{"id":81963,"date":"2025-12-12T18:58:31","date_gmt":"2025-12-12T18:58:31","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81963"},"modified":"2026-01-31T13:41:13","modified_gmt":"2026-01-31T13:41:13","slug":"trump-e-a-geopolitica-imperialista-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/12\/12\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Trump e a geopol\u00edtica imperialista na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>A crescente presen\u00e7a naval militar no Mar do Caribe representa a maior mobiliza\u00e7\u00e3o estadunidense na regi\u00e3o, pelo menos desde 1989<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>[<u>[1]<\/u>]<\/sup><\/a>.&nbsp; Essa&nbsp; nova investida imperialista sobre a Am\u00e9rica Latina tem deixado dezenas de mortes em ataques&nbsp; a&nbsp; tripula\u00e7\u00f5es&nbsp; de pequenas embarca\u00e7\u00f5es na costa da Venezuela, &nbsp;estendendo-se &nbsp;tamb\u00e9m para o Pac\u00edfico, em \u00e1guas colombianas. O \u201cmote\u201d trumpista \u00e9 o de que se tratam de narcotraficantes ligados a&nbsp; \u201cgrupos terroristas internacionais\u201d, como&nbsp;<em>Tren de Ar\u00e1gua<\/em>&nbsp;e outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse&nbsp; cen\u00e1rio&nbsp; indica um ataque violento e cont\u00ednuo&nbsp; \u00e0 soberania e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos venezuelano e colombiano. Sinaliza que tais agress\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o eventuais, mas permanentes \u2013 e que tendem a se expandir para al\u00e9m desses dois pa\u00edses. O&nbsp; quadro rep\u00f5e e intensifica o sentimento anti-imperialista, associando o trumpismo \u00e0 ultradireita entreguista da regi\u00e3o e ao hist\u00f3rico de agress\u00f5es imperialistas estadunidenses.<\/p>\n\n\n\n<p>As amea\u00e7as de ataques militares ao territ\u00f3rio venezuelano,&nbsp; repetidamente anunciadas por Trump e seus assessores desde meados de outubro, teriam como pretexto&nbsp; destruir as bases do narcotr\u00e1fico e depor o seu suposto l\u00edder, Nicol\u00e1s Maduro. Embora tal a\u00e7\u00e3o direta pare\u00e7a improv\u00e1vel \u2013 diante de riscos imprevis\u00edveis para o pr\u00f3prio imperialismo e para a&nbsp; oposi\u00e7\u00e3o venezuelana pr\u00f3-trumpista -, o destino pol\u00edtico de Maduro ainda&nbsp; \u00e9 incerto. Seu regime, sustentado no comando militar, \u00e9 amplamente impopular, corrupto e repressivo, inclusive sobre os setores sindicais e de esquerda. Essa combina\u00e7\u00e3o o&nbsp;&nbsp; fragiliza e&nbsp; torna&nbsp; incerto seu futuro, levando-o a intensificar ainda mais a repress\u00e3o contra as opini\u00f5es cr\u00edticas e mobiliza\u00e7\u00f5es por reivindica\u00e7\u00f5es salariais e pol\u00edticas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia central do trumpismo, at\u00e9 o momento, \u00e9 a deposi\u00e7\u00e3o do presidente venezuelano, conduzida pelo secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o secret\u00e1rio de Defesa, Pete Hegseth. Para esses setores, n\u00e3o bastaria o entreguismo das riquezas energ\u00e9ticas e naturais para as empresas estadunidenses \u2013 como j\u00e1 oferecido em negocia\u00e7\u00e3o por assessores de Maduro \u2013 , mas sim a sua deposi\u00e7\u00e3o e &nbsp;a reestrutura\u00e7\u00e3o do regime pol\u00edtico no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024,&nbsp; ainda sob o governo &nbsp;Biden, os EUA n\u00e3o reconheceram a vit\u00f3ria de Maduro \u00e0 presid\u00eancia da Venezuela, rejeitando o pleito por consider\u00e1-lo n\u00e3o&nbsp; livre. Na ocasi\u00e3o,&nbsp; n\u00e3o somente a oposi\u00e7\u00e3o de direita denunciou&nbsp; restri\u00e7\u00f5es eleitorais, mas tamb\u00e9m as oposi\u00e7\u00f5es de esquerda que tiveram impedidos registros de suas candidaturas. Em 2019, na primeira presid\u00eancia de Trump, a embaixada estadunidense em Caracas foi fechada, ap\u00f3s&nbsp; acusa\u00e7\u00f5es de espionagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse novo cen\u00e1rio latino-americano exige um posicionamento en\u00e9rgico e conjunto de governantes da regi\u00e3o. No entanto, o que predomina&nbsp; \u00e9 o sil\u00eancio \u2013 covarde e conveniente \u2013&nbsp; ou, quando muito, ret\u00f3ricas vazias contr\u00e1rias \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o do Caribe. A submiss\u00e3o das burguesias locais, curvadas \u00e0s press\u00f5es e san\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias dos EUA, explica as hesita\u00e7\u00f5es e vacila\u00e7\u00f5es dos governos regionais, bem como o posicionamento ultradireitista favor\u00e1vel \u00e0 pol\u00edtica de combate ao narcotr\u00e1fico sob a coordena\u00e7\u00e3o estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos&nbsp; governos da regi\u00e3o apresentam-se&nbsp; alinhados \u00e0 atual geopol\u00edtica norte-americana: M\u00e9xico, Guatemala, Honduras, El Salvador, Guiana, Trinidad e Tobago, Panam\u00e1, Costa Rica, Rep\u00fablica Dominicana, Argentina e&nbsp; Paraguai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As declara\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, quando existem, revelam apenas&nbsp; o oportunismo t\u00e1tico&nbsp; para&nbsp; negocia\u00e7\u00f5es&nbsp; com os EUA. \u00c9 o caso da ret\u00f3rica vazia do governo brasileiro, &nbsp;que demonstra postura vacilante. Suas contesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o formais&nbsp; e pontuais,&nbsp; limitando-se \u00e0 proposta de&nbsp; mediar o conflito entre &nbsp;\u201cas duas partes\u201d &nbsp;\u2013 EUA e Venezuela!! Trata-se de atitude &nbsp;oportunista, voltada a &nbsp;angariar&nbsp; popularidade (eleitoral) para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais no Brasil. Al\u00e9m disso, encobre as negocia\u00e7\u00f5es sobre o tarifa\u00e7o&nbsp; atualmente em curso &nbsp;com os EUA, conduzida sem qualquer rela\u00e7\u00e3o com os interesses da classe trabalhadora e do povo brasileiro. &nbsp;O posicionamento do Governo Lula apenas faz contesta\u00e7\u00f5es formais desconsiderando a gravidade das interven\u00e7\u00f5es estadunidenses no cen\u00e1rio latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p><a>Neste artigo, examino&nbsp; alguns aspectos desse quadro: o cen\u00e1rio militar na regi\u00e3o; a quest\u00e3o do narcotr\u00e1fico e a justificativa de Trump; as posi\u00e7\u00f5es em disputa na c\u00fapula trumpista sobre a Venezuela; o regime pol\u00edtico venezuelano; o alinhamento dos governos latino-americanos ao trumpismo; os interesses estrat\u00e9gicos estadunidenses na regi\u00e3o.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O crescente refor\u00e7o militar no Mar do Caribe<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A crescente&nbsp; presen\u00e7a militar no Mar do Caribe, com a\u00e7\u00f5es letais &nbsp;&nbsp;nas costas da Venezuela e nas \u00e1guas da&nbsp; Col\u00f4mbia, n\u00e3o deixa d\u00favidas quanto aos objetivos do Governo Trump: de forma permanente, retomar as a\u00e7\u00f5es navais no entorno latino-americano e ampliar seus &nbsp;interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde agosto,&nbsp; cerca de 10 mil soldados estadunidenses foram deslocados para a regi\u00e3o, distribu\u00eddos entre opera\u00e7\u00f5es navais e bases em terra. Metade encontra-se em oito navios de guerra da Marinha, equipados com ca\u00e7as F-35, incluindo mais de dois mil fuzileiros navais. A outra metade em bases&nbsp; como Porto Rico, onde operam &nbsp;ca\u00e7as, drones MQ-9 Reaper da For\u00e7a A\u00e9rea,&nbsp; aeronaves de vigil\u00e2ncia e equipes &nbsp;de apoio<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[2]<\/u>]<\/a>. S\u00e3o dezenas de aeronaves e navios militares, al\u00e9m de um submarino de propuls\u00e3o nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p>A essa frota militar se somar-se-\u00e1 &nbsp;o maior navio de guerra do mundo, o porta-avi\u00f5es USS Gerald R. Ford, acompanhado por mais &nbsp;5 mil militares e 75 navios de ataque, vigil\u00e2ncia e apoio, &nbsp;e &nbsp;ca\u00e7as como os &nbsp;F\/A-18. Esse aparato &nbsp;&nbsp;dirige-se \u00e0s \u00e1guas da regi\u00e3o, vindo do Mediterr\u00e2neo, da costa da Cro\u00e1cia<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[3]<\/u>]<\/a>, com chegada prevista para novembro. As ordens foram emitidas &nbsp;em 24 de outubro pelo secret\u00e1rio de Defesa, Pete Hegseth<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[4]<\/u>]<\/a><a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[5]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens por sat\u00e9lite e registros p\u00fablicos de rastreamento de voos confirmam o aumento das opera\u00e7\u00f5es \u00a0na regi\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel visualizar, em sites abertos ao p\u00fablico, voos militares \u00a0que confirmam a presen\u00e7a dos EUA no entorno venezuelano e colombiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, jornal norte-americano revelou que Trump autorizou a\u00e7\u00f5es secretas da CIA contra o governo venezuelano<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[6]<\/u>]<\/a>; portanto, a\u00e7\u00f5es terrestres em solo do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Amea\u00e7as consideradas como \u201cdemonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a\u201d s\u00e3o frequentes desde meados de outubro: &nbsp;sobrevoos prolongados de bombardeiros B-1<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[7]<\/u>]<\/a>&nbsp;pela costa venezuelana, opera\u00e7\u00f5es &nbsp;de helic\u00f3pteros em mar entre Venezuela e Trinidad e Tobago, e miss\u00f5es &nbsp;de vigil\u00e2ncia da Marinha dos EUA a cerca de 20 km da costa. Em 2 de setembro come\u00e7aram os ataques letais &nbsp;(assassinatos) em \u00e1guas do Caribe e, a partir de outubro, no Pac\u00edfico, na costa da Col\u00f4mbia, contra pequenas embarca\u00e7\u00f5es acusadas, sem provas, &nbsp;de tr\u00e1fico de drogas e de liga\u00e7\u00e3o com ao&nbsp;<em>Tren de Ar\u00e1gua<\/em>&nbsp;e outras organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Unidades &nbsp;de Opera\u00e7\u00f5es Especiais dos EUA &nbsp;assassinaram, entre setembro e final de outubro desse ano, 57 tripulantes de pequenas embarca\u00e7\u00f5es<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[8]<\/u>]<\/a>. Em suas redes sociais, Trump e &nbsp;assessores<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[9]<\/u>]<\/a>&nbsp;afirmaram que se tratava de narcotraficantes, apresentando como \u201cprova\u201d v\u00eddeos a\u00e9reos mostravam &nbsp;barcos em chamas ap\u00f3s os ataques. Nenhuma evid\u00eancia confirmou as alega\u00e7\u00f5es de que se tratava de narcotraficantes. Esses epis\u00f3dios configuram execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, violando frontalmente o direito internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O que antes eram opera\u00e7\u00f5es de interdi\u00e7\u00e3o conduzidas pela Guarda Costeira estadunidense transformou-se em a\u00e7\u00f5es de guerra contra \u201cfor\u00e7as inimigas\u201d. O secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a \u2013&nbsp; rebatizado por Trump como \u201cDepartamento de Guerra\u201d \u2013 declarou, ap\u00f3s &nbsp;um dos&nbsp; ataques em&nbsp; \u00e1guas colombianas, que &nbsp;\u201cas quatro embarca\u00e7\u00f5es eram conhecidas pelo nosso aparato de intelig\u00eancia, transitando por rotas conhecidas de narc\u00f3ticos e transportando narc\u00f3ticos\u201d. E acrescentou: &nbsp;\u201cEsses narcoterroristas mataram mais americanos do que a Al-Qaeda e ser\u00e3o tratados da mesma forma\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[10]<\/u>]<\/a>. Foram mortas &nbsp;14 pessoas, talvez pescadores, sem nenhuma apura\u00e7\u00e3o e provas de envolvimento com o narcotr\u00e1fico. Apenas suposi\u00e7\u00f5es, sem reten\u00e7\u00e3o e averigua\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es. Ainda que fosse provado envolvimento, o que n\u00e3o foi, \u00e9 inadmiss\u00edvel execu\u00e7\u00f5es que se encontram completamente \u00e0 margem do direito internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp; outubro, assessores do governo afirmaram que os EUA,&nbsp; estavam agora em um \u201cconflito armado n\u00e3o internacional\u201d contra cart\u00e9is de drogas. Trump caracterizou que seu refor\u00e7o militar na regi\u00e3o tinha como alvo a Venezuela e seu l\u00edder,&nbsp; a quem os EUA acusam de liderar uma \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista n\u00e3o estatal\u201d (<em>Tren de Ar\u00e1gua<\/em>) que estaria inundando os Estados Unidos com drogas e assassinatos.