{"id":81974,"date":"2025-12-12T19:29:23","date_gmt":"2025-12-12T19:29:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81974"},"modified":"2025-12-19T13:38:18","modified_gmt":"2025-12-19T13:38:18","slug":"sobre-o-novo-artigo-da-fracao-trotsquista-ft-polemizando-com-a-lit-qi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/12\/12\/sobre-o-novo-artigo-da-fracao-trotsquista-ft-polemizando-com-a-lit-qi\/","title":{"rendered":"Sobre o novo artigo da Fra\u00e7\u00e3o Trotsquista (FT) polemizando com a LIT-QI"},"content":{"rendered":"\n<p>Os militantes do Movimento Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores (MRT) e da Fra\u00e7\u00e3o Trotsquista (FT) Iuri Tonelo, Andr\u00e9 Barbieri e Danilo Paris, responderam ao nosso \u00faltimo artigo, com um novo, \u201cA concep\u00e7\u00e3o morenista de revolu\u00e7\u00e3o e a crise hist\u00f3rica da LIT\u201d. Neste artigo, tentam vincular uma suposta \u201ccrise mais profunda da LIT\u201d a suas concep\u00e7\u00f5es equivocadas, em especial \u00e0 teoria da revolu\u00e7\u00e3o em Nahuel Moreno.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos gastar muita tinta com a suposta maior crise da LIT. Se bem que a FT vem alardeando nossa \u201cmaior crise\u201d desde o seu surgimento, assim como vaticinando sobre nossa incorrigibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre isso tem um velho ditado popular que diz: \u201cn\u00e3o se joga pedras em \u00e1rvores que n\u00e3o d\u00e3o frutos\u201d. Esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o, nos parece, responde mais a objetivos autoproclamat\u00f3rios de autoconstru\u00e7\u00e3o, do que um real interesse em discutir ou em ter compromisso com a verdade. Aos que se interessem em saber sobre a luta pol\u00edtica que se desenvolveu no interior da LIT nos \u00faltimos anos, indicamos a leitura da declara\u00e7\u00e3o do PSTU \u2013 LIT sobre o assunto, que pode ser encontrada&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.opiniaosocialista.com.br\/sobre-as-razoes-de-uma-separacao-no-pstu-e-na-lit-qi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vamos, por\u00e9m, responder ao artigo com o mesmo tom e forma com que fazem os autores citados. Acreditamos que o debate franco \u00e9 necess\u00e1rio, no mesmo n\u00edvel que o respeito e a sinceridade dos argumentos. Deixaremos que os leitores julguem n\u00e3o apenas as opini\u00f5es emitidas, mas tamb\u00e9m a forma com que elas foram expostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, queremos entrar na discuss\u00e3o sobre o conceito de revolu\u00e7\u00e3o, porque nos parece uma diferen\u00e7a real entre n\u00f3s e vale a pena ir at\u00e9 o final para dar nitidez sobre o que se est\u00e1 discutindo. E como parte disso, vamos voltar mais uma vez \u00e0 discuss\u00e3o sobre Nahuel Moreno e \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, infundada, de que a FT faz de um suposto \u201cetapismo\u201d do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos pegar um caso acess\u00edvel a todos, o da Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista, e ver qual foi a linha pol\u00edtica de Moreno nesta revolu\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos tomar outros, como citaremos ao longo do texto, e se nos dedicamos exclusivamente \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista se deve meramente \u00e0 economia de espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s acreditamos, como j\u00e1 dissemos em anterior artigo, que os autores t\u00eam uma metodologia equivocada quando julgam o passado, e que esta metodologia \u00e9 parte da tradi\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da FT, como podemos ver em um de seus primeiros textos dedicados a criticar Nahuel Moreno. Nos parece que h\u00e1 uma leitura determinista do passado, como se os processos hist\u00f3ricos, e nos casos as revolu\u00e7\u00f5es, estivessem condenadas a ser exatamente como foram, e n\u00e3o que estavam em disputa e sofreram transforma\u00e7\u00f5es em seu percurso. Isto fundamenta uma leitura te\u00f3rica dogm\u00e1tica e esquerdista que, contraditoriamente, justifica uma pol\u00edtica oportunista no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois disso entraremos tamb\u00e9m, e mais uma vez, na discuss\u00e3o concreta, em especial nas quest\u00f5es sobre Palestina, Ucr\u00e2nia e Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Brasil, vamos mostrar como a pol\u00edtica do MRT durante o impeachment de Dilma Rousseff os levou a ser parte de um campo burgu\u00eas, o campo do governo burgu\u00eas de concilia\u00e7\u00e3o de classes de Dilma-Temer, ao mesmo tempo que tentavam entrar em um dos partidos deste campo burgu\u00eas, o PSOL.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quest\u00e3o da Ucr\u00e2nia e Palestina, queremos discutir dois aspectos: primeiro que h\u00e1 um desprezo pelas lutas dos povos oprimidos pelos seus direitos \u00e0 nacionalidade. Na Ucr\u00e2nia diretamente ao n\u00e3o se colocarem do lado do povo ucraniano contra a R\u00fassia de Putin, e por seu direito de defender o pa\u00eds invadido do jeito que for preciso.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso palestino, passando por cima das palavras de ordem democr\u00e1ticas, cuja mais importante \u00e9 \u201cPalestina livre do Rio ao Mar\u201d, \u00e0 qual contrapunham at\u00e9 alguns dias atr\u00e1s, \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nitidamente uma ruptura com a metodologia do Programa de Transi\u00e7\u00e3o, substituindo-a por um programa m\u00e1ximo abstrato, e neste caso abandonando estas importantes tarefas democr\u00e1ticas pelo caminho (na mesma medida em que cedem a Putin na Ucr\u00e2nia) e que, historicamente, t\u00eam vacilado em diversas ocasi\u00f5es em defender com todas as letras o fim do Estado sionista de Israel na Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse novo artigo, e em outros que se sucederam a essa resposta, a FT tamb\u00e9m tenta mudar, corrigir ou ajustar uma s\u00e9rie de posi\u00e7\u00f5es, sem dizer que est\u00e1 mudando. Essa, na nossa opini\u00e3o, \u00e9 mais uma faceta de uma metodologia ruim com a qual a FT trabalha. Uma suposta infalibilidade \u00e9 acompanhada de distor\u00e7\u00f5es sobre as opini\u00f5es com as quais debate. Isto, para al\u00e9m de n\u00e3o contribuir para um bom ambiente de debate, dificulta tamb\u00e9m discutir a ess\u00eancia das diferen\u00e7as. Isso \u00e9 assim na quest\u00e3o das revolu\u00e7\u00f5es do p\u00f3s-guerra, que trataremos logo a seguir, mas tamb\u00e9m em outras quest\u00f5es que n\u00e3o abrangem o escopo deste artigo. Este \u00e9 o caso da recente mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o da FT sobre a China, no nosso modo de ver, bastante atrasada, incompleta e unilateral, onde necessitam mais uma vez distorcer nossas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos ao texto.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mais uma vez a teoria da revolu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o sobre o que \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o, uma das pol\u00eamicas que temos com a FT, pode ser feita de v\u00e1rias maneiras e tomando v\u00e1rios enfoques: hist\u00f3rico, acad\u00eamico ou militante. N\u00e3o \u00e9 indiferente a forma que encaramos a discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque uma coisa \u00e9 discutir de forma ass\u00e9ptica e 30, 40, 50 anos depois dos fatos, tendo conhecimento de seu resultado, e sem se preocupar em responder a cada novo momento dos acontecimentos. E outra bem diferente \u00e9 tentar entender cada curva desses mesmos acontecimentos e como responder a eles. Determinar em cada um dos acontecimentos onde e quando se produziram as mudan\u00e7as que determinaram a nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Para poder fazer isso de forma militante, concreta, obviamente \u00e9 preciso saber dizer que fen\u00f4meno pol\u00edtico est\u00e1 se vivendo naquele momento, e que possibilidades estes momentos pol\u00edticos te abrem ou te fecham.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed entra a discuss\u00e3o sobre o que \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o. Em nosso artigo apresentamos a defini\u00e7\u00e3o abaixo do que era uma revolu\u00e7\u00e3o, da obra de Trotsky, \u201cHist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa\u201d:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A caracter\u00edstica mais incontest\u00e1vel da Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o direta das massas nos acontecimentos hist\u00f3ricos (\u2026) A hist\u00f3ria de uma Revolu\u00e7\u00e3o, para n\u00f3s, inicialmente, \u00e9 a narrativa de uma irrup\u00e7\u00e3o violenta das massas nos dom\u00ednios onde se desenrolam seus pr\u00f3prios destinos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, o que define que um determinado processo se deu de forma revolucion\u00e1ria e n\u00e3o reformista, \u00e9 a a\u00e7\u00e3o das massas, que passa por cima de suas representa\u00e7\u00f5es legais e atuam elas mesmas em seu pr\u00f3prio nome.<\/p>\n\n\n\n<p>A esta cita\u00e7\u00e3o de Trotsky, fomos respondidos com outra:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o significa mudan\u00e7a do regime social. Ela transmite o poder das m\u00e3os de uma classe, que se esgotou, \u00e0s m\u00e3os de outra classe em ascens\u00e3o. A insurrei\u00e7\u00e3o constitui o momento mais cr\u00edtico e mais agudo na luta de duas classes pelo poder. A subleva\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode conduzir \u00e0 vit\u00f3ria real da revolu\u00e7\u00e3o e \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de novo regime sen\u00e3o quando se apoia sobre uma classe progressista, capaz de agrupar em torno de si a imensa maioria do povo. (\u2026) A interven\u00e7\u00e3o ativa das massas nos acontecimentos constitui o elemento indispens\u00e1vel da revolu\u00e7\u00e3o. E, sem d\u00favida, a demonstra\u00e7\u00e3o, de uma rebeli\u00e3o, sem elevar-se \u00e0 altura de uma revolu\u00e7\u00e3o. A subleva\u00e7\u00e3o das massas deve conduzir \u00e0 derrubada do poder de uma classe e ao estabelecimento da domina\u00e7\u00e3o de outra. Somente assim teremos uma revolu\u00e7\u00e3o consumada.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Aparentemente h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o entre estes textos, afinal, para Trotsky o que define uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cuma irrup\u00e7\u00e3o violenta das massas nos dom\u00ednios onde se desenrolam seus pr\u00f3prios destinos\u201d ou, como diz a cita\u00e7\u00e3o dos companheiros, seria a \u201cderrubada do poder de uma classe e ao estabelecimento da domina\u00e7\u00e3o de outra\u201d. Nos parece que a contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa porque Trotsky est\u00e1 falando de coisas distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro caso, Trotsky se refere ao processo. Como reconhecer que estamos diante de um processo revolucion\u00e1rio? Trotsky diz que \u00e9 se h\u00e1 uma interven\u00e7\u00e3o violenta das massas que irrompem na realidade pol\u00edtica por conta pr\u00f3pria. \u00c9 essa a\u00e7\u00e3o violenta, por fora das formalidades legais e dos calend\u00e1rios oficiais, que define um processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda cita\u00e7\u00e3o, que justamente se chama \u201cO Que Foi a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro\u201d Trotsky est\u00e1 falando da consuma\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro na ex-URSS. Ou seja, quando a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro \u00e9 vitoriosa. Os textos s\u00e3o, obviamente, complementares, um ajuda os que querem saber se \u00e9 ou n\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o, o outro a definir quando a revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria chegou a seu primeiro termo, a conquista do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, poderiam argumentar, que, ou se tem vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, ou n\u00e3o se tem nada, Falar em vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, por exemplo, seria um erro, ou um exagero ou mesmo reformismo. E, inclusive, que falar em revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica pura e simplesmente \u00e9 aderir a uma forma de etapismo ou semi-etapismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, olhando em uma perspectiva mais longa, e longe dos acontecimentos, esse tipo de argumento pode parecer fazer sentido. Mas se olharmos os acontecimentos em seu momento, tal afirma\u00e7\u00e3o perde totalmente a sua for\u00e7a, e \u00e9 contraditada inclusive por te\u00f3ricos da pr\u00f3pria FT.