{"id":81949,"date":"2025-11-30T16:41:52","date_gmt":"2025-11-30T16:41:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81949"},"modified":"2026-01-05T22:32:45","modified_gmt":"2026-01-05T22:32:45","slug":"palestina-dois-estados-estado-binacional-ou-revolucao-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/11\/30\/palestina-dois-estados-estado-binacional-ou-revolucao-permanente\/","title":{"rendered":"Palestina: \u201cDois Estados\u201d, Estado Binacional ou Revolu\u00e7\u00e3o Permanente?"},"content":{"rendered":"\n<p><kbd>Texto retirado do livro de F. Ricci, Dal fiume al mare. Do Lado da Resist\u00eancia Palestina (Do Rio ao Mar: Do Lado da Resist\u00eancia Palestina, Edi\u00e7\u00f5es Rjazanov, 2025)<\/kbd><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Costuma-se dizer que a chamada \u201cquest\u00e3o palestina\u201d \u00e9 complexa. Na realidade, se aparece como complexa, \u00e9 apenas porque a burguesia e as dire\u00e7\u00f5es reformistas (que Lenin, n\u00e3o por acaso, definiu como \u201cagentes da burguesia no movimento oper\u00e1rio\u201d) se encarregam que ela fique confusa.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente nessa confus\u00e3o a falsa solu\u00e7\u00e3o de \u201cdois povos, dois Estados\u201d pode parecer cr\u00edvel. E, de fato, quanto mais cresce o movimento de solidariedade com a luta palestina, quanto mais os debates se desenvolvem, mais livros, que antes n\u00e3o eram publicados, circulam (e que o mercado editorial agora imprime porque vendem), e mais a miragem de \u201cdois Estados\u201d se distancia do senso comum de muitos ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim surge (ou melhor, \u201cressurge\u201d) a \u201csolu\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 Estado\u201d, isto \u00e9, a proposta de um \u00fanico Estado. \u00c0 primeira vista, pode parecer a mesma proposta que os marxistas revolucion\u00e1rios (isto \u00e9, trotskistas) sempre defenderam, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos examinar as tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es presentes no debate e as diferen\u00e7as entre a solu\u00e7\u00e3o dos &#8220;dois Estados&#8221;, a solu\u00e7\u00e3o de &#8220;um Estado&#8221; e a perspectiva trotskista de revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o existem &#8220;dois povos&#8221; e nunca existir\u00e3o &#8220;dois Estados&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No cerne da chamada solu\u00e7\u00e3o de &#8220;dois povos, dois Estados&#8221; reside uma supress\u00e3o sem\u00e2ntica e hist\u00f3rica. Quando falamos de &#8220;territ\u00f3rios ocupados&#8221; (usando a defini\u00e7\u00e3o da ONU), estamos nos referindo aos territ\u00f3rios ocupados pelos sionistas na Guerra dos Seis Dias de 1967, essencialmente a Faixa de Gaza, a Cisjord\u00e2nia e os territ\u00f3rios anexados por Israel no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, que se estendiam at\u00e9 Jerusal\u00e9m Oriental e as Colinas de Gol\u00e3 na S\u00edria (a Pen\u00ednsula do Sinai, inicialmente ocupada, foi devolvida ao Egito ap\u00f3s os acordos de 1979).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1974, o Fatah (a fac\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da OLP, liderada por Arafat), embora ainda se recusasse a reconhecer \u201cIsrael\u201d, come\u00e7ou a propor a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino exclusivamente nos territ\u00f3rios ocupados em 1967. Esta foi uma primeira concess\u00e3o \u00e0 perspectiva de coexist\u00eancia com o assentamento colonial, embora inicialmente tenha sido apresentada como uma medida t\u00e1tica para fornecer um ponto de partida para a liberta\u00e7\u00e3o de toda a Palestina. Esta proposta foi rejeitada pela FPLP (Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o da maioria da OLP, com sua mudan\u00e7a de um programa de liberta\u00e7\u00e3o para um de &#8220;independ\u00eancia&#8221;, sofreu uma evolu\u00e7\u00e3o ainda mais negativa no final da d\u00e9cada de 1980, particularmente com a reuni\u00e3o do Conselho