<\/p>\n\n\n\n<p>O clima regional &nbsp;\u00e9 de&nbsp; aberta &nbsp;militariza\u00e7\u00e3o, justificada pelo combate aos \u201cgrupos terroristas internacionais\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn11\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[11]<\/u>]<\/a>. Trump chegou a sugerir ataques terrestres em solo venezuelano, alegando que o &nbsp;contrabando de drogas teria migrado para rotas terrestres. Acrescentou que seu governo \u201cprovavelmente retornaria ao Congresso e explicaria exatamente o que estamos fazendo\u201d, antes de lan\u00e7ar tais ataques, mas destacou a necessidade de obter autoriza\u00e7\u00e3o parlamentar. &nbsp;\u201cVamos atac\u00e1-los com muita for\u00e7a quando vierem por terra\u201d, afirmou, referindo-se aos grupos que acusa &nbsp;de tr\u00e1fico de drogas. \u201cEles ainda n\u00e3o passaram por isso, mas agora estamos totalmente preparados para isso\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn12\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[12]<\/u>]<\/a>. Em declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, mencionou a inclus\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es letais &nbsp;da CIA com o objetivo de deposi\u00e7\u00e3o do presidente venezuelano<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn13\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[13]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O discurso trumpista sobre o narcotr\u00e1fico e a rela\u00e7\u00e3o com o terrorismo<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro, logo ao reassumir o cargo, Trump assinou uma Ordem Executiva<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn14\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[14]<\/u>]<\/a>&nbsp; que classificou &nbsp;os cart\u00e9is de drogas como organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras, equiparando narcotr\u00e1fico e terrorismo. Essa redefini\u00e7\u00e3o ampliou as prerrogativas do Estado para a\u00e7\u00f5es militares, al\u00e9m das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas j\u00e1 em vigor. A \u201camea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional\u201d iria al\u00e9m do \u201ccrime organizado tradicional\u201d, segundo o texto, pois&nbsp; envolveria &nbsp;\u201catores extra hemisf\u00e9ricos\u201d que seriam \u201cdesde organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras designadas at\u00e9 governos estrangeiros antag\u00f4nicos\u201d engajados em &nbsp;\u201cinsurg\u00eancia e guerra assim\u00e9trica\u201d. Cita o grupo criminoso venezuelano&nbsp;<em>Tren de Ar\u00e1gua<\/em>&nbsp;(TdA) e o salvadorenho&nbsp;<em>Mara Salvatrucha<\/em>&nbsp;(MS-13). Designou o procurador-geral e o Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a interna para \u201ciniciar preparativos operacionais\u201d conforme a antiga Lei de Inimigos Estrangeiros,&nbsp; de 1798,&nbsp; raramente utilizada na hist\u00f3ria estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorreu, assim, &nbsp;um \u201csalto de qualidade\u201d na carateriza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica dos cart\u00e9is de drogas&nbsp; pelos EUA. At\u00e9 o ano passado, &nbsp;esses grupos eram tratados como organiza\u00e7\u00e3o criminosa transnacional, mas agora passaram a ser definidos &nbsp;como \u201catores extra hemisf\u00e9ricos\u201d, ou seja, n\u00e3o se localizariam somente na Am\u00e9rica Latina, e haveria uma rede, articula\u00e7\u00e3o, que envolveria grupos terroristas internacionais e \u201cgovernos antag\u00f4nicos\u201d, que amea\u00e7avam a seguran\u00e7a estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump afirmou em mar\u00e7o que o&nbsp;<em>Tren de Ar\u00e1gua<\/em>&nbsp;(TdA) cometia crimes nos EUA sob a dire\u00e7\u00e3o do presidente venezuelano, que teria libertado seus membros das pris\u00f5es&nbsp; e os enviado para os EUA. Com tal \u201cprova\u201d, Trump invocou a Lei de Inimigos Estrangeiros<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn15\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[15]<\/u>]<\/a>&nbsp;para deportar mais de 200 venezuelanos presos nos EUA \u00e0s pris\u00f5es de Nayib Bukele, em El Salvador, um de seus mais fi\u00e9is aliados. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No comunicado oficial &nbsp;em mar\u00e7o,&nbsp; o TdA foi classificado &nbsp;como \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista estrangeira com milhares de membros\u201d e operaria com outra organiza\u00e7\u00e3o narcoterrorista, supostamente patrocinada pelo regime de Maduro. Segundo Trump, &nbsp;\u201cessas organiza\u00e7\u00f5es criminosas transnacionais\u201d controlariam cada vez mais o governo e o territ\u00f3rio venezuelano, transformando &nbsp;a Venezuela em &nbsp;\u201cum estado criminoso h\u00edbrido\u201d que estaria \u201cperpetrando uma invas\u00e3o e incurs\u00e3o predat\u00f3ria nos Estados Unidos\u201d. Esse \u00e9 &nbsp;o arcabou\u00e7o ideol\u00f3gico que o justifica, diante de seu p\u00fablico interno, para a crescente militariza\u00e7\u00e3o do Mar do Caribe e as agress\u00f5es mortais&nbsp; em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, o Escrit\u00f3rio de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro classificou o\u00a0<em>Cartel de los Soles\u00a0<\/em>como \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista global especialmente designada\u201d com sede na Venezuela. O OFAC alegou \u00a0que \u00a0\u201cNicol\u00e1s Maduro Moros e outros indiv\u00edduos venezuelanos de alto escal\u00e3o\u201d no regime pol\u00edtico\u00a0 \u201ccorromperam as institui\u00e7\u00f5es governamentais\u201d, incluindo \u201csetores das for\u00e7as armadas, \u00a0do servi\u00e7o de intelig\u00eancia, do legislativo e do judici\u00e1rio\u201d, para o tr\u00e1fico de narc\u00f3ticos para os Estados Unidos. Acrescentou ainda que o governo venezuelano \u00a0\u201cforneceria apoio material a organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras que amea\u00e7am a paz e a seguran\u00e7a dos EUA\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn16\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[16]<\/u>]<\/a>, nomeadamente o\u00a0<em>Tren de Aragua\u00a0\u00a0<\/em>e o mexicano\u00a0<em>Cartel de Sinaloa<\/em>.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de agosto, a procuradora-geral dos EUA apresentou a nova recompensa (duplicada) de US$ 50 milh\u00f5es para&nbsp; informa\u00e7\u00f5es que levassem \u00e0 captura de Maduro, classificado como \u201cum dos maiores traficantes do mundo\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn17\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[17]<\/u>]<\/a>. O &nbsp;poster do Departamento do Estado &nbsp;dizia: \u201cpor conspira\u00e7\u00e3o de narcoterrorismo, conspira\u00e7\u00e3o para importa\u00e7\u00e3o de coca\u00edna e conspira\u00e7\u00e3o para usar e portar metralhadoras e dispositivos destrutivos em apoio a um delito de drogas\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn18\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[18]<\/u>]<\/a>. Segundo o governo, os EUA teriam apreendido 30 toneladas de coca\u00edna do Cartel de los Soles, sendo sete toneladas de propriedade de Maduro. Isso seria uma \u201camea\u00e7a \u00e0 nossa [EUA] seguran\u00e7a nacional\u201d: ele [Maduro] n\u00e3o escaparia, disse a procuradora-geral. Ainda afirmava que o venezuelano estaria associado ao Trem de Aragua e ao Cartel de Sinaloa, considerados \u201corganiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras\u201d, desde janeiro deste ano. O Departamento do Tesouro dos EUA j\u00e1 tinha colocado o <em>Cartel de los Soles<\/em> na lista de \u201cterroristas globais especialmente designados\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn19\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[19]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os EUA s\u00e3o o maior mercado de coca\u00edna mundial, seguidos pela Europa. S\u00e3o o principal destino do tr\u00e1fico global. No entanto, essa droga, proporcionalmente (embora continue crescendo), representa parcela menor frente \u00e0 explos\u00e3o do consumo de drogas sint\u00e9ticas, como anfetaminas e opioides. &nbsp;O fentanil&nbsp; \u2013 &nbsp;produzido majoritariamente &nbsp;no M\u00e9xico com insumos qu\u00edmicos &nbsp;vindos de pa\u00edses asi\u00e1ticos, incluindo a China \u2013 \u00e9 respons\u00e1vel pela maior parte das mortes por overdose nos EUA. De acordo com a Ag\u00eancia Antidrogas dos EUA (DEA), o Departamento de Justi\u00e7a e o Servi\u00e7o de Pesquisa do Congresso<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[20]<\/u>]<\/a>, a &nbsp;Venezuela praticamente n\u00e3o desempenha papel relevante na produ\u00e7\u00e3o ou contrabando de fentanil ou coca\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>A bacia do Caribe representa uma porcentagem pequena na rota do &nbsp;tr\u00e1fico para os EUA. A magnitude da ofensiva militar naval \u00e9 desproporcional ao volume de drogas transitando na regi\u00e3o. Nesse sentido, os &nbsp;ataques \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es evidenciam que o objetivo real&nbsp; n\u00e3o \u00e9 &nbsp;o combate aos cart\u00e9is de narcotr\u00e1fico e \u00e0s drogas que entram nos EUA, mas sim justificar a militariza\u00e7\u00e3o. &nbsp;De fato, essa hist\u00f3ria n\u00e3o confere com a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump, em seus del\u00edrios, enfatizou que, a cada barco destru\u00eddo na regi\u00e3o, salvaria 25 mil vidas. Nos EUA, \u00e9 estimado que cerca de 100.000 pessoas morrem de overdose&nbsp; a cada ano, mas &nbsp;a maioria dessas mortes ocorre por causa do fentanil. O aumento nas overdoses foi impulsionado pelo fentanil.&nbsp; De acordo com a Alf\u00e2ndega e Prote\u00e7\u00e3o de Fronteiras dos EUA, 94% da droga apreendida nos EUA \u00e9 interceptada na fronteira ao sul. De acordo com a Ag\u00eancia de Repress\u00e3o \u00e0s Drogas (DEA), o Departamento de Justi\u00e7a e o Servi\u00e7o de Pesquisa do Congresso (CPA), a rota principal, nem de longe, \u00e9 a Bacia do Caribe. A maior produ\u00e7\u00e3o global de coca\u00edna \u2013 que seu consumo \u00e9 menor nos EUA em rela\u00e7\u00e3o ao fentanil \u2013 sai da Col\u00f4mbia, Peru e Bol\u00edvia e vai para a Am\u00e9rica do Norte e &nbsp;Europa. Passa pelos portos peruano, equatoriano e colombiano e, mais recentemente, est\u00e3o passando pelo Equador e Costa Rica.