{"id":82016,"date":"2025-12-27T15:38:10","date_gmt":"2025-12-27T15:38:10","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=82016"},"modified":"2026-01-03T19:00:56","modified_gmt":"2026-01-03T19:00:56","slug":"o-regime-de-putin-e-a-consolidacao-de-um-novo-estado-imperialista-na-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/12\/27\/o-regime-de-putin-e-a-consolidacao-de-um-novo-estado-imperialista-na-russia\/","title":{"rendered":"O Regime de Putin e a consolida\u00e7\u00e3o de um novo Estado imperialista na R\u00fassia"},"content":{"rendered":"\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia \u00e9 um Estado imperialista resultante de um desenvolvimento industrial desigual. O capital monopolista russo depende desproporcionalmente de seu aparato militar para exercer dom\u00ednio em certas regi\u00f5es e \u00e1reas al\u00e9m de suas fronteiras. Hoje, carece da capacidade de desafiar a hegemonia dos EUA em escala global. A economia da Federa\u00e7\u00e3o Russa foi constru\u00edda sobre os alicerces do Estado oper\u00e1rio sovi\u00e9tico, primeiro degenerado por d\u00e9cadas de stalinismo burocr\u00e1tico e, em seguida, rapidamente privatizado na d\u00e9cada de 1990, ap\u00f3s o colapso da URSS. A d\u00e9cada de 1990 foi economicamente ca\u00f3tica para a R\u00fassia e marcou um r\u00e1pido decl\u00ednio no padr\u00e3o de vida do proletariado russo. No entanto, o investimento ocidental na economia russa n\u00e3o levou \u00e0 sua completa subordina\u00e7\u00e3o, visto que, no in\u00edcio dos anos 2000, os capitalistas que conspiravam com Yeltsin foram substitu\u00eddos por oligarcas do c\u00edrculo de intelig\u00eancia de Putin. Esses \u00faltimos indiv\u00edduos integraram-se ent\u00e3o a uma burguesia estreitamente ligada ao Estado, que foi recompensada com financiamento de bancos p\u00fablicos e contratos p\u00fablicos, bem como com prote\u00e7\u00e3o estatal direta. As sangrentas guerras na Chech\u00eania e no C\u00e1ucaso permitiram a consolida\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico de Putin. Sob seu controle, o Estado russo passou a promover ativamente a concentra\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o do capital monopolista russo, principalmente nas antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas \u2014 ou seja, partes da Europa Oriental, do C\u00e1ucaso e da \u00c1sia Central \u2014 mas tamb\u00e9m em outros pa\u00edses. Estabeleceu ainda um regime autorit\u00e1rio que reviveu e promoveu cada vez mais a ideologia do antigo Imp\u00e9rio Russo para levar adiante sua expans\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado imperialista russo reconstru\u00eddo ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o capitalista ecoa no anterior Estado imperialista antes e durante a Primeira Guerra Mundial, bem como a de outros Estados imperialistas decadentes de per\u00edodos anteriores de rivalidade inter-imperial, como a Alemanha em 1871-1945, que foi igualmente &#8220;obrigada&#8221; a usar a for\u00e7a militar para invadir os dom\u00ednios imperiais brit\u00e2nico e franc\u00eas. Desde o colapso da URSS, o ex\u00e9rcito russo tem assumido repetidamente o papel de pol\u00edcia reacion\u00e1ria em resposta a qualquer dissid\u00eancia contra o dom\u00ednio russo em sua semiperiferia. O Estado russo tem procurado derrotar qualquer movimento popular de liberta\u00e7\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que possa desafiar a anexa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de sua semiperiferia. Para esse fim, criou a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Seguran\u00e7a Coletiva em 2002 para institucionalizar seu controle. Em sua curta exist\u00eancia at\u00e9 o momento, o imperialismo russo interveio brutalmente para manter seu controle em sua periferia: Chech\u00eania (1994\u20131996, 1999\u20132009), Tadjiquist\u00e3o (1992\u20131997), Ge\u00f3rgia (2008) e Ucr\u00e2nia (2014, 2022). No entanto, a Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que foi recentemente abalado pelos abusos do imperialismo russo, assim como Cazaquist\u00e3o, Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o, Ge\u00f3rgia, Abc\u00e1sia, S\u00e9rvia e B\u00f3snia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Teoria Marxista do Imperialismo e do Desenvolvimento Desigual e Combinado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o termo imperialismo \u00e9 usado de v\u00e1rias maneiras. Alguns o utilizam para descrever a ordem hier\u00e1rquica entre as pot\u00eancias mundiais, ou como sin\u00f4nimo de hegemonia; outros o teorizam como sin\u00f4nimo de t\u00e1ticas militares agressivas; e outros ainda como uma forma de domina\u00e7\u00e3o baseada no controle das cadeias de mais-valia (seguindo as teorias do sistema mundo). A import\u00e2ncia da teoria marxista do imperialismo, inicialmente delineada por Lenin e posteriormente amplamente enriquecida, reside em sua explica\u00e7\u00e3o dos mecanismos espec\u00edficos do capitalismo que levam os Estados capitalistas a intervir economicamente al\u00e9m de suas fronteiras e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, militarmente para garantir seus investimentos. Embora a ess\u00eancia do imperialismo \u2014 &#8220;o dom\u00ednio dos monop\u00f3lios e do capital financeiro&#8221; e seu \u00edmpeto implac\u00e1vel de dividir e redividir o mundo \u2014 tenha permanecido inalterada, a forma de domina\u00e7\u00e3o mundial imperialista evoluiu ao longo do tempo. (i) O dom\u00ednio semicolonial indireto suplantou em grande parte a posse de col\u00f4nias pelas pot\u00eancias imperiais.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise e a hist\u00f3ria dos estados imperialistas devem ser compreendidas como parte do desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo global, rompendo com o dogmatismo das teorias etapistas. Cada pa\u00eds segue um caminho \u00fanico e est\u00e1 sempre imerso em m\u00faltiplas contradi\u00e7\u00f5es. Na introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Permanente<\/em> (1930), Trotsky explica que o &#8220;tipo abstrato de capitalismo nacional&#8221; n\u00e3o existe na realidade, nem um tipo abstrato de imperialismo.(ii) A maioria daqueles que negam o car\u00e1ter imperialista da China e da R\u00fassia hoje o fazem porque comparam esses pa\u00edses ao imperialismo americano que emergiu da Segunda Guerra Mundial, o que implicitamente elevam a uma norma abstrata do que um Estado imperialista deveria ser \u2014 n\u00e3o comparam os novos imperialismos com a B\u00e9lgica, a Espanha ou a Austr\u00e1lia, o que complicaria sua l\u00f3gica mecanicista. As forma\u00e7\u00f5es estatais capitalistas nacionais, sejam de pa\u00edses semicoloniais, independentes ou imperialistas, s\u00e3o melhor compreendidas como &#8220;peculiaridades nacionais&#8221;, como forma\u00e7\u00f5es sociais hist\u00f3ricas que existem inseridas em uma multiplicidade de rela\u00e7\u00f5es sociais. Elas representam &#8220;uma combina\u00e7\u00e3o original das caracter\u00edsticas fundamentais da economia mundial&#8221;, s\u00e3o &#8220;precisamente o produto mais geral&#8230; do desenvolvimento hist\u00f3rico desigual&#8221;.