse papel de policial regional n\u00e3o \u00e9 novo \u2014 j\u00e1 estava consolidado durante o governo de Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador \u2014, mas, sob Sheinbaum, ele \u00e9 mantido e intensificado como moeda de troca em negocia\u00e7\u00f5es comerciais e diplom\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A militariza\u00e7\u00e3o da fronteira tamb\u00e9m inclui uma rede tecnol\u00f3gica e empresarial cada vez mais sofisticada. Empresas israelenses especializadas em tecnologia militar e de vigil\u00e2ncia, como a Elbit Systems, participam da instala\u00e7\u00e3o de sistemas de monitoramento e muros. Dispositivos de vigil\u00e2ncia e controle \u201cinteligentes\u201d s\u00e3o implantados tanto no lado americano quanto no mexicano.<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a> Essas tecnologias, desenvolvidas e testadas em contextos de ocupa\u00e7\u00e3o e controle populacional na Palestina, transformam a fronteira em um laborat\u00f3rio para a guerra contra migrantes, refor\u00e7ando uma l\u00f3gica de apartheid migrat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A militariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas criminaliza os migrantes, mas tamb\u00e9m normaliza a presen\u00e7a militar em tarefas de controle populacional, servindo para dividir e aumentar a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora como um todo. Pessoas que fogem da pobreza, da viol\u00eancia ou do desemprego \u2014 fen\u00f4menos em grande parte produzidos pelas pr\u00f3prias pol\u00edticas econ\u00f4micas e geopol\u00edticas dos Estados Unidos na regi\u00e3o \u2014 s\u00e3o tratadas como amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a. Enquanto isso, o capital flui pelas fronteiras sem controle e as causas estruturais da migra\u00e7\u00e3o permanecem intocadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cGuerra \u00e0s Drogas\u201d: Pretexto Imperialista, Militariza\u00e7\u00e3o e Barb\u00e1rie Social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chamada \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d constitui um dos pilares hist\u00f3ricos da interven\u00e7\u00e3o imperialista dos EUA no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Latina. Longe de ser uma pol\u00edtica voltada para a solu\u00e7\u00e3o de um problema de sa\u00fade p\u00fablica ou para a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, ela funcionou como um mecanismo de controle territorial, militariza\u00e7\u00e3o e controle social.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o segundo mandato de Donald Trump, essa estrat\u00e9gia ganhou uma nova radicaliza\u00e7\u00e3o com o objetivo de recuperar algum controle sobre os cart\u00e9is. O governo de Claudia Sheinbaum, apesar da ret\u00f3rica cr\u00edtica, optou por aprofundar a coopera\u00e7\u00e3o com Washington, reproduzindo os efeitos destrutivos dessa pol\u00edtica sobre a classe trabalhadora e os setores populares.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo dos EUA colocou novamente o narcotr\u00e1fico no centro de sua agenda regional, utilizando uma ret\u00f3rica belicosa que combina um falso discurso de \u201cseguran\u00e7a nacional\u201d, racismo e amea\u00e7as expl\u00edcitas de interven\u00e7\u00e3o militar. Entre as propostas mais significativas est\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de declarar os chamados \u201ccart\u00e9is\u201d como organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras, medida que permitiria legalmente opera\u00e7\u00f5es extraterritoriais, san\u00e7\u00f5es financeiras ampliadas e a\u00e7\u00e3o militar direta.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso mexicano, essa amea\u00e7a foi agravada pelas declara\u00e7\u00f5es abertas de Trump sobre a possibilidade de ataques terrestres contra supostas instala\u00e7\u00f5es de cart\u00e9is em territ\u00f3rio nacional, uma flagrante viola\u00e7\u00e3o da soberania do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante considerar que o M\u00e9xico possui uma esp\u00e9cie de &#8220;narcoestado&#8221;, no sentido de que setores da burguesia mexicana, devido ao corporativismo e ao clientelismo herdados do regime do PRI, t\u00eam participa\u00e7\u00e3o indireta nos lucros do narcotr\u00e1fico e de outras atividades ilegais (como roubo de combust\u00edvel, lavagem de dinheiro e tr\u00e1fico de pessoas) por meio de extors\u00e3o.