{"id":81828,"date":"2025-11-05T19:41:19","date_gmt":"2025-11-05T19:41:19","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81828"},"modified":"2025-11-05T19:41:20","modified_gmt":"2025-11-05T19:41:20","slug":"a-luta-palestina-e-tambem-a-luta-das-mulheres-arabes-contra-seus-proprios-regimes-opressores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/11\/05\/a-luta-palestina-e-tambem-a-luta-das-mulheres-arabes-contra-seus-proprios-regimes-opressores\/","title":{"rendered":"A luta Palestina \u00e9 tamb\u00e9m a luta das mulheres \u00e1rabes contra seus pr\u00f3prios regimes opressores"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Enquanto milh\u00f5es de mulheres e jovens \u00e1rabes tomam as ruas em solidariedade \u00e0 Palestina, seus regimes reprimem brutalmente qualquer forma de mobiliza\u00e7\u00e3o popular. A liberta\u00e7\u00e3o do povo palestino est\u00e1 ligada \u00e0 derrubada dos governos ditatoriais e corruptos que traem essa causa h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A cada nova ofensiva israelense contra o povo palestino, os regimes \u00e1rabes se apressam em posar de aliados \u201csolid\u00e1rios\u201d, emitindo declara\u00e7\u00f5es vazias em defesa da \u201ccausa palestina\u201d. Mas por tr\u00e1s dos discursos inflamados, o que h\u00e1 \u00e9 cumplicidade e medo: cumplicidade com o imperialismo e medo de seus pr\u00f3prios povos \u2014 especialmente das mulheres e da juventude, que mais se rebelam contra a opress\u00e3o e a mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas semanas, essa contradi\u00e7\u00e3o voltou a se tornar evidente. Em pa\u00edses como Egito, Jord\u00e2nia, Marrocos e Tun\u00edsia, milhares foram \u00e0s ruas em protestos massivos exigindo o fim da cumplicidade de seus governos com Israel e com os Estados Unidos. Em todas essas manifesta\u00e7\u00f5es, as mulheres estiveram na linha de frente \u2014 estudantes, trabalhadoras, m\u00e3es \u2014 e foram tamb\u00e9m as primeiras a enfrentar a repress\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses regimes, sustentados por elites corruptas e for\u00e7as militares treinadas e financiadas pelo imperialismo, s\u00e3o os mesmos que negam direitos b\u00e1sicos \u00e0s mulheres: liberdade de express\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o sindical, autonomia sobre o pr\u00f3prio corpo, e at\u00e9 o direito de circular sem controle masculino. Quando as mulheres \u00e1rabes tomam as ruas pela Palestina, elas n\u00e3o lutam apenas contra a ocupa\u00e7\u00e3o sionista \u2014 lutam contra as mesmas for\u00e7as que as oprimem e exploram em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da <strong>Tun\u00edsia<\/strong>, onde o governo de Kais Saied vem reprimindo organiza\u00e7\u00f5es feministas hist\u00f3ricas como a Associa\u00e7\u00e3o Tunisiana das Mulheres Democr\u00e1ticas (ATFD), \u00e9 emblem\u00e1tico. Em nome da \u201cseguran\u00e7a nacional\u201d, o regime persegue as mulheres que ousam organizar protestos contra o autoritarismo e a fome \u2014 inclusive as que expressam solidariedade ao povo palestino. J\u00e1 no <strong>Egito<\/strong>, o regime de Sisi mant\u00e9m milhares de presos pol\u00edticos, entre eles dezenas de militantes feministas e defensoras dos direitos humanos, enquanto segue garantindo o bloqueio de Gaza e os acordos com Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas <strong>monarquias do Golfo<\/strong>, como a Ar\u00e1bia Saudita, Bahrein e Emirados \u00c1rabes, a repress\u00e3o \u00e9 ainda mais brutal. Ao mesmo tempo em que esses pa\u00edses exibem \u201creformas modernizadoras\u201d \u2014 permitindo mulheres dirigirem, frequentarem est\u00e1dios ou trabalharem em certos setores \u2014, intensificam a vigil\u00e2ncia, as pris\u00f5es arbitr\u00e1rias e a tortura contra ativistas. Essas reformas s\u00e3o concess\u00f5es cosm\u00e9ticas destinadas a melhorar sua imagem internacional e atrair investimentos. A mensagem \u00e9 n\u00edtida: as mulheres podem ser \u201cmodernas\u201d, desde que n\u00e3o sejam revolucion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses regimes temem que a solidariedade \u00e0 Palestina se transforme numa fa\u00edsca revolucion\u00e1ria que unifique a raiva acumulada em toda a regi\u00e3o. E h\u00e1 raz\u00e3o para temer. O mesmo esp\u00edrito que move as mulheres de Gaza a resistirem sob bombas \u00e9 o que move as mulheres \u00e1rabes a desafiarem o autoritarismo, o desemprego e a viol\u00eancia machista e patriarcal. A primavera \u00e1rabe de 2011 mostrou isso: foi iniciada por jovens e trabalhadoras que ousaram dizer \u201cbasta!\u201d. O problema \u00e9 que, sem dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, essas lutas foram desviadas, esmagadas ou cooptadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a liberta\u00e7\u00e3o da Palestina est\u00e1 inseparavelmente ligada \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos povos \u00e1rabes \u2014 e, dentro dela, \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres na regi\u00e3o. N\u00e3o haver\u00e1 Palestina livre enquanto as massas trabalhadoras \u00e1rabes seguirem acorrentadas por regimes servis ao imperialismo. E n\u00e3o haver\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa sem o protagonismo das mulheres, que carregam no corpo as marcas da dupla opress\u00e3o de classe e de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>A tarefa das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e das mulheres militantes \u00e9 transformar a solidariedade em a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica concreta: construir partidos revolucion\u00e1rios e movimentos classistas de mulheres que unam a luta contra o imperialismo e o sionismo \u00e0 luta contra o machismo e as burguesias locais. Porque a bandeira da Palestina s\u00f3 ser\u00e1 verdadeiramente libertadora quando tremular nas m\u00e3os das mulheres e dos trabalhadores livres de toda opress\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto milh\u00f5es de mulheres e jovens \u00e1rabes tomam as ruas em solidariedade \u00e0 Palestina, seus regimes reprimem brutalmente qualquer forma de mobiliza\u00e7\u00e3o popular. 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