{"id":81637,"date":"2025-10-15T01:59:54","date_gmt":"2025-10-15T01:59:54","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81637"},"modified":"2025-10-15T18:05:18","modified_gmt":"2025-10-15T18:05:18","slug":"equador-e-onde-estao-os-terroristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/10\/15\/equador-e-onde-estao-os-terroristas\/","title":{"rendered":"Equador | E onde est\u00e3o os terroristas?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Revista Crisis<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Publicamos abaixo artigo da Revista Crisis, do Equador, que em conjunto com outras meios comunit\u00e1rios est\u00e1 publicando informa\u00e7\u00f5es sobre a paralisa\u00e7\u00e3o nacional no pa\u00eds. A recente paralisa\u00e7\u00e3o no Equador tem sido acompanhada de perto por meios comunit\u00e1rios e populares de comunica\u00e7\u00e3o, que cumprem um papel fundamental ao transmitir informa\u00e7\u00f5es diretas das ruas, das comunidades e das organiza\u00e7\u00f5es mobilizadas permitindo compreender a dimens\u00e3o real das reivindica\u00e7\u00f5es e da repress\u00e3o enfrentada. Publicar e difundir suas not\u00edcias em outros espa\u00e7os, como este, \u00e9 uma forma de fortalecer a circula\u00e7\u00e3o de vozes que expressam o protagonismo dos povos em luta e de ampliar a solidariedade latino-americana.<\/mark><\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos no 23\u00ba dia da Paralisa\u00e7\u00e3o Popular. Semanas de ocupa\u00e7\u00e3o das ruas, nas quais Imbabura tem sido a alma da trincheira popular e ofereceu o sangue de um irm\u00e3o: Efra\u00edn Fuerez est\u00e1 presente. Semanas de focos de calor se acendendo aqui e ali, demonstrando que o descontentamento popular se espalha al\u00e9m do controle de qualquer totalitarismo e propaganda estatal. Esta paralisa\u00e7\u00e3o, agora em sua quarta semana, revelou v\u00e1rias coisas: 1. H\u00e1 apenas uma guerra travada pelo governo Daniel Noboa, e \u00e9 contra o povo e os setores populares do pa\u00eds. Alguns s\u00e3o atacados com persegui\u00e7\u00e3o e balas, outros com fome e mis\u00e9ria, ou ambos; 2. Existem os meios e or\u00e7amento para mobilizar as for\u00e7as p\u00fablicas para controlar territ\u00f3rios, mas n\u00e3o h\u00e1 vontade pol\u00edtica para controlar as economias il\u00edcitas: a inseguran\u00e7a e a viol\u00eancia em que vivemos; e 3. A dignidade do povo \u00e9 infinita e, apesar da nossa abismal desvantagem na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as contra o Estado e a classe empresarial, temos a vontade de ir \u00e0s ruas por nossa terra e nossas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas semanas, a persegui\u00e7\u00e3o e a repress\u00e3o t\u00eam sido o nosso p\u00e3o de cada dia. N\u00e3o declaramos Daniel Noboa e seu governo fascistas por divers\u00e3o; fazemos isso porque ele promove abertamente o discurso de \u00f3dio e o exterm\u00ednio, e usa o poder do Estado para ciment\u00e1-lo na opini\u00e3o p\u00fablica e nas institui\u00e7\u00f5es. Em uma resposta invenc\u00edvel, os povos criminalizados, assediados pela radicaliza\u00e7\u00e3o do racismo social e institucional, sustentam sua resist\u00eancia, que n\u00e3o \u00e9 apenas um exerc\u00edcio hist\u00f3rico de mais de 533 anos, mas tamb\u00e9m um direito constitucional consagrado no Artigo 98.