Nacional da OLP em Argel, em novembro de 1988, que proclamou a &#8220;independ\u00eancia&#8221; apenas de uma parte da Palestina, aceitando as resolu\u00e7\u00f5es da ONU (1) e, portanto, o reconhecimento de &#8220;Israel&#8221;, com apenas 15% dos membros do Conselho Nacional Palestino votando contra (incluindo os membros da FPLP). Finalmente, foram alcan\u00e7ados os Acordos de Oslo de 1993-1995, que constitu\u00edram uma verdadeira trai\u00e7\u00e3o \u00e0 causa palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Acordos de Oslo estabeleceram a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que deveria administrar a Faixa de Gaza e partes da Cisjord\u00e2nia, divididas em tr\u00eas setores: um a ser administrado pelos palestinos, outro por \u201cIsrael\u201d e um terceiro a ser compartilhado entre a ANP e os sionistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2006, os sionistas retiraram-se da Faixa de Gaza, mas nas elei\u00e7\u00f5es da ANP, o Hamas venceu inesperadamente (ultrapassando o Fatah e conquistando 74 das 132 cadeiras), um resultado eleitoral que n\u00e3o foi aceito por Israel e pelas pot\u00eancias imperialistas. O Hamas continuou administrando a Faixa de Gaza, que foi colocada sob bloqueio por ser considerada &#8220;territ\u00f3rio hostil&#8221;, enquanto o Fatah, em colabora\u00e7\u00e3o com o ex\u00e9rcito israelense, ficou respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia, ou melhor, das poucas \u00e1reas n\u00e3o ocupadas pelos sionistas (hoje reduzidas a pequenos pontos no mapa, cercadas por 700.000 colonos). Assim, a ado\u00e7\u00e3o da express\u00e3o &#8220;territ\u00f3rios ocupados&#8221; (TO), usada por quase todos (&#8220;Israel&#8221; prefere falar em &#8220;territ\u00f3rios disputados&#8221;), esconde uma grande farsa: porque esses territ\u00f3rios compreendem aproximadamente 1\/5 do territ\u00f3rio palestino, mas onde o imperialismo escreve &#8220;Israel&#8221; nos mapas geogr\u00e1ficos, est\u00e3o localizados os outros 4\/5 da Palestina ocupada.<\/p>\n\n\n\n<p>A express\u00e3o &#8220;territ\u00f3rios ocupados&#8221;, referindo-se apenas a uma parte da Palestina, revela, portanto, naqueles que usam essa defini\u00e7\u00e3o, a aceita\u00e7\u00e3o impl\u00edcita do &#8220;direito de exist\u00eancia&#8221; da col\u00f4nia que chamam de &#8220;Israel&#8221;, batizada pela ONU (a mando do imperialismo) em 1947-1948 e gradualmente expandida, por meio de guerras sucessivas, para abranger toda a Palestina, exceto aquelas duas por\u00e7\u00f5es de terra (a Faixa de Gaza e a Cisjord\u00e2nia) que os sionistas querem anexar completamente como parte do &#8220;Grande Israel&#8221;, que, por outro lado, deveria se estender em seus planos at\u00e9 mesmo para al\u00e9m da Palestina hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>A breve reconstru\u00e7\u00e3o que acabamos de realizar, juntamente com a mais abrangente apresentada em se\u00e7\u00f5es anteriores deste livro, deve ser suficiente para entender por que n\u00e3o existem \u201cdois povos\u201d, mas apenas um povo (os palestinos), enquanto o \u201csegundo povo\u201d mencionado na f\u00f3rmula \u00e9, na verdade, composto por colonos. Tamb\u00e9m deve ficar n\u00edtido agora por que a proposta de \u201cdois Estados\u201d \u00e9 inaceit\u00e1vel e, ao mesmo tempo, invi\u00e1vel \u2014 uma mera ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cDois Estados\u201d: Inaceit\u00e1vel e Invi\u00e1vel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O historiador e ativista Ilan Papp\u00e9, com sua nitidez caracter\u00edstica, define a solu\u00e7\u00e3o de \u201cdois Estados\u201d como \u201cuma proposta imoral\u201d. Como diz\u00edamos, ela \u00e9 <em>inaceit\u00e1vel<\/em> e, al\u00e9m disso, <em>invi\u00e1vel<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Inaceit\u00e1vel<\/em> porque excluiria implicitamente o direito de retorno dos 6 a 7 milh\u00f5es de palestinos que vivem fora de suas terras e lares, por serem filhos e descendentes daqueles expulsos em 1948 e nos anos seguintes. Na verdade, essa hip\u00f3tese (reiteramos: inteiramente abstrata) prop\u00f5e deixar os palestinos com um mini-Estado compreendendo menos de um quinto da Palestina, sem contiguidade territorial, dividido entre a pequena por\u00e7\u00e3o de terra na Faixa de Gaza e a Cisjord\u00e2nia. Em \u00faltima an\u00e1lise, seria um cen\u00e1rio ainda pior do que a injusta partilha realizada pela ONU em 1947, que deixou os palestinos com pouco menos da metade de suas terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, os quase dois milh\u00f5es de palestinos que vivem na parte da Palestina chamada &#8220;Israel&#8221; continuariam privados de todos os seus direitos, como acontece atualmente, j\u00e1 que s\u00e3o registrados no censo como &#8220;n\u00e3o judeus&#8221; e, portanto, n\u00e3o s\u00e3o considerados (de acordo com a lei) cidad\u00e3os do &#8220;Estado do povo judeu&#8221; e est\u00e3o sujeitos a mais de 60 leis raciais que restringem seus direitos pol\u00edticos e civis.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o se deve esquecer que na Cisjord\u00e2nia (que deveria constituir a maior parte deste mini-Estado) existem colonos sionistas que continuam a limpeza \u00e9tnica diariamente, destruindo casas palestinas com tratores e matando-os nas ruas e nos campos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 invi\u00e1vel porque, mesmo que se aceitasse essa &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; injusta, ela n\u00e3o s\u00f3 entraria em conflito com o desejo do atual governo israelense de estender seu dom\u00ednio &#8220;do rio ao mar&#8221;, excluindo at\u00e9 mesmo um mini-Estado para os palestinos, como tamb\u00e9m entraria em conflito com a pr\u00f3pria natureza do projeto sionista, independentemente do governo no poder, seja de &#8220;direita&#8221; (Likud e seus aliados) ou de &#8220;esquerda&#8221; (os Trabalhistas, agora chamado de Democratas).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, propor novamente essa \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d 30 anos ap\u00f3s os Acordos de Oslo \u00e9 agir de m\u00e1-f\u00e9 ou (como acontece com muitos ativistas de esquerda) ser enganado pela pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o reformista, que continua apoiando essa fantasia reacion\u00e1ria porque, na realidade, n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o de questionar a exist\u00eancia de \u201cIsrael\u201d, j\u00e1 que n\u00e3o quer questionar o sistema social (capitalismo imperialista) que usa \u201cIsrael\u201d como sua indispens\u00e1vel base militar para dominar uma \u00e1rea geogr\u00e1fica que fornece ao mundo grande parte de seus combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade \u00e9 que n\u00e3o existe um sionismo bom ou um sionismo reform\u00e1vel, porque se trata de um projeto que, desde suas origens no final do s\u00e9culo XIX, incorpora o colonialismo de assentamento e, portanto, seu objetivo principal n\u00e3o \u00e9 explorar a popula\u00e7\u00e3o nativa (como foi o caso na \u00c1frica do Sul, onde os negros foram usados \u200b\u200bpelos colonos brancos, os <em>afric\u00e2neres<\/em>, como m\u00e3o de obra barata), mas sim expuls\u00e1-los e substitu\u00ed-los em nome de uma \u201cpureza de sangue\u201d reconhecida apenas para os judeus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um \u00fanico Estado: sim, mas em que tipo de sociedade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a \u201csolu\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Estado\u201d n\u00e3o \u00e9 uma alternativa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dada a evidente inviabilidade da \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d e a rejei\u00e7\u00e3o mais ou menos consciente dessa consigna, mesmo em amplos setores do movimento pr\u00f3-Palestina (apesar de ainda ser a perspectiva de grande parte da esquerda reformista), a chamada \u201csolu\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Estado\u201d \u2014 isto \u00e9, a cria\u00e7\u00e3o de um \u00fanico Estado que abranja Israel, a Cisjord\u00e2nia e a Faixa de