<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A resposta do governo de Claudia Sheinbaum a essa ofensiva tem sido amb\u00edgua em sua ret\u00f3rica, mas clara em suas a\u00e7\u00f5es. Embora defenda que o problema das drogas deva ser tratado como uma quest\u00e3o social e de sa\u00fade p\u00fablica, seu governo intensificou a coopera\u00e7\u00e3o exigida por Washington.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo n\u00edtido dessa subordina\u00e7\u00e3o \u00e9 o aumento das extradi\u00e7\u00f5es de supostos l\u00edderes do crime organizado para os Estados Unidos. No \u00faltimo per\u00edodo, pelo menos 29 pessoas foram entregues a tribunais dos EUA, muitas delas figuras de alto perfil.<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a> Essas extradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentadas como gestos de coopera\u00e7\u00e3o, mas, na pr\u00e1tica, refor\u00e7am a subordina\u00e7\u00e3o judicial e pol\u00edtica do M\u00e9xico, transferindo efetivamente a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a para os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o emprego de for\u00e7as federais em opera\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a interna aumentou. Isso ocorre porque os cart\u00e9is mexicanos sofreram perdas em seus confrontos com as For\u00e7as Armadas e foram for\u00e7ados a recrutar e treinar jovens. Segundo um relat\u00f3rio, estima-se que haja entre 20.000 e 30.000 menores atuando como pistoleiros.<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a> A ofensiva contra o Cartel de Sinaloa, liderada pelo Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a Omar Garc\u00eda Harfuch, envolveu o emprego de centenas de soldados e for\u00e7as federais.<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a> Longe de reduzir a viol\u00eancia, essas a\u00e7\u00f5es tendem a provocar disputas internas entre fac\u00e7\u00f5es criminosas, gerando picos de confrontos armados e um aumento nas mortes de civis. A captura e subsequente extradi\u00e7\u00e3o de Ismael \u201cEl Mayo\u201d Zambada s\u00e3o ilustrativas nesse sentido, pois desencadearam uma escalada de viol\u00eancia em cidades como Culiac\u00e1n.<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias sociais dessa estrat\u00e9gia s\u00e3o devastadoras. O M\u00e9xico tem atualmente mais de 125.000 pessoas desaparecidas e cerca de 2.700 valas comuns foram documentadas em todo o pa\u00eds.<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a> A descoberta de um campo de exterm\u00ednio no estado de Jalisco, com mais de 500 corpos e cremat\u00f3rios subterr\u00e2neos, evidencia a extens\u00e3o da barb\u00e1rie social associada \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o e \u00e0 economia criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa viol\u00eancia demonstra um n\u00edtido vi\u00e9s de classe: os setores mais pobres, os jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, as comunidades ind\u00edgenas e as mulheres s\u00e3o os que mais sofrem com o terror, enquanto grandes setores da burguesia se beneficiam direta ou indiretamente dessa economia criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um elemento sistematicamente ocultado pela narrativa oficial \u00e9 o papel do pr\u00f3prio imperialismo estadunidense na perpetua\u00e7\u00e3o do narcotr\u00e1fico. Os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o apenas o principal mercado consumidor de drogas, mas tamb\u00e9m um ator fundamental no fornecimento de armas e na lavagem de dinheiro associada a essas redes. Na \u00faltima d\u00e9cada, 74% das armas ilegais apreendidas no M\u00e9xico vieram de estados estadunidenses como Texas, Arizona e Fl\u00f3rida.<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a cumplicidade de ag\u00eancias estadunidenses n\u00e3o \u00e9 segredo. H\u00e1 evid\u00eancias documentadas de colabora\u00e7\u00e3o entre ag\u00eancias estadunidenses e organiza\u00e7\u00f5es de narcotr\u00e1fico, como ocorreu na d\u00e9cada de 1980 com o financiamento dos Contras nicaraguenses por meio do tr\u00e1fico de drogas, bem como em casos mais recentes envolvendo agentes da DEA e do FBI.