(iii) Trotsky considerava as forma\u00e7\u00f5es nacionais como totalidades concretas, n\u00e3o como varia\u00e7\u00f5es de uma abstra\u00e7\u00e3o de tipo nacional; \u201cn\u00e3o \u00e9 verdade que caracter\u00edsticas espec\u00edficas sejam &#8216;nada mais do que um complemento \u00e0s caracter\u00edsticas gerais&#8217;, algo como verrugas no rosto&#8221;. (IV)<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin e Trotsky analisaram o surgimento e o desenvolvimento do imperialismo mundial desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial. A ordem imperialista mundial em crise que eles analisaram \u00e9 muito semelhante \u00e0 que temos vivenciado desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. Em ambos os per\u00edodos, estados imperialistas desiguais e diversos, cada um com diferentes pontos fortes e produto de uma combina\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel de transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, lutaram para afirmar sua hegemonia global em um contexto de crescente competi\u00e7\u00e3o e agress\u00f5es militares. Em seus <em>Cadernos<\/em> preparat\u00f3rios para o livro <em>O Imperialismo<\/em>, Lenin insistiu em analisar os Estados imperialistas como inseridos em um todo: uma ordem mundial din\u00e2mica com inter-rela\u00e7\u00f5es vivas entre os estados, com rela\u00e7\u00f5es complexas de subordina\u00e7\u00e3o, domina\u00e7\u00e3o ou codepend\u00eancia complexa. Os estados imperialistas individuais nunca foram considerados separadamente de seu contexto hist\u00f3rico, nem foram medidos por crit\u00e9rios ou normas abstratas. Em 1916, Lenin observou enormes diferen\u00e7as em termos de recursos industriais, militares e financeiros entre pot\u00eancias como a R\u00fassia e o Jap\u00e3o e outras como a Gr\u00e3-Bretanha e os Estados Unidos. Apesar dessas diferen\u00e7as, a R\u00fassia e o Jap\u00e3o ainda eram considerados pot\u00eancias imperialistas, capazes de desenvolver ind\u00fastrias monopolistas, exportar quantidades significativas de capital e subjugar seus vizinhos no exterior. Lenin classificou os estados imperialistas de acordo com sua capacidade de impor seu dom\u00ednio por seus pr\u00f3prios meios. Enquanto a Gr\u00e3-Bretanha, a Alemanha e os Estados Unidos se estabeleceram como pot\u00eancias &#8220;completamente independentes&#8221;, a R\u00fassia e o Jap\u00e3o foram definidos como imperialismos &#8220;n\u00e3o completamente independentes&#8221;.(V) As contradi\u00e7\u00f5es inerentes a imperialismos dependentes e desiguais como o russo n\u00e3o s\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria marxista do imperialismo. A anomalia, na verdade, tem sido a domina\u00e7\u00e3o global incontest\u00e1vel, durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, por uma \u00fanica superpot\u00eancia, os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Irregularidade Hist\u00f3rica do Imperialismo Russo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O atual regime de Putin lembra o car\u00e1ter e o papel hist\u00f3rico desempenhado pela R\u00fassia no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Naquela \u00e9poca, os bolcheviques definiram a R\u00fassia como um Estado imperialista que n\u00e3o possu\u00eda capacidade de a\u00e7\u00e3o completamente independente das grandes pot\u00eancias imperialistas devido \u00e0 relativa fragilidade de seus monop\u00f3lios industriais e do capital banc\u00e1rio, uma vez que ambos eram parcialmente controlados pelo capital financeiro europeu. Em <em>O Imperialismo<\/em>, Lenin descreveu a R\u00fassia como um &#8220;imperialismo capitalista moderno&#8221; que estava &#8220;enredado, por assim dizer, em uma teia particularmente densa de rela\u00e7\u00f5es pr\u00e9-capitalistas&#8221;.(VI) O Estado russo compensou esse menor desenvolvimento econ\u00f4mico com o desenvolvimento do aparato militar czarista, que lhe permitiu dominar as na\u00e7\u00f5es mais fracas ao seu redor. Antes de sua destrui\u00e7\u00e3o na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, o imp\u00e9rio czarista lan\u00e7ou in\u00fameras incurs\u00f5es militares contra os territ\u00f3rios independentes restantes na Europa Oriental, no C\u00e1ucaso e na \u00c1sia Central, al\u00e9m de penetrar militarmente na esfera de influ\u00eancia em ru\u00ednas do Imp\u00e9rio Otomano e tentar, sem sucesso, atacar o Jap\u00e3o em 1904. A Segunda Guerra Russo-Japonesa, travada pelo controle do Imp\u00e9rio Coreano e partes da Manch\u00faria, provocou uma revolta oper\u00e1ria em massa na R\u00fassia. A revolu\u00e7\u00e3o de 1905 foi desencadeada pela pobreza e desemprego generalizados, pelo aumento da repress\u00e3o pol\u00edtica pelo regime czarista e pelo crescente recrutamento e perdas de guerra. Quase um milh\u00e3o de camponeses e trabalhadores foram convocados para servir nas linhas de frente e cerca de 70.000 morreram. Nicolau II foi for\u00e7ado a capitular e assinar um tratado de paz com o Jap\u00e3o para esmagar a revolta em massa em seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A ascens\u00e3o de Putin ao poder reacendeu uma din\u00e2mica semelhante. A ca\u00f3tica restaura\u00e7\u00e3o capitalista da d\u00e9cada de 1990 foi seguida pela centraliza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as burguesas, pelo desenvolvimento de monop\u00f3lios e pela expans\u00e3o externa do investimento estrangeiro. As rela\u00e7\u00f5es exteriores come\u00e7aram no in\u00edcio dos anos 2000. Os monop\u00f3lios russos dependiam do aparato militar da R\u00fassia para manter e expandir sua acumula\u00e7\u00e3o, impondo acordos \u00e0s ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas da R\u00fassia, que desde ent\u00e3o se tornaram suas semicol\u00f4nias. A fragilidade do capital financeiro russo, concentrado principalmente em setores industriais de baixo valor agregado, como energia e minera\u00e7\u00e3o, levou o imperialismo russo a reivindicar sua esfera de influ\u00eancia regional por meio de medidas extraecon\u00f4micas, impondo regimes semicoloniais desp\u00f3ticos nesses pa\u00edses que garantiam acordos comerciais e financeiros que beneficiavam a oligarquia russa e obstru\u00edam qualquer concorr\u00eancia de monop\u00f3lios ocidentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a R\u00fassia de Putin n\u00e3o pode desempenhar um papel completamente independente, nem mesmo em sua pr\u00f3pria esfera, sem se associar a uma pot\u00eancia cuja for\u00e7a financeira abre caminho para a manuten\u00e7\u00e3o da subordina\u00e7\u00e3o desses estados fr\u00e1geis. A R\u00fassia primeiro desenvolveu uma parceria econ\u00f4mica com a Alemanha e, cada vez mais, priorizou seus la\u00e7os com a China, bem como com o Ir\u00e3 e a Coreia do Norte. Esses relacionamentos recentes permitiram que a R\u00fassia contornasse as san\u00e7\u00f5es imperialistas impostas pelos Estados Unidos e pela UE e mantivesse sua for\u00e7a geopol\u00edtica. Apesar de sua relativa fraqueza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s principais pot\u00eancias imperialistas independentes, a R\u00fassia conseguiu subordinar sua periferia semicolonial (partes da Europa Oriental e Central, o C\u00e1ucaso e as rep\u00fablicas da \u00c1sia Central), mas n\u00e3o pode aspirar a desafiar o poder das pot\u00eancias imperialistas independentes nem se estabelecer como uma pot\u00eancia hegem\u00f4nica global.