{"id":81745,"date":"2025-10-28T15:06:06","date_gmt":"2025-10-28T15:06:06","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81745"},"modified":"2025-10-28T15:06:07","modified_gmt":"2025-10-28T15:06:07","slug":"cop30-o-capitalismo-verde-nao-salvara-o-planeta-nem-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/10\/28\/cop30-o-capitalismo-verde-nao-salvara-o-planeta-nem-as-mulheres\/","title":{"rendered":"COP30: o capitalismo verde n\u00e3o salvar\u00e1 o planeta \u2014 nem as mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: \u00c9rika Andreassy<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pr\u00f3ximos dias, entre 10 e 21 de novembro, a COP30 chegar\u00e1 ao cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia cercada de discursos sobre \u201csustentabilidade\u201d, \u201cinclus\u00e3o social\u201d e \u201ctransi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa\u201d. Bel\u00e9m ser\u00e1 apresentada ao mundo como s\u00edmbolo da salva\u00e7\u00e3o ambiental e da lideran\u00e7a do governo Lula em um suposto \u201cnovo modelo de desenvolvimento verde\u201d. Mas, por tr\u00e1s das promessas de conciliar lucro e preserva\u00e7\u00e3o, o que se prepara \u00e9 mais uma farsa global para garantir os interesses das multinacionais, dos bancos e das pot\u00eancias imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o pretexto de combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a COP30 reunir\u00e1 chefes de Estado, grandes empres\u00e1rios e ONGs financiadas pelo capital internacional para renovar o pacto que mant\u00e9m o planeta e a humanidade ref\u00e9ns da l\u00f3gica do lucro. E, como sempre, as mulheres trabalhadoras e pobres \u2014 especialmente as mulheres negras, ind\u00edgenas e camponesas \u2014 continuar\u00e3o pagando o pre\u00e7o mais alto da destrui\u00e7\u00e3o ambiental capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>O capitalismo \u00e9 a raiz da cat\u00e1strofe clim\u00e1tica<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A crise clim\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade. \u00c9 a consequ\u00eancia direta de um sistema econ\u00f4mico que transforma tudo em mercadoria \u2014 inclusive a natureza e a vida humana. A l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista baseia-se na explora\u00e7\u00e3o ilimitada do trabalho e dos recursos naturais, ignorando os limites f\u00edsicos do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, a contamina\u00e7\u00e3o dos rios, as enchentes e as secas s\u00e3o meros \u201cerros de gest\u00e3o ambiental\u201d, mas express\u00f5es do avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio e da condi\u00e7\u00e3o dependente e semicolonial do pa\u00eds, subordinado \u00e0s pot\u00eancias imperialistas que ditam as regras da economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres s\u00e3o as primeiras a sentir os efeitos dessa crise. Quando falta \u00e1gua ou comida, somos n\u00f3s que recorremos a jornadas extenuantes para garantir a sobreviv\u00eancia de nossos filhos e fam\u00edlias. Quando a terra \u00e9 envenenada pelos agrot\u00f3xicos ou devastada pela minera\u00e7\u00e3o, somos n\u00f3s as primeiras a sofrermos com as doen\u00e7as, o desemprego e a viol\u00eancia social que se intensifica com o colapso ambiental. O capitalismo combina, assim, a destrui\u00e7\u00e3o da natureza com a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho e a opress\u00e3o das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O feminismo liberal da COP: maquiagem verde para um sistema podre<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a ONU e os governos tentam dar um verniz progressista \u00e0s confer\u00eancias clim\u00e1ticas. Fala-se em \u201cinclus\u00e3o de g\u00eanero\u201d, em \u201clideran\u00e7a feminina\u201d e em \u201cempoderamento econ\u00f4mico das mulheres na transi\u00e7\u00e3o verde\u201d. Mas essa pol\u00edtica \u00e9 apenas uma cortina de fuma\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o, as vozes que se dizem feministas s\u00e3o, na verdade, representantes do capital: executivas de grandes corpora\u00e7\u00f5es, ministras de governos conciliadores e dirigentes de ONGs financiadas por empresas poluidoras. Falam em igualdade enquanto mant\u00eam o mesmo modelo de produ\u00e7\u00e3o que destr\u00f3i o planeta e explora milh\u00f5es de mulheres em trabalhos prec\u00e1rios e mal pagos.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201cinclus\u00e3o\u201d da mulher dentro da estrutura do capitalismo n\u00e3o emancipa ningu\u00e9m \u2014 apenas legitima a domina\u00e7\u00e3o existente. O verdadeiro feminismo \u00e9 o das trabalhadoras e oprimidas que lutam contra o sistema que as oprime, e n\u00e3o o das que buscam administrar essa mesma opress\u00e3o de maneira mais \u201cdiversa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"803\" height=\"668\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Mulheres.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-81747\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Mulheres.png 803w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Mulheres-300x250.