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky dedica tr\u00eas cap\u00edtulos da Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro (cap\u00edtulos VII, VIII, IX) e logo no in\u00edcio do cap\u00edtulo VIII ele diz:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Os advogados e os jornalistas que pertenciam \u00e0s classes prejudicadas pela Revolu\u00e7\u00e3o gastaram, posteriormente, boa quantidade de tinta para demonstrar que, em fevereiro, houve apenas uma subleva\u00e7\u00e3o de mulheres refor\u00e7ada por um motim militar; foi precisamente assim que alguns nos apresentaram a Revolu\u00e7\u00e3o. Lu\u00eds XVI, em seu tempo,&nbsp;<em>obstinava-se em acreditar que a tomada da Bastilha era o resultado de uma revolta, at\u00e9 que lhe explicaram, com defer\u00eancia, que se tratava de uma Revolu\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, para Trotsky o que aconteceu em fevereiro, essencialmente uma mudan\u00e7a de regime na R\u00fassia czarista, foi uma revolu\u00e7\u00e3o, a de fevereiro, e ele observa, na cita\u00e7\u00e3o (cujos it\u00e1licos s\u00e3o nossos) justamente que alguns confundem uma revolta com uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto \u2013 e \u00e9 isso o que distingue nossa pol\u00edtica para esses processos daquela dos reformistas e etapistas em geral \u2013 n\u00f3s, diante disso, impulsionamos a continuidade da revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sua parada obrigat\u00f3ria na etapa democr\u00e1tica rec\u00e9m-conquistada. Como diz o pr\u00f3prio Trotsky no Novo Curso:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Uma vez que come\u00e7a a revolu\u00e7\u00e3o (na qual participamos e dirigimos), em nenhum caso a interrompemos em uma etapa formalmente determinada. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o deixamos de realizar e levar adiante esta revolu\u00e7\u00e3o, de acordo com a situa\u00e7\u00e3o, enquanto ela n\u00e3o tenha esgotado todas as possibilidades e todos os recursos do movimento. (\u201cNovo Curso\u201d 6 A \u201csubestima\u00e7\u00e3o do campesinato\u201d)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, n\u00f3s colocamos nosso esfor\u00e7o e pol\u00edtica para o desenvolvimento permanente da revolu\u00e7\u00e3o \u201cenquanto ela n\u00e3o tenha esgotado todas as possibilidades e todos os recursos do movimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa afirmar que as revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o param em processos intermedi\u00e1rios? Quem nos responde \u00e9 Juan Dal Maso, te\u00f3rico da FT, ao discutir a teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, respondendo a Perry Anderson. O que diz Juan Dal Maso?<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Perry Anderson, por sua vez, faz uma esp\u00e9cie de obje\u00e7\u00e3o \u201cfalsacionista\u201d: a TRP [Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente] nunca foi confirmada, pois durante a segunda p\u00f3s-guerra houve revolu\u00e7\u00f5es anti-imperialistas (Arg\u00e9lia) e agr\u00e1rias (Bol\u00edvia) que n\u00e3o foram socialistas, assim como na \u00cdndia se estabeleceu uma democracia burguesa est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa vis\u00e3o mais ampla do s\u00e9culo XX, propomos tamb\u00e9m que o \u201cfalsacionismo de ocasi\u00e3o\u201d de Perry Anderson ignora o fato de que a TRP n\u00e3o sustenta que solu\u00e7\u00f5es parciais para as demandas democr\u00e1ticas sejam imposs\u00edveis (Juan Dal Maso Em busca da forma atual da revolu\u00e7\u00e3o permanente)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ora, ao que parece, igual a n\u00f3s, o te\u00f3rico da FT concorda que solu\u00e7\u00f5es parciais para as demandas democr\u00e1ticas s\u00e3o poss\u00edveis, embora nem sempre inevit\u00e1veis e, dizemos n\u00f3s, como tamb\u00e9m pensavam Trotsky, L\u00eanin e Moreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos \u00e0 quest\u00e3o da resposta militante, e dos momentos em que as analisamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 1979, poucos dias depois do triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista (19 de julho de 1979), Moreno se re\u00fane com os combatentes das Brigadas Simon Bol\u00edvar para discutir a situa\u00e7\u00e3o da Nicar\u00e1gua e ter uma pol\u00edtica para o pa\u00eds e o subcontinente (o texto \u201cLas perspectivas y la pol\u00edtica revolucion\u00e1ria despu\u00e9s del triunfo de la revoluci\u00f3n nicarag\u00fcense\u201d est\u00e1 dispon\u00edvel no arquivo Leon Trotsky. Ler&nbsp;<a href=\"https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=2371\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>aqui<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Primeira quest\u00e3o, o que havia ocorrido na Nicar\u00e1gua? Moreno diz: aqui triunfou uma revolu\u00e7\u00e3o. Segunda quest\u00e3o, qual o car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o que triunfa? Moreno diz: \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Terceira quest\u00e3o, qual a tarefa diante deste triunfo? Moreno diz, e aqui vamos citar textualmente:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Nenhum dos presentes acredita que o processo revolucion\u00e1rio na Nicar\u00e1gua tenha terminado. Todos sentem, e assim o manifestaram, que est\u00e1 apenas come\u00e7ando.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica n\u00e3o terminou, mas apenas iniciou a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algum etapismo a\u00ed? Os companheiros dir\u00e3o que a terminologia \u00e9 etapista, que o pr\u00f3prio Moreno fala em vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Sim, \u00e9 verdade, Moreno chama esse momento transit\u00f3rio da revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se concluiu de democr\u00e1tica, ou democr\u00e1tico burguesa. Seria esse afinal o crime de Moreno? Vejamos uma passagem de Trotsky:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>(\u2026) Sem nos opormos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, muito pelo contr\u00e1rio, apoiando-a sem reservas, mesmo no marco da separa\u00e7\u00e3o (ou seja, sustentando a luta, mas n\u00e3o as ilus\u00f5es), devemos lutar por nossa posi\u00e7\u00e3o independente perante a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, recomendando, aconselhando, propondo a id\u00e9ia da Federa\u00e7\u00e3o das Rep\u00fablicas Sovi\u00e9ticas da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, como parte constituinte dos Estados Unidos da Europa (Carta a Nin: Los soviets y el problema de la \u201cbalcanizaci\u00f3n\u201d , 1 de setiembre de 1931)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 certo Trotsky em chamar a revolu\u00e7\u00e3o espanhola em curso de democr\u00e1tica? Ser\u00e1 que ele prop\u00f5e etapas distintas para a revolu\u00e7\u00e3o? Ou seria apenas uma forma de destacar que as tarefas motoras do in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o espanhola eram aquelas da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica?<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez retomando o fio do racioc\u00ednio. Em agosto de 1979, Nahuel Moreno estava diante de uma revolu\u00e7\u00e3o que havia triunfado parcialmente, em um processo em aberto no qual era necess\u00e1rio intervir.<\/p>\n\n\n\n<p>Saber se estava diante de uma vit\u00f3ria era fundamental, sobre que tipo de vit\u00f3ria tamb\u00e9m, porque poderia ter havido uma reforma controlada pelo imperialismo e a burguesia. Portanto, dizer que tinha havido uma revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma reforma, ou seja, que o aparato central da burguesia, suas for\u00e7as armadas, tinham sido destru\u00eddas pela a\u00e7\u00e3o das massas, era fundamental para se ter uma no\u00e7\u00e3o do que se poderia fazer. Por outro lado, delimitar que era uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa, pelas tarefas, dire\u00e7\u00f5es e limites que estavam colocados naquele momento, indicava a necessidade de seguir at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>No texto que indicamos acima, a maior parte \u00e9 dedicada justamente a isso, \u00e0 necessidade de construir um partido revolucion\u00e1rio, de manter, estender e centralizar as mil\u00edcias, de construir organismos de duplo poder, de ser oposi\u00e7\u00e3o ao GNR (o governo que surgiu da revolu\u00e7\u00e3o sandinista), pois que o governo era o principal inimigo, e exigir \u00e0 FSLN que rompesse com a burguesia e tomasse o poder.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos parece para nada uma orienta\u00e7\u00e3o etapista. Nem nos parece uma orienta\u00e7\u00e3o concreta equivocada para aquele exato momento, ainda que poderia haver um ou outro aspecto em que a pol\u00edtica concreta pudesse ser, ou n\u00e3o, diferente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mudando de opini\u00e3o sem dizer<\/h4>\n\n\n\n<p>Em nosso texto anterior, criticamos a FT pela vis\u00e3o que apresentavam no texto \u201cPol\u00eamica con la LIT y el legado teorico de Nahuel Moreno\u201d, sobre as revolu\u00e7\u00f5es anticoloniais.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz\u00edamos, ent\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Ademais, a an\u00e1lise da FT sobre os processos de descoloniza\u00e7\u00e3o na \u00c1frica mostra-se profundamente insuficiente. Eles resumem, por exemplo, que movimentos como o Mau Mau (Qu\u00eania) e a luta de Patrice Lumumba (Congo) lograram apenas uma \u201cindepend\u00eancia formal como semicol\u00f4nias\u201d, e que a Arg\u00e9lia, ap\u00f3s alcan\u00e7ar um \u201cgoverno oper\u00e1rio e campon\u00eas\u201d, retrocedeu para um Estado burgu\u00eas semicolonial. Sobre as col\u00f4nias portuguesas, afirmam que as lideran\u00e7as pequeno-burguesas (como o MPLA) n\u00e3o instauraram Estados oper\u00e1rios nem mesmo deformados.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa leitura nos parece equivocada por ser teleol\u00f3gica e determinista, como se o resultado final estivesse contido de forma inelut\u00e1vel no in\u00edcio do processo, julgando-o com a lente de hoje, cinquenta anos depois. Ao faz\u00ea-lo, a FT desconsidera o contexto hist\u00f3rico real: o que chamam de \u2018apenas independ\u00eancia formal\u2019 representou, em seu momento, gigantescas vit\u00f3rias t\u00e1ticas. Essas revolu\u00e7\u00f5es, que antecederam e sucederam a Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa (outro evento crucial ignorado pela FT), foram grandes acontecimentos hist\u00f3ricos que, dentro dos marcos da revolu\u00e7\u00e3o permanente, se desenrolaram de forma inesperada.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Eis que agora, ap\u00f3s a nossa cr\u00edtica, e sem diz\u00ea-lo, aparece em um texto sobre a revolu\u00e7\u00e3o angolana (Classes, Estado e Estrat\u00e9gias nas independ\u00eancias africanas \u2013 Parte 2) a seguinte passagem:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A explos\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas africanas, sobretudo no p\u00f3s-guerra, desestabilizou o equil\u00edbrio imperialista, precipitou crises pol\u00edticas nas metr\u00f3poles e teve impactos profundos sobre os ciclos de mobiliza\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses centrais \u2014 como demonstram, por exemplo, a conex\u00e3o entre as guerras coloniais portuguesas e a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, ou o v\u00ednculo entre as lutas de liberta\u00e7\u00e3o nas col\u00f4nias francesas e o Maio de 1968. Apesar dos limites impostos pelas dire\u00e7\u00f5es e pelas estrat\u00e9gias adotadas, reafirmamos aqui nosso entusiasmo com a energia hist\u00f3rica dessas massas, cuja a\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas impulsionou as independ\u00eancias nacionais, mas tamb\u00e9m contribuiu para a crise do capitalismo internacional.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, a mesma id\u00e9ia que exprimimos em nosso texto e o oposto do dito at\u00e9 hoje pela FT. Saudamos esse avan\u00e7o da compreens\u00e3o dos processos revolucion\u00e1rios que faz o autor do texto, ainda que o mais correto seria assumir claramente a mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o, coisa que nem o autor, nem a corrente faz.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o achamos que essa mudan\u00e7a (bem como a leitura da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente feita por Juan Dal Maso que citamos acima) sejam casuais, \u00e9 a realidade que vai fazendo a teoria da revolu\u00e7\u00e3o da FT desmoronar ao mesmo tempo que d\u00e1 raz\u00e3o a Nahuel Moreno, como tamb\u00e9m a Trotsky e L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses ajustes emp\u00edricos, no entanto, s\u00e3o insuficientes. Chamamos os companheiros a pensar se a sua vis\u00e3o sobre a revolu\u00e7\u00e3o permanente e o papel das palavras de ordem democr\u00e1ticas, na verdade, n\u00e3o questionam a metodologia do programa de transi\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o se constituem numa vis\u00e3o esquem\u00e1tica da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Dito isso, uma s\u00edntese<\/h4>\n\n\n\n<p>Pedimos desculpas pela longa digress\u00e3o a que fomos obrigados a fazer, mas cremos que havia muitos elementos de confus\u00e3o no debate e era necess\u00e1rio dar nitidez a eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos dizer sinteticamente que, para n\u00f3s, uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a entrada violenta, abrupta, das massas no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Que ao iniciar-se uma revolu\u00e7\u00e3o, n\u00f3s lutamos para que ela assuma uma din\u00e2mica permanente, ou seja, para que n\u00e3o pare em nenhuma etapa pr\u00e9-determinada, mas que, ao lutar para que ela n\u00e3o pare em uma etapa pr\u00e9-determinada, n\u00e3o ignoremos que pode haver momentos epis\u00f3dicos em uma revolu\u00e7\u00e3o e que, como observa Juan Dal Maso, a TRP [Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente] n\u00e3o sustenta que n\u00e3o possam haver solu\u00e7\u00f5es parciais para as demandas democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser partid\u00e1rio dessas solu\u00e7\u00f5es parciais n\u00e3o significa n\u00e3o as identificar e valor\u00e1-las. E esta valora\u00e7\u00e3o evolui com o tempo, pois toda revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o avan\u00e7a retrocede. As revolu\u00e7\u00f5es (com este nome) Sandinista, Portuguesa, Argelina, Angolana, Mo\u00e7ambicana, entre outras, foram grandes triunfos de revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, cujo curso permanente foi interrompido pela a\u00e7\u00e3o consciente de v\u00e1rios agentes, e que retrocederam, algumas para al\u00e9m de seu ponto inicial de partida.