<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d n\u00e3o \u00e9 uma cruzada moral ou uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a eficaz, mas sim um instrumento seletivo que criminaliza setores populares, preservando os interesses estrat\u00e9gicos do imperialismo e das elites locais. A guerra \u00e0s drogas justificou a militariza\u00e7\u00e3o do Estado mexicano desde 2006, sob o governo Calder\u00f3n, e foi financiada pelos EUA. Governos subsequentes, inclusive os de vi\u00e9s progressista, n\u00e3o romperam com essa l\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os Limites da Quarta Transforma\u00e7\u00e3o (4T)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade mexicana acumulou enormes desigualdades econ\u00f4micas e injusti\u00e7as sociais ao longo de muitas d\u00e9cadas. Ao longo de nossa hist\u00f3ria, houve levantes enormes, revolu\u00e7\u00f5es e resist\u00eancia permanente. A onda mais recente remonta a 2014: os povos do Mexico enfrentaram mais uma vez essa injusti\u00e7a. O estopim foi, sem d\u00favida, o crime de Estado contra os 43 estudantes de Ayotzinapa. A imensa onda de indigna\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00f5es produziu uma mudan\u00e7a radical na situa\u00e7\u00e3o. Essas a\u00e7\u00f5es foram seguidas pela greve dos professores contra a &#8220;reforma educacional&#8221; neoliberal em 2016 e, nesse contexto, pelo massacre de Nochixtl\u00e1n. O \u00e1pice desse processo foi a revolta massiva contra o &#8220;Gasolinazo&#8221; (aumento do pre\u00e7o da gasolina) de 2017, quando centenas de assembleias populares e rebeli\u00f5es locais foram criadas, e centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas em todo o M\u00e9xico gritando &#8220;Fora Pe\u00f1a!&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;mafia do poder&#8221;, a &#8220;minoria voraz&#8221;, entrou em p\u00e2nico e decidiu &#8220;tirar alguns an\u00e9is para n\u00e3o perder os dedos&#8221;. E foi assim que se voltaram para L\u00f3pez Obrador como a personifica\u00e7\u00e3o da &#8220;esperan\u00e7a do M\u00e9xico&#8221;. Convenientemente, esqueceram que, anos antes, o pr\u00f3prio AMLO os havia estigmatizado como um &#8220;perigo para o M\u00e9xico&#8221;. E, para que n\u00e3o restassem d\u00favidas, AMLO explicou aos principais banqueiros do M\u00e9xico, reunidos no suntuoso Hotel Prince, em Acapulco, que se n\u00e3o fosse ele, \u201cQuem domaria o tigre?\u201d&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, seis anos depois e no \u201cSegundo Andar\u201d da \u201cQuarta Transforma\u00e7\u00e3o\u201d, os programas sociais paliativos para os setores mais pobres \u2014 recebidos com al\u00edvio e b\u00ean\u00e7\u00e3os no in\u00edcio do governo anterior \u2014 j\u00e1 n\u00e3o conseguem compensar as dificuldades de outros amplos setores de trabalhadores e explorados que, com longas jornadas de trabalho, geram enorme riqueza e, ainda assim, permanecem presos \u00e0 precariedade. Bolsas de estudo e outras formas de aux\u00edlio n\u00e3o resolveram a falta de oportunidades para grande parte da juventude: aqueles com empregos informais, inseguran\u00e7a no trabalho ou contratos explorat\u00f3rios que violam as leis trabalhistas e todos os direitos trabalhistas, sem previd\u00eancia social ou benef\u00edcios, trabalhando longas horas sem respeito a intervalos ou per\u00edodos de descanso, sem acesso \u00e0 moradia pr\u00f3pria e lutando para pagar o aluguel devido aos baixos sal\u00e1rios. E h\u00e1 tamb\u00e9m a frustra\u00e7\u00e3o daqueles que, com grande sacrif\u00edcio de suas fam\u00edlias, conclu\u00edram seus estudos e n\u00e3o conseguem encontrar trabalho sequer remotamente relacionado \u00e0 sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o, apenas \u201cbicos\u201d prec\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>As expectativas de melhoria geradas pelo governo AMLO come\u00e7am a se transformar em decep\u00e7\u00e3o, incerteza e desconfian\u00e7a. A \u201cesperan\u00e7a\u201d popular est\u00e1 se transformando em ang\u00fastia e apatia, e come\u00e7a a ceder lugar ao cansa\u00e7o. Essa decep\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o levou a uma a\u00e7\u00e3o em massa por parte dos explorados devido ao freio brutal da lideran\u00e7a sindical burocr\u00e1tica, leal ao governo atual, e tamb\u00e9m porque as massas desconfiam dessa direita reacion\u00e1ria que agora \u00e9 uma \u201craivosa oposi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que isso acontece? Porque as mudan\u00e7as foram superficiais, mas n\u00e3o de fundo. O presidente e o partido no poder mudaram, mas o regime, que continua a servir os oligarcas, n\u00e3o mudou. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, in\u00fameras figuras odiadas dos partidos PRI e PAN abandonaram o barco como oportunistas pol\u00edticos para o partido governista Morena. Apesar do slogan &#8220;Para o bem de todos, os pobres v\u00eam em primeiro lugar&#8221;, foram os magnatas ricos que primeiro dobraram suas fortunas.