{"id":81460,"date":"2025-09-05T00:41:41","date_gmt":"2025-09-05T00:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81460"},"modified":"2025-09-05T00:41:42","modified_gmt":"2025-09-05T00:41:42","slug":"uma-alianca-entre-o-povo-palestino-e-o-proletariado-israelense-e-impossivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/09\/05\/uma-alianca-entre-o-povo-palestino-e-o-proletariado-israelense-e-impossivel\/","title":{"rendered":"Uma alian\u00e7a entre o povo palestino e o proletariado israelense \u00e9 imposs\u00edvel"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p><em>O rep\u00fadio \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza pelo ex\u00e9rcito israelense, e seus m\u00e9todos genocidas, gerou uma grande onda global de mobiliza\u00e7\u00f5es de solidariedade e apoio ao povo palestino e sua luta. Uma nova Flotilha da Liberdade est\u00e1 em andamento. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de jovens ativistas (alguns pela primeira vez em suas vidas) que tomaram a quest\u00e3o palestina como o centro de sua rebeldia participam massivamente dessas mobiliza\u00e7\u00f5es. <\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os jovens que participam dessas mobiliza\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias e o povo palestino recebem v\u00e1rias propostas sobre quais devem ser os objetivos dessa luta e as formas de alcan\u00e7\u00e1-los. Uma delas \u00e9 que o povo palestino deve fazer uma alian\u00e7a com um setor da sociedade israelense (especialmente sua classe oper\u00e1ria) para lutar juntos contra o sionismo e derrot\u00e1-lo. Consideramos que esta proposta est\u00e1 completamente equivocada e vamos polemizar com ela.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito pouco conhecido, mas o primeiro a formular tal proposta foi Dov Ber Borochov, um ativista judeu nascido na Ucr\u00e2nia em 1881. Em 1905, ele fundou a organiza\u00e7\u00e3o Poalei Zion (Trabalhadores de Si\u00e3o), que afirmava ser &#8220;sionista socialista&#8221; e prolet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seus escritos, reunidos em <em>A Quest\u00e3o Nacional e a Luta de Classes<\/em><a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><em>, <\/em>Borochov argumentou que as&nbsp; classes oper\u00e1rias <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Pueblo_%C3%A1rabe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e1rabes<\/a> e judaicas tinham interesses comuns na luta contra a explora\u00e7\u00e3o na <a href=\"https:\/\/es.wikipedia.org\/wiki\/Palestina_(regi%C3%B3n)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Palestina<\/a> e que podiam e deviam conviver em paz. \u00c9 importante lembrar que, na \u00e9poca em que escreveu esses textos, os judeus representavam apenas 7% da popula\u00e7\u00e3o da Palestina (nesse per\u00edodo sob o dom\u00ednio do Imp\u00e9rio Turco) e n\u00e3o sofriam nenhuma discrimina\u00e7\u00e3o dos \u00e1rabes palestinos (com uma tradi\u00e7\u00e3o de grande toler\u00e2ncia para com as minorias).<\/p>\n\n\n\n<p>Borochov e Poalei Zion tornaram-se a &#8220;ala esquerda&#8221; da pol\u00edtica do movimento sionista: encorajar a emigra\u00e7\u00e3o de judeus europeus para a Palestina para construir o Lar Nacional Judaico (Israel) l\u00e1. Em sua vis\u00e3o, a classe trabalhadora judaica, oprimida pelo capitalismo no ex\u00edlio, poderia se libertar e se unir em um <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?sca_esv=1303f4ac0cfcdd3b&amp;cs=0&amp;sxsrf=AE3TifO6puYOT_JcvDnEbrSb66HdNP1xYA%3A1756504717584&amp;q=estado+nacional&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwij5df9gbGPAxV0kZUCHUoEAjEQxccNegQIBBAB&amp;mstk=AUtExfA6fUwXm4rJlar2Wdu-OvrYjKH2dYkRJMRF4VCRkJ8WcKDZJDhtEIyV90O5af7DEW-T2z0DoqMQzg2UCbEXasO9554Hvbx1FjnXc2U68TIQZQE6u98W5X-cV1vlggY6TOM1hYxSpnQLR9sersEKL55giMiT-Dle7x7jy1V5KYmv8t2IFT83L2Qk8DH0HlU7Vaf3qXNjM3cDdSRShsQERcx7djhNIP2OlKpihMIoJ13KPtaqVzleMu7Rr8LZX4nxJ4qRk87UEClZoQpJOR6W7Y_x&amp;csui=3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estado nacional<\/a> pr\u00f3prio, em Israel, o que lhe permitiria lutar contra a burguesia e construir uma sociedade socialista judaica. A profunda omiss\u00e3o na proposta de Borochov \u00e9 que, para alcan\u00e7ar tal estado nacional na Palestina, os judeus teriam que expulsar o povo palestino de sua terra.