<\/p>\n\n\n\n<p>Moreno, como poder\u00e1 ser visto em seus escritos sobre estas revolu\u00e7\u00f5es (h\u00e1 longos textos de Moreno sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa, Sandinista, sobre Angola, al\u00e9m de Cuba, Peru, a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Pol\u00f4nia etc.) jamais advogou por parar a revolu\u00e7\u00e3o em qualquer etapa epis\u00f3dica desta, sempre defendeu e buscou orientar a pol\u00edtica de seus partidos e militantes para buscar os pontos de apoios necess\u00e1rios para garantir a perman\u00eancia desses processos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a metodologia da explica\u00e7\u00e3o que d\u00e3o os autores do texto \u00e9, nos desculpem, profundamente marcada por um determinismo, ou seja, interpretam os acontecimentos de 50 anos atr\u00e1s a partir dos resultados de hoje, e t\u00eam \u201clinha pol\u00edtica\u2019 para esses processos como se, em seus in\u00edcios eles, fossem iguais ao seu resultado final. E com essa forma de raciocinar concluem que os acontecimentos em quest\u00e3o (no caso essas revolu\u00e7\u00f5es) s\u00f3 poderiam ter dado no que deu, e que nunca foram um processo em disputa. Ou seja, como se n\u00e3o houvesse alternativas a disputar, ou como se fosse poss\u00edvel construir qualquer alternativa de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria sem disputar tais processos. Parodiando o historiador russo Vadim Rog\u00f3vin, havia alternativa (embora ele falasse no caso da possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para ela).<\/p>\n\n\n\n<p>Determinismo e formalismo andam de m\u00e3os dadas. Por isso insistimos que vale a pena a milit\u00e2ncia e o ativismo se apropriar de \u201cAs li\u00e7\u00f5es de Outubro\u201d de Le\u00f3n Trotsky, at\u00e9 para ver que poderia ter existido v\u00e1rios desfechos diferentes para a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. E para ver que, de modo algum, o desfecho vitorioso de Outubro pode prescindir de reconhecer uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em fevereiro e ter uma pol\u00edtica correta para sua continuidade. Por outro lado, essa vis\u00e3o formalista, e at\u00e9 esquerdista na teoria, encobre e justifica muitas vezes uma pol\u00edtica oportunista, como na Ucr\u00e2nia e mesmo na Palestina, quando criticam o Hamas por motivos equivocados, como o questionamento \u00e0 legitimidade das a\u00e7\u00f5es do 7 de outubro, ou \u00e0 quest\u00e3o de fazer prisioneiros de guerra. Ou no Brasil perante a crise do governo Dilma-Temer e na Argentina perante Christina Kirchner.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mais uma vez sobre a pol\u00edtica da FT para a Palestina<\/h4>\n\n\n\n<p>Nesse novo artigo que estamos respondendo, na parte correspondente \u00e0 Palestina, nos acusam de \u201cexercer o que, em l\u00f3gica, se denomina \u2018fal\u00e1cia do espantalho\u2019: reduzir a posi\u00e7\u00e3o do interlocutor ao absurdo, para facilitar a derrota de um argumento inexistente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma acusa\u00e7\u00e3o muito grave. No entanto, o leitor poder\u00e1 comprovar que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o utilizamos em nenhum momento essa fal\u00e1cia, como, pelo contr\u00e1rio, o artigo deles que \u00e9 um verdadeiro exemplo dessa manobra..<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A luta por uma \u201cPalestina livre do rio ao mar\u201d<\/h4>\n\n\n\n<p>Os companheiros afirmam que \u201cdizer que a FT se nega a levantar a bandeira de \u2018Palestina livre, desde o rio at\u00e9 o mar\u2019 \u00e9 um m\u00e9todo deplor\u00e1vel e pouco valente, para ocultar o debate central.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o certo \u00e9 que a FT, pelo menos at\u00e9 agora, sempre foi contr\u00e1ria ao uso dessa consigna. Um de seus principais dirigentes, Mat\u00edas Maiello, dizia em novembro de 2023 (ver&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.esquerdadiario.com.br\/Um-debate-sobre-a-posicao-da-esquerda-em-relacao-a-estrategia-e-aos-metodos-do-Hamas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>N\u00f3s lutamos pela plena realiza\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional do povo palestino e pela \u00fanica solu\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica verdadeiramente progressista, a saber, uma Palestina oper\u00e1ria e socialista.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em seu escrito, n\u00e3o mencionava em nenhum momento a consigna de uma Palestina livre do rio ao mar. Outro dirigente, Paul Morao, escrevia nas mesmas datas (leia&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.revolutionpermanente.fr\/Lutte-ouvriere-le-NPA-C-et-la-lutte-pour-l-auto-determination-de-la-Palestine\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) Paul Morao, 30 octubre de 2023):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00f3s defendemos o projeto de uma Palestina oper\u00e1ria e socialista na qual \u00e1rabes e judeus possam viver em paz.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>De novo, nenhuma men\u00e7\u00e3o a uma Palestina livre do rio ao mar. Philippe Alcoy insistia na mesma tecla:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cHoje, para garantir os direitos nacionais dos palestinos, lutamos por um Estado oper\u00e1rio e socialista, laico, em todo o conjunto da Palestina hist\u00f3rica.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outra vez, sem refer\u00eancia alguma a uma Palestina livre do rio ao mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Polemizando com a FT (leia&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.opiniaosocialista.com.br\/moreno-e-o-morenismo-um-debate-com-o-mrt-e-a-fracao-trotsquista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>), d\u00e1vamos nossa opini\u00e3o sobre as raz\u00f5es da sua rejei\u00e7\u00e3o a esta palavra de ordem:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cOs companheiros da FT pensam que defender a palavra de ordem \u2018Palestina democr\u00e1tica, laica e n\u00e3o racista, do rio ao mar\u2019 equivale a defender uma \u2018etapa democr\u00e1tica\u2019 e renunciar ao car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o palestina. Mas se enganam totalmente, porque essa consigna \u00e9, atualmente, a principal reivindica\u00e7\u00e3o do programa para a revolu\u00e7\u00e3o socialista na Palestina e em toda a regi\u00e3o. Em lugar de integrar essa palavra de ordem em um programa transicional \u2014 combinando-a com demandas econ\u00f4micas, sociais, transicionais e socialistas, dando \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o palestina uma dimens\u00e3o regional e internacional (que culmina na luta por uma federa\u00e7\u00e3o socialista do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica) \u2014 a FT a substitui pela consigna de uma \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>E acrescent\u00e1vamos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEste grave erro da FT choca frontalmente com a metodologia com a qual os trotskistas abordamos esses problemas ao longo de nossa hist\u00f3ria\u201d, a metodologia do Programa de Transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT dizem agora em sua resposta que \u201ca FT ergue com orgulho a consigna \u2018Palestina livre, desde o rio at\u00e9 o mar\u2019\u201d. Se essa \u00e9 sua nova posi\u00e7\u00e3o, nos alegramos enormemente e a entendemos como um resultado da impressionante mobiliza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, que fizeram dessa palavra de ordem uma bandeira central na luta contra o genoc\u00eddio sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m pensamos que n\u00e3o deveria ser um problema entre revolucion\u00e1rios reconhecer um erro e retific\u00e1-lo. No entanto, os companheiros da FT n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o reconhecem seu erro, como nos acusam de fals\u00e1rios pelo fato de mostrar as posi\u00e7\u00f5es que defenderam por tanto tempo. Al\u00e9m disso, longe de limitar-se a isso, dedicam-se a atribuir-nos posi\u00e7\u00f5es que jamais defendemos, sem sequer mostrar uma \u00fanica declara\u00e7\u00e3o, resolu\u00e7\u00e3o ou artigo nosso que comprove o que afirmam. Depois, sobre essa base falsa (\u201cfal\u00e1cia do espantalho\u201d), lan\u00e7am acusa\u00e7\u00f5es sem fundamento contra n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Argumentam, assim, que a LIT levanta \u201co programa de uma \u2018Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u2019, opondo-se \u00e0 din\u00e2mica permanentista e desvinculando-a da perspectiva program\u00e1tica da revolu\u00e7\u00e3o socialista\u201d. E ainda mais, dizem que a LIT consideraria \u201cposs\u00edvel a exist\u00eancia de uma Palestina independente, \u2018laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u2019 (\u2026) dentro dos marcos da atual arquitetura do Oriente M\u00e9dio\u201d e que \u201cse aproxima pol\u00edtica e programaticamente de variantes das dire\u00e7\u00f5es burguesas \u00e1rabes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o acusa\u00e7\u00f5es delirantes. De onde puderam tirar tais conclus\u00f5es quando defendemos justamente o contr\u00e1rio? O recente XVI Congresso Mundial da LIT, cujas&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/programa\/2025?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">resolu\u00e7\u00f5es est\u00e3o publicadas em nossa p\u00e1gina<\/a>, aprovou o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Defendemos a consigna hist\u00f3rica de uma Palestina livre, democr\u00e1tica e laica do rio ao mar, associada \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, \u00e0 luta por um governo dos trabalhadores e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta consigna democr\u00e1tica \u00e9 parte do programa da revolu\u00e7\u00e3o permanente, que se vincula \u00e0 luta anti-imperialista das classes trabalhadoras da regi\u00e3o e \u00e0 solidariedade nos centros imperialistas, e que se completa na consigna de uma Federa\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas Socialistas \u00c1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p>A reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica nacional contida na palavra de ordem \u2018Palestina livre, democr\u00e1tica e laica do rio ao mar\u2019 pode assumir um car\u00e1ter de transi\u00e7\u00e3o, porque para se concretizar necessita da destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, o que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel em um processo de revolu\u00e7\u00e3o permanente que combine uma nova intifada, um novo processo revolucion\u00e1rio nos pa\u00edses da regi\u00e3o (primavera \u00e1rabe), com a resist\u00eancia armada na Palestina e mobiliza\u00e7\u00f5es de massas em todo o mundo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Algu\u00e9m v\u00ea aqui algum sinal de \u201cetapismo\u201d, a cantilena com a qual a FT nos acusa dia e noite, e com base na qual nos rebaixou de revolucion\u00e1rios a \u201ccentristas\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o problema, na verdade, est\u00e1 agora com os pr\u00f3prios companheiros da FT, pois se persistirem em defender a palavra de ordem democr\u00e1tico-nacional de uma \u201cPalestina livre, do rio ao mar\u201d, ter\u00e3o s\u00e9rias dificuldades em sustentar com coer\u00eancia sua particular concep\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A cr\u00edtica aos \u201cm\u00e9todos do Hamas\u201d<\/h4>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um ponto importante de nossos artigos que os companheiros da FT n\u00e3o quiseram abordar em sua resposta. Referimo-nos ao seu rep\u00fadio aos \u201cm\u00e9todos do Hamas\u201d. Eles evitaram a pol\u00eamica, limitando-se a dizer que \u201cdo ponto de vista hist\u00f3rico, todas as manifesta\u00e7\u00f5es dessa resist\u00eancia s\u00e3o leg\u00edtimas\u201d, o que \u00e9 uma generalidade que serve para tudo e para nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Alcoy escreve, no artigo citado:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Este m\u00e9todo de atacar a popula\u00e7\u00e3o civil israelense \u00e9 totalmente reacion\u00e1rio e contraproducente para a causa palestina.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Maiello refor\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Isso prejudica enormemente a causa [palestina], por isso \u00e9 fundamental delimitar esses m\u00e9todos que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com os do proletariado.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Maiello tamb\u00e9m se op\u00f5e frontalmente \u00e0 tomada de \u201cref\u00e9ns\u201d (na verdade prisioneiros de guerra), dizendo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O que tem a ver a tomada como ref\u00e9ns do arcebispo de Paris, dos padres e dos gendarmes durante a Comuna com a tomada de ref\u00e9ns em um festival de m\u00fasica onde uma parte significativa dos participantes eram jovens pacifistas que n\u00e3o eram inimigos da causa palestina? Nada a ver.