Gaza \u2014 ganhou for\u00e7a novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, esta n\u00e3o \u00e9 uma proposta nova. J\u00e1 era defendida em 1947 por uma minoria de pa\u00edses (Iugosl\u00e1via, \u00cdndia, etc.) que, no debate da ONU que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da entidade sionista, n\u00e3o apoiaram a cria\u00e7\u00e3o (decidida por voto da maioria) de um \u201cEstado\u201d separado para os judeus na Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es desta \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d, com diversas formas de federa\u00e7\u00e3o, diferentes combina\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es distintas ou partilhadas, e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em particular, existem duas \u201cescolas\u201d de pensamento: algumas prop\u00f5em um Estado binacional (cantonal ou federal), no qual palestinos e judeus mantenham um certo grau de separa\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e cultural; e outras prop\u00f5em o chamado \u201cmodelo democr\u00e1tico\u201d, sem separa\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas, multicultural e baseado no princ\u00edpio de \u201cuma pessoa, um voto\u201d. (2) A chamada \u201csolu\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 Estado\u201d \u00e9 defendida, por exemplo, por um historiador antissionista cujos textos s\u00e3o essenciais (e que, portanto, citamos diversas vezes neste livro), como Ilan Papp\u00e9. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o renomado intelectual palestino Edward Said (falecido em 2003, autor do c\u00e9lebre Orientalismo) a adotou quando rompeu com o Fatah, pois considerava (com raz\u00e3o) os Acordos de Oslo de 1993-1995 (assinados por Arafat e Rabin sob press\u00e3o dos Estados Unidos) uma capitula\u00e7\u00e3o ao sionismo. Entre os que compartilham essa vis\u00e3o, encontram-se muitos outros intelectuais, como Rashid Khalidi e a e\u00f3rica p\u00f3s-moderna por exel\u00eancia Judith Butler, mas a lista seria longa e incluiria, entre outros na esfera pol\u00edtica, Muammar Gaddafi.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os defensores dessa posi\u00e7\u00e3o, havia tamb\u00e9m setores oriundos do trotskismo: considere Michel Warschawski e sua organiza\u00e7\u00e3o (o chamado Secretariado Unificado).<\/p>\n\n\n\n<p>Warschawski defendeu-a como um poss\u00edvel desenvolvimento da independ\u00eancia (isto \u00e9, o estabelecimento de um mini-Estado palestino): \u201cUma vez que os dois Estados estejam estabelecidos e coexistindo pacificamente, o movimento nacional palestino deve convencer o povo israelense de que este poderia estar interessado em estabelecer uma estrutura unit\u00e1ria que combine cidadania \u00fanica com autonomia pol\u00edtica e cultural para ambos os componentes nacionais do Estado unit\u00e1rio.\u201d (3)<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o que at\u00e9 mesmo alguns companheiros\/as de absoluta boa-f\u00e9 consideram uma alternativa \u00e0 \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d. Mas, em nossa opini\u00e3o, eles est\u00e3o enganados. Embora este seja um tema que exigiria mais espa\u00e7o, limitar-nos-emos aqui a resumir os termos da quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, esta posi\u00e7\u00e3o reconhece (desde a proposta original da Iugosl\u00e1via em 1947) um \u201cdireito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o apenas para os palestinos (como \u00e9 justo), mas tamb\u00e9m para a minoria judaica que colonizou a Palestina, colocando, assim, colonos e colonizados em p\u00e9 de igualdade, com base numa suposta igualdade como \u201ccidad\u00e3os\u201d. Como se pode ver, esta proposta tem algo em comum com a partilha realizada pela ONU em 1947, mas tamb\u00e9m com a proposta de um mini-Estado palestino: todas partem da ideia de que existem duas na\u00e7\u00f5es na Palestina, ambas com direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, leninistas, ao contr\u00e1rio dos liberais, reconhecemos