<\/p>\n\n\n\n<p>A Col\u00f4mbia, de acordo com relat\u00f3rio de 2024, \u00e9 o principal ponto de origem da coca\u00edna &nbsp;para os EUA, representando cerca de 64% das drogas apreendidas. N\u00e3o s\u00e3o somente por rotas mar\u00edtimas, nem principalmente pelo Caribe. Seguem rotas terrestres e a\u00e9reas para os Estados Unidos e Canad\u00e1. A principal rota mar\u00edtima acontece pelo Oceano Pac\u00edfico, com cerca de 74% do total do tr\u00e1fico, uma vez que o Pac\u00edfico \u00e9 uma vastid\u00e3o que dificulta a vigil\u00e2ncia, ao contr\u00e1rio do Mar do Caribe, onde ocorre maior vigil\u00e2ncia estadunidense. Al\u00e9m da rota do Pac\u00edfico, a coca\u00edna tamb\u00e9m segue por duas rotas que atravessam o Caribe. A mais utilizada \u00e9 a rota do Caribe Ocidental (Col\u00f4mbia, Equador, Peru e atravessa o Panam\u00e1 e Jamaica). A outra rota segue pelo corredor do Caribe, que vai da Col\u00f4mbia at\u00e9 a Rep\u00fablica Dominicana e o Haiti e, de l\u00e1, para a Fl\u00f3rida ou o Canad\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Da Venezuela, sai um tr\u00e1fico muito menor daquele que &nbsp;acontece pela Am\u00e9rica Central e Pac\u00edfico. Enquanto a exporta\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia representava estimados 279,7 toneladas e o Equador cerca de 252 toneladas, a Bol\u00edvia pr\u00f3ximos a 45 toneladas, a Venezuela chegava em estimados 35,1 toneladas. De acordo com a UNODOC (2025)<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn21\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[21]<\/u>]<\/a>, o&nbsp;<em>Cartel de S\u00f3lis,<\/em>&nbsp;que para Trump teria como seu l\u00edder Nicol\u00e1s Maduro, n\u00e3o \u00e9 um cartel de drogas, mas sim uma rede de corrup\u00e7\u00e3o entronizada nas For\u00e7as Armadas venezuelanas que, entre outras coisas, facilita o tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A associa\u00e7\u00e3o entre narcotr\u00e1fico e terrorismo j\u00e1 vem do per\u00edodo Ronald Reagan<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre narcotr\u00e1fico e terrorismo n\u00e3o \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o recente. Ela remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1980, quando os Estados Unidos, sob a presid\u00eancia de Ronald Reagan, institu\u00edram a chamada&nbsp;<em>guerra \u00e0s drogas<\/em>&nbsp;como um dos eixos da sua pol\u00edtica externa na Am\u00e9rica Latina. Desde ent\u00e3o,&nbsp; essa estrat\u00e9gia funcionou como doutrina e instrumento geopol\u00edtico de controle e interven\u00e7\u00e3o, travestida de moralismo antidrogas e de combate ao crime transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos 1980-2000, os EUA&nbsp; declararam &nbsp;guerra \u00e0s drogas, mas &nbsp;o consumo interno nunca de fato diminuiu; pelo contr\u00e1rio, cresceu. Isso revela n\u00e3o apenas uma sociedade &nbsp;capitalista cada vez mais adoecida mentalmente \u2013 um claro problema de sa\u00fade p\u00fablica-, mas tamb\u00e9m as &nbsp;articula\u00e7\u00f5es das redes de narcotr\u00e1ficos com agentes federais e a pr\u00f3pria CIA. O fluxo do tr\u00e1fico de &nbsp;armas&nbsp; alimenta as v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es criminosas continuou no eixo Norte-Sul, ou seja, dos EUA para a Am\u00e9rica Latina. Em d\u00e9cadas anteriores, a chamada &nbsp;\u201cguerra \u00e0s drogas\u201d serviu essencialmente &nbsp;\u00e0 pol\u00edtica de militariza\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os anos &nbsp;1980 consolidou-se &nbsp;&nbsp;uma&nbsp;<em>superestrutura jur\u00eddica<\/em>&nbsp;que operacionalizou e legitimou &nbsp;as in\u00fameras a\u00e7\u00f5es de combate&nbsp; \u00e0s drogas na Am\u00e9rica Latina, ao definir a regi\u00e3o como &nbsp;origem da \u201cinunda\u00e7\u00e3o\u201d das drogas nos EUA. &nbsp;Essa superestrutura moldou em grande parte a geopol\u00edtica estadunidense, articulando narcotr\u00e1fico, crime organizado, terrorismo e insurg\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio&nbsp;<em>Uma nova pol\u00edtica interamericana para os Anos 1980<\/em>, conhecido como Documento de Santa F\u00e9, apresenta a quest\u00e3o das drogas como problema estrat\u00e9gico de seguran\u00e7a para os EUA que legitimaria a coopera\u00e7\u00e3o militar hemisf\u00e9rica. A&nbsp;<em>Lei de Abuso de Drogas<\/em>&nbsp;(1988) institucionalizou a coordena\u00e7\u00e3o e o or\u00e7amento antidrogas n\u00e3o somente no plano nacional americano, mas latino-americano. No final dos anos 1980 e no transcorrer de 1990, surgiu a&nbsp;<em>Lei de autoriza\u00e7\u00e3o de defesa nacional<\/em>&nbsp;(1989), a partir da qual o Departamento de Defesa (DoD) passou a ser a ag\u00eancia que monitora o tr\u00e1fico de drogas para o pa\u00eds, de onde se configurou a For\u00e7a-Tarefa Conjunta Interag\u00eancias e a chamada For\u00e7a-Tarefa Conjunta Interag\u00eancias Sul, que \u00e9 coordenada pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse arcabou\u00e7o ideol\u00f3gico e operacional desenvolveram-se os grandes \u201cpacotes\u201d regionais (2000-2016). O Plano Col\u00f4mbia est\u00e1 diretamente associado ao processo contrarrevolucion\u00e1rio contra as FARCs e ELN, associado ao combate \u00e0s drogas, com assist\u00eancias bilion\u00e1rias dos EUA ao governo colombiano da \u00e9poca. Algo semelhante se desenvolveu com a Iniciativa M\u00e9rida, no M\u00e9xico, que teve \u00eanfase militar\/equipamentos e agregou aspectos de intelig\u00eancia, legisla\u00e7\u00e3o e reforma institucional mexicana.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem Barack Obama (2007-2016) nem &nbsp;Joe Biden (2020-2024) alteraram substancialmente essa arquitetura ideol\u00f3gico-jur\u00eddica e operacional. Biden, por exemplo, substituiu a Iniciativa M\u00e9rida pelo Quadro Bicenten\u00e1rio EUA-M\u00e9xico para Seguran\u00e7a, Sa\u00fade P\u00fablica e Comunidades Seguras, que formalizou a corresponsabilidade mexicana &nbsp;pela redu\u00e7\u00e3o da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro governo Trump (2017-2021) radicalizou essa&nbsp; tradi\u00e7\u00e3o.&nbsp; Intensificou &nbsp;a &nbsp;press\u00e3o pol\u00edtica sobre o M\u00e9xico e &nbsp;a China, que se tornara a precursora do fentanil. Trump amea\u00e7ava usar intensivamente o OFAC\/Kingpin Act e amea\u00e7ava classificar os cart\u00e9is como Organiza\u00e7\u00e3o Terrorista Estrangeira (FTO), o que veio a se concretizar no in\u00edcio do &nbsp;seu segundo mandato.&nbsp; Essa radicaliza\u00e7\u00e3o coincidiu com a &nbsp;mudan\u00e7a estrutural no mercado de drogas e a consolida\u00e7\u00e3o das drogas sint\u00e9ticas (fentanil\/metanfetamina), que deslocou &nbsp;as cadeias de produ\u00e7\u00e3o que antes estavam ligadas \u00e0s lavouras de coca para &nbsp;maior encadeamento entre &nbsp;cadeias de produ\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, portos e finan\u00e7as. Os tempos de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de drogas como mercadoria se intensificaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o Trump 2.0 (2025) e sua Ordem Executiva n\u00ba 1415, finalmente conseguiu designar os cart\u00e9is e afins como For\u00e7as Terroristas Estrangeiras (FTO) e Terrorista Global Especialmente Designada (SDG). FTO significa a criminaliza\u00e7\u00e3o do apoio material ao tr\u00e1fico e endurece migra\u00e7\u00e3o e asilo. Dessa forma, est\u00e1 combinando a &nbsp;legisla\u00e7\u00e3o de poderes econ\u00f4micos no \u00e2mbito internacional, com san\u00e7\u00f5es do Escrit\u00f3rio de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e o estatuto antiterrorismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o entre a legisla\u00e7\u00e3o antiterrorismo e as san\u00e7\u00f5es financeiras criou um instrumento de alcance superior: uma arma jur\u00eddico-financeira de proje\u00e7\u00e3o extraterritorial. A &nbsp;FTO \u00e9 uma arma jur\u00eddico-financeira de enorme e perigoso alcance, pois, al\u00e9m de atingir &nbsp;os cart\u00e9is de drogas e o crime organizado, ele se estende sobre as soberanias nacionais, pois projeta o poder estadunidense por meio penal-financeiro e pressiona os pa\u00edses a um alinhamento financeiro e cooperativo. Trata-se, em ess\u00eancia, de uma &nbsp;guerra imperialista com apar\u00eancia de legalidade internacional, onde o combate ao narcotr\u00e1fico converte-se em mecanismo de disciplinamento financeiro e pol\u00edtico das soberanias latino-americanas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O alinhamento de governos latino-americanos ao Governo Trump<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As press\u00f5es tarif\u00e1rias e o discurso securit\u00e1rio de Trump &nbsp;operam de forma sincronizada, combinando san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, diplomacia coercitiva e ret\u00f3rica moralizante que ecoa entre os governos e as burguesias latino-americanas dependentes. &nbsp;O Governo Trump&nbsp; articula assist\u00eancia, opera\u00e7\u00f5es conjuntas policial-militar e seguran\u00e7a (minitoramento) financeiro, ao mesmo tempo que preserva o fluxo comercial de armas norte-sul. Da antiga \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d (erradica\u00e7\u00e3o), passou a adotar uma press\u00e3o regional que combina car\u00e1ter policial-militar, coopera\u00e7\u00e3o judicial, san\u00e7\u00f5es financeiras e diplomacia de dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, os programas como Plano Col\u00f4mbia (anos 2000), Iniciativa M\u00e9rida (2008) e seus desdobramentos recentes (Bicentennial Framework, 2021) institucionalizaram a seguran\u00e7a como pilar da rela\u00e7\u00e3o EUA-M\u00e9xico\/Am\u00e9rica Central e do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A Col\u00f4mbia segue atrelada \u00e0 pol\u00edtica antidrogas&nbsp; e \u00e0 tutela estadunidense. O Congresso e o departamento de Estado priorizam recursos e legitimam a inger\u00eancia estadunidense sob o pretexto do combate ao crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Os EUA apoiam-se tamb\u00e9m nas oposi\u00e7\u00f5es pr\u00f3-estadunidenses dos v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o e, especialmente, aproveitam-se da baixa popularidade, corrup\u00e7\u00e3o e fraquezas de v\u00e1rios desses governos, como \u00e9 o caso da Venezuela e da Col\u00f4mbia. Ao mesmo tempo, por meio de press\u00f5es, amea\u00e7as tarif\u00e1rias e afinidades pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas, configuram um entorno de governos pr\u00f3-Trump ou ao menos a ele submissos. Vejamos alguns casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os EUA continuam apoiando o presidente Nayib Bukele de El Salvador, cuja repress\u00e3o massiva (e indistinta) a gangues \u00e9 apresentada como modelo. \u00a0No final de julho, os EUA rejeitou compara\u00e7\u00f5es entre os processos legislativos do pa\u00eds e outros pa\u00edses da regi\u00e3o. Em\u00a0 agosto, o secret\u00e1rio de Estado, Marco Rubio, defendeu o fim do \u00a0limite de mandatos presidenciais \u00a0no pa\u00eds, como em julho fora aprovado na Assembleia Nacional. Ainda em \u00a0agosto, apoiou a avalia\u00e7\u00e3o anual de direitos humanos, considerando que n\u00e3o haveria no pa\u00eds evid\u00eancias de viola\u00e7\u00f5es. Enquanto isso, Bukele continua uma dura repress\u00e3o contra\u00a0 membros de gangues e grupos de direitos humanos contr\u00e1rios \u00e0s draconianas leis anti-gangues.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de setembro, Marco Rubio foi ao M\u00e9xico conversar com a presidente Sheinbaum e ambos anunciaram um grupo para avan\u00e7ar em a\u00e7\u00f5es conjuntas contra grupos criminosos. Nas declara\u00e7\u00f5es, o secret\u00e1rio de Estado elogiou a presidente na luta contra as organiza\u00e7\u00f5es criminosas, mas nada disseram &nbsp;sobre a inten\u00e7\u00e3o dos EUA realizar interven\u00e7\u00e3o militar unilateral&nbsp; em territ\u00f3rio mexicano. No in\u00edcio de agosto, Trump autorizou preparativos para uso de for\u00e7as militares contra os cart\u00e9is, em solo mexicano, e instruiu o Pent\u00e1gono a \u201ccome\u00e7ar a usar for\u00e7a militar contra certos cart\u00e9is de drogas da Am\u00e9rica Latina\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn22\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[22]<\/u>]<\/a>. Sheinbaum, formalmente, colocou-se contra tal plano, embora j\u00e1 apresentasse a disposi\u00e7\u00e3o de \u201ccooperar\u201d com os EUA. Ao mesmo tempo, Trump elogiou o destacamento militar concentrado na fronteira M\u00e9xico\/EUA, as apreens\u00f5es de drogas e a transfer\u00eancia de \u201csujeitos de alto valor\u201d para os EUA. Pediu para que o M\u00e9xico prosseguisse em seus \u201cesfor\u00e7os adicionais e agressivos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>EUA e M\u00e9xico, ainda em setembro, iniciaram a\u00e7\u00f5es conjuntas contra o tr\u00e1fico transfronteiri\u00e7o de armas. No mesmo per\u00edodo, a presidente mexicana sinalizou alinhamento com as prioridades comerciais estadunidenses ao impor tarifa de 50% sobre os produtos chineses, inclusive ve\u00edculos. No contraponto, o M\u00e9xico n\u00e3o sofreu at\u00e9 agora nenhum tarifa\u00e7o como era prometido inicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A vers\u00e3o mais recente de alinhamento aos EUA foi a do presidente da Guatemala, Bernardo Ar\u00e9valo, que est\u00e1 projetando &nbsp;uma reforma do sistema prisional no pa\u00eds, ap\u00f3s 20 integrantes da