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da Restaura\u00e7\u00e3o Capitalista ao Desenvolvimento Imperialista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado russo moderno nasceu nos estertores da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. O colapso da URSS foi um evento ca\u00f3tico. A dissolu\u00e7\u00e3o efetiva da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991 foi seguida por uma luta pelo poder entre v\u00e1rios setores da burguesia emergente, culminando em uma tentativa fracassada de golpe contra Mikhail Gorbachev. Seu sucessor, Boris Yeltsin, embarcou em um programa de &#8220;doutrina do choque&#8221; com reformas econ\u00f4micas dr\u00e1sticas, incluindo privatiza\u00e7\u00f5es em massa, acordos de livre com\u00e9rcio, aboli\u00e7\u00e3o do controle de pre\u00e7os e outras medidas semelhantes. Essas medidas foram impostas com o apoio do FMI, do Banco Mundial e dos governos dos EUA e da Europa. No entanto, esse movimento n\u00e3o surgiu do nada. A crise foi desencadeada pela crescente depend\u00eancia econ\u00f4mica da URSS na d\u00e9cada de 1980, pelo r\u00e1pido aumento de sua d\u00edvida externa e por sua posi\u00e7\u00e3o cada vez mais consolidada como produtora de petr\u00f3leo e g\u00e1s na divis\u00e3o global do trabalho, distanciando-se de seu papel como pot\u00eancia industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia representou um dr\u00e1stico retrocesso para suas for\u00e7as produtivas. O pa\u00eds passou de segunda maior economia do mundo a uma economia voltada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de bens. A R\u00fassia come\u00e7ou a vivenciar um processo de investimento estrangeiro com o objetivo de transform\u00e1-la em uma semicol\u00f4nia. Investidores estrangeiros previram retornos incr\u00edveis sobre os investimentos na R\u00fassia; em 1995, o Wall Street Journal projetou ganhos potenciais de 2.000% em tr\u00eas anos. (vii) Contudo, a propriedade das empresas privatizadas permaneceu em grande parte nas m\u00e3os de ex-burocratas russos que se tornaram oligarcas, devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 compra direta de ativos russos por estrangeiros. Grandes empresas estatais como a Norilsk Nickel, a Yukos e a Sidanko foram vendidas por uma fra\u00e7\u00e3o do seu valor aos novos oligarcas, adquiridas com dinheiro p\u00fablico desviado e transferido para contas banc\u00e1rias privadas; em ess\u00eancia, &#8220;o povo russo adiantou o dinheiro para a pilhagem do seu pr\u00f3prio pa\u00eds&#8221;. (viii) Essa aquisi\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de ativos por parte da oligarquia, contudo, visava garantir que a maior parte da riqueza da R\u00fassia permanecesse nas m\u00e3os das elites russas, e n\u00e3o de seus parceiros estrangeiros. Ap\u00f3s a tentativa fracassada de golpe de agosto de 1991 e a subsequente dissolu\u00e7\u00e3o da KGB, muitos ex-membros da KGB migraram para o setor privado ou para o mercado negro, com vantagens institucionais significativas derivadas de fundos de investimento iniciais e conex\u00f5es pol\u00edticas. Quando n\u00e3o se tornaram oligarcas, serviram como bra\u00e7o armado para garantir posi\u00e7\u00f5es de mercado para os oligarcas, constituindo uma nova classe dominante russa intimamente ligada ao antigo aparato de intelig\u00eancia estatal.(ix)<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados desse programa de choque foram catastr\u00f3ficos para a economia e a sociedade russa como um todo. De 1989 a 1998, o PIB da R\u00fassia caiu 45%, a desigualdade de renda disparou e a taxa de mortalidade aumentou em 700 mil mortes por ano.(x) Os sal\u00e1rios reais ca\u00edram um ter\u00e7o e o desemprego subiu 8%.(xi) &nbsp;O n\u00famero de russos vivendo na pobreza aumentou de 2 milh\u00f5es em 1989 para 74 milh\u00f5es em meados da d\u00e9cada de 1990. (xii)No cen\u00e1rio internacional, o Estado estava enfraquecido e carecia de influ\u00eancia. Quando o governo Clinton pressionou pela expans\u00e3o da OTAN na Europa Oriental na d\u00e9cada de 1990, Yeltsin pouco p\u00f4de fazer al\u00e9m de apresentar queixas ineficazes e, resignadamente, declarar: &#8220;Bem, eu tentei&#8221;.(xiii) Putin chegou ao poder prometendo acabar com o caos dos anos Yeltsin e restaurar o imp\u00e9rio russo. No in\u00edcio dos anos 2000, a economia russa se recuperou, impulsionada pela alta dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s. Durante os dois primeiros mandatos de Putin, o PIB da R\u00fassia cresceu 70%.(xiv) Em sua postura p\u00fablica, Putin inicialmente desafiou o poder dos oligarcas, declarando que &#8220;libertaria a R\u00fassia da classe olig\u00e1rquica&#8221;.(xv)Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, as investiga\u00e7\u00f5es e os processos foram direcionados exclusivamente contra seus oponentes pol\u00edticos, enquanto os oligarcas com liga\u00e7\u00f5es com Putin permaneceram impunes e, na verdade, se tornaram bilion\u00e1rios. A riqueza global tornou-se ainda mais concentrada nas m\u00e3os da elite: de 1991 a 2011, a riqueza do quinto mais rico dos russos dobrou, enquanto a do quinto mais pobre foi reduzida \u00e0 metade.(xvi)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Ascens\u00e3o dos Monop\u00f3lios Russos sob Putin<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ascens\u00e3o de Putin ao poder garantiu a continuidade da privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais e o estabelecimento de alguns monop\u00f3lios industriais em setores-chave por meio de um processo de integra\u00e7\u00e3o vertical. Alguns desses monop\u00f3lios empresariais cresceram o suficiente para se tornarem corpora\u00e7\u00f5es transnacionais como a Gazprom e a Lukoil. Esse processo foi liderado por membros da antiga burocracia sovi\u00e9tica que se tornaram parte da burguesia. Simultaneamente, houve um r\u00e1pido processo de centraliza\u00e7\u00e3o de capital e propriedade. Para incentivar a forma\u00e7\u00e3o de grandes monop\u00f3lios, o governo russo estimulou um processo de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, que aumentou de 398 transa\u00e7\u00f5es em 2004, totalizando US$ 25 bilh\u00f5es, para 3.684 transa\u00e7\u00f5es em 2010, totalizando US$ 109 bilh\u00f5es \u2014 o ano de pico para aquisi\u00e7\u00f5es.(xvii) O economista polon\u00eas Marek Dabrowski argumenta que, como resultado, a propriedade de empresas russas est\u00e1 agora &#8220;altamente concentrada&#8221;, com &#8220;uma participa\u00e7\u00e3o de controle m\u00e9dia de 57,6%&#8221;.