{"id":81507,"date":"2025-09-23T22:13:03","date_gmt":"2025-09-23T22:13:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81507"},"modified":"2025-09-25T18:12:42","modified_gmt":"2025-09-25T18:12:42","slug":"equador-paralisacao-do-povo-a-dignidade-nao-esta-a-venda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/09\/23\/equador-paralisacao-do-povo-a-dignidade-nao-esta-a-venda\/","title":{"rendered":"Equador | Paralisa\u00e7\u00e3o do povo: A dignidade n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda"},"content":{"rendered":"\n<p><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Publicamos abaixo artigo da Revista Crisis, do Equador, que em conjunto com outras meios comunit\u00e1rios est\u00e1 publicando informa\u00e7\u00f5es sobre a paralisa\u00e7\u00e3o nacional no pa\u00eds. A recente paralisa\u00e7\u00e3o no Equador tem sido acompanhada de perto por meios comunit\u00e1rios e populares de comunica\u00e7\u00e3o, que cumprem um papel fundamental ao transmitir informa\u00e7\u00f5es diretas das ruas, das comunidades e das organiza\u00e7\u00f5es mobilizadas permitindo compreender a dimens\u00e3o real das reivindica\u00e7\u00f5es e da repress\u00e3o enfrentada. Publicar e difundir suas not\u00edcias em outros espa\u00e7os, como este, \u00e9 uma forma de fortalecer a circula\u00e7\u00e3o de vozes que expressam o protagonismo dos povos em luta e de ampliar a solidariedade latino-americana. <\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O dia 22 de setembro de 2025 marca um marco na hist\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds: ap\u00f3s 23 meses deste &#8220;Novo&#8221; Equador, em meio a massacres em pris\u00f5es, dezenas de milhares de mortes evit\u00e1veis \u200b\u200b\u2014 uma crise de sa\u00fade e seguran\u00e7a \u2014 e a normaliza\u00e7\u00e3o do terrorismo de Estado, a classe trabalhadora disse basta.<\/p>\n\n\n\n<p>Basta de um projeto de exterm\u00ednio popular que transformou o Equador no pa\u00eds com a maior taxa de homic\u00eddios do continente \u2014 6.449 em 21 de setembro e o quinto maior do mundo \u2014 basta de servir como escravos de um magnata bananeiro que imp\u00f5e, a sangue e fogo, uma megapropriedade chamada Equador; chega de ser a \u00faltima col\u00f4nia na longa e tenebrosa sombra dos Estados Unidos sobre a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>A cada tr\u00eas anos \u2014 2019, 2022, 2025 \u2014 coincidindo com a imposi\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do FMI, o parasitismo da classe empresarial \u2014 que n\u00e3o gera sequer 15% do emprego no setor privado equatoriano \u2014 busca impor uma m\u00e3o dura ao projeto mais impopular de todos: a liberaliza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis para os padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o novo pacote, que, segundo a decis\u00e3o do FMI, levar\u00e1 o pre\u00e7o do diesel a US$ 4 at\u00e9 o final de 2025, seja apresentado em conjunto com uma ruptura definitiva com os princ\u00edpios democr\u00e1ticos do Estado de Direito. O &#8220;Novo&#8221; Equador ocupa uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica central na consolida\u00e7\u00e3o de um novo regime autorit\u00e1rio sem precedentes, no qual prevalecem o terrorismo de Estado, a militariza\u00e7\u00e3o permanente e a criminaliza\u00e7\u00e3o absoluta de qualquer dissid\u00eancia ao seu projeto de morte. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o \u00fanico mandat\u00e1rio no continente com nacionalidade ianque, al\u00e9m de Donald Trump, \u00e9 Daniel Noboa. Esta ser\u00e1 uma Constitui\u00e7\u00e3o ditada inteiramente por e a favor de Washington.