o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos (categoria que certamente n\u00e3o inclui os judeus que vivem hoje em Israel), mas n\u00e3o daqueles que oprimem. E para n\u00f3s, este n\u00e3o \u00e9 um direito abstrato, mas uma alavanca para o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar, contudo, uma contradi\u00e7\u00e3o inerente a esta proposta (que se torna particularmente evidente na vers\u00e3o que prop\u00f5e um modelo binacional): se aos judeus que colonizaram a Palestina for concedido o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional, isso implica tamb\u00e9m conceder-lhes o direito \u00e0 separa\u00e7\u00e3o estatal. Assim, nos encontrar\u00edamos de volta ao ponto de partida que se buscava evitar: ou seja, os &#8220;dois Estados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A natureza ilus\u00f3ria dessa perspectiva torna-se evidente quando consideramos que, por d\u00e9cadas, n\u00e3o foi poss\u00edvel construir sequer um mini-Estado palestino, precisamente porque os &#8220;israelenses&#8221; se recusam a ceder aos palestinos sequer um canto da Palestina. Por que aceitariam compartilhar toda a Palestina hist\u00f3rica com os palestinos em igualdade de condi\u00e7\u00f5es? Por que aceitariam voluntariamente ser minoria em compara\u00e7\u00e3o com os palestinos que (incluindo o retorno dos refugiados) seriam quase o dobro em n\u00famero de judeus neste Estado (seja dividido em cant\u00f5es \u00e9tnico-culturais ou multicultural) e continuariam crescendo a um ritmo demogr\u00e1fico mais acelerado?<\/p>\n\n\n\n<p>Como marxistas, criticamos essa posi\u00e7\u00e3o porque ela separa a solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o nacional, que \u00e9 uma quest\u00e3o democr\u00e1tica, da quest\u00e3o social: ela prev\u00ea uma &#8220;igualdade de direitos&#8221; entre os cidad\u00e3os deste futuro Estado &#8220;democr\u00e1tico&#8221; \u2014 isto \u00e9, capitalista \u2014, ignorando as divis\u00f5es de classe; e tamb\u00e9m separa a quest\u00e3o palestina da quest\u00e3o de todo o Oriente M\u00e9dio e da comunidade internacional, sem apresentar uma proposta de socialismo internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, trata-se de uma proposta que permanece nitidamente no \u00e2mbito do reformismo, mesmo em vers\u00f5es que n\u00e3o aspiram alcan\u00e7ar \u201cum Israel reformado\u201d, mas sim a \u201cuma Palestina descolonizada\u201d e a uma \u201ctransi\u00e7\u00e3o do sionismo para a democracia\u201d (como \u00e9 o caso, por exemplo, do projeto de Papp\u00e9 e da ODS para toda a Palestina hist\u00f3rica). (4)<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma proposta que poder\u00edamos definir como \u201ciluminada\u201d, que desloca o foco da urg\u00eancia de derrubar o mundo existente, dominado pelo capitalismo em sua fase imperialista, para um mundo ideal em que as quest\u00f5es sejam resolvidas com base na racionalidade e n\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de poder entre as classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Com sua coer\u00eancia interna (em rela\u00e7\u00e3o a um projeto reformista) as diversas propostas para um \u00fanico Estado indicam o objetivo, mas n\u00e3o os meios para alcan\u00e7\u00e1-lo, uma vez que nitidamente n\u00e3o contemplam a constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Que programa, em vez disso, defendem os revolucion\u00e1rios?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o permanente: combinar reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e socialistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o stalinismo apoiava a cria\u00e7\u00e3o de Israel (chegando a enviar armas aos sionistas), apenas os trotskistas se opuseram \u00e0 &#8220;parti\u00e7\u00e3o&#8221; da Palestina j\u00e1 em 1948.