{"id":81471,"date":"2025-09-10T14:28:30","date_gmt":"2025-09-10T14:28:30","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81471"},"modified":"2025-09-26T15:10:07","modified_gmt":"2025-09-26T15:10:07","slug":"flotilha-a-gaza-desperta-protestos-pelo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/09\/10\/flotilha-a-gaza-desperta-protestos-pelo-mundo\/","title":{"rendered":"Flotilha \u00e0 Gaza desperta protestos pelo mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Marcel Wando<\/p>\n\n\n\n<p>Da flotilha \u00e0s ruas, uma onda internacional de mobiliza\u00e7\u00f5es se levanta para desafiar o bloqueio e denunciar o genoc\u00eddio palestino.<\/p>\n\n\n\n<p>A flotilha Global Sumud, que partiu no fim de agosto da Espanha e j\u00e1 cruzou o Mediterr\u00e2neo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Faixa de Gaza (<a href=\"https:\/\/globalsumudflotilla.org\/tracker\/#help\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acompanhe o trajeto aqui<\/a>), deve chegar ao destino por volta do dia 13 de setembro. A frota leva centenas de ativistas e toneladas de mantimentos, em um ato pol\u00edtico contra o bloqueio imposto por Israel. A expectativa da chegada desencadeou um chamado internacional a protestos na mesma data, com manifesta\u00e7\u00f5es previstas em diversas cidades do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Protestos pelo mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em G\u00eanova, o apoio ultrapassou a simbologia: os trabalhadores portu\u00e1rios coletaram mais de 300 toneladas de mantimentos para embarcar rumo a Gaza e anunciaram que, se a flotilha for atacada ou impedida, \u201cnenhuma carga sair\u00e1 do porto para Israel\u201d. Essa decis\u00e3o, respaldada pelo sindicato USB e pelo coletivo CALP, veio acompanhada de uma marcha noturna com tochas que reuniu 40 mil pessoas nas ruas da cidade. Inspirados pelo gesto genov\u00eas, sindicatos portu\u00e1rios de outros pa\u00edses tamb\u00e9m se declararam dispostos a aderir a um bloqueio europeu de cargas destinadas a Israel, caso a frota seja interceptada.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto tamb\u00e9m chegou ao mundo dos esportes. Durante a Vuelta a Espa\u00f1a, uma das maiores competi\u00e7\u00f5es de ciclismo do planeta, manifestantes pr\u00f3-Palestina interromperam etapas no Pa\u00eds Basco. A press\u00e3o foi tamanha que os organizadores foram obrigados a encurtar o percurso e declarar a prova sem vencedor. A equipe Israel-Premier Tech acabou retirando o nome \u201cIsrael\u201d de seus uniformes, numa tentativa de reduzir tens\u00f5es, e classificou os protestos como um risco \u00e0 seguran\u00e7a. O epis\u00f3dio ganhou destaque global e mostrou que at\u00e9 grandes eventos esportivos podem ser palco de resist\u00eancia contra o bloqueio de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos est\u00e1dios de futebol, a solidariedade se expressa em escala popular. Em Lisboa, torcedores do Fenerbah\u00e7e, da Turquia, estenderam uma faixa gigante com os dizeres \u201cStop the genocide in Gaza &#8211; Free Palestine\u201d (Parem o genoc\u00eddio em Gaza &#8211; Palestina Livre), cobrindo dois andares da arquibancada durante um jogo da Liga dos Campe\u00f5es. Al\u00e9m disso, torcidas turcas j\u00e1 vinham entoando c\u00e2nticos e exibindo bandeiras palestinas em jogos nacionais e internacionais desde o in\u00edcio da guerra. A pr\u00f3pria UEFA, pressionada pela opini\u00e3o p\u00fablica e por atletas, chegou a exibir antes da Supercopa da Europa um banner com a frase \u201cStop killing children. Stop killing civilians\u201d (Parem de matar crian\u00e7as. Parem de matar civis), em uma tentativa de responder \u00e0 onda de cr\u00edticas diante das mortes em Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o atravessa fronteiras tamb\u00e9m nas ruas. Dezenas de milhares protestaram em Bruxelas exigindo o fim dos bombardeios e do cerco a Gaza, em atos que se repetiram em cidades como Londres, Paris, Madri e Roma. Ao mesmo tempo, os organizadores da flotilha convocaram protestos em 44 pa\u00edses para acompanhar sua travessia, ampliando a press\u00e3o p\u00fablica internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 nos portos onde a flotilha aportou a solidariedade se materializou. Na Tun\u00edsia, ap\u00f3s o incidente em que uma das embarca\u00e7\u00f5es pegou fogo sob suspeita de um ataque de drone (o que foi negado pelas autoridades locais, que atribu\u00edram o fogo a causas internas), centenas se reuniram diante do cais com bandeiras palestinas e gritos de \u201cFree Palestine\u201d (Palestina Livre). O ataque, que n\u00e3o deixou feridos, serviu como lembrete da tens\u00e3o em torno da miss\u00e3o, mas tamb\u00e9m como demonstra\u00e7\u00e3o do apoio popular que ela desperta.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse mosaico de manifesta\u00e7\u00f5es, dos portos \u00e0s ruas, das competi\u00e7\u00f5es esportivas \u00e0s arquibancadas, demonstra que a flotilha j\u00e1 cumpre parte de sua miss\u00e3o antes mesmo de chegar a Gaza: romper o sil\u00eancio, gerar visibilidade e articular uma rede global de resist\u00eancia contra o bloqueio e o genoc\u00eddio que Israel est\u00e1 promovendo em Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tomar as ruas no dia 13 de setembro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A flotilha est\u00e1 sendo mais do que uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da solidariedade internacional aos palestinos. Ela est\u00e1 sendo um catalisador de uma onda de protestos global que defende a dignidade de um povo sitiado e seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e \u00e0 resist\u00eancia. Quando trabalhadores cruzam os bra\u00e7os, quando torcedores erguem suas bandeiras ou quando manifestantes interrompem um espet\u00e1culo esportivo, eles gritam que Gaza n\u00e3o est\u00e1 sozinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O 13 de setembro n\u00e3o ser\u00e1 apenas a poss\u00edvel data de chegada da flotilha em Gaza. O mundo deve voltar os olhos para as amea\u00e7as de Israel a essa a\u00e7\u00e3o de solidariedade. Por isso, protestos est\u00e3o sendo marcados em v\u00e1rias cidades pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamamos, em primeiro lugar, a ocupar as ruas em grandes manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade. E, onde for poss\u00edvel, ampliar essa for\u00e7a com paralisa\u00e7\u00f5es em escolas e locais de trabalho, envolvendo estudantes e trabalhadores para fortalecer a press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de transformar a solidariedade em a\u00e7\u00e3o efetiva, exigindo que os governos de todo o mundo rompam as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, econ\u00f4micas e militares com o Estado de Israel e ponham fim ao genoc\u00eddio e ao cerco criminoso a Gaza. No dia 13, Gaza n\u00e3o estar\u00e1 sozinha: que nossas lutas sejam extens\u00e3o da resist\u00eancia palestina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Marcel Wando Da flotilha \u00e0s ruas, uma onda internacional de mobiliza\u00e7\u00f5es se levanta para desafiar o bloqueio e denunciar o genoc\u00eddio palestino. 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