{"id":81816,"date":"2025-11-04T22:44:38","date_gmt":"2025-11-04T22:44:38","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81816"},"modified":"2025-11-04T22:44:39","modified_gmt":"2025-11-04T22:44:39","slug":"peru-o-governo-jeri-a-crise-e-a-necessidade-de-uma-solucao-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/11\/04\/peru-o-governo-jeri-a-crise-e-a-necessidade-de-uma-solucao-revolucionaria\/","title":{"rendered":"Peru | O Governo Jer\u00ed, a crise e a necessidade de uma solu\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Federico Romero<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pouco menos de um m\u00eas, e quase inesperadamente, o Congresso destituiu a presidente Dina Boluarte e instalou um novo governo. Para muitos, isso pode parecer surpreendente, j\u00e1 que sete presidentes ocuparam o Pal\u00e1cio Presidencial nos \u00faltimos sete anos. Embora alguns constitucionalistas atribuam o problema a uma interpreta\u00e7\u00e3o abusiva da Constitui\u00e7\u00e3o pela maioria parlamentar, que, havia estabelecido um regime parlamentarista, a verdade \u00e9 que isso decorre de uma crise estrutural cr\u00f4nica que j\u00e1 dura uma d\u00e9cada, na qual as institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa se deterioraram consideravelmente, incluindo a presid\u00eancia. Essa crise estrutural \u00e9 uma resposta ao esgotamento do modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico capitalista neoliberal dependente, estabelecido em 2000, e \u00e0 luta cont\u00ednua entre o setor burgu\u00eas e reacion\u00e1rio, que defende o modelo que enriquece uma minoria, e o movimento oper\u00e1rio e popular, que o confronta com todos os recursos dispon\u00edveis. Em meio a essa luta aguda, ao n\u00e3o encontrar uma sa\u00edda em nenhum lado, tudo est\u00e1 se desintegrando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jos\u00e9 Jer\u00ed, o novo aventureiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, em 9 de outubro, os peruanos foram dormir com um presidente no poder e acordaram com outro: Jos\u00e9 Jer\u00ed, presidente do Congresso e membro de um dos grupos que fazem parte do pacto mafioso que nos governa desde a queda de Pedro Castillo em dezembro de 2022, foi ungido presidente literalmente na calada da noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Dina Boluarte, a presidente mais impopular do mundo, com apenas 3% de aprova\u00e7\u00e3o e alvo de \u00f3dio absoluto da maioria da classe oper\u00e1ria e popular, sofreu impeachment em um processo sum\u00e1rio pelas mesmas pessoas que a colocaram no poder e a apoiaram para levar adiante uma ofensiva reacion\u00e1ria contra a ascens\u00e3o do movimento de massas nos \u00faltimos tr\u00eas anos, aceitando sua deser\u00e7\u00e3o, seus caprichos e sua corrup\u00e7\u00e3o, como quem descarta um objeto in\u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ao saber da not\u00edcia, muitos acordaram aliviados naquele dia, pensando que qualquer um poderia ser melhor que Boluarte. Em quase tr\u00eas anos de seu governo, sofremos a brutal repress\u00e3o da rebeli\u00e3o no sul, onde 50 lutadores foram assassinados; testemunhamos a absolvi\u00e7\u00e3o do fujimorismo e de todos os seus crimes que marcaram profundamente a maioria, e a reabilita\u00e7\u00e3o do ditador Alberto Fujimori; vimos a substitui\u00e7\u00e3o de 80% da Constitui\u00e7\u00e3o por uma ditadura congressista que, simultaneamente, considera a demanda democr\u00e1tica por uma Assembleia Constituinte como o pr\u00f3prio anticristo; testemunhamos a tomada de institui\u00e7\u00f5es estatais pela mesma m\u00e1fia, para \u2014 ali\u00e1s \u2014 escapar de investiga\u00e7\u00f5es por corrup\u00e7\u00e3o e outros roubos; a promulga\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de leis prejudiciais, como a lei florestal que amea\u00e7a o meio ambiente e a nova Lei Agr\u00e1ria que reduz pela metade os impostos para empresas agroexportadoras, e, junto com o colapso da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e saneamento, ataques constantes contra a classe oper\u00e1ria por meio de demiss\u00f5es seletivas e em massa com o objetivo de desmantelar suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que \u00e9 verdadeiramente novo, e o que revela plenamente a natureza mafiosa do regime, \u00e9 o empoderamento no Congresso de grupos empresariais