<\/p>\n\n\n\n<p>A subordina\u00e7\u00e3o semicolonial do pa\u00eds tamb\u00e9m n\u00e3o mudou. A d\u00edvida externa cresceu para quase metade (49,9%) do Produto Interno Bruto. O jugo do NAFTA, assinado em 1992, provou ser um instrumento para saquear a riqueza do pa\u00eds e arruinar o campesinato, e isso foi refor\u00e7ado com a assinatura do T-MEC em 2018. Al\u00e9m disso, a interfer\u00eancia da DEA e do pr\u00f3prio Trump continua a crescer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua suposta &#8220;guerra \u00e0s drogas&#8221;. E ao magnata imperialista decadente n\u00e3o lhe falta desculpas quando a coniv\u00eancia entre o crime organizado e muitos governadores, prefeitos, deputados e senadores \u00e9 exposta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A manipula\u00e7\u00e3o da TV Azteca, de Trump e do PAN<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 aconteceu antes em outros pa\u00edses do continente: Argentina, Brasil, Venezuela, Equador\u2026 Diante do fracasso de governos que se autodenominam \u201cprogressistas\u201d ou mesmo \u201cde esquerda\u201d, aqui tamb\u00e9m os antigos setores pol\u00edticos reacion\u00e1rios que governaram o M\u00e9xico por mais de 80 anos sentem que \u201cchegou a hora da vingan\u00e7a\u201d. E alguns desses mesmos oligarcas est\u00e3o agora usando seus poderosos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o para manipular o justificado descontentamento popular e as manifesta\u00e7\u00f5es de raiva de amplos setores das classes m\u00e9dias rurais e urbanas. Eles manipulam, tentando canaliz\u00e1-lo de uma forma t\u00e3o ultrarreacion\u00e1ria quanto seus pr\u00f3prios interesses capitalistas, que na realidade se op\u00f5em aos interesses da maioria dos manifestantes, mesmo que estes n\u00e3o tenham consci\u00eancia disso.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos perder espa\u00e7o neste artigo descrevendo os motivos da ira de Ricardo Salinas Pliego, o usur\u00e1rio dono do Banco Azteca e da rede varejista Electra, que se recusa a pagar quase US$ 3 bilh\u00f5es em impostos atrasados. Salinas Pliego foi um dos apoiadores da campanha presidencial de AMLO, e seu banco recebeu tratamento preferencial durante o governo anterior. Agora, em vez de pagar suas d\u00edvidas ao Estado, prefere gastar milh\u00f5es em manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica da oposi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o nos deteremos muito nas &#8220;provas&#8221; apresentadas por Luisa Mar\u00eda Alcalde, presidente do Morena, a respeito do contrato que o partido PAN firmou com um jovem da Gera\u00e7\u00e3o Z, um dos organizadores da marcha de 15 de novembro&#8230; Al\u00e9m disso, n\u00e3o consideramos produtivo aprofundar a teia de tantas outras arma\u00e7\u00f5es e provoca\u00e7\u00f5es, pois fazem parte da &#8220;guerra suja&#8221; entre os pr\u00f3prios partidos do regime corrupto, que servem aos oligarcas capitalistas e de forma alguma aos pobres. Repudiamos essa luta interna entre exploradores que usam os explorados. Para n\u00f3s, a verdadeira luta n\u00e3o \u00e9 entre as letras 4T e Z. \u00c9 a luta dos explorados e oprimidos contra todos os exploradores e opressores!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As leg\u00edtimas lutas de diversos setores sociais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apoiamos integralmente as a\u00e7\u00f5es diretas de setores como a greve e a ocupa\u00e7\u00e3o dos professores da CNTE devido \u00e0 falta de resposta \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es \u2014 apoiadas pela maioria dos trabalhadores em diferentes setores \u2014, a revoga\u00e7\u00e3o da lei neoliberal ISSTE de 2007, bem como a reivindica\u00e7\u00e3o por um sistema de previd\u00eancia solid\u00e1rio e por um or\u00e7amento maior para Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e Previd\u00eancia Social. Os bloqueios realizados por milhares de agricultores em diversos estados, prejudicados pelo T-MEC e fartos dos cart\u00e9is parasit\u00e1rios que lhes imp\u00f5em &#8220;impostos criminosos&#8221;, est\u00e3o tendo um grande impacto econ\u00f4mico e social no M\u00e9xico. As organiza\u00e7\u00f5es que os representam convocaram um novo bloqueio de rodovias e uma a\u00e7\u00e3o conjunta com os transportadores de carga. Eles lutam contra grandes intermedi\u00e1rios como a Maseca e outras corpora\u00e7\u00f5es, exigindo um pre\u00e7o m\u00ednimo garantido para o milho, cujo pre\u00e7o \u00e9 fixado