{"id":81569,"date":"2025-10-01T14:54:46","date_gmt":"2025-10-01T14:54:46","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81569"},"modified":"2025-10-07T15:39:10","modified_gmt":"2025-10-07T15:39:10","slug":"o-que-os-stalinistas-nao-entendem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/10\/01\/o-que-os-stalinistas-nao-entendem\/","title":{"rendered":"O que os stalinistas n\u00e3o entendem"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Adhiraj \u2013 New Wave<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s a derrubada do regime de Sheik Hasina, um curioso movimento de propaganda come\u00e7ou a emergir, especialmente entre os c\u00edrculos nacionalistas de direita na \u00cdndia. Seguindo o exemplo dos stalinistas, eles come\u00e7aram a culpar os Estados Unidos e a CIA pela revolu\u00e7\u00e3o liderada pelos jovens. Nsse c\u00edrculo de conspira\u00e7\u00e3o est\u00e3o a China e o Paquist\u00e3o, com sua ag\u00eancia de intelig\u00eancia ISI, que uniram for\u00e7as para derrubar o governo favorito da \u00cdndia, liderado pela Liga Awami e Sheik Hasina.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa perspectiva, os complexos processos sociais e o descontentamento em massa que levaram a uma derrubada pol\u00edtica podem ser reduzidos \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o de uma camarilha de espi\u00f5es que financiou os &#8220;agitadores&#8221;. Os nacionalistas de direita da \u00cdndia repetiram uma linha de propaganda familiar que vimos se repetir na S\u00edria, L\u00edbia, Ucr\u00e2nia e em todas as revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas que podem eclodir contra regimes tipicamente autocr\u00e1ticos, percebidos como opostos aos interesses imperiais dos Estados Unidos e da Europa. \u00c9 importante dizer &#8220;percebido&#8221;, porque se analisarmos as pol\u00edticas de Kadafi, dos Assads e do regime pr\u00f3-R\u00fassia derrubado pelos protestos de Maidan, nenhum deles ofereceu uma resist\u00eancia realista ao imperialismo ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, cada um desses regimes se posicionou contra o Ocidente, e uma parte significativa da propaganda, era e \u00e9, para ditadores amea\u00e7ados por mobiliza\u00e7\u00f5es populares de massa se apresentarem como v\u00edtimas ao exercerem enorme poder repressivo contra seu pr\u00f3prio povo. Isso \u00e9 feito invocando no\u00e7\u00f5es de grandes conspira\u00e7\u00f5es e intrigas tramadas por ag\u00eancias de intelig\u00eancia ocidentais clandestinas ou opera\u00e7\u00f5es secretas. Essa propaganda \u00e9 amplificada pelos stalinistas, para quem proteger regimes bonapartistas reacion\u00e1rios \u00e9 mais importante do que analisar processos sociais complexos e se posicionar para lutar pela dire\u00e7\u00e3o de qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o de massa. Agora, Sheik Hasina segue o caminho trilhado por Assad e Kadafi, com um ex\u00e9rcito de nacionalistas conspiradores da \u00cdndia apoiando sua afirma\u00e7\u00e3o absurda.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente, os casos em que o imperialismo ocidental desempenha um papel s\u00e3o ineg\u00e1veis. Quando o processo revolucion\u00e1rio se d\u00e1 sem um partido revolucion\u00e1rio na vanguarda, ou sem o papel direto da classe oper\u00e1ria, o processo revolucion\u00e1rio perde sua dire\u00e7\u00e3o, e \u00e9 a\u00ed que surgem oportunidades para a burguesia imperialista sequestrar o processo, subvert\u00ea-lo e corromp\u00ea-lo. Em \u00faltima an\u00e1lise, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica termina em fracasso, e o caos na L\u00edbia e o governo neoliberal de Zelensky s\u00e3o alguns dos resultados desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00f5es Democr\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em 1848, Marx havia conclu\u00eddo que a burguesia n\u00e3o poderia mais desempenhar um papel progressista na hist\u00f3ria. Suas conclus\u00f5es no Manifesto Comunista foram confirmadas e ampliadas em 1905 por Trotsky em sua obra sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905, na qual ele afirmou que o fardo da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica agora recai sobre os ombros do proletariado, que deve cumprir os objetivos