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na verdade, os companheiros da FT, longe de contextualizar as \u201cmortes de civis\u201d do 7 de outubro, deram a elas uma centralidade que s\u00f3 pode ser entendida pela brutal e persistente press\u00e3o da campanha dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais. Alcoy chega inclusive a fazer valoriza\u00e7\u00f5es morais:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cRejeitar a qualifica\u00e7\u00e3o de \u2018terrorismo\u2019 n\u00e3o \u00e9 relativizar nem muito menos justificar os crimes do Hamas contra civis palestinos e israelenses\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por nossa parte, defendemos que nunca devemos equiparar a viol\u00eancia do opressor com a do oprimido e que: \u201cn\u00e3o podemos qualificar de \u2018crimes\u2019 as mortes de civis israelenses, v\u00edtimas da resposta militar do Hamas \u00e0 barb\u00e1rie de Israel, verdadeiro respons\u00e1vel por suas mortes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Afirmamos tamb\u00e9m: \u201ca LIT posicionou-se incondicionalmente ao lado da resist\u00eancia palestina contra o Estado genocida de Israel e defendeu sua a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro de 2023.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos convencidos de que, dessa maneira, continuamos a tradi\u00e7\u00e3o marxista de defender o direito dos povos oprimidos a rebelar-se por qualquer meio necess\u00e1rio. Nos situamos no campo militar dos palestinos, ainda que n\u00e3o tenhamos acordo program\u00e1tico nem pol\u00edtico com a dire\u00e7\u00e3o do Hamas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensamos que a FT se equivocou gravemente ao esquecer em sua argumenta\u00e7\u00e3o que \u201ca sociedade israelense est\u00e1 completamente militarizada. A juventude israelense ou est\u00e1 no ex\u00e9rcito ou \u00e9 reservista. Mesmo se fossem apenas \u2018civis\u2019, atacar a resist\u00eancia palestina pela morte de civis \u00e9 um erro total. Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o de guerra, de um povo oprimido em profunda desvantagem militar frente a uma pot\u00eancia nuclear.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 tomada de \u201cref\u00e9ns\u201d, respondemos dizendo que \u201ceste tipo de a\u00e7\u00e3o foi realmente utilizado pelos bolcheviques na revolu\u00e7\u00e3o russa, assim como na Comuna de Paris. O que h\u00e1 de errado nisso? Contrariamente ao afirmado pela FT, a tomada de \u2018ref\u00e9ns\u2019 (prisioneiros de guerra) mostrou-se correta, sendo at\u00e9 agora um elemento central que provoca crise interna em Israel, mobilizando milhares de familiares contra o governo Netanyahu pela conquista de um acordo que permita sua liberta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E acrescentamos \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil que um militante da FT conven\u00e7a qualquer ativista palestino de que a tomada de \u2018ref\u00e9ns\u2019 foi um erro. N\u00e3o por acaso, esse assunto desapareceu de sua imprensa. Como costuma ocorrer com a FT, n\u00e3o deram explica\u00e7\u00e3o sobre isso e, se modificaram sua posi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o fizeram autocr\u00edtica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Explicamos tamb\u00e9m \u201cn\u00e3o se pode abstrair que o Hamas \u00e9 uma resist\u00eancia popular sem avi\u00f5es, tanques nem navios, enclausurada na maior pris\u00e3o a c\u00e9u aberto do mundo, submetida a um cerco criminal e a ataques atrozes durante 17 anos. Nessas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o se pode exigir que o Hamas respeite um suposto c\u00f3digo moral de combate em sua luta \u2014 enormemente desigual \u2014 contra o ex\u00e9rcito ocupante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode esquecer que \u201cos assentamentos israelenses nos arredores de Gaza (e, de modo geral, todo o territ\u00f3rio de Israel, erguido sobre o saque das terras palestinas e a limpeza \u00e9tnica) n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 col\u00f4nias constru\u00eddas sobre terras roubadas pela viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m cumprem uma fun\u00e7\u00e3o militar de cerco \u00e0 Faixa, conectadas a uma ampla rede de instala\u00e7\u00f5es militares, atacadas pelos milicianos e em grande parte destru\u00eddas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u201cIsrael \u00e9 uma base militar gigante onde, al\u00e9m das tropas em servi\u00e7o, h\u00e1 400.000 reservistas e grande n\u00famero de civis armados\u201d. Tamb\u00e9m destacamos que \u201cuma coisa \u00e9 a propaganda sionista falaciosa, reproduzida massivamente pelos governos e pelos meios ocidentais, e outra s\u00e3o os fatos reais, parte dos quais veio \u00e0 tona nas \u00faltimas semanas, embora rapidamente silenciados. Sabemos, por exemplo, que parte dos mortos no festival de m\u00fasica foram v\u00edtimas de disparos indiscriminados de helic\u00f3pteros militares israelenses e que, como menciona Maiello, parte dos mortos nos assentamentos pr\u00f3ximos \u00e0 Faixa de Gaza foram v\u00edtimas das tropas israelenses que combatiam os milicianos palestinos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Confraterniza\u00e7\u00e3o palestina com a classe oper\u00e1ria judia-israelense?<\/h4>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 outro aspecto que os companheiros da FT deixam deliberadamente de lado em sua resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nosso artigo diz\u00edamos que um dos grandes motivos da cr\u00edtica da FT aos \u201cm\u00e9todos do Hamas\u201d era porque os consideram um grande obst\u00e1culo \u00e0 confraterniza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora palestina com a israelense. Alcoy expressa isso dizendo que o ataque de 7 de outubro \u201cafasta ainda mais qualquer perspectiva de unidade de classe entre os trabalhadores palestinos e judeus.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Morao, por sua vez, criticando as organiza\u00e7\u00f5es francesas LO (Liga Oper\u00e1ria) e NPA-C (Novo Partido Capitalista \u2013 Plataforma C), denunciava corretamente a falsa simetria que estas estabeleciam entre palestinos e trabalhadores israelenses. E o pr\u00f3prio Maiello reconhece que a classe trabalhadora israelense \u00e9 majoritariamente sionista e desempenha papel fundamental na coloniza\u00e7\u00e3o e no regime de apartheid, e que sua colabora\u00e7\u00e3o sionista com a burguesia \u00e9 forte e profundamente enraizada.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, escrev\u00edamos: \u201capesar de suas pr\u00f3prias afirma\u00e7\u00f5es, Morao nos diz que a confraterniza\u00e7\u00e3o dos palestinos com os trabalhadores e a juventude israelenses \u00e9 \u2018a \u00fanica possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o para ambos os povos\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Maiello repete a mesma id\u00e9ia, fazendo um paralelismo hist\u00f3rico com a ocupa\u00e7\u00e3o militar nazista da Fran\u00e7a durante a 2\u00aa Guerra Mundial, para reivindicar a confraterniza\u00e7\u00e3o entre palestinos e trabalhadores israelenses como tarefa essencial e denunciar que todo ato que amplie o fosso entre ambos \u00e9 \u2018diretamente contrarrevolucion\u00e1rio\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mais adiante, Maiello tenta justificar sua pol\u00edtica de confraterniza\u00e7\u00e3o comparando o sionismo dos trabalhadores judeu-israelenses com \u201co profundo racismo dos oper\u00e1rios norte-americanos com o qual Trotsky se deparou em sua \u00e9poca.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E cita Trotsky:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c99,9% dos trabalhadores americanos s\u00e3o chauvinistas; s\u00e3o algozes de negros e tamb\u00e9m de chineses. Essas bestas americanas precisam ser educadas. Precisam entender que o Estado americano n\u00e3o lhes pertence e que n\u00e3o precisam ser os guardi\u00f5es desse Estado.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O problema, explic\u00e1vamos, \u00e9 que essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 for\u00e7ada e artificial:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO proletariado judeu-israelense distingue-se do proletariado branco norte-americano em rela\u00e7\u00e3o aos negros por um problema material, econ\u00f4mico, que transcende e determina suas ideologias e pol\u00edticas. (\u2026) [uma vez que] A coloniza\u00e7\u00e3o sionista converteu o proletariado judeu em agente e benefici\u00e1rio do roubo de terras, casas e empregos do povo palestino.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m diz\u00edamos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o exista luta de classes entre a burguesia e o proletariado israelenses. Mas esses conflitos s\u00e3o subordinados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da ordem colonial contra os palestinos. (\u2026) \u00c9 imposs\u00edvel uma alian\u00e7a entre o proletariado judeu-israelense e o palestino pelo fim do genoc\u00eddio e pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, por essa diferen\u00e7a material. (\u2026) O sionismo \u00e9 muito mais que uma ideologia: \u00e9 um Estado colonial e terrorista constru\u00eddo sobre o esp\u00f3lio das terras palestinas e sua limpeza \u00e9tnica, com um regime de apartheid e uma falsa democracia corrupta. (\u2026) Grande parte dos israelenses, inclusive trabalhadores, \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o vinda do exterior que vive sobre terra roubada que n\u00e3o lhe pertence.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Conclu\u00edamos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O problema das teses da FT \u00e9 que, se estivessem corretas, o povo palestino e todos n\u00f3s estar\u00edamos condenados a uma luta sem esperan\u00e7a. \u00c9 como se a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o argelina dependesse da confraterniza\u00e7\u00e3o entre os argelinos e os pied-noirs franceses, que foram \u00e0 Arg\u00e9lia para se apropriar das melhores terras, apoiados pelo Ex\u00e9rcito colonial franc\u00eas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es dos familiares dos ref\u00e9ns, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que tinham car\u00e1ter progressivo por enfrentarem Netanyahu e exigirem cessar-fogo. Mas seu alcance era claramente limitado por n\u00e3o questionarem as bases do sionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Citando o jornalista israelense Gideon Levi, lembr\u00e1vamos tr\u00eas tra\u00e7os sinistros que caracterizam a ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o israelense, inclusive sua classe trabalhadora: 1- Considera-se \u201co povo escolhido, com direito de fazer o que quiser\u201d; 2 \u2013 Sendo o opressor, apresenta-se como a grande v\u00edtima; 3- Pratica uma desumaniza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da popula\u00e7\u00e3o palestina, um elemento comum em todas as limpezas \u00e9tnicas, da mesma forma que os nazistas fizeram com os judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas de opini\u00e3o reafirmam repetidamente que mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o judia-israelense apoia a limpeza \u00e9tnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirm\u00e1vamos tamb\u00e9m:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cUma Palestina livre, laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, do rio ao mar, s\u00f3 pode existir com a destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, o retorno de milh\u00f5es de refugiados palestinos e a devolu\u00e7\u00e3o das terras aos seus leg\u00edtimos donos. Isso significa que muitos israelenses chegados de outros pa\u00edses ao longo destes anos para ocupar terras, lugares e moradias palestinas ter\u00e3o que partir, e apenas uma minoria judaica disposta a viver em igualdade de direitos com os palestinos ter\u00e1 lugar no novo Estado palestino.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>E conclu\u00edamos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A vit\u00f3ria sobre o Estado de Israel vir\u00e1 da luta do povo palestino, incluindo a luta armada, da solidariedade ativa dos povos dos pa\u00edses \u00e1rabes e isl\u00e2micos da regi\u00e3o (que dever\u00e3o enfrentar suas covardes burguesias) e da solidariedade massiva dos trabalhadores e da juventude dos EUA, da UE e do resto do mundo. A colabora\u00e7\u00e3o de uma pequena minoria israelense antissionista ser\u00e1, sem d\u00favida, relevante, mas defender que a confraterniza\u00e7\u00e3o \u00e9 \u2018a \u00fanica possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o de ambos os povos\u2019 n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 completamente fora de lugar, como \u00e9 um erro grave.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A pol\u00eamica sobre a Ucr\u00e2nia<\/h4>\n\n\n\n<p>Antes de entrar na pol\u00eamica com os companheiros da FT sobre as profundas diferen\u00e7as que temos sobre qual deve ser a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios diante da guerra da Ucr\u00e2nia, quer\u00edamos chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre a cr\u00edtica que nos fazem, n\u00e3o s\u00f3 porque deveriam faz\u00ea-la ao que dizemos e ao que fazemos, mas tamb\u00e9m pelo tom brutal que utilizam, longe de uma pol\u00eamica saud\u00e1vel entre duas for\u00e7as que se consideram estar no campo revolucion\u00e1rio. O que buscam quando escrevem que a LIT\/PSTU \u201cse reduz a fazer eco da pol\u00edtica central do imperialismo estadunidense e das pot\u00eancias da OTAN\u201d e que \u201cse aproximaria perigosamente de porta-voz, dentro da esquerda, do programa militarista de Trump, Macron, Starmer e Merz\u201d?. Dito isso, entremos na pol\u00eamica com os companheiros.