gangue Barrio 18 escaparem de um pres\u00eddio de seguran\u00e7a m\u00e1xima, Fraijanes II. A gangue \u00e9 caracterizada como \u201corganiza\u00e7\u00e3o terrorista estrangeira\u201d pelos EUA. Disse ele: \u201cTeremos o apoio do FBI e de outras ag\u00eancias de seguran\u00e7a dos EUA, cuja experi\u00eancia e capacidade t\u00e9cnica fortalecer\u00e3o nossos sistemas de seguran\u00e7a e tornar\u00e3o nossa luta contra o crime organizado mais eficaz\u201d, \u201cn\u00e3o estaremos sozinhos nessa luta\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[23]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O alinhamento de Ar\u00e9valo com Trump ocorre desde fevereiro, quando&nbsp; Marco Rubio foi ao pa\u00eds. Rubio &nbsp;reiterou &nbsp;a prioridade estadunidense para a regi\u00e3o em torno da seguran\u00e7a, combate ao crime organizado e ao narcotr\u00e1fico<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn24\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[24]<\/u>]<\/a>. O guatemalteco apoiou a deporta\u00e7\u00e3o de imigrantes dos EUA para o pa\u00eds, tanto guatemaltecos quanto de outras nacionalidades, reproduzindo o que ele j\u00e1 fazia no Governo Biden. Nessa ocasi\u00e3o, Ar\u00e9valo anunciava a forma\u00e7\u00e3o de uma \u201cfor\u00e7a de seguran\u00e7a de fronteira\u201d que visaria &nbsp;patrulhar as fronteiras da Guatemala, Honduras e El Salvador contra crimes transnacionais. At\u00e9 o momento, o pa\u00eds n\u00e3o sofreu nenhum tarifa\u00e7o, somente manteve os 10% b\u00e1sicos em suas exporta\u00e7\u00f5es para os EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Em linhas gerais, as interven\u00e7\u00f5es militares no Mar do Caribe, estendendo-se para o&nbsp; Pac\u00edfico, t\u00eam sido miseravelmente silenciosas ou quase isso pelos governos latino-americanos. A Guiana e Trinidad e Tobago apresentaram apoio aos EUA, ao que o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, disse que ocorrer\u00e3o retalia\u00e7\u00f5es contra esses pa\u00edses caso sejam atacados pelos EUA. Lula, por sua vez, realizou uma cr\u00edtica formal \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares americanas, no final de setembro. Classificou os ataques a embarca\u00e7\u00f5es como \u201cexecu\u00e7\u00f5es extrajudiciais\u201d e logo se ofereceu como mediador pol\u00edtico da situa\u00e7\u00e3o, uma vez que, para ele, \u201co di\u00e1logo com a Venezuela deve permanecer aberto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O Brasil &nbsp;na discuss\u00e3o sobre narcotr\u00e1fico e terrorismo<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ultradireita brasileira&nbsp; acompanha os passos de Trump. &nbsp;A proposta inicial \u00e9 ampliar a lei Antiterrorismo (lei n\u00ba13.260\/2016) para incluir as atividades de organiza\u00e7\u00e3o criminosas. A lei antiterrorismo foi &nbsp;formulada &nbsp;e agilizada no Governo Dilma pelo ex- ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, e apoiada por muitos deputados petistas, nos desdobramentos dos movimentos de junho de 2013, no per\u00edodo dos eventos esportivos internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O atual &nbsp;projeto de lei n\u00ba 1.283\/2025 prop\u00f5e estender o conceito de terrorismo para incluir atividades de organiza\u00e7\u00f5es criminosas como fac\u00e7\u00f5es, &nbsp;mil\u00edcias e narcotr\u00e1fico. A sua ementa \u00e9 bem clara: \u201cAltera a Lei n\u00ba 13.260, de 16 de mar\u00e7o de 2016 (Lei Antiterrorismo), para ampliar as motiva\u00e7\u00f5es do crime de terrorismo, especificar infraestruturas cr\u00edticas e servi\u00e7os de utilidade p\u00fabica, estender a aplica\u00e7\u00e3o da lei a organiza\u00e7\u00f5es criminosas e a mil\u00edcias privadas que realizem atos de terrorismo, al\u00e9m de estabelecer majorante para ato de terror cometido por meio de recurso cibern\u00e9tico\u201d. (Danilo Fortes \u2013 Uni\u00e3o\/CE)<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn25\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[25]<\/u>]<\/a>. O artigo 2\u00ba da&nbsp; Lei seria alterado, para inserir como terrorismo as pr\u00e1ticas que impusessem o \u201cdom\u00ednio ou controle de \u00e1rea territorial, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrim\u00f4nio, a paz p\u00fablica ou a incolumidade p\u00fablica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de lei, apresentado em mar\u00e7o no Congresso, &nbsp;ganhou ares de urg\u00eancia em maio no Plen\u00e1rio da C\u00e2mara Federal, o que permitiu encurtar a tramita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o passando por comiss\u00f5es. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, em meio a esse processo lesgislativo, &nbsp;uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es bilaterais de delega\u00e7\u00e3o dos EUA com o governo brasileiro havia ocorrido em torno do tema das organiza\u00e7\u00f5es criminosas transnacionais, onde foram discutidos programas para enfrentar o terrorismo e o tr\u00e1fico de drogas<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn26\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[26]<\/u>]<\/a>, de maneira conjunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem \u00e9 o relator do projeto \u00e9 o ultradireitista, atual secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, Guilherme Derrite, que se afastou da Secretaria e reassumiu seu cargo no Congresso Nacional, se tornando o relator do projeto de lei.<\/p>\n\n\n\n<p>O empenho ultradireitista ganhou mais g\u00e1s a partir da opera\u00e7\u00e3o militar no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV), definida pelo governador Cl\u00e1udio de Castro e \u00e1reas de seguran\u00e7a. A opera\u00e7\u00e3o fez &nbsp;121 pessoas mortas nos morros (complexos) da Penha e do Alem\u00e3o, em execu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria como tudo indica, no dia 28 de outubro. A maior chacina ocorrida na hist\u00f3rica carioca. Relatos e v\u00eddeos mostram mutila\u00e7\u00f5es e decapita\u00e7\u00f5es. A megaopera\u00e7\u00e3o&nbsp; n\u00e3o teve seus objetivos alcan\u00e7ados \u2013 prender 100 integrantes, entre os quais &nbsp;lideran\u00e7as do Comando Vermelho. No entanto, pelo menos momentaneamente, teve grande impacto positivo sobre a popula\u00e7\u00e3o carioca, na cidade e nas favelas, e no pa\u00eds inteiro, de acordo com pesquisa Atlas. Nos dias seguintes, governadores de direita \u2013 Goi\u00e1s (Caiado), Minas Gerais (Zema), Paran\u00e1 (Ratinho), S\u00e3o Paulo (Tarcisio) por v\u00eddeo- reuniram-se em apoio a Cl\u00e1udio Castro e \u00e0 pol\u00edtica de militariza\u00e7\u00e3o do combate ao crime organizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma carta do governo americano enviada ao secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio de Janeiro, Victor Cesar dos Santos, no dia 04 de novembro, &nbsp;\u201clamentou\u201d &nbsp;a perda dos quatro policiais que morreram na opera\u00e7\u00e3o: \u201cnosso respeito e admira\u00e7\u00e3o pelo trabalho incans\u00e1vel das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Estado e colocamo-nos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para qualquer apoio que se fa\u00e7a necess\u00e1rio\u201d. Foi o que disse James Sparks, respons\u00e1vel pela Divis\u00e3o de Combate \u00e0s Drogas, do Departamento de Justi\u00e7a dos EUA. Nenhuma palavra sobre a brutal morte de tantas pessoas. A carta \u00e9 mais um sinal, ao meu ver,&nbsp; de como o Governo Trump&nbsp; est\u00e1 tentando trazer para a pauta sobre o tarifa\u00e7o com o governo brasileiro a discuss\u00e3o da caracteriza\u00e7\u00e3o de&nbsp; terrorismo aos grupos criminosos. Evidentemente, isso jogou mais esperan\u00e7as na ultradireita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>As &nbsp;posi\u00e7\u00f5es&nbsp; sobre a Venezuela na c\u00fapula trumpista<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento \u00e9 dif\u00edcil avaliar quais &nbsp;os desdobramentos no cen\u00e1rio &nbsp;venezuelano especialmente. Mas&nbsp; se evidencia uma l\u00f3gica abertamente hostil na geopol\u00edtica estadunidense em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses latino-americanos. O que est\u00e1 &nbsp;na mesa s\u00e3o as press\u00f5es estadunidenses em &nbsp;negocia\u00e7\u00f5es &nbsp;bilaterais em torno de interesses empresariais somados \u00e0 press\u00e3o pol\u00edtica, seja militar ou san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas (ou ambas).<\/p>\n\n\n\n<p>Na c\u00fapula trumpista coexistem&nbsp; duas correntes estrat\u00e9gicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela. Aquela claramente intervencionista, liderada por Marco Rubio e Pete Hegseth, defende abertamente a deposi\u00e7\u00e3o de Maduro por meio de a\u00e7\u00e3o militar direta ou bloqueio total. A segunda, \u201cnegociadora\u201d, mediada &nbsp;por Richard Grenell e empres\u00e1rios do setor energ\u00e9tico, prop\u00f5e uma transi\u00e7\u00e3o pactuada, ampliando ao m\u00e1ximo os contratos de explora\u00e7\u00e3o e evitando o fortalecimento dos interesses chineses e russos.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump oscila entre ambas as posi\u00e7\u00f5es, conforme as press\u00f5es do lobby petrol\u00edfero, da burguesia cubano-venezuelana-americana e dos setores militares. Essa ambiguidade reproduz o padr\u00e3o hist\u00f3rico da pol\u00edtica estadunidense para a regi\u00e3o: agressividade militar e pragmatismo econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dois meses, ocorreu a militariza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas caribenhas, ataques \u00e0s pequenas embarca\u00e7\u00f5es venezuelanas, baseadas nas repetidas \u201cden\u00fancias\u201d sobre a associa\u00e7\u00e3o entre Maduro e os cart\u00e9is de drogas. Mas no per\u00edodo tamb\u00e9m foram tecidas&nbsp; negocia\u00e7\u00f5es secretas entre assessores de Maduro&nbsp; e o funcion\u00e1rio estadunidense designado,&nbsp; Richard Grenell. Nessas negocia\u00e7\u00f5es, o presidente venezuelano&nbsp; teria proposto acordos envolvendo projetos de petr\u00f3leo e ouro existentes (e futuros), contratos preferenciais para empresas estadunidenses, al\u00e9m de propor reverter o fluxo de exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da China para os EUA e cortar os contratos de energia e minera\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds com empresas chinesas, iranianas e russas<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn27\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[27]<\/u>]<\/a>. Essas informa\u00e7\u00f5es foram reveladas por jornal estadunidense e n\u00e3o foram contestadas nem pelo Governo Trump nem por Nicol\u00e1s Maduro. Ou seja, segundo as informa\u00e7\u00f5es vazadas, o objetivo era obter o m\u00e1ximo de concess\u00f5es nos recursos naturais venezuelanos, embora mantendo o regime pol\u00edtico com Maduro em sua dire\u00e7\u00e3o, descartando os interesses chineses e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Trump rompeu as tratativas no in\u00edcio de outubro, uma vez que Maduro n\u00e3o teria aceito uma de suas exig\u00eancias: renunciar ao poder. O que sugere um cen\u00e1rio potencial de escalada contra o seu governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A &nbsp;estrat\u00e9gia conduzida por Richard Grenell considerava a possibilidade de aprofundamento das concess\u00f5es de riquezas estrat\u00e9gicas, embora mantendo o regime pol\u00edtico venezuelano e seu chefe, em um processo de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais lento e pactuado. No entanto, o setor trumpista que &nbsp;Marco Rubio expressa passou por cima das&nbsp; negocia\u00e7\u00f5es secretas e convenceu&nbsp; Trump a endurecer. Ent\u00e3o, o que passou a &nbsp;prevalecer, pelo menos por ora, foi a estrat\u00e9gia conduzida&nbsp; por Rubio e o conselheiro de seguran\u00e7a, Stephen Miller: depor Maduro e seus aliados, acabar com o atual regime pol\u00edtico. Em apoio ao secret\u00e1rio, o diretor do Escrit\u00f3rio de Servi\u00e7os Estrat\u00e9gicos (CIA), John Ratcliffe, que assumiu o cargo em 15 de janeiro, prometendo &nbsp;uma Institui\u00e7\u00e3o mais agressiva. Apenas como ilustra\u00e7\u00e3o, vale lembrar que na audi\u00eancia no Senado americano, ele afirmou &nbsp;que tornaria a CIA &nbsp;mais disposta a conduzir a\u00e7\u00f5es secretas quando ordenadas por Trump. Notem a afirma\u00e7\u00e3o do \u201cc\u00e3o de guarda\u201d: \u201cindo a lugares que ningu\u00e9m mais pode ir e fazendo coisas que ningu\u00e9m mais pode fazer\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn28\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[28]<\/u>]<\/a>. Ainda para Ratcliffe, o recruta ideal da CIA seria um \u201cPh.D. que pudesse vencer uma briga de bar\u201d. Outra p\u00e9rola: \u201cEsse sentimento \u00e9 a ess\u00eancia do que a CIA de hoje deve recapturar\u201d. Ou seja, um retorno ao que a Institui\u00e7\u00e3o foi e fez, dentro do Make America Great Again (Fazer a Am\u00e9rica Grande Novamente).