da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica como parte da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Continuamos a viver na era do imperialismo, e n\u00e3o s\u00f3 a burguesia \u00e9 incapaz de desempenhar o seu papel hist\u00f3rico, como o avan\u00e7o do capital imperialista tornou isso quase imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a hist\u00f3ria n\u00e3o ocorre no v\u00e1cuo. Enquanto a burguesia \u00e9 incapaz de cumprir a tarefa das revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, o proletariado sofre de falta de consci\u00eancia de classe e, mais importante, carece da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria necess\u00e1ria para cumprir o seu papel hist\u00f3rico como coveiro do capitalismo. A cada ano que passa, as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo se aprofundam, as condi\u00e7\u00f5es objetivas amadurecem enquanto as condi\u00e7\u00f5es subjetivas estagnam. A dial\u00e9tica que emerge dessas for\u00e7as aparentemente contradit\u00f3rias \u00e9 que vemos situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias em erup\u00e7\u00e3o, muitas vezes sem a classe oper\u00e1ria desempenhando o papel principal e sem que exista um partido socialista revolucion\u00e1rio, muito menos uma posi\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade hist\u00f3rica que tem sido repetida in\u00fameras vezes, e que somos for\u00e7ados a aprender mais uma vez, \u00e9 que nenhuma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica pode ter sucesso sem fazer parte da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Sob o dom\u00ednio burgu\u00eas e pequeno-burgu\u00eas, o fracasso torna-se um resultado inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos umaexplos\u00e3o semelhante definhar no Sri Lanka, uma revolu\u00e7\u00e3o fracassar no Egito e o potencial revolucion\u00e1rio da Ucr\u00e2nia ser cada vez mais sequestrado pela agenda neoliberal de Zelensky.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o pretexto da autodefesa patri\u00f3tica, usando a mobiliza\u00e7\u00e3o de Maidan para se legitimar, o governo burgu\u00eas da Ucr\u00e2nia tem usado a guerra. para aprofundar a depend\u00eancia do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o ao capital imperialista, dando \u00e0 Blackrock acesso aos recursos da Ucr\u00e2nia, desmantelando as \u00faltimas leis trabalhistas progressistas da era sovi\u00e9tica e enriquecendo a oligarquia, enquanto fracassa repetidamente na linha de frente contra o ex\u00e9rcito russo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os stalinistas, o termo &#8220;revolu\u00e7\u00e3o colorida&#8221; descreve melhor os eventos de Maidan, os protestos que levaram \u00e0 guerra civil na S\u00edria e o caos que se seguiu na L\u00edbia. Todas essas foram conspira\u00e7\u00f5es &#8220;orquestradas pelo Ocidente&#8221;, nas quais ag\u00eancias trabalharam para fomentar um pequeno &#8220;descontentamento&#8221; que geralmente \u00e9 minimizado ou completamente descartado. Eles ignoram o simples fato de que todas eram ditaduras capitalistas brutais, colaborando com o imperialismo e usando o enorme poder do Estado para reprimir seu pr\u00f3prio povo.<\/p>\n\n\n\n<p>O descontentamento era natural; os protestos n\u00e3o foram encenados, mas sofriam da mesma debilidade fundamental que atormentou o processo revolucion\u00e1rio na L\u00edbia e no Egito. A classe trabalhadora estava ausente do papel de dire\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o havia um partido revolucion\u00e1rio no comando. Hoje, a ditadura de Assad foi derrubada por uma coaliz\u00e3o liderada por uma entidade isl\u00e2mica, a HTS, apoiada pela Turquia. Seu l\u00edder, Al Sharar, conhecido como Jolani, j\u00e1 chegou a um acordo com a R\u00fassia e prometeu um sistema de livre mercado para a S\u00edria, o que provavelmente abrir\u00e1 as portas para a continuidade do dom\u00ednio imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Na L\u00edbia, um governo burgu\u00eas de transi\u00e7\u00e3o baseado em Tr\u00edpoli est\u00e1 atolado em uma sangrenta guerra civil que assume a forma de uma guerra por procura\u00e7\u00e3o, com na\u00e7\u00f5es rivais apoiando uma fac\u00e7\u00e3o ou outra e destruindo todas as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o