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A natureza da guerra<\/h4>\n\n\n\n<p>Este assunto \u00e9, sem d\u00favida, o ponto de partida e a base principal de nossas diferen\u00e7as. Pensamos que os companheiros da FT t\u00eam dado diferentes vers\u00f5es da guerra, ainda que complementares entre si.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o 1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Emilio Albamonte, seu principal dirigente, centrou-se nos aspectos de m\u00e9todo e escreveu que \u201cse fosse pelo problema da autodetermina\u00e7\u00e3o nacional, estar\u00edamos com a Ucr\u00e2nia; h\u00e1 um problema de autodetermina\u00e7\u00e3o nacional em que uma enorme pot\u00eancia invade um pa\u00eds semicolonial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso deveria ser um ponto crucial para que um marxista revolucion\u00e1rio se coloque no campo militar do pa\u00eds oprimido agredido. Entretanto, para Albamonte, este crit\u00e9rio n\u00e3o funciona para a Ucr\u00e2nia, porque \u201cn\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds dependente ou uma semicol\u00f4nia qualquer\u201d, j\u00e1 que suas classes dominantes e a ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora \u201cpor vota\u00e7\u00e3o, porque fizeram um golpe, etc. etc., se prop\u00f4s como um ap\u00eandice da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e, se poss\u00edvel, da OTAN\u201d. Isso, segundo Albamonte, convertia a guerra numa \u201cguerra reacion\u00e1ria\u201d por ambos os lados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta mistura entre os oligarcas e a classe trabalhadora ucraniana, maioria da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 um erro muito grosseiro para um marxista, quando estamos nos referindo a classes sociais antag\u00f4nicas. Certamente, a falsa consci\u00eancia que possa sofrer, durante certo tempo, a classe trabalhadora \u2014 que se explica, em boa medida, pela aus\u00eancia de partidos revolucion\u00e1rios enraizados na Ucr\u00e2nia e na UE \u2014 pode estar, por longo ou curto per\u00edodo, em profunda contradi\u00e7\u00e3o com seus interesses de classe. Mas esta contradi\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser resolvida atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o, o que inclui a defesa militar do pa\u00eds contra a invas\u00e3o russa, o desmascaramento nesse processo do governo burgu\u00eas pr\u00f3-imperialista de Zelensky e o avan\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o 2<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo \u00e0s teses de Albamonte, Mat\u00edas Maiello escreveu um artigo buscando combater os argumentos a favor de uma \u201cguerra justa\u201d da Ucr\u00e2nia. Para tal fim, n\u00e3o hesitou em tomar como suas partes substanciais da vers\u00e3o de Putin sobre o conflito, algo que a pr\u00f3pria realidade tem desmontado. Maiello nos faz um relato da Ucr\u00e2nia nos \u00faltimos anos onde discorre sobre o Euromaidan, de uma Ucr\u00e2nia dominada pela extrema direita e de uma \u201cguerra civil de baixa intensidade marcada pela exist\u00eancia de uma minoria russ\u00f3fona de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Maiello confunde deliberadamente a exist\u00eancia de uma (ampla) minoria russ\u00f3fona com uma minoria russ\u00f3fila, quando a ampl\u00edssima maioria dos russ\u00f3fonos combate Putin, que imp\u00f4s um regime de terror nas zonas ocupadas. Ele coloca como express\u00e3o dos dois campos em guerra as \u201cmil\u00edcias separatistas do Donbass\u201d, de um lado, e, de outro, \u201cas mil\u00edcias de extrema direita como o batalh\u00e3o Azov\u201d, como se isso fosse uma express\u00e3o genu\u00edna da realidade ucraniana. Mas a influ\u00eancia social e o peso pol\u00edtico da extrema direita ucraniana s\u00e3o, at\u00e9 o momento, \u00ednfimos, muito inferiores aos de muitos pa\u00edses da UE ou americanos. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, por outro lado, que o governo de Zelensky \u00e9 pr\u00f3-imperialista e associado aos oligarcas ucranianos. Mas coisa bem distinta \u00e9 afirmar que sua base \u00e9 a extrema direita, como afirmava Maiello, seguindo a propaganda de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, descrever as mil\u00edcias pr\u00f3-russas de Donetsk e Luhansk (marcadas pela presen\u00e7a destacada da extrema direita russa) como simples \u201cmil\u00edcias separatistas\u201d \u00e9 silenciar que foram organizadas pelo ex\u00e9rcito russo, que as controla e dirige, al\u00e9m de lhes dar legitimidade como se fossem express\u00e3o de um movimento popular a favor da anexa\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o de Maiello da mobiliza\u00e7\u00e3o militar ucraniana contra a invas\u00e3o (que teve como eixo o recrutamento massivo nas For\u00e7as Territoriais de centenas de milhares de volunt\u00e1rios, em sua maioria da classe trabalhadora) com o batalh\u00e3o de ultradireita Azov \u00e9 pr\u00f3pria da propaganda de Putin e inconceb\u00edvel em um revolucion\u00e1rio trotskista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o final<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com o desenvolvimento da guerra, a vers\u00e3o final que os dirigentes da FT fixaram \u2014 uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o oficial \u2014 \u00e9 a que reproduzem os autores do artigo com o qual polemizamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo eles, \u201ca Ucr\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds oprimido que foi invadido por uma pot\u00eancia mais forte (a R\u00fassia)\u201d, mas a invas\u00e3o \u201cfoi respondida pela coaliz\u00e3o dos principais Estados imperialistas ocidentais, liderados pelos Estados Unidos e pela OTAN (Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte), em apoio ao governo ucraniano de Zelensky\u201d. Devido a tal coaliz\u00e3o imperialista, a resist\u00eancia armada da Ucr\u00e2nia \u00e0 invas\u00e3o deixa de ser uma \u201cguerra justa\u201d e passa a se converter em uma \u201cguerra reacion\u00e1ria\u201d. A opress\u00e3o nacional passa a ser um fator irrelevante e a guerra da Ucr\u00e2nia contra a agress\u00e3o imperialista de Putin se converte no contr\u00e1rio: numa guerra reacion\u00e1ria entre a R\u00fassia e \u201ca coaliz\u00e3o dos principais Estados imperialistas ocidentais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os companheiros da FT comparam a guerra da Ucr\u00e2nia com a guerra sino-japonesa que precedeu e acompanhou a II Guerra Mundial \u2014 na qual a China contou com importante apoio militar norte-americano ap\u00f3s o bombardeio de Pearl Harbor \u2014 os companheiros dizem que ambas s\u00e3o coisas muito diferentes. A raz\u00e3o que alegam \u00e9 que ent\u00e3o \u201cas pot\u00eancias se dividiam entre si pela posse da China: n\u00e3o havia uma coaliz\u00e3o de pot\u00eancias reunidas no campo da na\u00e7\u00e3o oprimida\u201d, como dizem que existe agora. Se ent\u00e3o os trotskistas se colocaram resolutamente do lado militar da China, apoiando-a em sua \u201cguerra justa\u201d contra a invas\u00e3o japonesa, agora n\u00e3o podemos nos colocar do lado militar ucraniano frente \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que essa argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o fr\u00e1gil que cai por seu pr\u00f3prio peso na medida em que a R\u00fassia de Putin \u00e9 qualificada como um pa\u00eds imperialista, que \u00e9 o que realmente \u00e9: um \u201cimperialismo regional\u201d, apoiado pelo imperialismo chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Albamonte argumentou que as teses de L\u00eanin em \u201cO imperialismo, etapa superior do capitalismo\u201d eram mera \u201cci\u00eancia positiva\u201d, n\u00e3o dial\u00e9tica, e que ele se equivocou ao qualificar a R\u00fassia de seu tempo como pot\u00eancia imperialista (leia&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/XIX-Congreso-del-PTS-La-guerra-en-Ucrania-y-el-metodo-de-analisis-de-la-situacion-mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>). Com base nisso, Albamonte e tamb\u00e9m Maiello, negam o car\u00e1ter imperialista da R\u00fassia de Putin. Ainda que agora, quando parece que a FT come\u00e7ou a atribuir \u00e0 China \u201ccrescentes tra\u00e7os imperialistas\u201d, cabe tamb\u00e9m que, com o tempo, digam o mesmo da atual R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente a intensa interven\u00e7\u00e3o indireta dos Estados Unidos e da UE (Uni\u00e3o Europeia) na guerra, assim como o car\u00e1ter pr\u00f3-imperialista e antioper\u00e1rio do governo Zelensky. O problema \u00e9 que isso n\u00e3o elimina o fato de que estamos diante de uma guerra de agress\u00e3o nacional da segunda pot\u00eancia militar do mundo contra uma na\u00e7\u00e3o muito mais fraca que quer subjugar pela viol\u00eancia, com m\u00e9todos de extrema crueldade. Uma guerra cujo prop\u00f3sito \u00e9 o controle militar, econ\u00f4mico e pol\u00edtico de um pa\u00eds que \u00e9 um enorme celeiro, tem localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica fundamental para o tr\u00e2nsito energ\u00e9tico e comercial e uma dimens\u00e3o e recursos que o Kremlin considera essenciais para seu projeto imperialista da Grande R\u00fassia. Estamos diante de uma guerra justa por parte dos ucranianos: uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional contra um ex\u00e9rcito conquistador.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, por um lado, Estasos Unidos e UE, cada qual com seus pr\u00f3prios interesses, e a R\u00fassia por outro, querem colonizar a Ucr\u00e2nia. Mas em pol\u00edtica n\u00e3o se podem confundir os tempos. O que temos agora n\u00e3o \u00e9 uma invas\u00e3o da OTAN, mas da R\u00fassia de Putin, diante da qual temos que apoiar o povo ucraniano em sua luta por liberdade e integridade nacional, incorporando-a na batalha pela sa\u00edda socialista no quadro da luta pelos Estados Unidos Socialistas da Europa. Do resultado da luta vai depender, al\u00e9m disso, a resist\u00eancia da classe trabalhadora e do povo ucraniano a seu governo pr\u00f3-imperialista e ao esp\u00f3lio do imperialismo norte-americano e europeu, da mesma maneira que afetar\u00e1 diretamente a luta da classe trabalhadora russa, dos povos da Federa\u00e7\u00e3o Russa e de sua periferia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O comportamento do imperialismo ocidental<\/h4>\n\n\n\n<p>Os autores do artigo esquecem que, para Putin \u2014 assim como para os czares (e mais tarde para St\u00e1lin) \u2014 a Ucr\u00e2nia n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds, mas parte da R\u00fassia. Esquecem que Washington e a UE, nos primeiros dias da invas\u00e3o, limitaram-se a oferecer ao governo ucraniano a sa\u00edda do pa\u00eds e o estabelecimento de um governo no ex\u00edlio em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os planos iniciais de Putin foram desmontados, sobretudo, por uma mobiliza\u00e7\u00e3o massiva de centenas de milhares de ucranianos, em sua grande maioria da classe trabalhadora e muitos deles russ\u00f3fonos, que foram se alistar como volunt\u00e1rios para lutar. Nesse longo per\u00edodo, morreram um milh\u00e3o de russos e mais de 400 mil ucranianos, mas nenhum estadunidense nem europeu. Houve grandes mobiliza\u00e7\u00f5es recentes contra a tentativa de Zelensky de controlar os organismos anticorrup\u00e7\u00e3o. Tudo isso n\u00e3o existe para os companheiros da FT. Eles ficam com uma \u201cgeopol\u00edtica\u201d que exclui a vida tal como \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da guerra, ap\u00f3s a derrota dos planos iniciais de Putin \u2014 que contava com uma r\u00e1pida conquista do pa\u00eds \u2014 o imperialismo ocidental, com os EUA \u00e0 frente, mudou de t\u00e1tica. Come\u00e7ou a dar apoio militar limitado, tardio, controlado e condicionado, com o objetivo final de repartir os recursos da Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia, tentando debilitar o regime de Putin, mas evitando sua derrota. A chegada de Trump acentuou, de forma exacerbada, essa pol\u00edtica, desprezando a UE e chantageando aberta e descaradamente o governo Zelensky para firmar o quanto antes uma capitula\u00e7\u00e3o, entregando a Putin o Leste da Ucr\u00e2nia e reservando para si os minerais da parte em m\u00e3os ucranianas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT tomam como boas, sem qualquer detalhe, as vers\u00f5es do governo norte-americano sobre a ajuda militar e financeira \u00e0 Ucr\u00e2nia. Exaltam, sem qualquer valora\u00e7\u00e3o concreta, a magnitude do apoio militar norte-americano e da UE, desconhecendo sistematicamente os atrasos e limita\u00e7\u00f5es no aspecto militar, o car\u00e1ter de empr\u00e9stimo das ajudas e sua condicionalidade. Chegam, inclusive, a considerar a brusca virada t\u00e1tica de Trump \u2014 marcada por sua aproxima\u00e7\u00e3o a Putin e por um chantagismo descarado contra Zelensky \u2014 como simples continuidade das t\u00e1ticas de Biden.