{"id":81584,"date":"2025-10-07T13:31:18","date_gmt":"2025-10-07T13:31:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81584"},"modified":"2025-10-10T22:42:17","modified_gmt":"2025-10-10T22:42:17","slug":"o-plano-colonial-de-trump-contra-o-grandioso-apoio-internacional-aos-palestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/10\/07\/o-plano-colonial-de-trump-contra-o-grandioso-apoio-internacional-aos-palestinos\/","title":{"rendered":"O plano colonial de Trump contra o grandioso apoio internacional aos palestinos"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI)<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica global est\u00e1 cada vez mais polarizada e inst\u00e1vel. Os ataques brutais contra os trabalhadores est\u00e3o causando um decl\u00ednio nos padr\u00f5es de vida tanto em pa\u00edses imperialistas quanto semicoloniais. Mas, por outro lado, est\u00e3o gerando processos convulsivos de luta de classes, com mobiliza\u00e7\u00f5es explosivas em v\u00e1rias partes do mundo, como Nepal, Angola, Madagascar e Marrocos \u2013 onde a juventude empobrecida desempenhou um papel especial \u2013 bem como em pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o palestina \u00e9 o epicentro da luta de classes global, prestes a completar dois anos desde o ataque de 7 de outubro pela heroica Resist\u00eancia palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso galvaniza a vanguarda em todo o mundo, servindo como um \u00edcone das lutas contra a opress\u00e3o entrela\u00e7adas a todas as outras lutas. O genoc\u00eddio israelense, transmitido online nas redes sociais (diferente do genoc\u00eddio nazi-fascista da Segunda Guerra Mundial, que s\u00f3 se tornou conhecido anos depois), impacta o mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca o apoio \u00e0 luta palestina foi t\u00e3o generalizado como agora, apesar da cumplicidade da maioria absoluta dos governos e da m\u00eddia burguesa com o sionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o da Flotilha Sumud teve o efeito de concentrar a aten\u00e7\u00e3o global na Palestina. Sua pris\u00e3o provocou uma rea\u00e7\u00e3o massiva espetacular em n\u00edvel internacional. Houve duas greves gerais na It\u00e1lia em apoio aos palestinos \u2014 as primeiras do g\u00eanero \u2014 e mobiliza\u00e7\u00f5es massivas em v\u00e1rios pa\u00edses europeus (Espanha, Fran\u00e7a, Alemanha) e manifesta\u00e7\u00f5es de vanguarda em grande parte do mundo. Na It\u00e1lia, em 4 de outubro, houve um milh\u00e3o de manifestantes em Roma.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos seguir o exemplo da It\u00e1lia! Na Espanha, para 15 de outubro, os sindicatos majorit\u00e1rios convocam uma greve de duas horas. E v\u00e1rias centrais sindicais uniram for\u00e7as, convocando greves parciais ou mesmo uma greve de 24 horas para organizar um grande dia nacional de solidariedade \u00e0 Palestina, que force o governo espanhol a romper completa e efetivamente as rela\u00e7\u00f5es com o estado sionista e impor um embargo abrangente de armas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim que a polariza\u00e7\u00e3o global se expressa, de forma complexa e multifacetada. Em Gaza, uma situa\u00e7\u00e3o em que, apesar da desigualdade, a Resist\u00eancia continua lutando contra a brutal ofensiva militar israelense, resultando em mais de 60.000 mortes e o uso da fome como arma de guerra. Internacionalmente, o crescente isolamento do sionismo e a combina\u00e7\u00e3o do apoio \u00e0 Palestina com explos\u00f5es de descontentamento com os ataques neoliberais s\u00e3o express\u00e3o do processo de revolu\u00e7\u00e3o permanente em n\u00edvel internacional, com caracter\u00edsticas que lembram a luta contra a Guerra do Vietn\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Plano Trump<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O &#8220;Plano de Paz&#8221; de Trump visa responder a essa situa\u00e7\u00e3o. O n\u00edvel de desgaste e descr\u00e9dito de Israel e do sionismo j\u00e1 estava for\u00e7ando uma parcela significativa dos governos imperialistas europeus a &#8220;reconhecer um Estado palestino&#8221;. Isso n\u00e3o tem valor pr\u00e1tico, visto que esses mesmos governos continuaram a manter rela\u00e7\u00f5es comerciais e a enviar armas para Israel, al\u00e9m de reprimir manifestantes pr\u00f3-Palestina em seus pa\u00edses. Mas sinalizou uma adapta\u00e7\u00e3o ao isolamento do sionismo entre as massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump ent\u00e3o mudou de ideia e abandonou temporariamente o plano ilus\u00f3rio de criar uma &#8220;Riviera do Oriente M\u00e9dio&#8221; em Gaza e apresentou uma proposta na qual, em troca do fim dos ataques de Israel e da retirada do plano de expuls\u00e3o dos palestinos de Gaza, exigia a entrega imediata de todos os prisioneiros israelenses para troca e o desarmamento do Hamas e de toda a resist\u00eancia palestina. Essa proposta foi negociada apenas com Netanyahu e sem o Hamas, que ent\u00e3o recebeu um novo ultimato do governo americano. Al\u00e9m disso, o &#8220;acordo de paz&#8221; prop\u00f5e a aceita\u00e7\u00e3o de uma ocupa\u00e7\u00e3o militar de Gaza (com a retirada parcial das for\u00e7as israelenses at\u00e9 a chegada de uma for\u00e7a internacional controlada pelos EUA) e de um governo fantoche imperialista em Gaza. O acordo, obviamente, n\u00e3o garante nenhum tipo de paz e implica a elimina\u00e7\u00e3o de qualquer tipo de autodetermina\u00e7\u00e3o para o povo palestino em Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de