{"id":81793,"date":"2025-10-31T22:54:59","date_gmt":"2025-10-31T22:54:59","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81793"},"modified":"2025-11-04T21:35:22","modified_gmt":"2025-11-04T21:35:22","slug":"a-cop-30-revela-duas-belem-a-dos-ricos-e-as-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/10\/31\/a-cop-30-revela-duas-belem-a-dos-ricos-e-as-dos-pobres\/","title":{"rendered":"A COP 30 revela duas Bel\u00e9m: a dos ricos e as dos pobres"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201c<em>Nossa Senhora de Nazar\u00e9, pedimos respeito aos povos de todas as Amaz\u00f4nias<\/em>\u201d e \u201c<em>Vila da Barca tamb\u00e9m \u00e9 Amaz\u00f4nia<\/em>\u201d diziam as faixas dos moradores da Vila da Barca durante o C\u00edrio Fluvial, romaria que integra as festividades do C\u00edrio de Nossa Senhora de Nazar\u00e9, em Bel\u00e9m, no dia 11 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto centenas de barcos acompanhavam a romaria fluvial nas \u00e1guas da Ba\u00eda do Guajar\u00e1, a comunidade emitia mais um grito de protesto contra a desigualdade social e a exclus\u00e3o aprofundadas com a COP 30. A Vila da Barca \u00e9 considerada uma das maiores favelas de palafitas (moradias prec\u00e1rias constru\u00eddas sobre estacas de madeira acima de territ\u00f3rios alagados) da Am\u00e9rica Latina e tem mais de 7 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Formada no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, como resultado da expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pobre das \u00e1reas centrais da capital paraense, a Vila da Barca est\u00e1 dentro do bairro do Tel\u00e9grafo, e \u00e9 vizinha de bairros ricos como Umarizal e Reduto. Das janelas das moradias em palafitas, avistam-se os pr\u00e9dios altos e luxuosos, com apartamentos vendidos a R$ 18 milh\u00f5es, nos vizinhos abastados.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pol\u00edtica higienista<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A segrega\u00e7\u00e3o social \u00e9 a marca da urbaniza\u00e7\u00e3o das cidades no capitalismo. Os conflitos de classe se expressam na ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano. A burguesia ocupa as melhores \u00e1reas, com infraestrutura, saneamento b\u00e1sico e seguran\u00e7a; enquanto a classe trabalhadora \u00e9 for\u00e7ada a viver em \u00e1reas com condi\u00e7\u00f5es bem diferentes dos ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a COP 30, a segrega\u00e7\u00e3o social aumenta em Bel\u00e9m. Os governos realizaram propagandas enganosas para vender a ideia de que a popula\u00e7\u00e3o de conjunto ia ganhar com a realiza\u00e7\u00e3o do evento. Mas a realidade fala mais forte que qualquer propaganda de marketing. Os ricos est\u00e3o ganhando muito dinheiro com a renova\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o urbana. J\u00e1 o povo pobre sofre com uma pol\u00edtica higienista, racista, que visa retirar a popula\u00e7\u00e3o original de suas \u00e1reas, como ocorre hoje com a Vila da Barca.<\/p>\n\n\n\n<p>Localizada \u00e0s margens da Ba\u00eda do Guajar\u00e1, vizinha de bairros ricos, a Vila da Barca \u00e9 um enclave de um quil\u00f4metro quadrado na regi\u00e3o de expans\u00e3o imobili\u00e1ria de pr\u00e9dio luxuosos com vista para a ba\u00eda. \u00c9 uma \u00e1rea estrat\u00e9gica, de interesse do setor imobili\u00e1rio. Se ainda est\u00e1 l\u00e1 \u00e9 por resist\u00eancia dos moradores, que mais uma vez se enfrentam com pol\u00edticas higienistas.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u2018Lix\u00e3o\u2019 dos ricos<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Enquanto nos bairros vizinhos (Reduto-Umarizal), de grande valor imobili\u00e1rio, s\u00e3o realizadas megas obras do projeto Nova Doca \u2013 uma das apostas do governador Helder Barbalho (MDB) para a COP 30, com investimento de R$ 310 milh\u00f5es \u2013 a Vila da Barca se tornou o \u2018lix\u00e3o\u2019 que recebe o chamado \u201cbota-fora\u201d das obras. Em um terreno aberto, rodeado por moradias, \u00e9 jogada a lama, os entulhos e demais res\u00edduos da Nova Doca.