(xviii)<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer do processo de privatiza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-restaura\u00e7\u00e3o, alguns setores da economia permaneceram formalmente &#8220;empresas estatais&#8221;, embora sejam administrados por setores burgueses que acumulam lucros indiretamente de forma privada. O regime de Putin promoveu um plano estatal de industrializa\u00e7\u00e3o seletiva para reciclar as vantagens estrat\u00e9gicas desenvolvidas pelo anterior Estado sovi\u00e9tico, com foco em combust\u00edveis f\u00f3sseis, minera\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria b\u00e9lica e produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear. Algumas empresas de energia s\u00e3o agora inteiramente privadas, como a Lukoil, enquanto outras, como a Gazprom e a Rosneft, s\u00e3o parcialmente propriedade do Estado russo (40-50%) e parcialmente de acionistas privados. Os monop\u00f3lios qu\u00edmicos, sider\u00fargicos e de minera\u00e7\u00e3o s\u00e3o todos controlados por capital privado russo.<\/p>\n\n\n\n<p>A raz\u00e3o pela qual Putin se concentrou primeiro na concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial de combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 que a abund\u00e2ncia de recursos naturais da R\u00fassia a tornou o segundo maior produtor mundial de g\u00e1s natural, respondendo por 12% da oferta global. Antes da guerra, a R\u00fassia produzia 13% do petr\u00f3leo bruto mundial e 11% dos derivados de petr\u00f3leo refinados, al\u00e9m de possuir vastas reservas de metais.(xix) Ademais, o pa\u00eds \u00e9 o maior produtor mundial de pal\u00e1dio, essencial para a eletr\u00f4nica e catalisadores, e o segundo maior produtor de cobalto, utilizado em algumas baterias de ve\u00edculos el\u00e9tricos, bem como de g\u00e1lio, um dos elementos de terras raras atualmente procuradospara aprimorar as capacidades da intelig\u00eancia artificial (IA). A R\u00fassia tamb\u00e9m \u00e9 l\u00edder na produ\u00e7\u00e3o de fosfato e possui uma ind\u00fastria agroqu\u00edmica em plena expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O monop\u00f3lio russo mais proeminente continua sendo a Gazprom, a maior empresa de g\u00e1s natural do mundo, que controla quase um quinto das reservas de g\u00e1s conhecidas.(xx) A expans\u00e3o da Gazprom, Novatek e Rosneft para a Europa Oriental e \u00c1sia Central est\u00e1 ligada ao seu controle sobre campos de petr\u00f3leo e g\u00e1s, bem como sobre a infraestrutura de energia nuclear. Mais importante ainda, elas det\u00eam o controle absoluto sobre sua distribui\u00e7\u00e3o regional. Essas empresas tamb\u00e9m possuem importantes rotas e gasodutos para os mercados ocidentais e orientais. At\u00e9 2022, 35% do g\u00e1s e petr\u00f3leo importados pela Uni\u00e3o Europeia provinham da R\u00fassia.(xxi) Com a guerra na Ucr\u00e2nia, os monop\u00f3lios energ\u00e9ticos russos encontraram novos mercados, como a China e a \u00cdndia. Nos primeiros meses de 2023, por exemplo, a R\u00fassia ultrapassou a Ar\u00e1bia Saudita como principal fornecedora de petr\u00f3leo da China.(xxii)<\/p>\n\n\n\n<p>Os monop\u00f3lios russos desempenham um papel significativamente mais limitado do que os da China ou de outras grandes pot\u00eancias imperiais. Em 2024, a R\u00fassia tinha apenas cinco empresas \u2014 Gazprom, Lukoil, Rosneft Petr\u00f3leo, Sberbank e VTB Bank \u2014 na lista Fortune 500 das maiores empresas do mundo em faturamento.(xxiii) Isso a coloca muito atr\u00e1s de pot\u00eancias imperiais como o Reino Unido (17\u00ba), a Fran\u00e7a (24\u00ba) e a Alemanha (29\u00ba); e ainda mais atr\u00e1s dos principais atores, os Estados Unidos e a China, cada um com mais de 100 empresas. Nesse aspecto, a R\u00fassia se classifica entre as pot\u00eancias imperialistas menores, como a Dinamarca (2\u00ba), a Su\u00e9cia (1\u00ba) ou a It\u00e1lia (5\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Imperialismo Russo e sua Periferia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia \u00e9 hoje um estado imperialista sem o peso econ\u00f4mico da China ou mesmo da Espanha, mas exerce ativamente sua influ\u00eancia em seu entorno imediato. Na Europa Oriental e Central, a R\u00fassia exerce seu dom\u00ednio econ\u00f4mico por meio de seus monop\u00f3lios de energia e sua d\u00edvida. Ela tamb\u00e9m exerce uma poderosa influ\u00eancia militar, econ\u00f4mica e pol\u00edtica em grande parte do C\u00e1ucaso e da \u00c1sia Central. Este \u00faltimo caso \u00e9 muito ilustrativo de como o dom\u00ednio imperialista russo \u00e9 exercido.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes do colapso da URSS, as rep\u00fablicas da \u00c1sia Central eram fortemente subsidiadas pelos sovi\u00e9ticos. Os subs\u00eddios russos \u00e0s diversas rep\u00fablicas da \u00c1sia Central constitu\u00edam uma parcela muito significativa de seus PIBs. Ap\u00f3s o colapso da URSS, os subs\u00eddios continuaram, antecipando-se uma crescente aceita\u00e7\u00e3o da hegemonia capitalista russa. Um estudo de 2011 concluiu que, em 1992, os subs\u00eddios russos ainda representavam 25,1% do PIB do Cazaquist\u00e3o, 22,6% do Quirguist\u00e3o, 42,3% do Tadjiquist\u00e3o, 67,1% do Turcomenist\u00e3o e 69,2% do Uzbequist\u00e3o.(xxiv) \u00c0 medida que as rep\u00fablicas rec\u00e9m-independentes tentavam reduzir sua depend\u00eancia da R\u00fassia, os subs\u00eddios foram sendo gradualmente eliminados. As rep\u00fablicas da \u00c1sia Central perderam US$ 40 bilh\u00f5es em subs\u00eddios.(xxv) Os valores n\u00e3o pagos devidos \u00e0 antiga URSS por vendas de energia ou armas se transformaram em d\u00edvida externa com a R\u00fassia, que, por sua vez, se apropriou da infraestrutura e das instala\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da \u00c1sia Central como pagamento por meio de trocas de d\u00edvida por ativos. Essa nova depend\u00eancia por meio da d\u00edvida permitiu que a R\u00fassia aumentasse seu controle sobre o fornecimento de energia, os pre\u00e7os, os mercados e o transporte na regi\u00e3o. Isso tamb\u00e9m levou a acordos de &#8220;seguran\u00e7a&#8221; contra &#8220;terroristas&#8221; que as rep\u00fablicas da \u00c1sia Central foram for\u00e7adas a adotar para atender \u00e0s suas necessidades espec\u00edficas.