nacionalista progressista da d\u00e9cada de 1960. Esse \u00e9 um padr\u00e3o que se repetiu em muitos pa\u00edses, com processos revolucion\u00e1rios frustrados e descarrilhados, ou brutalmente esmagados sob o peso da contrarrevolu\u00e7\u00e3o triunfante. No cerne desse fracasso n\u00e3o est\u00e1 a conspira\u00e7\u00e3o dos imperialistas, mas o fracasso em construir um partido revolucion\u00e1rio vi\u00e1vel da classe oper\u00e1ria e a presen\u00e7a da classe oper\u00e1ria com seu programa socialista no centro da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Exce\u00e7\u00e3o Nepalesa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o poss\u00edvel a esse processo \u00e9 o Nepal, onde um partido autoproclamado comunista liderou a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que derrubou a monarquia autocr\u00e1tica do Nepal e a substituiu por uma rep\u00fablica democr\u00e1tica burguesa, mas sem alcan\u00e7ar muitos objetivos democr\u00e1ticos burgueses fundamentais, como a reforma agr\u00e1ria. \u00c9 talvez o \u00fanico exemplo de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que conseguiu resistir a qualquer potencial contrarrevolu\u00e7\u00e3o ou se encontrar em meio \u00e0 dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi esmagada, nem triunfou a contarrrevolu\u00e7\u00e3o. Em vez disso, a revolu\u00e7\u00e3o foi deliberadamente contida, em grande parte pela pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o mao\u00edsta. A &#8220;nova democracia&#8221; no Nepal \u00e9 simplesmente a velha democracia burguesa, reembalada com jarg\u00e3o revolucion\u00e1rio. O Nepal atual deu espa\u00e7o pol\u00edtico a fundamentalistas hindus reacion\u00e1rios de direita e monarquistas pr\u00f3-monarquistas, bem como \u00e0 velha burguesia liberal que colaborou livremente com a monarquia autocr\u00e1tica e a \u00cdndia. O capital estrangeiro, longe de ser nacionalizado, encontrou um ambiente cada vez mais favor\u00e1vel para operar, enquanto uma pequena parcela da burguesia nepalesa enriqueceu. A maioria da popula\u00e7\u00e3o do Nepal continua t\u00e3o pobre e explorada quanto antes da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do sucesso da revolu\u00e7\u00e3o no Nepal, tamb\u00e9m encontramos fracassos em muitos aspectos, devido \u00e0 incapacidade dos mao\u00edstas de consolidar sua posi\u00e7\u00e3o dentro da classe oper\u00e1ria ou de implementar um programa socialista. Os principais objetivos democr\u00e1ticos da reforma agr\u00e1ria, que garante a liberta\u00e7\u00e3o do imperialismo, permanecem t\u00e3o ilus\u00f3rios quanto em 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, os velhos e ultrapassados \u200b\u200bargumentos da revolu\u00e7\u00e3o colorida e das conspira\u00e7\u00f5es da CIA est\u00e3o mais uma vez sendo trazidos \u00e0 tona, \u00e0 medida que um governo aparentemente &#8220;pr\u00f3-China&#8221;, liderado por mao\u00edstas ostens\u00edveis, \u00e9 derrubado por um movimento liderado por jovens trabalhadores e estudantes. Os mao\u00edstas indianos se manifestaram a favor do movimento, mas alguns setores stalinistas se veem incapazes de superar os c\u00e1lculos da Guerra Fria. Para eles, a derrubada do governo mao\u00edsta traidor \u00e9 mais uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o colorida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Estrat\u00e9gia da Rea\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia possui muitas ferramentas em seu arsenal de t\u00e1ticas, que utiliza contra as massas na revolu\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o, todo processo revolucion\u00e1rio democr\u00e1tico tem a possibilidade inerente de evoluir para uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. As tarefas de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa s\u00e3o imposs\u00edveis de realizar sem uma revolu\u00e7\u00e3o socialista liderada pela classe oper\u00e1ria. Esta verdade, descoberta pela primeira vez por Trotsky em &#8220;Resultados e Perspectivas&#8221;, foi repetida in\u00fameras vezes nas revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX, muitas vezes de forma negativa. Isso permanece verdadeiro no s\u00e9culo XXI, \u00e0 medida que testemunhamos o fracasso de situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias na aus\u00eancia de um programa socialista, de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria socialista e, mais importante, da classe oper\u00e1ria em posi\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria dos casos, h\u00e1 sempre uma m\u00e3o imperialista envolvida para garantir o fracasso de um processo revolucion\u00e1rio. Durante o per\u00edodo da Guerra Fria, os Estados Unidos e o Reino Unido dominaram a estrat\u00e9gia de orquestrar golpes contra governos democr\u00e1ticos, utilizando seus servi\u00e7os de intelig\u00eancia e aliados nas for\u00e7as armadas, frequentemente entre as elites burguesas compradoras do pa\u00eds semicolonial visado. Os regimes golpistas no Brasil, Ir\u00e3, Chile, Argentina e Am\u00e9rica Central s\u00e3o exemplos do emprego dessa estrat\u00e9gia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos a utilizaram com maior liberdade em seu pr\u00f3prio hemisf\u00e9rio para garantir a explora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e Central sob sua esfera de influ\u00eancia. No entanto, essa estrat\u00e9gia chegou ao fim no final da d\u00e9cada de 1980 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. As ditaduras militares eram ineficazes e impopulares, tornando-as dif\u00edceis de manter e criando regimes incrivelmente vol\u00e1teis que n\u00e3o serviam aos interesses de longo prazo do imperialismo estadunidense. Em seu lugar, surgiu uma alternativa mais eficaz, demonstrada pelos sucessos na Europa Oriental e na \u00c1sia Central.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de apoiar ditaduras militares reacion\u00e1rias, o imperialismo estadunidense pode investir na subvers\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica ou na colabora\u00e7\u00e3o com l\u00edderes comprometidos. A estrat\u00e9gia da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 agora o pilar do capital imperialista, onde uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica pode ser subvertida por uma dire\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria ou compradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Lech Walesa na Pol\u00f4nia ou Al-Shararr, tamb\u00e9m conhecido como Jolani, na S\u00edria se encaixam nesses pap\u00e9is. Longe de transitar para o socialismo, sob uma dire\u00e7\u00e3o burguesa reacion\u00e1ria dessa natureza, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica provavelmente fracassar\u00e1, se n\u00e3o regredir \u00e0 rea\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, ao n\u00e3o confrontar diretamente as massas, as for\u00e7as imperialistas podem se reposicionar trabalhando com l\u00edderes comprometidos que preferem renunciar \u00e0 soberania de seu pa\u00eds a permitir que os trabalhadores cheguem ao poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, a mobiliza\u00e7\u00e3o continua. Os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o a \u00fanica pot\u00eancia a adotar essa estrat\u00e9gia: a \u00cdndia a empregou com traidores volunt\u00e1rios no Nepal para inviabilizar seu processo revolucion\u00e1rio, e o Paquist\u00e3o e a China a est\u00e3o aplicando ao atual processo revolucion\u00e1rio em Bangladesh.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica tem o poder adicional de confundir as massas. Os l\u00edderes mais complacentes e reacion\u00e1rios aparecem como revolucion\u00e1rios, e a m\u00e3o imperialista torna-se quase invis\u00edvel ou at\u00e9 mesmo benigna. A amea\u00e7a de explora\u00e7\u00e3o e subjuga\u00e7\u00e3o oculta por tr\u00e1s dessa m\u00e1scara benigna torna-se imposs\u00edvel de detectar at\u00e9 que seja tarde demais. Por outro lado, os stalinistas apontam a presen\u00e7a de qualquer apoio imperialista como raz\u00e3o suficiente para condenar todo o processo revolucion\u00e1rio, independentemente de qu\u00e3o repressivos os regimes possam ser.