{"id":81498,"date":"2025-09-20T10:16:56","date_gmt":"2025-09-20T10:16:56","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81498"},"modified":"2025-09-26T01:59:35","modified_gmt":"2025-09-26T01:59:35","slug":"o-equador-se-levanta-para-enfrentar-o-ajuste-de-noboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/09\/20\/o-equador-se-levanta-para-enfrentar-o-ajuste-de-noboa\/","title":{"rendered":"O Equador se levanta para enfrentar o ajuste de Noboa"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Lena Souza<\/p>\n\n\n\n<p>O Equador est\u00e1 em luta novamente, depois que o governo de Daniel Noboa anunciou a elimina\u00e7\u00e3o do subs\u00eddio ao diesel. A medida elevou imediatamente os custos de transporte e alimenta\u00e7\u00e3o e a resposta popular foi r\u00e1pida: estudantes, comerciantes, trabalhadores do transporte foram \u00e0s ruas em protesto contra o reajuste, enquanto a CONAIE (Confedera\u00e7\u00e3o das Nacionalidades Ind\u00edgenas do Equador) declarou paralisa\u00e7\u00e3o nacional por tempo indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O aumento do pre\u00e7o do diesel foi a gota d&#8217;\u00e1gua<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 13 de setembro de 2025, por meio do Decreto Executivo 126, o governo eliminou o subs\u00eddio ao diesel, fixando o gal\u00e3o em US$ 2,80, um d\u00f3lar a mais que o pre\u00e7o anterior que era de US$ 1,80. A medida vigorar\u00e1 at\u00e9 dezembro, quando ser\u00e1 aplicado um sistema de faixas atreladas \u00e0 taxa de c\u00e2mbio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo defendeu a decis\u00e3o como uma medida &#8220;inevit\u00e1vel&#8221; para sanear as finan\u00e7as p\u00fablicas, no entanto, para amplos setores da popula\u00e7\u00e3o, o impacto foi imediato: aumento do pre\u00e7o dos transportes e alta dos pre\u00e7os dos alimentos b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As medidas de ajuste e de entrega do pa\u00eds vem desde a posse de Noboa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio de seu governo, Noboa promoveu um pacote de pol\u00edticas neoliberais como ajustes fiscais e redu\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios, primeiro para combust\u00edveis e agora com a elimina\u00e7\u00e3o completa do subs\u00eddio ao diesel, abertura da minera\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1reas de resist\u00eancia social e nitidamente passando por cima de plebiscitos onde a popula\u00e7\u00e3o votou contra a explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais como o petr\u00f3leo no Parque Nacional Yasuni em 2023 ou pela defesa da \u00e1gua e contra a explora\u00e7\u00e3o das mineradoras em Cuenca.<\/p>\n\n\n\n<p>Aplicou uma pol\u00edtica de austeridade contra os trabalhadores do setor p\u00fablico, com medidas como congelamento de &nbsp;sal\u00e1rios e contratos, processos de terceiriza\u00e7\u00e3o cortes em v\u00e1rias reparti\u00e7\u00f5es estatais, sob o argumento de \u201cefici\u00eancia administrativa\u201d. Al\u00e9m disso, se multiplicaram as den\u00fancias de atrasos no pagamento a servidores da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e justi\u00e7a, enquanto cargos de confian\u00e7a ligados ao c\u00edrculo presidencial seguem sendo ampliados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso o sistema p\u00fablico de sa\u00fade continua em colapso sob seu governo. H\u00e1 falta de insumos b\u00e1sicos nos hospitais, desabastecimento de medicamentos e falta de m\u00e9dicos para atendimento. Apesar das promessas de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d, a realidade \u00e9 que o or\u00e7amento da sa\u00fade n\u00e3o foi ampliado e grande parte dos recursos continua sendo desviada para o pagamento da d\u00edvida externa e para gastos militares. As filas nos hospitais crescem, pacientes morrem por falta de atendimento e os trabalhadores da sa\u00fade denunciam as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A crise sanit\u00e1ria \u00e9 um reflexo direto da prioridade dada ao ajuste fiscal sobre o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o pobre que depende do sistema p\u00fablico de sa\u00fade<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a apesar de que Noboa aplicou um aumento do IVA, com o argumento de utilizar o dinheiro para enfrentar&nbsp; a crise de inseguran\u00e7a, na verdade ela se aprofundou desde sua posse, marcada por um aumento da viol\u00eancia ligada ao narcotr\u00e1fico e ao crime organizado. Aplicou sucessivos estados de exce\u00e7\u00e3o, militarizando cidades e pris\u00f5es, mas sem enfrentar as causas estruturais da viol\u00eancia: desigualdade, desemprego e corrup\u00e7\u00e3o. Embora a ret\u00f3rica oficial fale de \u201cguerra contra as m\u00e1fias\u201d, a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora continua sendo a principal v\u00edtima, com bairros perif\u00e9ricos sob dom\u00ednio de grupos armados e uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a cotidiana que n\u00e3o se resolve com tanques nas ruas. A militariza\u00e7\u00e3o, por sua vez, tem servido tamb\u00e9m para reprimir protestos sociais, mostrando a real inten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de seguran\u00e7a do atual governo. Para completar contratou a assist\u00eancia da empresa militar norte-americana Blackwater, conhecida por disponibilizar mercen\u00e1rios para governos e grupos privados em diversos pa\u00edses do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas medidas mostram uma dire\u00e7\u00e3o n\u00edtida: descarregar a crise econ\u00f4mica sobre os setores mais pobres, garantindo o pagamento da d\u00edvida externa e os juros do grande capital.