(xxvi)<\/p>\n\n\n\n<p>Sob Putin, a decis\u00e3o de cobrar, pelo g\u00e1s, os pre\u00e7os do mercado europeu dos importadores de energia da \u00c1sia Central teve um impacto dram\u00e1tico, assim como na Arm\u00eania. Enquanto isso, as economias fr\u00e1geis das rep\u00fablicas da \u00c1sia Central enviaram milh\u00f5es de trabalhadores migrantes para a R\u00fassia. Suas remessas representavam uma parcela consider\u00e1vel do PIB de algumas rep\u00fablicas da \u00c1sia Central. Isso permitiu que a R\u00fassia come\u00e7asse a usar medidas repressivas, como o endurecimento das regulamenta\u00e7\u00f5es de imigra\u00e7\u00e3o, para for\u00e7ar as rep\u00fablicas da \u00c1sia Central a aderirem \u00e0 Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Eurasi\u00e1tica (UEE), um bloco comercial favor\u00e1vel aos interesses russos criado em 2014 que agora abrange 183 milh\u00f5es de pessoas e tem um PIB combinado de US$ 2,4 trilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Guerra Imperialista da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia desde 2014<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A agress\u00e3o militar de Putin contra a Ucr\u00e2nia deve ser entendida como a manifesta\u00e7\u00e3o mais flagrante do imperialismo russo. Em 2014, a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia e de uma pequena por\u00e7\u00e3o de Donbas por Putin foi tanto uma resposta \u00e0 amea\u00e7a aos investimentos russos e aos interesses pol\u00edticos na Ucr\u00e2nia quanto uma necessidade de encontrar uma sa\u00edda para a crise interna de seu regime, com um movimento de oposi\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou em 2011-2012 a mobilizar dezenas de milhares de pessoas nas ruas. (xxvii)Oito anos depois, Putin realizou a invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o de 20% do sudeste do pa\u00eds. Ao longo desse per\u00edodo, os benefici\u00e1rios dessa interven\u00e7\u00e3o militar foram os propriet\u00e1rios capitalistas monopolistas dos setores de produ\u00e7\u00e3o militar e extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia exerceu consider\u00e1vel influ\u00eancia na Ucr\u00e2nia desde sua recupera\u00e7\u00e3o do colapso econ\u00f4mico da d\u00e9cada de 1990. Antes da revolu\u00e7\u00e3o Maidan de 2014, que dep\u00f4s Yanukovych, a R\u00fassia era a for\u00e7a pol\u00edtica e econ\u00f4mica dominante no pa\u00eds, apesar dos apelos da Uni\u00e3o Europeia. A Ucr\u00e2nia estava sujeita a uma depend\u00eancia econ\u00f4mica da energia russa que rapidamente se tornou uma depend\u00eancia financeira. Em 1991, a Ucr\u00e2nia comprava &#8220;60% do seu g\u00e1s e quase 90% do seu petr\u00f3leo da R\u00fassia&#8221; e s\u00f3 conseguia suprir um ter\u00e7o das suas pr\u00f3prias necessidades energ\u00e9ticas, dependendo da R\u00fassia para o restante.(xxviii) Em 1993, a R\u00fassia quintuplicou o pre\u00e7o do g\u00e1s e, em 1996, duplicou-o novamente para igualar os pre\u00e7os do mercado mundial, dando in\u00edcio ao enorme endividamento da Ucr\u00e2nia. Para garantir o pagamento da d\u00edvida, a R\u00fassia come\u00e7ou a usar permutas de d\u00edvida por ativos, nas quais empresas russas adquiriam participa\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o industrial. Os gasodutos e instala\u00e7\u00f5es de transporte da Ucr\u00e2nia. Em 2012, a Ucr\u00e2nia j\u00e1 n\u00e3o conseguia arcar com os altos pre\u00e7os exigidos pela R\u00fassia e, quando o FMI se recusou a fornecer assist\u00eancia financeira, o pa\u00eds recorreu novamente \u00e0 R\u00fassia em busca de um empr\u00e9stimo ainda maior para liquidar sua d\u00edvida, contraindo um empr\u00e9stimo de US$ 2 bilh\u00f5es com a Gazprom.(xxix) Dos US$ 10 bilh\u00f5es em d\u00edvida externa que precisava pagar at\u00e9 2021, a Ucr\u00e2nia devia apenas US$ 3,7 bilh\u00f5es ao FMI; o restante era d\u00edvida com a R\u00fassia, principalmente ao Sberbank.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento democr\u00e1tico Maidan de 2014 foi em parte uma resposta a essa extors\u00e3o financeira, alimentada pela interfer\u00eancia pol\u00edtica russa nos assuntos ucranianos e pela corrup\u00e7\u00e3o generalizada. O movimento recebeu rapidamente o apoio dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europeia e provou ser desastroso para a R\u00fassia quando o governo Yanukovych, que gozava de uma posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel, caiu. Em resposta, Putin interveio para garantir o pagamento de sua d\u00edvida, anexando a Pen\u00ednsula da Crimeia e partes de Donbas. Segundo o Washington Post, a Ucr\u00e2nia \u201cabriga algumas das maiores reservas mundiais de tit\u00e2nio e min\u00e9rio de ferro, dep\u00f3sitos inexplorados de l\u00edtio e enormes jazidas de carv\u00e3o. No total, valem dezenas de trilh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d.(xxx) A ocupa\u00e7\u00e3o russa do sudeste da Ucr\u00e2nia visava, entre outras coisas, a apoderar-se de alguns desses recursos, bem como das ind\u00fastrias sider\u00fargica e agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o de 2022 foi meramente uma continua\u00e7\u00e3o do mesmo plano imperialista de anexa\u00e7\u00e3o, dada a falta de rea\u00e7\u00e3o \u00e0 agress\u00e3o de 2014. Putin se encorajou e acelerou seu plano de restaurar o antigo imp\u00e9rio russo. Antes da nova agress\u00e3o, Putin havia preparado economicamente o pa\u00eds para melhor resistir \u00e0s san\u00e7\u00f5es da UE e dos EUA, reduzindo seu d\u00e9ficit p\u00fablico e acumulando reservas cambiais. Ele tamb\u00e9m alimentou o nacionalismo da Grande R\u00fassia e o sentimento antiocidental, proclamando que a na\u00e7\u00e3o ucraniana n\u00e3o existia. O regime abra\u00e7ou a antiga alega\u00e7\u00e3o imperialista de que a esfera de influ\u00eancia \u201cnatural\u201d da R\u00fassia havia sido invadida pela expans\u00e3o da OTAN e que o pa\u00eds tinha o direito de reivindic\u00e1-la. Como explicou a socialista ucraniana Hanna Perekhoda, a nega\u00e7\u00e3o da nacionalidade ucraniana pelo regime russo e pela extrema-direita global n\u00e3o \u00e9 novidade.(xxxi)A ideologia imperial russa e as primeiras tentativas de &#8220;russifica\u00e7\u00e3o&#8221; come\u00e7aram no s\u00e9culo XVIII. Estas foram ainda mais desenvolvidas no final do s\u00e9culo XIX, quando as elites russas pressionaram pela assimila\u00e7\u00e3o for\u00e7ada dos ucranianos \u201cpequenos russos\u201d os bielorussos \u201crussos Brancos&#8221; \u00e0 na\u00e7\u00e3o &#8220;gran russa&#8221;, o povo russo, estabelecendo um objetivo semelhante ao do movimento de unifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e de outros movimentos pan-nacionalistas europeus. A subordina\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o dessas na\u00e7\u00f5es vizinhas de l\u00edngua eslava oriental aos russos autoconscientes eram consideradas &#8220;uma medida crucial para manter a competitividade do Imp\u00e9rio&#8221;. Essa antiga ideologia nacionalista-imperialista, que foi fortemente combatida pelo movimento socialista revolucion\u00e1rio do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, voltou a ganhar for\u00e7a desde que Putin chegou ao poder em 2000.