<\/p>\n\n\n\n<p>Em meados de outubro,&nbsp; Trump teria autorizado \u00e0 CIA intensificar a\u00e7\u00f5es em terra no territ\u00f3rio venezuelano: \u201ccertamente estamos olhando para a terra agora, porque temos o mar muito bem controlado\u201d, disse. &nbsp;Seria uma permiss\u00e3o para conduzir opera\u00e7\u00f5es letais no &nbsp;pa\u00eds e uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es no Caribe<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[29]<\/u>]<\/a>. Al\u00e9m dessa amea\u00e7a, em 21 de outubro, Trump disse que notificaria o Congresso sobre suas inten\u00e7\u00f5es de bombardear alvos venezuelanos. Tais a\u00e7\u00f5es poderiam incluir ataques a alvos terrestres supostamente ligados ao tr\u00e1fico de drogas, mas tamb\u00e9m instala\u00e7\u00f5es que estivessem ligadas ao&nbsp;<em>Cartel de los Soles<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seriam simples amea\u00e7as discursivas ou narrativas que se articulam \u00e0s pr\u00e1ticas militares? De qualquer modo, o que estamos acompanhando \u00e9 o crescente ataque e assassinatos, como tamb\u00e9m sobrevoos, &nbsp;&nbsp;nas \u00e1guas do Caribe e Pac\u00edfico, inclusive em territ\u00f3rio venezuelano e colombiano. &nbsp;Trump sugere que ir\u00e1 atacar alvos terrestres. Diz que os ataques \u00e0s pequenas embarca\u00e7\u00f5es desviaram o contrabando de drogas para rotas terrestres. Acrescentou que seu governo \u201cprovavelmente retornaria ao Congresso e explicaria exatamente o que estamos fazendo\u201d, antes de lan\u00e7ar esses ataques, mas ressalta que precisa da permiss\u00e3o do Congresso para agir. \u201cVamos atac\u00e1-los com muita for\u00e7a quando vierem por terra\u201d, disse Trump sobre aqueles que seu governo acusa de tr\u00e1fico de drogas. \u201cEles ainda n\u00e3o passaram por isso, mas agora estamos totalmente preparados para isso\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn30\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[30]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia de deposi\u00e7\u00e3o de Maduro e a derrubada do regime pol\u00edtico venezuelano, evidentemente, est\u00e3o associadas ao pleno acesso aos recursos naturais do pa\u00eds. \u00c9 a principal estrat\u00e9gia levada \u00e0 frente nesse momento. N\u00e3o \u00e9 simples press\u00e3o para obten\u00e7\u00e3o de mais concess\u00f5es do regime venezuelano. Um governo venezuelano pr\u00f3-trumpista seria a condi\u00e7\u00e3o de estabilidade pol\u00edtica, com a garantia militar estadunidense na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra posi\u00e7\u00e3o existente parece menos realista, ainda que esteja sendo tecida. A negocia\u00e7\u00e3o com o governo venezuelano poderia envolver a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o do atual regime pol\u00edtico, mas sem Maduro e parte da c\u00fapula militar (Diosdado e outros), mas incorporando&nbsp; setores oposicionistas pr\u00f3-trumpistas, como Marina Corina Machado e seguindo para novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Ou seja, seria um&nbsp;<em>governo provis\u00f3rio de transi\u00e7\u00e3o<\/em>. Proposta que, evidentemente, nem Maduro nem parte da c\u00fapula venezuelana aceitariam, uma vez que lhes tirariam completamente as garantias do que lhes ocorreria no futuro pol\u00edtico imediato.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O regime pol\u00edtico venezuelano se mobiliza\u2026 e negocia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma corrente de interpreta\u00e7\u00f5es que questiona qualquer possibilidade de resist\u00eancia venezuelana em caso de interven\u00e7\u00e3o militar estadunidense. Basicamente sustenta essa posi\u00e7\u00e3o a partir da &nbsp;n\u00edtida inferioridade militar venezuelana. Em parte isso de fato \u00e9 real, no que se refere ao&nbsp; aparato militar. No entanto, subestima o poder de mobiliza\u00e7\u00e3o que Maduro ainda hoje tem na Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>Maduro e seu regime pol\u00edtico s\u00e3o uma&nbsp; cristaliza\u00e7\u00e3o bonapartista, tend\u00eancia consolidada no transcorrer do governo de Hugo Chavez e que continuou a se aprofundar com Maduro e sua c\u00fapula militar<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn31\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[31]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o rejeitados pela maioria do povo venezuelano, inclusive eleitoralmente, como ocorreu nos resultados presidenciais de 2024. A \u201cestrondosa\u201d vit\u00f3ria nas municipais de julho passado apenas mascara a perda de base social e aprofunda as den\u00fancias de fraude eleitoral. Na atualidade o regime venezuelano se mant\u00e9m baseado em uma forte e coesa base militar nas For\u00e7as Bolivarianas, formada por generais e principais comandantes militares, e que ainda envolve cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o que, por diversos mecanismo estatais, mant\u00e9m-se cooptada ao regime pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria do povo venezuelano percebe\/sente no seu cotidiano n\u00e3o somente a mis\u00e9ria social, mas o grau de corrup\u00e7\u00e3o que perpassa pelos in\u00fameros poros do Estado. Perseguem os diversos setores sindicais e de esquerda opositores dos descalabros econ\u00f4micos e pol\u00edticos no pa\u00eds. Restringem as liberdades pol\u00edticas e as formas de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 dif\u00edcil prever o que significaria ataques militares estadunidenses em terra. O sentimento anti-imperialista que poderia aflorar &nbsp;ou reviver como ideologia de resist\u00eancia nacional, especialmente contra uma pot\u00eancia imperialista que historicamente sempre exp\u00f4s suas patas opressoras e exploradoras sobre os povos latino-americanos. Por outro lado, o regime venezuelano ainda tem poder de mobiliza\u00e7\u00e3o, seja no aparato civil cooptado pelo regime, ou mesmo mobilizado de uma maneira coercitiva, n\u00e3o esquecendo &nbsp;ainda o &nbsp;aparato militar que n\u00e3o \u00e9 desprez\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o seria um \u201cpasseio no parque\u201d, certamente, uma interven\u00e7\u00e3o estadunidense por terra, especialmente em Caracas, nas \u00e1reas centrais da cidade e especialmente nas in\u00fameras vilas e suas ruelas nos morros que contornam a cidade. O que levaria inicialmente a duas possibilidades log\u00edsticas mais plaus\u00edveis, em ataques iniciais: a) interven\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas de m\u00edsseis e drones, com alvos pr\u00e9-estabelecidos: Maduro e setores da c\u00fapula militar e civil; b) divis\u00e3o na c\u00fapula militar e assassinato\/sequestro de Maduro, com apoio na contraespionagem estadunidense. Essas possibilidades n\u00e3o se excluem. De qualquer maneira, para a estabiliza\u00e7\u00e3o de um novo governo de car\u00e1ter pr\u00f3-trumpista, tipo Maria Corina Machado, caso n\u00e3o tenha o apoio de setores significativos das for\u00e7as armadas, exigiria a presen\u00e7a militar estadunidense em terra. E a\u00ed o \u201ccaldo pode entornar\u201d. Como se desdobram as resist\u00eancias populares em tal cen\u00e1rio \u00e9 muito dif\u00edcil de previs\u00e3o, uma vez que revoltas e processos revolucion\u00e1rios de car\u00e1ter anti-imperialista e antirregime bonapartista e pr\u00f3-imperialista podem apontar para solu\u00e7\u00f5es radicais.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer maneira, em agosto e setembro foram mostradas imagens de opera\u00e7\u00f5es de \u201cofensiva especial\u201d em todo o pa\u00eds que envolveriam unidades policiais, militares e civis para refor\u00e7ar a seguran\u00e7a interna. Maduro em agosto afirmava que mobilizaria mais de quatro milh\u00f5es de milicianos em todo o pa\u00eds, o que \u00e9 &nbsp;pouco prov\u00e1vel em termos infraestruturais (material, log\u00edstico, equipamentos, operacionalidade). Tamb\u00e9m intensificou os controles de fronteiras e o envio de drones e navios para patrulhar sua costa. Em setembro, apresentou imagens de exerc\u00edcios militares na ilha de Orchilla.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A situa\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia e Petro<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A agress\u00e3o contra a Venezuela e a Col\u00f4mbia e as press\u00f5es pol\u00edticas sobre governos latino-americanos &nbsp;indica a maneira como o imperialismo da Era Trump tratar\u00e1&nbsp; seus \u201cparceiros\u201d e inimigos, de acordo com os seus interesses empresariais e geopol\u00edticos. O que come\u00e7ou com uma violenta e assassina a\u00e7\u00e3o militar em \u00e1guas venezuelanas, estendeu-se para as \u00e1guas da Col\u00f4mbia, que \u00e9 uma \u00e1rea muit\u00edssimo maior de narcotr\u00e1fico para os EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 08 de outubro, Gustavo Petro, presidente colombiano, denunciou que cidad\u00e3os colombianos tamb\u00e9m foram mortos em ataques mar\u00edtimos estadunidenses. Petro foi taxativo: \u201cAutoridades do governo dos EUA cometeram um assassinato e violaram nossa soberania em \u00e1guas territoriais\u201d. E mais: \u201cUma nova zona de guerra se abriu: o Caribe\u201d. \u201cInd\u00edcios mostram que o \u00faltimo barco bombardeado era colombiano, com cidad\u00e3os colombianos dentro\u201d. Imediatamente, os EUA exigiram retrata\u00e7\u00e3o de Petro, uma vez que poderia prejudicar os la\u00e7os bilaterais entre os dois pa\u00edses<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn32\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[32]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, Trump acusou &nbsp;Petro de n\u00e3o conter a produ\u00e7\u00e3o de drogas ilegais e o chamou de \u201ctraficante ilegal\u201d, dizendo que iria suspender os pagamentos com ajuda ao pa\u00eds e aumentaria as tarifas comerciais. Em setembro, os EUA revogaram o visto de entrada do colombiano para a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde janeiro, Petro entrara em conflito diplom\u00e1tico com Trump, ao recusar que avi\u00f5es militares dos EUA deportassem colombianos para o pa\u00eds. O colombiano recuou em meio \u00e0s amea\u00e7as de maiores tarifas e san\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito diplom\u00e1tico continua se intensificando ap\u00f3s os torpedeamentos de duas embarca\u00e7\u00f5es possivelmente em \u00e1guas colombianas.