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso dessa estrat\u00e9gia \u00e9 evidente na situa\u00e7\u00e3o atual na Am\u00e9rica do Sul e Central, bem como na Europa Oriental, as duas arenas em que essa estrat\u00e9gia foi desenvolvida. A derrubada de ditaduras militares poderia ter aberto a possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista e, no caso dos antigos pa\u00edses do Pacto de Vars\u00f3via, poderia ter potencialmente levado a uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em vez disso, estamos testemunhando a expans\u00e3o do capital imperialista e a cont\u00ednua subjuga\u00e7\u00e3o dessas regi\u00f5es ao imperialismo. Os regimes que substitu\u00edram o Estado oper\u00e1rio deformado s\u00e3o, sem exce\u00e7\u00e3o, reacion\u00e1rios, sejam democr\u00e1tico-burgueses ou ditatoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro usual da rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica apoiada pelo imperialismo \u00e9 subverter uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica para neutralizar a dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, explorando a contradi\u00e7\u00e3o de um processo revolucion\u00e1rio democr\u00e1tico. A \u00fanica raz\u00e3o pela qual isso funciona \u00e9 a natureza da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em nossa era e a total aus\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ditadores reacion\u00e1rios n\u00e3o nos salvar\u00e3o!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sempre que os imperialistas apontam suas armas para regimes reacion\u00e1rios, os stalinistas geralmente correm em sua defesa. Isso \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de apoio \u00e0 burguesia nacional progressista sob outra forma. Para os stalinistas de hoje, a burguesia nacional progressista \u00e9 a Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3, o regime de Assad na S\u00edria e Kadafi na L\u00edbia. O resultado dessa pol\u00edtica \u00e9 sua posi\u00e7\u00e3o confusa sobre a Ucr\u00e2nia, onde falam de uma &#8220;paz&#8221; abstrata, ignorando a realidade \u00f3bvia de que a R\u00fassia imperialista est\u00e1 esmagando e destruindo a Ucr\u00e2nia. Assim, enquanto Assad era progressista, Zelensky n\u00e3o \u00e9 progressista o suficiente para ganhar seu apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como extens\u00e3o dessa postura, os stalinistas emprestam todo tipo de apoio pol\u00edtico \u00e0 repress\u00e3o mais implac\u00e1vel dos regimes reacion\u00e1rios. Tudo se justifica, desde que prejudique o imperialismo americano, independentemente de outro imperialista se beneficiar ou de a classe trabalhadora e os pobres sofrerem. Os stalinistas preferem jogar jogos geopol\u00edticos citando a revolu\u00e7\u00e3o colorida em vez de investir energia, tempo ou esfor\u00e7o em uma solu\u00e7\u00e3o real para a repress\u00e3o reacion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um v\u00eddeo recente, Hakim, um popular YouTuber stalinista, concluiu que os regimes reacion\u00e1rios se tornam mais repressivos quando confrontados com a t\u00e1tica imperialista de fomentar a revolu\u00e7\u00e3o colorida. Uma consequ\u00eancia disso \u00e9 a inclina\u00e7\u00e3o do regime em se alinhar com imperialistas que se op\u00f5em aos Estados Unidos. O v\u00eddeo terminava com uma mensagem esperan\u00e7osa: &#8220;outro mundo \u00e9 poss\u00edvel&#8221;, mostrando uma imagem de Xi Jinping ao lado dos l\u00edderes dos pa\u00edses do BRICS, incluindo o presidente do Ir\u00e3. Este \u00e9 um exemplo n\u00edtido de uma das fal\u00e1cias fundamentais dos stalinistas, especialmente no que diz respeito \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es coloridas. Eles identificam os perigos da rea\u00e7\u00e3o imperialista, mas veem os regimes reacion\u00e1rios como uma alternativa desej\u00e1vel. Os problemas decorrentes da natureza reacion\u00e1ria do regime s\u00e3o frequentemente ocultados ou minimizados para focar a aten\u00e7\u00e3o apenas no papel dos imperialistas. A brutalidade de Assad \u00e9 desculpada por seu apoio ao Hezbollah na resist\u00eancia palestina; a aproxima\u00e7\u00e3o de Kadafi \u00e0s na\u00e7\u00f5es africanas \u00e9 exagerado; enquanto sua coopera\u00e7\u00e3o com o imperialismo italiano na implementa\u00e7\u00e3o do &#8220;escudo&#8221; anti-imigrante \u00e9 ignorada. A verdade amarga \u00e9 melhor vista aos olhos dos trabalhadores e camponeses oprimidos por esses regimes: eles n\u00e3o nos salvar\u00e3o do imperialismo, e quando a classe oper\u00e1ria se rebela precisamente contra esses regimes, n\u00e3o podemos aplaudir o regime! Ao identificar os esfor\u00e7os imperialistas para influenciar as