<\/p>\n\n\n\n<p>No 22\u00ba dia da paralisa\u00e7\u00e3o popular, o Governo Nacional mobilizou novamente um contingente repressivo que voltou a chamar de &#8220;comboio humanit\u00e1rio&#8221;. At\u00e9 o fechamento deste editorial, as comunidades de La Esperanza e Zuleta estavam militarizadas. As for\u00e7as armadas espancaram moradores, incluindo um menor, lan\u00e7aram g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e granadas de efeito moral \u00e0 queima-roupa e dispararam tiros de fuzil. At\u00e9 as 23h31, 22 pessoas ficaram feridas, uma delas, a Sra. Janeth Farinango Quilca, da comunidade de Cashaloma, que se encontra em estado cr\u00edtico ap\u00f3s ser atingida por uma bomba na cabe\u00e7a. Tr\u00eas pris\u00f5es tamb\u00e9m foram registradas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ministro do Interior, John Reimberg, em entrevista na manh\u00e3 de 13 de outubro, explicou o prop\u00f3sito do comboio humanit\u00e1rio: &#8220;\u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o que durar\u00e1 alguns dias, porque todos sabemos a magnitude do que est\u00e1 acontecendo l\u00e1, e vamos usar a for\u00e7a p\u00fablica para abrir completamente as estradas, porque isso vai acabar agora.&#8221; O segundo &#8220;comboio humanit\u00e1rio&#8221; resultou no assassinato de Efra\u00edn Fuerez em Cotacahi, em 28 de setembro. No comboio seguinte, foi relatado que 100 ve\u00edculos militares protegiam a passagem de mercadorias, ou seja, atuavam como seguran\u00e7a privada para redes como La Favorita, Tuti, Supermaxi, Coca-Cola, entre outras. Talvez o \u00fanico aspecto positivo de toda essa rede de terrorismo de Estado seja que agora \u00e9 evidente como a classe empresarial manipula o Estado para promover seus pr\u00f3prios interesses e os de seus aliados econ\u00f4micos e pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo liderado por Daniel Noboa ataca descaradamente a popula\u00e7\u00e3o com uma for\u00e7a e brutalidade repressiva nunca vistas antes. Noboa est\u00e1 entrando diretamente nas comunidades para disparar bombas e muni\u00e7\u00f5es; tem processos abertos contra dirigentes, ativistas e comunicadores, cujas contas banc\u00e1rias tamb\u00e9m foram congeladas; processou 12 detidos por terrorismo no primeiro dia em Otavalo; assassinou Efra\u00edn Fuerez em 28 de setembro; reprimiu brutalmente e infiltrou soldados em San Miguel del Com\u00fan; facilitou espancamentos em Ca\u00f1ar, mutila\u00e7\u00f5es capilares de jovens Kichwa em Imbabura; reprimiu jornalistas, incluindo deporta\u00e7\u00f5es, e muito mais que testemunhamos nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a marcha de 12 de outubro por dignidade e resist\u00eancia, a classe exploradora encenou uma complexa estrutura estrat\u00e9gica, que come\u00e7ou com a suposta declara\u00e7\u00e3o de &#8220;tomada de Quito&#8221;. Desde o in\u00edcio, o objetivo principal era reprimir o territ\u00f3rio e sitiar Quito, que foi o territ\u00f3rio de disputa durante o levante de outubro de 2019 e a Paralisa\u00e7\u00e3o Popular Plurinacional de junho de 2022. Noboa n\u00e3o pode permitir um levante na capital. A estrat\u00e9gia tem sido gerar uma nega\u00e7\u00e3o da identidade ind\u00edgena entre os moradores da capital, com declara\u00e7\u00f5es como &#8220;A CONAIE quer tomar Quito&#8221;, \u00e0s quais as comunidades responderam que Kitu \u00e9 um territ\u00f3rio ancestral do povo Kitu Kara, que ningu\u00e9m est\u00e1 vindo para Quito, que Quito pertence a esse povo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um profundo complexo identit\u00e1rio no Equador, que responde \u00e0 &#8220;colonialidade do ser&#8221;, habitando um territ\u00f3rio conquistado onde o genoc\u00eddio foi imposto. A branquitude responde a uma ferida colonial \u2014 Fannon \u2014 que nega suas pr\u00f3prias ra\u00edzes, a ponto de sacrific\u00e1-las para que o mercado triunfe sobre a vida, a branquitude sobre as cores da nossa classe. Este pacto colonial permite que figuras como Reimberg exer\u00e7am uma for\u00e7a desproporcional na repress\u00e3o de protestos sob slogans como &#8220;Quito pela paz&#8221;. A viol\u00eancia desencadeada pelo NarcoEstado em 12 de outubro em Quito, bem como ao longo da Paralisa\u00e7\u00e3o Popular \u2013 agora em seu vig\u00e9simo terceiro dia \u2013 reflete a imposi\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o colonial em tempos de profundo neoliberalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Demonstra