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Economia de Guerra de Putin<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Putin usou a nova guerra na Ucr\u00e2nia para consolidar ainda mais o controle estatal sobre setores estrat\u00e9gicos importantes da economia e avan\u00e7ar em sua consolida\u00e7\u00e3o imperialista. A imposi\u00e7\u00e3o de uma economia de guerra permitiu ao governo mobilizar recursos e autoridade estatais sem precedentes para concentrar ainda mais monop\u00f3lios estrat\u00e9gicos para o esfor\u00e7o de guerra, anulando a tomada de decis\u00f5es privadas quando necess\u00e1rio. Um relat\u00f3rio de 2024 indica que &#8220;regi\u00f5es com grandes concentra\u00e7\u00f5es de ind\u00fastrias de constru\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, em particular, se beneficiaram de um aumento dr\u00e1stico na aquisi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de equipamentos militares&#8221; e que &#8220;algumas regi\u00f5es pobres do Extremo Oriente russo se beneficiaram do aumento do investimento em infraestrutura de transporte, \u00e0 medida que a R\u00fassia tenta reorientar seu com\u00e9rcio exterior mais para a China&#8221;.(xxxii) De fato, cerca de 40% do or\u00e7amento do governo \u00e9 destinado a gastos militares para a guerra.(xxxiii) O Instituto Sueco de Pesquisa da Paz (SIPRI) estima que os gastos militares totais da R\u00fassia em 2024 atingir\u00e3o 7,1% do seu PIB (em compara\u00e7\u00e3o, em 2015, eram de 5,4%).(xxiv)<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, embora a maioria dos ativos anteriormente estatais tenha sido privatizada na d\u00e9cada de 1990, em janeiro de 2023 Putin tornou priorit\u00e1rio que os procuradores devolvessem ao controle estatal todas as empresas estrat\u00e9gicas, como as dos setores de combust\u00edveis f\u00f3sseis, ind\u00fastria de defesa, produtos qu\u00edmicos e produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. O objetivo \u00e9 criar monop\u00f3lios mais competitivos e supervisionados pelo Estado, seguindo o modelo chin\u00eas. Estima-se que &#8220;somente no complexo militar-industrial, 15 empresas estrat\u00e9gicas com um valor total de&#8230; cerca de US$ 4 bilh\u00f5es foram privatizadas&#8221;. n\u00e3o foram devolvidos ao Estado at\u00e9 mar\u00e7o de 2024.&#8221;(xxxv) Em v\u00e1rios casos, essas renacionaliza\u00e7\u00f5es afetaram ativos privatizados h\u00e1 mais de 30 anos. Em muitos casos, Putin procedeu com a confisca\u00e7\u00e3o de ativos por ordem judicial. Em outros, o Kremlin faz os acordos. O Wall Street Journal noticiou em novembro passado que Putin estava planejando uma &#8220;megafus\u00e3o&#8221; das tr\u00eas maiores empresas petrol\u00edferas do pa\u00eds para melhor compensar as perdas induzidas pelas san\u00e7\u00f5es \u00e0 Gazprom e para ser mais competitivo no mercado.(xxxvi) De acordo com esse plano, a empresa petrol\u00edfera estatal Rosneft absorveria tanto a Gazprom quanto a Lukoil, tornando-se &#8220;a segunda maior produtora de petr\u00f3leo bruto do mundo, depois da Saudi Aramco, bombeando quase tr\u00eas vezes a produ\u00e7\u00e3o da Exxon Mobil.&#8221;(xxxvii)<\/p>\n\n\n\n<p>As duas principais fraquezas do capitalismo monopolista russo continuam sendo seu escasso capital financeiro e o subdesenvolvimento de sua ind\u00fastria. Nos \u00faltimos 30 anos, e apesar dos esfor\u00e7os para desenvolver uma produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de maior valor agregado, a R\u00fassia n\u00e3o alcan\u00e7ou uma industrializa\u00e7\u00e3o mais equilibrada. A produ\u00e7\u00e3o russa de bens de capital e bens de consumo \u00e9 muito limitada e tem dependido, durante d\u00e9cadas, das importa\u00e7\u00f5es. O economista Michael Roberts estimou que, em 2023, &#8220;a minera\u00e7\u00e3o representou cerca de 26% da produ\u00e7\u00e3o industrial bruta&#8221;, e tr\u00eas setores \u2014 extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto e g\u00e1s natural, fabrica\u00e7\u00e3o de coque e derivados de petr\u00f3leo refinados e a fabrica\u00e7\u00e3o de metais b\u00e1sicos \u2014 responderam por mais de 40% do total.(xxxviii)<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, as tentativas de desenvolver as ind\u00fastrias automotiva e aeroespacial n\u00e3o foram bem-sucedidas. Os \u00fanicos avan\u00e7os ocorreram no desenvolvimento bem-sucedido de alguns setores agroindustriais, o que permitiu uma r\u00e1pida redu\u00e7\u00e3o nas importa\u00e7\u00f5es de certos produtos aliment\u00edcios, e no investimento em energia nuclear. Putin utilizou a economia de guerra para investir em setores de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, como &#8220;engenharia mec\u00e2nica, que inclui a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos met\u00e1licos acabados (armas), computadores, \u00f3ptica e eletr\u00f4nica e equipamentos el\u00e9tricos&#8221;.(xxxix) No entanto, esses esfor\u00e7os parecem insuficientes. Embora a guerra e as san\u00e7\u00f5es tenham aumentado a demanda interna por produtos industriais, \u00e9 improv\u00e1vel que esse keynesianismo militar, por si s\u00f3, consiga superar o desequil\u00edbrio estrutural no desenvolvimento industrial da R\u00fassia ou aumentar sua produtividade a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a R\u00fassia n\u00e3o pode sustentar esse esfor\u00e7o de guerra. A R\u00fassia permanecer\u00e1 indefinidamente em guerra sem um aumento e manuten\u00e7\u00e3o da ajuda externa. Suas reservas est\u00e3o diminuindo, a Gazprom est\u00e1 sofrendo novas perdas e o pa\u00eds enfrenta uma grave escassez de m\u00e3o de obra devido ao esfor\u00e7o de guerra. Um total de 1,5 milh\u00e3o de russos foram mobilizados para a frente de batalha e mais de um milh\u00e3o deixaram o pa\u00eds. L\u00edderes empresariais russos estimam uma falta de 2,5 milh\u00f5es de trabalhadores em setores-chave.<\/p>\n\n\n\n<p>E, o mais importante, as contradi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas no pa\u00eds est\u00e3o aumentando. A ofensiva de Putin resultou em pelo menos 830.000 baixas russas e no aumento da pobreza. Entre 13 e 18 milh\u00f5es de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza e h\u00e1 uma taxa de infla\u00e7\u00e3o acumulada de 24,6% para a cesta b\u00e1sica.(xl) Os trabalhadores russos est\u00e3o cada vez mais em desvantagem por causa da guerra, e \u00e9 poss\u00edvel que uma combina\u00e7\u00e3o de fatores possa desencadear rachaduras no governo de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudan\u00e7as e Contradi\u00e7\u00f5es do Imperialismo Russo<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo russo permanece din\u00e2mico em compara\u00e7\u00e3o com seus rivais ocidentais. Seu PIB cresceu 3,6% em 2024, mais do que o do Reino Unido. (0,6%), a UE (0,9%) e os EUA (2,8%), e projeta-se um crescimento de 2,5% em 2025.