na Bolsa Mercantil de Chicago e subsidiado nos EUA. Na Cidade do M\u00e9xico, tamb\u00e9m houve uma luta contra a gentrifica\u00e7\u00e3o e os despejos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, cresce a indigna\u00e7\u00e3o entre as centenas de milhares de moradores afetados pelas enchentes em Veracruz e outros estados, devido \u00e0 neglig\u00eancia dos governos em todos os n\u00edveis e \u00e0 incerteza enfrentada pelos trabalhadores da Pemex em Poza Rica, j\u00e1 que a usina est\u00e1 paralisada pela destrui\u00e7\u00e3o causada pelas inunda\u00e7\u00f5es. O M\u00e9xico ocupa o 4\u00ba lugar no ranking de assassinatos de defensores ou ativistas ambientais e sociais, e \u00e9 por isso que o movimento contra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais \u00e9 fundamental.<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a> Ayotzinapa, por exemplo, reviveu a mem\u00f3ria das lutas estudantis e da juventude oper\u00e1ria (embora em menor escala), ao resgatar a tradi\u00e7\u00e3o das lutas das d\u00e9cadas de 1960 (1968, 1971) e 1990. No contexto de colapso ambiental se destaca a luta dos trabalhadores da \u00e1rea de tecnologia h\u00eddrica da SITIMTA que resistem em defesa do direito humano \u00e0 \u00e1gua contra planos de privatiza\u00e7\u00e3o que beneficiam corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, como empresas de refrigerantes e cerveja, al\u00e9m de grandes propriet\u00e1rios de terras, e contra a crescente contamina\u00e7\u00e3o dos aqu\u00edferos pela Pemex e outras empresas extrativistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto de crescentes tens\u00f5es, o estopim que inflamou as massas de Michoac\u00e1n foi o assassinato a sangue frio de Carlos Manzo, prefeito de Uruapan, que estava em conflito tanto com os cart\u00e9is quanto com o governador de Michoac\u00e1n, Alfredo Ram\u00edrez Bedoya, do partido Morena. Esse prefeito, que ascendeu na hierarquia do Morena, onde atuou como deputado federal, rompeu com o partido, candidatou-se como independente, venceu e estava prestes a concorrer ao governo do estado. Como se n\u00e3o bastassem os motivos para indigna\u00e7\u00e3o, esc\u00e2ndalos envolvendo conluio com cart\u00e9is de drogas por parte de figuras proeminentes do Morena, como o senador Ad\u00e1n Augusto \u2014 aliado pr\u00f3ximo de AMLO \u2014 e outros oficiais de alta patente da Marinha, parentes do ex-secret\u00e1rio da Marinha, implicados em sonega\u00e7\u00e3o fiscal e de hidrocarbonetos, vieram \u00e0 tona.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo n\u00e3o atendeu a nenhuma dessas demandas, mas cede \u00e0s exig\u00eancias do imperialismo e dos oligarcas locais, que imp\u00f5em planos para aprofundar a explora\u00e7\u00e3o e a pilhagem do pa\u00eds. Todas essas defici\u00eancias e queixas est\u00e3o mudando o cen\u00e1rio pol\u00edtico do pa\u00eds. N\u00e3o pretendemos emitir aqui uma opini\u00e3o definitiva sobre um processo inacabado e, al\u00e9m disso, incipiente. Mas uma coisa \u00e9 certa: o &#8220;Segundo Andar da Quarta Transforma\u00e7\u00e3o&#8221; est\u00e1 mostrando rachaduras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para conseguir a verdadeira soberania, precisamos alcan\u00e7ar a independ\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise da rela\u00e7\u00e3o entre o M\u00e9xico e os Estados Unidos durante o segundo mandato de Donald Trump, bem como a resposta do governo Sheinbaum, leva a uma conclus\u00e3o central: n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda progressista dentro da estrutura de subordina\u00e7\u00e3o imperialista, nem atrav\u00e9s da gest\u00e3o \u201crealista\u201d da depend\u00eancia. Nem a diplomacia cautelosa, nem a coopera\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a, nem a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra comercial dos EUA oferecem uma defesa eficaz da soberania ou uma melhoria substancial nas condi\u00e7\u00f5es de vida das maiorias.