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalhadores, ind\u00edgenas e juventude v\u00e3o \u00e0 luta e a resist\u00eancia se amplia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos come\u00e7aram quase imediatamente, trabalhadores do transporte em Quito, Guayaquil e Loja realizaram greves parciais contra o aumento do diesel que tornam o servi\u00e7o insustent\u00e1vel. Estudantes da Universidade Central do Equador se mobilizaram em 16 de setembro, acompanhados por professores e aposentados, exigindo a revoga\u00e7\u00e3o do decreto. Houveram tamb\u00e9m v\u00e1rios bloqueios de vias em prov\u00edncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cuenca, cerca de 100.000 manifestantes foram \u00e0s ruas em 15 de setembro em uma grande marcha em defesa da \u00e1gua e contra o aumento do pre\u00e7o do diesel. Estudantes, comunidades rurais, grupos ambientalistas e sindicatos marcharam pelo centro hist\u00f3rico com cartazes denunciando a amea\u00e7a dos projetos de minera\u00e7\u00e3o aos mananciais da cidade, ao mesmo tempo em que rejeitavam o novo pre\u00e7o do diesel. A mobiliza\u00e7\u00e3o estava alinhada ao crescente descontentamento nacional, deixando evidente&nbsp; que a luta pela \u00e1gua e contra as medidas de austeridade neoliberais de Noboa fazem parte da mesma batalha pela vida e pela dignidade do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>O poder executivo respondeu com repress\u00e3o \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o estudantil e declarando estado de emerg\u00eancia em sete prov\u00edncias e militarizando ruas e rodovias. A medida confirma a estrat\u00e9gia do governo de criminalizar o protesto social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONAIE convoca paralisa\u00e7\u00e3o nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 18 de setembro, a CONAIE, depois de discutir em uma assembleia, anunciou uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional por tempo indeterminado, elevando o protesto a uma escala nacional. A organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena definiu uma agenda com v\u00e1rios pontos centrais:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Revoga\u00e7\u00e3o imediata do Decreto 126.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Revoga\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as ambientais para projetos de minera\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rios de recarga h\u00eddrica.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Fim do modelo extrativista que destr\u00f3i comunidades e ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Investimento real em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e programas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>5. Respeito aos direitos dos povos ind\u00edgenas e camponeses.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso o governo endureceu sua ret\u00f3rica, definindo os lutadores como terroristas, e prometeu pris\u00f5es de at\u00e9 30 anos contra aqueles que &#8220;atrapalham a vida&#8221;,<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><strong>Todo apoio \u00e0 luta ind\u00edgena e popular do Equador<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>A luta que hoje toma as ruas do Equador \u00e9 a express\u00e3o viva da resist\u00eancia de um povo que se recusa a carregar nos ombros o peso da crise criada pelos ricos. O fim do subs\u00eddio ao diesel, os cortes no setor p\u00fablico, a precariza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e a militariza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds fazem parte de um mesmo projeto neoliberal que busca garantir lucros ao capital financeiro e \u00e0s multinacionais, enquanto condena trabalhadores, camponeses e ind\u00edgenas \u00e0 mis\u00e9ria. Frente a isso, a mobiliza\u00e7\u00e3o popular, com destaque para a for\u00e7a hist\u00f3rica da CONAIE, abre caminho para uma luta que deve ser ampliada para os povo pobre da Am\u00e9rica Latina. \u00c9 dever de todos os lutadores e suas organiza\u00e7\u00f5es de classe apoiar incondicionalmente essa batalha do povo equatoriano, porque sua vit\u00f3ria ser\u00e1 tamb\u00e9m um passo adiante na luta de todos os povos da Am\u00e9rica Latina contra o saque de nossos recursos, o ajuste e a repress\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Lena Souza O Equador est\u00e1 em luta novamente, depois que o governo de Daniel Noboa anunciou a elimina\u00e7\u00e3o do subs\u00eddio ao diesel. 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