ligados a economias informais e ilegais, como minera\u00e7\u00e3o, narcotr\u00e1fico e extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira. Sua associa\u00e7\u00e3o com o crime organizado tamb\u00e9m levou \u00e0 sua expans\u00e3o, facilitada pela ina\u00e7\u00e3o do Estado e pela neutraliza\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias leis que haviam sido criadas para combat\u00ea-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a ascens\u00e3o desenfreada do crime organizado, grandes setores e localidades do pa\u00eds, especialmente Lima, ca\u00edram sob o controle de extors\u00f5es e gangues criminosas, acrescentando uma nova e mais letal camada de ansiedade a uma popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 assolada pela pobreza e pelo desemprego. Assim, sob o governo Boluarte, o n\u00famero di\u00e1rio de mortes subiu de uma para seis, e o n\u00famero anual de homic\u00eddios agora ultrapassa 1.600, perpetrados por gangues que n\u00e3o demonstram respeito pela vida humana, nem mesmo por figuras proeminentes da cultura e das artes.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o desencadeou in\u00fameras greves e protestos exigindo medidas concretas do governo, em particular a revoga\u00e7\u00e3o das chamadas leis pr\u00f3-crime aprovadas pelo Congresso para beneficiar seus pr\u00f3prios l\u00edderes, que est\u00e3o implicados e sob investiga\u00e7\u00e3o por corrup\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico de influ\u00eancia e\/ou lavagem de dinheiro. Em mar\u00e7o deste ano, o popular cantor de cumbia Pa\u00fal Flores foi assassinado e, recentemente, o grupo \u00c1gua Marina foi atacado a tiros de metralhadora durante uma apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo, ferindo v\u00e1rios integrantes. A frustra\u00e7\u00e3o com a falta de respostas efetivas alimentou o crescimento dos protestos e das demandas pelo fechamento do Congresso e pela queda do governo. Esses protestos chegaram a ferir de morte ou deixar o governo por um fio, mas n\u00e3o o derrubaram devido \u00e0 passividade e trai\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es que optaram por coexistir com o regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, um novo movimento teve in\u00edcio, desta vez promovido por redes juvenis autodenominadas Gera\u00e7\u00e3o Z (GZ), seguindo o exemplo das revoltas sociais que abalaram o Nepal, a Indon\u00e9sia e Marrocos. Desta vez, a motiva\u00e7\u00e3o era a rejei\u00e7\u00e3o da lei AFP, promulgada pelo governo sob o pretexto de beneficiar a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, quando na realidade buscava expandir os neg\u00f3cios das administradoras de fundos de pens\u00e3o. O movimento exigia a libera\u00e7\u00e3o desses fundos e tamb\u00e9m pedia &#8220;Fora Dina&#8221; e o fechamento do Congresso, apontado como respons\u00e1vel. A mobiliza\u00e7\u00e3o cresceu e se espalhou. Boluarte foi destitu\u00edda do cargo no dia 9 daquele m\u00eas para conter a escalada das mobiliza\u00e7\u00f5es, em particular a convocada para 15 de outubro. Contudo, a marcha n\u00e3o se dissiparia, mas se transformaria em uma verdadeira explos\u00e3o social contra o Congresso e em rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Jer\u00ed como novo presidente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A explos\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o do dia 15 constituiu uma verdadeira explos\u00e3o social, compar\u00e1vel ao dia em que derrotou o golpe de Merino em 14 de novembro de 2020. A derrota desse golpe trouxe uma nova onda de mobiliza\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds, marcada pela greve dos trabalhadores rurais e pela subsequente vit\u00f3ria eleitoral de Pedro Castillo nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, atrav\u00e9s das quais os despossu\u00eddos buscaram uma sa\u00edda de fundo para suas reivindica\u00e7\u00f5es. Em 15 de outubro, a mobiliza\u00e7\u00e3o, liderada pela GZ, percorreu todo o pa\u00eds, abrangendo sindicatos, estudantes universit\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es culturais e diversos coletivos, formando, sobretudo em Lima, um mar de gente. Sua principal reivindica\u00e7\u00e3o era o fechamento do Congresso e a rejei\u00e7\u00e3o de Jer\u00ed. N\u00e3o houve comemora\u00e7\u00e3o pela queda de Boluarte, mas sim raiva contra o regime e a m\u00e1fia dominante, e indigna\u00e7\u00e3o com a desastrada manobra parlamentar de substituir uma figura por outra, numa tentativa de enganar a popula\u00e7\u00e3o para que cessasse as mobiliza\u00e7\u00f5es, e com a elei\u00e7\u00e3o de uma figura perfeitamente adequada ao pacto corrupto com a m\u00e1fia: Jos\u00e9 Jer\u00ed n\u00e3o s\u00f3 era um pol\u00edtico sem brilho, como tamb\u00e9m tinha acusa\u00e7\u00f5es de corrup\u00e7\u00e3o contra si e um inqu\u00e9rito pendente por estupro.