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A dire\u00e7\u00e3o da guerra e a natureza desta<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 curioso que os companheiros da FT, que se reivindicam trotskistas, esque\u00e7am-se de recorrer aos ensinamentos hist\u00f3ricos do movimento trotskista diante de guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomando a segunda guerra sino-japonesa, iniciada em 1937, quando o Jap\u00e3o invadiu a China, pensamos que a pol\u00edtica ucraniana da FT \u00e9 muito parecida com a do Workers Party (WP) de Shachtman. No in\u00edcio da guerra, tanto o SWP de Cannon (a se\u00e7\u00e3o da IV Internacional nos EUA) quanto o WP de Shachtman (uma cis\u00e3o do SWP) apoiaram a China contra o Jap\u00e3o. Mas quando em 1941, ap\u00f3s o bombardeio de Pearl Harbor, os EUA entraram na guerra contra o Jap\u00e3o e come\u00e7aram a enviar ajuda militar \u00e0 China, Shachtman mudou sua pol\u00edtica e adotou uma posi\u00e7\u00e3o de neutralidade, \u201cnem, nem\u201d, muito parecida com a da FT na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Morrison, em nome do SWP, rebateu dizendo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A proposi\u00e7\u00e3o geral de Shachtman \u00e9 que n\u00e3o se pode apoiar a luta de uma na\u00e7\u00e3o colonial ou semicolonial contra uma na\u00e7\u00e3o imperialista que est\u00e1 envolvida em uma guerra com outra na\u00e7\u00e3o imperialista, sempre e quando a na\u00e7\u00e3o colonial esteja sob controle da classe capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a ess\u00eancia da pol\u00edtica colonial do marxismo revolucion\u00e1rio \u00e9 apoiar a luta dos povos coloniais contra um opressor imperialista, ainda que seja dirigida pela burguesia, e sem fazer nenhuma exce\u00e7\u00e3o durante um per\u00edodo em que esteja sendo travada uma guerra imperialista.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais evidente hoje, quando n\u00e3o h\u00e1 confronto armado direto entre a OTAN e Putin. Morrison seguia:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Suponhamos que a ajuda que chega \u00e0 China desde os Estados Unidos seja muito maior agora do que antes de Pearl Harbor. A quantidade de material enviada pelos Estados Unidos muda o car\u00e1ter do conflito chin\u00eas? (\u2026) Mesmo antes da declara\u00e7\u00e3o oficial de guerra, aviadores estadunidenses lutavam pela China. Suponhamos que agora haja muito mais deles na China. Isso, claro, \u00e9 um fator mais importante. Mas ningu\u00e9m que seja um marxista realista sustentar\u00e1 que conseguir ajuda t\u00e9cnica ou mesmo ajuda militar atrav\u00e9s de oficiais especialmente treinados muda o car\u00e1ter do conflito chin\u00eas. O importante \u00e9: quem, em \u00faltima inst\u00e2ncia, tem o controle das for\u00e7as armadas e, portanto, o controle do conflito? At\u00e9 agora, ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia pode dizer que n\u00e3o \u00e9 o governo chin\u00eas quem controla os ex\u00e9rcitos chineses. Se a situa\u00e7\u00e3o mudasse e se enviasse um n\u00famero suficiente de tropas estadunidenses \u00e0 China e estas tomassem o controle da luta contra o Jap\u00e3o, ent\u00e3o ter\u00edamos que mudar de atitude. Mas isso n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Morrison abordava um tema central: as circunst\u00e2ncias de uma guerra justa de liberta\u00e7\u00e3o nacional podem alterar-se de tal maneira que podem chegar a convert\u00ea-la em uma guerra interimperialista, o que ocorreu na China quando avan\u00e7ou a guerra norte-americano-japonesa na \u00c1sia, tropas norte-americanas entraram na China e assumiram o controle das tropas do Kuomintang. Colocamos este assunto porque o problema de quem dirige a guerra \u00e9 algo qualitativo. Se na Ucr\u00e2nia o comando efetivo passasse \u00e0s m\u00e3os norte-americanas \u2014 o que implica controle tecnol\u00f3gico completo, necessariamente acompanhado de interven\u00e7\u00e3o de tropas no terreno \u2014 o pr\u00f3prio car\u00e1ter da guerra mudaria e, em vez de uma guerra justa de liberta\u00e7\u00e3o nacional, a guerra da Ucr\u00e2nia passaria a converter-se em guerra interimperialista. Algo que n\u00e3o sucedeu e \u00e9 dif\u00edcil que ocorra nas circunst\u00e2ncias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT n\u00e3o se det\u00eam para analisar as circunst\u00e2ncias concretas da guerra e sua condu\u00e7\u00e3o. Afirmam alegremente que quem dirige efetivamente a guerra, desde o in\u00edcio mesmo, s\u00e3o os norte-americanos, atrav\u00e9s da OTAN.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 n\u00edtido que ningu\u00e9m pode p\u00f4r em d\u00favida a influ\u00eancia da OTAN na dire\u00e7\u00e3o da guerra, nem a pol\u00edtica de submiss\u00e3o de Zelensky, tamb\u00e9m no terreno militar, centrada na s\u00faplica por armamento ocidental, em vez de colocar a ind\u00fastria do pa\u00eds, mediante nacionaliza\u00e7\u00e3o, a servi\u00e7o da guerra contra a invas\u00e3o. O desenvolvimento da ind\u00fastria militar ucraniana, com avan\u00e7o not\u00e1vel em drones nos \u00faltimos tempos, foi tardio, desigual, insuficiente e dependente dos interesses de empres\u00e1rios privados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma coisa \u00e9 criticar a submiss\u00e3o de Zelensky e outra bem distinta \u00e9 dizer que a dire\u00e7\u00e3o militar efetiva da guerra passou \u00e0s m\u00e3os dos EUA\u2013OTAN. Isso n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade, como ignora deliberadamente as fortes contradi\u00e7\u00f5es e choque que se deram \u2014 e se d\u00e3o, agora mais com Trump \u2014 entre o comando militar ucraniano e o comando estadunidense da OTAN.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas contradi\u00e7\u00f5es se manifestaram ao longo da guerra na oposi\u00e7\u00e3o dos EUA\/OTAN a que a Ucr\u00e2nia realizasse a\u00e7\u00f5es ofensivas em territ\u00f3rio russo; na desconex\u00e3o dos sat\u00e9lites Starlink, por ordens de Elon Musk, em setembro de 2022, durante a contraofensiva de Kherson e Donetsk; e tamb\u00e9m em mar\u00e7o de 2025, nas ordens de Trump de interromper todo o aporte de intelig\u00eancia militar \u00e0 Ucr\u00e2nia como chantagem expl\u00edcita para for\u00e7ar sua capitula\u00e7\u00e3o ante a R\u00fassia, restabelecido apenas parcialmente depois. Em julho de 2025 voltou a cair a conex\u00e3o com Starlink durante horas em toda a linha de frente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00fatil consultar o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2025\/03\/29\/world\/europe\/us-ukraine-military-war-wiesbaden.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">longo informe de Adam Entous<\/a>, publicado no New York Times em 29\/3\/2025, que mostra as fortes contradi\u00e7\u00f5es entre oficiais norte-americanos e o comando militar ucraniano sobre a condu\u00e7\u00e3o da guerra, com estes \u00faltimos constantemente contrariados pelo atraso e falta de fornecimento de armas, pelas tentativas de controle das opera\u00e7\u00f5es para \u201cn\u00e3o provocar\u201d a R\u00fassia e pelo freio \u00e0s a\u00e7\u00f5es ucranianas. O informe diz, por exemplo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c0 medida que os ucranianos ganharam maior autonomia na parceria, mantiveram cada vez mais em segredo suas inten\u00e7\u00f5es. Estavam constantemente irritados porque os estadunidenses n\u00e3o podiam, ou n\u00e3o queriam, dar-lhes todas as armas e outros equipamentos que queriam. Os estadunidenses, por sua vez, estavam irritados com o que viam como demandas irrazo\u00e1veis dos ucranianos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A importante \u201cOpera\u00e7\u00e3o Teia de Aranha\u201d, de 1\u00ba de junho de 2025, contra aer\u00f3dromos militares russos, foi realizada sem nenhuma informa\u00e7\u00e3o ao comando militar norte-americano.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A pol\u00edtica diante da invas\u00e3o russa<\/h4>\n\n\n\n<p>Uma parte do texto dos companheiros faz uma s\u00edntese de sua atitude diante da guerra:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>A posi\u00e7\u00e3o da esquerda socialista, anti-imperialista, deve ser repudiar enfaticamente esta ocupa\u00e7\u00e3o do governo autocr\u00e1tico de Putin, exigir a retirada imediata das for\u00e7as militares russas de todo o territ\u00f3rio ucraniano e, ao mesmo tempo, incentivar entre a popula\u00e7\u00e3o ucraniana o surgimento de uma posi\u00e7\u00e3o independente do governo pr\u00f3-imperialista de Zelensky e das diferentes for\u00e7as nacionalistas reacion\u00e1rias, subordinadas \u00e0s pot\u00eancias da OTAN. Da mesma forma, em n\u00edvel internacional, impulsionar um grande movimento antiguerra e antimilitarista da classe trabalhadora e da juventude.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A primeira quest\u00e3o que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o que querem dizer com \u201crepudiar enfaticamente esta ocupa\u00e7\u00e3o\u201d. De fato, os companheiros podem \u201crepudi\u00e1-la\u201d, inclusive \u201cenfaticamente\u201d, e exigir \u201ca retirada imediata\u201d, mas isso n\u00e3o passa de uma declara\u00e7\u00e3o puramente verbal. \u00c9 assim porque, longe de estar no campo militar ucraniano para derrotar a invas\u00e3o imperialista russa, para a FT n\u00e3o h\u00e1 uma guerra justa de liberta\u00e7\u00e3o nacional, e sim uma \u201cguerra reacion\u00e1ria\u201d na qual n\u00e3o se deve estar nem com os agredidos nem com os agressores. Adicione-se a isso o fato de que suas organiza\u00e7\u00f5es na Europa participaram de campanhas por \u201cnem um tanque para a Ucr\u00e2nia\u201d, inclusive apoiando na Alemanha um chamado a uma greve geral contra o envio de armas \u00e0 Ucr\u00e2nia. Pensamos que sua posi\u00e7\u00e3o se adapta enormemente \u00e0s press\u00f5es pacifistas de Lula, Petro, A Fran\u00e7a Insubmissa , o alem\u00e3o Die Linke ou os espanh\u00f3is Sumar e Podemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, algu\u00e9m pensa que \u00e9 poss\u00edvel desmascarar as intrigas e enganos da OTAN, ou do governo pr\u00f3-imperialista de Zelensky, se n\u00e3o for com uma coloca\u00e7\u00e3o clara nas trincheiras ucranianas? Algu\u00e9m acha que \u00e9 poss\u00edvel combater Zelensky com uma postura abstencionista, \u201cnem com um nem com outro\u201d, colocando-se em \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d? O que a FT diz aos trabalhadores ucranianos, muitos deles no front? Que n\u00e3o devem apoiar nenhum lado militar porque ambos s\u00e3o reacion\u00e1rios e que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel apoiar o lado ucraniano quando houver um governo anti-imperialista e socialista no comando?<\/p>\n\n\n\n<p>Na LIT pensamos, pelo contr\u00e1rio, que os revolucion\u00e1rios devem estar incondicionalmente no campo militar da Ucr\u00e2nia, lutar pela vit\u00f3ria militar da na\u00e7\u00e3o oprimida e invadida, sem que isso implique qualquer apoio pol\u00edtico a Zelensky ou \u00e0 OTAN. Que \u00e9 preciso opor-se e denunciar sem ambiguidades a OTAN e o rearme imperialista, combatendo os or\u00e7amentos militares de Trump, Macron, Merz, S\u00e1nchez etc., e, dentro da Ucr\u00e2nia, enfrentar Zelensky por sua submiss\u00e3o aos oligarcas ucranianos, a Trump e aos imperialismos europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta confronta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com Zelensky s\u00f3 pode ser realmente feita no terreno sendo \u201cos melhores soldados contra Putin\u201d, enquanto enfrentamos sua corrup\u00e7\u00e3o e suas medidas contra os direitos democr\u00e1ticos e contra os direitos e conquistas do povo trabalhador. De maneira similar a como faz\u00edamos com o governo republicano durante a Guerra Civil Espanhola de 1936\u20131939, sendo \u201cos melhores soldados contra Franco\u201d e lutando pela organiza\u00e7\u00e3o independente do proletariado e da juventude. \u00c9 assim que estamos atualmente trabalhando e nos esfor\u00e7ando para construir uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Erros que n\u00e3o temos inconveniente em reconhecer e retificar<\/h4>\n\n\n\n<p>Por nossa parte, n\u00e3o temos inconveniente em reconhecer que cometemos erros em nossa pol\u00edtica diante da guerra na Ucr\u00e2nia. Um deles, talvez o mais importante, foi que, nos primeiros meses, inclu\u00edmos em nossos materiais a reivindica\u00e7\u00e3o aos governos imperialistas pelo envio de armas para resistir \u00e0 invas\u00e3o russa. Isso foi um erro importante, corrigido posteriormente e registrado expressamente em nosso XVI Congresso mundial. A raz\u00e3o \u00e9 evidente: nenhum governo imperialista pode apoiar de maneira real a luta de um povo oprimido por sua liberdade nacional, e, se interv\u00e9m, o faz de maneira condicionada e atendendo a um fim \u00faltimo que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o subjugar e dominar o pa\u00eds oprimido conforme seus interesses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas dito isso, n\u00e3o podemos cruzar os bra\u00e7os e, como fizeram os camaradas do SWP de Cannon durante todo o primeiro per\u00edodo da guerra sino-japonesa, quando apoiaram resolutamente a China contra o Jap\u00e3o e mobilizaram ajuda pol\u00edtica e material \u00e0 resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular chinesa. No nosso caso, temos campanhas de apoio ao sindicato mineiro-metal\u00fargico de Krivy Rih ou, atualmente, a campanha pela inclus\u00e3o na lista de troca de prisioneiros dos companheiros Denys Matsola e Vlad Zhuravlev, dois lutadores classistas presos pelas tropas russas na tomada de Mariupol.