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o nos enganemos: Noboa e companhia levaram o Estado equatoriano \u00e0 fal\u00eancia, assim como seus antecessores Moreno e Lasso, e buscam desesperadamente se sustentar sob os ditames do FMI. A d\u00edvida externa \u2014 tanto p\u00fablica quanto privada \u2014 \u00e9 estimada em cerca de 80% do PIB, tornando a inadimpl\u00eancia ou o n\u00e3o pagamento total um resultado inevit\u00e1vel. Daniel Noboa est\u00e1 ganhando tempo enquanto permanece no comando de um pa\u00eds condenado ao colapso sob os ditames da &#8220;nova&#8221; e eterna burguesia lumpen do Equador.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de se admirar que Noboa tenha sido um servo obediente do FMI: aumentando o IVA de 12% para 15% \u2014 sob o pretexto de um conflito interno \u2014, desfinanciando servi\u00e7os estatais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, solicitando a redu\u00e7\u00e3o de pastas governamentais e cadeiras legislativas, eliminando subs\u00eddios ao diesel, liberalizando os pre\u00e7os da gasolina extra e super e, como cereja do bolo, privatizando a previd\u00eancia social. Um total de US$ 5 bilh\u00f5es ser\u00e3o desembolsados \u200b\u200bat\u00e9 2025, dos quais US$ 1 bilh\u00e3o chegar\u00e1 em outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>De tempos em tempos, a fra\u00e7\u00e3o da oligarquia no poder \u00e9 incentivada a testar sua for\u00e7a contra o povo deste pa\u00eds, que pode ser pequeno, mas, ao mesmo tempo, transborda de dignidade. \u00c9 curioso como somos reconhecidos internacionalmente como povos guerreiros e como se apaga a mem\u00f3ria dos ricos aqui: a classe trabalhadora do Equador escreve sua hist\u00f3ria de p\u00e9, nunca de joelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a hist\u00f3ria mostra que o povo equatoriano jamais se ajoelhar\u00e1 diante de uma figura que apenas reflete seu mesquinho complexo de &#8220;Napole\u00e3o&#8221;, delirante de poder, que ele acredita ser sua fazenda pessoal, do qual pouco ou nada sabe \u2013 nem sequer conhece o hino nacional que jura defender \u2013 e pelo qual sente apenas desprezo.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde vemos charnecas, selvas e florestas, Noboa v\u00ea ouro, prata, cobalto e zinco para seus cofres pessoais. Onde vemos rios e mares de vida, ele v\u00ea rotas de tr\u00e1fico. Quando dizemos \u201cn\u00f3s\u201d dizemos somos, dizemos somos juntos\/as, todos e todas, as crian\u00e7as, os\/as irm\u00e3os mais novos, toda a Pachamama, com dignidade e justi\u00e7a. Quando ele diz &#8220;n\u00f3s&#8221;, refere-se ao Grupo Nobis. Simplesmente n\u00e3o somos o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio do extrativismo e do tr\u00e1fico transnacional de drogas, em menos de tr\u00eas anos, Daniel Noboa alcan\u00e7ou a corporatiza\u00e7\u00e3o do Estado: dos 1.800.000 hectares concedidos no Equador, 10% das concess\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o \u2014 quase 200.000 hectares \u2014 em n\u00edvel nacional est\u00e3o vinculadas ao Grupo Nobis.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte da estrat\u00e9gia de minar os fundamentos absolutos do Estado de Direito e diante de medidas socialmente insustent\u00e1veis, Noboa iniciou um &#8220;pingue-pongue&#8221; institucional entre o Poder Executivo, o Conselho Nacional Eleitoral e o Tribunal Constitucional, buscando a instaura\u00e7\u00e3o de um processo constituinte. O verdadeiro perigo de Noboa pressionar o Tribunal Constitucional com tanta for\u00e7a n\u00e3o reside em criar um caminho legal para sua destitui\u00e7\u00e3o, mas em gerar legitimidade aos olhos da opini\u00e3o p\u00fablica para se livrar do \u00fanico poder estatal que aparentemente freou suas pretens\u00f5es bonapartistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a aceita\u00e7\u00e3o pelo Tribunal Constitucional do Decreto Executivo 153, em 21 de setembro, o caminho est\u00e1 aberto para o desaparecimento do \u00fanico contrapeso ao poder de mercado no pa\u00eds: a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. N\u00e3o sabemos mais se o Tribunal Constitucional