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo presidente tomou posse com um apelo \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 unidade nacional, e prometeu uma transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, afirmando que a sua prioridade seria o combate ao crime. Mas bastaram algumas horas para que as suas promessas se dissipassem. A mobiliza\u00e7\u00e3o foi recebida com a mesma viol\u00eancia de sempre: mais de cem pessoas ficaram feridas e uma nova v\u00edtima do regime foi adicionada \u00e0 lista: o jovem artista Eduardo Ruiz, conhecido como \u201cTrvko\u201d, que foi morto a tiro. E o rec\u00e9m-empossado primeiro-ministro, Ernesto \u00c1lvarez, figura conhecida da direita, em conson\u00e2ncia com o governo anterior, condenou a marcha, acusando-a de ser promovida pelos \u201cherdeiros do MRTA\u201d e saudando o policial assassino como um \u201cher\u00f3i\u201d nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a for\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o exp\u00f4s a natureza continu\u00edsta do novo governo e conquistou a maioria da classe oper\u00e1ria e popular. A indigna\u00e7\u00e3o com a morte de Trvko e a forma como o governo, o Congresso e a pol\u00edcia lidaram com o caso desencadeou novas mobiliza\u00e7\u00f5es. Mas, em parte devido \u00e0 ina\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es e em parte devido ao relativo otimismo gerado pela posse do novo governo, o protesto n\u00e3o atingiu o mesmo n\u00edvel de impacto do anterior. No entanto, este \u00e9 apenas o in\u00edcio de uma nova fase de mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que se espera do novo governo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em m\u00e9dia, 45% da popula\u00e7\u00e3o aprova o novo governo, enquanto uma porcentagem semelhante o desaprova. Isso, embora seja uma conquista da m\u00e1fia dominante, n\u00e3o \u00e9 um cheque em branco, mas sim o benef\u00edcio da d\u00favida concedido ao novo governo na esperan\u00e7a de que ele cumpra suas promessas, especialmente no que diz respeito ao combate ao crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, com a mudan\u00e7a, a m\u00e1fia dominante conseguiu ao menos revitalizar o regime e semear expectativas em alguns setores, evitando uma queda abrupta de Dina Boluarte e do pr\u00f3prio regime.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo governo busca amenizar a situa\u00e7\u00e3o e conduzir a crise para uma solu\u00e7\u00e3o eleitoral em abril pr\u00f3ximo. Em meio \u00e0 gravidade da crise e \u00e0 crescente mobiliza\u00e7\u00e3o contra o regime, n\u00e3o havia garantia de que a elei\u00e7\u00e3o seria realizada de forma ordeira, especialmente considerando os setores de direita que buscavam garantir a vit\u00f3ria na disputa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Boluarte tinha fortes tend\u00eancias bonapartistas, ela j\u00e1 estava em decl\u00ednio e, em vez de uma solu\u00e7\u00e3o, havia se tornado um problema para a pr\u00f3pria estabilidade do regime. Mesmo para sobreviver, a repress\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o era suficiente. O governo teve que ceder em algumas concess\u00f5es, como o aumento geral das pens\u00f5es para professores aposentados, o que representa mais um dreno para os cofres p\u00fablicos. Com Jos\u00e9 Jer\u00ed, o governo reviveu as caracter\u00edsticas que marcaram a posse de Boluarte. Seu car\u00e1ter repressivo j\u00e1 era evidente na mobiliza\u00e7\u00e3o do dia 15 e agora com a deten\u00e7\u00e3o e o encarceramento do deputado Guillermo Bermejo, candidato \u00e0 presid\u00eancia por uma dos setores de &#8220;esquerda&#8221;, acusado sem provas de pertencer ao Sendero Luminoso, revelam sua ess\u00eancia antidemocr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A inseguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa de um setor da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao novo governo se baseia em seu compromisso de enfrentar o crime organizado desenfreado. Ser\u00e1 que o novo governo conseguir\u00e1 deter a onda de crimes que nos assola? Ser\u00e1 que ao menos conseguir\u00e1 atenu\u00e1-la?