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, sendo contra exigir aos governos imperialistas o envio de armas \u00e0 Ucr\u00e2nia, tamb\u00e9m nos opomos a boicotar seu transporte. Trotsky nos dizia em 1938:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Suponhamos que amanh\u00e3 estoure uma rebeli\u00e3o na col\u00f4nia francesa da Arg\u00e9lia sob a bandeira da independ\u00eancia nacional e que o governo italiano, motivado por seus pr\u00f3prios interesses imperialistas, prepare-se para enviar armas aos rebeldes. Qual deveria ser a atitude dos trabalhadores italianos neste caso? Tomei de prop\u00f3sito um exemplo de rebeli\u00e3o contra um imperialismo democr\u00e1tico com interven\u00e7\u00e3o, do lado dos rebeldes, de um imperialismo fascista. Os trabalhadores italianos deveriam impedir o envio de armas aos argelinos? Que qualquer ultraesquerdista se atreva a responder afirmativamente a essa pergunta. Todo revolucion\u00e1rio, junto com os trabalhadores italianos e os argelinos rebeldes, rejeitaria tal resposta com indigna\u00e7\u00e3o. (\u2026) Ao mesmo tempo, os trabalhadores mar\u00edtimos franceses (\u2026) seriam obrigados a fazer todo o poss\u00edvel para bloquear o envio de muni\u00e7\u00e3o destinada a ser utilizada contra os rebeldes. S\u00f3 uma pol\u00edtica assim por parte dos trabalhadores italianos e franceses constitui a pol\u00edtica do internacionalismo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">No Brasil, a FT cedeu a uma pol\u00edtica campista do PT e do PSOL<\/h4>\n\n\n\n<p>Ainda neste novo artigo, os companheiros da FT e do MRT comparam um golpe realmente existente, o do Egito, com o impeachment de Dilma Rousseff no Brasil. Chamam de \u201cgolpe de Estado\u201d ou de \u201cgolpe institucional\u201d, a queda de um governo oper\u00e1rio-liberal de colabora\u00e7\u00e3o de classes pelos mecanismos institucionais, dentro das regras do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas e que deu origem a um governo democr\u00e1tico burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O impeachment \u00e9 um mecanismo jur\u00eddico pol\u00edtico inscrito na constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que permite derrubar o presidente eleito, sem mudar o regime, dando posse ao vice-presidente, ou no impedimento deste, aos presidentes das Casas Legislativas (C\u00e2mara ou Senado, nessa ordem), por \u00faltimo ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros dizem em seu artigo que \u201cao longo de todo giro reacion\u00e1rio articulado pela grande imprensa, opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, Judici\u00e1rio e imperialismo norte-americano \u2013 em alian\u00e7a com partidos tradicionais da burguesia como o PSDB e o PMDB \u2013 o PSTU decidiu centrar sua agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na consigna do Fora Todos. Ainda que afirmem ter sido contr\u00e1rios ao impeachment, \u00e9 fato que isso nunca foi parte da agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do PSTU.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a defesa da palavra de ordem Fora Todos eles e Elei\u00e7\u00f5es Gerais, j\u00e1! n\u00e3o existe dissociada da nega\u00e7\u00e3o do impeachment. Praticamente todos os artigos, discursos e panfletos do PSTU desse per\u00edodo explicam que n\u00e3o \u00e9ramos favor\u00e1veis ao impeachment, porque defendemos colocar todos eles para fora. Isso pode ser facilmente verific\u00e1vel nos jornais Opini\u00e3o Socialista de 2015 e 2016 (dispon\u00edveis no&nbsp;<a href=\"https:\/\/archivoleontrotsky.org\/kardexes\/33?page=21\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">arquivo Leon Trotsky)<\/a>. Afirmar, ent\u00e3o, que a nega\u00e7\u00e3o do impeachment n\u00e3o fez parte da nossa pol\u00edtica \u00e9 mais uma distor\u00e7\u00e3o da nossa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente contra o \u201cFica Dilma\u201d do governo do PT e contra o impeachment, proposto pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa, diz\u00edamos que era preciso derrotar e colocar para fora todos eles, quer dizer, tamb\u00e9m toda linha sucess\u00f3ria: Temer-MDB (o vice de Dilma-PT), Cunha (MDB \u2013 presidente da C\u00e2mara), e Renan Calheiros (MDB \u2013 presidente do Senado). A nossa palavra de ordem combatia o governo e tamb\u00e9m o regime pol\u00edtico (incluindo o judici\u00e1rio) e dialogava perfeitamente com a classe trabalhadora, especialmente com a classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise do governo era grande. O processo de impeachment foi admitido formalmente no parlamento em dezembro de 2015. Em setembro daquele ano, quando o apoio ao governo era de apenas 9% na popula\u00e7\u00e3o, a CSP -Conlutas realizou um ato alternativo aos da direita e do governo, com mais de 15 mil pessoas na avenida Paulista em S\u00e3o Paulo, defendendo dar um basta em todos eles. N\u00f3s do PSTU explic\u00e1vamos ent\u00e3o: \u201cDilma \u2013 PT, vive uma crise sem tamanho. Sua fraqueza vem em primeiro lugar da ruptura massiva da classe trabalhadora e do povo mais pobre contra o governo e o PT\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso do Z\u00e9 Maria, presidente nacional do PSTU nesse ato dizia: \u201cO governo do PT, frente \u00e0 crise, ataca impiedosamente os direitos da classe trabalhadora para defender os interesses e os lucros dos bancos e das multinacionais. De outro lado, a oposi\u00e7\u00e3o burguesa exige ainda mais cortes dos direitos dos trabalhadores e apresenta um pedido de impeachment para tirar Dilma e botar no lugar Temer, A\u00e9cio ou Cunha. E para fazer o qu\u00ea? A mesma coisa que o PT est\u00e1 fazendo: defender os interesses de bancos e grandes empresas. \u00c9 por isso que achamos errada a posi\u00e7\u00e3o de parte da esquerda que diz que devemos defender o governo frente \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o de direita que a\u00ed est\u00e1\u201d, afirmou. E seguiu argumentando: \u201cal\u00e9m de ambos representarem a mesma pol\u00edtica, a pr\u00f3pria direita j\u00e1 est\u00e1 dentro do governo do PT, com a ruralista K\u00e1tia Abreu, o ministro da Fazenda Joaquim Levy e tantos outros.\u201d O ministro da Fazenda foi indicado pelos banqueiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigindo-se ao MTST e \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do PSOL, Z\u00e9 Maria defendeu a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa dos trabalhadores. \u201c\u00c9 aqui, nas ruas, nas lutas dos trabalhadores que n\u00f3s poderemos construir uma alternativa de esquerda \u00e0 crise desse pa\u00eds, n\u00e3o defendendo o governo\u201d, discursou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 2016, quando o apoio a Dilma n\u00e3o passava de 6% na popula\u00e7\u00e3o e a de Temer e demais figuras da oposi\u00e7\u00e3o burguesa era de meros 11%, diz\u00edamos no jornal Opini\u00e3o Socialista: \u201c A classe oper\u00e1ria e a maioria do povo querem que Dilma se v\u00e1, mas n\u00e3o querem que Temer, Cunha ou qualquer outro bandido deste Congresso governe. A vontade da classe trabalhadora e da maioria do povo n\u00e3o se expressa no Congresso Nacional, nem no bloco que defende o \u2018Fica Dilma\u2019, nem no que defende impeachment e governo Temer. Nem um, nem outro bloco representam a mudan\u00e7a que a classe trabalhadora, a juventude e o povo pobre exigem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Havia, ent\u00e3o, tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es na crise: a do campo burgu\u00eas do governo, que defendia Fica Dilma (impeachment \u00e9 golpe); a posi\u00e7\u00e3o do campo burgu\u00eas da direita tradicional liberal (MDB e PSDB principalmente), que defendia impeachment e a entrega do poder a Temer-MDB (vice do governo do PT), e a que defend\u00edamos n\u00f3s: Fora Todos, novas elei\u00e7\u00f5es j\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Teoria da conspira\u00e7\u00e3o em lugar de an\u00e1lise marxista<\/h4>\n\n\n\n<p>Numa an\u00e1lise ou abordagem marxista, n\u00e3o cabe citar o impeachment de Dilma Rousseff como um golpe de Estado, seja em raz\u00e3o da natureza do processo pol\u00edtico que culminou na queda do governo, seja em raz\u00e3o da l\u00f3gica interna da democracia liberal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT justificam sua ades\u00e3o ao campo governista, usando a narrativa do PT. Repetem a explica\u00e7\u00e3o mais difundida pelo bloco em torno ao PT que se somaram \u00e0 tese do \u201cgolpe\u201d e \u00e0 incondicional defesa de Lula perante as acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o, ou seja, que a For\u00e7a Tarefa da Lava Jato nasceu e foi treinada nos Estados Unidos pelos suas ag\u00eancias de intelig\u00eancia (FBI e CIA). Ela seria uma a\u00e7\u00e3o orquestrada pelo FBI para promover um golpe no Brasil: mudar o governo e o regime pol\u00edtico (a articula\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es do Estado) e depois prender Lula, para garantir aos Estados Unidos apossar-se da Petrobras, do pr\u00e9-Sal, e destruir o Mercosul.<\/p>\n\n\n\n<p>Por incr\u00edvel que possa parecer, esta explica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o, foi levantada em primeiro lugar por Marilena Chau\u00ed, professora de filosofia da Universidade de S\u00e3o Paulo (veja&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AQXw8B0lN2c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>). Ela foi compartilhada, no entanto, por diversas correntes de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, teorias da conspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o explicam os acontecimentos de maneira estrutural e hist\u00f3rica, como parte de um processo que tem como pano de fundo a economia, a luta entre as classes e como resultado de m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, para a teoria da conspira\u00e7\u00e3o os acontecimentos s\u00e3o produtos de um compl\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com essa explica\u00e7\u00e3o, Obama estaria por tr\u00e1s da Lava Jato, interessado na desestabiliza\u00e7\u00e3o da democracia burguesa brasileira: havia treinado procuradores, promotores e ju\u00edzes para derrubarem o governo do PT.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, os governos de Dilma e de Lula nunca recusaram nada de relevante para os Estados Unidos, inclusive Dilma apoiou o projeto de partilha do Pr\u00e9-Sal. Aceitaram de muito bom grado ampla \u201cassessoria\u201d em \u201cseguran\u00e7a p\u00fablica\u201d e coopera\u00e7\u00e3o no \u201ccombate ao terrorismo\u201d e no \u201ccombate \u00e0s drogas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Que uma parte da burguesia, especialmente setores do PSDB e MDB, para articular o impeachment, tenha se aproveitado da seletividade da Lava Jato em atingir apenas uma parte do espectro econ\u00f4mico e pol\u00edtico (justamente porque n\u00e3o era seu objetivo mudar o regime), \u00e9 fato. Que a rede Globo e a revista&nbsp;<em>Veja<\/em>&nbsp;a tenham usado contra o bloco burgu\u00eas capitaneado pelo PT e contra o pr\u00f3prio PT (como usaram contra Crivella para a prefeitura do Rio de Janeiro) e abafaram esc\u00e2ndalos do PSDB, \u00e9 verdade. Que os membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal que a compuseram, muitos deles, possuem uma concep\u00e7\u00e3o de direito burgu\u00eas eivado de excepcionalidades, e que o juiz S\u00e9rgio Moro nunca foi neutro, tamb\u00e9m \u00e9 verdade. A investiga\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Intercept<\/em>&nbsp;e a opera\u00e7\u00e3o \u201cVaza Jato\u201d demonstraram as ilegalidades jur\u00eddicas processuais, especialmente do processo contra Lula, posterior ao impeachment. Mas nada disso configura um golpe de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade que a queda de Dilma foi orquestrada desde os Estados Unidos por Obama. Ali\u00e1s, um epis\u00f3dio curioso: em 2016 houve a acusa\u00e7\u00e3o realizada contra a Pol\u00edcia Legislativa de atrapalhar as investiga\u00e7\u00f5es da Lava Jato, retirando grampos instalados pela Pol\u00edcia Federal em casas de senadores e at\u00e9 colocando grampos, numa a\u00e7\u00e3o de contraespionagem, com equipamentos importados ultrassofisticados. Tamb\u00e9m foram treinados pelos \u201ccolegas\u201d dos Estados Unidos. Nesse caso pela Swat. Obama estaria ent\u00e3o orquestrando a espionagem e a contraespionagem no Brasil, ou seja, assessorando os dois lados?<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que os governos do PT nunca contrariaram os Estados Unidos em nada. Os vazamentos do Wikileaks sobre Brasil atestam que, sob os governos do PT, o Brasil era visto por Bush e Obama como o pa\u00eds mais seguro e amigo dos Estados Unidos do que todos os demais que comp\u00f5em os BRIC\u2019s (bloco econ\u00f4mico: Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul). A embaixada dos Estados Unidos no Brasil resistiu at\u00e9 onde pode contra a queda da Dilma. Ao contr\u00e1rio do que diz a FT, os banqueiros e inclusive o imperialismo norte-americano tentaram at\u00e9 o \u00faltimo momento impedir o impeachment. Os ratos s\u00f3 abandonaram o navio quando j\u00e1 n\u00e3o havia mais a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de governabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa explica\u00e7\u00e3o de um compl\u00f4 do imperialismo via Lava Jato n\u00e3o \u00e9 marxista, nem dial\u00e9tica, nem hist\u00f3rica. Nesta pseudo explica\u00e7\u00e3o, a ruptura de massas da classe trabalhadora com o PT devido ao estelionato praticado pelo governo contra a classe para agradar o imperialismo, os banqueiros e o empresariado em meio a uma crise econ\u00f4mica fort\u00edssima, n\u00e3o foi o que levou o governo a pique. A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que a crise pol\u00edtica que levou o governo do PT \u00e0 ingovernabilidade ocorreu, em primeiro lugar, por falta de lastro social. Essa crise fez com que seus aliados fossem abandonando o barco.