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo Sheinbaum combina declara\u00e7\u00f5es formais contra a interfer\u00eancia com uma pr\u00e1tica sistem\u00e1tica de concess\u00f5es: aprofundamento do T-MEC, alinhamento com a pol\u00edtica comercial de Trump, militariza\u00e7\u00e3o das fronteiras, coopera\u00e7\u00e3o em intelig\u00eancia e extradi\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da \u201cguerra contra as drogas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa contradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acidental, mas estrutural. O progressismo governa economias dependentes, integradas de forma subordinada ao mercado global, e busca conciliar interesses incompat\u00edveis: por um lado, conter o descontentamento social; por outro, garantir a estabilidade necess\u00e1ria para a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e o cumprimento dos compromissos com as pot\u00eancias imperialistas. O resultado \u00e9 uma pol\u00edtica de gest\u00e3o de conflitos, n\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o, que deixa intactos os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ofensiva imperialista liderada por Trump \u2014 expressa em amea\u00e7as de interven\u00e7\u00e3o militar, chantagem tarif\u00e1ria, criminaliza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da militariza\u00e7\u00e3o \u2014 evidencia a impot\u00eancia dessa estrat\u00e9gia. Diante de um imperialismo que age abertamente por meio da coer\u00e7\u00e3o, a diplomacia sem apoio social se mostra insuficiente. Declara\u00e7\u00f5es de princ\u00edpios, apelos ao direito internacional ou \u00e0 \u201ccomunidade internacional\u201d n\u00e3o impediram a interven\u00e7\u00e3o na Venezuela, o genoc\u00eddio em Gaza, a militariza\u00e7\u00e3o da fronteira ou as amea\u00e7as diretas contra o M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica maneira de alcan\u00e7ar justi\u00e7a social e independ\u00eancia nacional, e de evitar recair em falsas alternativas ou sermos usados \u200b\u200bcomo pe\u00f5es involunt\u00e1rios em lutas de poder entre a elite rica, \u00e9 construir uma alternativa pol\u00edtica independente para os trabalhadores, uma que lidere as lutas de todos os explorados e aspire n\u00e3o apenas a exigir uma parte da riqueza que produzimos do governo dos patr\u00f5es, mas tamb\u00e9m a estabelecer um governo oper\u00e1rio, campon\u00eas e popular. Construir uma alternativa oper\u00e1ria implica, antes de tudo, romper com a passividade para a qual as burocracias sindicais contribuem. Portanto, diante da militariza\u00e7\u00e3o e do avan\u00e7o imperialista, \u00e9 necess\u00e1rio que as centrais sindicais, os sindicatos combativos, o movimento estudantil e as organiza\u00e7\u00f5es populares assumam um papel ativo. N\u00e3o se trata apenas de fazer pronunciamentos, mas de mobilizar, organizar paralisa\u00e7\u00f5es, greves e a\u00e7\u00f5es coordenadas, e criar espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o com democracia oper\u00e1ria e independ\u00eancia de classe que confrontem tanto as amea\u00e7as externas quanto as pol\u00edticas internas que as permitem.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das lutas de nossa classe, devemos formular uma alternativa pol\u00edtica independente, um programa para a verdadeira independ\u00eancia mexicana exige um programa de soberania nacional e a\u00e7\u00e3o emergencial contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que desafie fundamentalmente os pilares da pol\u00edtica imperialista estadunidense (a guerra \u00e0s drogas, a criminaliza\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o e a militariza\u00e7\u00e3o da vida social), sem gerar expectativas entre imperialismos rivais como o chin\u00eas. Isso implica propor medidas atualmente exclu\u00eddas do debate oficial, como a desmilitariza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a retirada do Ex\u00e9rcito das fun\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a interna, a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas para desmantelar o crime organizado e o redirecionamento dos gastos militares para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia e emprego. N\u00f3s, membros da Corrente Socialista dos trabalhadores, estamos comprometidos com essa tarefa; convidamos voc\u00ea a contribuir com esse esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Banco de M\u00e9xico. (2025). Informe trimestral, primer trimestre de 2025. https:\/\/www.banxico.org.mx<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> United States International Trade Commission. (2024). Steel trade data. https:\/\/www.usitc.gov<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Geograf\u00eda. (2025). Exportaciones por sector. https:\/\/www.inegi.org.mx<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Reuters. (2026a). GM announces $1 billion EV investment in Mexico. https:\/\/www.reuters.com<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> https:\/\/www.elfinanciero.com.mx\/empresas\/2026\/01\/21\/byd-inunda-mercado-mexicano-pese-a-aranceles-de-mexico-a-china-vende-7-de-cada-10-autos-electricos\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Reuters. (2026b). Pilgrim\u2019s