<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo decorrido pode ser curto demais para saber, mas j\u00e1 fornece dados suficientes para constatar que se trata apenas de mais declara\u00e7\u00f5es e bravatas, e que tudo permanece igual. O governo emitiu algumas normas para assumir o controle das pris\u00f5es de onde os mafiosos organizam e dirigem suas gangues, mas sua efic\u00e1cia \u00e9 question\u00e1vel. Da mesma forma, restabeleceu o estado de emerg\u00eancia, medida que j\u00e1 se mostrou ineficaz e serve apenas para conter e reprimir as mobiliza\u00e7\u00f5es de protesto contra o pr\u00f3prio governo. Nos primeiros dez dias de governo, foram registrados 54 homic\u00eddios; ou seja, o n\u00famero de v\u00edtimas permaneceu o mesmo. O assassinato de um motorista levou a um bloqueio e greve em Callao h\u00e1 alguns dias, e agora outra greve de transportes est\u00e1 planejada para 4 de novembro, com mais um dia de a\u00e7\u00e3o no dia 14.<\/p>\n\n\n\n<p>Da perspectiva dos mobilizados, o principal problema \u00e9 a validade cont\u00ednua das leis pr\u00f3-crime aprovadas pelo mesmo Congresso (31990, 31989 e 32108), que em sua \u00e2nsia de favorecer membros corruptos do regime, afrouxou as medidas de repress\u00e3o e at\u00e9 mesmo a defini\u00e7\u00e3o legal de crime organizado. Jer\u00ed, que votou a favor e defendeu essas leis, n\u00e3o vai revog\u00e1-las agora. Quanto \u00e0 Pol\u00edcia Nacional, profundamente corrompida por seus la\u00e7os com organiza\u00e7\u00f5es criminosas, \u00e0s quais inclusive fornece armas, o governo sequer se ofereceu para reorganiz\u00e1-la, mas sim para apoi\u00e1-la. E \u00e9 evidente que, com leis pr\u00f3-crime e sem policiais profissionais para respaldar suas a\u00e7\u00f5es junto ao sistema judici\u00e1rio, nada se consegue.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo governo carece de vontade pol\u00edtica para combater verdadeiramente o crime organizado. Isso ocorre porque n\u00e3o alterou a estreita alian\u00e7a entre a coaliz\u00e3o governista e os grupos econ\u00f4micos que controlam atividades ilegais, como minera\u00e7\u00e3o ilegal, extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e produ\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de drogas, e, por meio dessas atividades, sua liga\u00e7\u00e3o com gangues criminosas. Esses setores j\u00e1 t\u00eam representa\u00e7\u00e3o no Congresso e no Estado, influenciam a aprova\u00e7\u00e3o de leis e exercem influ\u00eancia sobre a pol\u00edcia e o pr\u00f3prio sistema judici\u00e1rio. O governo n\u00e3o &#8220;travar\u00e1 guerra&#8221; \u00e0s gangues criminosas quando ele pr\u00f3prio \u00e9 um subproduto delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um artigo publicado no The New York Times, que somente um extremista de direita poderia acusar de ser &#8220;esquerdista&#8221; ou &#8220;caviar&#8221;, o jornalista Will Freeman, especialista em assuntos latino-americanos, afirma que existe um poder paralelo no Peru: o do crime organizado, representado por &#8220;um punhado das fam\u00edlias politicamente mais poderosas&#8221;. Ele alega que essas fam\u00edlias formaram uma coaliz\u00e3o que se monta e se desmonta para aprovar uma s\u00e9rie de leis que muitos peruanos, de forma depreciativa, mas precisa, chamam de &#8220;leis pr\u00f3-crime&#8221;, principalmente para sufocar seus pr\u00f3prios processos judiciais. \u201cEssas leis limitam as ferramentas de investiga\u00e7\u00e3o dos promotores, protegem garimpeiros e madeireiros ilegais e favorecem totalmente as economias il\u00edcitas do Peru, permitindo que operem sem controle&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E se n\u00e3o fosse esse o caso, a outra \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d seria a de Bukele, uma solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m oferecida por outros porta-vozes do mesmo regime. Bukele combate o crime desencadeando uma repress\u00e3o brutal, restringindo liberdades e violando brutalmente os direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o. Seu