mobiliza\u00e7\u00f5es de massa, os stalinistas denunciam a mobiliza\u00e7\u00e3o em sua totalidade. Revolu\u00e7\u00f5es coloridas n\u00e3o deveriam ser poss\u00edveis a menos que explorassem as contradi\u00e7\u00f5es de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. A \u00fanica raz\u00e3o pela qual eles t\u00eam algum sucesso \u00e9 a aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e a consequente falta de consci\u00eancia de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa tarefa n\u00e3o \u00e9 apoiar a repress\u00e3o, mas construir essa dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, assumir o comando da luta democr\u00e1tica. O imperialismo deve ser combatido n\u00e3o com as armas do regime, mas com a classe oper\u00e1ria organizada em luta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Do Nepal \u00e0s revoltas \u00e1rabes, passando por Bangladesh<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na era do imperialismo, enfrentamos uma burguesia que j\u00e1 ultrapassou seu auge. A conclus\u00e3o de Trotsky em 1906, quando escreveu &#8220;Resultados e Perspectivas&#8221;, refletiu a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905. L\u00e1, ele concluiu que a burguesia de nosso tempo n\u00e3o \u00e9 mais capaz de resolver as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Essa tarefa recai nas m\u00e3os da classe oper\u00e1ria, que, em alian\u00e7a com o campesinato, deve liderar o processo revolucion\u00e1rio. A revolu\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria \u00e9, em ess\u00eancia, a revolu\u00e7\u00e3o socialista, mas em pa\u00edses atrasados, onde o desenvolvimento capitalista est\u00e1 estagnado e enfrentam rea\u00e7\u00e3o social, a ditadura e diversas distor\u00e7\u00f5es autocr\u00e1ticas, a revolu\u00e7\u00e3o ser\u00e1, em primeira inst\u00e2ncia, de natureza democr\u00e1tica. Isso foi verdade na R\u00fassia e continua sendo verdade na maioria dos pa\u00edses capitalistas subdesenvolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste s\u00e9culo, testemunhamos uma s\u00e9rie de processos revolucion\u00e1rios nos quais a classe oper\u00e1ria permaneceu como participante inconsciente, n\u00e3o como for\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o. Foi o caso em Bangladesh, Nepal, Sri Lanka e em todas as revoltas \u00e1rabes, do Norte da \u00c1frica at\u00e9 o Levante. Essa aus\u00eancia se deve principalmente \u00e0 crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, que \u00e9 a crise mais importante do nosso tempo. O resultado dessas duas aus\u00eancias cr\u00edticas foi visto no fracasso desses processos revolucion\u00e1rios. A maior parte do Norte da \u00c1frica e do Levante retornou \u00e0 autocracia ou entrou em guerra civil, o Nepal permanece preso em seu moribundo status semicolonial e Bangladesh parece prestes a retornar ao ciclo de anarquia e explora\u00e7\u00e3o do qual seu povo tanto tentou escapar.<\/p>\n\n\n\n<p>O perigo tamb\u00e9m est\u00e1 presente no Nepal atual. O processo revolucion\u00e1rio iniciado pela revolta da juventude pode descambar para a rea\u00e7\u00e3o ou fracassar se deixado nas m\u00e3os da dire\u00e7\u00e3o burguesa liberal. ONGs liberais e monarquistas reacion\u00e1rios, com sua for\u00e7a l\u00fampen, tacitamente apoiada pelos militares, j\u00e1 come\u00e7aram a minar seriamente os protestos. A derrubada do governo mao\u00edsta n\u00e3o livrar\u00e1 o Nepal da corrup\u00e7\u00e3o e da pobreza se as condi\u00e7\u00f5es materiais subjacentes n\u00e3o forem abordadas. Somente um programa socialista pode resolver esses problemas. No entanto, para isso, as for\u00e7as revolucion\u00e1rias devem se engajar com a juventude e a classe trabalhadora, e n\u00e3o ignorar a revolta ca\u00f3tica sob o pretexto de uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o colorida&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Adhiraj \u2013 New Wave Logo ap\u00f3s a derrubada do regime de Sheik Hasina, um curioso movimento de propaganda come\u00e7ou a emergir, especialmente entre os c\u00edrculos nacionalistas de direita na \u00cdndia. Seguindo o exemplo dos stalinistas, eles come\u00e7aram a culpar os Estados Unidos e a CIA pela revolu\u00e7\u00e3o liderada pelos jovens. 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