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1907, perseguido pelo czarismo, Borochov teve que se exilar em Viena e nos Estados Unidos. Ele retornou \u00e0 R\u00fassia e, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro de 1917, apoiou a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e formou as &#8220;brigadas judaicas&#8221; que enfrentaram a contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Borochov morreu de pneumonia pouco depois. Portanto, ele n\u00e3o estava vivo quando o sionismo demonstrou inequivocamente seu car\u00e1ter de agente do imperialismo. Menos ainda experimentou as condi\u00e7\u00f5es concretas em que o Estado israelense foi criado ou os m\u00e9todos genocidas usados pelas mil\u00edcias armadas sionistas. N\u00e3o sabemos qual teria sido sua posi\u00e7\u00e3o diante desses eventos. No entanto, pensamos que seria importante discutir as suas posi\u00e7\u00f5es, porque ainda est\u00e3o presentes em algumas propostas atuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que \u00e9 imposs\u00edvel alcan\u00e7ar tal alian\u00e7a?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, Gilbert Achcar \u00e9 a principal refer\u00eancia para os processos do Oriente M\u00e9dio do Bir\u00f4 Pol\u00edtico da Quarta Internacional (o nome atual da organiza\u00e7\u00e3o de origem trotskista conhecida no passado como SU-Secretariado Unificado da Quarta Internacional).<\/p>\n\n\n\n<p>Em um artigo de outubro de 2023, ele afirma que um dos principais objetivos da &#8220;a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221; do povo palestino deve ser alcan\u00e7ar <em>&#8220;a emancipa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria sociedade israelense da l\u00f3gica do sionismo&#8230;&#8221;.<\/em><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><em><strong>[2]<\/strong><\/em><\/a><em>\u00c9 uma formula\u00e7\u00e3o um pouco mais ampla do que a apresentada no passado por organiza\u00e7\u00f5es trotskistas como o CIT (Comit\u00ea por uma Internacional dos Trabalhadores): <\/em>uma alian\u00e7a entre o povo palestino e a classe oper\u00e1ria israelense para acabar com o Estado sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas propostas s\u00e3o equivocadas porque s\u00e3o objetivamente imposs\u00edveis de serem alcan\u00e7adas, dado o car\u00e1ter do Estado de Israel desde o seu in\u00edcio e, como consequ\u00eancia, o car\u00e1ter de sua popula\u00e7\u00e3o. O ponto de partida dessas propostas equivocadas \u00e9 n\u00e3o entender que Israel n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds opressor\/imperialista &#8220;normal&#8221;, mas um enclave imperialista. Foi criado pelas pot\u00eancias imperialistas com base no roubo e usurpa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio palestino e na expuls\u00e3o violenta desse povo de suas terras, com m\u00e9todos genocidas. O sionismo foi a ferramenta usada pelo imperialismo para criar esse enclave.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele territ\u00f3rio roubado dos palestinos, uma popula\u00e7\u00e3o estrangeira foi artificialmente instalada, e continua a faz\u00ea-lo, (principalmente judeus de origem europeia, mais tarde tamb\u00e9m de outros pa\u00edses) que constru\u00edram suas vidas sobre as bases que descrevemos: as casas em que vivem os oper\u00e1rios israelenses, as escolas onde seus filhos estudam, as f\u00e1bricas e os campos em que trabalham foram constru\u00eddos nas terras que foram roubadas do povo palestino, dos que foram expulsos. Toda a sociedade israelense (incluindo a grande maioria de sua classe oper\u00e1ria) est\u00e1 ciente disso e n\u00e3o est\u00e1 disposta a devolver essas terras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o existe bom sionismo<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 um grave erro propor ganhar a &#8220;sociedade israelense&#8221; (ou sua classe oper\u00e1ria) para uma alian\u00e7a contra o sionismo ou considerar que apenas o governo de Netanyahu e sua pol\u00edtica genocida contra os palestinos expressam o sionismo. Algo como &#8220;\u00e9 poss\u00edvel haver um bom sionismo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fatos hist\u00f3ricos negam categoricamente essa possibilidade. O primeiro l\u00edder pol\u00edtico do Estado israelense, Ben Gurion, come\u00e7ou sua milit\u00e2ncia em Poalei Zion (ao qual j\u00e1 nos referimos) e mais tarde se tornou o fundador do Mapai (partido trabalhista israelense). Foi seu governo que realizou a primeira <em>nakba<\/em> contra os palestinos. Golda Meir pertencia ao mesmo partido e era primeira-ministra quando Israel ocupou militarmente Gaza e a Cisjord\u00e2nia em 1967, ap\u00f3s a &#8220;Guerra dos Seis Dias&#8221;. Reprimiu com extrema crueldade, prendeu e assassinou jovens e crian\u00e7as que resistiram \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o com pedras nas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>A sociedade israelita foi girando politicamente cada vez mais para a posi\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso apoderar-se de todo o territ\u00f3rio