exemplo acaba de ser replicado no Rio de Janeiro, Brasil, onde o governador do estado realizou uma opera\u00e7\u00e3o policial para combater o narcotr\u00e1fico, resultando em um massacre com 121 moradores mortos, em sua maioria negros e pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer perspectiva, n\u00e3o h\u00e1 como deter a onda de crimes que assola o pa\u00eds, nem pela alian\u00e7a governista, com seus profundos la\u00e7os com criminosos, nem pela oposi\u00e7\u00e3o que oferece uma solu\u00e7\u00e3o ao estilo Bukele. O combate a esse flagelo corrosivo s\u00f3 pode vir de uma mudan\u00e7a em duas frentes: primeiro, uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que gere empregos de qualidade e atenda \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e saneamento, eliminando assim os focos de pobreza onde o crime prospera. E segundo, envolvendo a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o na luta contra o crime, inclusive fornecendo-lhes armas. Nenhum governo capitalista far\u00e1 nenhuma dessas coisas. Por todas essas raz\u00f5es, \u00e9 evidente que a amea\u00e7a do crime persistir\u00e1 e ser\u00e1 fonte de novas mobiliza\u00e7\u00f5es e crises para o novo governo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A miragem da economia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o governo tem um ponto de apoio que proporciona uma base favor\u00e1vel para a sua influ\u00eancia cont\u00ednua sobre o comportamento da economia nacional. \u00c9 evidente que n\u00e3o estamos em uma crise como a da Argentina ou da Bol\u00edvia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o estamos vivenciando &#8220;prosperidade&#8221; ou desfrutando de uma economia invej\u00e1vel, como afirmam os bajuladores da direita. O boom neoliberal terminou h\u00e1 uma d\u00e9cada e, desde ent\u00e3o, a economia nacional tem se arrastado, sem conseguir gerar crescimento sustentado ou trazer benef\u00edcios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Essa estagna\u00e7\u00e3o da economia nacional nada mais \u00e9 do que um reflexo da crise capitalista global, evidenciada pela crise financeira de 2008 e pela longa onda de estagna\u00e7\u00e3o que vem sofrendo, afetando os principais pa\u00edses imperialistas. Contudo, a liberaliza\u00e7\u00e3o da economia e a dura repress\u00e3o \u00e0s lutas que a desafiam est\u00e3o se mostrando funcionais na conjuntura atual. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar devido \u00e0 crise nos EUA est\u00e1 levando muitos pa\u00edses a substituir suas reservas em d\u00f3lares por ouro, elevando seu pre\u00e7o a n\u00edveis sem precedentes. Em menos de um ano, o pre\u00e7o do ouro quase dobrou (de US$ 2.400 a on\u00e7a, que j\u00e1 estava em alta, para US$ 4.300). O cobre tamb\u00e9m se mant\u00e9m est\u00e1vel em patamares historicamente altos. A minera\u00e7\u00e3o responde por 85% das exporta\u00e7\u00f5es peruanas, sendo o ouro e o cobre os principais produtos. Isso significa que as receitas em d\u00f3lares do pa\u00eds est\u00e3o aumentando sem nenhum esfor\u00e7o de sua parte. E com a abund\u00e2ncia de d\u00f3lares, seu valor se deprecia, agravado pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no mercado norte-americano, criando a ilus\u00e3o de uma moeda e economia nacionais fortes. O que \u00e9 um neg\u00f3cio lucrativo para as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e a burguesia ligada \u00e0 minera\u00e7\u00e3o em larga escala \u00e9 mera miragem para as maiorias oper\u00e1rias e populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, essa din\u00e2mica apenas aprofunda a natureza extrativista e voltada para a exporta\u00e7\u00e3o da economia nacional, que n\u00e3o traz desenvolvimento nem emprego. O Peru continua a se desindustrializar, com a informalidade se expandindo por meio do trabalho aut\u00f4nomo e do trabalho prec\u00e1rio. No m\u00e1ximo, o Estado se beneficia da receita da minera\u00e7\u00e3o para aliviar o descontentamento social e o aprofundamento da desigualdade. A esse fen\u00f4meno deve-se somar o crescimento das economias ilegais (especialmente a minera\u00e7\u00e3o de ouro), que, al\u00e9m de distorcer as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e trabalhistas, fomenta o aumento da criminalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o que a extrema direita pretende \u00e9 