<\/p>\n\n\n\n<p>A briga entre os dois blocos burgueses pelo controle do poder de Estado n\u00e3o representava diferen\u00e7as fundamentais de pol\u00edtica econ\u00f4mica ou na rela\u00e7\u00e3o com o imperialismo. Tanto \u00e9 assim que Henrique Meirelles, ex-chefe do Banco de Boston, ex-ministro de Lula e homem de confian\u00e7a do imperialismo americano, era o nome preferido de Lula para tentar estabilizar o governo de Dilma, e foi o chefe da economia no governo Temer.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, disse ao jornal&nbsp;<em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>&nbsp;em mar\u00e7o de 2016: \u201cCom a incapacidade que se nota hoje de o governo funcionar, de ela resistir e fazer o governo funcionar, eu acho que agora o caminho \u00e9 o impeachment\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lava Jato, queria reformar o regime que estava extremamente desacreditado, n\u00e3o derrub\u00e1-lo. Por isso, n\u00e3o atacava todo o mundo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, preservava 70% dele. Visava dar de volta o poder ao PSDB em 2018. Mas, como a realidade \u00e9 mais rica do que qualquer esquema, quem mais afundou com toda a crise foi exatamente o centro, ou, o PSDB.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem quiser se aprofundar nesse assunto sobre o suposto \u201cgolpe\u201d de 2016 no Brasil, recomendamos o livro de Pablo Biondi \u201cA Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato e a luta de classes: forma jur\u00eddica, crise pol\u00edtica e democracia liberal\u201d, da Editora Sundermann (adquira&nbsp;<a href=\"https:\/\/editorasundermann.com.br\/produto\/operacao-lavo-jato-e-luta-de-classes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A banaliza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 golpe<\/h4>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao modelo liberal da democracia, inclusive na sua variante presidencialista, tem-se que o Legislativo det\u00e9m uma supremacia legal em face do Executivo. O que caracteriza esse tipo de regime \u00e9 a domin\u00e2ncia do parlamento sobre o governo em \u00faltima an\u00e1lise, uma configura\u00e7\u00e3o institucional que data das revolu\u00e7\u00f5es burguesas (a lei como m\u00e1xima express\u00e3o da vontade geral, a vincula\u00e7\u00e3o dos atos administrativos a padr\u00f5es de legalidade, a exig\u00eancia de aval parlamentar para a consuma\u00e7\u00e3o de certas medidas que competem aos governos etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a deposi\u00e7\u00e3o do governante pelas casas legislativas apenas reafirma a rela\u00e7\u00e3o de supremacia que \u00e9 pressuposta nas entrelinhas da chamada \u201csepara\u00e7\u00e3o de poderes\u201d. E essa deposi\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 pode ocorrer por meio de um ato parlamentar, requer um julgamento pol\u00edtico a respeito do governo. Como toda decis\u00e3o que se toma na esfera legislativa, o impeachment \u00e9 objeto de uma delibera\u00e7\u00e3o que envolve c\u00e1lculos pol\u00edticos e, acima de tudo, negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, promessas, concess\u00f5es etc. O ju\u00edzo sobre crime de responsabilidade \u00e9 um ju\u00edzo politicamente mediado pelas condi\u00e7\u00f5es de sustenta\u00e7\u00e3o do governo em face do sistema pol\u00edtico (constela\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos em suas rela\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas), o que inviabiliza, portanto, as leituras legalistas que abundam nas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdendo lastro social, tendo o mais baixo \u00edndice de popularidade da hist\u00f3ria, 6% de aprova\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o, e encontrando-se isolado politicamente, o governo de Dilma n\u00e3o foi capaz de se manter de p\u00e9. Tendo sido decisivo, ao final, o decl\u00ednio dos grupos capitalistas com os quais mantinha rela\u00e7\u00f5es mais estreitas. Da\u00ed se seguiu um cont\u00ednuo desembarque do empresariado que, por tanto tempo, nutriu boas rela\u00e7\u00f5es com as gest\u00f5es petistas, assim como um abandono por parte das agremia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias que se mantiveram fi\u00e9is ao governo enquanto isso lhes pareceu conveniente (o partido mais importante a abandonar o governo foi o MDB). Diante desse cen\u00e1rio em que a maioria da burguesia brasileira se atreveu a entregar \u00e0 pr\u00f3pria sorte um governo que tanto a favoreceu, chegando mesmo a exigir a antecipa\u00e7\u00e3o do seu fim em nome de um melhor cen\u00e1rio econ\u00f4mico, a maioria da esquerda agarrou-se ao campo burgu\u00eas decadente, ao antigo campo governista.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que o governo Dilma foi colocado contra as cordas: a principal tarefa de grande parte da esquerda passou a ser salvar o PT dos aliados de ocasi\u00e3o que o abandonaram ao inv\u00e9s de lutar por reconstruir a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que n\u00e3o h\u00e1 golpe de Estado sem uma mudan\u00e7a brusca nas rela\u00e7\u00f5es entre os tr\u00eas poderes. Do ponto de vista interno \u00e0 democracia liberal a derrocada do regime s\u00f3 se verifica com a subvers\u00e3o da predomin\u00e2ncia do Legislativo sobre o Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais formas burguesas de autoritarismo estatal s\u00e3o caracterizadas, basicamente, pela hipertrofia do Executivo em detrimento do Legislativo, algo que assume distintos graus e caracter\u00edsticas em regimes como o bonapartismo, a ditadura militar e o fascismo (tr\u00eas regimes diferentes, vale dizer). A instaura\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o dessa hipertrofia dependem de medidas policialescas, de uma intensifica\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica repressiva por parte do Estado, tal como se verifica nos aut\u00eanticos golpes de Estado. N\u00e3o foi o que aconteceu em 2016: a queda de Dilma Rousseff n\u00e3o exigiu um \u00fanico toque de recolher, j\u00e1 que os trabalhadores n\u00e3o sa\u00edram de suas casas para defender seu mandato. N\u00e3o se dispuseram a salvar um governo que consideravam detest\u00e1vel, por maiores que sejam os esfor\u00e7os reformistas para embelezar as administra\u00e7\u00f5es petistas ou da FT para construir uma teoria justificativa para ceder a uma posi\u00e7\u00e3o campista.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que essa confus\u00e3o sobre o que \u00e9 um golpe de Estado, criada pela narrativa do PT e PSOL, \u00e0 qual a FT adere, al\u00e9m de cumprir o papel de jogar um v\u00e9u sobre o real papel dos governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes chefiados pelo PT, leva a deixar a classe trabalhadora e a vanguarda despreparadas para lidar com um golpe de verdade. A farsa do discurso sobre 2016 pode facilitar o caminho para uma trag\u00e9dia real no futuro. Afinal, dentre as diversas maneiras de se subestimar a extrema direita, o bolsonarismo e as For\u00e7as Armadas em 2023, por exemplo, a mais perigosa \u00e9 a que faz crer que um golpe de Estado poderia ocorrer, como supostamente na vota\u00e7\u00e3o do impeachment de Dilma, sem que nenhum incremento expressivo na atividade de repress\u00e3o estatal seja introduzido na vida social, sem uma mudan\u00e7a qualitativa no regime pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos, pois, dar \u00e0s palavras a sua dimens\u00e3o: se a gera\u00e7\u00e3o atual acreditar que sobreviveu a um golpe em 2016, e que est\u00e1 capacitada para lidar com esse tipo de experi\u00eancia, ela ser\u00e1 uma presa f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p>Lula e o PT usam a narrativa do golpe para mostrar um passado rosa e isentar os seus mandatos da co-responsabilidade pela decad\u00eancia do pa\u00eds e inclusive por inscrever mecanismos repressivos e bonapartistas na Constitui\u00e7\u00e3o, como a lei anti-terrorismo, ou em conjunto com as For\u00e7as Armadas, as portarias de Garantia de Lei e Ordem (GLO), com as quais as For\u00e7as Armadas podem cumprir papel de repress\u00e3o interna.<\/p>\n\n\n\n<p>O PT passou a ser contr\u00e1rio \u00e0 mudan\u00e7a de qualquer governo via impeachment, inclusive passou a dizer que a derrubada de Collor tamb\u00e9m foi \u201cgolpe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, apesar do PT e Lula dizerem que a intentona bolsonarista de 2023 (essa realmente uma tentativa de golpe) seria um \u201caprofundamento do golpe\u201d, eles sabem que em 2016 n\u00e3o teve golpe algum. Tanto sabem, que o atual vice de Lula, Alckmin-PSDB, foi defensor do impeachment de Dilma, da mesma maneira que 7 dos seus atuais ministros, entre eles Marina Silva (Rede). Quer dizer, Lula formou um governo cheio de \u201cgolpistas\u201d? Claro que n\u00e3o! Mas, o MRT\/FT corroboram essa farsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de uma an\u00e1lise superficial, meramente jur\u00eddica e unilateral, e de um distanciamento da classe oper\u00e1ria e do forte sentimento contra o governo e o regime nas massas nesse momento, talvez o que possa explicar a capitula\u00e7\u00e3o do MRT\/FT \u00e0 press\u00e3o desta posi\u00e7\u00e3o campista, seja o fato de que nessa \u00e9poca o MRT brasileiro tentava entrar no PSOL, no que foi vetado pela dire\u00e7\u00e3o deste partido.<\/p>\n\n\n\n<p>Definir o impeachment de 2016 como golpe, significa destituir de sentido o conceito de golpismo, significa banaliz\u00e1-lo ao extremo, ao ponto de torn\u00e1-lo irrelevante.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para terminar<\/h4>\n\n\n\n<p>Enquanto trabalh\u00e1vamos neste artigo, que buscava responder ao texto A concep\u00e7\u00e3o morenista de revolu\u00e7\u00e3o e a crise hist\u00f3rica da LIT, as p\u00e1ginas de \u201cIdeas de Izquierda\u201d publicaram duas s\u00e9ries de artigos sobre a revolu\u00e7\u00e3o angolana e nicaraguense.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes artigos, vejam s\u00f3, reconhecem que sim, foram revolu\u00e7\u00f5es que aconteceram nestes pa\u00edses e que influenciaram enormemente na realidade e na luta de classes em n\u00edvel mundial. O interessante \u00e9 notar que, pelos crit\u00e9rios defendidos no artigo que agora respondemos, ambos os acontecimentos n\u00e3o seriam revolu\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o transferiram o poder de uma classe social para outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Como os camaradas da FT resolvem essa flagrante contradi\u00e7\u00e3o? Em sil\u00eancio como se n\u00e3o estivesse acontecendo nada. Diante da necessidade imperiosa de atuar concretamente, a FT est\u00e1 tentando entrar na \u00c1frica, s\u00e3o obrigados a renegar sua teoria anterior e come\u00e7ar a construir outra, sem dizer uma palavra sobre as mudan\u00e7as que est\u00e3o operando.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena fazer notar, no entanto, que ambos os textos, pese esse ajuste essencial, ainda que com 50 anos de atraso, pecam dos problemas que j\u00e1 identificamos antes, a de julgar os acontecimentos pelos seus resultados finais, ignorando as amplas possibilidades que eles abriam quando se deram.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, optamos por n\u00e3o desenvolver aqui, no presente artigo, uma cr\u00edtica mais profunda aos textos sobre Angola e Nicar\u00e1gua, mas o faremos em breve e com a devida profundidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma metodologia, de ir ajustando suas posi\u00e7\u00f5es na medida que elas ficam indefens\u00e1veis, e se chocam com o movimento de massas e com a vanguarda, pode ser notado na discuss\u00e3o sobre Palestina. A contraposi\u00e7\u00e3o que a FT fazia entre a palavra de ordem, \u201cpalestina livre do Rio ao mar\u201d e outras varia\u00e7\u00f5es que expressavam a defesa de uma palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista em todo o seu territ\u00f3rio hist\u00f3rico, e Palestina Oper\u00e1ria e Socialista, como se a primeira fosse uma capitula\u00e7\u00e3o ao etapismo e a segunda a express\u00e3o de um genu\u00edno programa trotskista, desapareceu<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio, como desenvolvemos neste texto, que tal compreens\u00e3o das palavras de ordem s\u00f3 se explicam por uma ruptura ou incompreens\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o, mas isso tamb\u00e9m ser\u00e1 objeto de uma pol\u00eamica futura, por hora nos damos por satisfeitos em remarcar o m\u00e9todo, de mudar de posi\u00e7\u00e3o silenciosamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os militantes do Movimento Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores (MRT) e da Fra\u00e7\u00e3o Trotsquista (FT) Iuri Tonelo, Andr\u00e9 Barbieri e Danilo Paris, responderam ao nosso \u00faltimo artigo, com um novo, \u201cA concep\u00e7\u00e3o morenista de revolu\u00e7\u00e3o e a crise hist\u00f3rica da LIT\u201d. 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