responder a essa situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de isolamento global do sionismo e \u00e0 natureza cada vez mais custosa de manter essa guerra para o imperialismo, Trump tamb\u00e9m expressa sua ambi\u00e7\u00e3o autodeclarada de ser candidato ao Pr\u00eamio Nobel da Paz. Isso seria uma vergonha ainda maior, ainda pior do que o Pr\u00eamio Nobel da Paz de 1994 concedido a Rabin (primeiro-ministro israelense) e Arafat pelos Acordos de Oslo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um plano colonial para entregar Gaza ao imperialismo e a Israel, e uma tentativa de derrotar a luta palestina. Al\u00e9m disso, ao exigir a entrega de todos os ref\u00e9ns (vivos e mortos) a Israel, com o ex\u00e9rcito sionista ainda ocupando Gaza, permite que Netanyahu retome seus ataques anteriores a qualquer momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump e Netanyahu querem alcan\u00e7ar por meios diplom\u00e1ticos o que at\u00e9 agora n\u00e3o conseguiram por meios militares: o retorno dos ref\u00e9ns presos e a retirada de todas as for\u00e7as da Resist\u00eancia de Gaza para legalizar uma nova ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio palestino. Em suas declara\u00e7\u00f5es, Netanyahu se gaba de uma &#8220;vit\u00f3ria total&#8221; com o acordo e rejeita categoricamente a ideia de um &#8220;Estado palestino&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o internacional deste plano apenas revela, mais uma vez, a cumplicidade dos governos imperialistas e burgueses em geral com o sionismo e o genoc\u00eddio em Gaza. Eles querem os palestinos desarmados e submetidos ao imperialismo e a Israel. Al\u00e9m disso, os imperialistas esperam que, com o desarmamento da Resist\u00eancia, as mobiliza\u00e7\u00f5es em solidariedade \u00e0 Palestina, que amea\u00e7am a estabilidade de seus governos em v\u00e1rios pa\u00edses, tamb\u00e9m cessem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A resposta do Hamas \u00e0 proposta de Trump deixou evidente a press\u00e3o que exerce sobre essa dire\u00e7\u00e3o a influ\u00eancia de &#8220;aliados&#8221; burgueses na regi\u00e3o e internacionalmente. Elogiou o plano de Trump e se disp\u00f4s a entregar os ref\u00e9ns e negociar os &#8220;detalhes&#8221; do plano.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa nova proposta, a resposta do Hamas \u00e9, de fato, aberta. Ao expressar sua disposi\u00e7\u00e3o de negociar a entrega dos ref\u00e9ns, mas sem ainda especificar um prazo, \u00e9 poss\u00edvel que haja resist\u00eancia \u00e0 entrega completa antes que Israel se retire de Gaza. Ao se recusar a aceitar o governo fantoche do imperialismo, questiona a abrang\u00eancia do plano.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o questionamos as dificuldades brutais e concretas da resist\u00eancia em Gaza, isolada em termos de armas e alimentos, com fronteiras fechadas, em uma luta que j\u00e1 dura dois anos. Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o brutal de isolamento militar e alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em nossa opini\u00e3o, a \u00fanica alternativa para a vit\u00f3ria da resist\u00eancia palestina \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia militar em Gaza, combinada com o apoio grandioso das massas em todo o mundo. Sabemos (assim como os palestinos) que nenhuma coexist\u00eancia pac\u00edfica com o Estado colonial e assassino de Israel \u00e9 poss\u00edvel na regi\u00e3o, e que qualquer &#8220;plano de paz&#8221; que envolva a legitima\u00e7\u00e3o da entidade sionista ser\u00e1 apenas uma pausa na justa e leg\u00edtima guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ao povo palestino, antes de tudo, decidir sobre qualquer acordo de paz e negociar seus termos, em sua longa jornada rumo \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o total da Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Gaza est\u00e1 isolada militarmente hoje, o oposto \u00e9 verdadeiro politicamente. Israel est\u00e1 cada vez mais isolado em todo o mundo, e as a\u00e7\u00f5es de boicote contra o pa\u00eds est\u00e3o aumentando e ganhando popularidade entre os trabalhadores. \u00c9 por isso que todos devemos agora redobrar e expandir nossas a\u00e7\u00f5es de solidariedade com o povo palestino, para fornecer-lhe o apoio material, pol\u00edtico e moral necess\u00e1rio para resistir \u00e0 chantagem imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros sinais da crise do plano sionista come\u00e7am a aparecer. Grandes mobiliza\u00e7\u00f5es come\u00e7am a ocorrer no Marrocos, o que pode apontar para novas crises pol\u00edticas e a possibilidade de algo semelhante a uma nova Primavera \u00c1rabe na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3ximos dias ter\u00e3o consequ\u00eancias significativas para a situa\u00e7\u00e3o palestina e para a luta de classes em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para derrotar o plano colonial de Trump, precisamos continuar e expandir as mobiliza\u00e7\u00f5es em apoio ao povo palestino em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Palestina livre do rio ao mar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional (LIT-QI) A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica global est\u00e1 cada vez mais polarizada e inst\u00e1vel. Os ataques brutais contra os trabalhadores est\u00e3o causando um decl\u00ednio nos padr\u00f5es de vida tanto em pa\u00edses imperialistas quanto semicoloniais. 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