(xli) Isso se deve, em grande parte, ao fato de Putin ter esmagado brutalmente qualquer dissid\u00eancia emergente contra a guerra, a fim de impor sua economia de guerra. Ele tamb\u00e9m conseguiu aumentar o recrutamento militar entre migrantes da \u00c1sia Central e nacionalidades oprimidas, que t\u00eam menos meios de resist\u00eancia. Seu regime est\u00e1 se tornando cada vez mais autorit\u00e1rio e aliado a for\u00e7as de extrema-direita. No primeiro m\u00eas da invas\u00e3o, mais de 15.000 manifestantes antiguerra foram presos na R\u00fassia, e leis de censura foram introduzidas, proibindo qualquer cr\u00edtica \u00e0 agress\u00e3o militar ou aos crimes de guerra do ex\u00e9rcito russo. Os infratores enfrentam penas de at\u00e9 15 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das previs\u00f5es de que a R\u00fassia seria esmagada pelo bloqueio econ\u00f4mico ocidental, o imperialismo russo se beneficiou do fato de o mercado europeu ser fortemente dependente de combust\u00edveis f\u00f3sseis russos e, portanto, lento em se desvincular parcialmente deles. Quando as san\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a afetar as vendas de g\u00e1s, a R\u00fassia desenvolveu novos acordos econ\u00f4micos com a China, o Ir\u00e3 e outros pa\u00edses. outros parceiros. Em 2024, no entanto, ainda se previa que a UE importaria US$ 7,6 bilh\u00f5es em GNL da R\u00fassia. A B4Ukraine publicou um relat\u00f3rio este ano sobre este tema. O relat\u00f3rio estima que a R\u00fassia tenha arrecadado \u20ac 847 bilh\u00f5es em receitas com combust\u00edveis f\u00f3sseis desde o in\u00edcio da guerra comercial, apesar das san\u00e7\u00f5es ocidentais, principalmente por meio da venda de petr\u00f3leo bruto para seus novos parceiros comerciais.(xlii) Isso ocorre porque as san\u00e7\u00f5es ocidentais foram implementadas com brechas deliberadas, como permitir que alguns bancos russos menores continuem usando o sistema banc\u00e1rio SWIFT para negociar com a Europa, ou o uso de pa\u00edses intermedi\u00e1rios como Turquia, S\u00e9rvia e Bulg\u00e1ria para facilitar o com\u00e9rcio entre a R\u00fassia e as pot\u00eancias ocidentais, empregando uma &#8220;frota fantasma&#8221; de mais de 500 embarca\u00e7\u00f5es sem seguro. Al\u00e9m disso, o controle estatal dos bancos protegeu o capital financeiro russo de san\u00e7\u00f5es e bloqueios, aumentando assim seus lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desenvolvimento significativo \u00e9 o crescente relacionamento entre a R\u00fassia e a China. O com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses aumentou 64% desde 2021, permitindo que Putin mantivesse levando a economia adiante durante a guerra comercial. A R\u00fassia exportou metade de seu petr\u00f3leo para a China, e os produtos chineses representam 38% das importa\u00e7\u00f5es russas.(xliii) Em particular, a China forneceu 63% das m\u00e1quinas de Controle Num\u00e9rico Computadorizado (CNC) que sustentam o ex\u00e9rcito russo. Embora ambas as pot\u00eancias tenham interesses m\u00fatuos nessas trocas, suas rela\u00e7\u00f5es permanecem desiguais e, \u00e0s vezes, contradit\u00f3rias. Elas tamb\u00e9m competem por esferas de influ\u00eancia, como a \u00c1sia Central. A China, por exemplo, est\u00e1 construindo a ferrovia China-Quirguist\u00e3o-Uzbequist\u00e3o, com previs\u00e3o de conclus\u00e3o em 2025, para obter acesso aos mercados da \u00c1sia Central que a R\u00fassia considera dentro de sua esfera de influ\u00eancia.(xlv)<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a guerra na Ucr\u00e2nia levou o Kremlin a fortalecer seus la\u00e7os com seus parceiros do Oriente M\u00e9dio, especialmente ap\u00f3s a queda de Assad, um aliado leal. Apesar desse rev\u00e9s, Putin pretende manter suas duas bases militares na S\u00edria. No in\u00edcio da guerra com a Ucr\u00e2nia, o Ir\u00e3 forneceu a Putin mais de 2.000 drones n\u00e3o tripulados.(xlxi) Isso permitiu que a R\u00fassia ganhasse tempo para aumentar sua produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de drones e at\u00e9 mesmo localizar a fabrica\u00e7\u00e3o de drones iranianos.(xlvii) Em 2025, um acordo de livre com\u00e9rcio foi assinado entre o Ir\u00e3 e a Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Eurasi\u00e1tica, liderada pela R\u00fassia, com ambos os pa\u00edses se comprometendo a integrar seus sistemas nacionais de pagamento.(xlviii) Dito isso, em termos de parcerias econ\u00f4micas para resistir \u00e0s san\u00e7\u00f5es ocidentais, as rela\u00e7\u00f5es com a Turquia e os Emirados \u00c1rabes Unidos s\u00e3o mais significativas do que as com o Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato mais surpreendente, no entanto, \u00e9 que, militarmente, Putin n\u00e3o conseguiu derrotar a resist\u00eancia ucraniana e vencer a guerra rapidamente como esperado. Os trabalhadores russos foram arrastados para uma guerra prolongada que tamb\u00e9m est\u00e1 esgotando os recursos do pa\u00eds e aumentando rapidamente as desigualdades. O ex\u00e9rcito russo sofreu reveses significativos e mais baixas do que a Ucr\u00e2nia. O povo ucraniano, por\u00e9m, mostrou-se \u00e0 altura da situa\u00e7\u00e3o e resistiu heroicamente por mais de tr\u00eas anos, apesar das repetidas trai\u00e7\u00f5es de seu governo. A luta de classes continua sendo o fator determinante que definir\u00e1 o futuro do imperialismo russo. A mudan\u00e7a na economia em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o b\u00e9lica, embora tenha permitido algum fortalecimento de certos setores econ\u00f4micos, n\u00e3o resolveu as desigualdades do imperialismo russo. Portanto, uma futura agress\u00e3o militar contra a Ucr\u00e2nia ou outros pa\u00edses vizinhos que desafiem o dom\u00ednio de Putin permanece uma possibilidade. O equil\u00edbrio de poder poderia mudar se um bloco mais formal entre a China e a R\u00fassia se desenvolvesse. Entretanto, a solidariedade com todos os povos oprimidos pelo imperialismo russo, com um programa de classe independente, continua sendo um imperativo. Isso \u00e9 fundamental para revigorar a luta da classe oper\u00e1ria russa contra seus governantes desp\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[i]<\/sup> LENIN, V. I. <em>Imperialismo: La fase superior del capitalismo<\/em>, cap\u00edtulo 5.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[ii]<\/sup> TROTSKY, Le\u00f3n.\u201cPr\u00f3logo\u201d, <em>La revoluci\u00f3n permanente,<\/em> 1930.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[ii]<\/sup> Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[iv]<\/sup> Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[v]<\/sup>\u00a0 LENIN, V. I. &#8220;Cuaderno B sobre el imperialismo&#8221;, <em>Obras Completas, <\/em>Vol. 43, Madrid: Akal Editores, 1978, p. 191.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[vi]<\/sup> LENIN, V. I. <em>Imperialismo: La fase superior del capitalismo<\/em>. Cap\u00edtulo 6.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[vii]<\/sup> \u200b\u200bBROWNING, E. S. &#8220;Bond Investors Gamble on Russian Stocks<em>&#8220;, Wall Street Journal<\/em>, 24 de marzo de 1995.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[viii]<\/sup> Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[ix]<\/sup> DAWISHA, Karen. <em>La cleptocracia de Putin: \u00bfQui\u00e9n es el due\u00f1o de Rusia? <\/em>Nueva York: Simon &amp; Schuster, 2014. Pp. 73-75.