&nbsp; Petro continuou denunciando o car\u00e1ter assassino dos ataques, como os ocorridos no dia 03 e 15 de setembro \u00faltimo<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn33\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[33]<\/u>]<\/a>. Em mensagem cr\u00edtica a Trump, denunciou outro ataque em &nbsp;22 de outubro como \u201cum ato assassino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Petro considera que houve sucessos relativos da pol\u00edcia colombiana no combate ao narcotr\u00e1fico, o que levou os grupos a transferirem as rotas para o Equador, expandindo a viol\u00eancia em seu territ\u00f3rio e usando os seus portos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Oceano Pac\u00edfico, do sul da Col\u00f4mbia ao Panam\u00e1, M\u00e9xico e EUA, n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel por lanchas, mas sim por grandes embarca\u00e7\u00f5es, onde as drogas s\u00e3o transportadas por cont\u00eaineres comerciais ou no casco submerso dos navios. A estrat\u00e9gia central, para Petro, \u00e9 controlar portos e enseadas com as for\u00e7as nacionais, pois a coca\u00edna que atravessa o Pac\u00edfico \u201csai por navios mercantes\u201d. \u201cCom ag\u00eancias de intelig\u00eancia implantadas dentro dos grupos dos traficantes\u201d e \u201ca coordena\u00e7\u00e3o com for\u00e7as policiais de outros pa\u00edses\u201d teriam conseguido apreender cada vez mais coca\u00edna. Segundo o colombiano, com essa estrat\u00e9gia, o seu governo conseguiu apreender 2.800 toneladas de coca\u00edna em tr\u00eas anos: teria sido &nbsp;a maior apreens\u00e3o em toda a hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, teriam novos problemas, uma vez que os grupos se dedicam cada vez mais \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de ouro ilegal na Amaz\u00f4nia e \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o de m\u00e1fias em redes multinacionais em amplos circuitos financeiros. Diz ele: \u201cO atual governo dos EUA parece estar rejeitando sua pr\u00f3pria experi\u00eancia com a Col\u00f4mbia e mudando sua estrat\u00e9gia para uma equivocada que viola a soberania dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump continua a atacar o presidente colombiano, em um per\u00edodo que se aproximam das elei\u00e7\u00f5es presidenciais e no qual ele tem fracassado nos acordos de paz com as guerrilhas. Petro encontra-se completamente enfraquecido popularmente, uma vez que seu governo n\u00e3o avan\u00e7ou em melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp; Ent\u00e3o, os ataques trumpistas &nbsp;n\u00e3o levam a crer que, de fato, vise&nbsp; alcan\u00e7ar uma estrat\u00e9gia antidrogas eficaz, mas sim influenciar as elei\u00e7\u00f5es colombianas do pr\u00f3ximo ano, fomentando&nbsp; a vit\u00f3ria da extrema direita. Diz: \u201cAgora, eles pensam que, enfraquecendo o movimento democr\u00e1tico da Col\u00f4mbia, ter\u00e3o acesso mais f\u00e1cil ao petr\u00f3leo da Venezuela\u201d<a href=\"https:\/\/marxismodebateecritica.org\/trump-e-a-geopolitica-imperialista-para-a-america-latina\/#_ftn34\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[<u>[34]<\/u>]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Considera\u00e7\u00f5es finais. Quais de fato s\u00e3o os interesses por tr\u00e1s da retomada militar na regi\u00e3o?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo parti da constata\u00e7\u00e3o da militariza\u00e7\u00e3o do Caribe e das agress\u00f5es militares estadunidenses contra tripula\u00e7\u00f5es de pequenas embarca\u00e7\u00f5es venezuelanas e colombianas, acompanhadas de &nbsp;amea\u00e7as de invas\u00e3o \u00e0 Venezuela e agress\u00f5es verbais e san\u00e7\u00f5es ao presidente colombiano. Esses acontecimentos expressam, ao meu ver, uma nova configura\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica estadunidense &nbsp;na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisei os aspectos ideol\u00f3gicos e discursivos (justificativas) que sustentam tais a\u00e7\u00f5es, respons\u00e1veis at\u00e9 o momento por mais de 60 &nbsp;execu\u00e7\u00f5es &nbsp;sum\u00e1rias de tripulantes das embarca\u00e7\u00f5es. O \u201cfio ideol\u00f3gico\u201d&nbsp;&nbsp; encontra-se na associa\u00e7\u00e3o que Trump realizou, desde o in\u00edcio do seu segundo mandato, entre narcotr\u00e1fico, crime organizado e terrorismo, no que chamou \u201corganiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras\u201d. Essa narrativa serve tamb\u00e9m para &nbsp;&nbsp;associar&nbsp; o bonapartista presidente venezuelano, Nicol\u00e1s Maduro, como&nbsp; \u201cl\u00edder do narcotr\u00e1fico\u201d, \u201cpermitindo\u201d a justifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e jur\u00eddica para a escalada militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Demonstrei &nbsp;que a rota central do tr\u00e1fico de drogas para os EUA n\u00e3o \u00e9 o Mar do Caribe nem a Venezuela, mas sim o Oceano Pac\u00edfico, utilizado por maiores embarca\u00e7\u00f5es e rotas comerciais complexas para tal tr\u00e1fico.&nbsp; Identifiquei tamb\u00e9m que a associa\u00e7\u00e3o entre narcotr\u00e1fico e terrorismo internacional opera como instrumento &nbsp;pol\u00edtico de interven\u00e7\u00e3o nos assuntos internos dos pa\u00edses latino-americanos \u2013 combinando-se \u00e0s san\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias e financeiras para ampliar o controle estadunidense sobre governos nacionais. &nbsp;Nesse contexto, tal qual governos e for\u00e7as pol\u00edticas de ultradireita pr\u00f3-trumpistas na regi\u00e3o, a ultradireita brasileira se associa \u00e0s propostas do presidente americano, defendendo a militariza\u00e7\u00e3o do combate ao crime organizado e sua equipara\u00e7\u00e3o jur\u00eddica ao terrorismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, fa\u00e7o algumas &nbsp;considera\u00e7\u00f5es sobre o que, ao meu ver, encontra-se por tr\u00e1s dessas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A recente ofensiva militar e naval dos Estados Unidos expressa um reposicionamento estrutural do imperialismo na Am\u00e9rica Latina, em meio \u00e0 disputa geoecon\u00f4mica e tecnol\u00f3gica&nbsp; com a China. N\u00e3o se trata de uma rea\u00e7\u00e3o pontual de combate ao narcotr\u00e1fico, mas de um movimento \u2013 n\u00e3o linear e complexo \u2013 &nbsp;de&nbsp; recomposi\u00e7\u00e3o da hegemonia estadunidense, voltado ao controle das infraestruturas cr\u00edticas, cadeias log\u00edsticas, fluxos financeiros, energ\u00e9ticos e digitais \u2013 pilares da economia capitalista contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo estadunidense procura articular\u00a0 poder militar, dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e mineral, e influ\u00eancia jur\u00eddico-regulat\u00f3ria, como \u00a0dimens\u00f5es como complementares de uma mesma estrat\u00e9gia. No plano geoecon\u00f4mico, associa san\u00e7\u00f5es, licen\u00e7as e acordos comerciais coercitivos para submeter\u00a0 governos locais \u2013 alinhados ou n\u00e3o \u00a0ao trumpismo- \u00e0s diretrizes estrat\u00e9gicas dos EUA. Exemplos marcantes s\u00e3o os\u00a0 do M\u00e9xico, El Salvador e Honduras. Tecnologicamente, a tentativa \u00e9 de monopolizar as redes digitais e de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 5 G, nuvens de dados e datacenters -, sob o pretexto de garantir \u00a0padr\u00f5es de \u201cseguran\u00e7a\u201d e \u201cliberdade\u201d de uso, mas assegurando \u00a0a supremacia digital dos EUA.. No aspecto jur\u00eddico-institucional, a configura\u00e7\u00e3o de depend\u00eancias normativas \u2013 tratados de seguran\u00e7a, \u00a0coopera\u00e7\u00e3o judicial e padroniza\u00e7\u00e3o de controles sobre o ciberespa\u00e7o \u2013 refor\u00e7a a subordina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses latino-americanos \u00e0 l\u00f3gica imperialista. As atuais negocia\u00e7\u00f5es entre o Brasil e EUA, em torno do chamado \u201ctarifa\u00e7o\u201d, s\u00e3o elucidativas sobre essa integra\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa &nbsp;estrat\u00e9gia estadunidense tem produzido um &nbsp;crescente alinhamento dos &nbsp;governos latino-americanos \u00e0s diretrizes estadunidenses. Casos como Argentina, Paraguai, Equador, Honduras, El Salvador, M\u00e9xico confirmam esse movimento. &nbsp;Por outro lado, nos pa\u00edses onde este alinhamento integral n\u00e3o existe, e seus &nbsp;governos s\u00e3o impopulares, como o caso da Venezuela e Col\u00f4mbia,&nbsp; Trump for\u00e7a ainda mais seus desgastes pol\u00edtico e \u201caplanam o caminho\u201d para a chegada de governos de&nbsp;<em>ultra-direita pr\u00f3-trumpista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns&nbsp; centros estrat\u00e9gicos&nbsp; s\u00e3o priorit\u00e1rios para os EUA. O &nbsp;Canal do Panam\u00e1 &nbsp;volta a ocupar papel central, n\u00e3o somente de tr\u00e2nsito mercantil, mas tamb\u00e9m nas comunica\u00e7\u00f5es digitais globais. O Canal e sua infraestrutura digital tornaram-se objeto de disputa entre EUA e China. A amea\u00e7a estadunidense, no in\u00edcio do ano, de uma poss\u00edvel invas\u00e3o caso n\u00e3o rompesse contrato com a empresa chinesa que administra parte do Canal, revela a natureza coercitiva e extraterritorial da pol\u00edtica estadunidense atual. O&nbsp;<em>Tri\u00e2ngulo do L\u00edtio&nbsp;<\/em>(Argentina, Bol\u00edvia e Chile), considerado cora\u00e7\u00e3o mineral da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, constitui outro ponto nevr\u00e1lgico. Esses&nbsp; pa\u00edses&nbsp; tornaram-se alvo de intensas press\u00f5es diplom\u00e1ticas e econ\u00f4micas, visando o controle, direto ou indireto, sobre o l\u00edtio e sua cadeia&nbsp; de refino, essencial&nbsp; para a ind\u00fastria de baterias, semicondutores e armamentos \u201cinteligentes\u201d dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso brasileiro \u00e9 mais complexo. As&nbsp; negocia\u00e7\u00e3o em curso com os EUA envolvem temas de soberania digital, minera\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u2013 e, possivelmente, a coopera\u00e7\u00e3o no&nbsp; combate ao narcotr\u00e1fico sob o r\u00f3tulo de \u201cterrorismo internacional\u201d. O debate&nbsp; desloca-se do plano estritamente energ\u00e9tico para o campo tecnol\u00f3gico e mineral, envolvendo recursos estrat\u00e9gicos como ni\u00f3bio, n\u00edquel, cobre, mangan\u00eas e terras raras.<\/p>\n\n\n\n<p>O Governo Lula \u00e9 associado completamente \u00e0s fra\u00e7\u00f5es burguesas internas e internacionais. Embora conte com &nbsp;apoio popular em recupera\u00e7\u00e3o &nbsp;e&nbsp; mantenha parcialmente isolada &nbsp;a&nbsp;<em>ultradireit<\/em>a<em>&nbsp;bolsonarista<\/em>, o governo conduz &nbsp;as negocia\u00e7\u00f5es com os EUA completamente nos \u201cbastidores\u201d, \u00e0 margem do debate p\u00fablico.. A press\u00e3o trumpista tem ocorrido de maneira diferente, pela via comercial e tecnol\u00f3gica, mas converge para o mesmo resultado: o entreguismo das riquezas nacionais e eros\u00e3o completa da soberania cient\u00edfica e digital do pa\u00eds. &nbsp;Lula, como tem dito, est\u00e1 aberto \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o, ou seja, propenso ao entreguismo. Enquanto isso, &nbsp;os trabalhadores e povo brasileiro desconhecem o teor real dessas tratativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a atual ofensiva militar, econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica estadunidense na Am\u00e9rica Latina expressa a continuidade hist\u00f3rica do imperialismo na regi\u00e3o, agora reformulado diante da disputa hegem\u00f4nica com a China. A militariza\u00e7\u00e3o do Caribe, o controle sobre recursos minerais e energ\u00e9ticos, e a imposi\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es digitais e jur\u00eddicos comp\u00f5em um mesmo projeto de reconfigura\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio estadunidense sobre o continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o que se observa \u00e9 uma nova etapa da depend\u00eancia latino-americana \u2013 marcada pela submiss\u00e3o tecnol\u00f3gica e digital \u2013 e a tentativa de reconstru\u00e7\u00e3o da hegemonia dos EUA sobre um subcontinente historicamente visto como seu \u201cquintal estrat\u00e9gico\u201d. A defesa da soberania e da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos latino-americanos exige, portanto, uma resposta pol\u00edtica e intelectual \u00e0 altura dessa ofensiva imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1fica<\/em><\/strong><strong>s<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mellen R, Schmitt E, Koetti C, Granados S, Lee J. <em>Onde os EUA est\u00e3o aumentando a for\u00e7a militar no Caribe<\/em> [<em>Where the U.S. Is Building Up Military Forces in the Caribbean<\/em>]. The New York Times. 17 out 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/17\/us\/politics\/trump-caribbean-venezuela-us-military-maps.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/17\/us\/politics\/trump-caribbean-venezuela-us-military-maps.html<\/a>. 