defendia a constitucionalidade e a democracia ou simplesmente negociava o maior pre\u00e7o poss\u00edvel. Durante esse per\u00edodo e posteriormente, Noboa governaria por decreto, com maioria na Assembleia Nacional, um Conselho Nacional Eleitoral permissivo e ac\u00f3lito, um CPCCS ( Conselho de Participa\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 e Controle Social) controlado e, como se tornou caracter\u00edstico, com um Minist\u00e9rio P\u00fablico e um Poder Judici\u00e1rio a servi\u00e7o do Narco-Estado. Se legitimada, essa a\u00e7\u00e3o corresponderia a uma ditadura civil por decreto, com as For\u00e7as Armadas acumulando descaradamente poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico dentro dessa rede criminosa, e a organiza\u00e7\u00e3o popular assediada pela persegui\u00e7\u00e3o, criminaliza\u00e7\u00e3o e infiltra\u00e7\u00e3o do aparato estatal. A pr\u00f3pria fazendo narcobananeira, com seu pequeno rei, deificado por uma multid\u00e3o desclassada: Noboa, nosso de cada dia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o NarcoEstado est\u00e1 fazendo o que quer: a militariza\u00e7\u00e3o total de Latacunga e das rodovias em todo o pa\u00eds. Al\u00e9m disso, come\u00e7am a circular rumores de que 10.000 pessoas tentar\u00e3o se mobilizar em Latacunga para enfrentar corpo a corpo o MICC (Movimento Ind\u00edgena e Campon\u00eas de Cotopaxi). N\u00e3o foi \u00e0 toa que Noboa iniciou uma pol\u00edtica de rua em 12 de agosto, buscando impor a l\u00f3gica da divis\u00e3o interna entre os setores populares e convocando a cria\u00e7\u00e3o de grupos de choque de civis, prontos para desencadear a viol\u00eancia nas ruas contra a organiza\u00e7\u00f5es popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado o atual ataque ao Tribunal Constitucional no contexto da convoca\u00e7\u00e3o do governo para uma consulta popular para um processo constituinte, o verdadeiro significado estrat\u00e9gico das marchas do governo em 12 de agosto e 11 de setembro \u00e9 evidente. Da mesma forma, tanto por parte do poder pol\u00edtico quanto da m\u00eddia, prevalece a amea\u00e7a de aplica\u00e7\u00e3o de leis antiterroristas a dirigentes populares e bases mobilizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o popular mais importante do pa\u00eds e do continente, o Movimento Ind\u00edgena foi dividido com sucesso ao cooptar a lideran\u00e7a ileg\u00edtima da FICSH (Federa\u00e7\u00e3o Interprovincial de Centros Shuar), representada por David Tankamash, que caiu em um processo de desacato \u00e0s decis\u00f5es coletivas e org\u00e2nicas tomadas tanto no VIII Congresso da CONAIE quanto durante a Assembleia Extraordin\u00e1ria de 18 de setembro. Enquanto a CONAIE estava em sess\u00e3o em Riobamba e sua lideran\u00e7a adotou o mandato popular de uma Paralisa\u00e7\u00e3o Popular, Tankamash se reuniu em Carondelet com o &#8220;Novo&#8221; Equador, negociando vantagens em minist\u00e9rios e secretarias. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade; lembremos que o &#8220;Novo&#8221; Equador neutralizou a lideran\u00e7a consequente de Le\u00f4nidas Iza na CONAIE por meio da coopta\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da classe trabalhadora, e diante do surgimento do narcoestado estabelecido, a consigna &#8220;nas ruas e nas urnas, N\u00c3O a Noboa&#8221; ganha for\u00e7a. Da nossa parte, e ap\u00f3s tr\u00eas longos anos de sonol\u00eancia coletiva, o Equador voltou \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva sempre os povos que lutam!<\/p>\n\n\n\n<p>Bem-vindxs de volta \u00e0 luta de classes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicamos abaixo artigo da Revista Crisis, do Equador, que em conjunto com outras meios comunit\u00e1rios est\u00e1 publicando informa\u00e7\u00f5es sobre a paralisa\u00e7\u00e3o nacional no pa\u00eds. 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