promover o crescimento com um novo pacote de liberaliza\u00e7\u00e3o, com privatiza\u00e7\u00e3o e maior subjuga\u00e7\u00e3o da economia nacional. Isso poderia significar maior enriquecimento para os mesmos grupos poderosos e perpetuar as condi\u00e7\u00f5es de pobreza e mis\u00e9ria para a maioria, juntamente com a recoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es Fraudulentas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o objetivo da burguesia s\u00e3o as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es de abril para escolher um governo que, legitimado por um mandato popular, possa lan\u00e7ar sua nova ofensiva, ao estilo Milei. Esse regime, com o apoio do imperialismo, mais uma vez acorrentou o povo argentino, usando uma motosserra para varrer conquistas e direitos sociais e, especificamente, para implementar uma nova contrarreforma trabalhista. Com o modelo esgotado, o \u00fanico caminho a seguir passa por uma maior liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e privatiza\u00e7\u00f5es, e por uma recoloniza\u00e7\u00e3o mais ampla do pa\u00eds. O avan\u00e7o desse plano encontrou resist\u00eancia por parte do movimento de massas, que buscou nitidamente uma alternativa com a elei\u00e7\u00e3o de Pedro Castillo e a reivindica\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Constituinte. A for\u00e7a desse movimento contra o regime e seu modelo explica a magnitude da rea\u00e7\u00e3o desencadeada contra Castillo e o movimento de massas, que foi brutalmente reprimida. Sob o novo regime, regulamentos foram alterados, institui\u00e7\u00f5es foram tomadas e uma ofensiva ideol\u00f3gica foi lan\u00e7ada por todos os meios para fechar as lacunas, buscando consolidar o dom\u00ednio da direita no poder e impedir o surgimento de alternativas que possam desafiar o modelo. Dada a falta de alternativas, particularmente devido \u00e0 fraude perpetrada por todas as op\u00e7\u00f5es &#8220;de esquerda&#8221; \u2014 desde Susana Villar\u00e1n, agora presa por corrup\u00e7\u00e3o, e o desastroso governo Castillo, que sequer conseguiu fazer uma concess\u00e3o significativa ao movimento de massas, at\u00e9 o comportamento do importante bloco de esquerda, que coexiste com o odiado regime e com oportunistas corruptos e de baixo escal\u00e3o como a congressista que usa seus assessores para cortar as unhas dos p\u00e9s em seu gabinete \u2014 o plano reacion\u00e1rio ganhou apoio em setores da classe m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>O ajuste proposto visa viabilizar projetos de minera\u00e7\u00e3o atualmente paralisados \u200b\u200bdevido \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o popular, corroer ainda mais os direitos trabalhistas e aumentar os lucros capitalistas por meio de medidas como a redu\u00e7\u00e3o do imposto de renda para exportadores agr\u00edcolas. Embora a &#8220;esquerda&#8221; tenha visto suas chances de capitalizar sobre o profundo descontentamento popular diminu\u00edrem, a radicaliza\u00e7\u00e3o de amplos setores pode identificar-se com outros candidatos burgueses, mas de centro. \u00c9 precisamente isso que os setores de direita que det\u00eam o poder est\u00e3o tentando evitar. Nesse sentido, alguns candidatos com \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o significativos j\u00e1 foram impedidos de concorrer, como Vizcarra e Antauro Humala. Mas, mais do que isso, eles precisam controlar o processo para garantir a elei\u00e7\u00e3o de um de seus candidatos para fazer o que Milei est\u00e1 fazendo. Este \u00e9 o principal objetivo do novo governo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A classe oper\u00e1ria e o movimento de massas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A crise geral tem outro ator no centro dos acontecimentos: a luta e a a\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares. Apesar dos contratempos circunstanciais e das derrotas parciais, elas n\u00e3o pararam de lutar e, mais do que conquistar reivindica\u00e7\u00f5es, ganharam em combatividade, na constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es de base aut\u00f4nomas e independentes e no desenvolvimento de formas de autodefesa e prepara\u00e7\u00e3o para a luta de rua. E n\u00e3o alcan\u00e7aram seus principais objetivos, como o triunfo da rebeli\u00e3o de 2022-2023 e a luta para depor Boluarte nos \u00faltimos tr\u00eas anos, devido \u00e0 trai\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A vanguarda dessas lutas permanece no sul andino, radicalizada contra o regime em torno da demanda por uma Assembleia Constituinte e da figura de Pedro Castillo. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que essa regi\u00e3o compreenda o setor mais pobre do pa\u00eds, o mais afetado pelas atividades de minera\u00e7\u00e3o e o setor com a mais longa tradi\u00e7\u00e3o de luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ultimamente, durante a luta contra Boluarte, surgiram novos movimentos. Primeiro, houve movimentos de trabalhadores do transporte, vendedores de mercado e comerciantes dos bairros mais pobres, lutando contra o crime e realizando grandes mobiliza\u00e7\u00f5es e paralisa\u00e7\u00f5es. Depois veio o chamado GZ, composto por grupos de jovens e trabalhadores prec\u00e1rios, organizados para exigir a libera\u00e7\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o (AFP), e que se expandiu para desafiar o regime e o governo. Estudantes universit\u00e1rios e v\u00e1rios outros grupos se uniram a esses setores.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal defici\u00eancia dessas grandes lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 o atraso da classe oper\u00e1ria. Ela acompanhou essas lutas apenas parcialmente, quando deveria estar na vanguarda, conduzindo-as \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de suas aspira\u00e7\u00f5es. O movimento de massas tem a for\u00e7a de sua espontaneidade, mas a classe oper\u00e1ria tem a for\u00e7a de sua organiza\u00e7\u00e3o e pode paralisar a economia, que \u00e9 o que gera o lucro capitalista. Isso n\u00e3o acontece por causa do controle exercido sobre ela por dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e conciliadoras, que fazem todo o poss\u00edvel para manter suas a\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito das reivindica\u00e7\u00f5es, quando n\u00e3o defensivo, que por sua natureza \u00e9 por base e confinada \u00e0 legalidade. \u00c9 essa mesma burocracia que se une aos patr\u00f5es para dificultar e impedir o surgimento de uma nova dire\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, no geral, a luta de classes avan\u00e7ou, e seu futuro permanece repleto de possibilidades, particularmente para o surgimento de um forte movimento oper\u00e1rio que assegure o caminho para a vit\u00f3ria dos oprimidos e explorados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por um Programa Alternativo para as Lutas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o descrita evidencia a necessidade de desenvolver um programa alternativo que represente um verdadeiro caminho a seguir para o pa\u00eds e para as aspira\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e dos pobres. Este programa deve visar o fortalecimento da mobiliza\u00e7\u00e3o e da luta, sua independ\u00eancia pol\u00edtica e organizacional, a conscientiza\u00e7\u00e3o e a confian\u00e7a em sua pr\u00f3pria for\u00e7a, e se distinguir claramente do oportunismo e do reformismo que, por meio de sua estrat\u00e9gia eleitoral, se tornaram a ala esquerda do regime e se comprometem a preserv\u00e1-lo participando dele por meio do Parlamento e do Governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este programa deve considerar os seguintes pontos essenciais:<\/p>\n\n\n\n<p>1. <strong>Fora Jos\u00e9 Jer\u00ed e fechamento do Congresso<\/strong>. As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o porque s\u00e3o organizadas sob um regime antidemocr\u00e1tico e corrupto. Al\u00e9m disso, n\u00e3o oferecem aos trabalhadores uma alternativa independente e de classe. A verdadeira solu\u00e7\u00e3o reside na luta por uma Assembleia Constituinte Soberana e Livre, que restabele\u00e7a o pa\u00eds como uma na\u00e7\u00e3o soberana, independente e democr\u00e1tica, rompa todos os tratados que nos mant\u00eam subjugados ao imperialismo e nacionalize os principais recursos naturais, como a minera\u00e7\u00e3o em larga escala e as grandes corpora\u00e7\u00f5es, para coloc\u00e1-los a servi\u00e7o da maioria oprimida e explorada. Essa solu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada por meio do fortalecimento da luta e da mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, e por meio de uma greve geral organizada pelas organiza\u00e7\u00f5es da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>2. <strong>Combate efetivo ao crime e \u00e0 inseguran\u00e7a.