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, as coisas n\u00e3o mudaram muito: a maioria das dire\u00e7\u00f5es reformistas apoia a farsa da &#8220;solu\u00e7\u00e3o de dois Estados&#8221;, temperada com refer\u00eancias \u00e0 ONU (como se fosse uma entidade a-hist\u00f3rica, acima das classes) e a um supostamente angelical &#8220;direito internacional&#8221;. Outros, como vimos, embora rejeitem corretamente a &#8220;solu\u00e7\u00e3o de dois Estados&#8221; como uma farsa, buscam em v\u00e3o solu\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias. Mais uma vez, apenas o trotskismo oferece um programa que tenta trazer uma perspectiva revolucion\u00e1ria para a luta atual, unindo a reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e0 socialista e internacionalista.<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o dos marxistas consequentes, a posi\u00e7\u00e3o da LIT-Quarta Internacional, \u00e9 retomar o antigo objetivo democr\u00e1tico abandonado pela OLP, ou seja, uma Palestina \u201c\u00fanica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u201d. Isso implica a destrui\u00e7\u00e3o do Estado colonial, isto \u00e9, Israel, e a expuls\u00e3o dos colonos (isto \u00e9, os judeus que n\u00e3o querem renunciar aos seus privil\u00e9gios coloniais) de toda a Palestina hist\u00f3rica, que deve ser devolvida aos palestinos, do rio ao mar. Somente assim ser\u00e1 poss\u00edvel a autodetermina\u00e7\u00e3o do povo palestino e o direito de retorno dos aproximadamente seis milh\u00f5es de pessoas que foram expulsas de suas casas e terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, acreditamos que esse objetivo democr\u00e1tico deve necessariamente fazer parte de um \u201cprograma de transi\u00e7\u00e3o\u201d que constitua uma \u201cponte\u201d entre as lutas atuais e a perspectiva socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, \u00e9 necess\u00e1ria uma estrat\u00e9gia orientada para uma revolu\u00e7\u00e3o permanente. O que isso significa? Significa que \u00e9 necess\u00e1rio um programa revolucion\u00e1rio que vincule a resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o nacional na Palestina \u00e0 quest\u00e3o social, de classe. E isso, ao mesmo tempo, vincula a luta dos palestinos \u00e0 das massas do Oriente M\u00e9dio pela derrubada revolucion\u00e1ria de seus respectivos Estados e pela expropria\u00e7\u00e3o das classes dominantes locais e das multinacionais. Uma nova \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d \u00e9 necess\u00e1ria, uma que desta vez n\u00e3o pare no meio do caminho. \u00c9 preciso construir uma rep\u00fablica socialista palestina como parte de uma federa\u00e7\u00e3o socialista do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caminho, os \u00fanicos aliados potenciais dos palestinos s\u00e3o os trabalhadores e camponeses pobres \u00e1rabes, bem como os prolet\u00e1rios e a juventude dos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que tanto a separa\u00e7\u00e3o em duas etapas sequenciais dos objetivos democr\u00e1ticos e socialistas assim como o adiamento dos objetivos democr\u00e1ticos para depois dos socialistas devem ser recha\u00e7ados: esta \u00faltima posi\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00edpica de v\u00e1rias seitas ultraesquerdistas que acreditam que &#8220;o socialismo resolver\u00e1 tudo&#8221; e que, em alguns casos, em nome de um suposto &#8220;crit\u00e9rio de classe&#8221;, anseiam pela unidade entre o proletariado palestino e o israelense, ignorando que o car\u00e1ter de casta deste \u00faltimo o leva a confrontar sua pr\u00f3pria burguesia em defesa de interesses comuns e da terra usurpada dos palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos tamb\u00e9m que a resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o palestina n\u00e3o pode ser dissociada da perspectiva para o Oriente M\u00e9dio e, de forma mais geral, da perspectiva internacional, pois todo processo revolucion\u00e1rio come\u00e7a no cen\u00e1rio nacional, mas s\u00f3 pode se desenvolver e triunfar verdadeiramente no cen\u00e1rio internacional, destruindo todo o sistema imperialista, do qual &#8220;Israel&#8221; \u00e9 um posto avan\u00e7ado na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata de convencer os &#8220;israelenses&#8221;, que s\u00e3o colonos em todos os lugares: tanto nos