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[x]<\/sup> POPOV, Vladimir, y SUNDARAM, Jomo Kwame. &#8220;Post-Soviet Russian Economic Collapse&#8221;, <em>Inter Press Service, <\/em>6<sup>(th) de <\/sup>junio de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xi]<\/sup> CONRADI, Peter. <em>\u00bfQui\u00e9n perdi\u00f3 Rusia? Del colapso de la URSS a la guerra de Putin contra Ucrania. <\/em>Londres: Oneworld Publications, 2017, Cap\u00edtulo 7.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xii]<\/sup> \u200b\u200b KLEIN, Naomi. <em>The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism<\/em>. Nueva York: Picador, 2008, p. 238.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xii]<\/sup> CONRADI, Peter. <em>\u00bfQui\u00e9n perdi\u00f3 Rusia? <\/em>Cap\u00edtulo 7.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xiii]<\/sup> ENGEL, Pamela. &#8220;C\u00f3mo Vladimir Putin se convirti\u00f3 en uno de los l\u00edderes m\u00e1s temidos del mundo&#8221;, <em>Business Insider<\/em>, 14 de febrero de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xiv]<\/sup> ARIS, Ben. &#8220;El poder de los oligarcas sobre el Kremlin ha llegado a su fin, dice Putin&#8221;, <em>The Telegraph, <\/em>28 de julio de 2000.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xv]<\/sup> PARFITT, Tom. &#8220;Los ricos de Rusia duplican su riqueza, pero los pobres estaban mejor en los 90&#8221;. <em>The Guardian, <\/em>11<sup>(th) de <\/sup>abril de 2011.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xvi]<\/sup> \u200b\u200bALEKSEY, Ivanov. &#8220;La g\u00e9nesis del mercado ruso de fusiones y adquisiciones: el papel del sector industrial&#8221;, <em>SHS Web of Conferences, <\/em>35, 2017, p. 2.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xvii]<\/sup> DABROWSKI, Marek. <em>La econom\u00eda rusa contempor\u00e1nea, <\/em>Suiza: Palgrave, 2023, p. 128.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xviii]<\/sup><a href=\"http:\/\/www.bruegel.org\/dataset\/russian-crude-oil-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> https:\/\/www.bruegel.org\/dataset\/russian-crude-oil- <\/a>rastreador<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xix]<\/sup> HENLEY, Jon. &#8220;\u00bfEst\u00e1 amenazado el suministro de gas de Europa por la crisis de Ucrania?&#8221;. The Guardian, 3 de marzo de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xx]<\/sup> NUGENT, Clara. &#8220;Why Sanctions on Russia Aren&#8217;t Targeting Oil and Gas&#8221;, <em>Time, <\/em>25<sup>th <\/sup>de febrero de 2022.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><sup>[xxi]<\/sup> https:\/\/www.aljazeera.com\/economy\/2023\/3\/20\/russia-overtakes-saudi-arabia-as-chinas-top-oil-supplier<\/h6>\n\n\n\n<p><sup>[xxii]<\/sup> https:\/\/us500.com\/fortune-global-500<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxiii]<\/sup> DESCALZI, Carmen &amp; GAYOSO Amelia. <em>Russian hegemony in the CIS region: an examination of Russian influence and of variation in consent and dissent by CIS states to regional hierarchy&#8221;, <\/em>Tesis, London School of , 2011, p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxiv]<\/sup> Ibid, p. 95.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxv]<\/sup> Ibid. p. 119.<\/p>\n\n\n\n<p>[xxvi] MATVEEV, Ilya. &#8220;En Rusia, la lucha est\u00e1 viva&#8221;, <em>Jacobin<\/em>, 21 de agosto de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>[xxvii] SAGRAMOSO, Domitilla. Russian Imperialism Revisited: From Disengagement to Hegemony, Nueva York: Routledge, 2020, p. 95<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxviii]<\/sup> MATUSZAK, Slawomir. &#8220;Ucrania se est\u00e1 volviendo dependiente de los pr\u00e9stamos rusos&#8221;, OSW (Centro de Estudios Orientales), 4 de abril de 2012.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxix]<\/sup> https:\/\/www.washingtonpost.com\/world\/2022\/08\/10\/russia-ukraine-war-latest-updates\/<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxx]<\/sup> https:\/\/www.posle.media\/article\/unraveling-russian-state-anxieties<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxi]<\/sup> GORODNICHENKO, Yuriy &amp; Alii. &#8220;La econom\u00eda rusa en pie de guerra: A New Reality Financed by Commodity Exports&#8221;, <em>Center for Economic Policy Research, <\/em>mayo de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxii]<\/sup> https:\/\/theconversation.com\/russias-economy-is-now-completely-driven-by-the-war-in-ukraine-it-cannot-afford-to-lose-but-nor-can-it-afford-to-win-221333<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxiii]<\/sup> COOPER, Julian. &#8220;Another Budget for a Country at War: Military Expenditure in Russia&#8217;s Federal Budget for 2024 and Beyond&#8221;, <em>SIPRI Insights on Peace and Security<\/em>, diciembre de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxiv]<\/sup> POZHIDAEV, Dmitry. &#8220;La desvinculaci\u00f3n de Rusia de Occidente: The Great Equalizer&#8221;, <em>LINKS<\/em>, 13<sup>(th) de <\/sup>junio de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxv]<\/sup> PAR\u00cdS, Costas &amp; alii. &#8220;Russia Explores Plan to Merge Oil Giants into Mega Producer&#8221;, <em>Wall Street Journal, <\/em>4<sup>(th) de <\/sup>noviembre de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxvi]<\/sup> Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxvii]<\/sup> https:\/\/thenextrecession.wordpress.com\/2024\/03\/15\/russians-vote-for-putin\/<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xxxviii]<\/sup> https:\/\/thenextrecession.wordpress.com\/2025\/02\/24\/russia-ukraine-war-three-years-on\/<\/p>\n\n\n\n<p>[xxxix] LYNDELL, Dada. &#8220;No a favor de los pobres: Rosstat&#8217;s poverty figures vs. objective reality&#8221;, <em>The Insider<\/em>, 22<sup>(nd) de <\/sup>noviembre, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xl]<\/sup> MYKHAILOVA, Kateryna. &#8220;The Russian Economy Weakens More as Debt Rises, Oil Prices Fall&#8221;, Kyiv Post, 15<sup>(th) de <\/sup>febrero de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>[xli] https:\/\/b4ukraine.org\/pdf\/B4Ukraine_3Years_Report.pdf<\/p>\n\n\n\n<p><sup>[xlii]<\/sup> PROKOPENKO, Alexandra. &#8220;\u00bfCu\u00e1les son los l\u00edmites de la &#8220;yuanizaci\u00f3n&#8221; de Rusia?&#8221;, <em>Carnegie Politika<\/em>, 24<sup>(th) de <\/sup>mayo, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>[xliii] https:\/\/b4ukraine.org\/pdf\/B4Ukraine_3Years_Report.pdf<\/p>\n\n\n\n<p>[xliv] https:\/\/english.www.gov.cn\/news\/202412\/27\/content_WS676eabb1c6d0868f4e8ee51f.html<\/p>\n\n\n\n<p>[xlv] LISTER, Tim. &#8220;The Iranian drones deployed by Russia in Ukraine are powered by stolen Western technology, research reveals&#8221;, <em>CNN<\/em>, 28<sup>(th) de <\/sup>abril de 2023.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">[xlvi] SMAGIN, Nikita. &#8220;New Russia-Iran Treaty Reveals the Limits of Their Partnership&#8221; <em>Carnegie Politika<\/em>, 21<sup>(st) de <\/sup>enero, 2025.<\/h6>\n\n\n\n<p>[xlvii] Ibid.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o A R\u00fassia \u00e9 um Estado imperialista resultante de um desenvolvimento industrial desigual. 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