Pride to invest $1.3 billion in Mexico. https:\/\/www.reuters.com<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Geograf\u00eda. (2025). Cuentas nacionales trimestrales. https:\/\/www.inegi.org.mx<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Secretar\u00eda de Econom\u00eda. (2025). Medidas arancelarias a importaciones asi\u00e1ticas. https:\/\/www.gob.mx\/se<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Instituto Nacional de Estad\u00edstica y Geograf\u00eda. (2024). Balanza comercial por pa\u00eds. https:\/\/www.inegi.org.mx<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> https:\/\/www.prensalibre.com\/internacional\/que-pasara-con-el-t-mec-luego-de-que-trump-dijera-que-no-necesita-productos-de-mexico-y-canada\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/diario.mx\/nacional\/2025\/oct\/21\/ebrard-reporta-avance-del-90-en-las-conversaciones-con-eu-y-canada-previo-al-proceso-de-revision-del-tratado-1090363.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.prensalibre.com\/internacional\/que-pasara-con-el-t-mec-luego-de-que-trump-dijera-que-no-necesita-productos-de-mexico-y-canada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.prensalibre.com\/internacional\/que-pasara-con-el-t-mec-luego-de-que-trump-dijera-que-no-necesita-productos-de-mexico-y-canada\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> The New York Times. (2025). Pentagon expands military zones along the U.S.\u2013Mexico border. <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com<\/a>; Department of Defense. (2025a). Establishment of National Defense Areas along the southern border. <a href=\"https:\/\/www.defense.gov\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.defense.gov<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> https:\/\/www.vozdeamerica.com\/a\/eeuu-enviar-alrededor-3000-soldados-adicionales-frontera-mexico-\/7993809.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/articles\/clyv841dl80o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/articles\/clyv841dl80o<\/a>, Reuters. (2025a). U.S. military expands border deployment under Trump. https:\/\/www.reuters.com<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> Secretar\u00eda de la Defensa Nacional. (2025). Informe sobre despliegue de fuerzas federales. https:\/\/www.gob.mx\/sedena<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Reuters. (2025b). Israeli defense firms supply border surveillance technology. https:\/\/www.reuters.com<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> Jos\u00e9 Luis Sol\u00eds Gonz\u00e1lez, \u201cNeoliberalismo y crimen organizado en M\u00e9xico: El surgimiento del&nbsp;Estado narco,\u201d <em>Frontera norte<\/em>&nbsp;vol.25&nbsp;no.50&nbsp;M\u00e9xico&nbsp;jul.\/dic.&nbsp;2013<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> Department of Justice. (2025). Extradition statistics. https:\/\/www.justice.gov<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> https:\/\/www.infobae.com\/mexico\/2026\/01\/01\/guerra-entre-chapos-y-mayos-provocaria-aumento-del-reclutamiento-de-menores-por-los-carteles-alerta-exagente-de-la-dea\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Reuters. (2025a). Mexico ramps up security operations under U.S. pressure. https:\/\/www.reuters.com<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> Reuters. (2025b). Violence surges after Zambada extradition. https:\/\/www.reuters.com<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> Registro Nacional de Personas Desaparecidas y No Localizadas. (2025). Datos estad\u00edsticos. https:\/\/www.gob.mx\/segob<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives. (2023). Firearms trafficking report. https:\/\/www.atf.gov<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> Department of Justice. (2023). Organized crime and corruption cases. https:\/\/www.justice.gov<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> https:\/\/www.jornada.com.mx\/2025\/04\/25\/politica\/009n1pol<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sheinbaum e a subordina\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica de Trump O segundo mandato de Donald Trump reconfigurou de forma ainda mais agressiva a rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o imperialista entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico. 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