chamados &#8220;territ\u00f3rios ocupados&#8221; quanto no restante da Palestina hist\u00f3rica (que eles chamam de &#8220;Israel&#8221;). Trata-se de impor \u00e0 for\u00e7a o desmantelamento da col\u00f4nia &#8220;israelense&#8221; num processo que envolve todo o Oriente M\u00e9dio. Isso leva em considera\u00e7\u00e3o que uma parcela significativa dos judeus que atualmente residem na Palestina n\u00e3o estar\u00e1 disposta a renunciar a seus privil\u00e9gios e, portanto, ter\u00e1 que ser expulsa se n\u00e3o sair voluntariamente. Enquanto isso, apenas uma minoria provavelmente decidir\u00e1 retornar para viver pacificamente ao lado dos palestinos (como era antes do imperialismo inventar &#8220;Israel&#8221;), com os direitos de uma minoria nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para n\u00f3s, um \u00fanico Estado palestino, laico e n\u00e3o racista (com plenos direitos de cidadania concedidos aos judeus antissionistas que desejam viver em paz) \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que, como todas as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, n\u00e3o \u00e9 totalmente alcan\u00e7\u00e1vel dentro de uma estrutura capitalista. Como Lev Trotsky escreve nas Teses sobre a revolu\u00e7\u00e3o permanente: \u201c(&#8230;) a verdadeira e completa solu\u00e7\u00e3o para os problemas da democracia e da liberta\u00e7\u00e3o nacional s\u00f3 \u00e9 conceb\u00edvel atrav\u00e9s de uma ditadura do proletariado, que assuma a dire\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o oprimida (&#8230;).\u201d (5)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Construir a dire\u00e7\u00e3o internacional que falta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um programa revolucion\u00e1rio exige a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, sem a qual nunca poder\u00e1 ser realizado. Nenhuma das atuais dire\u00e7\u00f5es palestinas, nem (obviamente) as colaboracionistas (como a Autoridade Palestina de Abu Mazen), nem aquelas que hoje fazem parte integrante da heroica Resist\u00eancia, est\u00e3o armadas com um programa semelhante. \u00c9 por isso que lutamos para construir outra dire\u00e7\u00e3o. Uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria internacional com as suas se\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias em todos os pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse partido revolucion\u00e1rio de vanguarda com influ\u00eancia de massas, que infelizmente ainda falta na Palestina como em outros lugares, s\u00f3 pode ser constru\u00eddo se os seus militantes participarem na Resist\u00eancia Palestina tal como existe hoje, numa frente de luta que n\u00e3o implique partilhar as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do Hamas (que no seu programa defende a propriedade privada e certamente n\u00e3o o socialismo) nem de outras for\u00e7as. Os sect\u00e1rios, que internalizam inconscientemente formas de islamofobia ou se submetem a preconceitos &#8220;progressistas&#8221; pequeno-burgueses, rejeitam ou se distanciam da resist\u00eancia palestina, confundindo a luta com sua dire\u00e7\u00e3o e tornando-se comentaristas passivos. A verdadeira luta n\u00e3o se encaixa no leito de Procusto de seus esquemas supostamente ortodoxos, ent\u00e3o eles se retiram, excluindo-se da possibilidade de construir uma dire\u00e7\u00e3o alternativa, e permanecem em v\u00e3o esperando, como disse L\u00eanin a respeito de posi\u00e7\u00f5es semelhantes, por &#8220;uma revolu\u00e7\u00e3o pura&#8221; que jamais vir\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixemos aos filisteus que se distanciem da resist\u00eancia palestina, que expressem sua &#8220;indigna\u00e7\u00e3o&#8221; com a a\u00e7\u00e3o militar de 7 de outubro ou seus lamentos pelas v\u00edtimas sionistas (os chamados &#8220;civis inocentes&#8221;): at\u00e9 agora, as massas em luta n\u00e3o encontraram outro caminho a seguir sen\u00e3o opor a viol\u00eancia dos opressores \u00e0 dos oprimidos, a espada de Esp\u00e1rtaco \u00e0 dos centuri\u00f5es romanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por