que tanto a declara\u00e7\u00e3o de Conflito Armado Interno em 9 de janeiro de 2024 quanto o aumento do IVA de 12% para 15% nunca estipularam qualquer confronto com o crime organizado, desculpa para impor condi\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimo ao FMI: o NarcoEstado estava apenas se preparando para um momento de &#8220;grave convuls\u00e3o interna&#8221;, como chama o estado de exce\u00e7\u00e3o \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Al\u00e9m disso, o padr\u00e3o de criminaliza\u00e7\u00e3o e aterroriza\u00e7\u00e3o (acusando qualquer express\u00e3o de protesto, resist\u00eancia ou organiza\u00e7\u00e3o popular de terrorismo) vem sendo constru\u00eddo h\u00e1 anos com anteced\u00eancia pela grande m\u00eddia e pelo Estado, que se dedicam a reproduzir discursos racistas e de \u00f3dio contra a classe trabalhadora e os Povos e Nacionalidades: &#8220;Eles n\u00e3o representam ningu\u00e9m&#8221;, disse Jaramillo, no mesmo dia 13 de outubro em que Carlos Vera Jr. declarou que &#8220;a CONAIE agora \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o subversiva&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ind\u00edgenas folclorizados versus sujeitos pol\u00edticos: quando os Povos e Nacionalidades servem como objetos de exotiza\u00e7\u00e3o \u2014 seja cultural, espiritual ou sexual \u2014, \u00e9 o &#8220;\u00edndio bom&#8221;. Quando, por outro lado, os mesmos sujeitos objetificados e folclorizados se expressam como sujeitos pol\u00edticos, reivindicando e lutando por direitos coletivos, tornam-se pregui\u00e7osos, violentos e TERRORISTAS. Essa \u00e9 uma l\u00f3gica neocolonial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, al\u00e9m da repress\u00e3o interna e da militariza\u00e7\u00e3o, o &#8220;Novo&#8221; Equador n\u00e3o passa de um conto de fadas gringo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos deixemos confundir: os povos ind\u00edgenas n\u00e3o precisam &#8220;tomar Quito&#8221;, porque Kitu \u00e9 seu lugar de origem, seu lugar de pertencimento e a terra do sol reto. E para as pessoas &#8220;de bem&#8221;, aquelas que vivem em territ\u00f3rio usurpado, como os sionistas na Palestina: n\u00e3o entenderiam.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que a luta \u00e9 longa, mas tamb\u00e9m sabemos que o povo \u00e9 infinito.<\/p>\n\n\n\n<p>Liberdade imediata para os 12 companheiros de Otavalo!<\/p>\n\n\n\n<p>Kaypimi kanchik!<\/p>\n\n\n\n<p>Viva sempre os povos que lutam!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Revista Crisis Publicamos abaixo artigo da Revista Crisis, do Equador, que em conjunto com outras meios comunit\u00e1rios est\u00e1 publicando informa\u00e7\u00f5es sobre a paralisa\u00e7\u00e3o nacional no pa\u00eds. A recente paralisa\u00e7\u00e3o no Equador tem sido acompanhada de perto por meios comunit\u00e1rios e populares de comunica\u00e7\u00e3o, que cumprem um papel fundamental ao transmitir informa\u00e7\u00f5es diretas das ruas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":81638,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Revista Crisis","footnotes":""},"categories":[3643,5620],"tags":[9267,8795],"class_list":["post-81637","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-equador","category-america-latina","tag-paro-equador-2025","tag-revista-crisis"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/port_2.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Equador"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Revista Crisis","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81637"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81637\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81639,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81637\/revisions\/81639"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81638"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}