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Mulheres-768x639.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 803px) 100vw, 803px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Amaz\u00f4nia no centro do saque imperialista<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da COP30 em Bel\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um gesto de reconhecimento do papel da Amaz\u00f4nia \u2014 \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Os pa\u00edses imperialistas, em especial o imperialismo europeu, tentam se apresentar como defensores da floresta, mas, na pr\u00e1tica, buscam controlar seus recursos e transform\u00e1-los em ativos financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de \u201cpreserva\u00e7\u00e3o\u201d serve para impor novas formas de depend\u00eancia, atrav\u00e9s dos mercados de cr\u00e9dito de carbono e dos fundos \u201cverdes\u201d que amarram os pa\u00edses perif\u00e9ricos a mecanismos financeiros internacionais. O Brasil \u00e9 pressionado a \u201cproteger\u201d a Amaz\u00f4nia, mas continua sendo um dos maiores exportadores de soja, carne e min\u00e9rios \u2014 produtos que devastam o bioma e alimentam os lucros das transnacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo Lula-Alckmin tenta se equilibrar entre esses interesses. Fala em \u201ctransi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa\u201d, mas mant\u00e9m alian\u00e7as com o agroneg\u00f3cio, a Vale, a Petrobr\u00e1s e as pot\u00eancias imperialistas. Inclusive com a libera\u00e7\u00e3o para que a Petrobr\u00e1s explore a Margem Equatorial em busca de petr\u00f3leo, abrindo caminho para outras petroleiras privadas multinacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, prepara o pa\u00eds para ser vitrine verde do capital internacional, enquanto entrega nossas riquezas e sacrifica o povo trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mulheres na linha de frente da resist\u00eancia<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Apesar de toda essa ofensiva, as mulheres est\u00e3o entre as principais protagonistas das lutas contra a destrui\u00e7\u00e3o ambiental e social. S\u00e3o camponesas, ind\u00edgenas, quilombolas e trabalhadoras urbanas que enfrentam as empresas, os governos e as for\u00e7as repressivas dos Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Amaz\u00f4nia, mulheres das \u00e1guas, da floresta e do campo lideram resist\u00eancias contra o agro, o garimpo, as hidrel\u00e9tricas e a minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria. Nas cidades, professoras, servidoras e oper\u00e1rias se levantam contra os cortes, as privatiza\u00e7\u00f5es e a carestia. Nas ocupa\u00e7\u00f5es urbanas e nas periferias enfrentam a repress\u00e3o policial. Todas se unem na luta contra o machismo, a viol\u00eancia e a desigualdade de g\u00eanero. Essas lutas expressam um potencial revolucion\u00e1rio que vai muito al\u00e9m da defesa do meio ambiente: s\u00e3o batalhas pela vida, pela soberania e pela liberta\u00e7\u00e3o da mulher e da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por uma sa\u00edda socialista e internacionalista<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Nenhum acordo entre governos e empresas salvar\u00e1 o planeta. O capitalismo verde \u00e9 uma mentira que busca prolongar a agonia de um sistema moribundo. N\u00e3o h\u00e1 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica sem revolu\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica sa\u00edda real passa por romper com a l\u00f3gica do lucro, expropriar as grandes empresas poluidoras, planificar democraticamente a economia e reorganizar a produ\u00e7\u00e3o de acordo com as necessidades humanas e os limites naturais. Isso exige uma luta internacionalista, dirigida pela classe trabalhadora e pela revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres t\u00eam um papel decisivo nessa batalha. N\u00e3o precisamos de cotas nos conselhos empresariais da transi\u00e7\u00e3o verde. Precisamos derrubar o sistema que destr\u00f3i nossas vidas e o planeta.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A COP30 ser\u00e1 um grande espet\u00e1culo de marketing, mas a verdadeira luta pelo futuro da humanidade n\u00e3o se dar\u00e1 em Bel\u00e9m \u2014 estar\u00e1 nas ruas, nas greves e nas mobiliza\u00e7\u00f5es das trabalhadoras e trabalhadores do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O capitalismo verde n\u00e3o salvar\u00e1 o planeta \u2014 nem as mulheres. S\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o socialista pode faz\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: \u00c9rika Andreassy Nos pr\u00f3ximos dias, entre 10 e 21 de novembro, a COP30 chegar\u00e1 ao cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia cercada de discursos sobre \u201csustentabilidade\u201d, \u201cinclus\u00e3o social\u201d e \u201ctransi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa\u201d. 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