<\/p>\n\n\n\n<p>A avenida Visconde de Souza Franco, conhecida como Doca, um o\u00e1sis de pr\u00e9dios luxuosos, \u00e9 uma das grandes beneficiadas do projeto Nova Doca com uma s\u00e9rie de melhorias no saneamento. A \u00e1gua do canal est\u00e1 sendo despolu\u00edda e drenada; comportas para controle de \u00e1gua de mar\u00e9 para evitar inunda\u00e7\u00f5es e tubula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel ser\u00e3o substitu\u00eddas; e est\u00e1 sendo implantado um novo sistema de esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, adivinhe onde ser\u00e3o despejados os rejeitos produzidos pelos moradores e com\u00e9rcios da Doca? Isso mesmo, na Vila da Barca. Helder Barbalho (MDB) desapropriou um pr\u00e9dio para construir uma esta\u00e7\u00e3o elevat\u00f3ria para tratamento do esgoto dos bairros nobres.<\/p>\n\n\n\n<p>A Vila da Barca tem mais de 100 anos de exist\u00eancia. Na comunidade, mais de 80% das moradias s\u00e3o palafitas. Nunca existiu sistema de saneamento. Os moradores sofrem com falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, falta d\u2019\u00e1gua nas torneiras, esgoto a c\u00e9u aberto, fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica exposta e coleta e despejo irregular de lixo. Para o governador Helder Barbalho, esse \u00e9 um \u00f3timo local para receber o esgoto e as fezes da elite paraense.<\/p>\n\n\n\n<p>O que passa a Vila da Barca \u00e9 a prova de que a COP 30 n\u00e3o vai beneficiar a todos, mas sim a burguesia. Assim como a Vila da Barca, outras comunidades que est\u00e3o no cronograma de obras dos investimentos referentes ao evento da ONU sofrem com a pol\u00edtica higienista do governo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Fam\u00edlias que convivem com os alagamentos e a lama, e que esperavam que suas vidas melhorassem com a macrodrenagem dos canais, foram despejadas \u00e0 for\u00e7a. V\u00e1rias resid\u00eancias foram demolidas, e as indeniza\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o suficientes para comprar outro im\u00f3vel nas redondezas e foram for\u00e7adas a buscar moradias em locais distantes do centro, com as mesmas precariedades de antes e sem condi\u00e7\u00f5es dignas. S\u00e3o jogadas em \u00e1reas de vulnerabilidade. Segundo levantamento do InfoAmaz\u00f4nia, estima-se que 500 fam\u00edlias foram desalojadas com indeniza\u00e7\u00f5es entre R$&nbsp;5&nbsp;mil e R$&nbsp;40&nbsp;mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos bairros ricos obras grandiosas, j\u00e1 executadas e inauguradas. Afinal, essa ser\u00e1 a \u00e1rea de Bel\u00e9m que ser\u00e1 exibida e mostrada ao mundo. Nessa Bel\u00e9m dos ricos, tudo funciona bem e est\u00e1 a mil maravilhas. J\u00e1 a Bel\u00e9m dos pobres, segue como antes da COP 30: com prec\u00e1ria infraestrutura, com esgoto a c\u00e9u aberto, sem coleta de lixo e uma longa lista de problemas.&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A COP 30 escancara que no capitalismo existe duas cidades: a da burguesia e a dos trabalhadores. Como disse o ge\u00f3grafo Milton Santos, na cidade capitalista: \u201c<em>Cada homem vale pelo lugar onde est\u00e1. O seu valor como produtor, consumidor e cidad\u00e3o depende de sua localiza\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio [\u2026]. A possibilidade de ser mais ou menos cidad\u00e3o depende, em larga propor\u00e7\u00e3o, do ponto do territ\u00f3rio onde se est\u00e1<\/em>\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNossa Senhora de Nazar\u00e9, pedimos respeito aos povos de todas as Amaz\u00f4nias\u201d e \u201cVila da Barca tamb\u00e9m \u00e9 Amaz\u00f4nia\u201d diziam as faixas dos moradores da Vila da Barca durante o C\u00edrio Fluvial, romaria que integra as festividades do C\u00edrio de Nossa Senhora de Nazar\u00e9, em Bel\u00e9m, no dia 11 de outubro. 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