nossa parte, acreditamos que todas as for\u00e7as que comp\u00f5em a Resist\u00eancia Palestina, sejam seculares ou religiosas, lutam com coragem exemplar e merecem o respeito dos revolucion\u00e1rios de todos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>(5 de novembro de 2025)<\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n\n\n\n<p>(1) Refere-se \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o 181 (de 1947), que estabeleceu a partilha da Palestina; e \u00e0 Resolu\u00e7\u00e3o 242 (de 1967), que estipulou a cessa\u00e7\u00e3o de todas as hostilidades em troca da retirada dos sionistas apenas dos territ\u00f3rios ocupados em 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>(2) V\u00e1rios livros s\u00e3o dedicados a reconstruir a origem da &#8220;solu\u00e7\u00e3o de um Estado&#8221; e as propostas parcialmente diferentes que foram formuladas ao longo dos anos. Para mais informa\u00e7\u00f5es, consulte os seguintes textos: Virginia Tilley, The One-State Solution (University of Michigan Press, 2005); Jeff Halper, Decolonizing Israel, Liberating Palestine: Zionism, Settler Colonialism and the Case for a Democratic State (Pluto Press, 2021), ou o mais recente Israel-Palestine, la solution: un Etat, de Ghada Karmi (La fabrique editions, 2022), que examina as diferentes formula\u00e7\u00f5es e oferece uma extensa bibliografia sobre o assunto. O livro de Papp\u00e9, que citamos no texto (ver nota 4), tamb\u00e9m se dedica em grande parte a imaginar essa solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>(3) Michel Warschawski, Israele-Palestina. La sfida binazionale (Sapere 2000, 2002). Sobre o partido de Warschawski, veja o artigo de Fabio Bosco que publicamos no ap\u00eandice deste livro.<\/p>\n\n\n\n<p>(4) Ver o livro mais recente de Ilan Papp\u00e9, La fine di Israele (Fazi, 2025). ODS significa Um Estado Democr\u00e1tico, o movimento fundado na Gr\u00e3-Bretanha em 2013, que \u00e9 um dos v\u00e1rios grupos que apoiam essa posi\u00e7\u00e3o. Quanto ao aspecto \u201cinternacional\u201d, Papp\u00e9 fala de uma futura Palestina descolonizada e integrada aos BRICS; e quanto ao aspecto social, ele se refere a uma \u201cesquerda\u201d gen\u00e9rica. ODS \u00e9 apenas um dos muitos grupos que, com algumas diferen\u00e7as, apoiam a \u201csolu\u00e7\u00e3o de um Estado\u201d. Alguns desses grupos atuam na Palestina, embora a maioria esteja sediada na Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>(5) Leon Trotsky, \u201cO que \u00e9, ent\u00e3o, a revolu\u00e7\u00e3o permanente? Teses\u201d, em A Revolu\u00e7\u00e3o Permanente (1929) (Mondadori, 1979).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto retirado do livro de F. Ricci, Dal fiume al mare. Do Lado da Resist\u00eancia Palestina (Do Rio ao Mar: Do Lado da Resist\u00eancia Palestina, Edi\u00e7\u00f5es Rjazanov, 2025) Costuma-se dizer que a chamada \u201cquest\u00e3o palestina\u201d \u00e9 complexa. Na realidade, se aparece como complexa, \u00e9 apenas porque a burguesia e as dire\u00e7\u00f5es reformistas (que Lenin, n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":81950,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Francesco Ricci","footnotes":""},"categories":[8068,228],"tags":[46,205],"class_list":["post-81949","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-palestina","category-palestina","tag-francesco-ricci","tag-palestina-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/13.-EL-ACUERDO-DE-PAZ-PALESTINO-ISRAELI_-SUS-ALCANCES-Y-SUS-RIESGOS-.jpg","categories_names":["Especial Palestina","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Francesco Ricci","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81949","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81949"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81949\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81951,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81949\/revisions\/81951"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81950"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}