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Acesso em: 10 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Barnes JE, Ratcliffe J. <em>Apresenta uma vis\u00e3o para uma CIA mais agressiva<\/em> [<em>Presents a vision for a more aggressive CIA<\/em>]. The New York Times. 15 jan 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/<\/a>. Acesso em: 10 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Barnes JE, Turkewitz J, Kurmanaev A. <em>Maduro, da Venezuela, ofereceu aos EUA as riquezas de sua na\u00e7\u00e3o para evitar conflitos<\/em> [<em>Maduro of Venezuela offered the U.S. his nation\u2019s riches to avoid conflict<\/em>]. The New York Times. 10 out 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/10\/world\/americas\/maduro-venezuela-us-oil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/10\/world\/americas\/maduro-venezuela-us-oil.html<\/a>. Acesso em: 10 out. &nbsp;2025.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00e2mara dos Deputados. <em>Projeto de Lei n.\u00ba 1283\/2025<\/em> [<em>Bill No. 1283\/2025<\/em>]. Bras\u00edlia. 27 mar 2025. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2490514\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2490514<\/a>. Acesso em: 01 &nbsp;nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Casa Branca. <em>A\u00e7\u00f5es Presidenciais: Invoca\u00e7\u00e3o da Lei de Inimigos Estrangeiros sobre a invas\u00e3o dos Estados Unidos por Tren de Aragua<\/em> [<em>Presidential Actions: Invocation of the Alien Enemies Act regarding the invasion of the United States by Tren de Aragua<\/em>]. Washington. 15 mar 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/03\/invocation-of-the-alien-enemies-act-regarding-the-invasion-of-the-united-states-by-tren-de-aragua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/03\/invocation-of-the-alien-enemies-act-regarding-the-invasion-of-the-united-states-by-tren-de-aragua\/<\/a>. Acesso em: 10 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Casa Branca. <em>Ordem Executiva: Designar cart\u00e9is e outras organiza\u00e7\u00f5es como organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras e terroristas globais especialmente designados<\/em> [<em>Executive Order: Designating cartels and other organizations as foreign terrorist organizations and specially designated global terrorists<\/em>]. Washington. 20 jan 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/01\/designating-cartels-and-other-organizations-as-foreign-terrorist-organizations-and-specially-designated-global-terrorists\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/01\/designating-cartels-and-other-organizations-as-foreign-terrorist-organizations-and-specially-designated-global-terrorists\/<\/a>. Acesso em: 01 &nbsp;nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Departamento do Estado dos EUA. <em>Aumento de recompensa de at\u00e9 US$ 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/em> [<em>Reward increase up to US$50 million<\/em>]. Washington. 7 ago 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.state.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.state.gov\/<\/a>. Acesso em: 10 nov 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Departamento do Tesouro dos EUA. <em>Tesouro sanciona cartel venezuelano liderado por Maduro<\/em> [<em>U.S. Treasury sanctions Venezuelan cartel led by Maduro<\/em>]. Washington. 25 jul 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/home.treasury.gov\/news\/press-releases\/sb0207\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/home.treasury.gov\/news\/press-releases\/sb0207<\/a>. Acesso em: 30 jul. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>International Crisis Group. <em>Greve antidrogas dos EUA desperta temores de interven\u00e7\u00e3o na Venezuela<\/em> [<em>U.S. anti-drug strike stirs fears of intervention in Venezuela<\/em>]. Crisis Group Report. 3 set 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.crisisgroup.org\/latin-america-caribbean\/andes\/venezuela-united-states\/us-anti-drugs-strike-stirs-fears-venezuela-intervention\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.crisisgroup.org\/latin-america-caribbean\/andes\/venezuela-united-states\/us-anti-drugs-strike-stirs-fears-venezuela-intervention<\/a>. Acesso em: 10 nov 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Iturbe A, org. <em>Venezuela depois de Ch\u00e1vez: um balan\u00e7o necess\u00e1rio<\/em>. S\u00e3o Paulo: Lorca; 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Melo G. <em>Questionado pelos EUA, governo brasileiro diz que n\u00e3o classifica fac\u00e7\u00f5es criminosas do pa\u00eds como terroristas<\/em> [<em>Questioned by the U.S., Brazilian government says it does not classify criminal factions as terrorists<\/em>]. G1. 7 maio 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/05\/07\/questionado-pelos-eua-governo-brasileiro-diz-nao-classifica-faccoes-criminosas-como-terroristas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/05\/07\/questionado-pelos-eua-governo-brasileiro-diz-nao-classifica-faccoes-criminosas-como-terroristas.ghtml<\/a>. Acesso em: 20 out. &nbsp;2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Petro G. <em>Post no X sobre ataque de 22 de outubro de 2025<\/em> [<em>Post on X about October 22, 2025 attack<\/em>]. 22 out 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/x.com\/\">https:\/\/x.com\/<\/a>. Acesso em: 22 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Romero S, Glatsky G, Kanno-Youngs Z. <em>L\u00edder colombiano acusa EUA de assassinato, levando Trump a suspender ajuda<\/em> [<em>Colombian leader accuses U.S. of murder, prompting Trump to suspend aid<\/em>]. The New York Times. 19 out 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/19\/world\/americas\/trump-colombia-petro-aid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/19\/world\/americas\/trump-colombia-petro-aid.html<\/a>. Acesso em: 19 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Schmitt E, Savage C, Cameron C. <em>EUA atacam segundo barco no Pac\u00edfico enquanto opera\u00e7\u00e3o antidrogas se expande<\/em> [<em>U.S. attacks second boat in the Pacific as anti-drug operation expands<\/em>]. The New York Times. 23 out 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/22\/us\/politics\/trump-drug-boat-strike-colombia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/22\/us\/politics\/trump-drug-boat-strike-colombia.html<\/a>. Acesso em: 23 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Turkewitz J, Correal A. <em>Presidente da Col\u00f4mbia diz que barco bombardeado pelos EUA transportava colombianos<\/em> [<em>Colombian president says U.S.-bombed boat carried Colombians<\/em>]. The New York Times. 8 out 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/08\/world\/americas\/colombia-citizens-boat-us-bombed.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/08\/world\/americas\/colombia-citizens-boat-us-bombed.html<\/a>. Acesso em: 08 out 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Turkewitz J, Granados S, Glatsky G, Correal A. <em>Por que explodir barcos venezuelanos n\u00e3o vai parar o fluxo de drogas<\/em> [<em>Why blowing up Venezuelan boats won\u2019t stop the drug flow<\/em>]. The New York Times. 9 out 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2025\/10\/09\/world\/americas\/drug-trafficking-venezuela.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2025\/10\/09\/world\/americas\/drug-trafficking-venezuela.html<\/a>. Acesso em: 09 out 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>UNODC \u2013 United Nations Office on Drugs and Crime. <em>Relat\u00f3rio Mundial sobre Drogas 2025: a instabilidade global agrava os custos sociais, econ\u00f4micos e de seguran\u00e7a do problema mundial das drogas<\/em> [<em>World Drug Report 2025: Global instability compounding social, economic and security costs of the world drug problem<\/em>]. Viena: ONU; 26 jun 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.unodc.org\/unodc\/fr\/press\/releases\/2025\/June\/unodc-world-drug-report-2025_.html. Acesso em: 10 out 2025.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <a>Em dezembro de 1989,&nbsp; tropas militares estadunidense com 20 mil soldados invadiram o Panam\u00e1, o que levou a mais de 500 panamenhos mortos.&nbsp; A opera\u00e7\u00e3o foi autorizada pelo presidente George H.W. Bush, alegando que o ditador Manuel Noriega, ex-\u201camigo\u201d da CIA,&nbsp; amea\u00e7ava a vida e a propriedade americana (das empresas). Anteriormente, ele havia dado&nbsp; grande apoio aos EUA, \u00e0s contrainsurg\u00eancias na Am\u00e9rica Central, especialmente em El Salvador e Nicar\u00e1gua. Chamada de Causa Justa, a opera\u00e7\u00e3o militar que dep\u00f4s&nbsp; Noriega justificativa&nbsp; que ele estava envolvido com tr\u00e1fico de drogas,&nbsp; viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, lavagem de dinheiro, anula\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, e criava crescente inseguran\u00e7a para os americanos no pa\u00eds. Ele era acusado de envolvimento com o Cartel de Medellin. Houve grande&nbsp; cr\u00edtica internacional contra a viola\u00e7\u00e3o da soberania panamenha que levou a n\u00famero significativo de mortes. A opera\u00e7\u00e3o teve confrontos com for\u00e7as militares panamenhas.&nbsp; Foi julgado nos EUA e ficou preso 17 anos, sendo extraditado para a Fran\u00e7a em 2010, onde sofreu pris\u00e3o por lavagem de dinheiro, e novamente extraditado em 2011 para o Panam\u00e1 onde foi preso por crimes durante seu governo ditatorial. Morreu em 2017.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Riley Mellen, Eric Schmitt, Christoph Koetti, Samuel Granados e Junho Lee,&nbsp;<em>Onde os EUA est\u00e3o aumentando a for\u00e7a militar no Caribe<\/em>, NYT, 17\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/17\/us\/politics\/trump-caribbean-venezuela-us-military-maps.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/17\/us\/politics\/trump-caribbean-venezuela-us-military-maps.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Helene Cooper e Eric Schmitt,&nbsp;<em>Militares dos EUA matam mais 14 pessoas acusadas de contrabandear drogas em barcos<\/em>, The New York Times, 28 de outubro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/28\/us\/politics\/us-military-boat-strikes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/28\/us\/politics\/us-military-boat-strikes.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Kayla Esptein e Josh Cheetham,&nbsp;<em>Como \u00e9 o maior navio de guerra do mundo que EUA est\u00e3o enviando para o Caribe,&nbsp;<\/em>BBC News Brasil, 25 de outubro de 2025.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cx2ljm20d00o?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Bmicrosoft%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Trump e Venezuela: como \u00e9 o maior navio de guerra do mundo que EUA est\u00e3o enviando para o Caribe \u2013 BBC News Brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> <a>Maior porta-avi\u00f5es do mundo, ca\u00e7as e a CIA: qual \u00e9 o objetivo final de Trump na Venezuela?, BBC News Brasil, 24 de outubro de 2025.&nbsp;<\/a><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c205xy84y58o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Qual \u00e9 o objetivo final de Donald Trump na Venezuela? \u2013 BBC News Brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Julian E. Barnese e Tyler Pager,&nbsp;<em>Governo Trump autoriza a\u00e7\u00e3o secreta da CIA na Venezuela<\/em>, The New York Times, 15 de outubro de 2025.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/us\/politics\/trump-covert-cia-action-venezuela.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/us\/politics\/trump-covert-cia-action-venezuela.