<\/strong> N\u00e3o ao Estado de Emerg\u00eancia, revoga\u00e7\u00e3o das leis que favorecem o crime, controle das pris\u00f5es por representantes de organiza\u00e7\u00f5es populares. <strong>Dissolu\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Nacional<\/strong>, c\u00famplice do crime e que s\u00f3 serve para reprimir e atirar em protestos. Auto-organiza\u00e7\u00e3o popular para enfrentar o crime por meio do estabelecimento de sistemas de vigil\u00e2ncia e monitoramento, e formando brigadas de autodefesa com armas fornecidas pelo Estado. N\u00e3o podemos permitir que continuem nos matando. Nem podemos esperar que um Estado ligado \u00e0 criminalidade nos proteja. Temos o direito de nos defender e de confrontar o crime organizado com armas at\u00e9 derrot\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>3. <strong>Pris\u00e3o para Dina Boluarte<\/strong>, para todos os respons\u00e1veis \u200b\u200bpelos massacres de 2022 e 2023 e pelo assassinato de Eduardo Ruiz, um s\u00edmbolo da juventude combativa. Exigimos a revoga\u00e7\u00e3o das leis que permitem o policiamento indiscriminado e da lei que concede anistia aos processados \u200b\u200bpelos massacres cometidos durante a luta contra a insurg\u00eancia entre 1980 e 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>4. <strong>Por aumento geral de sal\u00e1rios<\/strong> e vencimentos em conson\u00e2ncia com o custo da Cesta B\u00e1sica Familiar, aboli\u00e7\u00e3o da lei de demiss\u00e3o coletiva que permite demiss\u00f5es em massa, seguran\u00e7a no emprego e a elimina\u00e7\u00e3o de todas as formas de trabalho prec\u00e1rio: contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, contratos tempor\u00e1rios e contratos CAS. Pela defesa dos empregos em empresas em processo de fechamento, atrav\u00e9s de sua nacionaliza\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia para o controle oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>5. <strong>Abaixo a nova lei agr\u00e1ria 32434,<\/strong> que reduz pela metade os impostos para as corpora\u00e7\u00f5es, enquanto mant\u00e9m os trabalhadores agr\u00edcolas e diaristas do setor agroexportador em empregos prec\u00e1rios e sem direitos trabalhistas. Por cr\u00e9dito acess\u00edvel, projetos de infraestrutura e pre\u00e7os justos para os pequenos agricultores.<\/p>\n\n\n\n<p>6. Por um <strong>or\u00e7amento<\/strong> para obras sociais, infraestrutura educacional, de sa\u00fade e saneamento, e um plano de obras p\u00fablicas que gere empregos em massa, financiado por um imposto sobre os lucros das grandes corpora\u00e7\u00f5es e dos ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>7. <strong>Por um Governo dos Trabalhadores <\/strong>baseado em organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares, que implemente este programa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Precisamos construir uma verdadeira lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para levar adiante a luta por este programa, precisamos estabelecer uma verdadeira dire\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1rias \u2014 oper\u00e1ria, juvenil e popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta organiza\u00e7\u00e3o deve levar adiante a luta por este programa, amplificando as reivindica\u00e7\u00f5es apresentadas e elevando a confian\u00e7a e o moral dos lutadores, educando a vanguarda e a classe em sua independ\u00eancia pol\u00edtica e organizando os melhores combatentes de suas fileiras para remover burocratas, reformistas e oportunistas da dire\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es e avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o verdadeiramente revolucion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O PST, que passou 51 anos lutando, participando das lutas hist\u00f3ricas travadas pela classe oper\u00e1ria e pelo nosso povo, e que herda uma bandeira imaculada, luta para construir essa dire\u00e7\u00e3o, dedicando todas as suas energias ao trabalho dentro das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Federico Romero H\u00e1 pouco menos de um m\u00eas, e quase inesperadamente, o Congresso destituiu a presidente Dina Boluarte e instalou um novo governo. 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