da Palestina e, para esse fim, expulsar definitivamente o povo palestino, ainda que por m\u00e9todos genocidas. O Partido Trabalhista Israelense (um suposto &#8220;bom sionismo&#8221;) foi-se enfraquecendo crescentemente: nas elei\u00e7\u00f5es de 2020, obteve apenas 3 deputados para o Knesset (assembleia legislativa de 120 membros). Por isso, por muitos anos, o papel central nos governos e no regime pol\u00edtico israelense foi ocupado pelo partido sionista de direita (Likud), agora liderado por Benjamin Netanyahu, em alian\u00e7a com organiza\u00e7\u00f5es ainda mais \u00e0 direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, \u00e9 imposs\u00edvel manter a roupagem falsamente socialista e progressista com que se tentou ocultar o car\u00e1ter do Estado israelense como um enclave imperialista desde sua funda\u00e7\u00e3o e os m\u00e9todos genocidas que usou e usa contra os palestinos. Mesmo importantes pol\u00edticos israelenses j\u00e1 reconhecem que o estado sionista foi constru\u00eddo com uma ideologia semelhante \u00e0 do nazismo e emprega os mesmos m\u00e9todos genocidas contra os palestinos que os nazistas usaram contra os judeus europeus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existem, \u00e9 evidente, alguns intelectuais que criticaram duramente o sionismo e seus m\u00e9todos, romperam com ele e chamam a combate-lo. \u00c9 o caso de Ana Shapiro, Ilan Papp\u00e9 e Shlomo Sand<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Mas essas s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es individuais no quadro de uma sociedade israelense que, em sua esmagadora maioria, ap\u00f3ia a l\u00f3gica sionista (&#8220;A Palestina deve pertencer aos judeus&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tradi\u00e7\u00e3o do trotskismo<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio desse processo, o trotskismo e a Quarta Internacional tiveram uma posi\u00e7\u00e3o muito n\u00edtida. Sua declara\u00e7\u00e3o de 1947 afirma: <em>&#8220;A posi\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional sobre a quest\u00e3o palestina permanece t\u00e3o n\u00edtida quanto no passado. Estar\u00e1 na vanguarda da luta contra a partilha, em favor de uma Palestina unida e independente&#8230;&#8221;<\/em>&nbsp; Depois acrescenta que Israel \u00e9 <em>&#8220;um projeto expansionista artificial&#8221;,<\/em> que \u00e9 considerado um <em>&#8220;instrumento do imperialismo para controlar a regi\u00e3o&#8221;.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, essa tradi\u00e7\u00e3o foi mantida por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es trotskistas. Em 1971, o SWP estadunidense declarou (na <em>Resolu\u00e7\u00e3o sobre Israel e a Revolu\u00e7\u00e3o \u00c1rabe<\/em>): <em>&#8220;Israel foi criado de acordo com o objetivo sionista de estabelecer um estado judeu. S\u00f3 conseguiu se estabelecer no Oriente \u00e1rabe \u00e0s custas dos povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o. Tal Estado s\u00f3 poderia existir e manter-se apoiando-se no imperialismo. Israel \u00e9 um estado capitalista, colonialista e expansionista, mantido principalmente pelo imperialismo estadunidense e hostil aos povos \u00e1rabes vizinhos&#8221;.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1973, o PST argentino estabeleceu uma posi\u00e7\u00e3o semelhante no documento <em>Palestina: Hist\u00f3ria de uma Coloniza\u00e7\u00e3o, <\/em>escrito por Nahuel Moreno<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Nesse material, um novo elemento \u00e9 incorporado: tomar como seu o slogan &#8220;Por uma Palestina Laica, Democr\u00e1tica e N\u00e3o Racista&#8221;, eixo do programa fundador da Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP), de 1964. Para realizar essa aspira\u00e7\u00e3o do povo palestino, era necess\u00e1rio destruir o Estado de Israel. Em 1982, esta proposta foi incorporada como parte do acervo program\u00e1tico da LIT-QI. Nessa mesma \u00e9poca, a OLP come\u00e7ava a abandon\u00e1-la e a adotar a consigna dos &#8220;dois estados&#8221;. Finalmente, abandonou definitivamente com os Acordos de Oslo<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1985, um camarada enviou uma carta criticando essa consigna. Moreno escreveu uma resposta onde a qualificava como &#8221; consigna democr\u00e1tico \/ transicional&#8221; que <em>&#8220;pode abrir o caminho para a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria&#8221;<\/em> na Palestina e no mundo \u00e1rabe<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse texto, Moreno analisa que todos os setores da classe oper\u00e1ria israelense eram <em>&#8220;basti\u00f5es do Estado sionista&#8221;, <\/em>tanto os de origem asquenaze (mais privilegiados), quanto os de origem sefardita ou sabras (mais explorados e discriminados). Diz que <em>&#8220;o \u00fanico setor social em luta permanente contra Israel&#8221;<\/em> \u00e9 <em>&#8220;o movimento \u00e1rabe e mu\u00e7ulmano, em cuja vanguarda indiscut\u00edvel est\u00e3o os palestinos&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam trotskistas e prop\u00f5em &#8220;uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica&#8221;, &#8220;a forma\u00e7\u00e3o de dois Estados&#8221; ou uma &#8220;alian\u00e7a entre o povo palestino e a classe oper\u00e1ria israelense&#8221; o fazem em total contradi\u00e7\u00e3o com a posi\u00e7\u00e3o trotskista e da Quarta Internacional, desde 1947. Pior, eles negam completamente a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste ponto, \u00e9 necess\u00e1rio referir-se \u00e0 crise interna do Estado sionista: importantes personalidades intelectuais pedindo o fim do genoc\u00eddio em Gaza e crise com os soldados reservistas. Nesse contexto, em setembro passado houve uma greve geral cujo eixo era a exig\u00eancia ao governo de Netanyahu de que sua prioridade fosse o retorno com vida dos ref\u00e9ns israelenses mantidos pelo Hamas em Gaza. E se fosse necess\u00e1rio, que ele assinasse um cessar-fogo com o Hamas para trocar prisioneiros (algo que o governo israelense se recusa a fazer).<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito bom que essas contradi\u00e7\u00f5es existam na sociedade israelense porque, como analisou a professora Arlene Clemesha, <em>elas &#8220;enfraquecem Israel&#8221;<\/em> e seu regime pol\u00edtico<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. O povo palestino deve aproveitar essa fragilidade para atacar esse inimigo &#8220;enfraquecido&#8221; com ainda mais for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 um erro conceitual grav\u00edssimo (do qual deriva uma pol\u00edtica equivocada) acreditar que essas contradi\u00e7\u00f5es possam avan\u00e7ar e dar um salto qualitativo em setores massivos da popula\u00e7\u00e3o judaica de Israel (ou sua classe oper\u00e1ria) que os levar\u00e1 a romper com a &#8220;l\u00f3gica sionista&#8221; e apoiar a destrui\u00e7\u00e3o de Israel. Inevitavelmente se unir\u00e3o \u00e0 burguesia israelense para defender &#8220;seu estado judeu&#8221; contra o &#8220;inimigo palestino&#8221;. Como Nahuel Moreno apontou, a destrui\u00e7\u00e3o do Estado sionista s\u00f3 poder\u00e1 ser realizada pelo povo palestino, apoiado pelos trabalhadores e pelas massas \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas. Qualquer proposta que n\u00e3o ajude nesse objetivo acaba ajudando o inimigo sionista.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/tematica\/cuadernos-pyp\/Cuadernos-PyP-83.pdf<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/vientosur.info\/primeras-notas-urgentes-sobre-la-contraofensiva-de-hamas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiras notas urgentes sobre a contraofensiva do Hamas \u2013 Viento Sur<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/existe-un-pueblo-judio\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a><a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/tematica\/palestina\/documentos\/externos\/4inter-editorial-1947.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/tematica\/palestina\/documentos\/externos\/4inter-editorial-1947.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> https:\/\/www.marxists.org\/history\/etol\/document\/swp-us\/24thconvention\/zionism.htm<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> https:\/\/nahuelmoreno.org\/palestinahistoria-de-una-colonizacion\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/oslo-la-paz-de-los-cementerios-para-la-continua-nakba\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/pi1105.htm<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/la-huelga-general-amplia-la-crisis-israeli\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> &nbsp;<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/10\/08\/israel-nunca-esteve-tao-pressionada-e-encurralada-diz-especialista-em-historia-arabe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00abIsrael nunca esteve t\u00e3o pressionado e encurralado\u00bb, | Internacional (brasildefato.com.br)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alejandro Iturbe O rep\u00fadio \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza pelo ex\u00e9rcito israelense, e seus m\u00e9todos genocidas, gerou uma grande onda global de mobiliza\u00e7\u00f5es de solidariedade e apoio ao povo palestino e sua luta. Uma nova Flotilha da Liberdade est\u00e1 em andamento. 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