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> Esses bombardeiros B-1 podem carregar at\u00e9 34 toneladas de muni\u00e7\u00f5es (bombas) guiadas e n\u00e3o guiadas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> Eric Schmitt, Charlie Savage e Chris Cameron, EUA atacam segundo barco no Pac\u00edfico enquanto opera\u00e7\u00e3o antidrogas se expande, Tha New York Times, 22\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> Diz o ex apresentador da Fox News, Pete Hegseth,&nbsp; metamorfoseado em secret\u00e1rio de Defesa (Guerra, como batizado por Trump): \u201cOntem, sob a dire\u00e7\u00e3o do presidente Trump, o Departamento de Guerra conduziu um ataque cin\u00e9tico letal a uma embarca\u00e7\u00e3o operada por uma Organiza\u00e7\u00e3o Terrorista Designada e que realizava narcotr\u00e1fico no Pac\u00edfico Oriental\u201d. E estabelece a seguinte compara\u00e7\u00e3o: \u201cAssim como a Al-Qaeda travou guerra contra nossa p\u00e1tria, esses cart\u00e9is est\u00e3o travando guerra contra nossa fronteira e nosso povo. N\u00e3o haver\u00e1 ref\u00fagio nem perd\u00e3o \u2014 apenas justi\u00e7a.\u201d&nbsp; <a href=\"https:\/\/x.com\/SecWar\/status\/1981049943306752361\">https:\/\/x.com\/SecWar\/status\/1981049943306752361<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> Helene Cooper e Eric Schmitt,&nbsp;<em>Militares dos EUA matam mais 14 pessoas acusadas de contrabandear drogas em barcos<\/em>, The New York Times, 28 de outubro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/28\/us\/politics\/us-military-boat-strikes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/28\/us\/politics\/us-military-boat-strikes.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\">[11]<\/a> A investida de Trump no Mar do Caribe contra a Venezuela e em seguida contra a Col\u00f4mbia parece ter criado algumas cis\u00f5es pontuais na pr\u00f3pria hierarquia militar. O chefe do Comando Sul dos EUA, Almirante Alvin Holsey, demitiu-se do cargo. Ele supervisionava as opera\u00e7\u00f5es navais na Am\u00e9rica Central e do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\">[12]<\/a> Eric Schitt, Charlie Savagee e Chris Cameron, EUA atacam segundo barco no Pac\u00edfico enquanto opera\u00e7\u00e3o antidrogas se expande,&nbsp;<em>The New York Times,&nbsp;<\/em>23\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/22\/us\/politics\/trump-drug-boat-strike-colombia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/22\/us\/politics\/trump-drug-boat-strike-colombia.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> Julian E. Barnes e Tyler Pager,&nbsp;<em>Governo Trump autoriza a\u00e7\u00e3o secreta da CIA na Venezuela<\/em>, The New York Times, 15 de outubro de 2025.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/us\/politics\/trump-covert-cia-action-venezuela.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/us\/politics\/trump-covert-cia-action-venezuela.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\">[14]<\/a> Casa Branca. Ordem Executiva. Designar cart\u00e9is e outras organiza\u00e7\u00f5es como organiza\u00e7\u00f5es terroristas estrangeiras e terroristas globais especialmente designados, 20 de janeiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/01\/designating-cartels-and-other-organizations-as-foreign-terrorist-organizations-and-specially-designated-global-terrorists\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/01\/designating-cartels-and-other-organizations-as-foreign-terrorist-organizations-and-specially-designated-global-terrorists<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\">[15]<\/a> CASA BRANCA. A\u00e7\u00f5es Presidenciais, Invoca\u00e7\u00e3o da Lei de Inimigos Estrangeiros sobre a Invas\u00e3o dos Estados Unidos por Tren De Aragua, 15 de mar\u00e7o de 2025. <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/03\/invocation-of-the-alien-enemies-act-regarding-the-invasion-of-the-united-states-by-tren-de-aragua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/03\/invocation-of-the-alien-enemies-act-regarding-the-invasion-of-the-united-states-by-tren-de-aragua\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\">[16]<\/a> Departamento do Tesouro dos EUA, Comunicado de Imprensa, O Deparamento do Tesouro sanciona cartel venezuelano liderado por Maduro, 25 de julho de 2025.&nbsp; <a href=\"https:\/\/home.treasury.gov\/news\/press-releases\/sb0207\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/home.treasury.gov\/news\/press-releases\/sb0207<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\">[17]<\/a> Internacional Crisis Group, Greve antidrogas dos EUA desperta temores de interven\u00e7\u00e3o na Venezuela, 03 de setembro de 2025.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.crisisgroup.org\/latin-america-caribbean\/andes\/venezuela-united-states\/us-anti-drugs-strike-stirs-fears-venezuela-intervention\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.crisisgroup.org\/latin-america-caribbean\/andes\/venezuela-united-states\/us-anti-drugs-strike-stirs-fears-venezuela-intervention<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\">[18]<\/a> Departamento do Estado dos EUA. Aumento de recompensa de at\u00e9&nbsp; US$ 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares, 07 de agosto de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\">[19]<\/a> Departamento do Tesouro dos EUA, Tesouro sanciona cartel venezuelano liderado por Maduro, 25 de julho de 2025.&nbsp;<a href=\"https:\/\/home.treasury.gov\/news\/press-releases\/sb0207\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/home.treasury.gov\/news\/press-releases\/sb0207<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\">[20]<\/a> Samuel Granados, Genevieve Glatsky e Annie Correal, Por que explodir barcos venezuelanos n\u00e3o vai parar o fluxo de drogas, The New York Times, 9\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2025\/10\/09\/world\/americas\/drug-trafficking-venezuela.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2025\/10\/09\/world\/americas\/drug-trafficking-venezuela.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\">[21]<\/a> Relat\u00f3rio Mundial sobre Drogas do UNODC 2025: A instabilidade global agrava os custos sociais, econ\u00f4micos e de seguran\u00e7a do problema mundial das drogas. 26 de junho de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.unodc.org\/unodc\/fr\/press\/releases\/2025\/June\/unodc-world-drug-report-2025_-global-instability-compounding-social\u2013economic-and-security-costs-of-the-world-drug-problem.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.unodc.org\/unodc\/fr\/press\/releases\/2025\/June\/unodc-world-drug-report-2025_-global-instability-compounding-social\u2013economic-and-security-costs-of-the-world-drug-problem.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\">[22]<\/a> The New York Times, 8 de agosto de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\">[23]<\/a> Annie Correal,&nbsp;<em>Guatemala recebe ajuda dos EUA na repress\u00e3o a guangues ap\u00f3s fuga da pris\u00e3o<\/em>, The New York Times, 15\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/world\/americas\/guatemala-prison-break-penal-reforms.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/world\/americas\/guatemala-prison-break-penal-reforms.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\">[24]<\/a> Matthew Lee, Guatemala oferece a Rubio um segundo acordo de deporta\u00e7\u00e3o para migrantes enviados para casa pelos EUA, Associeted Press, 06 de fevereiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\">[25]<\/a> C\u00e2mara dos Deputados. PL 1283\/2025&nbsp;\u2013 Projeto de Lei, 27\/03\/2025. <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2490514\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2490514<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\">[26]<\/a> Geovana Melo,&nbsp;&nbsp;&nbsp; Questionado pelos EUA, governo brasileiro diz que n\u00e3o classifica fac\u00e7\u00f5es criminosas do pa\u00eds como terroristas, G1, 07\/05\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/05\/07\/questionado-pelos-eua-governo-brasileiro-diz-nao-classifica-faccoes-criminosas-como-terroristas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/05\/07\/questionado-pelos-eua-governo-brasileiro-diz-nao-classifica-faccoes-criminosas-como-terroristas.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\">[27]<\/a> Anatoly Kurmanaev, Julian E. Barnese, Julie Turkewitz,&nbsp;<em>Maduro, da Venezuela, ofereceu aos EUA as riquezas de sua na\u00e7\u00e3o para evitar conflitos<\/em>, The New York Times, 10 de outubro de 2025. <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/10\/world\/americas\/maduro-venezuela-us-oil.html#:~:text=Leer%20en%20espa%C3%B1ol,Maduro%20of%20Venezuela%20in%20Caracas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/10\/world\/americas\/maduro-venezuela-us-oil.html#:~:text=Leer%20en%20espa%C3%B1ol,Maduro%20of%20Venezuela%20in%20Caracas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\">[28]<\/a> Julian E. Barnes, John Ratcliffe apresenta uma vis\u00e3o para uma CIA mais agressiva, 15 de janeiro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\">[29]<\/a> Julian E. Barnese e Tyler Pager, Governo Trump autoriza a\u00e7\u00e3o secreta da CIA na Venezuela, The New York Times, 16 de outubro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/us\/politics\/trump-covert-cia-action-venezuela.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/15\/us\/politics\/trump-covert-cia-action-venezuela.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\">[30]<\/a> Eric Schitt, Charlie Savagee e Chris Cameron, EUA atacam segundo barco no Pac\u00edfico enquanto opera\u00e7\u00e3o antidrogas se expande,&nbsp;<em>The New York Times,&nbsp;<\/em>23\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/22\/us\/politics\/trump-drug-boat-strike-colombia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/22\/us\/politics\/trump-drug-boat-strike-colombia.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\">[31]<\/a> Sobre a cristaliza\u00e7\u00e3o bonapartista no pa\u00eds&nbsp; vide:&nbsp;<em>Venezuela despues de Chavez.&nbsp;<\/em>&nbsp;<em>Um balance necess\u00e1rio<\/em>, organizado por Alejandro Iturbe, com artigos de diversos autores. Embora o t\u00edtulo, &nbsp;especialmente \u00e9 analisado o per\u00edodo entre 2004 e 2007. S\u00e3o Paulo: Ed. Lorca, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\">[32]<\/a> Julie Turkewitz e Robert Jimison,&nbsp;&nbsp;<em>Presidente da Col\u00f4mbia diz que barco bombardeado pelos EUA transportava colombianos<\/em>, New York Time, 08\/10\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/08\/world\/americas\/colombia-citizens-boat-us-bombed.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/08\/world\/americas\/colombia-citizens-boat-us-bombed.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\">[33]<\/a> Simon Romero, Genevi\u00e8ve Glatskye e Zolan Kanno-Youngs, L\u00edder colombiano acusa EUA de assassinato, levando Trump a suspender ajuda, 19\/10\/2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/19\/world\/americas\/trump-colombia-petro-aid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/10\/19\/world\/americas\/trump-colombia-petro-aid.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\">[34]<\/a> Gustavo Petro, Post no X, 22\/10\/2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crescente presen\u00e7a naval militar no Mar do Caribe representa a maior mobiliza\u00e7\u00e3o estadunidense na regi\u00e3o, pelo menos desde 1989[[1]].&nbsp; Essa&nbsp; nova investida imperialista sobre a Am\u00e9rica Latina tem deixado dezenas de mortes em ataques&nbsp; a&nbsp; tripula\u00e7\u00f5es&nbsp; de pequenas embarca\u00e7\u00f5es na costa da Venezuela, &nbsp;estendendo-se &nbsp;tamb\u00e9m para o Pac\u00edfico, em \u00e1guas colombianas. O \u201cmote\u201d trumpista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":81971,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Luiz Fernando da Silva","footnotes":""},"categories":[5620,3519],"tags":[9403],"class_list":["post-81963","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-latina","category-eua","tag-luiz-fernando-da-silva"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Imagem1.png","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Estados Unidos"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Luiz Fernando da Silva","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81963"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81973,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81963\/revisions\/81973"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}